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Todos nós sofremos com traumas? O que podemos fazer?

Nov 20, 20241 hr 3 minEp. 948
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Todos nós sofremos com traumas? O que podemos fazer?

Transcript

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Desconhecido

Será que todo mundo sofre com algum tipo de trauma? Até pouco tempo atrás não se falava tanto em trauma como a gente fala hoje em dia e aí acaba sendo um ponto de atenção. Acho que muito importante para todas as pessoas, pessoas que estão em relacionamentos complicados ou não, pessoas mais jovens e mais velhas. Então, hoje no Projeto 800, a gente vai conversar sobre isso e só sobre isso com minha querida Ediane Ribeiro.

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Desconhecido

Já falar sobre trauma, todo mundo sofre com trauma? Se sim, o que a gente pode fazer? O que que é trauma? O bom de se reproduzir, o que fazer a respeito de tudo isso? Então salve, salve família, vida, venda, projetar 800 no ar Projetar 800 Episódio 963 aqui para vocês e eu vou chamar agora para dentro dessa roda aí de Ediane Ribeiro, Você que fez parte do início desse negócio praticamente.

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Desconhecido

Seja muito bem vindo ao projeto 806. Quando você falar o número que está agora na Grande Teia, eu falei vezes como é que ele tem saúde, se ainda. Tem 963 Mulher olha para isso. Então, sim, eu queria começar. Se você pudesse a internet nos permitir, porque a internet do Japão, mais ou menos a editar no Rio de Janeiro, que está chovendo e sem luz.

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Desconhecido

Então quer dizer, só a gente só tá no lucro porque ninguém, nenhum dos dois vai dar uma cadeirada em nenhum dos outros dois. Então estamos aqui só e por isso hoje vai ter tudo menos cadeirada. Então eu disse apresenta para as pessoas, por favor, fala quem é você, o que você faz da vida dela. E aí, vamos entrar no tema do não falar porque eu estou assim animado para esse bate papo de hoje.

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Desconhecido

Eu também tô super animado. É sempre um prazer falar com você Matheus, e com essa galera. Eu sou Diana Ribeiro, sou psicóloga há uns 20 e poucos anos. Parei de contador por dez dias e também para de contar e eu brinco que eu sou uma bailarina no corpo de uma psicóloga, porque eu venho de uma história com a arte Quadrante e depois eu, na psicologia, me encontro com uma abordagem que que trabalho hoje.

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Desconhecido

Não. De início eu já era psicóloga há uns dez para 15 anos, não para 14 anos. Acho que tem uns oito anos. Aí nessa estrada do trauma, mais especificamente. Então, lá pelas pelos anos, sei lá quantas atrás, há oito anos atrás, eu me encontro com essa abordagem de trauma que trabalho hoje. Hoje eu trabalho como psico terapeuta. Ainda não manda coisa de vaga não.

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Desconhecido

Gente que não. Mas ainda trabalho com mais ainda de reduzida de psicoterapia. Afinal de contas, cozinhar e cozinhar cirurgião ter que operar e começar a terapêutica, atender meia de Sesab. Então, eu atendo ainda trabalho. Tem uma parte de um outro braço do meu trabalho é voltado para psico psicoeducação. Então isso eu faço em empresas, escolas, instituições, através de treinamentos, palestras em saúde mental, regulação emocional e trauma, principalmente essas três vertentes e a psico educação na produção de conteúdo.

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Desconhecido

Assim como o Matheus nas minhas redes sociais, no Instagram que está aqui no link Edição de toques que você é muito chique Hoje, no meu estado de toque, a pessoa quando tem, quando fez um TED toque, ela chega num nível aí de chiquetoso idade que não bate, não tem como Roupa eu não tenho nem roupa para te receber nessa live de maizena.

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Desconhecido

Cada vez que eu falo com o Matheus ele está no lugar Outra vez que eu falei com ele lá no meu canal, acho que na Alemanha se não me engano agora era no Japão. E eu que só sei que eu estou aqui na Vargem Pequena, mas. No meio do mato, sem energia, com energia que vai e volta toda hora.

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Desconhecido

Mas é isso então. Então, hoje o trabalho se divide nessas frentes, na produção de conteúdo, que é por si só um trabalho onde a gente, a produção de conteúdo é uma democratiza. Eu acho o acesso ao conhecimento bastante. A gente tem que ter cuidado na seleção do que escuta e ouve. Mais democratiza bastante conhecimento. A psico educação, principalmente para palestras de treinamentos, eventos, empresas, escolas e a psicoterapia.

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Desconhecido

Nessa abordagem de trauma, que é o nosso tema de hoje, é um tema para mim muito caro e que eu digo que é o tema da minha vida. Não é exatamente o meu tema do meu trabalho, é um tema que mudou a minha vida. Eu poderia mudar de nome porque estou vivendo outra encarnação dessas experiências e depois desse encontro que que começou pela minha vida pessoal.

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Desconhecido

Na verdade, eu conheci essa abordagem de trauma, que não é uma abordagem dentro da psicologia. Já vou começar falando isso pra galera. É uma abordagem multidisciplinar que vem sendo conhecida no mundo como trauma em forma de approach, ou nessa abordagem informada sobre trauma e a abordagem multidisciplinar que recebe influência das neurociências, da neurobiologia interpessoal e da psicologia. Então é um campo interdisciplinar de conhecimento e nessa visão neuro psicofísica do trauma, entendendo o trauma não só como um evento psicológico, mas entendendo o trauma também como um evento neuro físico.

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Desconhecido

E aí, nessa, nesse caminho aí do trauma, eu estou a um tempo e eu digo que é uma abordagem que mudou a minha vida porque é. Trabalhar com o trauma, que é o grande foco, a grande coluna vertebral do meu trabalho hoje não é exatamente trabalhar com foco em dor. Como as pessoas pensam nessas pessoas valentes. É que para a pessoa tão leve que só sair trabalhando com trauma e ouvindo histórias, às vezes tão densas e intensas todos os dias.

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Desconhecido

E eu sempre digo que a primeira coisa a trabalhar com trauma é sobre ver a pessoa por trás da dor. É sobre potência, é sobre a potência que é escondida pela dor. Então eu acho que isso já resume um pouco dessa visão de trauma que a gente vai conversar. Muito obrigado. Bom dia mais dia Jorge. Cara que honra poder falar com vocês sobre um assunto que também é muito caro para mim.

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Desconhecido

Eu não tenho formação como psicólogo nem nada disso, mas eu lembro há mais de uma década atrás, quando eu ouvi falar do Peter Levine pela primeira vez, que foi quem eu acho que me introduziu dentro dessa perspectiva. E aí fui ver um vídeo no YouTube que tinha aquilo que eles estavam falando sobre comportamento de animais no meio natural.

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Desconhecido

E aí falando como o animal quando ele passa por uma situação de estresse. Nesse caso, especificamente aquele do famoso do urso polar, dá um olhar. Depois que ele passou por essa ação de stress, ele tá lá deitado no chão e ele começa a se chacoalhar. E aí o biólogo explica Olha, ele acabou de passar por uma situação traumatizante e aí?

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Desconhecido

E essa situação ela acumula de certa forma no corpo dele. Então parece que ele dá uma chacoalhada para dar uma aliviada. Então parece que é uma resolução imediata por meio do corpo de uma situação de estresse emocional. E aí aquilo ali me bugou lá atrás, porque eu, antes da medicina, sempre tinha ouvido falar do estresse como uma coisa ruim.

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Desconhecido

E quando eu ouvia a palavra trauma, para mim, trauma era a pessoa foi para o Vietnã, para o Iraque. E aí, tem estresse pós traumático? Ou a pessoa apanhou dos pais, sofreu violência doméstica? Isso aí é algo. E aí, estudando, eu comecei a ver cada vez mais que se falava de trauma em contextos muito menos violentos, necessariamente ou dramáticos, necessariamente.

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Desconhecido

E eu pensava pô, eu não sabia que essas coisas eram um trauma. Então aí eu fui fazer terapia e virei para a minha terapeuta e falei Eu acho que eu devo ter tipo estresse pós traumático de Rio de Janeiro. Então, porque eu acho que todo carioca, de certa forma, é vive e passa por situações de violência, de estresse, de medo.

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Desconhecido

Vou pegar Avenida Brasil no pós tem tiroteio, dar ré, volta na contramão, sai correndo, pula embaixo da mesa. Então, tipo isso também é trauma. E aí eu queria começar esse nosso papo nesse tom de se você puder, fala pra gente um pouquinho o que que é trauma e como é que é essa percepção que a gente tem de que trauma é quando a pessoa toma bomba na cabeça ou é abusada sexualmente.

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Desconhecido

Se não é isso, como é que a gente pode entender trauma no mundo hoje em dia? Perfeito! Em geral, quando a gente fala a palavra trauma, o que vem à nossa cabeça são essas situações extremas. É uma situação extraordinária e que marca a vida da pessoa entre antes e depois daquela situação. Esse é um entendimento de trauma, porque essas situações elas são realmente potencialmente traumáticas.

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Desconhecido

É porque elas estão muito vinculadas a como o trauma começou a ser estudado na história, porque o trauma não é exatamente um tema novo. Essa visão traz elementos novos, mas o trauma, ele existe e foi o primeiro registro durante muito tempo de trauma. Vem de Heródoto, 490 antes de Cristo, com a frase que era referindo se ao soldado de guerra com uma frase dizendo E de repente os olhos deles dele pararam de enxergar, embora nada o tivesse atingido.

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Desconhecido

Então a gente entende que o trauma faz parte da humanidade desde que a humanidade é humanidade. Mas na história moderna, se a gente pegar aí final de século XIX, quando os precursores da neurologia e da psiquiatria da psicologia estudavam o trauma com Pierre Charcot, o próprio Freud de. Enfim, essa galera começa a estudar trauma e se interessar pelo trauma.

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Desconhecido

Já não perspectiva de que o corpo e as emoções veementes guardavam resíduos das experiências traumáticas e que isso voltava de diferentes formas em formas de reações, de memórias, de comportamentos. Ao longo da história, o interesse da ciência da época pelo trauma ele vai variando muito. Isso não tem a ver nem com a medicina, nem com a psicologia. Tem a ver com um contexto mais sócio político.

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Desconhecido

A gente vê que os momentos em que o trauma desaparece do interesse da da corrente científica da época um e são os momentos das guerras. Então, durante a Primeira Guerra, depois, durante a Segunda Guerra, muito porque os soldados de guerra e aí vão no seu exemplo, voltando da guerra, tinham dificuldade de engajar na vida alemã. Na mente, voltavam com comportamentos estranhos.

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Desconhecido

E aí, quando se começa a falar em trauma de guerra inicial, o saco, esse negócio que trava minha língua. Você tem um problema para recrutar pessoas em Plenas entre as primeiras e segundas guerras, Então existem inclusive resoluções da Inglaterra, da Alemanha época proibindo o uso desse diagnóstico pelos profissionais. Até os veteranos de guerra, que voltavam com sintomas de estresse traumático de ser diagnosticados como não diagnóstico nervoso, alguma sigla de uma sigla, um acrônimo para isso.

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Desconhecido

Só que a mesma coisa que gera um apagamento do estudo do trauma nessa perspectiva. Na história também já era o interesse, porque começa a ter um problema econômico e as pessoas começam a ter dificuldade de engajar na vida. Temos um problema econômico e isso impulsiona as pesquisas. E aí o trauma vai subindo e descendo várias vezes na história.

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Desconhecido

Nas últimas, nos últimos acontecimentos de guerra, por exemplo, como do Vietnã, os mais recentes. De lá para cá, a gente tem um renascer, na verdade. Então, do interesse do trauma. Então o estudo científico está muito ligado a esses eventos extraordinários. Por isso que quando a gente pensa em trauma, a gente pensa num evento extraordinário. Mas o que essa corrente mais moderna do trauma vem trazer com Peter Levin, com Gabor Maté, Salvando é qualquer tema brilhante, toda uma galera desse cuidado informado sobre trauma vem trazer.

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Desconhecido

É o evento extraordinário. Ele é mais potencialmente traumático porque ele causa uma sobrecarga muito rápida no sistema nervoso. E aí de sistema nervoso, tem mexer. Então. Mas o trauma faz parte da vida. O trauma não é o extraordinário, é o ordinário da vida. Porque basta que você tenha uma situação que te carrega uma emoção, que é o medo ou é coisas correlatas ao medo.

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Desconhecido

O medo é a principal emoção envolvida no trauma. Então nosso cérebro percebendo algo como ameaçador, Mas junto com o medo, vão vir auxiliares que eu digo que são as escolas do trauma. Vergonha, culpa, raiva podem estar misturadas. Então você tem uma emoção que chega diante de uma situação que ou aconteceu rápido demais ou cedo demais, com o sistema nervoso ainda muito imaturo ou por tempo prolongado demais.

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Desconhecido

Então aquele estresse que é moderado, mas se repete no tempo e ele fica crônico, ficado. E isso vem acompanhado de uma sensação de algum nível de sensação de desamparo, de que eu não tenho como lidar com essa situação. Então eu tenho sobrecarga nervosa de stress. Eu tenho sensação de desamparo e eu tenho um fator tempo, algo que aconteceu cedo demais, rápido demais ou por tempo prolongado demais.

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Desconhecido

Eu tenho um evento traumático. E o que acontece dentro de nós em resposta a esse evento traumático? E o trauma, Então? O trauma não é exatamente o evento, mas o que acontece dentro de nós. Em resposta a essa situação. Será que se eu pensar numa situação que me causou vergonha na infância porque a professora falou alguma coisa ou porque eu vivia numa condição de imprevisibilidade financeira na minha família, ou porque eu terminei um relacionamento, ou porque eu estou com uma ameaça de desemprego ou câncer.

00:14:16:26 - 00:14:50:13

Desconhecido

Como eu vou pagar os boletos no mês que vem? Ou porque alguém importante para mim adoeceu, ou porque eu adoeci, ou porque eu vivi a perda minha, a perda de pessoas caras para mim, problemas relacionais. Se a gente pensar nessas situações cotidianas que fazem parte da vida de todas e de todos nós, nós vamos frequentemente nos deparar com situações como essa que nos levam a sensação de sem saída, de medo e de algum nível de desamparo.

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Desconhecido

Então a gente está diante do trauma. Por isso, sim, o trauma é o ordinário da vida, não é extraordinário da vida. Por isso, nós conviver, preparar para lidar com nosso corpo vem de fábrica, preparado para lidar com situações desafiadoras. Então, entrar nas nossas defesas de sobrevivência, que é como a gente reage ao trauma, que é como o urso polar reage quando ele entra no congelamento ali e daqui a pouco ele começa a tremer para liberar essa carga, para fazer uma descarga do estresse que foi carregado na experiência traumática.

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Desconhecido

E aí eu já gosto. E aí eu gosto desse exemplo, porque ele já nos lembra que 90% dos traumas que a gente vive se resolvem sozinhos no nosso corpo. Dar conta deles é genial. 10% que não se resolvem sozinhos. A química lacrou nossa vida, mas 90% jovens estão sozinhos porque o corpo dá conta dessa descarga. Então, se eu tenho um carregamento de stress numa situação que vivi, eu vivi um trauma.

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Desconhecido

Se eu tenho uma descarga equivalente, esse trauma não necessariamente vai se transformar em traumatiza ção, que é quando esses sintomas vão perdurar no tempo. É como uma professora que gosto muito, a Cecília diz E quando a ferida é, quando o tempo não cura a ferida, que é uma ferida emocional, que é uma ferida interna, que não é a ferida na pele de fora, a ferida na pele de dentro.

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Desconhecido

E aí ela fica mais difusa e pode nos dar alguns desfechos, desde físicos, comportamentais. Na saúde mental, relacionais. Então, o trauma em si é esse momento do encontro com o inexorável, com o evento ameaçador e a traumatiza ação. E quando isso deixa marcas que duram no tempo, isso é muito importante, essa diferenciação, porque eu acho que a gente muitas vezes fala de trauma, trauma, trauma, trauma.

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Desconhecido

E eu acho que a visão que você está trazendo, pelo menos me corrija se eu tiver entendido errado. E o trauma é meio que inescapável. É parte da própria vida. Ou o que não é necessário é você ficar traumatizado 20 anos depois que uma situação e te sobrecarregou. Se você tiver ferramental para. Como você falou muito bem, eu acho que essa imagem do carregar e descarregar ela fica bem visual para as pessoas.

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Desconhecido

Mas deixa eu te perguntar uma coisa e muitas dessas ferramentas biológicas que a gente tem que são comumente consideradas negativas, muitas vezes tem uma trazem alguma ou algum benefício evolutivo biológico. Exemplo o estresse, por exemplo, ele é considerado uma coisa ruim. As pessoas falam do estresse como se fosse ruim, mas a gente que estuda estresse sabe que o estresse seria bom, faz parte da vida.

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Desconhecido

Aí ele diferencia onde eu o estresse e estresse para falar do estresse que é bom, do estresse que é ruim. É o que eu queria eu te perguntar assim, para o trauma parece ter alguma função evolutiva biológico, Tipo assim, é um erro que deu no sistema. Assim, um bug da Matrix. Olha, eu vou afirmar no no auge da minha experiência porque não tem autores que vão dizer isso com muita, muita firmeza, tipo o próprio Levine e o Gabor Matter vão dizer que o trauma é importante em diferentes momentos, mas a traumatiza.

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Desconhecido

São não necessariamente Eu tenho, eu tenho. Eles tem de de tempo, de terapia, O que tem de idade. Então eu vou ser um pouco mais comedida. Não estou ainda fazendo algumas perguntas hot, porque se nós pensarmos na Mateus, na evolução do planeta ou da humanidade, nós vamos ver que grandes saltos evolutivos tem a ver com um momento de tensão anterior.

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Desconhecido

Sim, então momentos de tensão anterior nos impulsionam para a para alguns ganhos evolutivos. E se a gente pensar na nossa própria vida, os momentos de desafio da nossa vida em geral, eles nos levam para um outro entendimento de vida, para algum ganho de aprendizado. Então, nesse sentido, a gente vai entender que o trauma faz parte da vida e que ele é uma tensão que faz saltos evolutivos importantes.

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Desconhecido

O que a gente precisa diferenciar é esse trauma que faz parte da vida, do trauma, quando ele se constitui, por exemplo, numa violência, numa negligência, num abuso, porque o trauma já vai existir. Sem isso. Então, eu só me preocupo em diferenciar isso porque às vezes eu vejo uma visão romantizada do trauma, mas o trauma se constituindo como coisas como violência, abuso, negligência, essas coisas precisam ser.

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Desconhecido

A gente não precisa delas para fazer saltos de crescimento, para fazer o que a gente chama de crescimento pós traumático, porque existe o estresse pós traumático, existe o crescimento pós traumático e a gente não precisa da violência, da negligência e nem do abuso. Mas a gente precisa do desafio. Então, se a gente pensar que o trauma é o encontro com uma situação desafiadora, o desafio, ele é impulsionador de crescimento, porque a gente vai acessar algumas algumas condições que a gente não acessaria em temperatura, em condições de temperatura normais, desde questões muito práticas.

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Desconhecido

Eu estou falo e aí eu estou falando de uma mãe que levanta um carro para tirar o filho de baixo, uma força que ela acessa num corpo padrão analisado naquele primeiro momento do stress, naquela primeira resposta do estresse de alerta. E não é à toa que esse mecanismo existe. Porque se tem uma coisa que o nosso corpo é elegante na forma de encontrar soluções, então sem stress ele é adaptativo.

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Desconhecido

Se não fosse ele, não estaríamos aqui, provavelmente como espécie, porque nós somos a espécie mais rápida, com sentidos mais aguçados, quiçá mais inteligentes. Talvez racional, talvez mais inteligente, estoico, pouco em dúvida, mas. Mas não chegaríamos aqui. Essa capacidade de antecipar os riscos de lidar com esses desafios nos ajuda muito em muitos momentos e nos faz acessar essas coisas que, numa.

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Desconhecido

Na vida ordinária, sem o desafio a gente não acessa. Então eu dei o exemplo. É a mãe que levanta o carro para tirar o filho de baixo e a pessoa que corre numa velocidade absurda que ela nunca alcançaria para salvar a própria vida ou a vida de quem ama. E eu estou falando das coisas físicas. E aí, quando a gente, quando a mente entra nesse processo, que ela entra um pouquinho depois, mas milímetros de segundos, poucos segundos depois e parece que está acontecendo tudo ao mesmo tempo.

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Desconhecido

Mas é um mundo que se segue. E por isso o Levine que você citou, ele vai dizer que o trauma é um evento físico antes de ser psicológico. E aí às vezes eu criei a confusão com os meus colegas de área. A gente fala isso, mas porque a mente vai acompanhar essa situação, criando uma narrativa dentro daquilo que vai ter a ver com a minha história, com os meus valores, com como fui criada, com a minha cultura, com o que vivi antes de traumatiza ções.

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Desconhecido

Mais que isso, se esse mecanismo cumpre a sua função, o mecanismo do stress, que é a reação ao trauma em geral, fisicamente, psiquicamente, a gente vai sair do outro lado. Com o crescimento pós traumático, a gente vai sair acessando habilidades, acessando tal, quiçá partes nossas que não acessava mos antes da traumatiza ção. Gosto da imagem da barreira. Se você faz uma barragem num rio, aquela água vai bater para gerar energia e aquilo ali fica gerando um vórtice de que gera energia.

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Desconhecido

Quando essa barreira sai, esse rio volta, flui com uma força maior. Se ela quebra, então a gente vê que acontece aqui no Brasil, de vez em quando a gente vê que acontece porque aquela água ela volta a fluir com mais força. Então é o pós trauma, o pós resolução de trauma. É essa água que volta a fluir com mais força e com uma força às vezes maior do que antes do trauma.

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Desconhecido

E aí só diferenciando isso. Então, o trauma enquanto resposta ao desafio da vida, aos desafios que são que a vida nos apresenta, Ele faz parte da vida e é, assim, um mecanismo importante de acessar novas formas de existir. Mas isso não quer dizer que violência, negligência e abuso sejam importantes para viver, que também são potencialmente traumáticas porque não são.

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Desconhecido

Eu acho que essa diferenciação é sutil e vale a pena você falar mais um pouquinho, porque a gente eu sinto que em 2024 a gente está um pouco carente de nuance, sutileza na nossa mentalidade. Então as coisas estão muito oito ou 80 e a gente está bastante radical no raciocínio. Então assim é porque eu ouço o que você está dizendo e fico pensando e realmente, se a vida fosse um marasmo, se tiver tudo equilibrado, nada acontece, A gente não se move.

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Desconhecido

A gente fala que é a linha contínua, ela é a morte do paciente, não o paciente vivo. O eletrocardiograma fica pipipi quando faz pi porque a pessoa morreu e algum tempo e a vangloria da ação, do perrengue ou da violência, ou até você fazer pouco caso de uma violência que você viveu dizendo Ah, mas eu só estou aqui hoje por causa de graças a isso.

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Desconhecido

Então que bom que Deus bota esses perrengues no meu, esse homem que me bateu durante três anos e aí a gente olhar para isso. E como aquela relação que tem o perrengue que é necessário e para gerar um eu estresse, não um estresse positivo para a vida se movimentar. Agora tem o que você está dizendo não é violência que é inaceitável, é crime e não deveria ser argumentativamente escusável, porque não é, não deveria ser normalizado e não te deixa mais forte.

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Desconhecido

Deixa traumatizado mesmo. Tem que acabar isso e deixar mais forte. Não, isso me deixou traumatizado meu. Fala um pouquinho mais, por favor. Sobre sobre essa nuance. Quer dizer, é porque eu tenho a sensação. Ediane, queria te ouvir que muitas pessoas podem estar traumatizadas sem saber. Sim, e se a pessoa ela tá traumatizada, sem saber quais são os sintomas silenciosos de que ela está convivendo, que ela está em barra erada, como você falou, com essa energia em barra erada, mas talvez com uma atitude de vida positiva dizendo tudo o que acontece comigo aconteceu por um motivo, mas a pessoa efetivamente foi traumatizada e vive limitada no seu potencial.

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Desconhecido

Você usou a palavra potencial. Acho tão importante essa palavra nesse contexto de discussão. Como é que a gente sabe se a gente tá vivendo limitações de um trauma e se tem sintomas silenciosos pra isso? Eu me pergunto. E tem, Porque inclusive na nossa cultura que nos rouba do sentir, nos oferece tudo para ir para fora o tempo todo, para nos anestesiar de diferentes formas.

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Desconhecido

E então nós somos convidadas e convidados o tempo todo para não entrar em contato e entrar em contato cada vez menos com o nosso sentir. E aí quando eu falo sentir, eu estou falando não só de emoções e de sentimentos, mas de sensações, inclusive físicas. O quão na clínica, principalmente na clínica focada em trauma? E aí eu, da minha própria experiência, passa por isso também há a perda da senso percepção, a diminuição da sensação, daquela sensação que nos comunica o tempo todo sobre o que estamos vivendo.

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Desconhecido

Sabe que é o nó na garganta na hora da conversa. Difícil é o aperto no peito quando você está tendo uma intuição de algo que você não deveria fazer, mas você está indo fazer mesmo assim. Eu digo que a nossa intuição conversa conosco através da nossa fisiologia, através dessas sensações que chegam antes no corpo da gente e que a gente foi perdendo um pouco à medida que fomos ganhando o córtex.

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Desconhecido

E é dominando a natureza ao nosso redor, né? Porque o homem lá na natureza ele precisava desse sentidos muito aguçados para sobreviver. E a gente foi se desconectando, se dissociando desses sentidos, que é uma inteligência por si só, tanto quanto a inteligência da cognição. E essa, essa desconexão, ela já é um efeito de trauma, ativação, essa baixa de senso, percepção.

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Desconhecido

E isso faz com que cada vez mais nós procuremos estímulos mais intensos. Então a gente vai vendo séries ficarem mais intensas, violentas e mais anestésicos sociais, que pode ser excesso de trabalho, pode ser a comida, pode ser qualquer coisa que funcione para aliviar minimamente aquela sensação de estresse que estou vivendo. E isso vai fazendo com que a gente perceba menos traumas invisibilizados.

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Desconhecido

Então, a nossa sociedade é cheia de traumas invisíveis e que é. E aí nós vamos misturando coisas que são desfechos de traumatiza. São dissensos comportamentais relacionais com a nossa personalidade que a gente vai achando que eu sou aquela resposta traumática. Vou dar um exemplo concreto para ficar mais fácil pra galera. Durante muitos anos vou dar um exemplo meu, já que não posso dar a outras pessoas por uma questão ética, vai ter que ser o meu, o meu.

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Desconhecido

Durante muitos anos e eu me vi como uma pessoa bastante desconectada das minhas emoções. Então eu era tida pela família, por amigos, como uma pessoa muito fria, muito desconectada das minhas emoções, muito reativo, inclusive. Realmente a reatividade era muito presente. Depois de um primeiro momento que eu vivi muita timidez, eu saí de uma resposta de congelamento para uma resposta de luta fixada, e eu saía brigando com o primeiro.

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Desconhecido

Num primeiro momento, até início da vida adulta, muita timidez. Eu tive mutismo seletivo na infância. Imagine você. Não consigo imaginar isso. É uma. Base E é aí. E aí, naquela época, as pessoas diziam eu era muito tímida, eu assumia que eu era muito tímida. Depois eu comecei a brigar com o mundo e eu ia de uma forma muito reativa para o mundo já no início da vida adulta.

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Desconhecido

Então eu saí de um congelamento para uma luta. E tudo isso achando que isso fazia parte da minha personalidade, quando na verdade hoje eu digo eu não era tímida, eu era assustada. Eu tinha um sistema de. Eu tinha um sistema nervoso funcionando em estado de alerta constante e traumatizaram. Então isso pode nos levar a características que a gente acha que são da nossa personalidade, como uma timidez exacerbada, como procrastinação exacerbada, como dependência e co-dependência emocional nos relacionamentos.

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Desconhecido

Os traumas muito precoces, aqueles que não têm a ver necessariamente com uma grande violência, uma grande negligência, mas traumas que muitas vezes têm a ver com um padrão de relacionamento com os nossos primeiros cuidadores. Mãe pai. Quem fez esse papel? Um padrão de relacionamento que carrega no corpo de uma criança muito pequena, um stress maior do que aquele sistema nervoso imaturo consegue lidar.

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Desconhecido

Em geral, a pessoa não vai se lembrar que viveu aquilo e, em geral, não tem a ver necessariamente com uma intencionalidade do cuidador. Não tem a ver necessariamente com uma violência, mas que pode gerar um padrão de insegurança que vai se unificando no tempo e que atrai uma situação igual e que lá na frente essa pessoa vai ter dificuldades de repente para relações de intimidade e não percebe que a dificuldade para relações de intimidade pode haver com o que tem a ver com traumatiza?

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Desconhecido

São. Então, eu gosto muito do Matheus quando ele diz o trauma para você entender se você está sob traumatiza são ou não olhe para os seus relacionamentos. Então, quando ele fala isso, eu gosto muito porque é um dado que não mente para ele, já que é um dado que por mais que a gente queira se enganar, o histórico puxa o seu currículo, né?

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Desconhecido

Abre esse LinkedIn aí, abro o LinkedIn para a gente ver o que aconteceu. Mas assim, eu achei muito incrível e nunca tinha ouvido. Dito dessa forma, eu não era tímida, eu estava assustada. Eu achei isso muito, me ficou uma chave na cabeça. Mas assim, as pessoas que estão aqui com a gente agora, quais são outros pontos que elas vão ver?

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Desconhecido

Se você puxar o currículo de relacionamento delas é que você vê comumente, Diana. Então vamos lembrar o trauma não está no evento que passou. Ele está na vida agora acontecendo, olhando para a gente nos olhos. Então eu não preciso nem voltar Na história do trauma. Chegar lá na história do trauma para trabalhar com o trauma e para processá lo, porque ele está agora na forma como andamos, respiramos, comemos, nos relacionamos.

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Desconhecido

Então, qualquer coisa da vida, qualquer coisa. Talvez seja muito dizer, mas aquelas coisas da vida que nos colocam diante de um sofrimento psíquico inexplicável, muitas vezes que a gente não acha ali exatamente algo que faça sentido para aquilo. Nos relacionamentos nós vamos ver, em geral uma e eu estou falando coisa, eu falo de relacionamento. Gente, eu tô falando de todo tipo de relacionamento, não só sexo afetivo.

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Desconhecido

Estou falando de amizade, relação de trabalho. A gente vai ver uma repetição de relacionamentos onde eu vou frequentar gente, vivenciar sentimentos como desamparo, desrespeito, ciúme excessivo. Então eu vou estar voltando para experiências que são estressores nos relacionamentos, porque o trauma fixado, ele também tende a deixar em si esse organismo corpo, mente e espírito mais vulnerável a novas experiências estressores.

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Desconhecido

Então, relacionamentos que eu estou vivenciando com frequência, essa montanha russa emocional pode olhar com jeitinho que deve ter dramatização por trás. Padrões de comportamento disfuncionais em geral vão ter o trauma no padrão. A gente não vai falar em causa e efeito, porque quando se fala de comportamento humano, eu estou falando de algo que é multifatorial, multidimensional. Então a gente fala mais em correlação do que em causa.

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Desconhecido

Quando a gente pensa em trauma, então a gente pensa mais em correlação. Quando isso está presente, a probabilidade do trauma fazer parte do padrão ali é muito maior. Então, comportamentos disfuncionais, como as compulsões e os vícios em geral vão aparecer. O trauma vai aparecer no padrão ali de início da compulsão e do vício, porque a compulsão e o vício muito frequentemente começa com uma tentativa de aliviar o estresse.

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Desconhecido

Sim, que está ali circulando o sistema. Se a gente pensa no trauma como um resíduo de stress em nós, que é uma forma simples de pensar trauma, um resíduo de stress em nós, a compulsão e o vício em geral. Elas vão começar ali, com o trauma fazendo parte daquele combo que inicia a compulsão e o vício. É ainda mais se a pessoa não puder exercer de aliviar esse trauma como você falou.

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Desconhecido

Então, se eu sou o urso polar que tá precisando me chacoalhar ou se da opção de me expressar, mas eu não posso por algum motivo e de repente eu tomar um sorvete ou comer uma batata frita. Pode ser uma mão de alívio. Exatamente, Eu ia chegar nesse lugar exatamente porque aí eu perco o trauma nos rouba a capacidade de auto regulação emocional.

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Desconhecido

A gente perde recurso por causa da sensação de desamparo. Então eu perco o recurso da auto regulação e aí eu preciso de um regulador externo. E aí os reguladores externos de rápido efeito não vai ser o brócolis que eu falei na barata. A dopamina. Fuleira, como diz da Bahia, a rede fica mais dopamina barata, que vem rápido, que dá o pico que depois nos leva.

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Desconhecido

A gente sabe muito bem qual a onda. Depois do pico de dopamina, a gente vai precisando de mais daquilo que funcionou? Não mesmo. Num primeiro momento. Então a gente tem a tríade da compulsão, algo que num primeiro momento alivia o stress, ou seja, algo que num primeiro momento me faz sentir bem. Num segundo momento começa a causar dano, mas aí já é difícil de parar o ciclo e o trauma geralmente está dentro desse, desse lugar, do início das compulsões, como um estresse que não encontra outro caminho para descarregar os comportamentos nos relacionamentos.

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Desconhecido

E aí assim, compulsão, vício, comportamentos autodestrutivos de várias formas, como os comportamentos, por exemplo. Tem uma palavra que eu não gosto tanto no mundo das terapias modernas, que é a auto sabotagem. Eu falei assustada e você falou assim é verdade, tem Tem um calar se que é a vergonha de existir, que é quando o trauma vira uma vergonha de quem sou.

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Desconhecido

E aí isso vai restringir a minha espontaneidade, a minha autenticidade. Então a autenticidade, o trauma, são duas coisas que estão muito relacionadas ali. Os comportamentos que nós consideramos como auto sabotagem e que geralmente vão ser chamados de auto sabotagem, ficam aqueles comportamentos que de alguma forma nos prejudicam, seja no trabalho, nas relações em geral que mantêm esse comportamento e um corpo e uma mente em estado de alerta, tentando, vendo uma pista falsa de ameaça, de perigo.

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Desconhecido

Então é uma parte assustada e nós, que é uma parte que está tentando se proteger, na verdade não está tentando se sabotar. Ela está tentando se proteger. E aí tem alguns termos que quando a gente usa, eles ficam culpabilizante e a gente inclui mais estresse no sistema. Porque imagina se você tem uma parte minha que quer me sabotar, Eu não posso ter segurança nem dentro da minha própria pele, porque não posso confiar em mim mesma.

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Desconhecido

E quando é uma parte que está lendo pistas falsas, o trauma muitas vezes confunde essa nossa capacidade de discernir as pistas de segurança e de perigo dos ambientes, das relações. E aí eu vou ver perigo onde não existe passo de segurança, onde não existe, como num relacionamento abusivo, por exemplo. Se. Então o desfecho são desfechos traumáticos muito invisibilizados e muitas vezes naturalizados na nossa sociedade.

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Desconhecido

Por isso que eu falo da dependência da comida, da dependência emocional. Às vezes uma extroversão exagerada, uma timidez exagerada são formas ali estratégias adaptativas que a pessoa está usando para lidar com o estresse traumático. Então, muitas das estratégias adaptativas pra lidar com o estresse traumático vão vão. Se Krone ficar um comportamento atos disfuncionais ou em padrões de relacionamento disfuncional, ou numa desregulação emocional.

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Desconhecido

Ou seja, começa a reagir de forma desproporcional àquilo que vive. Então, um pequeno stress do dia a dia me faz ter um ataque de ira, né? E a gente está vendo isso acontecer. Aí o. Em debate de candidatos para prefeitura e o AMB. E é isso o que a nossa cara, Quantas coisas importantes eu acho que estão que você está trazendo nessa live?

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Desconhecido

Você me levou pro pensamento da pessoa tendo um ataque de pânico no meio da rua quando nada efetivamente está acontecendo externamente, Mas a sensação que a pessoa tem é de que ela está prestes a morrer, ou um ataque de ansiedade, por exemplo, que tem elementos de tudo isso. Você está falando como se. E aí, ao mesmo tempo, minha cabeça também foi por um lugar de relacionamentos que muitas vezes roubam a sua autonomia.

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Desconhecido

Você falou da incapacidade da pessoa se autorregular. Eu estou num relacionamento e aí eu boto uma roupa e aí você me diz mas você vai sair com essa roupa? E aí aos poucos eu vou perdendo a minha própria habilidade de saber que roupa, que o Bozo, Será que eu vou estar com frio? Aí você fala que vai estar com frio.

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Desconhecido

Eu já não sei mais se eu vou estar com frio, se eu peço uma comida. Você fala mas sabe disso. Aí você não tem que pedir, sair, eu não sei mais pedir. Então essa coisa do gaslighting que a gente tem também conversado um bocado com as pessoas como os relacionamentos que vão roubando também a sua própria capacidade de entender se está quente, está frio, se você está com fome, se você voltar.

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Desconhecido

E aí, aos poucos você fica meio que rendido a uma outra pessoa, meio que te dizer quem você é. E você não tem capacidade de autorregulação, não tem uma palavra que a gente usa para isso aí na fronteira da psicologia com a psiquiatria, pensando em trauma que a agência, o senso de agências, o trauma nos destitui do nosso senso de agência, que essa capacidade da gente se localizar na situação que está sendo vivida me localiza na situação que eu estou vivendo e entendo que mesmo em situações adversas eu tenho alguma alguma capacidade de interferência naquilo que estou vivendo e consigo me mobilizar.

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Desconhecido

Eu consigo mobilizar os meus recursos internos e externos para agir naquelas situações. Então o trauma nos disse eu sei disso. E aí, nos relacionamentos, quando a gente fala em gaslighting, quando a gente fala em manipulação psicológica, isso acontece um enlace traumático e o relacionamento virar uma dança entre traumas é uma coisa absolutamente comum. Você tem um traumatizado, dominador do outro, traumatizado, dominado do rancor.

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Desconhecido

Lá eles tem uma dança, tem um enlace traumático, uma reencenação de traumas anteriores acontecendo naquele relacionamento. E aí as estratégias de manipulação psicológica do gaslighting de controle, elas vão reduzindo ainda mais esse senso de agência. Você vai experimentando essa confusão entre o que é seguro e o que não é e o que é ameaçador. Vai disso, vai se destituindo de identidade, de autoestima, da potência, que é uma palavra que eu falo tanto.

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Desconhecido

E isso gera esse lugar de congelamento da traumatiza ção em que daqui a pouco eu não sei quem sou. Eu não sei se posso confiar no que penso e no que sinto. Quando a gente perde a confiança no que a gente pensa e no que a gente sente. A confiança no que o meu corpo está demonstrando naquelas situações.

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Desconhecido

Porque é isso, corpo de monstro, eu digo não com o corpo é uma contração. Assim com o corpo, ele é uma expansão, ajuda a tomar decisão, às vezes mais do que a mente. A mente às vezes confunde as narrativas estranhas. Então, quando, quando a gente vai perdendo essa conexão com o sentir, com essa inteligência que é protetiva, eu fico extremamente vulnerável a situações em que eu posso ser desrespeitada, abusada, ter os meus limites violados.

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Desconhecido

Então limites. Outra coisa que está muito associada à história de trauma acusação. Então, dificuldade muito grande de dizer não, ansiedade por agradar. E todas essas coisas são, são, são comportamentos que vão ter ali o trauma em algum lugar no padrão, não como um único elemento, mas como um dos elementos. Então, alguns relacionamentos, e sim esse enlace traumático que nos leva para uma perda da dignidade em alguma instância são são enlaces que em geral vai ter uma dança entre traumas.

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Desconhecido

Você falou do pânico. Acho importante sinalizar que o trauma. Ele pode ter muitos desfechos clínicos e ele pode abrir muitos quadros ou participar do agravamento de muitos quadros. Então, quando a gente pensa no TEPT, por exemplo, o transtorno do estresse pós traumático, um diagnóstico específico que tem critérios de inclusão específicas, que a pessoa viveu, um episódio e geralmente são aqueles episódios que a gente entende como traumatizantes, muda a vida.

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Desconhecido

Somente 20% das pessoas nos estudos vão nos dizer que passam por traumas de choque, desenvolvem TEPT clássico com aqueles critérios que a gente vai achar lá no DSM, mas 50% desenvolvem depressão ou ansiedade. Então o trauma ele pode tá no padrão de diferentes de diferentes tipos de outros quadros clínicos, disse. Um estudo bem interessante da Sociedade de Psiquiatria de Pediatria e Psiquiatria.

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Desconhecido

Com o agravamento de quadros de TDH em função das experiências adversas na infância e o quão os quadros de mesmo neurobiológicos eles podem ser agravados pelos traumas precoces, tanto o autismo quanto o TDH. Então, o trauma, ele muitas vezes está ali envolvido, inclusive nos quadros clínicos, não necessariamente como a causa, mas como um fator ou agravante, ou como um fator de abertura do quadro.

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Desconhecido

Caraca, muito! Tá, eu tô achando que falaram que podiam ser cinco a série de livros, mas ainda bem que você produz conteúdo para o seu perfil, porque as pessoas podem ir lá. E aí, antes da gente encaminhar também. Hoje eu tenho mais uma pergunta que na verdade são quatro perguntas, mas já quero deixar o convite pra todo mundo que está aqui.

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Desconhecido

Na semana que vem a gente vai ter o Congresso a venda de medicina integrativa nós convida esse ano. Ele é todo focado em saúde mental. Ele está acontecendo no Setembro Amarelo. Não é à toa. E ele é totalmente gratuito para vocês. A gente bota nas redes sociais do Vida a Venda para vocês e a Ediane é uma das palestrantes do Convida, então se vocês quiserem continuar esse processo aqui, ela vai dar uma palestra.

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Desconhecido

Eu já dei uma palestra, vai ser liberada na semana que vem para vocês, então fiquem ligadas nas redes sociais. Dúvida venda. Se você está no YouTube, se inscreve no canal e aperta o sininho para você não perder nada. E eu queria te perguntar assim eu vou te tacar umas quatro perguntas juntas, porque eu acho que elas tem mais ou menos a ver e primeiro que eu acho que a gente devia encaminhar para o final da Live falando sobre caminhos de tratamento e cura para isso.

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Desconhecido

Quer dizer, a pergunta fundamental é todo trauma tem um caminho de cuidado, de cura e de tratamento. Ou se você falar não, essa pessoa aí está traumatizada já há um ano e esquece que não tem o cuidador. Se aprovado, não tá bom, tá bom. Fátima Então a primeira, a primeira questão que eu acho que elas todas são uma resposta só.

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Desconhecido

Mas eu queria te ouvir falar sobre esse todo o trauma tem um caminho de tratamento e você falou que são feridas internas muitas vezes e aí a gente consegue ir até elas e alcançá las. Sabe? E tem um caminho. Como é que esse caminho se relaciona com se acalmar, meditar, respirar fundo, porque isso é muito comum. As pessoas falam que está nervosa, vai se acalmar, vai meditar, vai de coração para o coração de bater acelerado, fala tá, ele está momento tá muito nervosa, vai se acalmar.

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Desconhecido

E aí tem outras pessoas que dizem isso aí. Na verdade é tudo mimimi. Isso é falta de louça para lavar. Você vai lavar a louça, entendeu? Em vez de ficar se preocupando com essa mãe, esse bando de baboes negócio de passado que mamãe e papai não sei que é lá isso é coisa de gente que não tem muito que fazer da vida.

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Desconhecido

Então eu queria que você falasse um pouquinho sobre caminhos de tratamento. Quer dizer, se existem caminhos de tratamento, se esses caminhos passam por lavar a louça, se acalmar, meditar, fazer yoga. E aí eu queria botar mais uma camada, porque eu sou desses que assim é. Tudo o que eu ouvi você falando até agora me parece potencialmente mais grave no caso de populações de pessoas que já sofrem algum tipo de opressão ou violência sistêmica.

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Desconhecido

Então, no caso de mulheres, por exemplo, numa sociedade patriarcal, patriarcal, machista, no caso de pessoas LGBTQIA+, por exemplo, uma sociedade que é muito machista, preconceituosa, o caso de pessoas pretas, por exemplo, na sociedade, que é racismo racista e tem um racismo estrutural muito violento, então essas pessoas sofrem trauma do mesmo jeito e tem caminhos para tratamento também. Sim, não quer dizer que joguei um mundo inteiro que sei responder em 15 minutos.

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Desconhecido

Essa vai ser a parte fácil dos 15 eu vou te mandar um áudio, você publica lá no.

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Desconhecido

Ai, E pior que as pessoas são muito boas. Por essas e por outras que eu te amo Matheus, que as perguntas muito boas da vontade de.

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Desconhecido

Vou falar sobre trauma e processamento de trauma né? A gente no inglês eles vão usar o while para trauma, que no português é uma tradução tão complicada, porque ele a gente traduz como cura. E aí no inglês a gente tem um modelo biomédico na nossa cabeça que curar é tirar um negócio ou até consertar uma coisa. E não é exatamente sobre isso.

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Desconhecido

Quando a gente fala em trauma, em processamento de trauma, em resolução traumática, falamos mais sobre integração, mas sobre colocar coisas do que sobre tirar uma coisa como se ela nunca tivesse existido. Mas eu diria que a primeira vez que eu ouvi o Peter Levin dizer o trauma não é uma prisão perpétua, eu desconfiei. E aí hoje eu posso dizer que eu tenho a vivência em consultório, a vivência clínica dos processos que acompanho nos atendimentos e eu tenho a minha própria história.

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Desconhecido

Eu fui uma criança que tive mutismo seletivo. Minha gente, aqui eu trabalho basicamente com comunicação. Hoje em dia com a geminiana que trabalha com comunicação. É uma seletiva. Não, não tem como. Em tese, entende? E isso foi um processo de resolução de traumas muito profundos. Eu tive um diagnóstico de tapete complexo e literalmente uma sobrevivente. Trauma que é o traço de estresse pós traumático vivido numa relação de difícil escalabilidade.

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Desconhecido

Então, então o trauma ele pode ser processado, O que acontece? E os caminhos para esse processamento do trauma? Eles para eles vão ser variadíssimos, não tem a fórmula mágica do dez passos para processar seu trauma. Não acreditem nelas toa, mas existem. Eu digo que algumas coisas que a gente precisa encontrar nos caminhos, no caminho, independente de qual caminho você faça, a sua escolha.

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Desconhecido

E aí eu acho que faz parte inclusive da recuperação desse senso de agência, a pessoa se tornar um agente desse caminho que ela vai escolher para cuidar de suas dores, Da mesma forma que ela escolhe para cuidar das dores físicas, das dores emocionais. Mas é, eu acho que esses movimentos que vão fazer parte de um caminho que vai ser o seu pessoal, passam pelas dimensões que o trauma afeta.

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Desconhecido

Então, se o trauma é um evento neuro psicofísico que distorce muitas vezes a percepção que temos de nós mesmos e como olhamos para o mundo, nós vamos precisar de intervenções que passem por essas dimensões. Então a gente vai precisar de intervenções no corpo físico. E agora, Matheus vai me amar? Do que eu vou falar? Eu vou falar dos pilares da saúde.

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Desconhecido

Por que um corpo em estado de alerta constante, que é o corpo traumatizado? Ele está produzindo neuroquímica do stress, disfunção sional o tempo todo e stress igual a inflamação. Então um corpo menos inflamado me ajuda a processar melhor minhas emoções. Definitivamente. Então isso passa por alimentação, passa por sono, passa por silêncio, passa por movimento, passa por todos esses pilares da saúde.

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Desconhecido

Então, a medida que eu começo a me conectar com um corpo mais saudável, eu tenho um terreno mais bacana para um processamento de trauma que quando eu chego, por exemplo, para uma terapia, se for o caso de buscar uma terapia, essa terapia vai ter um material de trabalho muito mais fácil de trabalhar, porque emoção e corpo estão misturados, são misturados.

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Desconhecido

Essa diferenciação corpo mente, sabe isso. A gente faz uma diferenciação didática, mas são manifestações distintas de um fenômeno só. A gente tá olhando com o mesmo fenômeno. Então eu acho que esse cuidado físico, ele é mais importante do que a gente imagina. Ele é muito negligenciado quando a gente pensa em trauma psicológico e ele é muito mais importante que a gente imagina.

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Desconhecido

Eu não tenho dúvida que foi a dança, o esporte que na minha infância e na minha adolescência me ajudaram a lidar com uma dramatização que poderia ter ido para caminhos de muita auto destruição. Eu fiquei lá, dissociada um tempão sede resposta traumática, mas eu poderia não estar viva agora se não fosse o movimento. Por exemplo. Só que sozinho.

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Desconhecido

Isso vai ajudar, mas não resolve porque em algum momento eu vou ter que fazer completa ações dessas respostas traumáticas aí onde a terapia ajuda, o estudo ajuda muito. E eu acho que existe uma outra coisa que é fundamental, que são as relações ajudam muito, Não existe mais nada mitiga a dor de stress do que bons vínculos. O Gabor Mather vai nos dizer então começar a discernir aquilo que é nutritivo para mim do ponto de vista emocional, as relações que são nutritivas para mim, do ponto de vista emocional, como eu engajo com trocas dignas nos meus relacionamentos emocionais, de trabalho, de amizade, quaisquer relacionamentos.

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Desconhecido

Isso vai ajudando esse corpo a reconhecer segurança de novo e essa mente a sair da auto condenação que o trauma nos coloca e entender que nós somos merecedoras e merecedoras de uma vida boa, de bons relacionamentos. E é, eu gosto dessas frases que Mather usa, por exemplo, como essa, que é uma frase dele que eu citei para não ficar com mérito.

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Não existe nada mais mitigar dor de estresse do que bons vínculos, porque a gente vai vendo que o trauma ele causa uma ferida relacional. Muito frequentemente. Se a ferida está na relação, a cura está na relação também, não necessariamente na mesma relação. Não precisa necessariamente voltar lá para a relação do pai e da mãe, onde eu me traumatizei muitas vezes.

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O processamento desse trauma que ficou lá na infância vai ser que uma relação digna que você vai estabelecer com seu parceiro, com a sua parceira amorosa no momento presente e sobre o momento presente ou com amigos. Isso vai te ajudar a processar aquela dor relacional lá de trás. Se o trauma te causou uma hiper ativação em que eu tenho picos de ansiedade, stress, um trabalho mais voltado para estresse traumático, é mais específico, vai ajudar, porque aí eu acho que entra a medicina e entra a psicologia.

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Eu acho que aí é onde nós, por exemplo, como especialistas, conseguimos fazer a nossa participação nesse combo e sigamos assim junto a pessoa.

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E acho que quando nós pensamos nos nos processos coletivos que foi essa segunda pergunta, em grupos que historicamente sofrem agressões e violências, que são os traumas coletivos e trans geracionais, porque eles vão sendo passados de uma geração para outra de várias formas, na forma como esses filhos de pessoas traumatizadas vão sendo criados para existir num mundo que não será gentil com eles.

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Então as defesas de sobrevivência usada por nossos ancestrais vão sendo passadas, seja na criação e seja na epigenética. Porque a gente vai ter uma neuroquímica, é alterada que ela vai sendo transmitida. Já tem uns estudos muito bonitos sobre isso, de como uma criança, às vezes um bebê muito pequeno nasce com alterações hormonais, muito característica de atração do estresse pós traumático, por exemplo, com pais com diagnóstico de transtorno de estresse pós traumático.

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Então isso vai sendo transmitido geracionalmente tanto de uma forma comportamental como epigenética, mente. E aí, se eu tenho um organismo em traumatizam, ele é mais vulnerável a novas parametrizações. Então, quando a gente pensa nos traumas coletivos, nós temos aí um recorte muito específico realmente a ser feito, porque a gente está falando de uma pessoa que vem de uma história muitas vezes transgeracional, de traumatiza.

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São que já vai ter por si só um cérebro funcionando em hipervigilância, em estado de alerta constante e sem a perspectiva de findar. Esse é a diferença fundamental dos traumas violentos e coletivos que você me convidou a falar. Porque quando eu vivi um trauma lá atrás, pontual e ele findou, eu preciso ajudar o meu cérebro a entender que o perigo passou porque ainda está produzindo resposta.

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Aquele estresse. Agora, quando eu vivo um trauma violento numa sociedade que normaliza essas discriminações, agressões, preconceitos a grupos específicos, seja pela sexualidade, seja pela raça, pelo gênero, todos essas violências, elas acontecem. A gente está falando de um trauma sem uma perspectiva próxima de findar, porque eu não sei quando e onde e quando virá a próxima agressão. Então a gente tem um trauma crônico, que ele não é um evento, ele não é episódico, a gente tem um trauma crônico.

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Então a gente tem um corpo respondendo a um perigo que pode vir de qualquer lugar, a qualquer momento. E aí eu estou numa fisiologia a que me leva para me defender o todo momento. Eu vou trazer o porre no neuro fisiologista do trauma que ele vai dizer. A gente trabalha na fisiologia do perigo, na fisiologia da segurança, na fisiologia.

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Desconhecido

Teria eu. Só tem uma saída me defender na fisiologia da segurança, só impulsionada para a criatividade, para a expansão, para os bons relacionamentos e para os bons vínculos. Então a gente tem uma restrição quando você está num grupo que sofre violências historicamente, que não foram agregadas à consciência coletiva, que é uma questão que vai esgarçar o tecido social para todo mundo, inclusive para quem não faz parte daquele grupo e que é um problema de saúde.

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Desconhecido

Hoje a gente já entende alguns adoecimentos mais prevalentes na população negra, por exemplo, que antigamente só se falava da genética. A genética acabou no genético, mas que hoje estamos entendidos como desfechos de sustentação excessiva do stress, alguns tipos de câncer e etc. Então a gente está falando de trauma, gerando adoecimento populacional. Então eu acho que isso é muito perigoso.

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Desconhecido

É. E a boa notícia é se o trauma não é uma prisão perpétua. Acho que eu sou um exemplo vivo disso, de como transitar com dignidade, mesmo numa sociedade que vai me dizer o tempo todo que talvez eu não devesse, não devesse estar neste lugar. Então é um aprendizado que passa por todas esses lugares que falei. E aí quando você me pergunta do ioga, do acalmar se para fechar e acabar com nosso tempo de estourar, pode estourar.

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Desconhecido

Acho 15 minutos melhor. Quando eu estou muito desregulado, uma causa, uma desregulação emocional, onde eu vou responder no presente como se estivesse vivendo no passado. Então vou responder com desregulação a uma situação que não é necessário. Então, às vezes, antes de visitar, traumatiza. São memórias traumáticas. Eu preciso regular minha reação para o momento presente, para o dia a dia.

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Desconhecido

Então, tudo aquilo que eu faço, que me ancora no presente vai ajudar a tirar esse cérebro, essa mente, esse corpo que são sugados para o passado no momento do gatilho traumático. Mas então, por isso o Yoga é uma prática interessante e todas as práticas contemplativas, todas as práticas que fazem ancorar, agem no momento presente. E aí não é respirar ou se acalmar por si de qualquer jeito.

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Desconhecido

Por que você está falar para o coração Não bata acelerado a respiração, volte ao normal No amor, a sua razão vai perder a sua fisiologia. Não tem jeito, a sua decisão racional vai perder para a sua fisiologia. Então a gente precisa de algo que regule essa fisiologia para que eu consiga responder no momento presente de forma mais compatível.

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Desconhecido

E aí eu tenho mais continente para visitar. Aquela dor que foi tão grande que eu precisei me ausentar dela no passado. Sim, Nossa, que demais! Você arrasou muito nas respostas todas. Cara Diane Sério? Não dava, Não dá. Você não cabe no meu coração e quando vier, avise assim. Obrigado pela tua generosidade. Obrigado pela participação aqui na Live e no Congresso para todo mundo que está aqui com a gente semana que vem.

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Desconhecido

Congresso da Venda de Medicina Integrativa Livre Aberto Gratuito. Um dos maiores congressos Medicina Integrativa do Planeta Terra. Pela quantidade de pessoas ao nosso quinto ano e esse ano é todo dedicado para a saúde mental. A Ediane tem uma palestra que vai ser disponibilizada na semana que vem, então grudem aí! E aí para vocês estão no YouTube o link pro Instagram da Ediane.

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Ediane, o Ribeiro tá na descrição desse vídeo aqui também, se você quiser vai lá que se você quiser não vai lá seguir adiante que tem muito que aprender ainda. Só que eu sou uma pessoa que só usa uma pitadinha de conhecimento dessa mulher maravilhosa. Então cara, alguma coisa pra gente encerrar. Ediane, Últimas palavras. Não, eu acho que foi tudo dito.

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Desconhecido

E se eu posso dizer uma coisa, eu vou mudar essa frase que eu tô ficando pouco repetitiva, Só acaba as minhas coisas tudo com ela. Mas é porque ela é uma frase que me veio um dia escrevendo e E eu acho que ela resume assim Eu acho que é lembrar que sempre existe em nós um tesouro intocado pela dor.

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Desconhecido

E por mais que tenhamos vivido, a adversidade, sempre vai existir em nós algo que nos movimenta em direção a vida, que nos diz que viver vale a pena. E é nesse lugar que a gente brilha além das nossas feridas.

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Desconhecido

Obrigado pelo convite. Um prazer estar com vocês sempre. Obrigado pela presença de todo mundo. Esse foi o projeto 800 963. Um beijo para vocês e a gente se ver de novo na quinta feira. Tchau, tchau, tchau.

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Desconhecido

O.

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Primeiro.

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Desconhecido

O.

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