S06EP225 - Autocuidado, escolhas e ser melhor para si - podcast episode cover

S06EP225 - Autocuidado, escolhas e ser melhor para si

Apr 10, 202434 minSeason 6Ep. 225
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Summary

Natália reflete sobre a percepção de que ser adulto envolve a capacidade de decidir o que é melhor para si, mesmo que isso signifique bancar perdas ou enfrentar desconfortos. Ela compartilha o dilema de um show e um prazer "transgressor" no McDonald's para ilustrar como a autonomia e a aceitação das próprias oscilações e limites são cruciais para o autocuidado e o bem-estar. O episódio conclui que o caminho para o conforto frequentemente passa pelo desconforto inicial e pela libertação de idealizações.

Episode description

Esses dias eu percebi que não eu queria ir num show que eu tinha comprado o ingresso já fazia alguns meses. Chegou o dia e a vontade não chegou. Fiquei pensando em todas as perdas que eu teria se eu não fosse, tentando encontrar um motivo pra ir, mesmo com preguiça.

Até que uma hora, eu me dei conta: por que eu to adiando uma decisão que eu posso simplesmente fazer? Não é isso a delícia de ser adulto? Poder olhar para as coisas, poder olhar para as vantagens e as desvantagens das coisas, e bancar a nossa decisão? Não é essa a parada que faz a vida ser boa, também?

Saber que você pode escolher, saber que você pode decidir, olhar para as linhas pequenas do contrato que é viver e pensar: ótimo, entendi, quero continuar. Ou ótimo, entendi, vou pular desse barco? Ou ótimo, entendi, vou fazer novas cláusulas nesse contrato?

Cara, tem um monte de coisa que a gente não pode escolher abrir mão. Tem um monte de coisa que tá dada, mas aí quando a gente pode escolher, a gente não escolhe? A gente não escuta?

É por aí que vai o episódio dessa semana, cê vem?

edição: @‌valdersouza1 identidade visual: @‌amandafogaca
texto: @‌natyops

Apoie a nossa mesa de bar: https://apoia.se/paradarnomeascoisas

Saiba mais sobre o Inspira - Ações para uma Vida Saudável: sescsp.org.br/inspira.

Transcript

Introdução e A Força das Emoções

Oi, meu nome é Natália e esse é o do centésimo, vigésimo, quinto episódio do Para Dar Nome às Coisas. Um podcast que nasceu para ser uma mesa de bar na web. daquelas que a gente senta e sente que não estamos sós. Um lugar em que a gente pode ser do nosso próprio tamanho, sem precisar esticar e nem se espremer. Como é que você tá? Como é que estão as coisas pra você? Como é que tá o seu mundo dentro desse mundo? Como é que você tá? Eu tô bem.

E tô aqui pensando, liguei o gravador, sentei na cadeira, ajeitei as costas e fiquei pensando como é que nascem os episódios? Como é que nascem as reflexões que... Mudam a direção da nossa vida ou mudam a forma da gente ver a vida? Como é que nascem esses episódios? Não os do Paradar no Minhas Coisas.

Mas esses episódios que fazem a gente mudar a direção ou permanecer na mesma direção, mais convictos da direção que a gente escolheu. Fiquei pensando nisso porque essa semana aconteceu uma situação... que foi essa percepção para mim, que foi uma nova percepção ou um novo jeito de olhar para essa mesma percepção. E quando essa coisa aconteceu, eu não achei que ela valeria um episódio do Paradar no Minhas Coisas, mas eu achei que ela valeria um áudio. E foi isso que eu fiz.

Aconteceu essa coisa que eu vou contar pra vocês hoje, e aí eu peguei o celular e gravei um áudio pro grupo Só Para Assinantes, do Para Dando Minhas Coisas no Telegram. Inclusive, tem muitas pessoas que me perguntam como que fazem para apoiar ou para dar no minhas coisas. Os links estão aqui na descrição do episódio. E aí eu gravei um áudio falando, galera, aconteceu uma coisa, deixa eu contar uma coisa pra vocês. E contei, achando que isso renderia uma conversa de dois minutos.

Mas depois esse assunto continuou no meu corpo e me levou para uma reflexão, para uma percepção, para um lugar muito maior e que me deixou muito mais leve. E aí foi aí que eu falei, eu acho que vale levar isso para a mesa do bar. Eu tenho a sensação de que as coisas que marcam a nossa vida, elas têm muitas raízes, elas têm muitas causas.

que determina que uma coisa vai marcar a nossa vida ou não, tem a ver com as emoções que a gente sente com aquela coisa. Isso foi uma coisa que eu aprendi quando eu trabalhava em TV. Tinha um chefe meu que ele falava que aquilo que nos marca é aquilo que nos emociona em alguma medida. E pode ser qualquer emoção, pode ser uma emoção que a gente ri, tipo, nossa, achei muito engraçado, pode ser uma emoção de choro, de, nossa, isso me tocou tanto que me atravessou a alma.

Pode ser uma tensão. As coisas que nos marcam, de modo geral, são as coisas que nos emocionam. Então, acho que essa é uma das causas. Mas eu acho que tem uma outra razão, que eu acho que também é muito comum pra mim, que é o quanto a gente se debruça em cima dessas coisas. Eu acho que isso tem muito a ver com o episódio da semana passada.

como dar nome às coisas, que é basicamente como dar nome às nossas emoções, como entender as nossas emoções, como saber o que eu estou passando, o que está acontecendo dentro de mim. É muito maravilhosa a sensação de um insight, né? É muito maravilhosa a sensação de entender. Sabe que, falando sobre dar nome às coisas...

A semana retrasada, eu acho, eu não sou uma pessoa que se reconhece como alguém que tem constantemente ciúmes, tanto que por muito tempo, quando me perguntavam, ah, você é ciumento? E eu falava, cara, nada, zero. Não sou uma pessoa que tem ciúmes com frequência, não me reconheço muito nesse sentimento, né? E depois eu comecei a tomar um pouco de cuidado em falar isso, porque eu acho que todo mundo tem todas as emoções, o que varia.

é o grau, é a quantidade, a intensidade que a gente tem essas emoções e esses sentimentos. Então, eu posso não ter ciúmes, por exemplo, nas minhas relações interpessoais, nas minhas amizades, nas minhas relações familiares, nas minhas relações românticas. geralmente não tenho, não é comum a mim, mas eu posso ter ciúmes em outras áreas da vida, sei lá, ciúmes com as minhas coisas, por exemplo, ou ciúmes...

Nas minhas relações profissionais. Não sei. As coisas podem ir mudando. E aí foi muito engraçado. Porque na semana passada. Não me lembro exatamente o que aconteceu. Mas eu me percebi com uma sensação estranha no corpo. E era uma sensação de, cara, qual que é o nome disso aqui que eu não reconheço? Qual é o nome disso que eu tô sentindo e que não é comum a mim? E aí fiquei debruçada nisso e aí eu...

me perguntei qual imagem eu daria para isso, né? E aí eu dei uma imagem que era a imagem, quando eu dei essa imagem, quando eu consegui colocar numa imagem essa emoção que eu estava sentindo, esse sentimento, na verdade, que eu estava sentindo. eu consegui chegar à conclusão de que eu tava com ciúmes.

E eu achei tão interessante, porque é isso, né? E eu achei interessante, eu fiz a conexão desses dois assuntos, porque quando eu entendi que era, me deu um alívio, assim, uma sensação de banho morno, quando você sai de um banho morno. porque eu falei, ah, agora eu entendi que é isso. Ah, entendi agora o que está acontecendo comigo. E mesmo que seja estranho para mim me reconhecer nesse lugar dos ciúmes.

Me reconhecer nesse lugar dos ciúmes me dá ferramentas para lidar com isso. Me reconhecer nesse lugar... me ajuda a entender com o que que eu tô lidando naquele momento, com o que que eu tô lutando naquele momento, com o que que tá desconfortável pra mim naquele momento, né? Enfim, eu... Eu acho que as coisas que nos marcam, ou as coisas que nos fazem crescer, ou as coisas que nos levam para um lugar melhor, tem muito a ver com nomear as coisas, com entender o que está passando dentro da gente.

Enfim, se você tem dificuldade de dar nome às coisas, ou se pra você é um processo difícil, eu recomendo muito o episódio da semana passada, como dar nome às coisas, porque eu acho que esse é um bom caminho pra gente entender. Eu acho que vale muito a pena ouvir depois desse aqui.

Parceria Sesc e Bem-Estar

Mas falei um monte de coisa para dizer que esse foi um episódio que nasceu. de um jeito que eu não achei que fosse ser um episódio marcante, mas acabou sendo, e agora eu vou dividi-lo com vocês. Vou contar uma experiência que aconteceu comigo e que deu origem a isso tudo. E eu espero muito que faça sentido para você, mas que se não fizer, pelo menos te faça uma boa companhia. Boa audição.

Quando eu tinha sete anos, acontecia uma coisa que sempre me lembrava que o domingo tinha chegado. Assim que eu acordava, eu vestia minhas pantufas e já no corredor eu ouvia a TV ligada na sala. E a mãe tinha deixado naquele canal pra ouvir um programa enquanto ela passava o café na cozinha. E eu lembro do palco grande montado no Sesc Interlagos, lembro das bandas tocando ali, lembro que parecia sempre sol naquele lugar.

Se você foi dos anos 90, talvez você lembre desse programa de TV e talvez lembre junto comigo do seu primeiro contato com o Sesc. Mas eu lembro também daquela curiosidade que eu tinha e que era, como será esse lugar? Depois de ir pela primeira vez com a minha mãe naquela época, eu nunca mais parei. Algumas dessas experiências eu trouxe aqui. Uma das coisas que eu mais gosto do Sesc é a programação.

Inclusive, eu estou de olho na sétima edição do Inspira, que vai rolar entre os dias 10 e 21 de abril e vai trazer reflexões sobre saúde e qualidade de vida. No Sesc Avenida Paulista, dia 14, vai ter uma oficina que vai ensinar técnicas para diminuir a ansiedade, a falta de foco e o estresse. Eles vão usar os tambores Flow, que é uma técnica ancestral que ajuda a meditar e relaxar. Mas são mais de 170 atividades. A maioria é de graça e aberta para todas as pessoas nas

38 das 42 unidades do Sesc. E eu tô falando aqui de capital, grande São Paulo, litoral e interior. Eu também tô de olho no curso de Jardim Medicinal do Sesc Belenzinho no dia 13. Enfim, Sesc pra mim... É paixão desde a infância. Na descrição tem mais informações dessa programação maravilhosa do Sesc. Ai, nem acredito que eu tô fazendo publicidade pra eles.

O Dilema do Show e Escolhas Adultas

Esses dias eu fiquei pensando que a gente precisa tolerar alguns desconfortos muitas vezes pra conseguir ficar confortável na nossa própria pele. Vou repetir. Eu fiquei pensando que a gente precisa tolerar alguns desconfortos pra que a gente possa, pra que a gente consiga ficar confortável na nossa própria pele. Eu comecei a pensar nisso porque no ano passado eu comprei um ingresso pra um show.

Comprei com vários meses de antecedência, me programei pra ir. Era um show que eu realmente tava com muita vontade de ir. Mas quando chegou o dia do show, eu já comecei a achar tudo muito burocrático. Quem nunca? Chegou o dia do show, o Google calendário apitou ali com o lembrete que era naquele dia. E aí eu comecei a pensar e fazer todos os cálculos que eu precisava fazer. e que eram sobre ira, o show, e eu comecei a achar tudo meio chato, sabe?

Fiquei pensando que o show ia ser longe, que ia ser pista, que ia ter muita gente, que não ia dar pra sentar e começou a me dar muita preguiça. E aí eu comecei a cogitar não ir nesse show. E ao mesmo tempo, comecei a pensar em tudo que eu perderia se eu não fosse. Então eu perderia a grana dos ingressos, o show em si, a companhia de pessoas queridas, talvez a chance de ver aquela banda pela última vez, porque era uma turnê daquelas...

Não são promocionais, mas aquelas turnês que são as últimas ou que são um remember da banda. Enfim, era o show só pra contrariar, pra contextualizar vocês. Então, eu falei, putz, eu não sei se eles vão fazer de novo, né? Então, eu também tô perdendo isso. E aí eu fiquei pensando nisso, pensando em todas as perdas que eu teria se não fosse. E aí nesse turbilhão de pensamentos, né? De, cara, vou perder grana, vou perder esse momento com os meus amigos, vou perder uma oportunidade legal.

de fazer uma parada legal na sexta-noite, no meio de tudo isso, me veio uma pergunta que foi, por que eu estou adiando uma decisão que eu posso simplesmente tomar? Por que que... Eu não digo não para uma coisa que eu simplesmente posso dizer. Não é isso a delícia de ser uma pessoa adulta? Poder olhar para as coisas, poder olhar para as vantagens e as desvantagens das coisas e bancar a nossa decisão e bancar aquilo que vai deixar a gente mais confortável na nossa própria pele.

Não é essa a parada que faz a vida adulta ser boa também? Saber que você pode escolher, saber que você pode decidir, olhar para as linhas pequenas dos contratos que é viver e diante de cada coisa que a gente pode escolher. Pensar, ótimo, entendi, então eu quero continuar. Ou, ótimo, entendi, vou pular desse barco. Ou, ótimo, entendi, mas vou fazer novas cláusulas nesse contrato.

Será que não é isso a delícia de ser uma pessoa adulta? Poder olhar para as coisas que a gente pode decidir e poder decidir de acordo com aquilo que a gente está sentindo, querendo, desejando no momento? Cara, tem um monte de coisa que a gente não pode escolher abrir mão, né? Um monte de coisa. Tem um monte de coisa que tá dada ou que tão associadas a riscos que...

são complicados de assumir, que são difíceis de assumir, tem um monte de coisas dessas na vida adulta. Ser uma pessoa adulta e funcional é avaliar e medir e equilibrar vários riscos e várias decisões e pensar muita vezes mais nos riscos do que naquilo que a gente quer. Tem um monte de coisa que tá dada, tem um monte de coisa que tá aí oferecendo mais riscos do que vantagens e a gente precisa assumir isso.

Mas e quando a gente pode escolher? E quando a gente pode atender os nossos pedidos de conforto? E quando a nossa decisão é sobre perder algumas coisas que não vão colocar... Nada substancial em risco, mas que vão trazer leveza. E quando a gente sente uma coisa e não escuta isso? Que doideira é essa, gente? Que maluquice é essa, né?

Perder Para Ficar Confortável

Por que que diante de coisas que a gente pode decidir, a gente simplesmente não decide? Eu fiquei pensando muito nisso, assim, e parece que durou uma vida esse pensamento, mas na verdade durou ali uma hora, duas horas que eu tava ponderando tudo, e no fim eu acabei decidindo... mesmo que eu não queria ir ao show, e decidi pensando nisso. Decidi que às vezes a gente precisa tolerar alguns desconfortos, que é o de perder a grana, de perder o imperdível.

pra ficar confortável na nossa pele. E que ser uma pessoa adulta é isso também. É decidir o que a gente tá disposto a perder. Decidir o que a gente tá disposto a abrir mão. Decidir o que a gente tá disposto a deixar pra lá. Decidir o que a gente tá disposto a não segurar pra gente ficar mais confortável na nossa própria pele. E eu acho que ser adulto também é...

Sair do lugar da romantização, de achar que abrir mão, que deixar pra lá, que não ir, que não fazer, é um processo confortável. Não é. Na maioria das vezes é um processo desconfortável. Mas aí é se lembrar que pra ficar confortável, muitas vezes o caminho é marcado por desconforto. E é poder tolerar isso. Esses dias eu estava conversando com um amigo meu, o André, que faz o podcast Pós-Jovem, que eu sou apaixonada. Inclusive, eu indico muito o episódio recente deles.

dele, né, que saiu com a Tássia Reis e com a Lila, que tá maravilhoso. É um podcast que tá aqui também no Spotify. E eu tava conversando com ele, tava caminhando no parque e tava conversando com ele e ele disse uma coisa muito linda. A gente tava numa dessas conversas que a gente sempre tem sobre a vida, e ele falou assim... No processo de crescimento, a gente é cuidado não para a gente continuar sendo cuidado, mas para a gente aprender a se cuidar. E eu achei isso tão sábio.

Porque é isso, né? Tem uma hora que a gente entende que tá com a gente agora. É a versão do pega-pega hard, né? Tem uma hora que você entende que a parada tá com você. Tá na sua mão, que a decisão é sua. E que é esse o jogo mesmo. Se a gente antes sempre pedia para um terceiro, que era pai, mãe, vó, tio, tia, madrinha...

Nos autorizar a fazer coisas, tipo dormir na casa de uma amiga, ir pra uma excursão, ir num show. Agora é a gente que se pergunta e a gente que se responde. Eu devo ir? Eu quero ir? Eu posso ir? O que significa para mim ir nesse dia? E assim como eram com esses terceiros que autorizavam ou não as coisas, que decidiam as coisas para nós, às vezes a gente sabe melhor o que a gente está fazendo, às vezes a gente sabe pior.

Às vezes a gente vai usar determinado critério, às vezes a gente vai usar outro, mas é muito bom lembrar, não sei pra você, mas pra mim foi muito bom lembrar que agora quem decide é a gente. E eu acho que é uma coisa muito boa de lembrar, porque é isso que vai libertando a gente pra fazer algumas coisas e não outras, mas que em última análise podem fazer da nossa vida um lugar melhor.

A gente pode e deve decidir o que é melhor pra gente. Acho que se lembrar disso é muito precioso. E lembrar disso tanto nas coisas macro quanto nas coisas pequenas, né? Se lembrar que a gente deve e pode decidir sobre o que é melhor pra gente.

A Liberdade Das Pequenas Escolhas

E que só a gente sabe, em última análise, o que é melhor pra gente. É isso, você comprou os ingressos há um ano, mas você quer ir ou não no show? Chegou o dia, você quer ir ou você não quer ir? Você quer namorar ou você não quer com essa pessoa? Você quer pedir demissão ou você quer ficar nesse lugar? É você que decide. E decidir...

É claro que é também decidir o que a gente quer e o que a gente não quer que vem junto com essa decisão. Decidir, por exemplo, namorar É decidir namorar e decidir que é uma delícia, que é muito gostoso. eu adoro estar numa relação romântica, mas é decidir também a construção dessa relação, o trabalho de construir, a dedicação, o cuidado. Decidir ficar solteiro é também decidir, cara, a...

Toda a delícia que é estar solteiro, todas as possibilidades que é estar solteiro, mas é decidir também por aquela noite, sexta-noite, que você gostaria muito de dormir com alguém, com intimidade, de repente, as pessoas que você tem no celular. São pessoas com quem você não tem intimidade, né? Decidir é sempre decidir por aquilo que a gente quer e pelo revés daquilo que a gente quer. Qualquer escolha é isso, né? Não tem como fugir disso.

Você sabe que teve uma época que eu trabalhava num lugar e eu sempre passava na frente de um McDonald's, na volta pra casa. Então eu saía ali do trabalho, era mais ou menos uma hora e meia de deslocamento, de trânsito. E aí, quando eu estava perto de casa, eu passava na frente de um drive de um McDonald's. E muitas vezes, e todas as vezes que acontecia isso era na sexta-feira, muitas vezes eu parava no drive.

pedia um lanche, estacionava, pegava ali o pacotinho de papel... dava a volta com o carro no McDonald's e parava no estacionamento do McDonald's, no estacionamento que as pessoas param pra entrar na loja, eu parava e ficava ali. Parada. E ficava comendo dentro do carro o hambúrguer, o sorvete e o refri. E eu lembro que eu gostava muito de fazer isso quando eram noites de verão, porque eu ficava comendo e ficava debruçada ali no volante, olhando a noite, o céu ficando mais escuro.

E era uma sensação muito maravilhosa. E era uma sensação muito maravilhosa porque eu me sentia transgressora em muitos níveis. E eu me sentia transgressora porque, um, eu tava comendo uma parada muito melecada dentro do meu próprio carro e ia sujar o banco, o volante, o cinto de segurança e eu sabia disso. Dois, era uma coisa que me fazia...

que fazia muito mal pra saúde. Era uma decisão muito duvidosa nesse sentido. Eu não deveria estar comendo McDonald's sexta-feira à noite, depois dos 30, mas eu tava. E três, era um dinheiro muito mal gasto. Gastar com McDonald's e depois ter que gastar pra lavar o carro. Mas era uma sensação tão maravilhosa de liberdade, de eu sei que isso faz mal, eu sei que eu não deveria, mas entendi e quero continuar, sabe?

Quem senta aqui há mais tempo na mesa de bar sabe que eu me preocupo muito com a saúde, eu faço exercício físico desde muito nova, eu tenho uma apiração com saúde, sempre tive, mas... Existia um gozo nessa decisão e era um gozo do eu tô decidindo o que eu quero fazer aqui. Sou eu que escolho como eu quero viver essa noite. Sou eu que escolho como que eu quero desfrutar desse momento.

E essa noite eu quero comer hambúrguer e sorvete dentro do carro, olhando o céu ficar escuro. E eu acho que isso é interessante, porque saber cuidar de si assumir que o jogo está com a gente agora, assumir que o bastão está na nossa mão, assumir que é a gente que vai assinar. as autorizações pra gente ir no show ou não ir no show pra gente ir na excursão ou pra gente não ir na excursão é a gente que vai autorizar se autorizar a pedir ou não demissão se autorizar

A se relacionar ou não com aquela pessoa. Tá na nossa mão essa decisão. Lembrar disso é interessante. Porque saber cuidar de si. É também uma oportunidade. De entender e de aprender. Que às vezes tudo que a gente precisa é uma comidinha fresca, com muita salada e suco de abacaxi. E às vezes parar no drive do Mac é o que vai salvar a nossa noite. O que eu quero dizer...

É que eu acho muito libertador reconhecer que é a gente que sabe que é melhor pra si. Eu já contei essa história aqui mil vezes, mas eu acho ela muito maravilhosa. Ela aconteceu acho que há uns 5 anos, mais ou menos. Eu tava indo pra terapia. E eu tava... Eu lembro até hoje, assim, eu tava na rua. Eu não lembro se eu tava indo ou se tava voltando. Eu lembro que eu tava na rua. E eu lembro de eu ter sido invadida por uma sensação de... Então, quer dizer...

Que eu posso fazer o que eu quiser com a minha vida? Que a vida é minha e eu posso fazer o que eu quiser? E eu falei isso pra Renata, que é minha terapeuta, e ela falou assim, pois é, Natália, exatamente isso. Você pode fazer o que você quiser com a sua vida. E eu acho que essa sensação do Mac é essa sensação, assim, de...

Do gozo de, cara, eu entendi e quero continuar, sabe? Que é também o gozo de você falar, cara, fui eu que comprei os ingressos há um ano e sou eu que decido que eu não quero mais ir. eu que vou assumir o BO de ter que gastar grana. Sou eu, né? Sou eu que vou decidir. Porque no final das contas a vida é minha.

Tolerando Desconfortos Rumo ao Bem-Estar

É isso, né? Eu acho que é muito parte de ser uma pessoa adulta, pensar no gozo das coisas. sem perder de vista o desconforto das coisas sem perder de vista os riscos das coisas sem perder de vista as desvantagens das coisas essa história do show me faz pensar

que pra ficar bem na nossa própria pele a gente tem que tolerar alguns desconfortos, né? Foi o que eu disse na abertura. O desconforto de perder o dinheiro porque não quer mais ir no show. O desconforto de ficar em casa quando todo mundo vai. O desconforto de bancar a nossa singularidade. de assinar, de rasgar ou de mudar contratos e acordos que não fazem mais sentido para a gente.

O desconforto de se questionar e de descobrir coisas sobre a gente que, pô, eu queria muito que fosse outra coisa. Acho que entender que pra ficar confortável, por vezes, tem desconforto é um aprendizado muito valioso. Pra mim. Porque não é assumir o desconforto pelo desconforto. Isso não faria sentido, né? A gente procurar o desconforto porque é gostoso ficar desconfortável. Não é. Mas é suportar o desconforto.

Porque a gente sabe que esse é o caminho muitas vezes pra gente ficar confortável. Sei lá, todas as vezes que você termina uma relação ou que você corta a relação com alguém, é um pouco disso. É suportar o desconforto pra que a gente possa ficar confortável. todas as vezes, por exemplo, que você...

Pede demissão de um emprego para entrar em outro. É um pouco disso também. Tolerar o desconforto de sair de um lugar conhecido. Em busca de ficar mais confortável nessa outra fase. Enfim, eu acho que a maior parte das coisas... que a gente faz, por exemplo, se você é uma pessoa que tem muita dificuldade de dizer não, por exemplo, é um pouco disso também. É suportar o desconforto de dizer não pra gente poder ficar mais confortável dentro dos nossos limites.

Fico pensando que a maior parte das coisas que hoje a gente fica confortável foram muito desconfortáveis um dia, né? De aprender a meditar. a falar em público, de fazer terapia, se posicionar, de sair sozinha a dirigir, de bancar o que sente, a mudar de estilo, de sair de uma relação... a ficar bem sozinho, de aprender a cozinhar, pintar, desenhar, escrever, a errar com pais.

Pra ficar confortável, muitas vezes o caminho é desconfortável e longo. Mas eu acho que a gente chega também. A gente chega num outro lugar. Eu acho que uma hora a gente chega. E chega porque o conforto também tem a ver com o conhecido. Tudo que é confortável hoje para você e para mim é conhecido em alguma medida.

é previsível em alguma medida. Embora a gente não saiba exatamente todos os plofits que vão acontecer, é previsível de alguma medida. E aí quanto mais a gente vai treinando isso, treinando... essa tolerância a esse desconforto como caminho pro conforto eu acho que vai mais vai ficando mais confortável eu acho ou menos desconfortável eu acho né eu acho que isso tem tudo a ver com treinar a se escutar

bancar o que a gente escutou, acho que isso é muito difícil muitas vezes às vezes a gente escuta o que a gente quer a gente sabe o que a gente quer, mas é muito difícil bancar o que a gente escutou é muito difícil bancar o que a gente realmente quer, e aí eu acho que é um treino difícil, mas um treino muito valioso também. Tem uma parte do livro da Elisama Santos, o Conversas Corajosas, que eu já falei muitas vezes aqui nesse podcast. E é um livro que eu amo e que tá falando ali...

Em determinado momento. Sobre outra coisa. Tá falando sobre chantagem emocional. Mas... ela fala uma coisa que eu acho que vale demais pra trazer pra esse episódio pra trazer pra isso que a gente tá pensando junto que é, ela diz que quando você vai conversar com alguém e você sabe que essa pessoa não vai aceitar bem o que você falou ou Você sabe que...

Pra você é muito difícil frustrar essa pessoa, então talvez essa pessoa não aceite bem o que você falou, mas pra você também é difícil lidar com esse desconforto. Ela sugere que a gente repita mentalmente. Eu suporto. Eu suporto a frustração dessa pessoa. Eu suporto a minha própria frustração de frustrar essa pessoa. Eu suporto. E eu amei muito essa frase e acho que ela serve também pra esses casos em que o desconforto é o caminho pro conforto, né? Então, essa coisa de...

Sei lá, minha versão da semana passada decidiu uma coisa pra versão dessa semana e chegou essa semana, eu não dou conta de fazer. Minha versão da semana passada decidiu que essa semana eu ia bater 10 na produção. essa semana eu não tô bem, eu tô com energia baixa, eu não tô legal. E aí é trazer essa ideia do eu suporto lidar com a frustração da minha versão da semana passada.

Eu suporto lidar com a minha própria frustração de não dar conta disso. Eu suporto perder essa oportunidade. Eu suporto esse desconforto para ficar confortável na minha própria pele. Ou aquela pessoa me chamou pra sair e é muito desconfortável pra mim dizer não. Mas eu suporto não ir. Porque eu sei que a decisão de ir, que é a mais confortável, no fim vai ser a mais desconfortável.

É isso, gente. Eu acho que essa no fim é a delícia de ser adulto, né? Poder olhar pras coisas e falar agora é comigo. É a versão pega-pega do adulto, né? É lembrar que tá toda hora com a gente. É a gente que vai ter que decidir, é a gente que vai ter que mergulhar pra dentro e entender o que é melhor pra gente a cada momento e suportar o desconforto de frustrar a nossa versão de si mesma idealizada.

Todo mundo tem uma versão de si idealizada, uma versão que é muito mais espontânea, muito mais corajosa, muito mais descolada, muito mais disponível, muito mais enérgica, muito mais animada. Embora a gente possa ser tudo isso, a nossa versão idealizada é sempre 50% mais. E é muito frustrante quando a gente acorda um dia e não consegue corresponder.

o que a gente gostaria de ser naquele dia. Mas o que é ser humano se não isso? Fazer as pazes com as nossas próprias limitações, fazer as pazes com as nossas Com as nossas quebras de idealização, né? Lembrar que a gente é um monte de coisa e não é um monte de coisa também. E tudo bem, tudo certo, né? Essa ideia de completude, de que a gente pode ser tudo a todo tempo, ao mesmo tempo.

loucura, é uma loucura, não vai ser não vai ser, nem tudo nem ao mesmo tempo porque as limitações também são necessárias, né eu já trouxe essa ideia aqui pro Prada Nome as Coisas há um tempão atrás

Limites Saudáveis e Aceitação

Mas eu gosto muito da diferenciação entre limite e limitação, porque é isso, quando a gente fala de limitação, parece que limitação é quase aquela árvore no meio da estrada que a gente tem que tirar. E pra gente poder passar, né? Aquela coisa de superar todos os dias as nossas limitações e não, vamos lá, vamos que vamos e etc. E a minha melhor versão e eu melhor do que ontem e etc.

Como se quase todos os nossos limites fossem limitações, né? E eu acho que limite é uma coisa muito importante. Limite é uma coisa que vai dizer até onde a gente pode ir para a nossa autopreservação, para a nossa integridade. Nem todo limite é uma limitação. Nem todo limite... Na verdade, o limite não é uma limitação, né? O limite é aquilo que fala até onde a gente pode ir pelo nosso próprio bem-estar. Mas eu acho que a gente, nesses tempos, transformou todo limite como uma limitação.

Então todo limite parece que é uma coisa que eu preciso ultrapassar. Teve uma vez, agora mesmo recentemente, uma moça me mandou mensagem dizendo que ela era uma pessoa introspectiva e que ela se sentia muito... provocada a ser uma pessoa extrovertida. E eu acho que esse é um bom exemplo, né? A gente tá transformando traços de personalidade que são comuns, que são o que falam sobre a diversidade das pessoas, porque todo mundo, cada pessoa vai ter uma particularidade

idade, uma característica, enfim. A gente tá transformando características em limitações. Então, assim, a pessoa não pode mais ser uma pessoa introspectiva, nem tímida. Ela tem que ser expansiva, tem que ser extrovertida. Cara, que loucura é o que a gente tá

fazendo com a gente, né? Que loucura o que a gente tá fazendo com os outros também. Não tem que ser nada, não tem que ser nada. Só que é isso, eu acho que quando a gente não consegue quebrar a idealização que a gente tem de si, a gente vai... cobrando e exigindo isso dos outros também, achando que todo mundo precisa também ultrapassar os limites como se isso fosse uma limitação.

Quando, na verdade, limite é limite. Limite é o que nos dá contorno, limite é o que nos protege, limite é o que garante a nossa integridade. Enfim, gente. É isso. Não fui ao show. E foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Porque é isso. Porque... Porque esses dias também existem Acho que não tem muito mais o que dizer além disso Esses dias também existem

Os dias em que a gente bate cartão em todos os rolês possíveis, existe. Assim como esses dias em que a gente faz mil planos e prefere ficar sentada no sofá, existe também. E não tem melhor e pior, né? Tem o que é. Tenho que...

Tem as oscilações que existem no nosso corpo, assim como tudo na natureza, porque somos parte dela também, né? É isso, gente. Espero que tenha feito sentido pra você. Espero que tenha te feito uma boa companhia. Se você gostou, se fez sentido, pra você e você puder, quiser conseguir compartilhar nas suas redes sociais dá 5 estrelinhas pra gente aqui no Spotify, a gente vai ficar muito feliz, lembrando que a gente tem um financiamento coletivo no Apoia-se

e você pode a partir dele entrar no grupo exclusivo para assinantes no telegram tem também algumas outras recompensas como episódios exclusivos cartas exclusivas tem um quadro exclusivo lá que eu respondo perguntas é muito legal também te ter por lá. E procure aqui também na descrição o site do Inspira, do Sesc, porque vai ser muito incrível e eu tô muito doida pra ir. É isso, a gente se encontra na semana que vem. Um beijo e até lá.

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