S06EP221 - Quando me abro pros encontros - podcast episode cover

S06EP221 - Quando me abro pros encontros

Mar 13, 202447 minSeason 6Ep. 221
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Summary

Neste episódio, a anfitriã Natália Sousa compartilha uma experiência pessoal de ansiedade pós-evento, levando a uma profunda autorreflexão sobre o medo de não ser gostada e a necessidade humana universal de pertencer. Ela narra uma parábola inspiradora sobre uma comunidade que oferece hospitalidade a viajantes em troca de suas histórias, simbolizando encontros genuínos. A discussão explora como as relações prosperam através da troca recíproca de diferentes perspectivas e do acolhimento da alteridade, destacando que amadurecer significa humanizar-se e abrir-se ao desconhecido para nutrir os vínculos.

Episode description

Era a história de uma comunidade que ficava entre duas grandes cidades. As pessoas sempre passavam por lá para chegar a algum lugar, ou para ir para algum lugar, nunca para ficar, exatamente, lá. Mas sempre tinha algum viajante que não sabia disso e decidia passar a noite ali.

Logo, então, indicavam a casa de uma família, onde ele poderia se hospedar desde que contasse o que tinha visto no mundo. Era esse o acordo. Ele teria sopa, uma lareira quentinha, uma cama aconchegante, mas precisaria contar dos maiores bichos que já tinha visto, das piores e melhores noites que já tinha passado na mata, de coisas que ele tinha tremido de medo.

Todas às noites, eles se reuniam em volta da lareira, comiam sopa e ouviam do que acontecia fora, e todo mundo ficava feliz, porque tanto as histórias, quanto a comida nutriam. E era essa a medida, para eles, que ali havia um encontro, Não havia desigualdade.

É sobre bons encontros o episódio da semana, cê vem?

edição @‌valdersouza identidade visual: @‌amandafogaca texto: @‌natyops

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Transcript

A Filosofia "Mesa de Bar" do Podcast

Oi, meu nome é Natália e esse é o do centésimo, vigésimo, primeiro episódio do Para Dar Nome às Coisas. Um podcast que nasceu para ser uma mesa de bar na web. daquelas que a gente senta e sente que não estamos sós. Lugar em que a gente pode ser do nosso próprio tamanho, sem precisar esticar e nem se espremer. Como é que você tá? Como é que tem algumas coisas pra você? Como é que tá o seu mundo dentro desse mundo? Como é que você tá? Eu digo que o padrão das minhas coisas é uma mesa de bar.

Porque a ideia é trazer assuntos aqui de uma forma muito horizontal, da forma que a gente leva os assuntos que são nossos. pra mesa de bar, sem currículo, sem LinkedIn, sem gravata, sem salto alto, sem um senso de superioridade, sem uma sensação de que eu sei mais do que você. Eu digo que é uma mesa de bar por isso.

Por essa ideia da horizontalidade, né? Por essa sensação de que tá todo mundo sentado, ombro a ombro. Mas a real é que às vezes o pra dar nas minhas coisas também é sofá de casa e às vezes é divã de psicanalista.

Ansiedade e a Busca por Gentiliza

E antes de entrar nesse episódio, propriamente dito, eu queria contar uma história que aconteceu comigo. Uma coisa que aconteceu comigo esse fim de semana. e que me levou a uma reflexão muito interessante sobre mim e que eu chuto e eu posso imaginar que talvez seja sobre você também, que te atravessa em algum lugar. O que aconteceu é que na sexta-feira eu fui convidada para participar de um evento. E um evento muito legal, com pessoas muito queridas, pessoas...

Porque eu tenho muita admiração. E na sexta-feira eu acordei com dor de garganta. Eu não estava bem. Toda vez que eu abria a boca. Eu sentia como se tivesse um cortezinho no fundo da minha garganta. E junto com essa sensação de cortezinho. no fundo da minha garganta, eu estava com um corpo dolorido, uma sensação de baixa energia, é como se tivesse uma barrinha de bateria, é como se minha barrinha de bateria do corpo tivesse em 30%.

Mas aquele evento era importante para mim, era algo que eu estava disposta a ir, mesmo que eu tivesse que abrir mão da minha cama e do meu conforto, que naquele momento eram importantes. E eu fui para esse evento e foi um evento muito legal. Mas assim que eu pisei em casa, que eu girei a chave de casa e eu coloquei o primeiro pé dentro de casa, me veio uma sensação de... Será? Que eu fui suficientemente gentil com as pessoas? Será que eu fui suficientemente educada com as pessoas? Será que...

Quem eu fui nesse evento? Será que as conversas que eu tive nesse evento foram suficientemente razoáveis? Fiquei pensando nisso, né? SOS... Ansiosos, quem mais aqui? Só os ansiosos online nesse momento. Fiquei pensando nisso nesse momento, mas tudo bem. Aí fui, tomei banho, fui... fiz um negócio pra comer, dormi, e aí no dia seguinte, quando eu acordei, assim que eu abri o olho,

Lidando com Pensamentos Intrusivos

Esses pensamentos vieram de novo, né? Eles me tomaram o corpo de novo. E aí, levantei, fui tomar meu remédio de hipotiroidismo, fui tomar café e aí percebi que essas reflexões, né? Esses pensamentos ainda estavam no meu corpo e eu falei... eu vou meditar, eu vou meditar porque eu acho que eu preciso silenciar, eu acho que eu preciso...

tentar me centrar de novo, né, eu preciso lembrar que os meus pensamentos não são o que eu sou, né, que eles são só pensamentos e que eu não preciso me apegar a isso, eu posso olhar para esses pensamentos. como uma nuvem que passa pelo céu, como um céu que ora está cheio de nuvens escuras, ora está limpo, ora está com estrelas, ora... tá formando chuva, eu posso olhar pra esse céu como se esses pensamentos fossem nuvens, né, e que agora eles estão aqui, mas daqui a pouco eles não estarão mais.

Mas fiz a meditação e dessa vez a meditação não funcionou, porque é assim, vida real. Se fosse uma novela, a meditação ia tirar todos os meus pensamentos intrusivos, mas naquele momento não resolveu. E o que resolveu... ou que eu achei que resolveria, foi escrever. Eu falei, eu vou pegar meu caderno, caderno que eu guardo no fundo do armário, e vou começar a escrever sobre essa sensação, né? E eu acho que isso também é uma coisa interessante de pensar, porque às vezes...

A gente quer fugir dos sentimentos, né? E eles, quanto mais a gente foge, mais eles tensionam, mais eles tentam chamar a nossa atenção. E aí, eu falei, bom, eu vou escrever sobre isso pra tentar ir...

O Medo Oculto de Não Ser Gosta

em alguma medida, ao encontro desses pensamentos para tentar entender. E aí que a experiência bonita começa, porque até então ela só estava angustiante. Mas aí eu peguei esse caderno e comecei a escrever. E escrever no fluxo do pensamento mesmo, escrever... Cara, eu fui nesse evento ontem e eu estou angustiada porque eu estou com medo de não ter sido gentil o suficiente com as pessoas, por estar com medo de não ter sido educada suficientemente ou por ter atropelado alguém durante uma conversa.

Enfim, fui colocando os meus medos no papel e aí, depois que eu coloquei todos os meus medos, em dado momento eu me perguntei, mas qual é o medo desse medo? Assim, tá? Não, tudo bem, Natália, tá? Você tá com medo de ter atropelado alguém numa conversa? Você tá com medo de ter falado demais? Ou você tá com medo de não ter sido gentil? Mas qual que é o medo dentro desse medo? Qual é o medo que tá escondido nesse medo? E aí...

Foi muito dolorosamente bonito, porque eu me dei conta de que o medo escondido nesse medo, e sempre tem um medo escondido no medo, era o medo de não ter sido gostado. Meu medo era que aquelas pessoas não tivessem gostado de mim. Bem infantil mesmo, desse jeito. Falei, cara, o meu medo é de que as pessoas não gostaram de mim. Essas pessoas que eu gosto muito e que eu admiro muito, meu medo é que elas não...

tenham gostado de mim. Depois que eu cheguei a essa conclusão, eu falei, tá, mas, né, fiquei conversando ali comigo, que é um exercício que eu gosto de fazer muito, assim, de conversar comigo mesmo, e de falar, tá, mas eu não vou conseguir controlar, né, isso não tá no meu controle e tal. eu não vou conseguir controlar se as pessoas gostam de mim ou não, isso não tá na meu sada, e qual o problema também de não ser gostada, enfim, fiquei refletindo sobre isso, e aí quando eu consegui...

arranjar um lugar dentro de mim pra esse sentimento, eu... Eu pensei, assim, né? Veio na minha cabeça, caramba, né, Natália? Quase... Com 37 anos, você ainda tá nessa, né? Pensei... Ainda tá nessa, nesse receio, nessa angústia de algumas pessoas não gostarem de você.

A Necessidade Universal de Pertencer

E aí, um outro lado meu disse, mas, pois é, né? Nós, como seres humanos, né? Todo mundo... Foi esse pensamento que me veio, né? Todo mundo quer ser gostado, em alguma medida, né? Todo mundo quer ser querido, todo mundo quer, em alguma medida, pertencer. Todo mundo quer. E aí, a frase se completou na minha cabeça. Todo mundo, inclusive eu. todo mundo quer pertencer, inclusive eu todo mundo quer ser gostado inclusive eu, todo mundo quer

ser visto como uma pessoa agradável, inclusive eu. É claro que isso não vai acontecer sempre, é claro que as coisas vão fugir do nosso controle, é claro que a gente vai acordar num dia com dor de garganta e sem energia.

E talvez não vai ser gentil o quanto gostaria. Ou talvez vai ter pessoas que a gente não gosta. Ou vai ter momentos que a gente também nem quer ser agradável. Mas todo mundo, inclusive eu. E eu achei tão bonito pensar nisso. Porque eu acho que tem sentimentos que são duros de assumir. É duro de assumir que com 37 anos, às vezes eu vou num evento e quero muito que as pessoas gostem de mim.

É duro assumir que às vezes com 37 anos eu ainda me pego pensando se a minha frase foi compreendida. É duro, me parece um pouco infantil, quase, né? Pensar nisso. Mas foi muito importante perceber qual era o medo escondido nesse medo. Então, qual era o meu medo? Tá, o meu medo, qual que é realmente o medo que tá aqui? Qual é o medo que tá realmente em jogo? Foi muito bonito me perguntar isso e perceber que o meu medo, em última análise, era o medo de não ser gostada.

Porque perceber isso me levou a uma necessidade básica humana que é a necessidade de pertencer. E que todo mundo tem, inclusive eu. Eu achei esse pensamento do todo mundo, do todo mundo. né, inclusive eu, um pensamento bonito, porque por vezes a gente consegue ser muito mais generoso com os outros, né, eu consigo ser muito generosa quando alguém fala, Naji, posso te confessar uma coisa, cara?

Eu queria muito ser gostada por esse grupo. Eu consigo ser muito generosa. Ao entender isso. Consigo ser muito generosa com o outro. Mas muitas vezes. Eu consigo ser generosa com os outros. Excluindo eu.

E aí eu acho que essa é uma inversão de pensamento. Todo mundo quer pertencer, inclusive eu. Todo mundo quer ser amado, todo mundo quer ser gostado, todo mundo quer ser compreendido, todo mundo quer ser... reconhecido, todo mundo quer ser querido, todo mundo quer ser lembrado, todo mundo quer ser, quer viver a máxima potencialidade, todo mundo quer ser protegido, todo mundo quer é ser, sei lá, todo mundo quer um monte de coisa boa.

Todo mundo tem necessidades básicas e humanas. Todo mundo tem pontos ridículos. Todo mundo tem medos inconfessáveis. Todo mundo tem vulnerabilidade e tem medo de ser vulnerável. Todo mundo, inclusive eu. Eu achei isso muito lindo de pensar, gente. Eu não sei como bateu aí, mas pra mim foi muito bonito de pensar isso. Todo mundo, todo mundo, todo mundo, todo mundo, inclusive eu.

Amadurecer é Humanizar-se

E aí eu... É isso, assim. Aconteceu nesses dias e foi muito... Foi o que me fez me abraçar. Lembrar que... É um pouco ridículo mesmo, né? É um pouco... A gente sabe que não deveria valorar as emoções e os sentimentos. A gente sabe que não deveria fazer isso.

os sentimentos são o que são, as emoções são o que são, e a gente não deveria valorar como feio ou bonito, ou como tem uma história no livro Conversas Corajosas, da Elisama, que inclusive já falei várias vezes desse livro aqui, porque eu tô apaixonada nesse livro.

Mas ela conta que quando ela era novinha, ela tinha nove anos, ela via... as revistas que mostravam os livros mais vendidos e ela ficava sonhando com o dia em que ela ia ser uma escritora, porque ela achava que escritores eram pessoas que não tinham dores ou tristezas, angústias.

escritores para ela eram a representação de quem chegou lá. E aí ela cresce, e aí ela se torna uma escritora, e aí ela percebe que aquela idealização que ela tinha aos nove anos... como escritores são aquelas pessoas que só têm emoções boas, que uma vez que você é escritor e que você chega lá, é quase como se você passasse a régua numa vida que tem tristeza, angústia, alegria, felicidade, tudo junto.

e deixasse essa vida pra trás, e agora é só plenitude, quando ela chega na vida adulta e se torna aquilo que ela desejou aos nove anos, ela percebe que o que mudou é que agora ela escreve. E ela escreve muitas vezes sobre o que ela sente, porque ela continua sentindo. E eu acho que é isso, né? Eu acho que amadurecer, isso é bonito também. Eu acho que não dá pra amadurecer sem se humanizar.

E não dá pra se humanizar sem reconhecer que a gente sente coisas, às vezes, que a gente acha um pouco ridículas, que a gente acha um pouco mesquinhas, que a gente acha um pouco pequenas, ou que a gente acha que não deveria sentir, mas sente. Acho que amadurecer é quebrar a própria idealização de si. É reconhecer que a gente falta em várias coisas que a gente gostaria de não faltar, mas falta justamente porque é isso tudo, né? Porque é todo mundo. Eu como todo mundo. Todo mundo, inclusive eu.

Ah, eu achei muito bonito de pensar isso, gente. Eu acho muito bonito, às vezes, a forma com que o consciente vai levando a gente, né? E como as situações que são, muitas vezes, dolorosas ou angustiantes nos levam a...

Introdução ao Tema: Os Encontros

compreensões tão bonitas sobre a gente mesmo. Mas hoje, o episódio, tudo é um episódio, né? Mas eu vou falar sobre encontros e vou contar uma história que eu ouvi. que eu ouvi, que eu li há um tempo atrás, e que sempre me volta quando eu tô pensando sobre a beleza dos encontros, e eu espero muito que faça sentido pra você, e que se não fizer sentido. porque às vezes não faz, mas que pelo menos te faça uma boa companhia e antes de começar a contar...

essa história, eu queria só te pedir, pra caso você não tenha dado cinco estrelinhas pra gente e puder fazer isso aqui no aplicativo do Spotify, vou te pedir essa gentileza pra no final do episódio você contar pra gente como te chegou, tá bom? Boa audição!

Mensagem de Nosso Patrocinador: EBAC

Eu tenho exatamente um minuto para te contar uma novidade. Quem escuta o podcast há algum tempo sabe que eu trabalho com audiovisual há alguns anos, né? E aí no ano passado eu decidi que eu precisava voltar a estudar e acabei me matriculando no curso de roteiro pra cinema, TV e games da EBAC. E eu tô amando muito o curso, porque o professor é do mercado e o conteúdo é ótimo.

E aí eu amei tanto que eu topei vir aqui falar que a EBAC está com 60% de desconto em todos os mais de 150 cursos. E tem em muitas áreas. Todos os cursos têm tutoria individual e ao parcelar o curso em até 24 vezes, a primeira parcela fica muito mais barata. Mas pra caber ainda melhor no nosso bolso, tem o meu cupom NATIOFERTA, que tem 200 reais de desconto, vai te dar 200 reais de desconto, que é acumulativo com todas as outras promoções. Gente, tá quase de graça.

E eu tô aqui dando meu depoimento pessoal, porque eu amo esse curso, amo a didática da IBAC, amo o conteúdo, amo os professores serem do mercado. Eu acho que é uma forma de aprender muito mais e melhorar demais. a nossa perspectiva profissional, aperfeiçoar a nossa profissão. Então, só coisa boa. Conhece lá a EBAC, cursos online e mais de 150 opções de curso.

Griots: O Poder Sagrado da Palavra

Há uns dois anos atrás, mais ou menos, eu estava estudando sobre griots. Os griots são figuras muito importantes para alguns povos africanos, porque eles são... pessoas que transmitem saberes, tradições, ensinamentos por meio da palavra. A palavra para eles e para a comunidade que eles vivem é sagrada. E ela pode trazer tanto cura como a perturbação, como a provocação, como o assombro. A palavra tem esse poder na oralidade, na boca dos griots.

E aí na época, quando eu tava lendo sobre isso, lendo sobre o poder da palavra, Eu acabei caindo num texto. Que infelizmente eu não salvei. Eu vou tentar encontrar esse texto. E se eu encontrar eu coloco ele na descrição. Mas que foi um texto que contava uma história. essa história que eu queria contar hoje pra vocês e que me levou a pensar muito sobre os encontros

A Parábola da Comunidade de Passagem

É a história de uma determinada comunidade que ficava entre duas grandes cidades. É assim que eu lembro dela na minha memória. Se eu achar o texto em si, pode ser que ele tenha algumas mudanças de detalhes. Pode ser que eu tenha incluído outros detalhes. Porque eu estou contando como essa história ficou no meu corpo. Como ela ficou na minha memória.

Mas é isso, é a história de uma determinada comunidade que ficava entre duas grandes cidades. E isso quer dizer que as pessoas sempre passavam por essa comunidade para chegar a algum lugar. ou as pessoas passavam por essa comunidade pra ir embora da cidade que elas estavam ou elas passavam por essa comunidade para chegar no lugar que ficava depois dessa comunidade e nessa comunidade não tinha muita estrutura não tinha um hotel ou

não tinha um lugar em que as pessoas podiam ou dormir ou tomar café da manhã ou tomar banho era uma cidade que tinha se construído ao longo do tempo, como um lugar de passagem mesmo não era só algo que as pessoas de fora viam nessa cidade, mas essa própria cidade se via como um lugar de passagem mas as vezes acontecia de um viajante desavisado ou mal programado decidir passar a noite ali e quando isso acontecia esse viajante rodava ali as casas perguntando, vocês sabem se tem alguma

Pousada, vocês sabem se tem algum lugar Para eu dormir, e as pessoas ali Sempre indicavam uma casa Uma casa de uma família Era uma casa com poucos móveis, com muitas janelas, com uma pequena horta e uma casa que sempre tinha uma luz baixa. Sabe aquela luz amarela que é muito aconchegante? Quando você chega no ambiente e ela está baixinha, parece que é um lugar que automaticamente te convida para relaxar. Era exatamente assim a luz dessa casa.

Hospitalidade em Troca de Experiências

E nessa casa morava uma família, uma família que era muito conhecida nessa comunidade, por ser uma família que amava receber viajantes, que amava receber pessoas que estavam passando por essa cidade. Por essa cidade que era literalmente uma cidade de passagem. Então os viajantes, essas pessoas que estavam andando, esses andarilhos, quando eles chegavam lá, eles batiam na porta e eles perguntavam se podiam passar a noite.

E quando a família dizia que claro, né? Não, claro, vocês podem ficar aqui. Os viajantes sempre perguntavam quanto custava. Então eles chegavam e falavam, eu preciso de um lugar só pra dormir e eu queria saber quanto que você cobra. pra eu ficar na casa quanto você cobra pra eu dormir e aí a família sempre dizia a mesma coisa pra esses viajantes que era a gente vai te dar um teto

A gente vai te dar uma cama quentinha, uma comida, um chuveiro. A gente vai te dar... um espaço pra você colocar a sua mochila e se você quiser usar o nosso tanque pra lavar suas roupas, você pode usar a gente vai te dar todo o conforto e a estrutura de uma casa mas em troca, enquanto você estiver aqui, o que a gente quer

como pagamento, que a gente quer como troca por essa estrutura que a gente vai te dar, é as histórias que você tem. A gente quer ouvir o que você viu do mundo. A gente quer descobrir o que você experimentou. as coisas que te deram medo ou alegria viajando a gente quer saber aquilo que você viu e a gente não a gente quer saber quais foram as coisas que você descobriu enquanto você andou por cidades que a gente não andou

A gente quer que você nos conte aquilo que você guardou dentro de si e que você não contou ainda pra ninguém. A gente quer de você aquilo que você viu e que a gente ainda não viu. E aí pelos próximos dias, quando a noite chegava, a família sempre se preparava ali para fazer uma sopa. acendia a lareira da casa, enchia os pratos de comida de todo mundo, e aí todos jantavam juntos ao redor da lareira, e depois o viajante era convidado para contar todas as coisas que ele já tinha vivido.

vivido pelo mundo. Todas as coisas que ele já tinha visto pelo mundo. E aí ele ficava falando ali dos maiores bichos que ele já tinha visto, das piores e melhores noites que ele já tinha passado na mata, das assombrações. dos barulhos estranhos que ele tinha ouvido, das lendas que ele tinha ouvido em algumas comunidades, das forças invisíveis que ele já tinha sido atravessado, das coisas que ele tinha ficado muito assustado e das coisas que ele tinha ficado muito

deslumbrado. Ele contava ali de muitas das coisas que ele tinha experimentado e quando estava sempre no auge da história, quando as pessoas estavam muito engajadas ali com o que ele estava contando, ele prometia contar mais no dia seguinte.

todas as noites todos os dias ali enquanto ele tava passando, enquanto ele tava hospedado naquela casa, até que chegava a hora de ir embora Então eles preparavam uma última noite de sopa, uma última noite de fogueira, uma última noite de roda ali ao redor do fogo. E o viajante contava tudo que ele ainda não tinha contado. E eles se despediam muito gratos, tanto o viajante quanto a família, até que chegasse um outro viajante com novas histórias.

Encontros como Nutrição Mútua

A primeira vez que eu descobri essa história, que eu li essa história, eu soube no primeiro instante, assim, que não era uma história sobre viagens, mas uma história sobre encontros. Mas...

Ao mesmo tempo, eu não conseguia ir muito além disso. Eu só tive essa sensação muito no corpo de cara, isso daqui não é sobre isso. Isso daqui é sobre outra coisa, mas eu também ainda não sei o que é. e também não me esforcei muito pra entender muito mais do que isso porque naquele momento eu não tava procurando entender muito eu acho que tem coisas que a gente precisa ficar com a sensação bacia de ter escutado, de ter visto de ter experimentado, de ter tocado tem coisas que a gente não precisa

entender racionalmente, a gente só precisa... sentir, a gente só precisa se alargar por dentro pra aquilo caber. Eu só fiquei com a sensação de que eu queria muito que essa história ficasse no meu corpo o maior tempo que ela pudesse ficar, sabe? Como alguém que guarda uma fotografia no fundo de uma gaveta. esperando que ela não desbote, esperando que os contornos e as cores dela permaneçam o mais tempo possível, porque aquela fotografia lembra de uma sensação, de um momento, de uma alegria.

Foi assim que essa história chegou pra mim. Mas aí hoje eu tava sentada no sofá e eu lembrei subitamente dessa história de novo. por alguma razão que eu não sei explicar também pra você porque que essa história me veio eu não lembro exatamente no que eu tava pensando na hora mas eu sei que essa história me voltou e eu entendi anos depois de ter lido essa história que essa história não era

sobre viagens, mas que essa história era sobre encontros. Porque encontros são isso, né? A gente dá o que a gente tem de melhor pro outro, e o outro dá o que tem de melhor pra gente. E aquilo nos nutre mutuamente. E aquilo que é diferente do que eu tenho, o outro me dá. E aquilo que é diferente do que o outro tem, eu dou pro outro e aquilo nos nutre mutuamente.

Eu dou com a intenção de que aquilo que eu tô dando nutra o corpo do outro. Seja de nutrientes de fato, né? Então seja de comida, de conforto, de um lugar seguro. Seja de uma visão de mundo, de algo que o outro viu e que eu não vi. De algo que espantou o outro e que eu não sei nem o que é. E ele partilha comigo e isso me nutre, né? Em última análise. É num encontro que eu dou o que eu tenho e que você dá o que você tem e isso nutre a gente.

E eu acho muito bonita essa história pra pensar nos encontros, porque eu acho interessante que nos encontros as pessoas sempre dão, ou na maioria dos encontros, a gente sempre dá coisas diferentes, né?

Diferentes Formas de Nutrir Vínculos

Ou não sempre, mas eu acho que há muitos encontros em que as pessoas dão coisas diferentes. Há quem vai para os encontros e dá para os encontros olhar, visão de mundo, perspectiva. Acho que tem amigos que a gente encontra, que a gente tem um vínculo, que a gente tem uma amizade. E que o outro nos dá muito de presente, visões diferentes de mundo, perspectivas diferentes, histórias diferentes. Eu tenho histórias no meu corpo de amigos que me contaram e que me povoaram inconsciente de imagens.

bonitas, assim, de pessoas que me contaram coisas e que falei queria sair dessa vida sem ter ouvido essa história sabe? Então há encontros em que o outro nos nutre disso nos nutre de perspectivas completamente diferentes das que a gente seria capaz de alcançar, nos nutre de histórias que a gente não teria condições de viver, porque são histórias que essas pessoas viveram com outras pessoas e que talvez são...

Sejam pessoas que nem estão mais aqui Mas que ao contarem pra gente Essas pessoas passam a existir no nosso corpo Tem pessoas que chegam na nossa vida e que dão caminhos pra fora, que fazem nascer no nosso corpo sonhos que a gente nem sabia que a gente era capaz de sonhar. São pessoas que fazem a gente ver um mundo que a gente ainda não viu. Mas há outras pessoas que quando chegam na nossa vida, elas são esse lugar seguro. Elas são o conforto, elas são o aconchego.

elas são pessoas que a gente encontra e que dão uma sensação pra gente de que a gente zerou de novo. De a gente tava muito cansado Ou a gente tava muito exausto Ou a gente tava triste Ou a gente tava angustiado E aí essas pessoas aparecem na nossa vida E dão essa sensação de casa Tem quem... é o viajante na nossa vida e tem quem é a casa dessa família na nossa vida.

Mas eu gosto de pensar nessa história quando eu penso nos encontros, porque eu acho que o encontro acontece não só, mas também quando a gente consegue se abrir para o outro sem procurar o espelho da gente mesmo. Eu acho essa história muito... porque o encontro nessa história só acontece porque uma das partes é o viajante e a outra parte é a família. Uma dessas partes é a visão, a exploração, a descoberta.

a perspectiva, a visão de fora e o outro é a raiz, o outro é o conforto, o outro é a âncora, o outro é o pouso, o outro é o aconchego.

Abrir-se ao Outro Sem Espelho

Isso que eu acho lindo, assim, o encontro nessa história, ele só acontece porque nenhuma das partes estava procurando o espelho de si. Nenhuma das partes estava procurando a própria semelhança, mas estava ao contrário disso. reconhecendo que precisava dessa outra parte.

Quando o outro chega com aquilo que eu não tenho, eu ganho a perspectiva do outro. Eu ganho aquilo que o outro tem e que eu não tenho, né? Eu acho muito lindo isso, assim. Eu acho muito lindo... E acho muito desafiador, por isso que eu acho que o encontro é sempre...

um encanto, assim, sempre quando a gente consegue se encontrar verdadeiramente com o outro, é muito bonito, porque isso também nem sempre é fácil, mas eu acho que é muito lindo quando a gente consegue se abrir pro encontro como quem se abre pra uma coisa que é diferente de si. Uma outra coisa que eu acho linda nessa história é que não tem desigualdade nessa troca. O viajante não se acha melhor porque ele...

Tem uma visão de mundo que a família não tem. E a família não se acha melhor porque ela tem o conforto que o viajante não tem. Na verdade, é o contrário disso, né? Não há desigualdade nessa troca entre o viajante e a família. É o contrário disso. A família dá o que ela tem, o viajante dá o que ele tem e os dois são nutridos nesse vínculo.

Há uma reciprocidade nesse nutrir e nesse ser nutrido. E isso que eu acho que é também uma metáfora para os bons encontros. Que é quando eu dou o que eu tenho, o outro dá o que ele tem. E mesmo que seja diferente essa troca, mesmo que... aquilo que eu dou seja diferente daquilo que eu recebo, a sensação é de nutrição. Eu acho que isso também é uma boa perspectiva quando a gente fala de se relacionar com pessoas diferentes. Porque às vezes...

A gente tem expressões de amor, né? A gente tem expressões diferentes numa relação. Então, às vezes, por exemplo, eu sou uma pessoa muito da palavra. Eu falo muito, que eu amo, eu falo muito, eu... daquela lógica lá da linguagem do amor, eu sou a pessoa da linguagem, não sei como chama isso, mas assim, eu sou do falar, palavras de afirmação, lembrei, eu sou da palavra de afirmação.

Eu digo que amo, eu digo que eu quero estar junto, eu falo que eu tô com saudade, mas eu tenho pessoas próximas a mim que eu amo muito e que são pessoas atos de serviço. Que são as pessoas que vão, de repente, deixar uma bolachinha na minha bolsa quando tô saindo pro trabalho. Ou que vão... Arrumar minha cama sem eu pedir porque sabem que eu tava num dia corrido. Ou que vão ligar pra marcar o meu médico quando percebem que eu preciso passar num endócrino, por exemplo.

E eu acho muito bonito olhar para as relações a partir dessa perspectiva, porque mesmo que a minha linguagem, falando nessa perspectiva, mesmo que a minha linguagem seja palavras de afirmação, Quando eu chego em casa e minha cama está arrumada pelo outro, aquilo me nutre, mesmo que aquilo seja diferente daquilo que eu dou. Percebe? Eu acho que nos bons encontros, a gente não vai para os encontros quando...

com o outro que é um espelho nosso. E mesmo quando vai, eu acho que a prova dos bons encontros é a sensação de nutrição mútua. Eu acho que essa é a régua dos bons encontros. Quando aquilo que eu dou é diferente ou igual àquilo que você dá, não importa. Mas o resultado final é sempre uma sensação de nutrição mútua. Que claro que oscila também.

Tem dias que a gente vai dar mais e tem dias que a gente vai dar menos porque a nossa energia também oscila e porque a gente não tá só nas relações, a gente não vive só nas relações, a gente vive outras coisas também.

Reciprocidade e as Linguagens do Amor

Mas eu acho que na régua final é uma sensação de nutrição. Eu gosto muito dessa história porque eu fico lembrando de relações e amizades, vínculos que eu tenho. eu fico pensando na minha relação romântica, fico pensando na minha relação com os meus familiares, na minha relação com os meus amigos, e eu vejo várias relações em que... Ora eu sou o viajante, ora eu sou a família. Ora tem amigos que são o viajante, ora amigos que são a família pra mim.

Horas familiares meus fazem o papel do viajante, me dando visão, perspectiva sobre coisas que eu não vi. ora eles são a casa, o conforto ora eles são a pessoa pra quem eu ligo quando tem um dia ruim eu acho muito bonita essa história pra pensar os vínculos

Encontros Verdadeiros: Cura, Dor e Crescimento

Você sabe que por muitas vezes eu me senti intimidada. Acho que é essa palavra. Com medo de conversar com alguém que eu tinha muita admiração. Esse medo, essa intimidação. nascia muito de uma sensação de que eu não tinha nada de interessante pra dizer pra aquela pessoa que eu admirava muito, sabe? Sei lá, acho que todo mundo já passou por isso, né? Às vezes tem alguém no seu trabalho que você admira muito, ou às vezes tem alguém...

No seu ciclo de amigos que você admira muito, que é amigo de amigo de alguém. Ou às vezes tem alguém que você paga muito pau, assim, intelectualmente, pra uma pessoa que mora no seu prédio. E aí você fica intimidado, porque você tem uma sensação de...

Cara, o que eu vou dizer de tão interessante pra essa pessoa? Que seja equivalente ao quanto eu acho essa pessoa interessante, né? E eu acho que isso tem a ver com uma ideia que é muito difundida e... coletivamente compartilhada que essa ideia de que

Pra haver um encontro... E aqui eu tô falando de encontro mesmo, gente. Eu não tô falando de relação. Tô falando de encontro, né? Dessa troca mesmo com o outro. Eu acho que tem uma ideia muito difundida de que pra haver um encontro, a gente precisa ser... tem que ser igual ao outro ou outro tem que ser igual a gente para ver o encontro e na verdade eu acho que o que a gente precisa para que o encontro aconteça é abertura disponibilidade e espaço interno Eu acho que pra ver o encontro...

Tem que ter uma curiosidade para saber quem é esse outro ser humano. O que ele viu, no que ele acredita, qual é a história preferida da infância e o maior medo, qual é o sentimento que ele tem, uma dificuldade de lidar. E eu acho que isso dá medo um pouco, porque isso também é um pouco imprevisível. A gente não controla isso no outro. E não controla isso na gente também. E se encontrar é também se abrir para aquilo que a gente não sabe o que vai vir. Tanto do outro quanto da gente.

e eu acho que por isso muitas vezes a gente se defende dos encontros com pessoas que são diferentes da gente por isso que eu acho que essa história do viajante da família me toca tanto porque é o viajante indo pro encontro e dizendo eu vou encontrar uma coisa aqui que não é a coisa que eu mais tenho. Sendo viajante, eu tenho liberdade, eu tenho independência, eu tenho autonomia.

E eu tô indo ao encontro de pessoas que têm coisas que não são as coisas que eu mais tenho. É o encontro com o desconhecido. Tem uma frase nesse livro, Conversas Corajosas, que eu gosto muito, que diz assim. Conversas... Eles são um campo sobre o qual não temos controle. Conversas verdadeiras acontecem quando abrimos mão do desejo de controlar o outro e o que ele deve pensar.

Quando abrimos mão do desejo de controlar como vamos nos sentir. Quando abrimos mão do desejo de saber o que dizer, quando dizer e como dizer. Ou temos controle ou temos interesse. As duas coisas não convivem bem. Encontros, assim como conversas, as conversas como frutos dos nossos encontros são um passo dentro do desconhecido, né? São um passo em direção ao desconhecido.

E eu acho que só dá pra fazer isso, né? Acho que só dá pra respirar fundo e ter coragem de fazer isso quando a gente consegue lembrar que tem encontro que pra gente vai ser a visão do viajante e isso... pode trazer algum desconforto pra gente, porque é algo que vai ser sobre ver coisas que a gente não viu, pisar em lugares que a gente não pisou, perceber coisas que a gente não percebeu, e às vezes vai ser...

o lugar da família, que vai também nos tocar em lugares que talvez a gente esteja negligenciando, coisas que a gente não esteja percebendo. Todo encontro traz uma cura e alguma dor. Todo encontro traz alguma possibilidade de crescimento e uma possibilidade de conforto também. Eu acredito muito nisso, eu acho. Eu acho.

Eu sempre acho. Mas é isso. Eu acho que é muito bonito a gente estar aberto e atento aos encontros e cada vez que a gente se encontrar e cada vez que a gente conhecer alguém, a gente... Se perguntar, né, quem é essa pessoa na minha vida? Ela traz o viajante em si, que é quem me faz olhar pra fora, me faz pisar em lugares muitas vezes desconfortáveis.

mais desconfortáveis porque são desconhecidos. Mas quando eu atravesso esse desconhecido, eu acesso um outro lugar. Essa pessoa é quem me faz ter Olhar por outras perspectivas, ter outras visões de mundo, ou essa pessoa é o conforto de uma casa, que é um lugar seguro, que é um lugar onde eu me sinto nutrida. Como uma planta assim que pega os nutrientes da raiz, né? E aí eu acho que o bonito mesmo é quando a gente percebe a importância dessas duas coisas, né? Porque o viajante e a casa...

Quando estão juntos é quando eles se equilibram. O viajante trazendo uma visão de mundo e a casa trazendo a visão da raiz. É isso, gente. Eu fiquei muito pensando sobre os encontros, pensando sobre os meus encontros, sobre os encontros que eu tive coragem. curiosidade pra ir ao encontro sem procurar um espelho meu, porque eu acho que também mesmo quando a gente encontra alguém que é muito parecido com a gente, em algum momento essa pessoa se torna

Diferente da gente. Porque é isso. Por mais parecido que seja. Ninguém é um espelho nosso. Ninguém é a nossa própria identidade. Só existe um nosso da gente. Só existe um nosso da gente. Então em algum momento as pessoas se diferenciam da gente. E eu acho que é bonito quando a gente consegue. Bonito e doloroso às vezes, né? Muitas vezes é doloroso mesmo. Não dá pra romantizar isso. Mas é bonito e doloroso quando a gente percebe no outro o outro mesmo.

e aí a gente consegue ficar em alguns casos e quando a gente consegue ficar a gente encontra ora o viajante ora a família e o outro encontra ora o viajante ora a família em nós e a gente segue Se relacionando assim. Ora sendo casa. Ora recebendo casa. Ora sendo o mundo. E ora recebendo o mundo. Mas sempre de passagem, cara. Esse fim da história é muito lindo também, né? Porque eu vi a gente e a família.

se encontram e permanecem juntos ali, enquanto eles têm coisas a compartilhar, enquanto eles... Isso é uma coisa linda que eu me dei conta agora também nessa história, quando viajante não tem mais o que oferecer. Ele vai embora. E quando ele vai embora. A relação permanece em igualdade. Porque aí não fica só uma das partes. Nutrindo essa relação. Quando o viajante vai embora. É o momento que ele se dá conta de que ele não tem mais o que contar. Ele não tem mais o que oferecer.

E claro que em relações a gente tem mais ou menos a oferecer, às vezes a gente tá oferecendo bem pouco, mas eu acho que essa é a simbologia da igualdade, né? Eu permaneço num vínculo e enquanto eu permaneço, eu ofereço coisas a esse vínculo e me oferecem coisas. nesse vínculo, a troca quando ele vai embora é porque ele não consegue mais estar nesse vínculo de igual pra igual sabendo que a igualdade está no entregar e não exatamente no que se entrega

a igualdade está na sensação de que ambas as partes estão sendo nutridas, independentemente da forma com que isso acontece. Ah, eu achei muito linda essa história. Vocês também acharam? Ah, e me conta aí nas respostas do Spotify, nessa pergunta aí, o que você achou desse episódio? Se você gostou dessa história, como te chegou? Lembrando também que, se você quiser, tá, gente? Fez sentido pra você. Lembrando que a gente tem um financiamento coletivo lá na

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