JCast #211 - podcast episode cover

JCast #211

May 02, 20191 hr 28 minEp. 132
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Episode description

00:03:45 Ultraman
00:19:27 Fruits Basket
00:36:10 Carole & Tuesday
00:48:35 Fairy Gone
00:57:45 Sarazanmai
01:14:27 Robihachi

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Certa vez as amigas assistiam a filmes de terror pertencentes a uma coleção selecionada com esmero por um caprichoso e pretensioso curador, certo estudante de cinema que contratara os serviços de limpeza de Gabriela graças à generosa fama que já a precedia; elas deveriam limpar cuidadosamente os estojos que alojavam os BluRays e DVD’s e tornar a depositá-los em seus respectivos vãos nas estantes que cobriam todos os cantos do apartamento. A opressiva e claustrofóbica sensação que emanava do recinto indicava claramente que seu morador não deveria se dar ao luxo de ignorar a praticidade dos armazenamentos online, no entanto ele jamais se sentiria verdadeiramente proprietário de um filme se este existisse em um ambiente virtual remoto, podendo desparecer a qualquer momento por conta de inúmeros fatores, talvez alguns ainda nem inventados. Ele amava seus preciosos discos, e as garotas amavam assistir a eles nas horas em que deveriam estar limpando-os.

– Já notou, – não parava de tagarelar Valéria, que não conseguia focar em nenhum vídeo superior a dez minutos de duração, o que a fazia fiel seguidora de dezenas de youtubers, a maioria canais sobre teorias da conspiração que se utilizavam apenas de um slideshow de imagens em baixa resolução e a narração robótica e infelizmente cômica da voz do Google – Que as pessoas nunca reagem como a gente reagiria se visse mesmo um fantasma ou alguma coisa sobrenatural na nossa frente? Eles tipo assim... sei lá, aceitam muito fácil. Tipo, dá um grito e tals, mas depois já tá acostumada com a situação, pesquisando uns livros, batendo na porta do exorcista cético e desiludido com o exorcismo...

– Sim, mas daí ele vê que dessa vez é pra valer e passa a acreditar de novo...

– Sua fé é testada.

– E no fim, geralmente, o que a gente acha que pode ter uma conclusão racional, não tem. Porque fica a dúvida né? Isso é real ou não? Tipo essa mulher do filme, ela ou tá possuída ou a mãe dela tá certa e ela só tá doida. Mas isso é idiota porque a gente sabe que ela tá possuída mesmo, é mais legal que seja um demônio.

– Ou a mãe é o demônio.

– O demônio do gaslighting.

E quando Valéria não estava dividindo sua atenção entre o filme e o celular, conseguindo ler notícias sobre celebridades e comentar clichês cinematográficos ao mesmo tempo, ela encarava sonhadora um vaso verde entalhado com runas carnavalescas que denunciavam sua verdadeira origem: o cenário de alguma produção barata da faculdade de cinema de seu dono; mas Valéria parecia acreditar nas propriedades místicas do vaso, não por influência do número de filmes de terror que assistíamos ou demais antiguidades bizarras que decoravam o apartamento, mas por causa do maldito Nero. Pedante como sempre, olhara o vaso certa vez em que estivera presente na sessão de filmes, e assim que se aproximou da peça reagiu de forma grandiloquente tapando a boca com as mãos em concha, tomado por tremores e arqueando o corpo enquanto tropeçava para trás, provocando inicialmente riso em Gabriela, que tornara a ficar séria assim que não encontrou cumplicidade no rosto verdadeiramente chocado e preocupado de Valéria, que correu para acudir seu amigo.

– Esse vaso vocês nunca podem pegar. Ele é justamente anti-roubo, armadilha pra ladrão. Ladrão que rouba ladrão... O pó que tem dentro dele serve pra equilibrar a balança do universo, tá ligado? Você perde tudo o que você tomou pra si. Esse vaso é o justiceiro original. – dissera Nero claramente inventando na hora qualquer coisa que fizesse Valéria babar.

Gabriela pensou em como pessoas reagiam a absurdos assim nos filmes e deduziu que mesmo as reações mais falsas poderiam muito bem acontecer na vida real; pois Nero dera sua explicação naquele tom assombrado e melodramático com que usaria

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