Oi, meu nome é Natália Sousa, sou jornalista, roteirista, escritora e comunicadora. Viciada em autoconhecimento, conversas profundas e mergulhos internos (mesmo quando desconfortáveis), criei o Para dar Nome às Coisas para ser uma mesa de bar na web. Aqui compartilho histórias que eu vivi e que eu só contaria numa mesa de boteco, no sofá de casa ou num divã de psicanalista - de um jeito honestão e em primeira pessoa. A cada play você vou te guiar por uma viagem sobre medo, fracasso, coragem, recomeço, dor e tudo o mais que atravessa uma vida viva.
Last refreshed: ⓘ
Follow this podcast in the Metacast mobile app to refresh it and see new episodes.
Don't just listen to podcasts. Learn from them with transcripts, summaries, and chapters for every episode. Skim, search, and bookmark insights. Learn more
Às vezes a gente olha para um objeto, para uma pessoa, para uma casa. Às vezes a gente sente um cheiro, come uma comida, e é invadido por uma sensação boa. Uma sensação familiar, uma sensação de casa. Uma sensação de que aquela memória tem nome e endereço. Mas às vezes não. Às vezes a gente olha para uma coisa e intui que aquilo vai nos fazer bem. Ou desconfia que aquilo já fez bem em um passado distante. Foi isso que aconteceu numa quinta-feira, anos depois daquela memória da revista. E tudo qu...
Esses dias eu conheci a história de um homem que conquistou coisas que a maioria de nós valoriza: reconhecimento, prestígio, aprovação, validação. Mas que, apesar disso, morria de medo do abandono. Na cabeça dele é como se tudo que ele fosse viver, por mais diferentes que fossem as experiências, no final, ele sempre seria deixado, abandonado, esquecido, não gostado. Esse medo estava em tudo praticamente. Sempre que um amigo cancelava um jantar em cima da hora ou quando mandavam uma mensagem e a ...
Imagina que você vai ao cinema e escolhe um filme para assistir. Entra na sala, pega a pipoca, se ajeita na poltrona, cria várias expectativas sobre aquela experiência. Mas assim que o filme acaba você tem certeza de que foi o pior filme que você viu na vida. Nunca fizeram um filme tão ruim na história. Você detesta tudo: o roteiro, o diretor, os atores, o enredo, tudo. Acontece que no dia seguinte, você vai lá no cinema de novo e, entre tantas opções, escolhe ver o mesmo filme. E, no final, rec...
Isso me lembra uma frase que eu vi tatuada no braço de uma colega de trabalho, e que tem muito a ver com isso: “O que você viveu ninguém rouba,” do Gabriel García Márquez. A gente pode perder muitas coisas, mas ninguém tira as experiências que eles nos trouxeram. Há algo das nossas relações com as coisas que é nossa. E que, mesmo que alguém use, replique, reproduza, não vai se repetir, porque o elemento ‘eu’ não se repete também. É por aí que vai a nossa mesa de bar, cê vem? edição: @valderso...
Existe um paradoxo muito interessante nos dias atuais. Que é: a gente tem tantas possibilidades de escolha, do filme ao aplicativo de comida. Do aplicativo de relacionamento aos próprios modelos de relacionamento. . Que, muitas vezes, a gente acaba esquecendo qual é a necessidade que a gente tá querendo resolver com essa escolha. A gente tá abrindo o aplicativo, e é tanta coisa, que a gente esquece do que é a nossa fome. A gente esquece qual é a nossa necessidade. A gente se desconecta do que é ...
Há algo na mudança que é assustador: não se sabe, exatamente, o que a gente vai encontrar do outro lado. É sempre uma aposta e, por isso, tem uma parte que é alívio, outra parte que é angústia. É disso que eu falo hoje. É a estreia do quadro "Me vê dois copos?” da nossa mesa de bar preferida. :) Agora, o Para dar Nome às Coisas traz um episódio novo, em vídeo, a cada quinze dias. Os episódios tradicionais de quarta-feira seguem sendo publicados semanalmente, as quartas-feiras. edição: @valder...
Como se minha vida fosse um livro e eu tivesse deixado aquele capítulo para trás. Coisa que seria natural e até razoável que acontecesse, se, junto com essa virada de página, não tivesse ficado para trás também toda sensação de que eu era uma potência. E eu não queria me esquecer que eu era uma potência. Não queria me esquecer que era eu que estava lá, que fui eu que segurei os melhores e os piores dias desse processo, que fui eu que abri mão de um monte de coisa, que renunciei várias outras, qu...
Esse dias, eu fui à padaria que eu sempre vou e pedi um suco de morango com laranja. Enquanto eu ainda olhava o cardápio, o garçom voltou com uma pergunta: “você quer açúcar?”. E eu respondi: pouco. Tempos depois, o suco chegou. No primeiro gole eu fui transportada para semanas atrás em que a mesma cena tinha acontecido. Eu tinha pedido com pouco açúcar, mas veio exatamente como estava agora: muito doce. Olhei em volta, procurando ele, e fui levantando meu braço para dizer: ‘moço, pedi com pouco...
Natália reflete sobre a percepção de que ser adulto envolve a capacidade de decidir o que é melhor para si, mesmo que isso signifique bancar perdas ou enfrentar desconfortos. Ela compartilha o dilema de um show e um prazer "transgressor" no McDonald's para ilustrar como a autonomia e a aceitação das próprias oscilações e limites são cruciais para o autocuidado e o bem-estar. O episódio conclui que o caminho para o conforto frequentemente passa pelo desconforto inicial e pela libertação de idealizações.
Esse não é um manual, nem um guia, nem um tutorial sobre como dar nome àquilo que a gente sente. Mas é, certamente, uma lista com quatro coisas que eu faço e que me ajudam muito a entender o que se passa dentro do meu peito. É um episódio para você ouvir toda vez que você se perguntar: o que eu estou sentindo? Espero que ajude você também. edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops Apoie a nossa mesa de bar: https://apoia.se/paradarnomeascoisas...
Esses dias, eu fui fazer uma viagem a trabalho e na volta perdi o voo. Andando pelo saguão do aeroporto fiquei pensando em tudo que eu poderia ter feito diferente para as coisas darem certo. Para acontecerem como o planejado. Um turbilhão de “e se". Foi então que uma parte de mim disse: o que eu tenho é o que foi, o que eu tenho é o que é agora, e a vida sempre se reorganiza no movimento. É por aí que vai o episódio dessa semana, cê vem? edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca...
Eu acho que amadurecer é também fazer as pazes com a vida prática. Dar conta de si, lembrar que a batata tá estragando na gaveta da geladeira e que a gente precisa comer mais fruta. É saber que é necessário pensar racionalmente mais vezes do que a gente gostaria porque cuidar de si é uma responsabilidade nossa. Mas eu acho acho que a gente tem que manter acessa a reivindicação do sonho. A gente precisa reivindicar o lugar do sonhar. Da beleza. Do encantamento. Das listas que só tem uma finalidad...
Neste episódio, a anfitriã Natália Sousa compartilha uma experiência pessoal de ansiedade pós-evento, levando a uma profunda autorreflexão sobre o medo de não ser gostada e a necessidade humana universal de pertencer. Ela narra uma parábola inspiradora sobre uma comunidade que oferece hospitalidade a viajantes em troca de suas histórias, simbolizando encontros genuínos. A discussão explora como as relações prosperam através da troca recíproca de diferentes perspectivas e do acolhimento da alteridade, destacando que amadurecer significa humanizar-se e abrir-se ao desconhecido para nutrir os vínculos.
Natália reflete sobre a tendência de idealizar a vida e como isso pode nos paralisar. Através de duas histórias pessoais – a compra de uma camisa que não servia e o desejo de passar mais tempo com seu pai – ela ilustra a importância de abandonar o 'ideal' em favor do 'possível'. O episódio nos convida a questionar: 'Qual é o outro jeito que eu não tentei ainda?' para alcançar o que é importante para nós de maneira mais leve e criativa.
Isso não é tudo. Isso não é sobre mim. Isso também passa. Esses dias, eu me dei conta de que as frases que mais me ajudam a sair de fluxos mentais negativos começam com “i”. E é por aí que vai o episódio dessa semana. Cê vem? edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops Apoie a nossa mesa de bar: https://apoia.se/paradarnomeascoisas
Isso não quer dizer que o vazio é bom. Mas quer dizer que o vazio quase sempre precede a mudança. Toda mudança nasce de um esvaziamento. Um esvaziamento de identidade, de sentido, de olhar, de crença. Era isso, para deixar algo novo vir, eu tinha que me esvaziar do que era antes. Ou de uma parte do que era antes. É por aí que vai o episódio dessa semana, cê vem? edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops Apoie a nossa mesa de bar: https://apoia.se/paradarnomeasco...
Minha cabeça tava a milhão quando eu decidi sentar no sofá, de pernas cruzadas e fechar os olhos por dez minutos. Um silêncio profundo e quase palpável tomou conta de toda a minha casa. É como se tudo tivesse quieto. Como se eu pudesse ouvir direito pela primeira vez. Nessa quietude de que eu me dei conta de uma coisa muito importante. A voz crítica que tava me perseguindo - desde ontem - era minha. Só minha. Tava dentro, não fora. E essa percepção mudou tudo. edição: @valdersouza1 identidade...
Acho que a dúvida, muitas vezes, esconde um desejo de tomar a decisão perfeita. A escolha impecável. Acontece que a vida, muitas vezes, não é uma prova de uma única alternativa certa e verdadeira, mas de várias certas e verdadeiras. Então me parece que o desafio não é escolher a melhor decisão, mas escolher aquela que a gente toleraria menos a falta causada por ela. Me vê dois Copos é o quadro quinzenal em vídeo do podcast Para dar Nome às Coisas. Você pode ver o episódio na íntegra no Spotify. ...
Na minha família tinha uma coisa que envolvia lavar a louça que sempre me tocava muito profundamente Toda vez que alguém quebrava um copo sem querer, a primeira coisa que a minha mãe fazia era recolher os cacos. Ela pegava a pá, a vassoura e começava a puxar os pedacinhos de vidro. Mesmo que a gente já tivesse quebrado muitos nos últimos meses, mesmo que só tivessem ficado dois copos de cada jogo no armário, mesmo que a gente tivesse errado na quantidade de sabão, fazendo ele escorregar, não imp...
A real é que eu acredito que coisas boas dão trabalho muitas vezes. Muitas delas dependem de esforço, de construção, de tentativa e erro. Não tem nada de errado com isso. O problema é acreditar que para ser bom tem que ser difícil, porque aí a gente começar a se manter em situações horríveis, das quais a gente podia sair, porque tem uma lógica dizendo que quanto mais complicado, mais valor pras coisas e para gente. Tenho me repetido todos os dias, sem faltar um, que coisas boas podem e devem ser...
Apego é aquilo que apaga a diferença entre ocupar espaço e fazer presença. Me vê dois Copos é o quadro quinzenal em vídeo do podcast Para dar Nome às Coisas. Você pode ver o episódio na íntegra no Spotify. edição: @amandafogaca texto e apresentação: @natyops Apoie a nossa mesa de bar: https://apoia.se/paradarnomeascoisas
Esses dias, enquanto eu almoçava, uma imagem me veio à cabeça. A imagem de uma piscina de prédio, aquelas que sempre lota quando tá calor. Na beirada da piscina tem um garotinho de, no máximo, sete anos. Ele tá vestido com uma sunga de super herói, com uma marca de protetor solar bem em cima dos ombros, e tá suando muito, porque tá muito calor. O menino quer muito entrar na piscina - é o que ele mais quer há dias - mas tem um problema: ele não sabe nadar e não quer usar as boias. Usar as boias é...
No fim do ano passado, eu decidi que ia aprender mais sobre organização. A ideia era organizar a minha rotina para que eu pudesse fazer um pouco mais da coisas que eu gosto, inclusive nada. Mas de repente a intenção que tinha me movido para aquele compromisso comigo mesma se perdeu e eu comecei a perseguir o modelo ideal de organização. Ou seja, me descolei do “para que” eu tava fazendo aquilo”, que era deixa minha vida mais leve, e grudei no “o que”, que era organizar. E o que era para deixar m...
“Como eu faço para superar?”. Na última semana, eu recebi essa mesma pergunta, em diferentes contextos, e ela me levou para um dia em que eu tava presa num trânsito, pensando a mesma coisa. “Como eu faço para superar?” Eu queria, assim como quase todos nós, deixar aquilo que dói para trás, como quem se suspende acima da realidade. Mas precisei de um tempo a mais de vida para entender que ‘superar’ não é algo que eu faço, é algo que acontece depois que eu me coloco para atravessar. É por aí que v...
“Poderia falar sobre se sentir estagnado na vida? Eu vou fazer aniversário mês que vem, 33 anos, terminei recentemente um noivado, ainda moro com a minha mãe. Embora o nosso relacionamento seja incrível, meu sonho é morar sozinha. Resolvi investir num negócio assim que me formei e a instabilidade financeira deixa tudo muito difícil” Recebi essa mensagem de uma amiga de bar. Deixei ecoar por dias essa pergunta até que me senti pronta para gravar esse episódio. Te encontro amanhã na nossa mesa de ...
Nenhuma aprovação externa vai ser suficiente se eu não concordar com ela, assim como nenhuma desaprovação pode ser tão destrutiva, quanto é quando eu concordo com ela. É sobre insegurança o “Me vê dois Copos” da vez. Episódio na íntegra no @spotify Cê vem? edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops Apoie a nossa mesa de bar: https://apoia.se/paradarnomeascoisas
A gente tava nos últimos dias de um trabalho que tinha durado um ano inteiro e pro qual eu tinha me dedicado muito. Mas ali, nas últimas semanas, eu não aguentava mais pensar naquilo, nem ver aquilo, nem opinar sobre aquilo. Eu só queria, muito, que aquilo terminasse, então eu fiz uma coisa que eu nunca tinha feito nos onze meses anteriores, eu disse: “tanto faz” para uma decisão que mudaria o rumo de tudo que eu tinha construído até ali. Na época, eu ainda não tinha construído pra mim uma image...
É a história de um elefante que aparece no meio da cidade. Ninguém nunca viu um elefante nesse lugar e o boato que tem um animal grande por ali se espalha e chega na casa de uma menina que é muito curiosa. Ela vai até lá, olha o animal, e quando chega em casa diz: 'ele tem uma barriga muito grande'. O vizinho dela faz a mesma coisa e quando chega em casa diz: 'ele tem a pata muito grande'. Duas ruas acima, uma senhora vai lá e constata: 'ele tem um rabo muito grande'. Todo mundo viu o mesmo anim...
Eu estava conversando com um rapaz sobre um livro que ele tinha lido e que quase todo mundo no meu ciclo leu também. Ele me dizia que tinha amado e me perguntou: você leu?" Eu disse que era o próximo que eu leria. Então ele falou: "tem gente que ama e tem gente que odeia. Quem não gosta, não gosta do final. Eu amo porque, sobretudo, eu entendo que aquela história é a história daquela autora. E eu acho que ela só podia tomar as decisões que eram dela, não as que eu achava que ela tinha que tomar....
“Como lidar com a sensação de que todo mundo está avançando menos você? No fim, como lidar com a inveja?” Dia desses uma amiga nossa de bar me fez essa pergunta. E entre todas as que eu recebi nos últimos tempos foi a que eu mais gostei. Eu gosto de falar de inveja. Acho um sentimento genuíno, verdadeiro e que ensina muito quem quer aprender de si. É uma pena, só, que a gente pare na vergonha e na culpa de sentir. É uma pena que a gente tenha tanto medo dele. Reconhecer a inveja pode ser um cami...