Xadrez Verbal #438 Protestos em Madagascar - podcast episode cover

Xadrez Verbal #438 Protestos em Madagascar

Oct 18, 20255 hr 4 min
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Summary

Este episódio analisa a complexa atuação diplomática brasileira na Palestina, incluindo o trabalho consular e as missões de evacuação de Gaza. Discute-se também o crescimento da direita em Portugal e a escalada da guerra comercial entre EUA e China. O programa explora a fragilidade do plano de paz de Donald Trump para o Oriente Médio, as crises políticas em Madagascar, Venezuela e Peru, e os desafios da democracia na América Latina. Finaliza com a explicação dos conceitos por trás do Nobel de Economia e notícias globais.

Episode description

(00:00:00) Xadrez Verbal #438 Protestos em Madagascar
(00:04:40) Giro de Notícias #01
(00:24:05) Coluna Aberta #01: entrevista com o embaixador Alessandro Candeas
(01:35:40) Coluna Aberta #02: Oriente Médio
(02:19:55) Efemérides: A Semana na História
(02:24:50) Match: América Latina
(03:38:30) Xeque: África
(04:14:05) Gambito da Dama: Nobel de Economia
(04:23:50) Giro de Notícias #02
(04:42:45) Peões da Semana
(04:43:50) Sétimo Selo
(04:54:05) Música de Encerramento

Realizamos uma entrevista exclusiva com o embaixador Alessandro Candeas, embaixador brasileiro na Palestina de 2020 a 2024.

No mais, a bandeira do pirata que estica de One Piece continua presente em protestos pelo Mundo, dessa vez em Madagascar e trataremos da conjuntura política da ilha africana, além da queda do presidente Andry Rajoelina.

Também demos aquele tradicional pião pela nossa quebrada latino-americana, com destaque para o pedido de demissão do chefe militar nos EUA na região e os protestos no Equador e Peru.

Por fim, a professora Vivian Almeida repercute os laureados com o Nobel de Economia!

Aproveite o Guia do Mochileiro Tech da Alura: https://alura.tv/xadrezverbal-guia-2025

Campanha e comunicado sobre nosso amigo Pirulla: https://www.pirulla.com.br/

Transcript

Xadrez Verbal #438 Protestos em MadagascarNo mais, a bandeira do pirata que estica de One Piece continua presente em protestos pelo Mundo, dessa vez em Madagascar e trataremos da conjuntura política da ilha africana, além da queda do presidente Andry Rajoelina.Também demos aquele tradicional pião pela nossa quebrada latino-americana, com destaque para o pedido de demissão do chefe militar nos EUA na região e os protestos no Equador e Peru.Por fim, a professora Vivian Almeida repercute os laureados com o Nobel de Economia!Aproveite o Guia do Mochileiro Tech da Alura: Campanha e comunicado sobre nosso amigo Pirulla:

O podcast que você ouve agora é uma produção da Central 3. Xadrez Verbal. Bom Crepúsculo, ouvintes da Central 3, está começando mais uma edição do Xadrez Verbal, a sua revista semanal de política internacional em formato podcastal. Meu nome é Matias Pinto e como sempre estou ao lado dele, meu amigo e companheiro, Felipe Nobre Figueiredo, o homem por trás do tabuleiro.

Olá, meu caro Matias, olá a todos os nossos ouvintes, todo mundo que nos ouve, nos prestigia, nos divulga, nos tolera, nos ama, nos deseja, diz que nos odeia, mas não nos tira do ouvido, chegando aqui para você a edição de número... 438 do xadrez herbal. Estamos gravando na sexta-feira, dia 17 de outubro de 2025. No dia seguinte, a abertura da exposição com curadoria do Matias, lá no Museu do Futebol. A exposição Cante a Brava. E Matias, ela fica até quando mesmo? Ela fica até 5 de abril.

Lembrando que o Museu do Futebol funciona de terça a domingo das... Lembrando que o Museu do Futebol funciona de terça a domingo, das 9 às 18 horas, com entrada permitida até às 17. Nas terças também tem entrada gratuita e crianças com menos de 7 anos. E também não pagam o ingresso, que é R$ 24,00 a inteira e R$ 12,50. E fica aqui um abraço também para toda a equipe do Museu do Futebol e também para as minhas colegas de curadoria, a Gisele.

Zélia de Paula e a Luísa Romão. Lembrando que ouvinte nosso que estiver em São Paulo ou morar em São Paulo e não for na sua exposição vai ficar gripado. Vai ficar com o nariz escorrendo por um mês. E quem perguntar pra gente, né, sobre o Fronteiras Invisíveis do Futebol, que... Não queremos prometer nada, mas deve voltar ano que vem, mas enquanto não chega, né, 2026, você pode matar a saudade do Fronteiras nessa exposição.

que tem muito a ver também com o outro podcast que eu faço em parceria com o Felipe. E falando em podcasts, convidar novamente os nossos ouvintes a dar uma olhada lá no novo Nerdologia, um programa de entrevistas. tanto no seu agregador favorito de podcasts, quanto também no YouTube em vídeo, também tem na discoteca sueca em vídeo. E um recado importante sobre semana que vem. Eu estarei viajando.

Alguém já vai falar, pô, Felipe, só viaja. A última viagem que eu fiz foi a trabalho, gente. E foi em cima da hora. Foi em cima da hora. Agora, de fato, vai ser uma viagem pessoal. Eu vou para um lugar que... A internet é ruim, inclusive. O fuso é distante. Três horas de diferença. Eu achava que era pior também. Então, assim, semana que vem...

Eu vou me dar o direito de ficar um pouco desconectado. Então a gente vai gravar o próximo Chatelezer Bal. Filipe vai fazer um detox. Na quarta-feira, 29 de outubro. Vai ser um programa ali para pegar esse... período ali de 10 dias, mais ou menos. Tá bom? Então, espero que eu conte com a compreensão de todos vocês. Quem não... compreender, a gente devolve dinheiro. E só, eu não lembro se eu falei, o Museu do Futebol fica no estádio do Pacaembu.

Praça Charles Miller. Dá pra chegar por três estações de metrô diferentes. Pode ser nas Clínicas, na Marechal Deodoro ou na Higienópolis Mackenzie. Então é bem fácil de chegar. Eu acho que é mais perto. A pé é Higienópolis. Marópolis, né?

Porque a Clínicas tem que descer aquela ladeira. É, a Clínicas tem que descer a ladeira, mas Ginópolis tem uma descidinha também. Fica entre as duas, né? Mas assim, pra quem vem da linha vermelha e não quer fazer baldeação, desce na Marechal também e pega a Avenida Pacaembu. Mas é isso, fica o convite novamente. Então, sem mais delongas, Felipe, passemos para o primeiro bloco do Giro de Notícias.

Giro de Notícias #01

Giro de notícias Notícia do domingo passado, dia 12 de outubro Macron nomeia novo governo para tentar amenizar crise. Então, meu caro Matias, alguns aos ouvintes já devem saber, mas... Pouco tempo depois que a gente gravou o programa, que a gente falou do Sebastião Chifrudo, queda do governo Lecornu, o Macron foi lá e nomeou de novo o Sebastião Lecornu no domingo como novo primeiro-ministro. Ele já passou por dois votos de desconfiança no...

parlamento francês e um deles faltaram apenas 18 votos para derrubá-lo. Uma delas foi proposta pela França em submissa e a outra foi proposta pela reunião nacional da Le Pen. Ambos pedindo inclusive a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições. Nesse meio tempo, isso é muito importante para entender inclusive parte desse processo de manutenção do governo. O governo francês anunciou a suspensão da reforma da Previdência até a próxima eleição presidencial em 2027.

E aí, eu vi muita gente falando assim, não, o Macron concedeu, o Macron cedeu. Vamos refrescar a memória dessas pessoas. A reforma da Previdência que foi aprovada recentemente pelo governo Macron foi feita na base da canetada e usando... um mecanismo autoritário da Constituição Francesa derivado de um processo... prévio anterior de instabilidade na França, que gerou uma constituição que dá mais poderes ao presidente.

Então, a aprovação daquela reforma da Previdência não teve apoio popular, não teve apoio do parlamento, não teve apoio da maioria dos partidos, então não é sessão coisa nenhuma, é se tocar. Basicamente. Então, isso foi bastante importante. Outras notícias da Europa do Norte continental, tivemos muitos protestos nessa última semana em Bruxelas, justamente... contra propostas de reforma da Previdência e de medidas de austeridade.

Segundo a imprensa, mais de 100 mil pessoas participaram dos protestos Se você pensar no tamanho da população de Bruxelas é bastante coisa, tá? 100 mil pessoas nas ruas de uma cidade como Bruxelas. Outra coisa, essa semana o governo alemão para diminuir o preço da energia, anunciou que vai importar energia elétrica da França. Até aí tudo bem, já diria o outro.

Só que qual é a ironia das ironias? Por que a Alemanha está passando por um aumento do preço de energia elétrica? Porque a Alemanha cometeu um harakiri energético. desativando as suas instalações nucleares, depois de uma proposta do Partido Verde, ali no contexto de Fukushima. E agora a Alemanha está importando a energia elétrica da França, que é um dos países que mais usa energia nuclear do mundo.

Então, eu desativo a minha própria usina nuclear para comprar a energia elétrica da usina nuclear do meu vizinho. Se faz sentido, eu não sei, mas eu não consigo ver o eventual sentido. Nessa próxima semana teremos eleições para o presidente ou a presidente da Irlanda. Será a primeira eleição. Desde 1990, com três... candidaturas, lembrando que o atual presidente, o Michael Higgins, ele não pode ser candidato, e as pesquisas indicam uma vitória da Catherine Connolly.

que é uma política independente, ela é uma candidata independente, embora, historicamente, ela seja a esquerda. Ela foi prefeita de Galway, a mesma Galway. da música Galway Girl e ela é uma advogada e psicóloga. É... versátil. Pois é. Notícia da segunda-feira passada, dia 13 de outubro. Partido Chega elege três prefeitos em eleições locais de Portugal. Tivemos eleições em Portugal no último dia 12 de outubro para eleger. 308 prefeitos, os governos de 3.259 freguesias e 2.058 vereadores.

O partido que ficou em primeiro é o PSD, o Partido Social Democrático, o partido de centro-direita português. Cresceu, inclusive, na sua porcentagem dos votos, ficou com 34% dos votos. Em segundo lugar, ficou o Partido Socialista perdendo votos, perdendo prefeitos e perdendo vereadores, mas ainda... ficou em segundo ali com 33%, ou seja, uma porcentagem muito próxima. E ainda é a segunda força, claramente. Aí, em terceiro, agora é o Chega.

Na última eleição local, o Chega tinha ficado com 4,2%, não tinha eleito prefeitos. Agora ficou com 11,9%, ou seja, um aumento substancial, e elegeu... três prefeituras, além de 137 vereadores. E a aliança da coalizão democrática unitária, liderada pelo Partido Comunista, ficou em quarto lugar. com 5,7% dos votos, perdendo votos. E aí, o resultado do Chega, ele tem o copo meio cheio e o copo meio vazio, dependendo de quem olha. O copo meio chega. Assim, por um lado, o Chega...

se tornou, consolidou-se regionalmente também como a terceira força portuguesa, elegeu lideranças do executivo em Portugal pela primeira vez. Então, por um lado, o partido... tem o que comemorar e os seus simpatizantes. Por outro lado, as pesquisas e as expectativas do partido eram muito maiores. O Chega tinha expectativa de ganhar até...

30 prefeituras. Porque, de onde vinha esse número de 30? Se eles mantivessem nas eleições locais um eleitorado similar ao que obtiveram na eleição nacional, eles poderiam chegar nesse número. Então assim, eles tiveram 12% dos votos na eleição regional. Na eleição nacional foram 22%. É uma diferença considerável.

Agora, qual é a discussão? Veja, discussão. Nem eu, nem o Matias, temos capacidade, muito menos nesse momento, de vacinar o que foi. Se o eleitorado, digamos assim... não quis votar no Chega, cansou do Chega, o Chega perdeu o encanto, ou se... As pautas do Chega como questões migratórias, elas são de tema nacional. Então, para a administração da sua cidade, da sua paróquia...

da sua freguesia, melhor dizendo, o cidadão português preferiu votar em outro político, outro perfil. Não, chega, fala de imigração, o prefeito não vai lidar com a imigração, vou votar no prefeito de sempre. Então tem essas possibilidades. E, além disso, nessa semana foi oficializado, ontem, quinta-feira, dia 16, a nova versão da Lei dos Estrangeiros de Portugal, que dificulta a vida dos brasileiros, inclusive, lembrando que o governo brasileiro protestou.

contra essa mudança, dizendo inclusive que violava parte dos acordos bilaterais. Notícia da última terça-feira, dia 14 de outubro. Estados Unidos querem encontro entre Trump e Xi. Ainda em outubro. Tivemos esse anúncio pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos. Notícia repercutida pelo nosso queridíssimo Igor Patrick. O Igor Patrick...

infelizmente, né, ele sofre de um problema, né, que é o mineiro que se apaixona pelo Rio de Janeiro, né, então aí ele vira mais bairrista que os próprios cariocas, né, mas um beijão gigante pro Igor. Ele e o Rui Cabo. É, exatamente. Entre o Igor e o Ricardo, eu prefiro o Igor. Mas um beijão pra ele, ele que está viajando nesse momento a trabalho.

Mas, então, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que quer o encontro entre o dono de Trump e o Xi ainda em outubro, na cúpula da APEC, no final do mês, na Coreia do Sul, ou seja, campo neutro. Campo neutro Porém Nesse mesmo período, logo depois que nós gravamos o último programa, meu caro Matias, a gente falou da questão das terras raras. E a gente falou no programa, olha, os Estados Unidos vão retaliar isso daqui. E aí, logo depois...

Depois que a gente gravou o programa, o Donald Trump postou nas suas redes sociais dizendo que acabei de descobrir que a China adotou uma posição extraordinariamente agressiva no comércio. mandando uma carta de hostilidade para o mundo, dizendo que eles vão impor vários controles e tudo mais. É impossível acreditar que a China tomaria tal ação. Mas eles tomaram. E o resto é história. Obrigado por sua atenção.

É como termina o post Donald Trump. Então ele anunciou a retomada de sanções de 100% contra a China e que, a partir do dia 1º de novembro, os Estados Unidos vão adotar controle de exportação. De qualquer software crítico Depois, como consequência disso As principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos Sofreram um baque nas suas ações

como Microsoft, como Apple, porque são empresas que têm relações com a China no geral. E o Donald Trump... disse no último dia 15, também conhecido como anteontem, que o seu país está em guerra comercial com a China, usou esse termo, e que pode cogitar até mesmo tarifas de... 500%. 500%.

Ele também fez um post no último dia 14, dizendo que eu acredito que a China, de propósito, não está comprando nossa soja e causando dificuldade para os nossos fazendeiros de soja, num ato de hostilidade econômica. Consideramos acabar com os negócios com a China tendo ligação com o cooking oil, ou seja, o óleo de soja para cozinhar.

E, como exemplo, nós podemos facilmente produzir o cooking oil nós mesmos. Nós não precisamos comprar da China. Então, os Estados Unidos vão produzir mais óleo de cozinha. Ainda em relação a essas questões, meu caro Matias, duas outras notícias, mas que certamente tem correlação. O governo dos Países Baixos... Prestem atenção nessa notícia, tá, gente? O governo dos Países Baixos tomou...

A empresa Nexperia, que é uma empresa de chips sediada nos Países Baixos, mas que é uma empresa hoje chinesa. Lembrando que a indústria de tecnologia tem nos Países Baixos um dos seus grandes... E o governo holandês usou uma lei que raramente é utilizada, a lei de disponibilidade de bens para... intervir na nexperia afirmando que ela não está cumprindo o acordo de venda para os proprietários chineses e não está abastecendo de forma devida

às empresas europeias. Abro aspas. A atual administração da Nexperia é uma ameaça à continuidade e segurança do conhecimento de tecnologia e capacidade cruciais de tecnologia no solo neerlandês e europeu. E aí então o governo neerlandês foi lá, usou essa lei para... tomar de volta a empresa. Nesse processo, os proprietários chineses da Wingtech serão indenizados, não é um confisco.

serão reembolsados. Eles que compraram a empresa em 2018. Então, assim, é uma notícia importantíssima. E que foi anunciada no mesmo dia... em que os Países Baixos anunciaram, com perdão da redundância, vou usar duas vezes a mesma palavra, que vão aderir ao novo programa de drones militares não tripulados dos Estados Unidos. Não são coincidências. E já a China, por sua vez, sancionou cinco subsidiárias nos Estados Unidos da construtora naval sul-coreana Hanwha.

Ocean como uma retaliação, entre aspas. Então, assim, essas relações comerciais, agora elas estão mais complicadas do que estavam alguns meses atrás. Bem, antes de passarmos para a próxima notícia, o Felipe tem um recado dos nossos parceiros da... Alura. Exatamente, meu caro Matias. O guia do mochileiro tech da Alura em 2025 está ainda mais completo, pensado para você que deseja conquistar as melhores oportunidades de carreira em tecnologia no Brasil.

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afirmando que ela afeta apenas o setor privado e pode ser aplicada apenas em até 37 dias por ano. Independente do que o governo falar, entretanto... Obviamente, a oposição, os sindicatos e os trabalhadores protestaram contra essa medida, afirmando que é uma medida digna da Idade Média. E que os trabalhadores que não aceitaram essas jornadas mais longas serão alvo de assédios, serão alvo de possíveis demissões e tudo mais.

Inclusive, segundo a agência Eurostat, citada pela agência FranciPresse na matéria, Os gregos trabalham, em média, mais do que o restante da União Europeia. Lembrando que os países do Mediterrâneo têm a fama, especialmente na Alemanha, na Dinamarca, na Suécia, de serem vagabundos, de não trabalharem.

gregos são um dos que mais trabalham dentro da União Europeia. E a gente cruza o Adriático, meu caro Matias, com duas notícias da Itália. Uma delas... foi que na noite do dia 13 para o dia 14 de outubro, na região de Verona, policiais estavam realizando uma operação. de despejo em uma propriedade rural eles realizaram durante o dia porém, à noite o edifício explodiu com botijões de gás E explosivos dentro dele, colocados...

pelos ocupantes do prédio, a família Rampone, que não queria sair do prédio, embora eles estivessem devendo, não sei se aluguel ou se prestações do imóvel, enfim. E por conta disso... Três carabinieri, que são a polícia militar italiana, morreram. E 25 pessoas ficaram feridas, incluindo bombeiros. E dois dias depois... ... ... ... ... que é um dos principais jornalistas do programa Report, na emissora de televisão pública RAI. Então eu falei report em inglês, mas deve ser report.

em português. Reporte. Fazendo uma coxinha na mão, bem estereotipado. então explodiram o carro dele ele felizmente não se feriu nem nada o carro estava vazio e muito provavelmente foi uma operação do crime organizado para intimidar o jornalista. Bem, passemos agora para a primeira coluna aberta, na qual Felipe entrevistará o embaixador Alessandro Candeias, que representou o Brasil na Palestina de 2020 a 2024.

Coluna Aberta #01: entrevista com o embaixador Alessandro Candeas

Coluna aberta. de ter uma carreira no Itamaraty de muito destaque, hoje ele é o nosso cônsul geral em Lisboa, capital de Portugal. Ele recentemente publicou, no dia 15 de setembro, pela editora Contra Corrente, o livro Peregrinação e Guerra, anotações de um dia... diplomata na Terra Santa, com suas memórias de quando ele foi o nosso embaixador na Palestina, de 2020 a 2024.

Então, antes de tudo, embaixador, muito obrigado pelo seu tempo, obrigado por nos receber e por falar para a audiência do Xadrez Verbal. Felipe, muito obrigado pela gentileza do seu convite, é um grande prazer estar com você e com os ouvintes do Xadrez Verbal. Embaixador, vamos começar do começo. O foco da nossa conversa será o seu livro de memórias, que está disponível em todas as livrarias, e-books. E eu queria perguntar para o senhor sobre como foi o estágio, como estava a carreira do senhor.

quando o senhor foi nomeado para a Palestina, como o senhor recebeu essa nomeação, e um detalhe que talvez possa ser interessante para os nossos ouvintes é que o senhor foi nomeado em um governo, ainda durante a presidência de Jair Bolsonaro, porém ficou... Ficou quatro anos, dois anos com cada presidente. Então, como foi esse processo de nomeação e esse processo também de transição de governo? Isso é uma interessante pergunta. Eu começo dizendo que diplomacia é uma...

carreira de Estado, não de governo. Diplomacia é uma política de Estado, portanto permanente, com princípios permanentes que regem a diplomacia brasileira, enfim, que é praticamente bicentenária. respeito ao direito internacional, enfim, interesses nacionais permanentes, tudo isso é estável. pesar e a despeito, digamos, das flutuações políticas de governo. Evidentemente que cada governo tem algumas modulações, algumas...

mas é o primeiro ponto realmente que eu quero ressaltar aqui é que diplomacia é uma política de Estado, sobretudo a diplomacia brasileira. Nós nos pautamos e vamos falar sobre isso na questão palestina, não especificamente. mas nós nos pautamos em toda a nossa agenda pelos princípios gerais, o respeito do direito internacional, os princípios da política externa que estão na nossa Constituição de 88.

Portanto, apesar das modulações políticas, que são naturais de uma democracia, a diplomacia é uma política de Estado. Dito isso... Enfim, já respondendo a sua pergunta, eu fui nomeado em 2020. Eu era, naquela época, chefe do Departamento de Defesa do Itamaraty. Antes, eu... havia sido chefe de gabinete do Ministério da Defesa, e então em 2020 eu sou nomeado para o Escritório de Representação do Brasil, é assim chamado, em Ramallah.

na Palestina, com residência em Jerusalém. Ou seja, a residência oficial é em Jerusalém Leste e o escritório do Brasil é em Ramallah, mais ou menos 40 quilômetros de Jerusalém. Então, evidentemente, houve a mudança de governo, houve uma, digamos, readaptação das prioridades.

houve, na verdade, um retorno a políticas tradicionais do Brasil em relação, como eu disse, à questão israelense e palestina, sobretudo, mais uma vez, respeito às... resoluções da ONU e aos princípios que regem a nossa política externa de autodeterminação, não ingerência, etc. Portanto, o que eu posso dizer é que não houve...

da perspectiva do escritório do Brasil em Ramallah, não houve grande mudança. Nós sempre nos pautamos pelos princípios tradicionais da política externa brasileira. E o senhor já antecipou... a que seria a minha próxima pergunta, porque no livro do senhor fica evidente a questão de que o senhor residia em Jerusalém Oriental, porém o escritório fica em Ramallah, que é onde também fica o Ministério de Relações Exteriores da Palestina. E como eram os desafios, no caso...

pré-7 de outubro de 2023, como eram os desafios e a rotina do senhor também, né? De deslocamento, porque embora sejam apenas 40 quilômetros de distância... Nós temos os checkpoints, nós temos o muro, que os israelenses chamam de muro da contenção, mas é mais conhecido como muro da vergonha. Nós temos, não são 40 quilômetros em linha reta. Então, como era a atuação, a rotina do senhor como representante brasileiro na Palestina?

Correto. Em linha reta, Felipe, são 24 quilômetros. Justamente os 40 quilômetros se devem a todo o percurso, enfim... se contornava uma boa parte do perímetro do muro, se passava por um checkpoint. Então, enfim, basicamente, eu começaria dizendo que todo o corpo diplomático e consular baseado em, ou que está ligado à autoridade palestina, tem sua residência em Jerusalém Leste, Jerusalém Oriental.

Ou seja, os consulados históricos, por exemplo, como Reino Unido, França, Espanha, Grécia, Estados Unidos transferiu a embaixada. Podemos falar sobre isso mais adiante. Estados Unidos transferiu a embaixada. em 2017, de Tel Aviv para Jerusalém, mas esse é um caso à parte. Mas enfim, todos os consulados históricos e os países que reconheceram a Palestina...

e o Brasil reconheceu a Palestina em 2010, tem o seu corpo diplomático residente em Jerusalém Leste. E todos nós moramos e nos conhecemos praticamente no mesmo bairro. um bairro chamado Sheikh Jarrah, em Jerusalém Leste. Então, todos os dias, o corpo diplomático atravessa o checkpoint, o checkpoint principal se chama El Dib. E nesse percurso, como eu falei, de 40 quilômetros, mais ou menos uns 40 minutos também, todos os dias nós passamos e retornamos pelo mesmo ponto.

E é muito curioso você fazer essa transição, sempre que eu recebia visitantes, e estávamos a poucos metros de passar o checkpoint, eu dizia, olha, agora eu vou ficar... Em silêncio, eu vou deixar que você, o meu visitante, perceba como se passa de um mundo ao outro, de uma realidade à outra. Antes de passar pelo checkpoint, Jerusalém é uma cidade moderna. Os que estiveram lá conhecem, enfim, sobretudo o lado ocidental.

A exelência de Jerusalém é uma cidade praticamente europeia ou americana, enfim, é uma cidade... com boa infraestrutura, mas quando você passa para o lado oriental, o lado árabe, já há, digamos, uma queda dos serviços públicos e de lá... da parte oriental de Jerusalém, quando se atravessa o checkpoint para entrar efetivamente na Cisjordânia, no West Bank, Então, como eu dizia, eu ficava em silêncio e deixava o meu visitante ou a visitante, enfim, perceber que ao atravessar o checkpoint...

era realmente uma outra realidade, que o muro efetivamente é a fronteira entre duas realidades muito conflitantes. Ou seja, as ruas... as estradas passavam a ser de muito pior qualidade.

digamos, as casas modernas do lado israelense davam lugar a campos, campos de oliveiras, plantações e casas de pedra antigas, muitas vezes casas de... anos, 200 anos, enfim, famílias que habitavam nos campos, famílias palestinas que habitavam nos campos por, enfim, longo período, então, quer dizer, havia uma mudança na... na paisagem, na fisionomia, na etnia, enfim, você vê os rostos das pessoas que são...

Efetivamente, palestinos, e lembram muito os brasileiros, eu sou nordestino, eu sou pernambucano, então eu via muito o interior do Brasil dentro da... palestino, interior, sobretudo do nordeste, os rostos das pessoas, as morenas, as crianças caminhando nas ruas para as escolas, os trabalhadores de campo, enfim, então realmente era um contraste muito evidente. quando se atravessava um checkpoint. E...

Um parêntese aqui, a Palestina, a Cisjordânia, é dividida em três áreas, A, B e C, foram determinadas pelos acordos de Oso, sendo o seguinte, é uma gradação. A área A é uma área onde 100% das competências administrativas, de polícia, de segurança, são exercidas pela autoridade palestina. Então, as áreas A normalmente são os centros urbanos.

Os bairros mais importantes, no caso, por exemplo, de Ramallah, mas também pode ser de Belém, de Nablus, de Jericó, etc. Áreas A, então são as áreas, realmente são os centros. E aí são momentos mais modernos, com restaurantes, com cafés, com prédios mais modernos também, com infraestrutura, etc. A área B é uma área de transição entre... esse centro que é 100%, digamos, comandado pela autoridade palestina.

Seriam, digamos, subúrbios. E aí você já vê da A para a B uma queda mesmo na paisagem e na infraestrutura. E a área C, que é a maior parte da Cisjordânia, é uma área onde... A autoridade palestina não tem nenhuma competência.

de polícia, de verificação, enfim, até mesmo de políticas públicas, escolas, hospitais, não estão na área C. Então, são basicamente áreas campestas. Então, quando se entra na área C... é uma, digamos, você entra pelo campo, A área realmente rural da Cisjordânia, da Palestina, são campos de oliveiras, plantações de figueiras.

Poucas casas esparsas, é realmente um cenário bucólico muito tradicional, com casas muito antigas. Então a área C é uma área... na qual a autoridade palestina não tem nenhuma competência de segurança, não tem nenhuma política. isso pelos acordos de Oslo. Então, toda a segurança, por exemplo, da área C, apesar de não pertencer...

Israel, toda a segurança da área C, ela é determinada pelas autoridades de segurança de Israel e não da Palestina. A área B. É uma área suburbana, é uma área de transição, começa a haver, digamos, uma estrutura um pouco maior, alguns prédios um pouco mais esparços e a área A efetivamente é o centro urbano.

onde estão todos os serviços públicos, onde há casas de boa qualidade, tanto casas e prédios modernos, Quanto antigas casas, às vezes com 100, 200, 300 anos, casas de pedra e... toda a segurança, por exemplo, na área A, ela é 100% de competência da autoridade palestina, o que não acontece nem na C, nem na B. Então, enfim, tudo isso para dizer que todos os dias...

Nós saíamos de Jerusalém, apesar de Celeste é uma área moderna, e fazíamos essa transição para o interior da Cisjordânia e víamos realmente esse contraste. humano, um contraste de nível de vida, paisagem mesmo de plantações tradicionais, enfim, nós todos os dias, portanto, percorríamos essas dimensões diferentes. da natureza humana, o que nos mostra a complexidade da região. Embaixador, uma coisa que acho que pode ser também muito interessante para os nossos ouvintes, que é o seguinte...

Como era para um diplomata credenciado de um país... pacífico, que tem relações com todos os atores envolvidos, como o caso do senhor, cruzar um checkpoint. Porque, por exemplo... falando brevemente com a licença do senhor quando eu fui a Ramallah Eu fui em um táxi e o táxi foi vistoriado, a minha sacola de compras foi vistoriada por um soldado israelense. Quando é um embaixador...

Um diplomata, credenciado. Como é esse processo? E aproveitando, como era a relação do senhor com as autoridades israelenses? Perfeito. Bom, provavelmente, Felipe, quando você foi a Ramala, você deve ter entrado por um outro checkpoint chamado Calândia. que é um checkpoint muito maior, com um maior fluxo, trânsito. E, de fato, todos os carros...

com a placa amarela. As placas amarelas são as placas israelenses. As placas brancas são as placas palestinas. Então, provavelmente, você deve ter pego um táxi em Israel com a placa amarela. E, de fato... mesmo que o motorista seja um árabe, a matrícula provavelmente seria amarela. E, de fato, todos os carros são parados, os ônibus, enfim, são parados. É um exercício muito desgastante, em alguns casos, os relatos infelizmente são vários e cotidianos, exercício humilhante de vistoria.

inclusive, bom, entram soldados nos ônibus com fuzis, as crianças se assustam, mandam todos descerem nos carros, muitas vezes isso também acontece. No nosso caso, como funcionários diplomáticos e com placas, matrículas diplomáticas, isso não acontece. Ou seja, há o respeito. Eu tive... pessoalmente talvez um ou dois casos em que isso foi de alguma forma violado, mas praticamente em todas as ocasiões há o respeito pelos soldados e comandantes do checkpoint.

às matrículas diplomáticas. Então, no meu caso, eu não tive, como eu falei, enfim, houve apenas duas vezes, houve dois episódios, mas provavelmente... porque o agente do checkpoint era mal treinado, mal informado, e portanto não conhecia o que significa uma placa diplomática. Mas uma vez, por exemplo, em Jericó, e aí eu mesmo estava dirigindo o carro, não era o meu motorista, era eu mesmo dirigindo um carro.

também com placa diplomática, o motorista apontou o fuzil, simplesmente isso quer dizer, em Jericó, imagine você ter um fuzil apontado pra você num checkpoint e o outro foi numa das missões, a Gaza, a forma como realmente a equipe toda que estava do Escritório do Brasil em Ramalá em visita à Gaza, como foi tratada no checkpoint.

Mais uma vez, eu acredito isso ao mal treinamento de alguns dos agentes do checkpoint. Mas, mesmo assim, não se pode admitir que representantes diplomáticos... não sejam tratados como o direito internacional exige. E aproveitando o gancho do senhor, no livro do senhor, o senhor relata as visitas consulares, missões consulares que eram desempenhadas à Gaza, porque nós até agora focamos a nossa conversa na Cisjordânia.

até por uma razão geográfica, porque era onde fica a representação brasileira, mas o senhor, periodicamente, ia à Gaza, antes do 7 de outubro, para dialogar com os cidadãos brasileiros ali, etc. Como eram essas visitas, tanto do ponto de vista logístico, como era o deslocamento? E também a questão da presença em Gaza do senhor, o que o senhor viu em Gaza, como era a atuação do senhor na faixa de Gaza.

Muito importante, Felipe, sua pergunta. O que estamos falando, que nós chamamos de consulados itinerantes à Gaza? O que é um consulado itinerante? Enfim, o que são os serviços consulares? O consulado serve para atender a comunidade brasileira expatriada, tanto em documentos, produção de passaportes, atos novos.

notariais, enfim, registros civis de toda sorte, e como a comunidade brasileira, residente em Gaza, que era muito pequeno, menos de 100, incluindo seus familiares, era, portanto, muito pequena, mas não podia se deslocar de Gaza para Ramallah, nós íamos de Ramallah para Gaza, ou seja, fazíamos esse consulado itinerante... vezes por ano. Ou seja, o nosso setor consular de Ramala fazia, digamos, o levantamento de todas as necessidades de documentação, às vezes até mesmo de ajuda.

pessoas vulneráveis, a gente levava, digamos, comida, remédios, etc., para atender a nossa comunidade em Gaza, duas vezes por ano. E isso nos permitia... evidentemente, conhecer a nossa comunidade, temos sempre contato com eles, isso foi fundamental no momento, e vamos falar disso logo a seguir, da evacuação, da proteção e evacuação dessa mesma comunidade. Ou seja, nós já conhecíamos todas as famílias, conhecíamos o seu histórico, as suas necessidades econômicas e de documentação.

o que é um consulado itinerante. Nós fazíamos o levantamento das necessidades, colocávamos logisticamente, quer dizer, eram dois carros, colocavamos todo o equipamento, todo o material dentro de dois carros blindados e seguíamos de Jerusalém, partíamos de Jerusalém, não de Ramalho, mas de Jerusalém. para Gaza, pouco mais de uma hora de viagem, tudo é muito perto ali, e antes evidentemente tudo isso era coordenado com as autoridades de segurança de Israel.

Ou seja, através da nossa embaixada em Tel Aviv, nós informávamos o nome dos funcionários que iam fazer parte do consulado itinerante, que são funcionários... tanto do Itamaraty quanto também uma ou duas funcionárias locais, que eram brasileiras palestinas, que eram funcionárias do nosso consulado, e elas... Por serem do setor consular e por falarem árabe, inclusive, isso facilitava muito o contato com muitos da comunidade em Gaza, que apesar de serem brasileiros, alguns não falavam português.

Então a comunicação tinha também que ser em Árabe. Mas isso é muito comum no Oriente Médio. Isso acontece no Líbano, na Síria, etc. Então... informávamos, como eu dizia, a nossa embaixada em Tel Aviv, que encaminhava... o objetivo da visita, pedir autorização às autoridades de segurança de Israel, para que se cruzasse a fronteira entre Israel e Gaza, e da mesma forma, e isso é outro detalhe importante também, Essa missão era também informada às autoridades de fato de Gaza. Ou seja, todos sabiam.

Com total transparência, quem eram os brasileiros, qual era a missão, que tipo de equipamento se...

entrava na faixa, que era equipamento consular, para a produção de documentos consulares. Então, uma vez recebida a autorização de Israel, os nomes, os nomes de motoristas, os funcionários, tudo isso, e também uma vez recebida a autorização da autoridade de fato de Gaza, a missão transcorria com toda tranquilidade, chegávamos... na data, no horário marcado, atravessávamos o checkpoint, ficávamos um ou dois dias, dependendo da quantidade de trabalho em Gaza.

E, como eu disse, isso foi fundamental para que nós tivéssemos a clareza do perfil da comunidade brasileira, que morava em Gaza. Como eu disse, a missão às vezes era um ou dois dias. Eu, por duas vezes, fiz missões de três dias e não de dois. Por quê? Porque além dos serviços consulares... que era a razão dessa visita, numa primeira visita eu fiz questão também de conhecer as atividades das Nações Unidas em Gaza.

Há uma agência das Nações Unidas chamada UNRWA. Essa agência UNRWA é a agência especializada da ONU para refugiados palestinos. É a UNRWA quem administra... as escolas, os hospitais, enfim, toda a assistência social, a alimentação para os refugiados palestinos, seja em Gaza, que é o que estamos falando, mas também na Jordânia, na Síria e no Líbano.

Então, em uma das visitas, eu fiz questão de, enfim, em paralelo ao serviço consular, os funcionários continuavam prestando assistência aos brasileiros, eu fiz essa visita. ao escritório das Nações Unidas em Gaza. E em outra visita, isso também foi muito importante, eu... Bom, Gaza... conhece a geografia, quer dizer, é uma faixa muito curta, são no máximo 40 quilômetros de norte a sul e de leste a oeste varia de 16 a 20 quilômetros, é realmente uma faixa muito pequena.

onde moram mais de 2 milhões de habitantes, Mas essas missões consulares nós fazíamos na capital da faixa de Gaza, que se chama Gaza, a cidade de Gaza que fica no norte. Mas numa das viagens, e é isso que eu quero dizer, eu decidi sair... do norte e ir até a fronteira do Egito, numa cidade chamada Rafah, por uma razão histórica. Ali, nessa cidade de Rafah, o Brasil... realizou a primeira missão de paz de nossa história. Isso foi de 1957 a 1967. Houve um batalhão brasileiro.

chamado batalhão Suez, foi logo depois da guerra de Suez, de 56, então durante 10 anos, o Gaza, e sobretudo essa área da fronteira entre Gaza e o Egito, recebeu soldados brasileiros que participaram da nossa primeira missão de paz. E eu quis visitar esse lugar. E esse lugar se chama ainda hoje Campo Brasil.

É um campo de refugiados palestinos e, enfim, não existe mais nada... nenhum dos prédios, digamos, do batalhão que havia nos anos 50 e 60 já, tudo foi destruído antes mesmo de eu ter chegado lá, isso foi destruído na guerra de 67, mas ainda hoje... Isso é muito interessante, para mim foi muito tocante ver. Ainda hoje os habitantes do sul de Gaza, dessa cidade de Rafah, os pais, avós, enfim, se lembram.

da passagem, da marca deixada pelos soldados brasileiros lá. Nossa missão de paz foi proteger os palestinos do pós-conflito do Suez. e Israel então a geração as gerações anteriores se lembravam muito

de como eram os soldados brasileiros. Nós protegíamos a população palestina, alguns me relataram casos de saúde, pessoas que foram salvas pelos soldados brasileiros, e hoje... existe esse lugar, como eu disse, o Campo Brasil, que tem, evidentemente, um campinho de futebol, e me convidaram até, fizeram uma dança lá, uma festa, e aí me convidaram, isso me...

Essa visita foi em 2022, em junho de 2022. Me convidaram para plantar uma oliveira na fronteira, foi um negócio realmente muito marcante. Isso foi em junho de 2022. E eu disse, olha, eu tenho que voltar aqui na Copa do Mundo em novembro de 2022. Eu quero assistir um jogo do Brasil com vocês. E foi o que eu fiz em, se não me engano, 18 de novembro de 2022. Copa do Mundo, o jogo Brasil e Suíça, eu voltei lá para assistir esse jogo no clube de Rafah, dessa cidade da fronteira com o Egito.

É uma coisa realmente muito tocante. Todo mundo, bandeira do Brasil, todo mundo torcendo pelo Brasil lá, enfim, imagina, na fronteira de Gaza com o Egito. Por que é que eu conto essa história tão longa? Porque tudo isso, toda essa experiência...

foi fundamental no momento da guerra no momento da crise porque nós sabemos quem Nós íamos atender, precisávamos atender, nós sabíamos o tamanho das famílias, nós conhecíamos a geografia da faixa de Gaza, eu sabia quais eram as estradas, enfim, e nessa cidade... a gente pode desenvolver isso mais adiante, mas, enfim, nessa cidade de Rafah, foi a primeira coisa que nós fizemos quando as hostilidades militares começaram no norte de Gaza, em poucos dias, iniciado mesmo o conflito,

A primeira coisa que nós fizemos foi transferir do norte para o sul os brasileiros, e com isso a gente livrou os brasileiros dos bombardeios do norte, mas isso só foi possível porque fazíamos essas missões anteriores, a gente conhecia a realidade. E antes da gente falar da evacuação, embaixador, eu queria fazer duas breves...

Duas breves perguntas sobre o que o senhor relatou agora. E é muito interessante o senhor lembrar, os nossos ouvintes, algo que a gente sempre busca destacar, como o futebol contribui para abrir portas para o Brasil e para os brasileiros no exterior. Mas quando o senhor fazia missões, por exemplo, de dois ou até mesmo de três dias em Gaza, Onde o senhor se hospedava, como era a recepção ali em geral, como era o cotidiano que o senhor via em Gaza e que hoje, infelizmente, não existe mais?

Exato, hoje tudo destruído. Mas Gaza, a faixa de Gaza, era... Bom, primeira pergunta, onde nos hospedávamos? Havia hotéis muito bons em Gaza. Era uma cidade com... com todo o bloqueio econômico, com tudo que a gente conhece, enfim, com todos os conflitos anteriores, havia um setor hoteleiro, um setor turístico, eu diria mesmo, muito bom, hotéis. Padrão, realmente, padrão praticamente ocidental. Havia um que era mais antigo, mas, portanto, não ocidental, mas com excelente estrutura.

Excelentes restaurantes, a culinária de Gaza é baseada muito nos peixes e frutos do mar, enfim, é uma área marítima, então é uma culinária que tem muito do, digamos, da influência gastronômica do Egito, um pouco mais apigmentada, digamos assim, mas com peixes excelentes, com camarões, etc. Os doces também de Gaza, eles...

tem uma indústria, ou tinham, enfim, uma indústria gastronômica muito interessante. Isso que pouquíssima gente sabe e realmente você só se dá conta estando lá. Então, era muito confortável a palavra que eu... Posso dizer aqui com toda tranquilidade, a nossa hospedagem era confortável, nos recebiam regiamente. Uma coisa que eu também preciso dizer aqui, onde fazíamos nós essas reuniões do consulado itinerante? A resposta é em uma igreja ou em uma...

paróquia, melhor dizendo, que era um pouco mais do que uma igreja, católica, chamada Sagrada Família. Ela ficava na cidade de Gaza e, portanto, tinha uma igreja em si, tinha uma escola, tinha uma... paróquia, salão de reuniões, então todas as vezes que o Brasil precisava fazer esses consulados itinerantes, o meu pessoal entrava em contato com a paróquia da Sagrada Família, que é uma paróquia católica, católica romana, latina, como eles dizem lá.

que abriam completamente as portas para as nossas missões, para as nossas reuniões, cediam salas que eram salas de aula ou salões, enfim. Então, do ponto de vista logístico, toda a nossa estrutura era montada nessa paróquia da Sagrada Família. Pequena nota de pé de página. Por que Sagrada Família?

para quem gosta da Bíblia, Jesus, quando nasceu e saiu de Belém, ele nasceu em Belém, mas quando foi perseguido pelo rei Herodes, o grande Herodes, Jesus, bebezinho, A sua mãe, Maria, com José, o pai, eles fogem para o Egito. E o único caminho para fugir para o Egito passa por Gaza, via mares. Então, ou seja, a Sagrada Família passou por Gaza. É por isso que, desde os primeiros...

primeiras décadas ou séculos da história cristã, existe sim uma presença cristã em Gaza. E era lá, portanto, que nós tínhamos todo o apoio. Bom, mas voltando. Então, havia, portanto, uma estrutura... muito razoável mesmo, de acolhimento e de apoio ao nosso consulado, e a relação com o povo de Gaza... para além dessa comunidade católica é uma relação muito amistosa de novo

Por causa do futebol, por causa da imagem internacional do Brasil, o Brasil é muito querido, não tem outra palavra, o Brasil é muito querido em todo o mundo, isso realmente facilita enormemente o nosso trabalho diplomático. também, como eu falei, eu já mencionei o batalhão Suez do Brasil, no sul de Gaza, mas enfim, sempre quando tem jogo de futebol, todo mundo torce pelo Brasil, todo mundo conhece os jogadores brasileiros, enfim, e há uma...

de muito acolhimento. Em relação à população, a grande maioria, evidentemente, muçulmana de Gaza, Gaza é um povo com muito brilho, eu diria, muito orgulhoso, muito resiliente. Décadas e décadas, essa não é a primeira guerra de Gaza, já houve.

várias outras, enfim, desde a entifada, desde os anos 80, enfim, a primeira entifada aconteceu em Gaza, ou nasceu em Gaza, enfim. Então, é um povo muito orgulhoso, é um povo muito trabalhador, é um povo que tem um... um comércio importante, Gaza parece tranquilamente qualquer periferia, digamos assim, de uma cidade grande brasileira, com comércio importante, com restaurantes importantes.

E com também, como eu já mencionei, a indústria pesqueira, mas também uma agricultura. Por exemplo, os morangos. Muitas vezes morangos... Antes da guerra, evidentemente. Os morangos exportados por Israel muitas vezes vinham de Gaza. Flores também exportadas vinham de Gaza. Então, antes de todos esses conflitos, havia uma relação econômica que se manteve entre Israel e Gaza e a própria Palestina, naturalmente, e que tudo isso, claro, foi debilitado com a guerra, mas há uma passada de produção.

E o povo de gás, mais uma vez, ele é muito orgulhoso, muito capaz, muito trabalhador e muito resiliente. Um último detalhe que eu acho importante sempre não perder de vista, Por que Gaza assumiu essa dimensão populacional, demográfica e até política mesmo? A maioria... a grande maioria, eu diria, da população de Gaza, é descendente de refugiados palestinos que moravam em cidades onde hoje é Israel.

então todos nós conhecemos a guerra de independência de Israel de 48 toda a questão dos refugiados palestinos alguns foram para Jordã para dar um número, entre 48 e 50, enfim, em dois, três anos da primeira guerra árabe-israelense, que é a guerra de independência de Israel, houve o deslocamento de cerca de 750 mil refugiados palestinos alguns foram para a Jordânia outros foram para a Síria outros foram para o Líbano mas

o Egito não aceitou receber refugiados. Por isso, os refugiados se amontoaram na faixa de Gaza. Então, a grande maioria dos habitantes hoje de Gaza são descendentes de refugiados palestinos que saíram de cidades onde hoje se estabeleceu o Estado de Israel. porque o Egito não aceitou receber refugiados. É por isso que essa questão é muito delicada, a segurança entre Gaza e Egito, essa fronteira que hoje é comandada por Israel, eles chamam corredor Filadélfia.

É uma região estratégica muito importante e que é objeto inclusive de coordenação de segurança entre Egito e Israel. Foi uma importante lembrança do senhor sobre o processo da NACBA. E a outra pergunta que eu queria fazer para o senhor a partir daquela resposta anterior... é que o senhor falou das autoridades de fato em Gaza. No caso, o senhor se refere às autoridades da administração política do Hamas.

Porém, o credenciamento do senhor, de diplomatas brasileiros, é com a Autoridade Nacional Palestina. Então, como era esse diálogo extra-oficial? Porque ele era, como o senhor mencionou, necessário. E aí E aí E aí Correto. Sim, é isso mesmo. E ele é necessário, pragmático, não implica nenhum reconhecimento político. A nossa relação é com a autoridade palestina. Eu apresentei credenciais ao presidente...

da Palestina. Nossa relação, portanto, é com a autoridade palestina, com a OLP e com nenhum outro grupo. Mas, como estamos... enfim, falando de necessidades logísticas, de deslocamento, de segurança, de autorização mesmo de entrada, é necessário você ter um canal pragmático. operacional, digamos, que era muito fluido, portanto é que se diga isso, nunca houve nenhum problema, nunca houve nenhum obstáculo.

Eu diria muito pelo contrário. Sempre houve uma tranquilidade e um respeito muito grande, mas... Insisto, a nossa relação institucional, política, histórica, é com a autoridade palestina, com a OLP. E aí nós chegamos ao ponto, talvez, um ponto de... suma importância histórica e também no livro do senhor, que foi o processo de evacuação.

dos cidadãos brasileiros. Logo depois do ataque do Hamas, o 7 de outubro, nós tivemos mais de mil cidadãos brasileiros sendo evacuados de Israel e Palestina, porém o senhor ficou especialmente responsável. Obrigado. 13 de outubro, que foi quando houve ali o possível o fechamento do corredor humanitário e houve ali um processo de... incerteza que o senhor descreve no seu livro. Então, o que o senhor poderia partilhar com a gente sobre esse processo de evacuação?

Sem dúvida, Felipe. Quando no sábado 7 de outubro houve o atentado terrorista do Hamas, e os números realmente são muito impactantes, eu quero... Destacar isso, esse foi o ataque mais letal. contra o Estado de Israel, reavivou mesmo os traumas do Holocausto, teve um impacto devastador na sociedade e na psique israelense, 1.200 israelenses mortos.

Nesses dias 7 e 8, 70% civis, 33 crianças, 250 reféns, enfim. Então foi um impacto muito grande quando eu, inclusive eu estava nesse dia 7 de outubro, estava em Brasília. E quando eu comecei recebendo as notícias, na verdade eu recebi pelo celular mesmo, eu tenho um aplicativo.

que acusa quando há mísseis entrando em Israel. Então, mesmo em Brasília, eu recebi esses alertas de mísseis e o volume deles e a incidência era... tão maior em relação a incidentes anteriores, que imediatamente para nós foi muito claro que haveria uma retaliação de Israel. um impacto devastador também sobre Gaza. Então isso já era claríssimo para nós. Nesse momento, havia, como sempre, turistas brasileiros em Israel, além da comunidade brasileira em Gaza.

Também nasce Jordânia, como você lembrou. Então, isso dia sábado, dia 7 de outubro. No domingo, dia 8 de outubro, pela manhã, no Itamaraty, houve uma reunião e eu participei dessa reunião. Uma reunião, a ministra interina, a embaixadora Laura, ela estava com o ministro interino, o ministro... Mauro Vieira estava no exterior. Ela convocou essa reunião no Itamaraty com o ministro da Defesa, com o embaixador Celso Amorim.

o comandante da aeronauta, enfim, várias autoridades, para começar organizando a evacuação dos brasileiros, tanto de Israel quanto da Palestina. E como você lembrou bem, a grande parte, evidentemente, e no final foram mais de 1.400 brasileiros saíram de Israel. turistas que perderam seus voos, outros eram brasileiros, israelenses, que tinham alguma viagem programada ou que queriam realmente voltar ao Brasil. Então, essa foi a maior operação de evacuação aérea da história do Brasil.

Mas, mais uma vez, eram dois grupos muito distintos. Um grupo, portanto, era dos brasileiros que estavam em Israel, quase 1400, e esse outro grupo, e aí foi a minha responsabilidade, dos brasileiros que estavam em Gaza, e um pequeno grupo também que saiu da Cisjordânia. São lógicas e logísticas distintas, no caso do grupo que estava em Israel. Basicamente era uma operação da FAB, era basicamente levantar uma lista de interessados na evacuação.

organizar essa lista, organizar os voos, fazer a sincronia da chegada dos voos e embarque dos brasileiros, tudo isso com relação aos que estavam em Israel, e o que aconteceu em pouquíssimos dias. Com relação aos que estavam em Gaza, as necessidades, o desafio era muito maior, porque não era apenas uma questão de organizar listas de voo e sincronizar com a chegada e partida das diversas aéreas forundas.

mais dez aeronaves. Não era apenas isso. Nós tínhamos que ter a lista dos brasileiros, e como eu falei, já tínhamos essa lista, imediatamente já foi produzida. Tínhamos que colocar esses brasileiros em lugares protegidos para que eles não fossem objeto. de bombardeios. Então, nos primeiros dias, você mencionou o dia 13, vamos falar sobre o que aconteceu no dia 13, mas enfim, do dia 7 ou 8 até o dia 13, o que foi que nós agimos, graças a Deus, muito rapidamente e por isso...

De novo, nenhum de nós leu a manchete brasileiros morrem em Gaza. Eu nunca quis ler essa manchete. E tudo que a gente fez foi para que nenhum jornal publicasse essa tragédia. E graças a Deus a gente conseguiu. Então nos primeiros dias, entre o dia 7 e o dia 13, nós informamos a lista dos brasileiros. Tanto, e você vê... com isso a complexidade da operação, tanto a Israel quanto ao Egito, porque sairiam pela fronteira com o Egito,

autoridade de fato de Gaza, como já falamos, e a outros países da região com influência. Ou seja, já nos primeiros dias nós temos claramente quem... queria sair, quais eram os brasileiros que queriam sair de Gaza, serem evacuados. Em segundo lugar, a logística de transporte do Norte para a Sul, apesar de serem... enfim, menos de 40 quilômetros, acho que eram 34 quilômetros, era um transporte de ônibus, ou dois ônibus, em um ambiente de hostilidade militar, de bombardeio.

E nos primeiros dias, inclusive alguns brasileiros ficaram em dúvida se queriam ou não sair. Nós oferecemos, desde o primeiro momento, que eles saíssem do Gaza para o Sul. Como eu falei desde o início, a nossa estratégia sempre foi evacuar pela fronteira com o Egito. Eu faço um outro pé de paz, se você me permite também. O senhor fica à vontade. Uma ação humanitária... Uma ação humanitária não se improvisa.

A gente já sabia exatamente o que fazer desde o início. Por quê? Tínhamos um plano de contingência. Os postos brasileiros, em áreas de risco, todos têm planos de contingência. O que fazer em casos de catástrofe? Antes, por exemplo, eu mesmo morei na Colômbia, nós tínhamos em Bogotá um plano de contingência, caso, por exemplo, de terremoto, etc., convulsões sociais em outros países, todas as embaixadas do Brasil.

em lugares sensíveis tem planos de contingência e nós tínhamos sim um plano de contingência na Palestina com todas as etapas de atendimento

à população, aos brasileiros, até a evacuação. Então, fizemos tudo by the book. Nada disso foi improvisado. Nos primeiros dias... alguns brasileiros, talvez nos dois, três primeiros dias, ainda tinham dúvida de se queriam sair efetivamente, mas com a intensificação dos bombardeios no norte de Gaza, na cidade de Gaza, Nós começamos a receber relatos, por causa dos consulados itinerantes, nós temos os contatos deles todos, nós começamos a receber vídeos e áudios.

enfim, textos deles, dos nossos brasileiros, no norte de Gaza, onde estavam concentrados quase todos, dizendo, olha, perdi a minha casa,

Alguns haviam preferido ficar em casa até abrir a fronteira. Mas nos primeiros dias, como disse, as próprias casas deles começaram a ser bombardeadas, os bairros. Então o que nós fizemos? Concentramos... todos os brasileiros em uma igreja, e de novo eu menciono aqui a nossa relação com as paróquias de Gaza, então nesse caso foi uma escola chamada Escola das Irmãs do Rosário,

que aceitou receber os brasileiros por alguns dias até eles se deslocarem para o sul. Então, a primeira coisa que nós fizemos foi concentrar os brasileiros que haviam perdido as casas, etc., num único lugar e informar. às autoridades israelenses, onde estavam esses brasileiros. Ou seja, demos a geolocalização dessa escola, através da nossa embaixada em Tel Aviv, que foi extraordinária. A embaixada em Tel Aviv, os nossos colegas de Tel Aviv, foram extraordinários sempre.

Então, nós avisamos às autoridades israelenses, olha, aqui, nesse pin aqui, nessa geolocalização, estão 30 brasileiros. Não bombardeie. Isso aqui não é um alvo legítimo. Isso nos primeiros dias. E aí eu entro no dia 13 que você mencionou. O que foi que aconteceu no dia 13? Nós tínhamos recebido a informação de que na manhã do dia 13 seria aberto um corredor humanitário que permitiria...

todos os que estiverem no norte de Gaza, saírem efetivamente pelo sul. Já tinha um avião brasileiro, da FAB, esperando. Primeiro estacionou em Roma e depois no Cairo, enquanto esperava a fronteira abrir. Acho que nesse dia...

talvez ainda estivesse em Roma, o avião da FAB aguardando a retirada dos brasileiros. Então, no dia 13, amanheceu, nós amanhecemos todos com essa boa notícia, o ônibus estava pronto, enfim, vocês vão sair da escola do Rosário, vão pegar esse ônibus e vão... andar por uma estrada mais ou menos

segura, até a fronteira do Egito, vocês passam a fronteira, recebem os documentos e viajam. Era esse o nosso cenário na manhã do dia 13. E o que acontece, 20 minutos antes do corredor humanitário se abrir, ele... se fecha, ou seja, as autoridades indelentes disseram, não vai haver mais o corredor humanitário, não recomendamos que ninguém saia de onde está.

E aí eu imagino o drama, o conflito de informações que você tem. Primeiro você tem uma passagem segura e agora a informação que você tem, 20 minutos antes, é que está tudo fechado, fique onde está. Onde estão? O que fizemos? Nós, como sempre, permanentemente, nós consultamos os brasileiros que estavam lá. O que é que vocês querem fazer? Vocês acham mais seguro ficar? Onde estão? Ou vocês querem viajar mesmo?

com esse risco, e todos, todos disseram, não, queremos sair daqui o mais rápido possível, não queremos ficar mais um minuto aqui, então eu... Eu fiz a consulta ao Itamaraty e, evidentemente, falamos com o motorista, através da nossa secretária, falando em árabe com ele, e ele... o motorista, num primeiro momento, estava muito temeroso de fazer esse percurso, porque no dia anterior, a estrada, que é a estrada central, a avenida que se chama Salardim,

Ela tinha sido bombardeada e inclusive ônibus tinham sido bombardeados. Então o motorista diz, não, é perigoso. Mas alguns minutos depois, nós recebemos a informação desse motorista dizendo, olha, se é para sair, está abrindo a janela de oportunidade agora. meio-dia, meio-dia e meio, mais ou menos. Se vocês querem sair, esse é o momento. Então, nós voltamos ainda a falar com todos os brasileiros que estavam todos já prontos para entrar no ônibus.

Entrem logo, nós vamos levar você para Raniunes, que é uma cidade mais ao sul. E isso aconteceu, graças a Deus, o que poderia ser. Uma viagem de duas horas. atravessar uma única, que é a única artéria que corta norte e sul, Gaza, que com buracos no chão de bombas e carros virados e pessoas andando na rua, enfim, demoraria duas horas para fazer um pouco mais de 30 quilômetros.

conseguiu fazer em 45 minutos. Então, graças a Deus, eu não tenho dúvida de chamar isso de milagre, graças a Deus aconteceu esse milagre, os brasileiros foram, nesse dia 13, salvos da parte norte. e se instalaram no mesmo dia em casas nessas duas cidades, Raniunes e Rafá, no sul. E aqui eu abro outro detalhe também, que é muito importante. Nós...

digo com total franqueza, nenhum país fez isso. Nós alugamos casas para os brasileiros. Então, não apenas demos a segurança, enfim, do transporte, pago... com recursos do governo, mas também alugamos as casas para que eles não fiquem, porque eles não tinham para onde ir, não tinham tendas, nenhuma possibilidade de hotel, de abrigo, nada. Então, conseguimos casas, depois três casas, eles se acomodaram nessas casas.

Nós enviamos recursos para que eles comprassem alimentos, água, gás. Ou seja, enquanto eles esperavam que a fronteira se abrisse, eles estavam seguros. Estavam longe dos bombardeios no norte, ainda não havia iniciado a operação terrestre no centro-sul, e ficamos esperando, e aí... passou a outra fase, que é a espera angustiante mesmo de abertura da fronteira sul e demorou quase um mês. Embaixador,

Começando até a caminhar um pouco para o fim da nossa conversa, até porque o senhor já está sendo bastante gentil com nossos ouvintes, a gente já está conversando quase uma hora. Eu queria destacar, eu queria perguntar para o senhor duas... questões do seu livro, pensando que depois do 7 de outubro, depois desse processo de evacuação, o senhor ainda ficou um ano na Palestina, um ano.

acompanhando o aumento de tensões com os colonos israelenses na Cisjordânia, e o senhor fala no seu livro, mais de uma vez, que o senhor presenciou, ouviu, a inviabilização do processo de paz. Eu pergunto para o senhor, então... Da onde veio esse sentimento do senhor, esse seu relato? E quais os pensamentos do senhor sobre um resgate eventual desse processo de paz?

que, pelo que o senhor testemunhou, está inviabilizado hoje. Sim. Eu começo respondendo, Felipe, a sua pergunta com o que aconteceu nos últimos dias, o cessar-fogo. Dois anos depois da guerra, foi anunciado o cessar-fogo a 20 reféns. retornaram vivos para Israel, 28 corpos estão sendo devolvidos, então há um cessar-fogo. Fica a pergunta, isso significa paz?

divulgado pela imprensa internacional, etc., como um acordo de paz, um processo de paz. E a resposta, para quem conhece a realidade, e a complexidade da região, evidentemente um cessar-fogo em Gaza, como está acontecendo agora, está longe de poder ser... qualificado como paz, porque paz evidentemente há várias acepções de paz, mas é um conceito que implica uma estabilidade, uma sustentabilidade, uma confiança, um desarme de mentes, de espíritos.

E não é, muito pelo contrário, o que se vê na região. Ou seja, o cessar-fogo em Gaza está longe de poder ser entendido como o começo de um processo de paz. Por quê? porque as causas do conflito continuam presentes. É um conflito, e isso você mencionou o livro, se você quiser, você pode fazer uma arqueologia das causas desse conflito.

tempos bíblicos ou até períodos mais recentes, enfim, depende da posição de cada um, mas, digamos, concretamente, Para haver paz na região, é necessário que se solucione de uma vez por todas a questão palestina. em 47 na resolução 181 das Nações Unidas foi aprovada, mas jamais implementada, mas foi aprovada a ideia da partilha da Palestina e dos dois Estados, a chamada solução de dois Estados, o Estado de Israel.

que se constituiu, e o Estado da Palestina, que jamais se constituiu. Retomo aqui um pouco a descrição de quem são os habitantes de Gaza. eu recordei que são refugiados de outras regiões da Palestina, então a origem dos problemas de Gaza está na questão dos refugiados que saíram das suas próprias casas. Alguns moravam há séculos e foram desalojados dos seus territórios, etc., e se concentraram. E aí todo o processo de radicalização.

que infelizmente ocorre. A mesma coisa nasce Jordânia, que em Israel é chamada de Judéia e Samaria. Desde 1967, enfim, há um crescimento do que se chama de processo de ocupação da Cisjordânia. Então, é avanço de assentamentos. assentamentos que excluem a população local, estamos falando aí de mais de 3 milhões de habitantes na Cisjordânia, em Gaza são mais de 2 milhões, na Cisjordânia são mais de 3 milhões, no total 5 milhões e meio.

Então a população da Palestina não tem autonomia, não tem autodeterminação, ela quer ser, eu digo isso porque eu conheço profundamente o espírito. e o ânimo, enfim, a cultura, ela quer ter uma vida normal como qualquer outra sociedade, ter sua viabilidade econômica, sua segurança.

enfim, física, seu bem-estar, ela quer se integrar economicamente, isso já aconteceu antes, se integrar economicamente a Israel e aos países vizinhos nos anos... 90, por exemplo, o Simão Pérez escreveu um livro em que ele mostra a possibilidade de crescimento e de desenvolvimento econômico que a paz pode trazer.

Então, enquanto não for resolvida a questão do Estado palestino, um mínimo de autonomia, um mínimo de viabilidade, de tranquilidade, e pelo contrário, quer dizer, enquanto crescerem... se expandirem os assentamentos em detrimento do espaço e da população palestina as causas do conflito continuarão presentes então é fundamental e hoje

Você vê o crescimento do número de países que estão reconhecendo a Palestina como Estado. Recentemente, na última Assembleia Geral da ONU, vários países europeus reconheceram a Palestina. Isso é um avanço histórico. Isso precisa continuar, porque, de novo, se não houver essa sensibilidade... legítimas reivindicações do povo palestino de paz, de segurança, de desenvolvimento, de constituição como sociedade política, toda a segurança da região continuará

em risco. É por isso que, tomando a sua pergunta, eu, pelo menos nos últimos quatro anos que eu morei lá, eu vi a degradação desse cenário, a guerra de Gaza complicou muito mais. E não há opção se não a solução dessa questão palestina. A alternativa a isso é a continuidade, o aprofundamento da insegurança.

da opressão e infelizmente os filhos da opressão que são o radicalismo, enfim, o terrorismo. E a outra questão que eu queria... perguntar para o senhor, o senhor descreve inclusive uma cena em Genebra, se não me engano, com um monumento. que representava ali os problemas da Liga das Nações. E o senhor fala sobre a falência do sistema internacional nesse momento. O senhor acabou de mencionar o fato de que países europeus passaram a reconhecer o Estado palestino recentemente.

O que o senhor acha que pode ficar de lição para o sistema internacional desses últimos anos? O que você mencionou é uma cadeira... com a perna quebrada, uma escultura de uma cadeira gigante, deve ter uns 10 metros de altura essa cadeira, em frente ao Palácio das Nações, em Genebra, que é a sede da ONU em Genebra. Na verdade, essa cadeira é um monumento em favor das minas antipessoal. Os artistas que conceberam essas culturas estavam pensando em...

para que países assinassem a convenção de proscrição das minas. Mas quando eu olho essa cadeira, eu me lembro de algo, enfim, me remete a algo maior do que apenas uma convenção. É o próprio sistema multilateral. A crise do sistema multilateral é herdado do século XX. O sistema multilateral precisa se renovar, ele precisa ser mais eficaz.

responder de forma mais ágil aos desafios, a ser mais representativo. O Brasil sempre diz, o próprio Conselho de Segurança, ele não é representativo da realidade geopolítica, geostratégica. de hoje, ele é uma fotografia dos anos 40, mais do que anacrônica, hoje, então o sistema multilateral,

foi absolutamente ineficiente no tratamento da guerra de Gaza. O sistema humanitário, que é o subcapítulo fundamental do multilateral, o sistema humanitário, foi completamente destroçado em Gaza, não havia possibilidade de acesso, distribuição de alimentos, enfim, de remédios. habitação, tudo isso. Então, muito pelo contrário, o sistema humanitário muitas vezes era atacado. Houve 300 trabalhadores humanitários que foram mortos nessa guerra.

130 ambulâncias destruídas, 900 médicos e enfermeiros mortos, ou seja, todo o sistema humanitário que é uma parte do sistema, é uma das ações multilaterais.

uma das maiores vítimas e ficou sob os escombros, inclusive o Brasil fez um dos discursos do Conselho de Segurança, o Brasil presidia o Conselho de Segurança em outubro, outubro, novembro de... um dos discursos do ministro Mauro Vieira dizia justamente isso, sob os escombros, estão de casa, não apenas... as vítimas, mas também o próprio sistema multilateral, foi uma das vítimas dessa guerra de gás, então é muito preocupante para um país como o Brasil,

que acredita e que é um dos principais polos dinâmicos do multilateralismo, a capacidade de mobilização do Brasil, é muito preocupante para um país como o Brasil, você ver... Tudo o que foi construído em termos de instituições internacionais, respeito ao direito internacional, em particular, como eu já disse, o direito humanitário, tudo isso... ser pouco a pouco destruído. Temos no século XXI, de certa forma, os últimos eventos mostram isso, e sobretudo Gaza é a epítome de tudo isso.

mostram como tudo que a humanidade construiu em termos de governança global está em perigo. E isso é muito arriscado. apostar apenas na política do mais forte, na power politics, na política do poder mesmo. Não, acho que a comunidade internacional precisa de regras, precisa de instituições, precisa do multilateralismo, mas a guerra de Gaza mostrou que a tendência pode ser o contrário. Isso nos preocupa enormemente. E, para concluirmos, eu, antes de tudo, agradeço muito ao senhor pelo...

tempo, pelos nossos contatos no WhatsApp também. Agradeço o senhor pela publicação de um livro com relatos tão importantes, em um momento tão sensível. E, para fechar... nós sempre que trazemos um convidado a gente pede uma dica cultural pode ser um livro, um filme, um documentário algo que o senhor queira recomendar para os nossos ouvintes não pode ser o próprio livro

E aproveitando também, nós temos muitos ouvintes que são sacerdistas, que estudam para a carreira diplomática, então caso também o senhor tenha algum conselho, algum recado, algum comentário. para esse público também, o senhor pode ficar à vontade, além de compartilhar eventualmente o que o senhor queira compartilhar, redes sociais, enfim, mas novamente, muito obrigado pelo seu tempo. Obrigadíssimo. Bom...

Dicas culturais. Eu começo pela gastronomia, então. Que os colegas brasileiros que nos ouçam possam conhecer se algum... se houver alguma possibilidade, alguns pratos palestinos, quem gosta de doce, por exemplo, Knafe, monsaf, que são pratos, a base, o knafe é base de queijo, delicioso, é tipicamente palestino. Monsaf, carne de cordeiro, com arroz, amêndoas. Com relação ao livro, o autor, eu recomendaria muito o Mahmoud Darwish, o principal poeta palestino.

e um dos meus livros preferidos dele é A Palestina como Metáfora, e o grande historiador palestino Eduard Said, que escreveu uma obra-prima chamada Orientalismo. O orientalismo é basicamente um clamor contra os estereótipos árabes. O orientalismo é um conceito que... mostra como os ocidentais veem o Oriente Médio. com toda a sua carga de pretensa superioridade civilizacional e imperialista. Então, além da gastronomia, eu citaria...

literatura, o Darwish e o Eduardo Saída. Com relação aos colegas que pensam na carreira, eu... A carreira diplomática é o meu primeiro emprego, ou seja, eu entrei, saí da universidade e, felizmente, eu entrei logo no Instituto Rio Branco, muito jovem.

a paixão da minha vida, a minha vocação, e eu tenho certeza que muitos dos que nos ouvem têm essa paixão pelas relações internacionais, acreditam na possibilidade de construir uma comunidade internacional baseada nas regras, no direito, na cordialidade, na convivência, enfim, na construção da paz. E isso exige, como todos sabem, uma preparação muito grande. O concurso do Instituto Rio Branco é muito... Enfim, a preparação realmente é...

Eu mesmo fui examinador durante vários anos. Não é fácil passar de primeira vez, então estudem e perseverem. Eu tenho muitos colegas que passaram depois de dois, três, quatro, cinco tentativas. É uma carreira que continua sempre a se renovar. Ela é sempre necessária. O mundo sempre precisará de diplomacia.

por mais que você tenha todo o avanço nas comunicações e agora com a inteligência artificial sempre o mundo precisará do fator humano competente em construir pontes, construir entendimentos, em ter uma visão global, ao mesmo tempo com os pés e o coração no Brasil, mas ter a mente aberta para o mundo.

O Brasil é um país respeitadíssimo e precisa sempre, cada vez mais, de diplomatas que sejam operadores desse respeito e dessa liderança mundial que o Brasil... exerce e e por último o mundo vai mudar então tudo que se aprender e se estudar tenho certeza que vai mudar então nunca estudem de forma a aprender as coisas de uma maneira dogmática mas apenas enfim, exerçam o máximo possível o instinto da abertura e do diálogo isso é o que é

a virtude maior do diplomata e não o conhecimento estrito de direito internacional, de economia internacional, de história, geografia, línguas, tudo isso a inteligência artificial vai facilitar e... E não vai precisar de pessoas apenas que conheçam e que tenham a informação. Não. O diplomata não é aquele apenas que tem informação.

ele tem a sensibilidade e a grandeza de alma e de espírito para representar o seu país num mundo em permanente transformação cada vez mais difícil mas onde a diplomacia é cada vez mais necessária Agora vocês ficam com a segunda coluna aberta, na qual Felipe observará o movimento das peças no sempre complicado tabuleiro do Oriente Médio. Coluna aberta.

Coluna Aberta #02: Oriente Médio

Bem, pessoal, a gente vai começar esse nosso giro pelo Oriente Médio com a continuidade do assunto do programa anterior, que é... O plano de paz, muitas aspas aqui, do Donald Trump. O Trump apresentou esse plano no dia 29 de setembro, na Casa Branca. A gente leu... os 20 pontos na íntegra no programa anterior e fizemos comentários sobre cada ponto e agora nessa semana, nessa última semana que passou, no dia 13 de outubro

tivemos a assinatura da declaração sobre esse plano. Então a gente vai ler na íntegra também, até porque esse é um dos diferenciais do nosso trabalho aqui. Então, vamos lá. A declaração se chama Declaração Trump para Paz e Prosperidade Duradouras. Nós, abaixo-assinados, saudamos o compromisso verdadeiramente histórico e a implementação por todas as partes do acordo de paz de Trump, pondo fim a mais de dois anos de profundo sofrimento e luto.

Abrindo para a região um novo capítulo definido pela esperança, segurança e uma visão compartilhada de paz e prosperidade. apoiamos e respaldamos os sinceros esforços do presidente Trump para acabar com a guerra em Gaza e trazer paz duradoura ao Oriente Médio. Juntos, implementaremos este acordo de maneira a garantir paz, segurança, estabilidade e oportunidade para todos os povos da região, incluindo palestinos israelenses.

entendemos que a paz duradoura será aquela em que tanto palestinos quanto israelenses possam prosperar com seus direitos humanos fundamentais protegidos, sua segurança garantida e sua dignidade preservada. Afirmamos que o processo significativo emerge por meio da cooperação e do diálogo constante e que o fortalecimento dos laços entre nações e povos serve aos interesses duradouros da paz e estabilidade regional e global.

Reconhecemos o profundo significado histórico e espiritual dessa região para as comunidades religiosas cujas raízes estão entrelaçadas com a terra da região. o cristianismo, o islã, o judaísmo, entre elas. O respeito por essas conexões sagradas e a proteção de seus patrimônios históricos permanecerão fundamentais em nosso compromisso com a coexistência pacífica.

Estamos unidos em nossa determinação de desmantelar o extremismo e a radicalização em todas suas formas. Nenhuma sociedade pode florescer quando a violência e o racismo são normalizados ou quando ideologias raciais ameaçam a sociedade civil. Comprometemo-nos a lidar com as condições que fazem surgir o extremismo e a promover educação, oportunidade e respeito mútuo como fundamentos para uma paz sólida.

Dessa forma, comprometemo-nos com a resolução de disputas futuras por meio do engajamento diplomático e negociação, em vez de força ou conflito prolongado. Reconhecemos que o Oriente Médio não pode suportar um ciclo persistente de guerra prolongada, negociações paralisadas ou aplicação fragmentada, incompleta ou seletiva de termos negociados com sucesso.

As tragédias testemunhadas nos últimos dois anos devem servir como um lembrete urgente de que as gerações futuras merecem mais do que os fracassos do passado. Buscamos tolerância, dignidade, igualdade e oportunidades para cada pessoa, garantindo que essa região seja um lugar onde todos possam perseguir suas aspirações em paz, segurança e prosperidade econômica, independente de raça, fé ou etnia.

Perseguimos uma visão abrangente de paz, segurança e prosperidade compartilhada na região, fundamentada nos princípios de respeito mútuo e destino compartilhado. Nesse espírito, saudamos o progresso alcançado no estabelecimento de acordos de paz abrangentes e resistentes na faixa de Gaza, bem como um relacionamento amigável e mutuamente benéfico entre Israel e seus vizinhos regionais.

Comprometemo-nos a trabalhar coletivamente para implementar e sustentar esse legado, construindo fundações institucionais sobre as quais as gerações futuras possam prosperar juntas em paz. Comprometemo-nos com um futuro de paz duradoura. E aí nós tivemos a assinatura dessa declaração no 13 de outubro no parlamento israelense entre o Trump e o Netanyahu e a declaração também na Cúpula de Paz de Gaza.

que a gente vai falar mais, no Egito, entre o Trump, o Al-Sisi, presidente barra ditador, barra general do Egito, o Emir Al-Tani, o dono do Catar, e o Recep Erdogan. o líder autoritário da Turquia. Vejam que tudo o que a gente falou no programa passado sobre essa declaração se mantém. Isso daqui é uma... É um manifesto. Não tem absolutamente nada de concreto nisso daqui. Não fala em Estado palestino, não fala em justiça, não fala em cronogramas, não fala em parâmetros de negociações.

É o bom e velho. Olha, a gente concorda que todo mundo tem que viver em paz, a gente vai trabalhar com isso. Ainda mais. dá um foco demasiadamente grande à questão religiosa, quando se trata de uma questão nacional e de terra, não é uma questão apenas religiosa. Melhor colocar dessa maneira. Na verdade, o viés religioso dessa questão, dado por grupos religiosos, sejam por grupos judeus, sejam por grupos muçulmanos, sejam por grupos cristãos,

na verdade, costuma não ser benéfico para os envolvidos. Pensando na questão da terra, claro. Quando se trata da questão, por exemplo, do gerenciamento do patrimônio histórico, do gerenciamento da cidade sagrada de Jerusalém, O status quo, chamado status quo, tem funcionado tem um século. Agora, quando se trata da criação de um Estado, das fronteiras de um Estado, o que a gente vê é outra situação. Então, tudo que a gente falou no último programa se mantém.

É uma situação extremamente frágil que o governo Trump especialmente vende como uma paz, vende como um acordo de paz e está muito longe disso. achar que esse texto que nós lemos aqui seja um acordo de paz seja algo com poder duradouro é absolutamente ingênuo Ele pode servir de base para outras negociações, outras questões eventualmente duradouras? Até pode, mas ele não diz absolutamente nada.

E enquanto os 20 pontos do Trump ainda pelo menos falam da aspiração... do povo palestino para o seu estado e de um caminho crível para a autodeterminação palestina, isso aqui nem isso fala.

Então, esse é o principal ponto. E talvez, aí eu quero trazer algo, por exemplo, que eu escrevi no Estadão, essa semana eu participei na CBN também, falando disso. Para mim, o grande exemplo da fragilidade... de tudo isso que está ocorrendo e que está sendo vendido pelo governo Trump como... um acordo de paz, e não é um acordo de paz, é no máximo dos máximos, um cessar-fogo, é o fato de que nós sequer tivemos uma cúpula única para assinatura.

Netanyahu ficou em Israel, não tivemos o encontro entre todos os atores envolvidos, Mamoud Abbas não se encontrou com Netanyahu, Netanyahu veio... também especulou, se publicou na imprensa, de que o Erdogan não queria se encontrar com Netanyahu, ao ponto de que o avião dele teria dado duas voltas no espaço aéreo egípcio, esperando a confirmação de que o Netanyahu não estaria... no resort ali na costa do Mar Vermelho. E aí o Erdogan pousou, então sim, na cúpula de Gaza.

cúpula de paz de Gaza nem o presidente nem o ministro de relações exteriores do Irã foram porque disseram que não poderiam se encontrar com o presidente de um país que estava até outro dia bombardeando o país deles, referência ao Donald Trump. Tivemos ali... uma série de convites para uma série de autoridades nesse contexto e que, assim, vira uma espécie de pupurri de lideranças internacionais que a gente não sabe exatamente o que...

podem fazer ali. Então, por exemplo, o embaixador do Japão no Egito esteve... presente, representando o Japão. O Vitor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, esteve presente. O que a Hungria tem a ver com o Corrente Médio? O que a Hungria tem de capacidade de negociação na região? Sabe? Tivemos a presença do Santiago Penho, presidente do Paraguai, que transferiu a Embaixada Paraguai em Israel para Jerusalém. Então, assim, virou esse pupurri. Vamos falar todo mundo que estava lá.

para ajudar. Primeiro-ministro da Armênia, presidente da Azerbaijão, rei do Bahrein, primeiro-ministro do Catar, presidente do Chipre, Macron, presidente da França, primeiro-ministro da Alemanha, primeiro-ministro da Grécia, primeiro-ministro da Hungria.

Vice-ministro de Relações Exteriores da Índia, presidente da Indonésia, primeiro-ministro do Iraque, primeiro-ministro da Itália, embaixador do Japão, rei da Jordânia, primeiro-ministro do Kuwait, primeiro-ministro dos Países Baixos, primeiro-ministro da Noruega, ministro de Relações Exteriores do Oman, primeiro-ministro do Paquistão.

Mahmoud Abbas, presidente da Palestina, presidente do Paraguai, emílio do Catar, ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, primeiro-ministro da Espanha, presidente da Turquia, vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos. primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Stammer, e o secretário-geral da Liga Árabe, o Antônio Costa, presidente do Conselho Europeu, o Antônio Guterres, secretário-geral da ONU, e o Gianni Infantino, presidente da FIFA.

Virou ali um convescote, virou um, sei lá, um não sei que termo usar. E aí tivemos essa declaração completamente vaga e, repito, o primeiro sinal de fragilidade disso tudo é o fato de que nós sequer tivemos um encontro único de assinatura. Sequer tivemos isso. Então, esse, ao meu ver, é o grande sinal. E não é, assim...

O que era uma situação frágil, que é uma declaração do Trump, que é muito mais vendida como paz, mas que na prática não significa muita coisa, a gente já tinha falado no programa passado. O que aconteceu essa semana apenas mostra isso. Apenas prova isso. Aí, falando sobre essa parte dos encontros, vamos começar por ordem cronológica, falando no parlamento israelense. Nós tivemos dois parlamentares israelenses que foram retirados do parlamento.

por protestarem contra a presidência do Trump. Um deles era o Ayman Odeh, que estava com uma placa escrito Reconheça Palestina, e o outro foi o Ofer Cacife. O Ayman Odeh, inclusive, é do... Hadash, o partido comunista israelense que faz parte da lista conjunta com os partidos árabes.

a maioria dos presentes aplaudiu, o Donald Trump, o Donald Trump cobriu Netanyahu de elogios, dizendo que ele é corajoso, que ele é um patriota e tudo mais, e aí ele disse... para o presidente israelense, para o Isaac Herzog, que também estava presente, para ele dar um indulto para o Netanyahu por conta do caso de corrupção, dizendo que ninguém liga para champanhes e charuto. e charutos. Por quê? Porque um dos processos de corrupção dele envolve presentes caros.

como champanhes e charutos. Então tivemos essa visita e essa série de elogios, o pedido na cara dura desse indulto, dessa... dessa impunidade completa, e que é, claro, uma interferência em assuntos domésticos de outro país. E aí nós vamos para a questão do Egito. em que tivemos essa patacoada do avião do Erdogan. E por que eu digo patacoada? Porque...

Por trás dos panos, a Turquia e Israel continuam cooperando. O petróleo azerbaijano que vai para Israel flui pela Turquia. Então, isso daí é jogo de cena. Mas... Na cúpula, no resort do Mar Vermelho, o Donald Trump se encontrou com o Mahmoud Abbas, disse que era hora de um grande sorriso. Lembrando que tem um mês que o Mahmoud Abbas não pôde falar na Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque porque o governo Trump não liberou visto para ele. Então, começa por aí.

Aí, o Donald Trump aproveitou para dizer ali, querer... simplesmente pisar na cabeça de todo mundo que estava ali, disse, não, era bom que estava todo mundo ali, embora tivesse alguns ali que ele não gostasse tanto, tinha uns dois que ele detestava, mas nunca iam saber quem eram. um deles certamente é o Pedro Sanches, primeiro-ministro da Espanha, e ele ainda fechou com um momento bizarro, quando ele estava perto da Georgia Meloni, ele chamou ela de Linda.

E perguntou assim pra ela, você se importa se eu te chamar de linda? Porque você é. Não é assim, tipo, ela, depois que as câmeras saíram desse momento... O olho dela deu um duplo twist carpado. Ela não escondeu ali a bizarriça. E o Erdogan aproveitou também o encontro e disse que ela deveria parar de fumar. Veja, eu não fumo...

Eu falo para os meus amigos, quando eles fumam, que não seria o ideal fazer isso, especialmente os meus amigos que têm filhos, mas assim, a gente sabe o que significa um cara virar para uma... Mulher que ele mal conhece e dizer o que ela deveria ou não fazer, a gente sabe qual o nome disso. Enfim, então tivemos essas cúpulas, mas que... na minha análise, só evidenciam a fragilidade do que foi assinado. Porque se o que tivesse sido assinado, o que tivesse sido comprometido, fosse algo...

de fato aprofundado, você teria tido um evento histórico único entre os dois. Pensando aqui numa comparação, apenas um exemplo de comparação. Quando nós tivemos a assinatura dos acordos de Oslo, nós tivemos Isaac Rabin e Yasser Arafat assinando juntos ali com Bill Clinton. Agora vamos falar sobre a implementação. dos acordos e negociações nesses dias. Primeiro, para até dar uma mudada de tom, nós tivemos agora o anúncio de um cronograma inicial.

coisa que a gente não tinha semana passada, então tivemos o anúncio de um cronograma inicial, e é necessário elogiar o fato de que o Steve Witkoff, o enviado... especial do governo Trump. para o Oriente Médio, junto com o almirante Brad Cooper, que é o comandante do Comando Central dos Estados Unidos, que é sediado no Qatar, que é o Comando dos Estados Unidos para o Oriente Médio, que é o mais importante comando estrangeiro.

dos Estados Unidos, talvez depois do comando da OTAN, ambos foram à Gaza inspecionar, entre aspas, claro que de forma simbólica, o cumprimento... da primeira etapa do acordo, incluindo aí a retirada das tropas israelenses na primeira linha de recuo.

O Steve Wittkopf, inclusive, estava com uma camisa ali, era para ser uma camuflagem urbana em tons de azul, mas ficou uma coisa meio bizarra. Agora, nós também tivemos, primeiro... a libertação de todos os 20 reféns israelenses que estavam vivos, incluindo... o filho de Inav Junkhalker. que a gente mencionou ela várias vezes aqui, ela é uma das principais líderes do Fórum de Famílias e, ao mesmo tempo, uma das principais críticas, uma das pessoas que mais exigia por um...

acordo negociado. Tivemos a libertação de 1968 palestinos por Israel. Dentre... Esses palestinos estão algumas lideranças, tanto do Hamas quanto do Fatah, porém o... que hoje é o principal líder palestino que está preso por Israel e que, recentemente, tivemos aquele episódio em que o Itamar Bengvir... se filmou. provocando ele, fazendo assédio moral contra ele na prisão, ele não foi libertado. E o seu filho disse essa semana que ele inclusive foi agredido.

por guardas israelenses. Também tivemos a entrega pelo Hamas de já uma primeira leva de corpos de reféns. O governo israelense depois afirmou que um dos corpos entregues não seria de um refém. outros já foram identificados, e Israel também entregou corpos de palestinos, e aí entra algo que a gente... já explicou aqui no xadrez herbal há anos, é algo extremamente macabro, sombrio, que os restos mortais de palestinos e de israelenses são utilizados como moedas de troca.

há anos. E, nesse processo de... troca de entrega de corpos, de devolução de corpos coordenada pela Cruz Vermelha Internacional, nós já começamos a ter o quê? as primeiras trocas de acusações, de violações do acordo, porque é um acordo frágil. Então... Tivemos tanto palestinos quanto israelenses afirmando que pessoas foram submetidas a tortura, pessoas foram submetidas a maus tratos. Tivemos...

afirmações de que o Hamas estaria protelando a entrega dos restos mortais. Tivemos a acusação de que os restos mortais de palestinos entregues por Israel teriam sido mutilados. Então, temos agora essas várias trocas de acusações, de violações, e tivemos... pelo menos sete palestinos mortos no último dia 14 de outubro em um ataque de drones por Israel, quando eles supostamente teriam cruzado...

a linha para onde as forças israelenses se retiraram. Só que assim, essa linha não está desenhada no chão. Essa linha não está demarcada no chão. Não está claro sequer quais foram as condições em que isso ocorreu. E por conta dessas trocas de acusações, agora nós temos o Hamas. dizendo que não sabe hoje direito onde estão todos os restos mortais de israelenses por conta dos escombros e da destruição.

Porém, é preciso levar em conta que esses restos mortais são, hoje, um dos principais, dos poucos... trunfos, uma das poucas moedas de barganha que restam nas mãos do Hamas. A Turquia, inclusive, já se ofereceu, disse que vai enviar peritos forenses para ajudar a encontrar os corpos dos reféns, já vai fazendo aí... a sua propaganda de amizade com os palestinos. É óbvio que nós certamente temos dezenas, talvez centenas, de corpos sob os escombros. A gente fala disso aqui há mais de um ano também.

Se nós tivéssemos, no mínimo, um cessar-fogo, a entrada da imprensa, nós saberíamos uma verdade ainda mais cruel, ainda mais violenta sobre a destruição de Gaza. E, do lado das autoridades israelenses, nós temos eles dizendo que, como Hamas não estaria cumprindo o acordo, então a ajuda humanitária vai ser novamente diminuída. Dos 600 caminhões que foram inicialmente acordados, que entrariam em Gaza pela passagem de Rafá, que foi aberta,

inicialmente, eles foram diminuídos para 300 e no mesmo dia 14 que nós citamos o episódio do drone, a passagem de Rafa também foi fechada. Então, vejam... Vou usar a palavra que eu estou usando esse tempo todo, já está repetitivo, mas é... um processo de negociação extremamente frágil e que os principais atores envolvidos estão envolvidos nesse processo por pressão externa.

seja a pressão do Catar e do Egito sobre o Hamas seja a pressão dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita sobre o Trump que por sua vez pressionam Netanyahu é especialmente por pressão E não se trata, pelo menos nesse momento, de um processo de paz. É um mero cessar-fogo, que é frágil e corre o risco de ser temporário, e uma troca de reféns. E aí entra o detalhe muito importante. Esse processo está sendo vendido em Israel para o público interno israelense como... um acordo sobre os reféns.

Não como um acordo de paz, não como uma negociação final. Claro, muitas pessoas receberam positivamente as imagens do retorno dos reféns vivos. Correram por todo o país, etc. Mas está sendo vendido. encarado pelo governo israelense e por boa parte da política israelense, da sociedade israelense, como um acordo sobre os reféns. E aí no dia 12 de outubro, inclusive, o Netanyahu disse que a campanha militar não está acabada e o ministro da defesa, o Israel Katz, disse que...

O grande desafio após a fase de retorno dos reféns será a destruição de todos os túneis do Hamas em Gaza. Essa foi a declaração dele. Então, nós temos todo aquele processo que a gente explicou no programa passado. Como eu disse, esse bloco aqui é uma continuação do programa passado, não tem como não ser assim, tá, gente? Então, se você é um ouvinte novo, tá ouvindo o xadrez verbal pela primeira vez...

Seja muito bem-vindo, agradecemos a confiança no nosso trabalho, mas eu recomendo que você assista o bloco sobre Oriente Médio do programa anterior. Então o processo de estabelecimento da autoridade transicional de Gaza, da força internacional, ainda estão sendo debatidos. E essa força internacional, assim, daqui a pouco... ela vai virar o maior exército do mundo, porque todo dia tem algum país diferente oferecendo um contingente. Por quê? Porque eles são muito legais? Não.

porque eles querem impressionar o Donald Trump e querem entrar, de alguma maneira, nesse processo de uma grande barganha, esperando ganhar alguma coisa em troca. Então... É Indonésia, é Emirados Árabes, é Egito. É Egito, nem tanto. mas Azerbaijão, a Armênia teria oferecido um contingente de apoio ali, de pessoas para desarmarem explosivos, coisas assim, não um contingente armado.

Então, também tem isso. Toda hora tem uma nova especulação de quem vai compor essa missão internacional e daqui a pouco vai se tornar o maior exército do mundo. Mas isso é compromisso com a Palestina, isso é se importar com os... palestinos? Não. São esses países buscando negociações e buscando posições mais fortes. Eu vou lembrar aqui da expressão que a professora Hashmi Singh usou aqui no programa, dois anos atrás, que ela explicou pra gente que, pra muitos governos...

e hoje para mim o governo que mais faz isso é o governo turco, a causa palestina é uma grande camisa de Osman. O que é a camisa do Osman? O Osman foi um dos califas que foi assassinado. e aí usaram a camisa ensanguentada dele como uma espécie de estandarte.

para regimentar as pessoas. Falaram, olha só o que fizeram com o califa, temos que vingá-lo. Então, é usar como uma bandeira para regimentar apoio. É muito longe de... apoios legítimos ou desinteressados, por assim dizer, ou interessados em uma solução de longo prazo. E para fechar essa parte mais das relações internacionais e do que foi negociado, repercutei duas notícias. Uma delas foi que o presidente Lula...

na última segunda-feira em Roma, dia 13, disse que o Brasil tem problema com Netanyahu. A hora que Netanyahu não for mais governo, não haverá mais nenhum problema entre Brasil e Israel, que sempre tiveram uma relação muito boa. Nós sabemos que o povo judeu não concordava em muita parte com aquela guerra. Eu estou feliz porque, veja, eu não sei se é definitivo ou não, mas eu estou feliz porque é um começo muito promissor. Lembram-se da Fundação Humanitária de Gaza?

Aquela fundação tão humanitária, tão bonita, tão competente, onde nos seus campos várias pessoas foram mortas a tiros por mercenários e uma maneira de... não deixar organizações profissionais, tanto do sistema ONU como da sociedade civil, como a World Central Kitchen, operarem em Gaza, então ela foi dissolvida. agora com o Cessar Fogo. para você ver como ela era muito importante, pensando em longo prazo. Falando nas questões sobre o genocídio palestino, três notícias. A primeira delas é que...

Um relatório publicado agora por uma das agências da ONU, nessa terça-feira, dia 14, afirmou que a reconstrução de Gaza vai custar pelo menos 70 bilhões de dólares. Lembrando que o plano árabe para Gaza, assinado, proposto por Arábia Saudita, pelo Qatar, estabelecia várias fases da reconstrução que seriam bancadas pelos países árabes. Segundo esse estudo da ONU, são 55 milhões de toneladas de entulho. 55...

milhões de toneladas de entulho. Esse é o nível de destruição. E também tivemos a denúncia que, depois que o cessar-fogo entrou em vigor, a Usina de saneamento básico de Sheikh Ejlin, que foi construída, financiada com contribuições alemãs, foi destruída pelo exército israelense. E não apenas foi destruída, mas soldados israelenses que participaram da sua destruição postaram fotos nas redes sociais escrevendo uma última memória na legenda.

e escreveram o nome da sua unidade militar no muro da usina de saneamento básico. Por que isso está no trecho que eu falei que nós falaremos do genocídio? Porque você destrói uma usina de saneamento básico depois de um cessar-fogo. Ela não tem absolutamente nenhum valor militar. Porém... É um ato que claramente confronta uma das cláusulas da Convenção de Prevenção e Punição do Genocídio, que é destruir os meios de vida de uma população.

Uma população sem saneamento básico é uma população sujeita a doenças. Lembrando que nesses últimos dois anos nós tivemos, por exemplo, surtos de cólera e de poliomielite na faixa de Gaza. Então, é um assunto completamente correlacionado. E o Eurovision, aparentemente, por conta do anúncio desse acordo de cessar fogo, falando de forma otimista,

disse que vai adiar a discussão sobre a eventual suspensão da participação israelense da competição artística. Indo para a Cisjordânia... um menino palestino de 11 anos chamado Mohamed Bajat. Al-Halak, ele foi morto numa vila perto de Hebron com um tiro na cabeça enquanto soldados israelenses abriram fogo

contra a vila, contra ali o campo da vila onde eles estavam. A notícia assinada pelo Times of Israel... um jornal conservador israelense, assinada, publicada por Nurit Yohanan, no dia 16 de outubro, às 6h51 da tarde, no horário israelense, disse que as Forças Armadas Israelenses não comentaram o assunto ainda. Agora vamos para dentro da faixa de Gaza, com o fato de que, nessa semana, pós-acordo...

Nós tivemos o Hamas publicando dois vídeos deles executando homens palestinos. O Hamas afirma... que eles seriam colaboradores israelenses e a maior parte dessas pessoas executadas são integrantes do clã Dormush, que é um clã.

cujos integrantes são ligados a outros grupos jihadistas islamistas, como, por exemplo, a Al-Qaeda, a gente até repercutiu um tempo atrás de como o governo israelense estava apoiando esse tipo de... de grupo contra o Hamas e agora nós tivemos então o Hamas prendendo e executando integrantes desse clã e também trocando tiros. Não está claro quantas pessoas morreram no total ainda. E esse clã que seria responsável pela morte do jornalista palestino Saleh al-Jafarawi.

que foi morto no último dia 12 de outubro, ou seja, já quando o cessar-fogo estava vigorando. E o Hamas também via... Um dos seus porta-vozes anunciou uma mobilização para limpar Gaza de criminosos e colaboradores com Israel. E nessa questão é importante mencionar que, pelo plano negociado, a segurança dentro da faixa de Gaza seria assumida pela polícia palestina, pela polícia da Autoridade Nacional Palestina. Então...

É o Hamas tentando mostrar força, inclusive dentro da faixa de Gaza, querendo mostrar que ele ainda domina a faixa de Gaza, incluindo pelo uso da força. E isso... foi recebido com críticas internacionais, com condenações internacionais, lembrando que o mesmo acordo fala do desarmamento do Hamas, porém não especifica que tipo de desarmamento está sendo falado. se é de armamentos pesados como foguetes ou também de armamentos leves como armamentos pessoais. E aí o dono de Trump disse...

ontem, quinta-feira, dia 16, que se o Hamas continuar a matar pessoas, teremos de entrar em Gaza e matá-los. Então, mais um capítulo que mostra. todo esse processo de fragilidade, porque todo mundo foi lá, assinou o documento que é baseado nos 20 pontos que estabelece o desarmamento do Hamas. O que o Hamas está fazendo? Está tentando demonstrar força perante o seu território, perante a sua própria população.

e matando palestinos a partir da consideração do que eles acham que seja uma pessoa colaboradora de Israel ou uma criminosa. E por que eu digo a partir do que eles acham? Porque absolutamente não é razoável achar que, dentre um processo desses, de basicamente acerto de contas, não ocorrerão. injustiças mesmo que alguém ache que o Hamas tenha o direito, por exemplo, de executar um colaborador.

Alguns vão achar que tem o direito de executar, outros que deveriam prendê-lo. Enfim, mas nesse cenário que eu quero expressar é que não é plausível achar que nós também não teremos abusos e execuções sumárias, coisas do tipo. E para a gente começar a mais ou menos mudar de assunto, o Netanyahu tinha uma audiência marcada sobre o processo de corrupção dele. E bem no dia que ele iria depor, ele foi diagnosticado com caso leve de bronquite e recomendaram o repouso completo para ele.

Pois é, uma coincidência assim, eu estou chocado com essa coincidência. Bem no dia do depoimento, caramba! Que coisa. Agora vamos para o Líbano. Por isso que eu disse que é mais ou menos uma mudança de assunto. Por quê? Porque nós tivemos ataques aéreos israelenses contra o sul do Líbano. Há mais uma violação do que seria um cessar-fogo acordado em novembro de 2024. E o detalhe é que nesse ataque nós tivemos a destruição de maquinário, como tratores, esse tipo de coisa, e uma fábrica de cimento.

E o governo libanês, por sua vez, disse que os ataques israelenses, além de violarem o cessar-fogo, são uma agressão contra a infraestrutura civil e querem impedir... a reconstrução de casas no sul do Líbano. Do Líbano, nós vamos para a Síria.

já que o Al-Sharaa, ou Al-Jolani, foi recebido em Moscou nessa quarta-feira, dia 15, pelo Vladimir Putin, dizendo que o seu país manterá todos os compromissos com a Rússia, ou seja, a Rússia vai manter as suas... bases, as suas duas bases importantíssimas em território sírio, dizendo que há relações bilaterais e interesses compartilhados que nos unem à Rússia e nós respeitamos os acordos feitos. Então assim...

Primeiro, desculpa levantar a plaquinha, mas quando a gente começou a falar da queda do Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, a gente falou que a Rússia partiria para uma política de diminuição de danos e de negociação para manter a sua posição ali. ideia turca especialmente era retirada da Rússia e da Síria, mas que os russos buscariam manter essa posição e que inclusive Israel também defenderia essa posição de manutenção da Rússia. Segundo, É interessante ver que...

Por 10 anos, o Aljolani lutou contra o Bashar al-Assad, que tinha como principal aliado a Rússia. O Aljolani já falou sobre a Rússia, falou que a Rússia usou armas químicas contra a Síria, etc. Mas agora que ele é o líder da Síria, o presidente da Síria, tem que sentar e negociar. Só que... É interessante que a ideia inicial do Putin era receber o...

Porém, nós tivemos ao mesmo tempo a cúpula do Donald Trump, que o Putin não foi convocado. Então, por conta disso, vários líderes árabes cancelaram a sua viagem. para Moscou, o que obviamente não saiu bem para o Vladimir Putin. Da Síria, vamos para o Catar, com o anúncio, logo depois que a gente gravou o programa, o último programa, o secretário de defesa dos Estados Unidos, o Pete Hegsett, ele falou, anunciou que...

teremos uma instalação da Força Aérea Catar em Idaho. É, em Idaho, nos Estados Unidos. Então, isso vai permitir... que pilotos catares recebam um nível mais alto de treinamento. e também um nível mais alto de compartilhamento de inteligência sobre os caças F-15 que são operados pelo Qatar. Não é algo inédito, Singapura tem uma presença similar, nós não temos, claro, uma base estrangeira em território dos Estados Unidos, mas nós teremos agora um contingente.

do Catar, em uma base aérea dos Estados Unidos, em Idaho. E parte do eleitorado Trump, parte dos MAGA, ficaram peda-vidas com isso. dizendo que isso é retribuição lá pelo 747 e tudo mais. Então, teve esse pequeno detalhe. No Iêmen... O chefe do Estado-Maior dos UTIs, o Mohamed Al-Gamari, morreu em um ataque aéreo israelense. A morte foi anunciada nessa quinta-feira, dia 16. O ataque aéreo israelense teria ocorrido...

dois dias antes. Então um dos principais líderes UTIs, um dos principais líderes militares UTIs, melhor dizendo, morreu em um ataque aéreo israelense. E finalmente a gente dá aquela roubadinha do Grande Oriente Médio e vamos...

até a fronteira entre Afeganistão e Paquistão. Por quê? Porque essa semana nós tivemos uma escaramuça, ainda temos, na verdade, entre o Talibã e o Paquistão. Oficialmente... O motivo, o início desse caramuça, foi o fato de que o Paquistão realizou ataques contra o talibã paquistanês. primeiro, vamos lembrar que o Talibã é uma cria paquistanesa. O Talibã afegão foi criado pelo Serviço de Inteligência Paquistanês. E...

Esse ataque também está ligado a uma questão do, digamos assim, separatismo pasturno. Não que o Talibã seja um grupo nacional, o Talibã é um grupo religioso. Porém... Os Pashtuns são a maioria do Afeganistão e nós temos uma parcela da população paquistanesa Pashtun significativa. Inclusive... A pessoa Pashtun, provavelmente mais famosa do mundo, é paquistanesa, que é a Malala.

A Malala é de cidadania paquistanesa, porém ela é etnicamente Pashtun. Então tivemos esses ataques supostamente por conta desse separatismo. e de operações, de ações do grupo Talibã dentro do Paquistão. Só que, curiosamente, ao mesmo tempo em que... o Paquistão começou a atacar o Talibã, foi quando o ministro de Relações Exteriores do Talibã estava sendo recebido na Índia. Inclusive, a Índia anunciou que vai restaurar as suas relações com...

o Afeganistão ao nível de embaixada. Se torna então o terceiro país do mundo apenas a fazer isso. Então não é uma visita... insignificante ou protocolar. É a Índia reconhecendo o governo do Talibã. Isso não é pouca coisa. E, claro, num contexto de possível rivalidade mútua com o Paquistão. E aí, esses ataques paquistaneses contra o talibã paquistanês foram retaliados pelo talibã afegão.

E aí nós tivemos uma semana de trocas de escaramuças com ataques de artilharia, ataques de moteiro, tivemos também o uso da força aérea paquistanesa. Tivemos dezenas de pessoas mortas, os números concretos ainda são muito difíceis de dizer. Tivemos civis afegãos mortos e, claro, é uma relação de forças bastante assimétrica. O Paquistão tem...

Forças armadas regulares bem mais capazes. A força do Talibã estaria numa guerra de guerrilha contra uma ocupação, como a história mostra. Mas a gente não pode... deslocar, a gente não pode não vincular essa escaramuça entre Paquistão e Afeganistão da recepção na Índia do ministro de Relações Exteriores Talibã. Certo? Bem, com isso a gente encerra esse giro, que foi um giro bastante pessimista.

infelizmente, como não podia deixar de ser, acredito eu. Como sempre, agradeço pela confiança no nosso trabalho, nas nossas análises também. E agora a gente vai para as efemérides da semana que vem. Música Música A Semana na História 24 de outubro de 1795 Há 230 anos ocorria a terceira partição da Polônia.

Efemérides: A Semana na História

Assim, eu tenho a impressão que todo ano a gente coloca nas efemérides alguma das partições da Polônia, porque foram quatro. Então, toda hora tem um aniversário redondo de alguma delas. E a de 1795 foi a de que encerrou de vez os últimos resquícios de soberania de Polônia e Lituânia, e que durou até 1918, quando a gente teve uma fatia...

indo para a Rússia, uma fatia indo para a Prússia e uma fatia indo para o Império Austríaco. E é sempre muito interessante, porque, por exemplo, parte do território da Partição Polonesa, que foi do Império Austríaco, hoje é a Ucrânia. A cidade de Varsóvia, por exemplo, que durante muito tempo foi a terceira maior cidade do Império Russo, nesse momento aqui foi repassada para Prússia.

E por aí vai. Mas então, aniversário de mais uma das partições da Polônia. 24 de outubro só que de 1950, 75 anos atrás, o Tibete era anexado pela China. Nós tivemos a declaração de independência do Tibete depois da Revolução Republicana Chinesa de 1911. O Tibete alegava que não era parte da China, que era algo similar à vassalagem. com a figura do imperador, então se não tinha imperador, o Tibete podia declarar sua independência.

Essa situação durou por algumas décadas, uma espécie de status quo, até que depois da Segunda Guerra Mundial, depois do triunfo... dos exércitos comunistas na Guerra Civil Chinesa. Com a Revolução Chinesa de 1949, a China vai lá e invade o Tibete. e, na visão chinesa, reintegra o Tibete à China, que nunca reconheceu a independência do Tibete, afirmou que a independência, inclusive, teria sido ilegal e irregular. Nós tivemos apenas uma batalha, a batalha de...

Xando, e o Tibete é parte da China até hoje, e a gente sempre lembra aqui no xadrez herbal, os homens já estão cansados de saber. Fica todo mundo falando Dalai Lama, que ele é um velhinho simpático, então ele odeia o Dalai Lama, Enfim, mas o ponto do Tibete é a posição estratégica daquela região. O fato de que ali estão as nascentes de alguns dos principais rios da Ásia. Controlar o Tibete é controlar água.

E na próxima sexta-feira, também 24 de outubro, completa-se 50 anos da greve das mulheres islandesas em 1975. as mulheres islandesas economicamente ativas declararam greve, paralisaram o seu trabalho, para protestar contra a discrepância salarial com os homens e... práticas injustas nos postos de trabalho. Elas foram lideradas por organizações feministas e...

Por conta dessa paralisação, o parlamento islandês começou a discutir uma medida que foi aprovada alguns meses depois, no início de 1976, proibindo... qualquer discrepância de salários entre um homem e uma mulher que... realizem o mesmo trabalho, que estejam na mesma função, e também os mesmos tipos de direitos e obrigações no local de trabalho. Segundo uma matéria do Guardian, que celebrou o aniversário dessa greve 20 anos atrás, 25 mil mulheres...

cruzaram os braços nesse dia. Aí algum ouvinte pode falar, pô, 25 mil pessoas só, isso não enche um estádio. Só que naquele momento a população da Islândia era de 220 mil pessoas. Então se você pega dessa população 220 mil... 110 mil são mulheres, metade e metade, vamos supor. Desses 110 mil, você tem que tirar as crianças, os estudantes e os idosos. Então, sobra a população economicamente ativa. E dessas pessoas, 90% cruzaram os braços.

Bem, passemos agora para o match no qual eu, o Felipe e a Silva daremos aquele tradicional peão pela nossa quebrada latino-americana.

Match: América Latina

Chefe militar dos Estados Unidos para América Latina pede demissão. Pois é, meu caro Matias, nossa cara Silvia, o almirante Alvin Rosley comunicou ontem, quinta-feira, dia 16, que pediu demissão... do cargo. Só que é importante mencionar o seguinte, ele ocupava o cargo desde o fim do ano passado e normalmente militares dos Estados Unidos nessa função ficam 3 a 4 anos no posto. Então, nós temos um cenário aqui de uma certa opacidade, e a gente pode supor...

algumas das razões por trás dessa renúncia. Uma delas, eu acho que é importante destacar, e aí eu vou passar a palavra para vocês, é a pressão interna. Por quê? Porque ele foi nomeado no governo Biden e ele é um homem negro.

E o próprio secretário de Defesa dos Estados Unidos já fez comentários insinuando questões sobre, muitas aspas aqui, cotas, coisa assim, e militares que foram nomeados no governo anterior. Segundo, se ele... estaria se demitindo em protesto, ou por não concordar, com as destruições dos barcos, supostamente de tráfico de drogas, recentemente pelos Estados Unidos.

ou se é por não concordar com alguma eventual ação vindoura dos Estados Unidos em relação à Venezuela. Ou uma combinação das três coisas. Mas o fato é que esse é um sinal muito preocupante. Porque é um militar de um posto altíssimo na hierarquia dos Estados Unidos. Estamos falando de um almirante de quatro estrelas. É um cara que está no topo da carreira. E que se demite depois de menos de um ano. numa posição em que esses caras batalham a vida inteira para chegar.

Eu aposto mais na combinação dos fatores. Eu acho que o que deve ser mais prepoderante, creio eu, é a divisão que deve estar tendo e o debate que deve estar tendo. nas Forças Armadas, com o rumo que vai se dar a esse conflito no Caribe. Deve haver distintas posições de pessoas de altos cargos. Ele pode ter dito não.

que vocês estão querendo fazer, eu não faço. Acho que é a única explicação. Além do fato de ser negro, enfim. Mas acho que aí vai junto. Porque era um homem do governo anterior. Vamos lembrar para os nossos ouvintes... que em março, março ou abril, o governo Trump forçou a troca do chefe do Estado-Maior Conjunto, que era um general da Força Aérea negro. E foi naquele contexto que teve lá os comentários. Não, colocaram ele ali por...

representatividade, a gente não tá nem pra representatividade, a gente quer mérito. E no caso do Pete Hegset, o mérito pra ele é um homem branco, heterossexual, bombado, seminu. Besuntado de óleo, se possível, pra ele. Porque ele, enfim, ele claramente tem questões com isso. Com o perdão da psicanálise de boteco. Mas, então, esse pra mim é um sinal muito preocupante. E é um possível sinal de que algo está para ser realizado em relação à Venezuela. Junto com isso...

Hoje, sexta-feira, dia 17, continua a discussão no Conselho de Segurança da ONU, uma queixa a pedido venezuelano contra o que eles chamam de atitudes hostis pelos Estados Unidos. E o embaixador dos Estados Unidos na ONU, o Mike Walts, ele disse que os Estados Unidos estão usando o seu direito de autodefesa de acordo com, supostamente, o artigo 51 da ONU.

Só que não é autodefesa, porque não é o território dos Estados Unidos. Mas isso é muito interessante a gente discutir isso entre três historiadores. Por quê? Porque os Estados Unidos precisam sempre fazer uma venda ideológica das guerras que eles se metem. Porque os Estados Unidos estão geograficamente insulados de guerras desde o meado do século XIX.

Então, é aquela coisa, estamos indo lá lutar contra a tirania, pela liberdade, pela democracia, pelo não sei o que, e agora é a autodefesa. Então, a ação dos Estados Unidos contra o Maduro... E contra o narcotráfico. defenderam os Estados Unidos, o cidadão dos Estados Unidos, das drogas, do narcoterrorismo do Maduro, disso. E que já é uma retórica requentada, porque veio lá do Nixon, passou pelo Reagan, quase sempre, né, presidentes republicanos.

e o Trump tem utilizado dessa retórica para justificar uma possível invasão à Venezuela. Foi a retórica da queda do Noriega. Sim. Que era brother do Bush e pai. Que era brother da CIA até a semana anterior. Enquanto ele tava vendendo droga, tava tudo bem. O problema foi quando ele quis o canal. Entendeu? Aí ele virou traficante. É, exato. Exato. Os Estados Unidos precisam criar uma narrativa. O que eles estão fazendo? Criando uma narrativa que...

justifique para o americano comum por que eles estão fazendo isso e aonde eles podem chegar. O que assusta é essa preparação dessa narrativa tão... cheia de detalhes e ampla e cheia de elementos, porque ela anunciou uma ação grande. Ninguém arma uma narrativa desse tamanho para jogar uma biribinha na... No Caribe. E ainda no contexto também de uma Pax americana que está cada vez mais ameaçada também. É uma demonstração de força por parte dos Estados Unidos, principalmente...

na sua área de influência mais tradicional, porque estamos falando da bacia do Caribe e daí a gente remonta também ao Ted Roosevelt. Sim, desde o corolário Roosevelt. E nisso que vocês falaram, a Silva Zotero Biribinha, essa semana, quarta-feira, dia 15, os Estados Unidos realizaram um voo com três bombardeios estratégicos no limite do espaço aéreo venezuelano. Do tipo, ó, se eu quiser eu entro aqui, irmão.

É uma projeção de força que não é pouca coisa. E tem uma coisa também que é curioso, porque a gente fala, na América Latina, como essa ideia da doutrina moral, de esfera de influência dos Estados Unidos. Tivemos muitas intervenções armadas dos Estados Unidos. Unidos na América Central e no Caribe, mas no Caribe Insular, se os Estados Unidos de fato atacarem a Venezuela, vai ser o primeiro ataque direto dos Estados Unidos à América do Sul.

América do Sul, obviamente, eles só realizaram ações indiretas. É, teve o Plano Colômbia, mas que não era contra o Estado colombiano. Não, aí era mandar dinheiro, basicamente. Não, mas também tinham operações conjuntas. Com pilotos americanos? Sim, militares americanos presentes na Colômbia. Mas era aquela coisa de combater o narcotráfico. Não era contra um Estado. O D.A. também. É só uma questão que houve.

coordenação entre tropas estadunidenses e colombianas naquele contexto. Teve operação Brother Sam, teve um monte de coisa, mas um ataque frontal direto nunca teve. E ironia das ironias, porque assim... E acho que é o tipo de coisa que o ouvinte do Xadrez Herbal gosta do nosso conteúdo também por isso. Porque, assim, a gente falou do corolário Roosevelt, né? Da Doutrina Moro. Uma coisa que fortaleceu muito a doutrina moral foi o bloqueio da Venezuela em 1902, quando as potências europeias...

bloquearam a costa venezuelana, falando, ó, a Venezuela tá dando calor de dívida, a gente vai cobrar. E os Estados Unidos falaram, não, não, não, não, não, vocês não vão meter forças navais aqui, não. A gente paga a dívida venezuelana, depois a gente cobra deles, mas vocês vão embora. E logo depois da guerra...

res pan-americana. Sim. Quando os Estados Unidos fez valer da sua força, no caso do Caribe, principalmente em Cuba e Porto Rico. Sim, sim. E eu tive agora recentemente em Cochabamba, no Chaparro. basicamente que é a região cocaleira, fui entrevistar o Evo, a gente já... comentou isso, mas dá pra ver um edifício da DEA completamente abandonado mas quem é que mandou os americanos embora? Evo

Até os presidentes anteriores funcionavam. E eles, enfim, não atacavam, não faziam eles as ações, mas eles estavam ali de olho, porque aquela é justamente uma área de produção de coca. E sobre o bloqueio da Venezuela, a gente recomendou aqui uma vez o livro, né? E isso que você falou também, tem aquela frase do Evo, né? Dizendo que quando o DA tava aqui, o tráfico era maior, alguma coisa assim. Ele ensinou alguma coisa assim, não foi? Sim.

Essa semana tivemos pelo menos mais dois barcos supostamente de narcotráfico atingidos pelos Estados Unidos. Só que dessa vez temos dois detalhes importantíssimos. Um deles é que dois cidadãos de Trinidad e Tobago foram mortos. E o outro é que nós tivemos sobreviventes que foram capturados pela Marinha dos Estados Unidos.

E tem uma dúvida, inclusive, sobre como essas pessoas vão ser enquadradas judicialmente. Se terroristas ou se traficantes, se vai ser uma questão de segurança pública ou uma questão de defesa. Vai ter que ver o que tinha na embarcação derrubada, afundada. Se é que sobrou alguma coisa. Se é que sobrou alguma coisa, mas enfim. Vai ter algum... Onde é que foi que os tubarões estavam comendo pacote de cocaína? Não foi na Austrália?

É, foi na Austrália que tinha... Tinha traço de cocaína nos tubarões. Isso, isso. E aí, vem uma outra das principais notícias da semana sobre esse assunto, que... O jornal New York Times, na última quarta-feira, dia 15, publicou que o governo Trump teria dado carta branca à CIA para agir, inclusive com força letal, pela queda do Maduro.

E o que pareceria ser um vazamento de inteligência, algo assim, o dono de Trump, aparentemente ele não sabe muito bem como operações de inteligência funcionam, ele foi lá e confirmou em rede nacional que não, é isso mesmo, autorizei mesmo e... e vamos pra cima. Então assim, pode ser bravata do Trump pra pressionar o Maduro? Pode, mas também pode ter sido um real vazamento e que o Trump foi lá e confirmou porque é o jeito espalhafatoso dele.

E aí o Maduro denunciou o envolvimento da CIA em vários golpes de Estado e aí ele disse no pronunciamento dele em inglês. Ele falou em inglês no pronunciamento dele. E olha que o Maduro falando em inglês é... Eu adoro ele falando do Kanye West. Hands off Venezuela. Mas é engraçado ver o Trump falando que tem de Aragua também. Agora sempre ele fala, sempre mete o tem de arágua no meio. É a nova Mara Salvatutia. No primeiro mandato era tudo culpa da Mara Salvatutia, agora do tem de arágua.

Lembrando que o Trump não consegue nem falar Azerbaijana. Ele fala Berbaijana. E chama a Armênia de Albânia. E a Armênia está em conflito com o Cambódia. Ele falou, é, teve essa também. Então, essa semana nós tivemos dois sinais bem... complicados, bem complexos, sobre uma eventual intervenção dos Estados Unidos na Venezuela.

E aí a gente vai repetir aqui algumas coisas que a gente falou, que intervir na Venezuela não é como intervir no Panamá, que é um país minúsculo, tem uma população muito pequena. Na Venezuela, o provável é que... Se tiver uma ação militar dos Estados Unidos, seja para apoiar... atores locais, e de preferência dos militares venezuelanos, porque assim, o território venezuelano correria o risco de você ter uma parte do território sob controle de grupos armados paralelos, porque é um território

relativamente grande. Então, um território leal ao Maduro, coisa assim, uma eventual guerra civil mesmo. Então, e a gente sabe que, assim, o day after, um planejamento cuidadoso, não é exatamente a especialidade. Do governo dos Estados Unidos, pelo menos nas últimas décadas, muito menos Donald Trump. Mas se os Estados Unidos controlassem só o lago de Maracaibo, eles estariam contentes também.

Todas as vezes que opositores ao Maduro tentaram chamar as forças armadas, dissidentes das forças armadas... Teve aquela ocasião, até estava lá cobrindo isso. O Leopoldo Lopes com o Juan Guaidó foram lá no quartel. Pelo amor de Deus, venham. Conseguiram tirar para apoiar? apoiá-los uma meia dúzia de gato pingado. Então, é muito difícil. Eu não vejo essa situação na Venezuela de hoje, de ter um lugar do país em que atuem soldados que não são...

fiéis ao Maduro. No caso, a Operação Gideão, que foi a dos mercenários que os pescadores conseguiram interceptar eles. tem o diferencial de que promete uma ação militar dos Estados Unidos. Então vamos supor, os Estados Unidos atacam umas cinco bases militares mais importantes venezuelanas. Realiza uma operação de decapitação em que, sei lá, eles prendem ou matam o Maduro, o Padrino Lopes,

e, sei lá, bota mais alguém aí nessa lista. Um terceiro ou quarto no comando. Aí pronto, aí vem um general que não é tão conhecido, que não tenha tanto nome tão comprometido assim, e fala em nome de segurança nacional, estamos assumindo aqui...

aqui, toque de recolher, todo mundo fica em casa, vamos negociar, vamos chamar representantes de todos os partidos, Maria Corina Machado está liberta, chama o Capriles, chama o Guaidó, vai chamar não sei quem, vamos criar aqui um conselho nacional para organizar eleições. Não seria a primeira vez que a gente veria um filme desse tipo. Sim, sim. Eu, inclusive, sei lá, eu tenho medo desse trecho virar uma profecia.

Não que seja uma profecia, eu estou supondo, com base no histórico, mas estou supondo. Então, são alguns sinais bem complicados. Mas é importante sempre a gente lembrar que o negócio não é videogame. A Venezuela é um território grande.

Partes do território venezuelano são de difícil acesso, na Amazônia, fronteira com o Brasil, a própria fronteira com a Guiana. A questão com a Guiana também... Agora, a gente tem que... Querendo ou não, acho que é importante a gente chegar num... ponto, que é assim é perfeitamente possível, plausível, razoável você criticar qualquer intervencionismo dos Estados Unidos, especialmente militar

Mas também olhar que, primeiro, como a gente sempre fala aqui, a Venezuela é um regime autoritário. Quem fala isso é a Dilma Rousseff. Uma pessoa que não dá pra ninguém questionar que é de esquerda ou não. Segundo, as ações do Maduro em relação à Guiana contribuíram para um aumento do alerta militar na região. Porque o Maduro estava ameaçando usar a força contra a Guiana. E terceiro, o Maduro não cumpriu o acordo de Barbados, que foi negociado pelo Brasil. O de Barbados e os...

13 que vieram antes. São 14 até agora que ele não cumpriu. Eu destaquei o de Barbados porque foi mais recente. Sim, sim, sim. Então... Também não é razoável você fechar o olho para tudo isso. Mas ao mesmo tempo também não é razoável querer achar que é justo, legítimo, bonito uma ação militar dos Estados Unidos. E aí, segundo o mesmo New York Times... também essa semana, o Maduro teria oferecido

um grande acordão econômico para o governo Trump, incluindo participação no petróleo, etc. E o Trump hoje confirmou. E o Trump usou a F-Word. Vocês viram isso? Não. Ele falou assim... O Maduro ofereceu tudo pra gente porque ele sabe que não pode fuck around com os Estados Unidos. O Trump falou isso hoje à tarde, agora é pouco. Porque é só pra... Explicar para alguns ouvintes.

F-word, né? O fuck não pode ser dito em rede pública. É, é. Mas nós aqui podemos falar. Não, sim, sim. Nos Estados Unidos... Ah, nos Estados Unidos sai F-word. Tem algumas palavras banidas em... transmissões públicas. E lembrando que é um programa family friendly, pedimos desculpas pelo uso do termo. Mas... E tem expressão nos Estados Unidos, né? Fuck around, find out. Que é tipo, se você ficar... brincando, provocando, você vai levar o troco.

Então, teria tido essa questão do acordo. E aí, sobre o petróleo venezuelano, tem uma outra coisa que é bom também lembrar para os nossos ouvintes, que é hoje os Estados Unidos são autossuficientes em petróleo. Qual que é o interesse do petróleo venezuelano, então? Primeiro, é um petróleo... Parte dele é muito barato, porque é de fácil extração e é um petróleo especialmente para uso industrial, não necessariamente para combustível. E segundo, tirar o petróleo venezuelano da China.

Porque hoje a China é a maior compradora de petróleo venezuelano. Então, também tem essa questão. Não é simplesmente tomar o petróleo. Tem outros cálculos envolvidos. Claro que o petróleo e as riquezas minerais venezuelanas como um todo são um fator importantíssimo. E aí, o Lula... o presidente brasileiro, disse ontem que o povo venezuelano é dono do seu destino e que nenhum presidente de outro país tem que dar palpite em relação a essa questão. Ele disse isso no 16º Congresso do PCdoB.

em Brasília. Mas, ao mesmo tempo, eu acredito, isso é palpite, isso não é informação, por favor, pelo pouco que eu estou vendo, que a diplomacia brasileira está, sim, trabalhando nos bastidores. para, usando uma expressão bem brasileira, servir uma pizza. Então, assim, maduro, vai para algum lugar...

tem algum processo de transição, entendeu? E aí não tem uma ação militar dos Estados Unidos, porque aparentemente só uma pizza muito bem feita para impedir alguma ação militar dos Estados Unidos, porque...

Uma ação militar dos Estados Unidos, inclusive, é parte do que o Marco Ruba acredita, seria benéfico para o Pete Hegset, e o próprio Donald Trump ia vender isso como a vitória contra o narcotráfico e pela segurança dos Estados Unidos. Os Estados Unidos não estão falando em guerra, os Estados Unidos estão falando em... o tráfico. A minha teoria do que pode acontecer, vamos começar as especulações, é que todas as ações, óbvio, são sinais preocupantes, mas elas têm algo de teatro.

Para meter medo. Não na população venezuelana, e sim na cúpula. Até que alguém como Jorge Rodrigues, por exemplo, que é a pessoa mais inteligente do chavismo, que é um psicanalista, filho de um ex-guerrilheiro que foi assassinado, é um cara que tem mil e uma traumas, é um personagem super complexo, mas é a cabeça do chavismo hoje em dia. Algum momento esse cara vai falar, escuta, isso tudo aqui tem que parar. Então, Maduro, dê um passo al costado.

E sou eu, ou a irmã dele, que é a Delce Rodrigues. Que é a vice-presidente. Isso, a irmã do Jorge Rodrigues. Mas o perigoso é o Jorge. Enfim, eu acho que... Esse também é um desenlace que evitaria que uma bomba caísse no Palácio de Miraflores. Ninguém quer isso de jeito nenhum. E eu acho que seria uma saída até honrosa para o Maduro. A questão é para onde vai o Maduro. Do que? Pois é.

Se eu botar dinheiro, o exílio... Se eu botar... Se aparecer alguém que fala assim, Felipe, se o Maduro for pro exílio, pra onde ele vai? Turquia. A gente pode fazer outro bolão aí. Turquia, Rússia, Irã, não sei. Mas era a posição da Colômbia na época do Santos. Ah, Nicarágua. Nicaragua, sabe? Acho que você vai querer muito. Na época do Romano Santos, o que ele dizia nos fóruns era essa. A gente tem que tirar ele, mas tem que oferecer um Golden Gate, sabe? Uma maneira dele sair bonitinho e...

E aí, quem acha que ele precisa responder para crimes de guerra, vai ter que engolir esse sapo. Não vai responder. Vai ficar quietinho, fora do poder. E para a gente começar a transição de assunto, o governo venezuelano anunciou o fechamento da sua embaixada na Noruega. Algumas pessoas afirmam que isso seria um protesto.

contra o prêmio Nobel, que a Maria Corina Machado foi laureada. Porém, o governo venezuelano disse que se trata de uma redistribuição estratégica de recursos porque o governo vai abrir embaixada, por exemplo, em Burkina Faso. Então, fechar a embaixada na Noruega e também na Austrália. Já um porta-voz... ... ... ... ... ... ...

foi uma das mediadoras. De um desses acordos que a gente estava falando. A Noruega tentou ali ser um ator mediador. Até porque a Noruega também é um país que tem uma grande indústria petrolífera. É, tem toda aí a polêmica do Nobel para Maria Corina ou não, enfim. Essa semana já...

Briguei com muita gente por causa disso. Nas redes, fora das redes. Continuarei brigando porque escrevi sobre isso na minha coluna. Eu acho que esse prêmio é justo. Eu acho que a direita não tem nada que se vangloriar de ser a única. que defende a democracia. Eu acho que uma política de direita também pode defender a democracia. E eu acompanhei esses anos todos, desde 2002, quando ela começou a...

a atuar na Assembleia Nacional e a peitar o Chaves, depois o Maduro. Essa mulher abriu mão de muita coisa, abriu mão do convívio com os filhos dela que não podem vê-la, ela não pode sair do país, ela não pode fazer um monte de coisa. de coisa. E ela é uma das famílias mais ricas da Venezuela. Ela podia ter perfeitamente no dia seguinte da eleição do Chávez, pegar um aviãozinho desaparecido. E ela, não, está lá até hoje. A gente não sabe nem onde ela está escondida. Então, eu...

Tiro o meu chapéu para uma pessoa que se entrega tanto à causa da redemocraciação. Agora... Se ela é de direita, é de direita. Ela pensa igual a mim com relação a pautas de gênero? Não, obviamente não. Ela é contra o aborto? Ela é contra o aborto. Aí vem todo um pacote que vem com a direita. Deve fazer o quê? A gente pode não gostar, enfim.

Mas não é prerrogativa da esquerda levantar a bandeira da democracia. Mas, Silvio, eu vou aproveitar que, infelizmente, semana passada você não pôde estar aqui no estúdio com a gente, porque você tinha acabado de votar da Bolívia, etc. Mas a minha... principal crítica ao prêmio da Maria Corina Machado foi que é muito raro a gente ver um Nobel da Paz

em que a gente tem uma pessoa apenas laureada, sem algum, sei lá, grande resultado concreto. Então, por exemplo, quando a gente pensa no caso da Tunísia, eles premiaram as organizações. Quando a gente olha para a Rússia, eles homenagearam a Fundação Memorial.

Nem a Malala ganhou um Nobel sozinha, por exemplo. Discordo, discordo e te indico um texto que o meu que saiu na Folha no dia que ela foi premiada. Justamente, tem um exemplo muito próximo da gente aqui, o Juan Manuel Santos. Sim. Ele perdeu o plebiscito pela paz. com as Farc.

Quatro, cinco dias depois ele ganhou o prêmio Nobel. E aí você vê o prêmio Nobel atuando politicamente. Vamos dar uma força pra esse cara pra que de alguma outra maneira ele atinja a paz. Então, mas esse exemplo que você deu é muito curioso, porque na época a gente falou que...

Era estranho não ter alguém do outro lado. Porque, por exemplo, quando a gente olha para os acordos de Oslo, o Shimon Peres, o Rabin e o Arafat foram laureados. Gente dos dois lados negociando. Ali não teve ninguém do outro lado. Então, assim, esse é um dos mais... No caso da África do Sul, foi o Mandela e o De Klerk. É, mas nem sempre é sempre. Não, não, sim, sim. No caso da Argentina, do Adolfo Pérez Esquivel. Que criticou.

Que criticou a Maria Corina. Mas ok, ele ganhou o prêmio em 1980. Antes do fim da ditadura. Argentina, brasileira, paraguaia, uruguaia. Ou seja, são atos políticos. Em prol da paz. Vamos dar o prêmio para esse cara. É uma sinalização de que queremos que o Cone Sul tenha democracia. Para a honestidade intelectual, inclusive, recentemente... recentemente também conhecido como ano passado. Nós tivemos ano retrasado, desculpa, a Nargis Mohamed, a feminista iraniana, que foi laureada sozinha.

E hoje a gente teve Maria Corina Machado falando do Netanyahu. Ela deu uma bela puxada de saco no Netanyahu. A Maria Corina busca e buscou aliados políticos na esfera da direita no mundo inteiro. Então, aí eu aproveito e te faço uma pergunta. Hoje tem um tweet um pouco mais elogioso, é fato isso, mas antes disso, a única coisa que havia era...

Uma carta que ela tinha mandado para o Netanyahu e para o Macri e para outros diretistas do mundo. A questão de Israel, ela tem na Venezuela hoje, no discurso político venezuelano... talvez nessa recente diáspora venezuelana, o mesmo papel que tem aqui no Brasil... Se você é de direita, você se identifica com Israel. Hoje no Brasil isso está quase automático em alguns setores. É que no Brasil tem muita influência com o evangelismo. Sim, sim.

Acho que na Venezuela não chega a tanto. Não saltou os meus olhos as vezes que eu estive lá, mas já faz um tempo que eu não vou, então pode ser que sim. E só para pegar uma posição mais neutra em relação a... a essa questão da Maria Corina Machado. Eu gostei da declaração que o Jamandu Orsi deu, que ele falou, foi questionado sobre a premiação, ele falou que pra mim não tá...

Bom nem mal. Eu, no geral, não faço análise de quem recebe o prêmio Nobel e reconheço que o trabalho pela democracia, e ele esperava outra coisa, até por conta do que ele sentia. Sim, sim. em 2025, de que tivesse ficado deserto, ele usou essa palavra, de que essa premiação em 2025 tivesse ficado no vácuo. Como um protesto. É interessante. É uma boa declaração mesmo.

Sempre aparece um uruguaio para por um fim na discussão e botar todo mundo na voz da razão. A gente vai falar mais adiante sobre a questão da Maria Corina Machado relacionada às eleições no Chile, porque a questão venezuelana... Elana tem muito impacto no cenário eleitoral chileno.

Mas, enfim, a gente tá aqui. E só pros ouvintes, né? Sempre vai ter algum ouvinte, sei lá, no Espírito de Pouco, falando ou teve treta no xadrez zerbar. Não, a gente só tá debatendo, só tá conversando. Tá tudo bem. Nem sempre a gente vai conversar com tudo. Não, mas teve uns tweets dizendo que vocês... nunca ter me convidado pra participar do programa. Mas ao mesmo tempo que vai ter gente que te adora, ao mesmo tempo que tem gente que gosta mais de mim, mais do Matias. Vai ser...

ninguém nunca estará 100% feliz. É isso. É só ver, um grande exemplo disso é o torcedor de quando o time dele está bem.

Eu sou um palmeirense corneteiro. O Matias, quando em São Paulo estava falando tudo, era corneteiro também. Então é isso. Mas agora vamos para o Brasil. Uma breve recapitulação das últimas notícias. A primeira delas é que o Lula se encontrou com... o Papa peruano León XIV, no último domingo, dia 12, em Roma, o evento do aniversário da FAO, que a gente mencionou na semana passada, e também a consolidação da Aliança Global contra a Pobreza.

E o vice-presidente Geraldo Alckmin foi a uma missão de três dias para a Índia. Se encontrou com seu homólogo, se encontrou com ministros indianos, levou uma grande comitiva. e por um aprofundamento muito bom, muito necessário, muito bem-vindo de relações entre Brasil e Índia, incluindo facilitação de vistos para viagens a negócios, reduções tarifárias.

entre os dois países, aumento da meta de comércio bilateral, que atualmente está na casa de 15 bilhões de dólares e é para crescer para 20 bilhões de dólares até 2030. E a Índia vai comprar mais petróleo brasileiro. Isso é muito interessante, porque é uma maneira da Índia também começar a se afastar do petróleo russo. E lembrando que a Índia já compra petróleo brasileiro, mas o Brasil...

O Brasil compra muito petróleo refinado da Índia. Tem essa relação. O Brasil vende petróleo cru e compra derivados refinados. Então tivemos essa missão do Geraldo Alckmin à Índia. Muito interessante. E tivemos um encontro. foi talvez o prato principal na mídia nessa última semana, tivemos o encontro entre o Mauro Vieira e o Marco Rubio em Washington. O encontro durou cerca de uma hora. falaram em conversas positivas, não falaram no nome do ex-presidente brasileiro, informações do UOL, e...

Aí, isso é muito interessante. Se o nosso ouvinte entrar lá no site do Ministério de Relações Exteriores, for no canal de imprensa, ele vai ler a declaração conjunta do ministro das Relações Exteriores do Brasil e do secretário dos Estados Unidos e do representante do Comércio Social. Unidos. Esse governo Trump não tem feito declarações conjuntas com quase ninguém, gente. Então, isso...

peso simbólico muito interessante. Claro, não anunciaram nada de concreto, mas conversas positivas, etc. E com relação ao... ao ex-presidente, o Trump também deu uma amenizada e uma esquecida um pouco. Está largando. Não é? O Trump nem lembra que o cara existe. Já está largando a mão. Já adorou ficar 39 segundos falando com o Lula, enfim. E conversaram sobre um encontro entre o Lula e o Donald Trump em breve.

Nesse sentido, recomendar o texto especial da Mariana Sanches no UOL. Homem de confiança de Trump desatou crise diplomática com o Brasil. Mas o título original... do texto era mais legal, era conheça o FDP que costurou o abraço entre Trump e Lula. E entra um pouco que a gente tem falado sobre bastidores dessas relações. E aí pra gente começar a transicionar, o Brasil... suspendeu no final de setembro o acordo de cooperação jurídica com o Peru depois que as autoridades peruanas usaram provas.

da Odebrecht que haviam sido anuladas pelo STF. E aí, como o Peru usou essas provas anuladas, o Brasil considera que o Peru violou o acordo de cooperação jurídica e então suspendeu esse acordo. Lembrando que o Peru era um dos grandes epicentros do Odebrecht-Quistão. Então tivemos também essa notícia. Bem, do Brasil vamos agora para o Uruguai com uma indicação e outra notícia. A indicação, no caso, é a reportagem do semanário Breccia, publicada agora há pouco.

Nessa sexta-feira, dia 17 de outubro, reportagem do Venâncio Costa e do Leonardo Cardoso, chamado Sobrevuelos, que trata da possível fuga do Beto Loco, que é um... dos procurados na Operação Carbono Oculto, que foi defragada pela Polícia Federal no final de agosto e que, segundo essa reportagem, a Polícia Federal brasileira notificou o Uruguai. que o empresário paulistano com vínculos com o PCC teria passado por Punta de Leste.

Então tem lá a reportagem completa no Semanário Breccia para quem tiver interesse. E a notícia no caso é que agora o Senado ratificou a decisão da Câmara. E a morte digna está aprovada no Paicito. É, a gente havia comentado algumas semanas atrás sobre o projeto da eutanase e agora foi oficializado o Uruguai se torna então o primeiro país sul-americano. a regularizar o que o Matias muito bem chamou de morte digna.

Agora a gente cruza o charco, vamos para a Argentina para repercutir a visita do Javier Milley à Casa Branca e a declaração do Trump em relação a uma... Ajuda a Argentina em caso de vitória libertária nas eleições. E assim, na Argentina, né, Silvia, repercutiu muito o caso de que as pessoas acham que o Trump não sabe de que eleição ele está falando.

Porque são as eleições de meio de mandato na Argentina, mas deu a entender que o Trump achava que era a reeleição do Javier Mille já no final do mês. Isso foi muito comentado, assim, porque o modo como ele falou era, ah, eu quero que você continue no cargo, enfim. Tá certo que o calendário argentino de eleição não é muito fácil de entender, tem várias datas e tudo mais, mas, enfim, né? assessor ali resolveria esse problema. E teve também o fato da tradução que o...

O Milley não falou em inglês com o Trump. Ele não falou. É bem tosco e bem... E o Trump uma hora meio que ignorou. Falou, não precisa traduzir. Porque era isso, o que a gente falou na edição passada... De que o Trump, quando a pessoa está adulando muito ele, ele não dá muita moral. Entendi. Então foi isso, né? Porque o Millet entregou uma carta para o Trump, fez todo o misancene lá.

E o Trump uma hora falou, não, não. Vamos tocar o barco. É o quarto encontro entre os dois em menos de um ano. Tipo, o que eles têm de tanto assunto, velho? É, mas se não me equivoco, eles estão contando aí aquela festinha, aquela festa que teve em Mara Lago, que estava todo mundo, também aquele abraço na CEPAC. que pegou a motosserra. Encontros bilaterais, são dois. São dois, mas teve esses outros momentos. E o Milley sempre com a sua pastinha de estimação. Incrível.

Eu acho que é um apoio psicológico pra ele. Qual que é o personagem do Snoop que tem o lençol de estimação? Era o Linus. O Linus tinha o lençol de estimação. Mas sobre as eleições, até... julho? O Libertar avança estava na frente das pesquisas. Agora as pesquisas estão no empate técnico. Deu uma complicada por causa do caso do José Luiz Esperti. Não sei se vocês chegaram a comentar isso na semana passada.

para fazer seus comentários também. Ele foi um dos fundadores dessa ideia de um partido libertário na Argentina, ao lado do Milley. Já teve problemas com o Milley, já brigaram, já ficaram sem se falar, brigaram uma vez na Feira do Livro, na Frente do Mundo. gente, depois voltaram a ser aliados. Mas o caso é que agora se descobriu um caso de corrupção cabeludo ali do expert. E na Argentina tem essa peculiaridade que as pessoas...

Não é que simplesmente foi o principal candidato a deputado que caiu fora. Ele era o cabeça da chapa. E aí é legal explicar. Na província de Buenos Aires. Isso. Os deputados da província de Buenos Aires. Deputados nacionais, mas que são eleitos pela... pela província de Buenos Aires. E ele acabou sendo substituído como cabeça de chapa pelo Diego Santigi, que é do Proposta Republicana, o partido do Maurício Macri. É, fortalece o Macri essa escolha.

falando de candidatos libertários, porque tem para todos os gostos. A candidata ao Senado pela província de Rio Negro, a Lorena Vija Verde, mas que atualmente é deputada. veio a público de que ela havia sido condenada nos Estados Unidos por tráfico depois de ter sido detida no aeroporto de Sarasota, na Flórida, com 15 quilos de... cocaína e 50 mil dólares em efetivo. Então ela tem essa causa no passado dela e veio a público agora...

Manchando também outra candidatura libertária. Porque, enfim, no passado diziam que tinham sido 400 gramas de cocaína, mas agora conseguiram os documentos. E como é que ela conseguiu entrar com... Pois é, né? Enfim, ela conseguiu liberdade depois e ela foi presa com um cubano e um colombiano na época. Isso foi em...

julho de 2002. Então, mais uma candidatura narco, como estão chamando na Argentina. E outra candidata, a Virginia Gaggiardo, ela... precisa tomar aulas de geografia, porque ela foi defender o governo Milley, dizendo que antes do Milley chegar ao poder, tinham 56 milhões de argentinos na pobreza e hoje são... apenas 35. Só que assim, a população da Argentina é pouco mais de 40 milhões. Então, se ela falou que existem 35 milhões na pobreza, é mais de 80% da população argentina que...

está na pobreza. Então, também foi uma declaração que repercutiu bastante. Ela que, se eu não me engano, é candidata pela cidade de Buenos Aires. ao Congresso. E falando da vice-presidenta Vitória Villaruel, Silvia, que não está se engajando na campanha libertária, inclusive a gente já repercutiu nessa... disputa palaciana ali, já que nunca se deram muito bem. Desde a primeira noite. Mas ela já visitou a 19ª província.

da Argentina, são 24 no total, são 23 províncias mais a cidade autônoma de Buenos Aires, então já visitou aí a maioria das províncias e ela declarou... que não vai às Malvinas porque ela não... precisa mostrar passaporte para visitar o seu território. Porque ela, ao contrário do... Foi uma expressão retórica, né? Ela, ao contrário do Milei...

ela é bastante militante desse pleito argentino, porque o Millet não faz muita questão. Segue porque está na Constituição. Mas a Vitória Vijauel é bastante militante nesse sentido. e fez essa declaração de que ela só visitaria as Malvinas quando elas fossem novamente da Argentina. Claro, claro. Não, isso...

tá muito clara essa posição dela, mas tem uma questão aí dos passaportes, que é o seguinte, quando você chega nas Malvinas, você precisa de um visto, pra passar pela migração que vai te carimbar. Agora, se você vai... Por Rio Gajegos, que é a outra rota, eles não te pedem. Porque tem um acesso facilitado. Não tem uma doana argentina pedindo, porque eles falam, você não está indo para outro país. Ah, sim. Mas só por Rio Gajegos.

Se você sair da Argentina, tinha um voo de Córdoba antes também, mas se você sair de qualquer voo da Argentina para as Ilhas Malvinas, saindo de lá eles não te pedem nada, como se você estivesse indo para Rosário. Entendi. Eles não pedem porque eles consideram que você não está saindo do país. Sim, mas chegando... Chegando lá tem... Ah, entendi. Mas eu acho que é isso que ela estava se referindo. Que ela não precisa mostrar o passaporte.

na chegada. Também lá, exato. É mais essa questão da expressão. E só contextualizando, ela esteve em Formosa por conta do 50º aniversário do ataque dos montoneiros a um quartel militar. porque ela também tem essa retórica de que os militares estavam apenas reagindo à guerrilha dos peronistas de esquerda. Então esteve junto ao governador...

Sim, e ele merece uma menção porque ele é o governador peronista que está há mais tempo no cargo. Ele é praticamente dono da província de Formosa. Ele governa desde os anos 90 e sempre é reeleito. Sempre, não tem... É, e curioso você ter citado dele ser peronista, porque justamente correntes mais à direita dentro do peronismo, vem a Vitória Villaruel como uma possível candidata para as próximas... eleições. Então, talvez ela também já esteja tecendo uma possível...

Candidatura rompendo de vez com o Milley, pensando em chegar sozinha à Casa Rosada. A gente está falando tanto da eleição argentina e dos problemas dos libertários. e os envolvimentos com drogas e corrupção, etc. Mas o que o Felipe falou no começo está correto. Eles ainda, de acordo com as pesquisas, estão...

algo à frente dos peronistas. Não é capaz deles saírem vitoriosos. Tá na margem de erro, mas o Libertar avança, tá um pouquinho à frente. É, é. E repercutiu também muito, Silvia, um bate-boca do Milley em uma entrevista ao jornalista Eduardo Feynman. O jornalista estava justamente cobrando a pauta econômica do governo, dizendo que mais da metade da população não consegue chegar ao final do mês. E o Milley...

deu declarações evasivas, né? Daí, em relação ao caso Spert, ele declarou, você quer o quê? Que eu chore? É. Então, mas pra quem... Só pra tentar traçar um... o Eduardo Feynman estaria em qual aspecto ideológico? Isso é que gera curiosidade, porque o Feynman é um conhecido jornalista de direita. O painel dele é sempre composto por gente de direita. Ele é absolutamente anti-peronista, anti-critinerista. Mas é um homem muito inteligente. O programa dele é um dos mais vistos do canal La Nación.

Mas... E falando agora da economia argentina, tivemos o anúncio de que o governo habilitou a venda de quatro hidrelétricas do Estado. Alicura, El Chocón, Cerros Colorados e Piedra del Águila. nessa política justamente liberal do Milley de desestatizar ativos do Estado argentino.

Da Argentina vamos agora para o Paraguai, já que um deputado do governo, o Hugo Messa... que faz parte do Honor Colorado, que é a atual corrente da Aliança Nacional Republicana, que está no poder atualmente, com o Santiago Pena, declarou que o governo deveria... debater vínculos comerciais com a China continental e de que o Paraguai está perdendo muito dinheiro por seguir com Taiwan. E declarou ainda que ele não é pró-China, mas pró-Paraguai. É, faz sentido. A China é muito maior do que Taiwan.

Também acho que faz sentido. E ainda no Paraguai tivemos a extradição de um ex-deputado tcheco que estava foragido por nove anos. Se trata do Peter Wolf, que foi condenado por fraude de mais de um milhão de... dólares na Tchequia e foi extraditado no começo dessa semana e havia permanecido oculto utilizando identidades falsas.

Do Paraguai, vamos agora para a Bolívia fazer uma prévia das eleições deste domingo. Lembrando que teremos segundo turno no país com que o Brasil tem a sua maior fronteira terrestre. Tivemos novas pesquisas nessa semana por conta da lei eleitoral boliviana. Então, assim, em relação às pesquisas, o que a gente pode é repetir o que a gente falou no programa passado, que o Tuto Quiroga continua à frente, embora no primeiro turno o Dória Medina...

estava na frente das pesquisas e não foi para o segundo. Mas, segundo as pesquisas, o Tuto Quiroga que vai levar. A Bolívia não se destaca pela precisão das pesquisas, né? Enfim. Essa reta final aí, acho que está sendo... bem marcada, eu vi os dois últimos debates, o dos vices e o dos candidatos, por um uso bastante intenso da imagem do... candidato a vice do Rodrigo Paz.

Porque o candidato a vice tem uma postura mais populista, ele é um ex-policial que foi expulso da força porque ele denunciou a corrupção dentro da polícia. Quando eu conversei com o Evo... me disse, ele copiou todos os meus programas. Não é bem assim, mas foi ele que colocou na lista...

de programas sociais do Rodrigo Paz, uma série de programas para aliviar uma política de ajustes, né? Porque os dois candidatos estão falando que vai ser necessário fazer ajustes. Só que o Tutu Quiroga só diz que vai fazer ajustes. estilo Milei, assim, sem amenizar. Já o Rodrigo Paes diz, vai ser um ajuste humano, etc. E há programas, aí quem aparece pra falar dos programas é esse ex-policial Edmond Lá.

Bem, da Bolívia vamos agora para o Chile, já que o governo Boric quer o exército na fronteira para combater a imigração irregular. forma constitucional para poder mobilizar as forças armadas na fronteira com a Bolívia, sem precisar de aprovação do Congresso, supostamente para combater a imigração irregular.

Assim, lembrando que não tem reeleição no Chile, então Boric não é candidato, porém nós teremos eleições daqui a um mês. Então, a gente não pode desvincular... essa medida do cenário eleitoral, que a questão migratória é uma das grandes pautas do filho de Pinochet, o Caste. Um dos filhos do Pinochino. Então, assim...

As forças armadas chilenas já estão na fronteira, porém elas precisam, como eu disse, de autorização do Congresso. Então, é uma maneira do... do Boris falar, olha só, nós da esquerda também estamos falando sobre imigração irregular, etc, etc. Mas, enfim, ele apresentou esse projeto e é muito curioso, porque esses dias eu estava estudando... dando uma lida, sobre o conflito de Beagle.

Antes da Guerra das Malvinas. Final dos anos 70. Exatamente. E foi mediado, inclusive, pelo Papa João Paulo II. E, cara, naquela época era impressionante a discrepância militar entre os dois países. A Argentina tinha muito... Muito mais meios do que o Chile. E hoje esse cenário é completamente inverso. Por que, Felipe?

Primeiro porque a Argentina perdeu a Guerra das Malvinas, perdeu boa parte do seu equipamento militar, e o Pinochet botou o dinheiro do cobre para investir nas Forças Armadas do Chile. Porque cabe lembrar que um dos tantos motivos que... fizeram o Salvador Allende cair, ser derrubado pelo golpe da junta militar, foi a nacionalização do cobre e quando os militares chegaram ao poder, não reverteram isso.

Só direcionar a grana é um pouco pra eles. Agora, essa guerra, se você conversa com gente na Argentina e no Chile mesmo, que viveu isso, assim, não aconteceu por um tris. Foi muito, muito perto. O livro que eu tô lendo, depois eu pego o nome, é um livro em inglês de um autor britânico, inclusive, porque ele trata o Canal de Bigo como um preâmbulo da Guerra das Malvinas. E eu tô estudando um pouco sobre a Guerra das Malvinas, no fim do ano os nossos ouvintes vão saber porquê. E, segundo ele...

Foi o mau tempo que impediu a guerra. Porque como o tempo estava muito ruim, a Argentina não deu o start na operação e deu mais tempo para a mediação. Mas foi isso que evitou a guerra. Foi o mau tempo no extremo sul. Mas enfim, foi só um comentário sobre como hoje as Forças Armadas Chilenas são uma das mais bem equipadas do nosso continente. Enfim, mas tem mais notícias sobre o Chile.

Ainda falando do governo Boric, o ministro da Energia, o Diego Pardo, acabou renunciando e... O titular da economia, o Álvaro Garcia, agora vai ser biministro, porque, enfim, o governo Boric tem poucos meses... até o final do mandato, mas isso ocorreu por conta de um erro da inflação em relação às tarifas de eletricidade e por conta disso os usuários acabaram pagando mais.

do que deviam. Então está todo um debate no Chile em relação a essa questão porque, enfim, boa parte da população está se sentindo lesada por conta desse... erro metodológico que ocorreu e, inclusive, na campanha da Janete Hara, que é a candidata da situação. ela já tinha levantado essa bandeira de abaixar as tarifas de energia e manteve a sua promessa em meio a esse escândalo que acabou respingando no governo.

Ainda em relação a Janete Rara, como eu tinha falado anteriormente, ela que é afiliada ao Partido Comunista Chileno, ela... saiu em defesa da Maria Corina Machado em relação ao Nobel da Paz, mas muitos dos seus correligionários estão atacando a oposicionista venezuelana. Altaro Carmona, que é o presidente do partido, e o Daniel Radway, que a gente já citou várias vezes, o ex-alcalde de Recoleta, que cumpre prisão domiciliária por um escândalo de corrupção na sua comunidade.

E teve a sua candidatura a deputado impugnada recentemente. Mas eles foram os mais vocais nessa crítica a... premiação da Maria Corina Machado e isso repercute muito no Chile, já que foi um dos países da América do Sul que mais recebeu imigrantes venezuelanos e é uma questão que tem se tornado...

cada vez mais central no debate eleitoral chileno, inclusive com muitos venezuelanos podendo votar também nas eleições chilenas. A gente também repercutiu recentemente que o... O próprio governo no Congresso conseguiu mudar a legislação eleitoral, passando de 5 para 10 anos o tempo de residência para que um estrangeiro possa votar, porque justamente...

muitos desses venezuelanos votam à direita, porque saíram da Venezuela chavista e não querem um governo que tenha qualquer tipo de relação com o Nicolas Maduro. Então, rolou esse debate interno dentro do Partido Comunista Chileno que pode prejudicar a Janete Rara nas eleições do mês que vem. Ainda falando das eleições, tivemos um levantamento por parte do portal 24 Horas, no qual 155 candidatos ao Congresso não residem nos... litros pelo qual eles estão

postulando. E o caso mais chamativo é de uma sobrinha do José Antônio Casti, que está tentando uma cadeira pelo Distrito 21, que compreende as províncias de Bilbil, Arauco. e Lota, no sul do país. No caso, a Bárbara Casti, que não reside nessa região, mas está tentando se eleger por essas províncias ali no sul do país. E temos duas... notícias relacionadas justamente aos crimes cometidos na ditadura Pinochet. O primeiro deles é que a Suprema Corte rechaçou o último recurso levantado pela defesa.

do Raul Ituriaga Neumann. Ele que era um militar que foi condenado por 42 causas de violações aos direitos humanos no contexto da Operação Condor e da Operação Co... Além de ter participado dos centros de tortura de Vigia Grimaldi e Lavenda Sexy. Ele que foi condenado a 515 anos de... Então, a Suprema Corte rejeitou a sua última apelação e ele vai cumprir, enfim, não vai cumprir, claro, os 515 anos, mas vai passar os últimos dias da...

sua vida atrás das grades. E o brigadeiro reformado José Zara, que foi condenado pelo assassinato do Carlos Prats, que foi um dos dos crimes mais chamativos durante a ditadura Pinochet, junto à sua esposa, a Sofia Ster. Cuthbert, ele declarou que não tenho que pedir perdão a ninguém. Ele que é um dos tantos militares presos lá no penal de Punta Peuco, que tem sido... muito criticado por...

todas as regalias que esses militares têm. Então, o José Zara, que é esse brigadeiro retirado e foi integrante da Direção de Inteligência Nacional, a Dina... cumpriu a sua... condenação de 15 anos e a gente repercutiu que dois dias depois ele acabou voltando porque ele tem muitas causas em aberto também. Ele também que... foi detido na investigação da morte da Rony Moffitt, que era secretária do ex-chanceler.

Orlando Letelier, também outro episódio marcante no contexto da Operação Condor. Vamos agora para o Peru, já que tivemos diversos protestos ao redor do país. semana, justamente após a assunção do novo presidente José Heri, que tem sido já bastante criticado desde o primeiro dia, por conta... de toda a situação do país, mas também por... crimes que ele havia cometido anteriormente. Então, a geração Z, principalmente, não se vê representada nesse milênio. Apesar dele ser milênio. Ele é milênio.

Tem a minha idade, a do Felipe. Mas então tivemos diversos protestos no Peru ao longo da semana e que infelizmente tivemos uma morte, no caso do rapper Eduardo Ruiz Sá. mais conhecido como Truco, que tomou um tiro na quarta-feira e acabou falecendo aos 32 anos. Isso na Plaça França, no centro de Lima. Ainda sobre o Peru. O novo presidente, o José Geri.

Lembrando que a primeira coisa que ele fez foi deixar de seguir atrizes pornôs nas redes sociais ao virar presidente. Ele que tem também uma investigação por violência sexual no começo deste ano. Ele disse que a minha responsabilidade é manter a estabilidade do país e eu não vou renunciar. Bom, a gente já vinha falando aqui... Há meses e meses que o Congresso estava cheio de gente corrupta, era praticamente todo mundo envolvido com algum...

alguma ilegalidade e que por isso apoiavam a Dina Boloarte para que ela não fizesse essas ações contra esses parlamentares andarem. Agora a gente vai começar a ver. nas divisões que vão acontecer e na própria biografia do nobre eleito Gery. Enfim, acusado por violência, por violência sexual. O grande medo aqui é que ocorra o que aconteceu quando o Pedro Castilho tentou o autogolpe e houve aquela onda de violência que durou semanas.

semanas e semanas e protestos e repressão, por enquanto parece que isso ainda não acendeu, mas... vai ser tenso. A gente tem eleição no Peru no ano que vem já. Então, até lá, eu acho que a situação vai ficar ainda mais instável. E o pleno do Congresso rechaçou... o debate da moção de censura, que já foi apresentado contra o José Herri por conta dos protestos da última quarta-feira, mas ele já está sendo blindado pelas principais legendas.

dentro do Congresso peruano. Também o Orro Público publicou uma matéria bastante extensa, mostrando o... o aumento do patrimônio do parlamentar, que também trabalhou na Prefeitura de Lima e que partiu de... Pouco mais de 6 mil reais, né? 4.290 soles no começo de 2014. E hoje ele tem mais de 1 milhão, 158 mil. Ele tem mais de um... 1 milhão e 150 mil soles, o que dá...

pouco mais de 1 milhão e 800 mil reais. Então, esses foram alguns dos motivos pelo qual os jovens peruanos foram às rugas, além do aumento dos crimes e... da aprovação daquelas duas leis que, na visão de boa parte da população, favoreciam a associação criminosa. Então, o Peru está num momento bastante... delicado, e infelizmente tivemos mais essa morte, além de mais de 100 feridos nos protestos e 8 detidos. E no começo da semana... o Rafael Lopes Aliaga, o alcalde de Lima.

apresentou a sua renúncia justamente visando as eleições presidenciais do ano que vem, o que foi um espetáculo meio constrangedor, porque a gente já hipercutiu, ele tem o apelido... de presuntinho, a ligação com a Opus Dei. Ele é o bolsonarinho. É, o bolsonarinho peruano. Aí teve ali uma questão também com as crianças, que não pegou bem. declarando pra ele, e ele agradecendo, enfim. Uma coisa de bastante mau gosto, assim, né?

E em relação ao assassinato do rapper Truco, a polícia confirmou que foi um sub-oficial o autor do disparo que matou esse manifestante. com o chefe da Polícia Nacional peruana, foi o suboficial Luiz Magajanes, o identificado no dia seguinte, na quinta-feira, como o autor. do disparo. Do Peru, vamos agora para o Equador, já que também tivemos protestos nessa semana, né? Já é a segunda...

A terceira semana de protestos no Equador, Felipe. Exatamente, os protestos no Equador estão continuando e nessa semana nós tivemos uma imagem bem chocante até, de um carro-bomba. em Guayaquil, que deixou uma pessoa morta. O governo equatoriano classificou o ato como um ato terrorista.

tem imagens nas redes sociais pra quem quiser ver do veículo explodindo, é uma imagem relativamente forte parece cena de filme mas é numa rua em Guayaquil o prédio ali fica parcialmente destruído inclusive ainda não está claro qual era o alvo dessa explosão qual era o objetivo dessa explosão mas a gente tem falado muito aqui há anos, de como o Guayaquil é o epicentro dos confrontos entre grupos criminosos, entre gangues no Equador.

E os protestos também continuam contra o governo Noboa, especialmente pelo corte do subsídio dos combustíveis, que causou um aumento do preço do combustível em 56%. E muita gente esquece que em países rodoviários como os nossos, se o preço do combustível aumenta, tudo aumenta. Porque vai aumentar o preço do alimento para ir do centro de distribuição para o supermercado.

esse tipo de coisa. É um efeito dominó. Então, os protestos continuam e o Noboa diz que pode aumentar o uso do exército contra os protestos. Lembrando que em 2019 teve aquela onda grande de protestos durante o governo. governo do Lenin Moreno, e era justamente pelo aumento do preço do combustível. Do Equador, vamos agora para Costa Rica, já que o atual presidente limitou...

o aborto somente para casos de ameaça à vida. Pois é, o Rodrigo Chaves, que foi eleito numa plataforma conservadora, ele que está aí cheio de possíveis problemas com a justiça, a justiça já pediu... para o parlamento retirar a imunidade dele, as autoridades eleitorais pediram para ele ter retirado a sua imunidade, e aí agora ele assinou um decreto via o Ministério da Saúde de que...

E o aborto só poderá ser realizado caso a vida da gestante esteja em risco. Pela lei Costa Riquenha não era necessário passar pela Assembleia Nacional... e ele havia prometido... essa ação no início do mês, segundo a Associated Press, numa reunião da Evangelical Alliance, da Aliança Evangelica.

Então, um ato completamente ideológico de um político que tá com a corda no pescoço. E, na América Latina, o aborto é sempre uma das cortinas de fumaça mais eficazes, né? Quando o cara tá com a corda no pescoço. América Central, vamos agora para a Guatemala, já que o presidente Bernardo Arevalo aceitou. a renúncia de oficiais da segurança após uma fuga em massa de membros da gangue Barrio 18. Pois é, tivemos 20 integrantes do grupo fugindo da prisão e por conta disso...

Três pessoas da Polícia Nacional Guatemalteca renunciaram aos seus postos e o ministro, agora ex-ministro do interior, o Francisco Jiménez. presidente disse que o que aconteceu no sistema penitenciário é inaceitável e uma séria ofensa contra cada guatemalteco de bem. Da Guatemala vamos agora para o México, já que infelizmente o país está sendo afetado por diversas inundações e tempestades. Pois é, nas últimas duas semanas nós tivemos tempestades, inundações, deslizações.

de terras em pelo menos 150 municípios, pelo menos 70 pessoas morreram, pelo menos 75 estão desaparecidas E 320 mil pessoas sem energia elétrica, 308 escolas desativadas, com atividades interrompidas, e mais de 100 mil casas ao menos parcialmente destruídas. infelizmente. Do México vamos agora para o Haiti, já que os Médicos Sem Fronteiras fecharão um centro médico em Porto Príncipe. Pois é, mais uma grande organização internacional.

interrompendo pelo menos parte de suas atividades devido à violência no Haiti. Segundo... A ONU, cerca de 90% de Porto Príncipe, agora está controlada por grupos criminosos e mais de 60% das... da infraestrutura de saúde da capital está... paralisada, incluindo o maior hospital do país como um todo. Os Médicos Sem Fronteiras já haviam fechado esse centro de emergência no início do ano, reabriram e agora vão fechar

Novamente, infelizmente, mais um sinal da crise abissal que passa o Haiti. E passemos agora para os Estados Unidos com duas notícias relacionadas à América Latina do Haiti. E vamos agora para os Estados Unidos com duas notícias relacionadas à América Latina. Uma delas é que o governo do Tennessee... decidiu censurar obras de dois autores latino-americanos, no caso, 100 Anos de Solidão e O Amor em Tempos de Cólera.

do Gabriel Garcia Marques e também A Casa dos Espíritos, da Isabel Allende, junto com obras de Stephen King, Sarah J. Maas e Ray Bradbury. além de uma adaptação gráfica do diário de Anne Frank. Por outro lado, temos uma notícia positiva, já que Nova Orleans elegeu uma imigrante mexicana como... a sua nova prefeita. Estamos falando de Helena Moreno, que ganhou a eleição com 55% dos votos. Ela que vai suceder a minha amiga pessoal.

e do Felipe à prefeita Latroia Cantel, que a gente entrevistou no U20 no ano passado. Bem, Silvia, a gente sempre encerra esse bloco com a sua recomendação cultural. Muito bem. Bom, eu vou recomendar um livro, embora em alguns lugares... esteja começando a ver um retrocesso tão grande com esse do Tennessee. Mas é um livro que tem a ver com um assunto que a gente discutiu aqui. Na verdade, não é o livro que eu vou recomendar, desculpa. É o filme baseado no livro. O livro se chama Somos Belém.

história de um caso verdadeiro na Argentina, que acabou virando um caso de bandeira para que se aprovasse a lei do aborto. na Argentina, e ela conta a história real, verídica, de uma menina que foi levada para um hospital, ela estava tendo um problema de saúde, a vida dela estava em risco, ela tinha 11 ou 12 anos. E os médicos não quiseram abortar e obrigaram a menina a dar à luz.

uma grande injustiça, gerou protestos nas ruas, o prólogo do livro é assinado pela Margaret Atwood, a escritora canadense do conto da Aya. Agora tem o filme Somos Belém. Está em cartaz, infelizmente, por enquanto, só na Argentina, mas a gente espera que apareça por aqui também. Principalmente agora que começou a mostra internacional de São Paulo e a gente vai...

ter mais opções de filmes estrangeiros para ver. Passemos agora para o cheque, no qual eu e o Felipe daremos uma volta pelo continente mãe.

Xeque: África

Cheque! Madagascar é suspenso da União Africana após golpe militar. Mais um para o clube dos excluídos, né Felipe? Pois é, antes da gente começar, meu caro Matias, alguns breves disclaimers. O primeiro deles é que esse vai ser um dos cheques mais curtos da história do programa. Então é um cheque mate. Foi um cheque mate para o presidente de Madagascar. Mas assim, são notícias importantes e que a gente precisa repercutir.

E aí leva o segundo disclaimer. Para o nosso ouvinte que quiser uma cobertura mais aprofundada sobre o continente africano, a gente sempre recomenda o trabalho dos nossos amigos, dos nossos parceiros do Ponta de Lança, que produz... dentre outras coisas, o Africa em Pauta, que é o principal podcast em língua portuguesa sobre o continente africano.

inclusive o nosso querido Augusto Shidozi já participou aqui do programa mais de uma vez estava ontem na abertura da sua exposição ele com uma bela camisa da Colômbia Ontem eu descobri que ele é mais maluco do que eu pensava em relação a colecionar camisas de futebol. Então, são esses os dois principais disclaimers. E o terceiro é o que a gente sempre faz nesses assuntos um pouco atípicos. A cobertura... Nem eu, não é o Matias, somos especialistas.

A gente estuda algumas coisas, mas nesse assunto aqui não somos. Não somos especialistas em Madagascar. E, como sempre, pedi para os nossos ouvintes tomarem cuidado com as fontes que eles consomem. Mas o que aconteceu? Semana passada, nós repercutimos os vários protestos que estavam ocorrendo há três semanas praticamente contra o governo. por conta de corrupção, por conta do gerenciamento do governo.

do Rajuelina, durante a pandemia de Covid-19, a gente que durante a pandemia falou muito do caso de Madagascar como um dos mais bizarros, né? Defesas de panaceias, negacionismo, né? E nós, no último programa, meu caro Matias, a gente quase desenhou o que aconteceu. Porque a gente falou... A gente...

destacou algumas coisas no último programa. A primeira delas é que o presidente Rajuelina tinha chegado ao poder originalmente como parte de um golpe de Estado. Segundo, que ele nomeou como primeiro-ministro um general.

E terceiro, que parte das críticas e suspeitas que ele sofria, inclusive de corrupção, era pelo fato de ele ter nacionalidade francesa. E o que acaba acontecendo? O exército tomou poder... em nome de manter a ordem no país, e ele picou a mula de Madagascar com a ajuda dos franceses. inclusive teve um tweet que é aquele meme do posso congratularte, me testa um tweetasso que alguém pegou a manchar a notícia de presidente de Madagascar foge e botou o rei Julian dos

desenhos Madagascar fugindo. Mas, então, esse processo teve algumas minúcias jurídicas que foram o seguinte. No dia 11 de outubro, o contingente... do que seria uma analogia, o que seria a polícia de choque do exército de Madagascar se amotinou E se recusou a reprimir os protestos. No dia 13 de outubro, essa mesma unidade militar... junto com uma unidade de elite do exército,

anunciaram que estavam no comando das Forças Armadas. E surgiu o rumor de que o presidente havia fugido do país. E aí, no dia 14 de outubro... A Assembleia Nacional declarou o impeachment do presidente Rajuelina. afirmando que ele abandonou o seu cargo e ele não cumpriu com as obrigações do cargo. E aí o coronel Michael Handrianirina... declarou que, tirando o parlamento, todas as instituições de Estado seriam dissolvidas e haveria então um período de transição.

E ele foi, no dia 17 de outubro, também conhecido como hoje, na manhã do Brasil de hoje, no horário de manhã do Brasil, empoçado o presidente. E tem uma questão muito interessante, que é esse coronel, que agora é o presidente de Madagascar, ele foi preso em 2023... por supostamente participar de um complô contra o presidente Rajuelina. Um complô de um golpe militar. E foi estabelecido agora...

O Conselho da Presidência para a Refundação da República de Madagascar. Olha o termo utilizado. Refundação da República de Madagascar. E aí a gente tem que dar uma olhada breve, nem que seja breve, no histórico de Madagascar. Madagascar se tornou independente em 1960. do domínio colonial francês. E desde então, Madagascar teve basicamente três presidentes autoritários. pontuados por uma série de governos frágeis.

Governos transitórios, governos que caíam rápido, etc. Então, nós tivemos, repito, lideranças que ficaram 12, 15 anos no poder, pontuados por pessoas. pessoas que ficaram ali um ano. meio ano no poder. Tivemos ali alguns períodos de tentativa de estabilidade democrática, especialmente no final dos anos 1990 e nas primeiras décadas do século XXI, mas isso... acabou indo por água abaixo. Então, quando se fala da refundação de Madagascar, é um país que não aparenta ter muita estabilidade política.

nessa história independente. Outra coisa importante de citar sobre Madagascar, e vou repetir, nem eu e o Matias somos especialistas nisso, a gente está reproduzindo, nesse caso estou reproduzindo, por exemplo, uma matéria especial da Al Jazeera. Madagascar é muito conhecido pela sua diversidade biológica. É um dos países mega diversos. Então nós temos muitas espécies de fauna e de flora que só tem Madagascar porque é uma ilha.

Darwinismo. Isso, a teoria do Charles Darwin. Mas nós também temos uma diversidade étnica muito grande. E a música da banda Reflexos. Madagascar ou Lodum. Então, nós temos também disputas, conflitos étnicos internos. Durante muito tempo, era o povo Merina, que é a maior etnia de Madagascar, a mais populosa, era o povo Merina, que dominava o reino de Madagascar até a invasão francesa.

Um dos versos dessa canção que eu citei, que fez muito sucesso ali no final dos anos 80, é Bantos indonésios árabes integram a cultura malgache, raça varonil, alastrando-se pelo Brasil. Eu não tinha essa referência. Então, essa ideia de um conselho para refundar o país... É claro, é parte de um processo de um país jovem, jovem e sua história dependente, que tem uma riqueza muito grande, natural, tem uma história muito rica, mas é um desafio de um país jovem que nunca conseguiu se estabilizar.

precisar direito. Nunca teve um período de muita estabilidade. Isso também sendo consequência de um século quase de dominação estrangeira. Você tinha um reino local, essa autoridade local é dissolvida, é abolida, é dominada, subjugada.

por uma potência imperial, e durante muito tempo esse povo fica sem ter o direito à própria tutela. E aí, quando ele ganha independência, é óbvio que em vários momentos você vai ter também interferência francesa, de acordo com seus interesses econômicos e políticos. Um fenômeno mais conhecido como imperialismo. Então... Nós temos diversos fatores, tanto locais quanto essa dinâmica histórica, mas por que eu fiz, inclusive, essa breve cronologia dos eventos, do parlamento e tudo mais?

É pelo fato de que o governo de Madagascar afirma que não ocorreu um golpe militar. Que, na verdade, você teve um protesto popular e que os militares estão cuidando da segurança nacional. e que o presidente abandonou o cargo e o parlamento, devidamente constituído, declarou a presidência vacante, impeachment o presidente.

Então, o novo governo militar de Madagascar, nesse sentido, ele difere do governo do Niger, que foi o governo que bateu no peito e falou, não, a gente foi lá e derrubou o cara mesmo, porque a situação estava horrível, a gente tinha que fazer alguma coisa.

Aqui não, muito provavelmente essa vai ser a decisão, a defesa. E... O Emmanuel Macron, quando estava no Egito, lá na cúpula de muitas aspas, paz, que a gente falou na coluna aberta, ele comentou o assunto, dizendo que fica muito preocupado com aquele... crise política em Madagascar, que é necessário respeitar a ordem constitucional, a continuidade institucional e que apoie as ações da União Africana.

Os boatos da imprensa internacional repercutem que, nesse caso, estou citando a agência France Press, que o Rajuelina teria sido evacuado pelos franceses em um avião militar francês. para a Ilha Reunião. E aí isso me leva a outro ponto. Que é um departamento utamarino francês. Isso. Ali também no Oceano Índico. Isso. É logo ali. É logo ali. É a terra do Dimitri Payet.

Olha só, os vascaínos não tiveram boas lembranças e Prince de WhatsApp também não tiveram boas lembranças. Pois é. Os voos entre Paris e... Madagascar ficaram brevemente suspensos, inclusive. Mas o que eu queria mencionar sobre essa reação do Macron e esse apoio do Macron ao presidente deposto... Porque muita gente nas redes sociais falou, ah, olha só, protesto da geração Z.

com a bandeira do chapéu de palha do One Piece. Então, é uma grande operação de inteligência da CIA, do Ocidente, do que for. Aquelas pessoas que só sabem reproduzir algumas coisas, tipo guerra híbrida, enfim. Mas, nesse caso, o país mais prejudicado nos seus interesses é um país do chamado Ocidente. Se tem países por trás dessas ações, se nós olharmos para os últimos anos na África...

Quando nós tivemos militares tomando o poder de países que eram colônias francesas e rompendo com a França, esses militares sempre se aproximaram da Rússia. Se tem algum país estrangeiro por trás do que está ocorrendo em Madagascar, o primeiro palpite é a Rússia, na verdade. Não é o Ocidente. Porque, novamente, você já tinha um governo pró-França. Parte dos protestos do Rajuelina e parte do processo que aconteceu com ele no parlamento local alguns anos atrás era sobre o fato dele ter...

nacionalidade francesa. E a lei não permitia que o presidente de Madagascar tivesse dupla nacionalidade. Então, no fim das contas, nós tivemos protestos populares liderados pela juventude por razões legítimas como Os blackouts que nós mencionamos semana passada, problema de abastecimento de água, corrupção, impacto da pandemia no país ainda, contra um presidente.

que chegou ao poder, viu um golpe de Estado 15 anos atrás, ele não ficou 15 anos direto no poder, mas foi como ele se destacou politicamente, e denunciado por corrupção. e que tinha a nacionalidade do ex-colonizador. Aí, esses protestos, repito, legítimos da população, do sentimento desses jovens, dessa geração Z, com lá as bandeiras do One Piece, se transformou numa quartelada clássica, em que você tem um motim do exército e militares politicamente influentes.

incluindo um líder que já havia sido denunciado por tentativa de golpe, tomando poder. E aqui, o que eu vou fazer agora é um paralelo, sem muito embasamento. Quero deixar isso muito claro, quero confessar isso. Mas o fato de um coronel ter assumido o poder me lembra a situação do Mali. Porque no Mali, nos últimos anos, o que nós tivemos? Nós tivemos um golpe militar contra o governo civil, por conta, inclusive, da guerra contra os jihadistas dentro do Mali, e depois os...

coronéis e tenentes derrubaram os generais em um golpe dentro do golpe e assumiram o poder. Falando, ó, os generais são corruptos, são próximos do antigo governo, são incompetentes. nova geração de militares que tem que chegar ao poder. A gente na época fez até paralelismos com o tenentismo histórico do Brasil, né? Então o fato de não ter sido um general de idade avançada, mas um coronel de 50 anos...

anos de idade apenas, ter tomado o poder, me faz olhar para esse exemplo. Repito, não tenho embasamento nenhum sobre o cenário local de Madagascar, mas eu olho para esse cenário que aconteceu... anos atrás, recentemente, no Mali, e eu faço esse paralelo. Pode... Tem algum fundo de razão? Posso estar falando de uma groselha gigante. A gente vai descobrir talvez em breve. Mas então temos um novo presidente em Madagascar que funda esse comitê para refundação do país.

e Madagascar foi suspenso da União Africana. com a União Africana afirmando que houve uma ruptura institucional no país. A nota da organização diz que o Estado de Direito deve prevalecer sobre o Estado de Força. se baseia na lei e no diálogo. E aí entra uma questão importante sobre Madagascar, que é o seguinte, quando nós olhamos para países como o Mali, como Burkina Faso, etc., nós temos um país pobre,

mas com muitas riquezas minerais. No caso de Madagascar, nós temos um país pobre, e que depende de pesca, agricultura e um pouco de turismo. Então, Madagascar não é como Malho, Burkina Faso ou Níger, que vai ter minas de urânio, minas de ouro, minas de terras raras, metais importantes. O Madagascar tem indústria têxtil, que é explorada por grandes marcas pelo mundo, mas principalmente depende de agricultura, que aí o destaque é a baunilha, agricultura...

pesca e turismo. Você tem reservas minerais importantes em Madagascar, que são exploradas pela Rio Tinto, aquela gigante britânica australiana que... Destrói o mundo inteiro, praticamente. Mas elas não são tão exploradas assim. E são reservas, entre aspas, normais. Nós temos reservas de petróleo na costa do país, na zona econômica exclusiva, mas pelo pouco que eu vi, são de difícil exploração. Inclusive tem uma empresa chamada Madagascar,

Madagascar Oil, que é baseada em Singapura e de capital canadense e australiano. Não tem nada a ver com Madagascar, com o governo Madagascar. Então, assim... Talvez sejam os interesses dessa empresa, não sei, por trás do que está acontecendo, enfim, ainda está cedo para saber. Mas o ponto é, Madagascar é um país pobre. Madagascar não é um país que tem grandes riquezas e, sendo uma ilha, é um país que...

depende de relações com os outros países. Ou seja, a suspensão de Madagascar da União Africana tem um peso diferente da suspensão de um país como o Níger. Porque é o seguinte, você pode suspender o Níger, você pode dizer que o governo do Níger é o pior governo do mundo, mas as pessoas vão querer comprar urânio do Níger. A França vai precisar de urânio.

A Rússia vai precisar, a Rússia não precisa, mas enfim, o combustível, para produzir combustível pode ser interessante. Não é o caso de Madagascar, Madagascar não tem um super trunfo econômico debaixo da manga. ou seja, suspensão de Madagascar da União Africana, caso você não consiga estabelecer um diálogo, retomar relações exteriores boas, é...

algo que pode ser muito mais prejudicial do que os outros países. E, meu caro Matias, para fechar, eu não sei se eu falei antes, mas os militares afirmaram que vão ficar dois anos no poder antes de transição. Dois anos no poder. E como saldo dessas últimas três semanas, nós tivemos pelo menos 22 manifestantes mortos em Madagascar. De Madagascar, meu caro Matias, nós vamos para o Quênia, tá? Aí a gente vai começar um giro.

Da África Oriental até Ocidental. Pois é. Tivemos mais protestos no Quênia essa semana. Lembrando que o Quênia passou por muita instabilidade recentemente. E o governo... para mudar um pouco o foco dos protestos, decidiu realizar um funeral de Estado para o Raila Odinga. E por que eu estou afirmando que é uma cortina de fumaça? Porque o Raila Odinga é uma das principais lideranças políticas quenianas

Inclusive o Itamaraty soltou uma nota de condolências pela morte dele. Ele foi cinco vezes candidato a presidente do Quênia. Nunca venceu e sempre afirmou que as eleições eram fraudulentas. Ele chegou a ser primeiro-ministro de 2008 a 2013, mas ele nunca foi presidente do país. Então, ele ocupou ministérios, ele foi parlamentar, etc. Ele foi uma liderança muito importante, isso não há dúvida.

o governo se aproveitou do fato de que ele faleceu aos 80 anos. Na Índia, inclusive, ele que estava na Índia fazendo tratamento de saúde, ele que era da oposição. atualmente no Quênia, e realizou uma cerimônia de funeral de Estado, como eu disse, para uma cortina de fumaça dos protestos, da insatisfação popular. E, no funeral de Estado, nós tivemos uma correria em que duas pessoas morreram pisoteadas, infelizmente. Do Quênia, nós vamos para a fronteira da República Democrática do Congo com Juan.

Na verdade, na verdade, na verdade nós vamos até Doha. porque em Doha nós tivemos mais uma rodada de conversas entre o governo congolês e o grupo M23, o grupo entre aspas rebelde, que é um fantoche de Ruanda, e nessas conversas eles assinaram um acordo para o monitoramento de um cessar-fogo permanente. Essas conversas foram mediadas pelo Catar e será formado um órgão para monitorar o cessar-fogo, que será formado por representantes do Congo.

do M23 e da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos, que é formada por 12 países. E, além desses 12 países, também teremos observadores que vão prover coordenação logística Pela Monusco, ou seja, a Monusco em si não é ela que vai supervisionar esse cessar-fogo. Ela estará ali de forma indireta. digamos assim. Do Congo, meu caro Matias, nós vamos para Camarões, já que no último dia 12 de outubro nós tivemos as eleições presidenciais camaronesas. E ainda...

Ainda não temos a declaração dos resultados oficiais. O Paul Biá, que é o presidente de Camarões, desde 1982, quando ele se tornou presidente de Camarões, o Brasil era apenas tricampeão mundial de futebol. ele é apenas o segundo presidente da história do país, ele é uma revelação da política, ele tem apenas 92 anos de idade, e ele muito provavelmente vai se declarar o vencedor. Porém, o Issa Tiroma... afirmou que ele é o vencedor, segundo as pesquisas de boca diurna,

e que os resultados finais que não reconhecem a vitória dele são fraudes. E ele disse, nossa vitória é clara, ela deve ser respeitada e o povo escolheu. O governo de Camarões disse que publicações unilaterais de resultados seriam consideradas alta traição. o Issa Tiroma ele já foi ministro ele era ministro até agora há pouco inclusive ele também não é nenhuma revelação da oposição camaronesa ele tem 79 anos de idade e já foi parte do governo do Paul Biá várias vezes desde a década de 1990.

Só que, como parte dessas denúncias de irregularidades, meu caro Matias, os nossos amigos do Ponta de Lança compartilharam, inclusive, uma das denúncias em que mostra a lista de eleitores... E um dos eleitores que teria votado no presidente é o Mohamed Salah. Que é egípcio. Que é egípcio e que mora em Liverpool. E que é um dos melhores jogadores de futebol do mundo, pra quem não sabe. Ah, mas é um homônimo, Felipe. Pois é. Não, mas é a foto dele. Tem a foto também no registro.

eleitoral. Botaram uma foto do Mohamed Salah no registro eleitoral, falando que ele votou a favor do presida. Mas é claro, o cara que se mantém no poder desde 1982 é na base do voto popular. amor da justiça. Do voto internacional. Exatamente. Até o... craque egípcio quer votar nele. Exatamente. Ele é tão bom que até o Mohamed Salah quer votar nele. Agora, falando sério, infelizmente, tudo indica que a situação em Camarões vai ficar tensa.

No próximo dia 25, falando em eleições africanas, teremos eleições presidenciais na costa do Marfim. E lembrando, o atual presidente da Costa do Marfim, o Alassane Utarra, ele está no poder desde 2010. Ele, supostamente, não poderia ser candidato. Porém, mudaram a Constituição para que ele pudesse ser candidato mais uma vez. Então, vamos ver como é que vai ser. Certamente vai ser tenso. Aí, meu caro Matias, vamos para o Senegal.

com uma notícia muito importante, muito interessante dessa semana para nós, inclusive, como historiadores. Para o nosso ouvinte, que não saiba, e ele não tem nenhuma obrigação de saber... A França e o Reino Unido, especialmente, quando eles travaram as duas guerras mundiais, o exército... dessas duas potências, não era formado apenas por cidadãos das metrópoles, era formado por cidadãos das colônias também. Inclusive, isso está diretamente ligado ao processo de descolonização.

Por quê? Porque você vai ter nas populações das colônias uma emancipação militar, você vai ter o soldado, o soldado indiano, por exemplo, que luta pelo Império Britânico, ele vai falar, pô, peraí, Eu sangrei igual. Tomei tiro, odeio tiro, e agora eu vou ser tratado como inferior ao britânico? Eu não vou aceitar isso. Eu quero, então, meu país independente. E que, nesse caso, criou até um termo pejorativo, que é o cipaio, né?

Isso, que eram as tropas coloniais indianas. Mais especificamente, acho que do Punjab, alguma coisa assim. Nós tivemos o motim dos cipaios, o famoso motim dos cipaios. E também tinha a emancipação administrativa. Por quê? Porque os funcionários franceses, por exemplo, do Senegal, eles foram para a França lutar. Então, a administração local foi assumida.

Por pessoas nativas. Que acaba a guerra e vai falar, pô, peraí, a gente vai continuar aqui então. É claro que eu estou resumindo bem alguns dos fatores da descolonização. Mas o ponto é, durante as guerras mundiais, milhões... de pessoas dos impérios coloniais lutaram em nome das metrópoles. por várias e várias razões, desde dinheiro até opressão, exigências, serviço militar voluntário, às vezes, inclusive com uma maneira de ascensão social.

2 milhões de indianos lutaram na Segunda Guerra Mundial, gente. Esse número não pode ser desprezível. A maior parte das tropas britânicas que lutaram na península da Itália, por exemplo, junto das tropas brasileiras, eram indianos. A primeira mesquita de Paris foi inaugurada em homenagem...

Aos muçulmanos, argelinos, marroquinos e senegaleses que defenderam Paris na Primeira Guerra Mundial. Enfim, por que a gente está fazendo esse preâmbulo? Porque o novo governo senegalês, que é um governo... que rompeu com a França, publicou um relatório de 301 páginas afirmando que... O massacre do Campo de Arroie deixou entre 300 e 400 mortos.

E o que foi esse massacre do Campo de Arroyer, meu caro Matias? Foi quando tropas senegalesas... em 1944, ou seja, já no processo final da guerra, no processo de libertação da guerra, se revoltaram contra o não pagamento de salários e as condições de serviço piores para eles do que em relação às tropas francesas brancas. E aí esses soldados se revoltaram. oficialmente, segundo as autoridades coloniais francesas, foi um motim e que 35 senegaleses foram mortos nesse motim.

O que esse relatório de 301 páginas agora afirma? Que primeiro, o massacre teria sido premeditado pelas autoridades francesas para minar os efeitos emancipatórios da Segunda Guerra Mundial. Segundo, que... não foi um motim generalizado e que, na verdade, as demandas desses soldados eram justas, seriam justas.

Terceiro, que o número de mortes é entre 300 e 400 pessoas, não 35. E quarto, que depois do massacre, houve... um esforço intencional das autoridades francesas para encobrir o que aconteceu e diminuir o que aconteceu, tá? Esses soldados, por que eles estavam nesse campo? Porque eram soldados a serviço francês, especialmente, que haviam sido capturados pela Alemanha durante a guerra, e foram enviados para esse campo, posteriormente.

E, então, as tropas francesas, quando assumiram a custódia desse campo de prisioneiros, realizaram, segundo esse relatório, intencionalmente esse massacre. Então, o relatório recomenda que ele seja enviado para a Corte Europeia de Direitos Humanos para avaliar os direitos dessas pessoas e dos seus familiares. pede que a França oficialmente apresente um pedido de desculpas para as famílias e comunidades de onde esses soldados vieram.

e a apresentação de indenizações. Então, assim, é uma discussão que não é apenas histórica. Porque, novamente, esse documento está sendo apresentado no contexto de novas relações entre Senegal e antiga potência colonizadora França. é muito importante muito interessante ficar de olho e pra gente concluir esse giro meu caro Matias, você que está muito quieto mas no Senegal fica o Cabo Verde, que é a origem do nome do arquipélago de Cabo Verde.

que hoje é um país independente lusófono e que vai pela primeira vez jogar a Copa do Mundo. E é o menor país até então a conseguir uma classificação pra Copa do Mundo. E o com a segunda menor população à frente somente da Islândia, né? Então fica aqui um abraço, né, pra todo mundo. . . . . dos tubarões azuis. E Felipe, só uma última notícia para fechar esse giro pelo continente mãe.

Uma matéria da BBC, que foi publicada ontem, mostra que um grupo de leoas foi observada na costa dos esqueletos, na Namíbia. Elas que são naturais dos... desertos do país do sudoeste africano, mas justamente pelas questões climáticas, elas passaram a caçar na costa. Então, a fotógrafa belga Grit van Meldt...

registrou elas caçando lobos marinhos e focas ali no Atlântico Sul. Mas Matias, você que acompanha o jogo Cabo Verde e Suatini, eu tenho uma pergunta pra você. Por que Cabo Verde não tem verde? de ir na bandeira. Boa pergunta, Felipe. É propaganda enganosa. É, eu quero que você responda, eu quero que você descubra a pergunta pro roteiro do Fronteiras Invisíveis. Não, é...

Puxa aí o resto do programa. Mas eu devolvo para você, Felipe, porque agora teremos a coluna da professora Vivian Almeida, que vai tratar do Nobel de Economia, e você tem o nome aí dos premiados. É, o Nobel de Economia é aquela coisa, né? Um Nobel que não é, né? Um Nobel criado posteriormente, mas os laureados desse ano foram o economista e sociólogo canadense... Peter Hovitt, o economista francês Philippe Aguillon e o historiador dos Estados Unidos.

Nascido nos Países Baixos, Joel Mokir. Ele que é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. E, como eu disse, ele é historiador. e também foi laureado com o Nobel de Economia, que a professora Vivian vai explicar melhor para a gente. Bem, passemos agora para a coluna da professora Vivian Almeida. Gambito da Dama

Gambito da Dama: Nobel de Economia

Olá pessoal, espero que estejam todos bem. Hoje é o dia de fazer a coluna que eu adoro fazer, que é a coluna sobre o prêmio Nobel. E eu acho que ela traz muitos ensinamentos e muitas indicações de... Enfim, como que a gente tem observado o mundo, como que a gente tem sentido as transformações e como a gente tem percebido o que é inovação, como que isso chega a gente. como que isso se redistribui ou não se redistribui.

Bom, esse ano foram laureados três economistas, o primeiro sobre uma trajetória de crescimento, os dois outros sobre a percepção de destruição criativa, que é um conceito trazido por Joseph Schumpeter. lá no início do século XX, em que explicava que o processo de inovação se dava, como o termo sugere, com uma destruição criadora. Então, para uma inovação emergir, o que vigorou...

antes era destruído e novas ideias podiam florescer. Parte da inovação, para usar o termo de objeto de pesquisa, dos laureados... com o Nobel esse ano, gira em torno tanto de uma conceituação, mas especialmente o que torna essa coluna ainda mais interessante, porque afinal de contas estou aqui no meio.

de historiadores, é que eles trazem uma perspectiva histórica para explicar o processo. Então a gente... hoje entende muito inovação num sentido ultratecnológico e, enfim, fica com muito receio sobre os potenciais riscos da inteligência artificial, de roubar... os nossos empregos e como que a gente vai conseguir se proteger sobre isso.

Mas uma leitura sobre inovação nessa perspectiva elucida que esse processo ocorre por uma série de acontecimentos e ele também tem um marco histórico de quando a gente junta... o que os autores explicam como o conhecimento proposicional e o conhecimento prescritivo, em que esse primeiro, o proposicional, explica por que algo funciona, uma ciência, uma matemática. E o prescritivo indica...

como fazer algo. E isso me remete muito ao nosso processo de desenvolvimento individual mesmo, de estudo. Muitas vezes a gente ouve uma aula, lê um texto, entende uma teoria e fala, ah, isso faz sentido, mas na hora do fazer... a gente esbarra.

E o que os autores falam é que, de fato, se a gente olha para antes da Revolução Industrial, a gente alternava muito as sociedades e, portanto, elas mesmas tinham trajetórias erráticas de crescimento, que deixavam uma... média estagnada e a partir da revolução industrial um dos grandes ganhos é justamente essa ideia de que a gente sabe explicar porque fazer explicar um conceito mas também indica

como fazer algo e, portanto, a associação entre esses dois conhecimentos permite que a gente evolua, utilizar o conhecimento de uma forma instrumental para criar novas inovações, novas...

novos produtos e, portanto, a gente observa esse crescimento em média mais sustentável ao longo do tempo, a partir da Revolução Industrial. O que os autores também colocam é que... o crescimento não é algo dado, não é algo que a gente possa entender como uma trajetória crescente e que forças quase que da natureza vão torná-los mais, vão acabar induzindo esse processo.

naturalmente. O que ele diz é que na verdade a gente tem que perseguir o crescimento com aquele velho papo das instituições, novo velho papo das instituições em que tanto uma concorrência total, como uma ausência absoluta de concorrência, não leva a essa sustentabilidade do progresso em que essas duas correntes de pesquisa do prêmio desse ano se juntam.

E a ideia de que, olha, se você tem um mercado muito concentrado, é claro que quem está no... Quem é o responsável pela inovação e quem conduz e quem é o responsável por essa concentração de mercado... não vai querer que a história mude, vai querer manter o seu status quo, manter o poder e, portanto... vai travar novas inovações. E, portanto, é fundamental que a gente persiga o desenvolvimento, persiga o crescimento de uma forma que a gente induza o desenvolvimento, induza a inovação.

e permita que esse conhecimento, que ainda que destrua a ordem vigente, ele possa se transbordar e ser acessível a mais pessoas. E aí até traz... Trazem no termo, até trazem na explicação um termo muito interessante que é o...

Ai, meu Deus do céu, flexibility, que é uma mistura de flexibilidade com estabilidade. Reconhecendo que a gente, obviamente... sabe que tem perdedores num processo de inovação, no sentido de que há sim uma obsolescência e pessoas podem ficar para trás, pessoas nós, primeira pessoa, podemos ficar para trás.

atrás num avanço tecnológico, uma indicação de uma boa política pública que fomente e induza o desenvolvimento através da inovação, mas que também mantenha... as pessoas com dignidade, trabalhando, seria a associação entre uma flexibilidade para o mercado, ao mesmo tempo uma estabilidade, uma rede de proteção social para os trabalhadores, contariam com programas de capacitação.

Retomando a ideia que eu falei inicialmente, de que o progresso e o crescimento não são dados, eles devem ser perseguidos e eles devem emergir num contexto e num ambiente.

em que nem todo mundo, assim, é guerra, é selva, é todo mundo competindo, até porque isso pode levar a um extremo de que... todos somos rivais uns dos outros, mas também nem tudo concentrado, porque, afinal de contas, essa concentração, ela concentra, hora a hora, poder, e, portanto, as pessoas no poder vão limitar esse crescimento.

limitar o acesso ao progresso e isso é uma coisa que achei super interessante é uma reviravolta porque na verdade é nem uma reviravolta porque já tem alguns anos que eu venho falando sobre como a própria leitura sobre economia, sobre economia clássica, economia neoclássica, ela vem mudando e a gente vem observando que na fronteira do conhecimento formas alternativas para explicar o mundo que a gente vive.

que a gente tenta transformar em mais conhecimento e mais distribuição vem se desenhando. Mas é interessante pensar que, na verdade, o prêmio desse ano bebe na fonte de uma literatura.

Não antiga, né? Obviamente, a gente está falando aí de 100 anos, mas que sem dúvida nenhuma não é tão contemporânea. Mas que ainda assim explica, tanto ajuda a gente a ler o momento atual, que de fato é um momento muito de... em que a gente vai observando uma tecnologia atrás da outra, então assim, rapidamente a gente, para quem aí tem mais de 30 anos, chegou a usar telefone fixo, coisa que não existe mais, pagar por...

por pacote de mensagem de texto que não é mais necessário, era caríssimo você fazer o famoso interurbano, então essa tecnologia foi deixada para trás, emergindo uma conexão, uma comunicação just in time. para qualquer lugar do mundo, e a gente vem observando essas inovações, ao mesmo tempo que sim, a gente vem observando um aumento da desigualdade.

muito explicado por uma concentração econômica muito grande. Então, esse olhar, esse panorama sobre o desenvolvimento e o crescimento econômico, numa perspectiva de inovação, a ideia de que a inovação é indutora do crescimento e do desenvolvimento, mas que a gente precisa fazer políticas ativas para isso, é algo que traz uma espécie de conforto teórico para... evidenciar que o mundo tem sido por alguns

disseminadores de conhecimento bem lido, por assim dizer. Então, como eu disse, eu adoro fazer essa coluna, eu acho interessantíssimo quando a gente fala sobre o Prêmio Nobel, acho incrível que a gente... está falando de novo de uma perspectiva histórica. Então, enfim, queria deixar aqui essa minha coluna anual que eu sempre curto muito fazer. É isso, pessoal. Um beijo e até semana que vem. Passemos agora para o segundo bloco do Giro de Notícias. Giro de Notícias

Giro de Notícias #02

Notícia de ontem, quinta-feira, dia 16 de outubro. Promotores em Bangladesh pedem pena de morte para a primeira-ministra deposta. O sistema jurídico de Bangladesh do Tribunal Especial. que busca investigar os supostos crimes do governo anterior, da primeira-ministra Sheikh Hassina, afirmou que vai pedir a...

pena de morte por crimes contra a humanidade cometidos por ela e pelo seu governo. É importante mencionar que assim, em inglês, esse tribunal que foi criado pelas novas autoridades de Bangladesh se chama International Crimes Tribunal, mas é um tribunal doméstico de Bangladesh que não tem nenhuma cooperação internacional relevante, não é ligado, sei lá, ao TPI, por exemplo, alguma coisa assim.

Então, é interessante mencionar isso. E lembrando que a Sheik Racina, muito provavelmente, está na Índia. no exílio, a Índia que era o principal aliado dela, e ela não será entregue, pelo menos não no curto prazo. Mas tivemos essa denúncia então. E falando em denúncia em tribunal, o Karim Khan... o promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional.

ele se declarou suspeito do caso contra o ex-presidente das Filipinas, o Rodrigo Duterte, que é acusado de crimes contra a humanidade pela sua guerra às drogas. Por quê? Porque antes de ser integrante do Tribunal Penal Internacional, o Karim Khan representou vítimas do governo filipino. Então, ele se declarou suspeito pela razoável suspeita de viés.

Essa foi a justificativa dada. Então, isso significa o quê? Que as funções dele vão ser assumidas por outra pessoa. É que nem no STF, em qualquer tribunal brasileiro, quando alguém se declara suspeito. A pessoa não pode julgar, sei lá, o seu próprio pai. Então o juiz tem que falar, esse caso tem que ir para outro tribunal, outra vara, enfim. Então ele se declarou suspeito do caso contra o Duderte. Abaixe o volume, porque lá vem o Triple Fucking Breaking News.

Começando pela Mongólia, já que o primeiro-ministro foi deposto após quatro meses. Exatamente. O ex-primeiro-ministro da Mongólia, o... Gombo Javim Sandan Shatar, ele se tornou o primeiro ministro mais breve da história da República da Mongólia. Quando a gente fala da história da República da Mongólia, é desde 1991. Mas ainda assim é um recorde, já que ele ficou aí apenas...

três meses e meio no cargo. Então, sim, estamos num período de recordes de brevidade, com Lecornu, com Alistrans, com Alface, agora com o Gombô Javim. Lembrando que ele se tornou... primeiro-ministro em junho, no contexto daqueles vários protestos na Mongólia, contra corrupção, contra abastecimento energético no país, e agora... o agora ex-primeiro-ministro, ele foi votado no parlamento da Mongólia, que é o grande Kural, é o nome, literalmente, Kural.

Obviamente o significado não é a mesma coisa, porque é a grande Assembleia do Estado, traduzindo. Sim, não é um doce de milho. Pois é. Mas então votaram pela deposição dele dos 111. parlamentares que votaram, 71 votaram para chutar ele do cargo.

E, meu caro Matias, aproveitando duas outras notícias do continente asiático, da Ásia Continental. A primeira delas é que a República da Coreia do Sul... proibiu que seus cidadãos viajem ao interior do Camboja, afirmando que mais de 80 dos seus cidadãos já foram raptados por quadrilhas para trabalhar. em telecêntrios clandestinos para operações de golpes e operação de jogos ilegais. Então, por razão de segurança, eles proibiram seus cidadãos de visitarem regiões do interior do Camboja.

E a outra notícia ligada à Ásia Continental... é que o Kantia Sherpa faleceu essa semana aos 92 anos de idade em sua casa em Katmandu, no Nepal. E quem era ele? ele era o último sobrevivente da primeira expedição de Edmund Hillary que chegou ao topo do Monte Everest. Lembrando que Monte Everest é o nome que nós costumamos usar, é o nome colonizador, o nome ocidental, porém no Nepal ele é chamado de Sagarmata e...

No Tibete é a Shomolungma e ambos os nomes têm significados parecidos, que é a montanha-mãe, mãe das montanhas, coisas assim. Zelensky chega à Casa Branca para novo encontro com Donald Trump. Foi usando um terno, terceiro encontro entre os dois, o segundo usando terno, manteve a estética do terno preto. Então eu vou usar terno, mas estou em guerra, estou em luto e tudo mais. Conversaram sobre o fornecimento de armas para a Ucrânia, porém...

Pela expressão do Zelensky na entrevista coletiva dele, depois do encontro com o Donald Trump, ele não vai receber os armamentos que ele esperava, especialmente os mísseis de cruzeiro Tomahawk. que geraram uma reação da Rússia, ao ponto que o Putin e o Trump se falaram ao telefone esses dias... E, depois dessa conversa do telefone, foi anunciado que eles vão se encontrar em Budapeste, recebidos pelo Vitor Orbán. E o Zelensky...

com o perdão do grassejo, ele está tentando entrar de penetra nesse encontro. Ele está tentando, enfim, ir para Budapeste também.

Outras notícias sobre a guerra na Ucrânia, meu caro Matias, é que o Financial Times publicou uma matéria essa semana afirmando que, mesmo com a postura do Donald Trump, mesmo com a dificuldade de... enviar armamentos, teve que fazer lá aquela triangulação com os países europeus da OTAN pagando, etc. Os Estados Unidos que estão fornecendo inteligência para... as forças ucranianas atingirem a infraestrutura energética russa repito matéria do Financial Times

Também sobre a guerra na Ucrânia, o presidente Zelensky afirmou que descobriram que o prefeito de Odessa, o Renadi... Trukanov teria cidadania russa. E por conta disso, tiraram a cidadania ucraniana dele, lembrando que Odessa é o principal porto ucraniano hoje. com a ocupação da Crimeia, do porto de Mariupol, etc. E agora ele vai nomear uma administração militar em Odessa. E ele disse que...

Muitas questões de segurança em Odessa ficaram sem a resposta adequada por muito tempo. E agora estamos descobrindo o porquê. Basicamente dizendo que o cara era um agente russo. Sobre a explosão do Nord Stream, meu caro Matias, duas notícias. A primeira delas é que a Itália bloqueou a extradição.

de um cidadão ucraniano suspeito para a Alemanha, porque a Alemanha é o país em que ocorreu o atentado. Então a Alemanha é o país que quer julgar essas pessoas. Então a Itália não autorizou a extradição. E a Polônia foi mais ainda, além de não autorizar a extradição de um cidadão ucraniano, o libertou.

com o Donald Tusk, o primeiro-ministro polonês, indo nas redes sociais, dizendo que ele foi liberto pelo judiciário, que é assim mesmo, porque ele está fazendo parte de uma guerra de resistência. Ou seja, ele basicamente confirmou que o ucraniano teria... envolvimento no Nord Stream, que o Nord Stream foi então sabotado intencionalmente pelos próprios ucranianos e que a Polônia ia lavar as mãos sobre isso. Uma ótima relação entre vizinhos.

E para a gente fechar esses temas, meu caro Matias, duas outras notícias que não têm ligações diretas com a Ucrânia. Uma delas é que essa semana se especulou. que um submarino russo na costa francesa teria enviado até mesmo uma mensagem de emergência para as autoridades francesas na costa da Bretanha. Inclusive, chegou a ter um rebocador no alto mar. Esse submarino que emitiu esse alerta...

É um submarino da frota do Mar Negro, ou seja, que não pode, entre aspas, voltar para casa, porque os estreitos estão fechados, pela convenção de Montreux. E a segunda delas, meu caro Matias, é que o Reino Unido anunciou que vai... encerrar o seu embargo armamentista à Armênia e o Azerbaijão, afirmando que as conversas entre os dois países e a elevação das relações entre eles e o Reino Unido faz com que Obrigado.

ou Azerbaijão. O embargo estava em vigor desde 1992 durante a Primeira Guerra de Nagorno-Karabakh. Trump concede perdão ao ex-deputado George Santos. Também conhecido como Kitara Havash. Um lugar artístico. Nome artístico. A gente sempre recomenda aqui o texto Eu Conheço Essa Bicha. É o nome do texto. Uma matéria da Piauí de 2023, assinada por Thales Braga.

Uma ótima leitura sobre o George Santos, um perfil sobre ele. E o George Santos havia sido condenado a sete anos de cana por fraude e uso de identidade falsa. Ele inclusive... ele fez uma vaquinha para custear os processos dele e pegou a grande vaquinha e gastou em outras coisas, enfim. E o dono de Trump, hoje então, comutou a pena dele, dizendo assim... George Santos era até um tanto bandido.

Mas há muitos bandidos em todo o país que não são forçados a cumprir sete anos de prisão. É, e ele justamente para defender o George Santos, ele atacou o senador democrata, o Richard... Blumenthal, que havia mentido sobre o serviço dele na guerra do Vietnã e o Trump se referiu a ele como Danang Dick. E daí, tipo, isso é uma postagem na rede. social...

Truth, que é de propriedade do próprio Donald Trump. Então, boa parte do texto é atacando esse senador democrata e no fim ele fala, então esse cara devia ser punido, não o George Santos. Então, porque ele sempre votou republicano e eu desejo pra ele uma grande vida e boa sorte. Pois é. E, cara, eu tinha esquecido disso. O George Santos tem 37 anos de idade. Sim.

Ele já viveu umas três vidas diferentes. Ele vai ser sério da Netflix um dia. Ah, com certeza. Ele vai ser sério da Netflix um dia. Quem vai interpretar ele vai ser o... O Bowen Young imita ele muito bem no Saturday Night Live. Não, quem vai interpretar ele vai ser o Eduardo Stabrich. Ele tem potencial para isso. Ele tem potencial para isso.

Em outras notícias dos Estados Unidos, meu caro Matias, no último dia 10 de outubro, a Casa Branca publicou um relatório atualizando o público sobre a saúde do presidente. O que é muito bom. é muito importante, mas eu acho que boa parte dos eleitores dele não deve ler esses relatórios. Por quê? Porque o relatório fala, documento oficial da Casa Branca, que ele recebeu... Booster Vaccinations contra Influenza e Covid-19. Então, ele tomou ali a vacina da Pfizer, ou da Pfizer.

contra a Covid-19. O Robert Kennedy Jr. ficou chorando em posição fetal. A gente tinha repercutido... algumas semanas atrás, que o Pentágono havia determinado que os repórteres que não aceitassem submeter ... ... ... ... ... ... ... E por conta disso, vários veículos de informação retiraram os seus jornalistas da cobertura do Pentágono. Dentre eles, CBS, Reuters, Associated Press e Fox News.

Fox News tirou seus correspondentes do Pentágono. O professor Mark Bray, da Universidade de Rutgers, ele foi para a Espanha essa semana. Por quê? Porque ele é pesquisador de antifascismo e passou... receber ameaças de morte. É isso. É isso. Justamente pela organização fundada pelo Charlie Kirk. Também. Por alguns integrantes delas. Lembrando que a Universidade de Rutgers é uma das mais antigas dos Estados Unidos.

quão antiga ela é, até porque ela não tem time que presta, mas ela é uma das mais antigas dos Estados Unidos. Chega a ser da Ivy League? Não, ela não é da Ivy League. As oito da Ivy League, que é a... Princeton, Yale... Pra quem não sabe, a Ivy League é a liga... Da era venenosa. Isso, da era que são as universidades mais tradicionais. São Harvard, Yale, Princeton, Columbia, Brown, Cornell, Pensilvânia e mais alguma. Mas acho que não é Rutgers.

E duas outras notícias para a gente encerrar, meu caro Matias. Uma delas é que, neste final de semana, teremos o que prometem ser os maiores protestos contra o Donald Trump, os protestos No Kings, que são os protestos... contra o crescente autoritarismo nos Estados Unidos e, inclusive, alguns governos estaduais do país estão ameaçando colocarem a Guarda Nacional na rua, as polícias. por conta das manifestações. E pra gente fechar, vou repercutir um post.

E eu vou fazer uma recomendação de página. Eu já brinquei aqui no programa algumas vezes, uma delas quando a gente estava com o nosso querido Gustavo Rebelo aqui no estúdio, que o meu feed do Instagram é basicamente nerdice, tipo Star Trek, e bichinhos. E tem uma página que eu sigo que chama We Rate Dogs. Um trocadilho com hate, ódio, mas é com R. R-A-T. Então é We Rate Dogs. W-E-R-A. T-E-D-O-G-S. Que é nós avaliamos cachorros. É de memes, é de cachorros. E eles têm uma fundação.

Também que angaria fundos para cirurgias em cachorros, faz campanhas de adoção, esse tipo de coisa. E eles repercutiram um post essa semana de um cachorro. É uma notícia um pouco pesada para quem... quem quiser pular em um minutinho não vai perder nada, mas um cachorro chamado Chop, que foi morto pela Ice, e o texto eu achei muito interessante, esse é Chop.

Ele foi baleado e morto por assaltantes mascarados à paisana que usam o nome de Ice. Não surpreendentemente... eles não se importaram o suficiente para ajudar a família enquanto eles tentavam salvar o cachorro. Ainda mais não surpreendente, eles não encontraram nenhuma evidência dos imigrantes que eles estavam ali pra aterrorizar no primeiro lugar. Não abra sua porta para esses fucking losers. Rest Easy Chop. E dá uma série de telefones e e-mails das autoridades de El Paso.

que foi onde ocorreu esse episódio, para as pessoas poderem mandar e-mails, reclamarem, etc. Enfim, é importantíssimo repercutir. Eu acho que a página ganhou ainda mais consideração, ao meu ver. E assim... O clichê de um filme de Hollywood é quando você quer mostrar que um vilão é malvadão mesmo, ele mata um cachorro. É isso que você precisa entender sobre o que está acontecendo nos Estados Unidos.

Bem, passemos agora para a premiação que não altera a cotação do Tucrig, da Gravínia ou do dólar, mas a gente gosta de tirar onda mesmo assim.

Peões da Semana

Os peões Bem, Felipe, o peão isolado dessa semana é barbada, né? O peão isolado vai para o Andri Rajuelina, que perdeu a presidência, teve que pedir socorro para os franceses e está fora do poder em Madagascar. Assim como o peão promovido também no continente africano. Nossos irmãos lusófonos que vão estrear na Copa do Mundo. Cabo Verde leva o peão promovido. Os Tubarões Azuis.

porque a bandeira de Cabo Verde não é verde, é azul. Mas tubarão azul, eu imaginava que era só um apelido. É uma espécie de tubarão mesmo, eu não sabia. Eu aprendi isso essa semana. Bem, passemos agora para as dicas culturais.

Sétimo Selo

Sétimo selo Bem, Felipe, qual que é a sua recomendação para os nossos ouvintes em meados de outubro? Pois é, já que a gente vai ficar aí dez dias sem programa, então eu vou dar três dicas culturais, quatro na verdade. uma delas é repercutir devido infelizmente o falecimento da atriz Diane Keaton aos 79 anos de idade essa semana então eu vou dar duas sugestões A primeira delas é a óbvia, ela que é a Kay Adams, depois Kay Adams Corleone, na trilogia O Poderoso Chefão.

Tanto é que somente ela, a Tyler Shear e o Al Patino participam dos três filmes. Exatamente. E... Pra quem, ah não, já vi Poder do Chefão, quer um outro filme e tal, eu vou recomendar, talvez, a Roncon mais divertida que existe, na minha singela opinião, que é... alguém tem que ceder.

que é uma comédia romântica que tem o par romântico é ela e o Jack Nicholson. O filme é do início do século XXI e é um filme muito engraçado, muito divertido. É, ele começa namorando a filha dela. Exatamente. Interpretada pela Amanda Pitt. Ele é o... mulherengo e tal, que não quer saber de mulheres da idade dele, etc. Enfim, então é a minha outra recomendação.

Também faleceu essa semana, meu caro Matias, aos 78 anos, infelizmente, o artista Drew Struzan. Alguns dos amigos podem falar, pô, quem é esse cara? Esse cara fez parte da sua vida. Você não sabe, mas ele fez. Porque foi ele que fez os pôsteres e artes e logos de, dentre outros, Guerra nas Estrelas, Indiana Jones, De Volta pro Futuro, Harry Potter, ET e Blade Runner.

Eu acho muito difícil achar alguma pessoa que não tenha pelo menos um desses universos como um dos seus favoritos. Quais são mesmo? Blade Runner, ET... E.T., você não gostava de E.T.? Olha... Ah, você deu uma mortadela no lugar do coração. Indiana Jones, De Volta pro Futuro. Harry Potter. Ah, mano... Por que... Por que eu sou seu amigo? Tá, mas olha só. Ele fez o pôster de... Em busca de um sonho de liberdade. Ah, não. Aí sim. Esse é brabo. Então pronto.

O filme mais bem avaliado do IMDB. Ah, é? É. Andy Dufresne was my friend. Mas, então, ele faleceu essa semana. Ele, que, repito, fez os pôsteres e artes de mais de 150 filmes. E algum deles o Matias deve gostar. Então... talvez prestigiar aí um desses universos que eu citei, ou descobrir algum, e tem um documentário que eu, infelizmente, eu não assisti, então eu não sei se o documentário é legal, mas o documentário chama Drew.

The Man Behind the Poster, que é um documentário sobre ele, justamente, sobre a vida dele, e que está na locadora vermelha. Aparentemente E finalmente uma dica de leitura De artigo Aí é um artigo em inglês, então você pode usar o Google Tradutor, mas que foi um artigo, um ensaio publicado na revista New Yorker, que é a revista preferida dos intelectuais de classe média e alta babacas dos Estados Unidos. que é o ensaio, Putting Jet DPT on the Couch.

que foi um psicanalista que começou a fazer perguntas psicanalíticas para o chat GPT e ele basicamente concluiu que esse negócio pode um dia, sei lá, querer acabar com a humanidade. Então, botando o chat GPT no divã, traduzindo o nome... do ensaio. Então são as minhas várias recomendações para esses 10 dias aí sem programa. Bem, Felipe e ouvintes, desculpem o hiperfoco, o monotema, mas enfim, nos últimos dias eu estava mergulhado nos detalhes finais.

da exposição Canteabrava, então eu vou indicar novamente ela, se você dormiu no começo do programa. Então, exposição Canteabrava, futebol sud-americano em disputa, vai estar em cartaz. até 5 de abril do ano que vem o Museu do Futebol que está localizado na Praça Charles Miller ali embaixo do estádio do Pacaembu funciona de terça a domingo das 9h

às 18h, entrada permitida até às 17h. Os ingressos custam R$ 24,00, com opção da meia a doze. É grátis para crianças até sete anos e também grátis para todas as terças-feiras. E durante esses meses de exposição também vão ter várias atividades culturais relacionadas à exposição. Então, para ficar sabendo mais, entra tanto no site do Museu do Futebol, museudofuteboltudujunto.com

.org.br e também acompanhe as redes sociais do museu. É isso, faço novamente esse convite que imagino que quem acompanha o Xadez Verbal vai ver muito do que a gente... traz aqui no programa. E Matias, desculpa te interromper, mas olha só... Alguma boa alma, chamada Márcio Luiz Del Nino, subiu o documentário Drew the Man Behind the Poster no YouTube, com legendas em português e em castelhano.

então pra quem quiser assistir em homenagem a esse artista que fez parte da sua vida não sei que você seja uma pessoa horrível que nem o Matias então tá aí no Youtube com legendas em português Felipe, temos recados nossos ouvintes, considerações finais. Bem, apenas agradecer todos os nossos ouvintes pela audiência, pelo carinho, pelo prestígio. Um abraço para o... LFTR, não sei o nome exatamente, um abraço para o Bruno Top, eu acho que é Top porque ele botou um acento, não é Top.

Um abraço para o João Antônio, para o Chico, para o Henrique de Castro Capeta, para o Cesário, para a queridíssima Júlia Prado, para o Fábio, para o Pedro Lucas de Almeida. Pro Gilberto Magalhães, que disse quando a gente falou partido alto, ele lembrou do vídeo do Zeca Pagodinho explicando a diferença entre samba, pagode e partido alto. O Guilherme Eisfeld, a gente deve um pedido de desculpas pra ele, porque eu falei Paraná Futebol Clube, e é só Paraná Clube.

Então peço desculpas a todos os torcedores paranistas. Acertou o nome do torcedor. Espero que sim, Guilherme Eisfeld. Não, não, o paranista no caso. Ah, o paranista, tá. Um abraço pro... Henrique Rangel para o Ricardo Wolf. para o Marcos Fleury, que escreveu um recado bastante grande, e várias pessoas escreveram para a gente sobre One Piece e tudo mais. Um abraço para o Cristiano dos Reis, Igor Coura de Mendonça, para o Henry Gundelman.

são algumas das pessoas que comentaram lá no site Adres Herbal, um abraço também pra todo mundo que mandou e-mails, manda outras mensagens, às vezes nas redes sociais fica um pouco difícil de ver, mas é isso um abraço e um beijo na mucosa do pulmão de todos vocês Um abraço também para o Luiz Henrique e para o Yuri Oliveira, que comentaram lá no site da Centro Alteis também, fazendo referências a especialistas em One Piece aqui no Brasil.

Fica um abraço também para a Isabela Sarkis, amiga do nosso amigo Irlã Simões, que é fanzaça do Xadez Verbal, ela que é engenheira civil. E Felipe, antes de anunciar as duas músicas de encerramento, fazia tempo que a gente não... Não fazia aí um pupurri? É, porque essa semana teve muitos falecimentos, infelizmente. Fica aqui um recado para os nossos ouvintes de Porto Alegre e Rio de Janeiro. Guardem as datas de 16 de novembro para Porto Alegre.

E 4 de dezembro no Rio de Janeiro, depois eu trago mais informações. Mas, infelizmente, nessa semana tivemos o falecimento do guitarrista Ace Frehley, um dos fundadores do Kiss, aos 74 anos.

E também a morte do cantor de Nelson, o D'Angelo, que estava com 51 anos. Dois artistas muito importantes para os seus respectivos gêneros. Então o Felipe acabou escolhendo... ... ... ... ... trabalho de estúdio lançado no começo de 2000 completou agora 25 anos que é uma parceria dele com a Andy Stone também cantora e com o Questlove também

trabalhando aí na produção. Esse que é um dos trabalhos mais importantes dele e que marcou a época ali na virada do século. Então, a gente encerra com o Kiss, Shock Me e... África na voz do D'Angelo.

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