Só delas - Empoderamento e Inovação na TI - podcast episode cover

Só delas - Empoderamento e Inovação na TI

Mar 21, 20231 hr 11 minSeason 4Ep. 135
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Ada Lovelace teria ficado orgulhosa ao ver como as mulheres estão dominando a TI hoje em dia! Quem diria que aquele velho estereótipo de 'computador é coisa de homem' seria desmontado tão facilmente?

 

O episódio dessa semana foi Só Delas! Edilaine Revers, Tainã Rodrigues, Mila, Lele Maine, Erica Conca, Silvia Coelho, Joyce Beatriz e Elizabeth Mamede. Mulheres incríveis que estão liderando a mudança no setor de TI e superando desafios em sua jornada.

 

Pegue seu café e dê o play!

 

Participantes 

 

Letícia Moreira: Analista de QA na Oracle e criadora da @lelemaine

 

Elisabeth Alves Mamede: Engenheira de teste de software I Women Techmakers Ambassadors I GDG Uberlândia Organizer I Creator na Rocketseat

 

Silvia Coelho: CTO Forum Hub | LinkedIn Top Voices 2022 e LinkedIn Creator | Fundadora da Elas Programam

 

Joyce Beatriz: Graduanda em Engenharia de Software | Pesquisadora

 

Erika Conca: Desenvolvedora backend na Zup Innovation- Prevenção a Fraudes | Embaixadora Women Techmakers Goiânia | Líder da Comunidade Google Dev Group Goiânia

 

Mila Nogueira: Pre-Sales Engineer - ACSoftware – ManageEngine

 

Tainã Rodrigues: Tech Leader na ACSoftware | MBA em Gestão de Pessoas

 

Edilaine Revers: Account Manager na ACSoftware - ManageEngine

 

Links: 

 

Linkedin: https://www.linkedin.com/in/lelemaine/

Linkedin: https://www.linkedin.com/in/elisabethmamede/

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Linkedin: https://www.linkedin.com/in/erika-conca/

Linkedin: https://www.linkedin.com/in/mila-nogueira-7a52231a7/

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Linkedin: https://www.linkedin.com/in/edilaine-revers-817737b6/

PodCafé Tech é um podcast onde Mr Anderson, Guilherme Gomes e Dyogo Junqueira, recebem convidados para falar de uma forma descontraída sobre Tecnologia, Segurança e muito mais.


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Transcript

Música

Hoje tem café. Quer um café? Podcafé da TI. Podcast de tecnologia e cafeína. Mujica pensa que esta Mujica?

Lelê

Muito bem, muito bem, muito bem, estamos Meu nome é Lelê Meine, eu já sou veterana aqui nesse PodCafé. Hoje eu dei folga pro Mr. Anderson, porque hoje é o PodCafé especial só delas.

Elizabeth

Meu nome é Elizabeth Mamede, eu estou muito PodCafé da TI, que está especialíssimo com essas mulheres incríveis.

Mila

Meu nome é Mila Nogueira e sim, estamos no vamos.

Elizabeth

Eu sou a Érica, estou fazendo a minha estreia aqui com essas mulheres maravilhosas.

Tainã

Olá pessoal, tudo bem? Aqui é a Tainã e pela primeira vez aqui no PodCafé e é um prazer estar com tantas mulheres incríveis aqui.

Edilaine

Aqui a Edilaine Revers e hoje as mulheres que

Silvia Coelho

Aqui é Silvia Coelho mais uma vez no PodCafé tecnologia.

Joice

Meu nome é Joice e eu estou muito animada de falar de tecnologia.

Edilaine

Estamos aqui hoje, então para mais um PodCafé Hoje só de mulheres, mulheres incríveis e com a gente aqui, a Lelê! Lelê fala um pouquinho de você pra gente aqui.

Lelê

Oi Edi, é um prazer enorme estar aqui mais participação, eu fico sempre muito feliz e animada com um convite para participar do PodCafé e hoje em especial com mulheres lindas, maravilhosas e inteligentes. Eu estou muito animada! Eu trabalho com QA sete anos, atualmente na Oracle, sou criadora de conteúdo... É isso, essa sou eu, essa é a Lelê.

Edilaine

Além da Lelê, a gente tem outra QA aqui no Você também aí fica procurando os erros dos devs? Fala um pouquinho pra gente aí de você.

Elizabeth

É isso aí Edi, a gente trabalha, mas também Eu também sou QA, faço parte da organização das comunidades Google Developers e Women Tech Makers e estou muito feliz de estar aqui hoje pela segunda vez participando de um episódio do PodCafé da TI, mas essa vez é ainda mais especial para mim, porque eu estou acompanhada de outras mulheres que são inspirações para mim e eu tenho certeza que também são inspirações para várias outras mulheres.

Edilaine

Realmente, hoje a gente tem um PodCafé muito colega parceira aqui de trabalho, a Mila! Mila, conta um pouquinho da tua trajetória, um pouquinho de você pra gente.

Mila

Então pessoal, diferente das meninas, né, ao costumo trazer soluções para as empresas, mostrar aí um pouquinho do que que pode ser esse mundo da TI, né, um pouco mais colorido, trazendo soluções que possam ajudar nesse ambiente, diferente de que... Que muitos pensam, né, a mulher pode estar onde ela quiser, sim, tá?! Então a gente tem a capacidade de encontrar soluções, de ter uma visibilidade muito maior, tá?

Então, a minha missão diária é trazer soluções, é trazer uma visibilidade diferente, uma sensibilidade diferente também, né? Então, mostrar caminhos diferentes aí, onde a gente possa trabalhar no ambiente, tá? E estar com vocês, mulheres, tão importantes né... Eu até me indaguei "Nossa, mas o que eu vou falar com um monte de gente mulher importante aí, né?", fico lisonjeada pelo convite e é a segunda vez, eu estou participando, então é um prazer estar com vocês.

Edilaine

Seja bem vinda, viu? Temos também a Joice aqui com a gente que está iniciando, começando a sua carreira aí no mundo da TI. Joyce vai contar pra gente um pouquinho aí da sua visão de como o que você espera desse mundo. na TI. Fala um pouquinho para a gente de você.

Joice

Sim, é isso mesmo, Edi. E ainda estou Na área da tecnologia, entrando no mercado de trabalho. Eu ainda sou estagiária, eu faço parte de comunidade e gosto muito, faço parte do GDSC que é o Google Developer Students Club, lá na UFG, e também faço parte do WTM Goiânia e é um prazer estar aqui com vocês. Essa é a minha primeira vez no PodCafé, então está sendo uma experiência muito boa.

Edilaine

Legal Joyce! A gente que agradece a tua Erika, né? Erika conta um pouquinho pra gente aí da sua trajetória, do seu mundo na TI como mulher.

Érica

Então gente, tudo bom? Meu nome é Érica sou mãe de um rapaz de 11 anos... Eu sou apaixonada por bichos, então eu tenho uma gatinha muito teimosa, nove gansos extremamente bagunceiros e profissionalmente eu sou desenvolvedora backend na Zup Innovation. Eu vim de uma migração de carreira, eu era funcionária pública e eu passei por um programa de desenvolvimento da ZUP... Eu sou líder das comunidades do Google Developers e do Women Tech Maker, junto com a Joyce aqui em Goiânia.

Edilaine

Bom, muito bom. Vocês estão percebendo que Tem só mulher incrível como eu falei para vocês desde o começo?! Outra mulher incrível que eu tenho também muita admiração, trabalha comigo e é a Tainã, que está aqui com a gente. Fala um pouquinho aí de você, Tainã, e da sua trajetória aí na TI e também aqui na ACSoftware.

Tainã

Olá pessoal! Aqui Tainã Rodrigues. Alguns podem me conhecer de alguns vídeos do YouTube, quem sabe de alguma tirinha, mas sou só a garota AC Software, estou aqui há dez anos aqui na AC Software, trazendo soluções aí para os nossos clientes, cada dia descobrindo algo novo na tecnologia, descobrindo uma solução nova.

.. É a primeira vez que eu estou participando aqui do PodCafé, que é um imenso prazer, não só por participar, mas também numa data tão especial, onde só temos mulheres aí lindas, incríveis em tudo que fazem. Então é um prazer para mim e espero que vocês gostem.

Edilaine

Muito bom, muito bom, Tainã. A Tainã estreando aqui no nosso podcast, mas nós temos mais uma veterana aqui com a gente, não é Silvia?. Seja bem vinda!

Silvia Coelho

Obrigada, Edi! É um prazer estar aqui propósito da minha vida, que é aumentar a presença de mulheres na tecnologia. Eu sou engenheira de formação paraense, sou mãe de duas adolescentes, eu trabalhava com tecnologia antes do meu caçula nasce, decidi parar minha carreira para cuidar dos meus filhos e quando decidi voltar ao mercado de trabalho é que eu me dei conta que era uma minoria e que tinham poucas mulheres estudando, criando, produzindo tecnologia, isso me deu um impulso muito grande...

Acabei criando uma comunidade chamada "Elas Programam", que já faz mais de cinco anos, eu crio conteúdo no LinkedIn, crio conteúdo no Instagram, sou Top Voice do LinkedIn e é um motivo de orgulho muito grande para mim ,afinal de contas, são cinco anos criando conteúdo na maior rede profissional do mundo e tudo para incentivar mais mulheres a seguir carreira em tecnologia, se assim elas quiserem.

Então, mais uma vez aí, obrigada pelo espaço e eu tenho certeza que vocês vão gostar muito desse episódio, porque aqui só tem mulher pi .. também, muito bom

Edilaine

Muito bom ter você aqui. Sílvia, seja bem Então meninas, nós estamos aqui hoje para passar algumas informações, conversar sobre alguns eventos muito importantes na TI com participação de mulheres e um deles vai acontecer em Uberlândia, não é, Elizabeth? Você pode contar um pouquinho mais pra gente sobre ele?

Elizabeth

É isso aí, Edi. Bom, o mês de março e abril é muito especial para nós que fazemos parte da comunidade

Women Tech Makers. Para quem ainda não conhece ou não ouviu falar em Women Tech Makers, ou o WTM, esse é um programa do Google que tem como principal objetivo trazer o protagonismo de mulheres na área de tecnologia, e essa comunidade, ela trabalha para que essas mulheres possam ter um espaço de fala, para que essas mulheres possam ter um local para aprender e para fazer networking com outras pessoas. E nos meses de março e abril a gente tem uma campanha especial, que é quando realizamos o IWD.

O IWD é um evento para celebrar as conquistas das mulheres em tecnologia e esse evento acontece ao redor de todo o mundo. Então, onde existe um capítulo do WTM em algum local pelo mundo, existe um IWD acontecendo. Provavelmente você vai encontrar um desses eventos rolando. E a gente está aqui para falar de dois eventos muito especiais que vão acontecer do IWD, que é o IWD Uberlândia e o IWD Cerrado, que vai acontecer lá em Goiânia.

O IWD Uberlândia vai acontecer no dia 25 de março, é um sábado, é um dia que está sendo preparado com muito conteúdo, oportunidades de mentoria, de networking...

Nesse evento a gente vai ter a presença de mulheres maravilhosas como a Lelê, que vai estar com a gente aqui em Uberlândia no dia 25, trazendo um pouquinho também de toda - Toda a carga de conhecimento, toda a experiência que ela tem atuando aí como QA e, principalmente né, sendo uma mulher na área de tecnologia ,então estão todos convidados para participar desse evento, encontrar todas nós e também a Lelê aqui em

Uberlândia. E se vocês quiserem saber mais sobre esse evento, como se inscrever, quais são as outras mulheres que vão participar do e IWD Uberlândia, vocês podem acessar o nosso site que é wtmuberlandia.com.br.

Então no nosso site tem todas as informações certinhas sobre o evento, tem as palestrantes que já estão confirmadas e nós estamos soltando ainda mais outras mulheres que também estarão presentes com a gente, então não teremos apenas a Lelê, teremos também outras mulheres incríveis, como a Angélica, como a Bianca Junqueira, a Mônica Ribeiro, a Carla Vieira... É isso aí. Nós estamos na temporada dos eventos do IWD.

Para quem ainda não conhece e não ouviu falar ou não participou de um desses eventos, o IWD é um evento organizado pela comunidade Women Tech Makers...

Esse evento acontece ao redor de todo o mundo, então vários capítulos pelo mundo da comunidade WTM realizam o IWD, que é um evento que tem o objetivo de trazer o protagonismo da mulher em tecnologia, então, são eventos onde as mulheres falam, então todas as palestras são feitas por mulheres e temos aqui na nossa região dois eventos de IWD agendados, né.

No dia 25 de março vamos ter aqui em Uberlândia o IWD Uberlândia: esse evento já tem várias palestrantes confirmadas, entre elas teremos a presença da Letícia, né, a Lelê também estará conosco aqui no IWD Uberlândia e além da Lelê, teremos também outras palestrantes, alguns nomes aqui que a gente já tem: a Angélica de Oliveira, que é uma GDE de Android, Bianca Junqueira, que é co-fundadora de uma startup chamada Portão Três e ela também foi destaque na Forbes Under 30 em 2022, também vai estar

participando do evento, vamos ter mais GDEs conosco, temos também a presença confirmada da Carlinha Vieira, que é uma GDE de machine learning e vamos ter também a Mônica Ribeiro, que também estará conosco aqui palestrando no IWD Uberlândia.

Bom, esse é um evento aí sendo organizado pela comunidade, especialmente para as mulheres e fica o nosso convite para que todos vocês que acompanham aí o PodCafé da TI possa participar conosco aqui do IWD de Uberlândia, lembrando que esse evento não é um evento exclusivo para mulheres, porém é um evento onde nós queremos fomentar o protagonismo de mulheres, então todas as nossas pessoas palestrantes são mulheres, a nossa organização e temos mais de 80% de inscritos nesse evento que também são

mulheres. Então vai ser um evento muito bacana para reunir todas as mulheres aqui de Uberlândia e região, para que a gente possa trazer em evidência o protagonismo das mulheres em tecnologia. Então, fica aí o nosso convite para que vocês possam participar conosco. E vamos ter também o IWB Cerrado, que vai acontecer lá em Goiânia. E aí a Erica vai falar para a gente um pouquinho agora né, do que teremos no WB Cerrado.

Érica

É isso mesmo, Beth, até dia 15 de abril na uma mega edição da IWD Cerrado.... A gente quer fazer desse evento voltado para mulheres um evento tão grande quanto o Dev Fast Cerrado, né, enaltecer aí a mulherada no palco, né, o nosso palco vai ser 100% feminino, a participação também é mista e nesse evento a gente vai ter em torno de três trilhas de palestras simultâneas, vamos ter espaço kids para as mães, os pais poderem aproveitar o evento enquanto as crianças

aprendem com a oficina de Minecraft, Roblox... É... Programação, né? E além de muito networking, muito conteúdo topíssimo, inclusive a gente já tem aqui algumas palestrantes confirmadas como a Sílvia, maravilhosa, teremos a Tainã também, que vai estar lá com a gente... Além delas, teremos Nina Talk, Júlia Bordignon, Ana Néri, Vanessa Guita, Bianca Ximenes e Mikaele Ohana, que são GDEs de machine learning, e muito mais que está vindo

por aí, né? Nós fechamos nosso call for papers e em breve divulgaremos as novas palestrantes. Todos estão convidados a vir participar do IWB Cerrado e fazer esse evento grandioso.

Edilaine

Muito bom, legal, meninas, todo mundo, o Ele é um evento onde o palco, como as meninas falaram, é 100% feminino né? Mas o evento é aberto para o público, tanto feminino quanto masculino, correto, meninas? Muito legal. Mas também a gente tem, a gente sabe que tem muitos eventos, muitos inclusive organizados pela Silvia, né Silvia? Que além de ter um palco de mulheres, é evento exclusivo para as mulheres aí poder fazer um network, mostrar um pouquinho do que são essas mulheres aí no mundo da TI.

Elizabeth

Isso mesmo, Edi, o evento, ele é aberto para oportunidade, para que homens possam conhecer mulheres, e isso - mulheres que são referência na área de tecnologia - e isso é muito interessante para que a gente possa desmistificar alguns tabus que muitas vezes alguns homens não conhecem mulheres que são referência em várias - em várias áreas dentro de tecnologia.

Eu já cheguei a conversar com alguns homens e perguntar se eles conheciam mulheres de Android que fossem referência para eles, de machine learning e muitas vezes eles não conhecem, dizem que não conhecem nenhuma, que não sabem de mulheres nessas áreas mais técnicas que sejam referência, então esse evento contribui para isso, né?

Para que essas pessoas possam conhecer essas mulheres e que elas também possam se tornar referência para eles dentro de assuntos técnicos como esses que a gente comentou que teremos aqui no palco desses eventos.

Silvia Coelho

Então, é uma grande conversa a questão de Eu sou, vamos dizer assim, cria de eventos exclusivos para mulheres. Há cinco anos atrás e eu estava voltando com o mercado de tecnologia e o meu primeiro contato com um novo mundo de tecnologia, porque eu fiquei dez anos fora do mercado e era completamente diferente, como se estivesse numa cápsula do tempo presa e de

repente

"Opa!", dez anos depois, quero voltar a trabalhar com tecnologia. Tudo era muito diferente, muito novo e meu retorno foi com eventos exclusivo para

mulheres

eu aprendi muito sobre representatividade, pertencimento, sobre gap de gênero em tecnologia - porque quando eu trabalhava eu não me dava conta que era uma minoria - então eu acho que esses eventos exclusivos trazem uma potência para mulheres que estão começando, para mulheres que estão pensando em desistir da área (porque isso é muito comum), então existe um espaço de...

De reconhecimento entre as mulheres de que o que você passa é o mesmo que eu passo, "eu achei que eu estava sozinha", "ah eu estou desistindo", "não, eu sou fraca" ou "nossa, essa área não é para mim"... Então, nesses eventos exclusivos, a gente pode falar abertamente, muito confortável, muito tranquila sobre essas dores que os homens no mercado de tecnologia não sentem.

Então, existe uma conversa muito, muito importante sobre por que ter eventos exclusivos para mulheres, porque a gente precisa falar de tudo o que a gente precisa superar para chegar onde a gente quer chegar no mercado de tecnologia porque a gente sofre uma série de violências que muitas das vezes a gente não percebe que são violências, e a gente não tem com quem trocar essas conversas. No ambiente de trabalho, que a maioria é homem, a gente não se sente à vontade para

falar disso. Na faculdade, que a gente também é minoria, a gente não tem nenhuma professora, nem uma coordenadora que nos entenda, às vezes as próprias meninas da sala acabam desistindo no meio do caminho então a gente tá sempre sozinha. Quando você entra num evento de tecnologia que vê assim 300 mulheres, só mulheres palestrando, aí você vai... Eu acabei de voltar de João Pessoa no evento, que foram 600 mulheres de tecnologias e você

fala assim

"Meu, eu não estou só, eu não, eu não sou a perdida, sozinha, desacreditada." existem várias mulheres que estão aí produzindo, criando tecnologia que a gente não se encontra. Então esses eventos trazem o resgate de um protagonismo que já existiu, nós já fomos minoria na área, então, pouco se fala sobre isso. Nos eventos que são mitos é tecnologia pra cá, novidade pra lá, várias siglas e não sei o quê, é aquele aquele mundaréu de coisas, mas, peraí, cadê a mulher falando disso?

Cadê a outra que está pensando em desistir da faculdade? Cadê a outra que está no trabalho, passando por uma série de assédios e que está querendo sair do mercado de trabalho? Então a gente precisa trazer esses dados, esses números, esse número de desistências e essas conversas existem justamente para que você não está sozinha, esse é um problema cultural, essa é uma estrutura que a gente precisa mudar... E Nos espaços exclusivos para mulheres, essas conversas são muito importantes.

Edilaine

É mais fácil de ela conseguir se comunicar mulheres que estão passando pelo mesmo que elas ou passaram ou se identificam, né, querendo ou não, você consegue criar um ter uma comunidade com interesses em comum...

Silvia Coelho

É, às vezes elas combinam de chegar, elas não numa live no YouTube, alguma coisa assim, e aí se conversa "Ah, vamos nos encontrar na rodoviária." "Ah, eu tô chegando em São Paulo" - por exemplo, quando tinham algumas programadas ano passado era assim - "tô chegando em São Paulo, vindo do Rio, vamos nos encontrar no Tietê e a gente chega junto ..." Meu! Você não faz isso se não for como a outra mulher. Você não faz isso, se uma pessoa desconhecida que você conheceu na internet.

.. Você vai fazer isso com muita segurança, porque é uma mulher que, sabe, que a gente pode confiar, então, é muito incrível essa - o quanto é potente esses encontros, e eu não, eu não via dessa maneira.

Há cinco anos atrás eu fui a única mulher numa turma de 40, na engenharia eu sempre fui minoria, eu não me dava, eu era a única mulher e eu achava "nossa, besteira", mas assim, depois que percebe que existem histórias de mulheres que desistiram porque não tinha UMA mulher para trocar, UMA para dizer assim "eu entendo o que você está passando", nenhuma professora, nem uma coordenadora, nada no curso... E aí tem um professor falando que ela devia estar fazendo outro curso, tem um colega de

classe duvidando da capacidade dela, você começa a achar que essas vozes são a absoluta verdade e as suas inquietações são tipo "Meu, esse lugar não é pra mim.". Então, quanto mais as mulheres se unirem, menos desistências vão ter. Quanto mais mulheres estiverem presente em espaços que a maioria é homem, mais forte a gente fica, e é importante falar disso num primeiro momento, sabe.

Eu sempre pensei que eventos exclusivos para mulheres são... A gente está plantando sementes, a gente está fortalecendo um solo, né, essas raízes, que depois elas fazem essa transposição para outros espaços, tipo IWD ou outros eventos em que é misto, mas elas já estão ali com a base fortalecida, sabe? Elas estão crescendo e desabrochando.

Algum insulto, alguma bobagem, alguma piadinha, já não vai doer tanto porque ela já vai estar mais fortalecida e compreendendo que essa é uma estrutura que a gente precisa combater, né? Então a desistência acaba sendo menor. E eu acho que a importância desses eventos exclusivos para mulheres é isso: a gente precisa se fortalecer e a gente se fortalece em comunidade.

Dyogo

Os meninos prepararam a salinha para a Presentão, o mês é das mulher e a gente que ganha presente, bão demais da conta!

Mr. Anderson

Mano, olha isso, cara! Tem cinco tipos de cerveja aqui... Velho! Tem salgadinho, tem mesa de sinuca, tem videogame, meu! Play 5!

Gomes

Cara, tá muito bom, né? Ô Anderson, cara, eu tô olhando aqui e tava falando que tá rolando PodCafé. Como assim? Como é que pode estar lá no PodCafé se a gente tá tudo aqui, uai?

Dyogo

Cara, será que as meninas... Não, não, elas não vão fazer isso, elas não fariam isso, né? Vamos lá ver o que tá acontecendo?

Mr. Anderson

Não, deve ser nada não. Peraí-Ué, cara, tá.. Tá trancado aqui, velho! A gente tá trancado!

Gomes

Não, cara! Não, cara, cara, a gente tá preso, A gente tá preso! A gente está preso!

Dyogo

Velho... Cortaram o wifi!

Mr. Anderson

Como assim, cortaram o WiFi?

Os 3

NÃO!

Silvia Coelho

No caso de mulheres, a gente fortalece com as sente, passa o que a gente passa. .. Eu hoje, até um tempo atrás, eu só palestrava em eventos de mulheres, para mim foi muito difícil subir num palco e a Elizabeth estava lá, a Erica estava lá - que eu fui no evento do Google ano passado - foi muito difícil subir num palco e falar que a maioria era homem e falar da minha história de tanto, de tanto que eu falo sobre isso. Pra mim foi um espaço que eu estava com medo. Imagina eu escolada, né?

Já há quase 50 anos eu estava com medo. Eu estava me sentindo insegura. Mas assim eu pensei quem nunca foi no evento de tecnologia chega sozinha uma mulher sozinha não tem ninguém numa sala de aula. Dá muito medo, é aterrorizador. Então, assim, foi muito difícil, mas eu precisava também passar essa barreira de subir num palco e falar com... num evento de tecnologia em que a maioria é homem. Eu precisava também fazer essa transposição.

Edilaine

E você precisava representar as mulheres da

Silvia Coelho

E olha, demorou para eu topar porque eu tenho, só que assim, do jeito que eu falo que a gente precisa se fortalecer em comunidade e depois florescer em outros espaços, eu também precisava fazer isso. Então hoje eu posso contar essa história, hoje eu palestra para uma maioria masculina e eu vou falar dos nossos, dos nossos desafios e da minha história e das histórias das comunidades femininas porque a gente precisa também falar para os caras que a gente precisa do apoio deles.

A gente precisa de aliados, porque essa mudança não vai acontecer só com as mulheres.

Mila

É, tirar essa visão de competição, né? É onde a gente quer tomar o lugar de alguém e na verdade não é. Tem espaço pra todo mundo.

Silvia Coelho

Tem espaço para todo mundo. A gente precisa de aliados, por exemplo, a galera do PodCafé da TI, eles são muito aliados, eles patrocinam nossos eventos, eles apoiam as nossas - as nossas iniciativas, e sem trazer esse protagonismo pra ele. A gente precisa entender - assim, seria muito legal que todo mundo seguisse esse exemplo de que o protagonismo é nosso, nos nossos eventos, no nosso, nas nossas iniciativas, e não existe uma competição, né?

Então assim, esse espaço é para dizer também que a gente não está competindo com ninguém, mas existe a questão do protagonismo para a gente é muito importante, porque a gente é inspiração para quem está entrando. A gente é representativo, representa um grupo de mulheres. Então, elas precisam ver que a gente tem esse protagonismo porque é importante e a gente não estaria reivindicando esse protagonismo se não tivesse uma razão de ser.

Uma hora isso não vai mais precisar existir, né, eventos exclusivos não vão mais existir daqui um tempo, mas por enquanto eles são muito importantes. Eu acho que eu já me estendi demais, como sempre. Mas é sobre isso.

Edilaine

Isso, é isso mesmo, o nosso bate papo é sobre os eventos, essa questão da representatividade tanto num evento só para mulheres como num evento que não seja exclusivo, mas que traga a mulher como um principal, trazendo representatividade aí para a nossa comunidade.

Silvia Coelho

Isso mesmo, representatividade importa, importante ver uma igual, ou uma parecida, ou alguém que tem uma história parecida num lugar de destaque, sabe? Isso é muito importante. Isso é muito significativo, isso causa transformações que a gente não consegue mensurar.

Mila

Exatamente. Eu acho que falando sobre essa junto com a gente - por muito tempo a gente se viu sozinha, né? No meio desse mundo... Se viu sozinha numa sala de aula, se viu sozinha dentro de uma empresa onde a mulher só podia ser secretária, só podia servir cafezinho e a gente só estava na posição de servir, de repente, os homens que estavam na mesma posição e por ser mulher, a gente acabava que tinha essa posição entre aspas inferior.

E por muito tempo, por essa, essa solidão, vamos dizer assim, né, fez com que muitas mulheres se diminuíssem mesmo, encolhesse nas suas posições, não conhecessem ali a sua, a sua força, a sua capacidade. .. Porque se você imaginar durante tanto, tanto tempo que você escuta que você não é capaz porque você é mulher, que você não pode porque você é mulher, você acredita.

Então você acaba se diminuindo., e hoje ter um espaço, uma comunidade, que você possa ser quem você é, independente daquilo que você escolheu ser, é muito importante, né, então a gente fala de comunidade e representatividade é justamente isso: é você poder ser o que você escolheu ser, independente de ser mulher, de ser homem. .. Não há competição. O mundo é grande e cabe todo mundo. O mundo de tecnologia, então, nem se fala ...

Exatamente. Então

"Ah, eu vou perder o emprego pra uma mulher?" Não, você vai perder o emprego pela sua falta de capacidade, se você quiser. Se você não tiver capacidade de estar ali, se não se esforçar e você vai perder o seu emprego, o seu espaço. Mas o nível de capacidade, de necessidade, de esforço é o mesmo, então cada um pode buscar o seu espaço ali ao sol, né, então a gente sabe que essas comunidades, a existência desses eventos, desses espaços de fala comum entre as mulheres, é muito importante.

Edilaine

E a área da tecnologia, ela é muito vista

Mila

É, o ambiente, muitas vezes ele é hostil, Ele melhorou muito.

.. Por exemplo, na época em que eu ministrava aula no Senai, eu tinha, eu era um pouco mais nova, uns 21, 22 anos, mais ou menos, e eu fui a primeira mulher a ministrar aula na área de tecnologia aqui, E eu acessei a sala - Eu ministrava aula os três horários, só que o horário da noite eram de pessoas mais velhas, vamos dizer assim, que já trabalhavam com manutenção, com assistência técnica - e aí eu cheguei para ministrar aula e quando eu entrei só tinha homem de aluno,

e eu senti que eles receberam aquele choque: primeiro de tudo por ser mulher e ser muito jovem, eles esperavam um professor, algo que tivesse uma imposição maior, né, e é engraçado que a gente precisa observar que os homens eles são, eles são bem, bem fiéis a si mesmo, eles são companheiros, eles estão ali juntos, e por que a gente não pode ser também? Por que a nossa rede não pode ser tão forte quanto também?

Então eu acessei aquela sala e vi aquele espanto, deu aquele medo, né, a princípio, porque era um ambiente hostil, acabam que que geram perguntas, geram situações para te provar e você tem que estar provando que você é capaz de estar ali e de você estar vestindo aquele jaleco, de você está exercendo a sua função, então é difícil.

.. É difícil muitas vezes você trabalhar com um helpdesk, como foi a minha vivência, a maioria da minha vivência, né, o meu espaço ali de trabalho foi com helpdesk e ser a única mulher no helpdesk para tratar tantos usuários e você, muitas vezes, você percebe que você tem aquele olhar de desconfiança e não é, não é fácil você trabalhar, né? Então você respira fundo, você vai, você encara e no final você percebe que a pessoa se surpreende e até se rende, né?

Eu acho que a Thainã mesmo pode, pode até falar que no nosso dia a dia na AC, muitas vezes a gente lida com homens que estão na posição ali de receber uma demonstração, um auxílio técnico e alguns não querem, alguns não querem ser atendido por mulheres.

E a gente, para evitar também de receber algum tipo de ofensa ou um tratamento mais ríspido, a gente direciona para algum dos meninos, mas é uma realidade: por incrível que pareça, existem homens que preferem o atendimento de homem só por preferir mesmo, por achar que a gente não vai ter capacidade de atender.

Elizabeth

E já teve muitos homens também que se

demonstração, ficou assim

"Ah, é uma mulher ..."

Joice

Isso é verdade. Lá na UFG, a gente tem - eu Software - e lá na UFG eles tem um site que chama "Analisa UFG" e por meio dele dá para a gente saber quantos alunos tem em cada curso. E aí, meio que, assim questão de curiosidade, né? Eu trouxe assim os dados do meu curso, que de 200 alunos, só 14% são mulheres. Então assim, tem que ter mais incentivos para ter mais mulheres na área da tecnologia.

Lelê

E tem a- Entra nessa questão de a gente coisa assim que... Não estou aqui para isso. Na faculdade eu arrumei uma briga muito feia com os meus colegas, nós éramos três meninas em uma turma de 40 homens, e eles diziam na nossa cara, eu já cheguei a entrar na sala e

eles olharem para mim e falar

'Ow, você entrou na sala errada, isso aqui não é o curso de moda, é tecnologia". E falavam para a gente que a gente não conseguiria concluir um trabalho sozinha se não fosse sem ajuda deles, se não fosse pela parceria deles. E aí eu com esse ranzinza, ranzinza, pavio curto do jeito que eu sou, juntei as meninas e falei "Não, vamos nós três juntas, a gente

não precisa deles." E aí, a partir do terceiro semestre da faculdade, nós fizemos tudo juntas, mas eu, olhando para trás assim, eu percebo que eu tinha essa casca grossa, mas eu tinha essa necessidade de ficar provando para eles, e durante muitos anos da minha carreira eu tinha essa necessidade de provar para os homens que eu era capaz.

Aí eu hoje olh e falo "mas eu não tenho que fazer isso", eu não tenho que provar, porque eu sou mulher, eu consigo... Não, eu consigo porque eu sou inteligente, porque eu sou dedicada, porque eu sou determinada... Então eu acho que quando a gente fala de representatividade e de passar isso para outras mulheres, para ajudar essas mulheres, principalmente a não desistir da

área de tecnologia, é isso

você vai brigar por uma vaga, mas você não precisa provar nada para o cara que está ali do seu lado. Você vai atender um cara no serviço de helpdesk, primeiro que ele não devia nem estar questionando o seu sexo, agora se ele realmente quer questionar, então ele que fique sem o suporte, porque a gente não é obrigada a ouvir de um cara que precisa da nossa ajuda, que não quer a nossa ajuda, porque a gente é mulher, então...

Elizabeth

Ali a gente é totalmente capaz. Mas mesmo assim ainda fica aquela indagação.

Lelê

É, só pra concluir, eu ia falar que é tipo, "eu não preciso provar pra esse cara que que eu sou inteligente, que eu sou boa no que eu faço, que eu sei fazer, que...", enfim, porque senão a gente entra naquele looping de tipo "Ai, vai, porque os homens, e a gente precisa mostrar pra eles..." Precisa mostrar nada!

Elizabeth

Isso, e ao mesmo tempo tava falando que é entra, por exemplo, numa demonstração ou numa POC com algum cliente, né? Enfim, e a gente sente que assim - porque a gente fala às vezes técnico, né? "Ah, a gente, vai ter uma call técnica", mas às vezes eles esperam um cara técnico, um homem e chega lá a menina fala assim, PA, tu já sente que eles ficam assim "Ah, vai ser ELA que vai fazer a apresentação?" "Ah, não sei o quê..." Sim, vai ser ela.

Aí, tipo assim, e no final ela vai dar um show, um show, e aí quando ele vem elogiar e vem falar assim - eu pelo menos faço questão de ir lá no nosso grupo do trabalho e dizer assim "Oh fulana, parabéns, Fulano adorou a apresentação, arrasou, não sei o quê", às vezes em resolver algum problema ou alguma coisa assim - a gente faz sempre questão de exaltar, porque justamente a gente sabe o quanto muitas vezes a gente tem que provar ou tem que mostrar que é capaz de fazer alguma

coisa ou de ser melhor, às vezes, do que um técnico ou um homem na área da TI, né? Então, a Tainã mesmo, Tainã acho que mesmo que vivencia muito isso, né, Tainã? Aí no nosso dia a dia, né?

Tainã

Sim, não, eu já vivenciei esses casos assim Você chegava sempre "Mas, pô, cadê o técnico e tal..." e aí fala assim: "Não, a técnica aqui sou eu, tá?" Então você chega lá com aquele cara meio pé atrás, você sai dali com o cara falando "Não, Tainã, adorei a apresentação, nossa, gostei demais de você..." O cara é só elogios, assim - Eu sei que a gente não tem que se provar, mas é muito gratificante, fica muito gratificante você ouvir isso, cara ali, opa, ele abaixou a bola ali, pô, só elogios.

Mila

Eu acho que é muito cultural, tá pessoal? Isso vem desde o Brasil Colônia que a gente vem escutando que a gente não pode fazer isso. Eu, a minha criação, infelizmente, eu escutei muito isso da minha própria mãe, que falava que eu não podia fazer isso ou aquilo porque eu era mulher, e eu questionava, eu falava "Sabe, meu, meu irmão pode, por que eu não posso?" "Não, porque você, a mulher". Não entendia porque. Por quê, né?

Então assim, hoje é menos, mas os resquícios desse fator cultural ainda é muito grande, o medo na gente, a mulher ainda tem muito medo de não dar conta, medo de, de repente escutar alguma coisa e não um cara, a gente que, a gente tem que ter segurança daquilo que a gente sabe fazer bem o que a gente sabe fazer e quem quiser ter preconceito, quem quiser achar ruim, paciência com ele, e quanto mais eles lutam, né - eu falo eles, não todos os homens, a gente sabe que existem as exceções sempre, né?

- mas quanto mais lutam, resistem, à o espaço da mulher no ambiente, no trabalho ou em qualquer outro outro âmbito, mais a gente consegue ter força, mais a gente se junta, mais a gente mostra que a gente é capaz e cada dia mais a mulher tá aí tomando conta daquilo que sempre foi o espaço dela. Então acho que eu posso falar assim aceita que dói menos, né?

Edilaine

Verdade.

Tainã

Então, e é até interessante falar dessa na parte do mercado de trabalho, nos processos seletivos, né? Essa questão até de ter uma representatividade feminina se fala, muita gente tem medo. Eu entrei na minha faculdade por ser bacharel em informática, cheguei na minha sala, uma sala lotada, quatro, cinco mulheres. Me juntei ali, perseverei. Terminei o curso, viu, muito mais que alguns homens ali. Então, assim, a mulher ingressar no mercado de trabalho, que é predominantemente homens

... Você vai falar assim, "Ah, o engenheiro técnico." o cliente entra na sessão, tá esperando o técnico que vai atender ele, não a técnica, acaba sendo surpresa. Então esse ingresso no mercado de trabalho hoje eu falo pra você tranquilamente: abre um processo seletivo, a quantidade de currículos que eu recebo de mulheres não é nem metade da metade do que eu recebo de currículos de homens, né? Estamos tentando mudar isso, né? Eu entendo que, como você falou, é algo cultural, né?

"Ah, hoje não vão contratar mais homens. .." Existem as vagas apenas para mulheres - que eu acho incrível, tem que ter essa representatividade, tem que ter esse espaço para as mulheres -, mas ainda entendo que a mulher ainda tem medo, ela tem medo de falar assim: "Eu vou entrar naquela vaga lá que eu sou, incrível, sou foda, vou... Aquela vaga é minha!" Então eu sinto ainda muito medo das mulheres pra se inscrever em vagas, então assim você entra na empresa...

Mila

E muito das experiências negativas que já

Edilaine

Às medo, receio...

Tainã

Com certeza... Porque ela entra na faculdade, só tem homem, ela entrou na empresa, só tem homem. .. Ela vai fazer o processo seletivo, "Pô, vou competir com um monte de homem. .." Então acaba trazendo aquele medo, né? E acaba refletindo nas vagas de trabalho também.

Silvia Coelho

Vou falar um pouquinho sobre essa questão das existe um viés muito compreensível por parte das mulheres de que "Não vou ter a menor chance, porque eu sei que eu concorre- concorrendo com os caras". Porque não é como se - "Não tenho chance!". Tem lugar que tem um monte de mulher aí só tem dois cara, passa os dois caras. Quem nunca? Tem um monte de mulher, tem uns caras e quem é promovido? Quem tá ganhando mais? Quem já entra ganhando menos?

Então, quando fala "a vaga afirmativa" já é aquela, já liga a chavinha: "Vou ter chance! Vou ter chance!", porque se for pra concorrer pra geral, já lascou. Aí a gente já entra derrotada e fica "Quer saber? Não vou nem me inscrever", vocÊ entende, né? Coisas que só mulheres passam.

Tainã

E até aonde reflete a quantidade, por

Mila

Eu, eu confesso, eu confesso que eu sempre Eu sempre meti a cara, não estava nem aí se era uma vaga, se era a vaga que intitulava-se mais para o lado masculino, eu sempre fui cara de pau por ser teimosa também. Eu sempre fui contra o fluxo, mas isso não é a realidade de todas, a gente sabe...

Lelê

Entrar nessa personalidade, né? Eu me identifico com o que a Mila, falou, mas eu sei que é da minha personalidade: eu sou durona, eu já fui assediada em ambiente de trabalho e eu falei na cara do cara "Eu te dou 2 segundos pra você retirar o que você disse ou eu tô indo lá no RH agora, porque isso que você acabou de cometer é assédio", mas a maioria das mulheres não tem, né?

A gente - um tempo atrás eu li um artigo que falava que as mulheres não se candidatam à vaga se elas não tiverem pelo menos de 80 a 90% de aderência com a vaga e os homens se candidatam se eles tiverem 30" Por que? Porque ele sabe que é um ambiente confortável e que o não eles já tem e a mulher já tem essa cobrança - isso já é característico da mulher: ter essa cobrança de "Eu não estou pronta, eu não sou boa o suficiente.

.. E aí se eu não tenho aderência, que essa vaga de jeito nenhum, que eu vou me candidatar." Então, o que a Silvia falou é real: as vagas afirmativas são importantes para isso, e para a mulher se sentir acolhida. Quantas vezes eu fui em entrevista de emprego e quando eu cheguei lá e vi que, quem ia me entrevistar era uma mulher, já deu até aquele suspiro de alívio, sabe? Tipo, "Ai, é uma mulher que vai me entrevistar..."

Edilaine

Quem nunca? Outra coisa que eu queria perguntar para vocês se só aconteceu comigo, mas várias entrevistas de emprego que eu já fiz, que eles perguntavam se eu tinha filhos ou se eu pretendia ter filhos nos próximos três anos... Aí assim ó, você fica. .. Eu ficava...

Silvia Coelho

Comigo aconteceu e eu falei tanta coisa, .. O cara - é claro que eu não fui contratada, só te contando Edi - "Com quem você vai deixar seus filhos?". Aí eu falei "Meus filhos, eles sabem fazer brigadeiro, fritar ovo, eles comem banana e tem água na minha casa, não precisa se preocupar com eles." Meu! O cara não esperava por isso! "Não, eu moro em apartamento, vou ficar trancada, tem água, ele faz brigadeiro, come banana, frita ovo, tudo sossegado."

Lelê

"Com quem vai ficar os meus filhos?"

Edilaine

Mas é bem complicado, é complicado.

Tainã

Exatamente. Ninguém pergunta para um homem

Edilaine

É... "Você pretende ter?"...

Mila

É porque, se você for olhar a cultura paternalista que no nosso país (é, no mundo inteiro tem, né), mas é assim: a mulher cuida da casa, a mulher cuida dos filhos, né, o homem só coloca o dinheiro dentro de casa e a mulher serve a ele. .. Então, assim quer dizer, o homem não pode cuidar também dos filhos? O homem não pode ter essa missão de dividir ...? Só a mulher tem que ter essa carga, né? Já não basta toda a carga de ser mulher - porque ser mulher não é fácil, gente, não é fácil, né?

- Então assim... É complicado, então, assim, além disso, você tem que estar dando satisfação se você quer ter, se você vai ter filhos, você tem que estar se provando, sabe? Coisas assim desnecessárias. Então, assim, o que, o que precisa para vaga ? Eu preciso ter o conhecimento é a competência ! Ponto. Fora isso, do âmbito pessoal, o cara não é da conta da empresa, né?

Elizabeth

E por que esse tipo de pergunta que nunca é O tipo de situação que um homem nunca vai passar.

Edilaine

Disponibilidade, né?

Lelê

Isso é até algo que, que deixam as mulheres cargos de liderança, né? Porque essa pressão pessoal que a mulher já tem de "Eu tenho que cuidar da casa dos meus filhos, eu não posso assumir responsabilidades no meu trabalho, eu não posso crescer demais." E aí a gente vê, né, que além de a gente ter que brigar pra ter um espaço dentro de uma corporação, a gente precisa ser influenciada ainda a assumir cargos de liderança.

A maioria das empresas não tem no seu corpo docente, nos seus sócios, ali, uma mulher num cargo de liderança. E isso é uma coisa que é, assim, é absurdo, porque a mulher, ela por si só é líder! Né? Uma mulher que vamos - vamos colocar uma mulher, né, fora de tecnologia - que é dona de casa, que cuida dos filhos, cuida da casa ... Ela já tem, já demonstra ali que ela domina a liderança, e por que dentro de uma empresa ela não consegue se enxergar nesses cargos?

Então é importante também que as empresas tenham esse mindset de falar "Não, eu não quero apenas ter mulheres aqui dentro, quero colocar essas mulheres em papéis de liderança." E uma das coisas que me faz amar completamente a empresa que eu trabalho é que a presidente global é uma mulher.

E não só a Safra Catz, que é a CEO da Oracle, mas dentro das estruturas da empresa nós temos várias mulheres em cargos de liderança e nós temos um programa que é o OWL, que é - que influencia a mulheres a assumir cargos de liderança, então nós temos encontros semanais em que vêm líderes de várias áreas falar como elas chegaram lá - e aí entra aquilo que a Silvia falou, que é importantíssimo - é um encontro de mulheres para mulheres da empresa, para influenciar

mulheres que estão, por exemplo, no meu caso, que estou dentro de um time, esses encontros servem para me influenciar a almejar um cargo de liderança dentro do meu time.

Silvia Coelho

Porque na sua empresa você sabe que vai ter Imagina você estar no processo seletivo - voltando ao que a Tainã falou - Você vai para uma área de tecnologia, processo seletivo, só tem homem na banca lá pra te avaliar... A gente é mais sabatinada! E aí é uma visão que eles não tem, eles não percebem o quanto eles sabatinam mulheres.

Quer ver um exemplo? Coloca uma blusa de time de futebol: os caras vão perguntar até qual é o nome do cachorro do goleiro que era do campeonato... Lá numa entrevista no processo seletivo de tecnologia não é diferente, o viés está aí, tipo "Quem ela pensa que ela é? Eu quero saber se ela sabe." Essa cobrança para a gente se provar mais e melhor já começa no processo seletivo.

E ele é diferente quando tem uma mulher na banca, no processo seletivo, uma mulher de um nível técnico, uma mulher, uma liderança técnica, no processo seletivo: a condução do processo já é diferente. E isso muitas empresas ainda não tem essa visão, quando a mulher chega para fazer uma entrevista, "Ah, queremos mais mulheres aqui" e só tem homem entrevistando, você já vê que tipo, já já acende um alerta, né? Já fica de "Meu... Algo de errado não está certo.

Como assim? Quer trazer mulher pra cá, mas só tem homem me entrevistando, né?" E é muito

legal esse exemplo que a Lelê trouxe

a minha empresa a CEO é uma mulher, eu sou uma CTO mulher... Tem mais mulheres trabalhando. .. Aí a gente conversa com as que estão começando hoje, são estagiárias, elas já vão

ter uma outra visão do mundo corporativo

" Olha só, tem mulheres no nível... o nível mais alto da empresa, são mulheres." Esse já começa a criar uma mentalidade de que "Eu posso chegar lá também!" E a gente não vê isso nas empresas de tecnologia, uitas, né? Na maioria.

Érica

Eu tive uma experiência muito boa com a ZUP, formação, eu era concursada há quase dez anos, então, tipo entrevista de emprego pra mim foi assim, eu fiquei morrendo de medo, eu estava apavorada! E aí quando chegou o e-mail eu vi que quem ia fazer a minha entrevista técnica era outra

mulher. Então assim, a pessoa que fez todo o trâmite da minha contratação também foi uma mulher, que era, que fazia parte da contratação da Orange Talents, foi uma mulher, a que fez a minha entrevista foi uma mulher também, então eu acho que isso, que

isso sirva de exemplo também

que se as empresas querem trazer as mulheres, querem colocar nessas vagas afirmativas, tentar colocar outra mulher para fazer essa entrevista, para conduzir, porque para mim foi praticamente uma primeira entrevista, já tinha muito tempo que eu que eu estava fora do mercado, vamos dizer assim, eu estava confortável no meu concurso, e quando eu resolvi mudar, foi uma virada de chave assim, terrível! Eu estava apavorada, mas ao mesmo tempo eu tinha vontade de fazer aquilo e eu fui atrás.

.. E foi maravilhoso para mim, tipo, não, não faria diferente em nenhum outro momento. E deu certo, tá dando!

Elizabeth

E passar por essas situações assim, de todo o processo ali é feito por homens, acaba criando essa casca em nós, assim de já ir para os processos na defensiva, esperando ser sabatinada além do necessário... E é uma sensação horrível ,assim, eu já passei por processos seletivos EXATAMENTE, eu passei exatamente por essa sensação, assim ... Quando eu recebi o e-mail do agendamento, eu vi lá: entrevista técnica, era um homem, o gerente era um homem,a pessoa de recursos humanos era um homem...

Eu já fui assim

preparada!

Eu falei

"Vou ter que me provar dez vezes mais para convencer os três que eu sou boa o suficiente para a vaga." E, durante toda a entrevista, eu senti que eles foram extremamente exigentes com, com a entrevista técnica, com as perguntas, para ter certeza assim que eu era mais do que eles precisavam para a vaga tecnicamente, sabe?

E o que deixa a gente mais triste com essas situações é que quando a gente chega, depois você passa por esse processo, você é aprovado, você chega para trabalhar, você percebe que o time não usa 20% do que eles exigiram que você provasse que você conhecia .. Isso - Assim, eu fiquei indignada, eu fiquei tipo "Por quê?". Foi literalmente aquela situação de você tem que provar que você tem 30 anos de experiência, conhecimento em 20 linguagens e, sabe?

Tudo aquilo... E quando eu cheguei no time assim, eu olhei e falei, eu falei "Gente, aonde que, que vamos usar tudo aquilo que me foi exigido na entrevista técnica, porque...?"

Mila

Isso, isso aconteceu comigo. Eu fui entrevistada pra- pra trabalhar numa assistência, uma época aí, me fizeram pergunta até. .. Só faltou perguntar da minha família, né? E aí entrei no cargo, assumi e precisou contratar mais uma pessoa, só que o rapaz que entrou, ele não tinha a metade do conhecimento que eu tinha! Eu tive que ensinar o trabalho básico pra ele ! O básico!

Então assim, eu passei quase 01h00 numa entrevista, eu fiz uma prova, uma prova teórica, depois eu passei pela entrevista com os donos local e tal, e, quando o rapaz entrou que foi pra me substituir porque eu fui para outro setor - inclusive para trabalhar diretamente com a Apple -, ele não sabia metade!

E eu, cara, eu parei e falei

"Não tem sentido, isso não tem sentido" E uma das coisas que se observa também que eu ia até falar, é que as mulheres precisam ser solidárias umas com as outras! Porque ainda - o machismo, ele não vem só dos homens: existem mulheres que são machistas também... Então vem, vem muito a convivência, né?

Érica

Mas a gente tá na água. O que? Quem pode fazer? Tá, não tá no ar. A gente respira esse negócio, entendeu? É muito difícil quebrar padrões. As mulheres reproduzem o mesmo machismo que os homens são submetidos, só que umas vão se desconstruindo, vão tomando consciência e - eu também demorei a reproduzir um monte de coisa, todas nós, de alguma forma, em algum grau.

Mila

Exatamente. Então assim, você percebe que são provando, vai se provando... Fiz a certificação da Apple, passei na primeira, na primeira tentativa, fiz a segunda certificação, passei e você vai se provando. .. Chega um ponto que você quer - tudo bem, mas você percebe que não precisava ser tão difícil, não precisava aquela fiscalização, aquela pressão, tudo aquilo...

Provar tanto. - E a gente ver que também vem por parte das mulheres: eu venho de uma geração e de uma cultura em que eu ouvi que se eu não aprendesse o serviço de casa - eu não fosse uma boa dona de casa - eu ia apanhar do meu marido. E eu olhava, eu escutava aquilo assim eu digo "É, nem marido eu vou ter...", porque é o meu pensamento é "Com 18 anos eu vou morar sozinha!" Então, com 18 anos eu saí de casa.

Então, assim, é, mas quantas meninas, quantas mulheres não tem, não conseguem ter a mesma força mental? Não têm também meios de fazer isso e acabam ficando ali, presa naquele lodo, né?

O que acontece

uma cultura vai passando de mãe para filha e vai, vai se reproduzindo e aí cria se uma rede de pessoas preconceituosas, retrógradas e isso precisa acabar, né, e eu acho que a gente, nessa geração, que já tem essa mentalidade agora, que tem todo esse canal, essa comunidade, a gente tem como missão justamente quebrar esse círculo vicioso, dar voz essas pessoas, oportunidade a essas pessoas, as mulheres, os homens de se educarem, as mulheres também de se educarem para que esse padrão vicioso -

inclusive para quebrar também esses padrões de violência que a gente sofre muito: a gente tem taxas de feminicídio aí que não são brincadeira - ver mulheres que sofrem, sofrem assédio e são atacadas por reagir, né? Então assim, são coisas que... Você não tem paz para andar de ônibus, você não tem paz pra andar de metrô, você não tem paz pra ir a um show, você não tem paz para sentar num barzinho, -porque se você senta num barzinho sozinha, você está procurando alguém, está procurando um homem!

- Então, assim, é o tempo todo e isso tem que acabar! Isso tem que - as pessoas precisam se educar. Se os homens ainda não têm essa consciência, a gente como mulher, a gente tem que se posicionar para que eles tenham, para que as pessoas que estão ao nosso lado tenham também.

Edilaine

Esse negócio - Até que a Mila estava falando coisa assim, de alguns estereótipos, preconceitos que a gente acaba também tendo nessa questão do mercado de trabalho que eu já vi e já vivi aquela coisa assim: "Ah, ela só conseguiu aquela vaga, ela, no meio de outros homens, ela conseguiu a vaga. Por quê? Porque ela tem um rostinho bonito, né? Porque ela é mulher. Porque ela tá saindo com o cara." Ela foi promovida por que? "Ah, foi promovida por está saindo com o chefe", entendeu?

Então, assim, tem alguns preconceitos que muitas vezes as próprias, as próprias mulheres falam "Não, ela só conseguiu, ela só foi..." Sabe?

Lelê

Ah, eu tive uma chefe que falou pra mim que assédio e eu fui conversar com ela pra pedir ajuda - e ela falou que era culpa minha porque eu era simpática demais. .. Eu era muito simpática e isso dava abertura para os homens acharem que eles podiam me assediar, porque eu era simpática !

Então é nisso que a gente vê assim, que era uma outra mulher, né, eu acho que ela não conseguia nem se ouvir, o que ela estava falando pra mim, mas eu era muito nova, eu tinha 19 anos, era a minha primeira, meu primeiro emprego na área... E eu voltava pra casa chorando todos os dias, eu conversava com minha mãe, eu falava "Não, isso não é pra mim, eu vou sair disso."...

Até que eu fui pra outra empresa e eu tive um gestor homem que foi fundamental pra eu não desistir da área, porque ele foi uma pessoa respeitosa, ele admirava o meu trabalho, ele confiava no meu trabalho, ele me fez perceber que o problema não era eu, eram aquelas pessoas daquele lugar que eu estava.

Isso que é muito importante, a gente como mulher - e hoje no meu time eu trabalho, nós somos minoria, né, de mulheres no time - mas eu sou feliz de trabalhar com mais duas desenvolvedoras e a gente se, se abraça e se acolhe muito, a gente trabalha muito, juntas... Quando alguma delas tem alguma dúvida: "Ai, eu não quero perguntar para os meninos..." A gente tem a nossa troca. .. Então é muito importante ter mulheres no nosso ambiente pra isso, sabe?

"Ah, eu quero fazer essa pergunta, tenho medo de ser julgada ou eu não quero me desgastar falando com aquela pessoa que eu não tenho confiança, eu vou falar aqui com a minha colega aqui, que é minha colega e que vai me entender e que vai me acolher e me ajudar." Então é muito importante que a gente esteja juntas por isso.

Joice

Sobre essa questão de estágio: ano passado eu tinha muito medo assim de ir pro mercado de trabalho e de como que ia ser. .. E eu caí numa equipe assim, assim que eles me acolheram bem, eu era a única menina e a única, a única mulher da equipe, e também a única estagiária assim...

Tinha mais outros meninos... Só que eu sentia falta de que tivesse outra mulher e de alguém que eu pudesse me espelhar, porque tinha muitos profissionais e eles me incentivavam, mas eu sentia falta de ter alguma mulher assim em que eu pudesse me espelhar.

Silvia Coelho

É legal você trazer isso Lelê, porque é o que perguntam mais quando tem uma mulher falando . Isso vale pro evento de tecnologia, vale pro ambiente de trabalho, vale pra dentro da sala de aula... A gente pergunta mais quando tem uma mulher falando.

E nos cursos de tecnologia a gente fica ainda mais constrangida, porque a gente tá sempre preocupada que se a pergunta que a gente vai fazer é idiota ou não, porque os caras não sabem, mas eles fingem que sabem, e aí a gente faz a pergunta, eles ficam zoando - eles também não sabem responder, mas eles e muitas vezes eles não sabem, aquela pergunta era a dúvida deles, mas eles não querem passar vergonha - e quando você pergunta, meu, é um ciclo de babaquice que não tem fim.

Mas é aquela coisa, né? A fragilidade, né, a masculinidade frágil. .. "Eu vou atacar quem eu tenho medo, eu vou, eu vou me defender atacando quem me ameaça." Por que que na sala de aula a gente ouve as meninas ouvem tanta besteira, né? Porque está com medo da presença delas lá! E aí, o que que eu faço? Ataco! Como é minoria, vai acabar sendo afugentado quando meu bando é maior tipo a

lei da selva, né? Então, por isso que eu acho que é importante ter espaços exclusivos para mulheres, porque a gente começa a compreender que o problema não é individual. E isso vale para processo seletivo, para cargos de liderança, para empresas onde a maioria é homem...

A Lelê trouxe

"Apesar de nós sermos minoria" - que você falou - "a gente tem a segurança de que é um espaço que eu posso crescer e ter outras mulheres que podem me apoiar." E existe essa confiança no processo interno, então meu, é... inúmeras vantagens de ter mais mulheres na equipe, mais mulheres em todos os espaços.

Mila

E importante falar aqui né - que a gente sabe gente não está aqui para fazer discurso de ódio, a gente não está aqui querendo

competir

a gente apenas usa o espaço para expressar o quanto é difícil conviver com o preconceito, conviver com a violência, a violência em forma de palavras e atitudes, o machismo... Então, não tem necessidade, como eu já falei, o mundo é grande o suficiente pra caber todo mundo, a TI é grande o suficiente pra caber todo mundo, né? O sol vai brilhar para todo mundo se você for buscar todos os dias, ele brilha para

todo mundo. Então, assim, não é um discurso de ódio, a gente não é "Ah, vocês são anti-homem?" Não! Não! A gente quer conviver em paz, ter o nosso espaço respeitado, respeitar o espaço dos outros e ter o nosso espaço respeitado, a nossa voz. É só isso, mais nada.

Joice

Sem falar que quando a gente apoia outras cresce junto também.

Não é uma competição

é um ambiente, é pra ser um ambiente colaborativo.

Jandira

Genilda. Eu também quero participar desse

Genilda

Jandira, querida, nós vamos sim Jandinha: o Somos nós e vamos arrasar! Conta comigo amiga, tô dentro! Depois você só me explica o que é podcast.

Lelê

Ah, foi um prazer enorme estar aqui com essas gente domina, que é tecnologia, a gente vivencia isso, e a gente procura absorver as experiências para compartilhar com outras mulheres e ajudar outras mulheres que estão ingressando nesse mercado.

E antes de ir embora, não vou me estender muito, eu queria deixar uma dica aqui, que é a terceira edição do livro TI de Salto, que tem depoimentos, relatos, reflexões e contribuições de 22 mulheres que falam basicamente o que a gente compartilhou aqui nesse podcast, mas com uma riqueza muito maior de detalhes, a autora, a autora Sylvia Bellio juntou tudo isso nessa terceira edição desse livro então, você, mulher que está nos ouvindo, você é homem também, leiam a

terceira edição do livro TI de Salto.

Elizabeth

Bom, eu quero agradecer pela oportunidade de da TI. Eu fico sempre muito feliz com esses convites, porque a gente pode aprender com outras pessoas que são tão importantes, que são referência, são pessoas com quem a gente quer estar, são pessoas com quem a gente pode encontrar ali força para seguir na nossa caminhada, né? Eu costumo dizer que todas as mulheres são muito fortes e as que acham que não são é porque ainda não descobriram a sua força.

E é através desses encontros, através de eventos, através de podcasts com mulheres, que essas mulheres que ainda não descobriram a força que elas possuem, vão descobrir.

Então vou aproveitar e reforçar aqui o meu convite para que vocês possam participar conosco do IWD Uberlândia dia 25 de março, vai ser um evento muito importante para trazer o protagonismo da mulher em tecnologia e, principalmente: celebrar todas as nossas conquistas, não importam o tamanho das grandes às menores, todas elas são muito importantes, são importantes para construir o que somos hoje e para trazer toda essa força que nós temos e que nós queremos transmitir para outras mulheres também.

Então fica o meu convite e vocês podem acompanhar tudo sobre o evento, data, local, os palestrantes no nosso site wtmuberlandia.com.br e muito obrigado meninas!

Edilaine

É isso aí Elizabeth, a gente que agradece a Queria agradecer também a Mila, nosso colega aqui da ACSoftware. E quais são as considerações aí Mila?

Mila

Bom pessoal, é maravilhoso poder estar uma só voz, né? Aqui somos uma só voz e agradeço a ACSoftware, por também me despertar para muitos pontos que a gente às vezes se acostuma, né? Ser tratada de uma forma negativa, a gente se acostuma com algumas coisas que não deveríamos... Então, para você, mulher que está em dúvida se tem capacidade ou não, você tem.

Busque seu espaço, construa o seu caminho, a sua carreira, estude, busque... O conhecimento, ele não tem gênero, então você pode buscar, você tem direito a esse

espaço, então os homens

não se preocupem, vocês não vão perder o espaço de vocês, a gente, a gente está aqui pra somar, a gente está aqui para construir um mundo melhor para todo mundo, isso não é uma - isso não é uma demagogia, não é nada que seja outro mundo, um mundo melhor pra todo mundo, para conviver com educação, sem preconceito, sem violência. Então, obrigada meninas, é bom estar com vocês e tomara que estejamos juntas em outras oportunidades. Foi ótimo estar aqui.

Érica

Primeiramente eu queria dizer que foi uma mulheres maravilhosa. Gente, foi um papo muito gostoso, fluiu assim, belezinha. E eu queria fazer o convite pro IWD Cerrado que vai ser dia 15 de abril em Goiânia, mas eu também queria convidar todo mundo, porque não é só o pessoal de Goiânia e região que

está escutando esse podcast

vamos ter IWDS pelo Brasil inteiro! Então galera, bora lá dar uma força para o pessoal que está organizando esses eventos com muito carinho, muito esforço, pelo simples fato de fomentar a comunidade local e incentivar as mulheres a estarem crescendo cada vez mais no mundo da tecnologia, né? Então vamos lá, vamos dar essa força. Vem pro IWD Cerrado dia 15 de abril e se você mora um pouquinho longe, me manda um e-mail que a gente faz uma caravana bem legal para você vir com a sua galera.

Edilaine

Muito bom, muito legal. Muito bom. Érica, obrigada pela sua participação, pelo convite. Galera, vamo participar do evento aí! E Tainã, Tainã, nossa colega que da ACSoftware também, participando, primeira vez do podcast... Conta aí como é que foi a sua primeira participação, o que você deixa de mensagem para o pessoal que está ouvindo.

Tainã

Então gostei demais. .. Primeiro de tudo, gostei muito de ser convidada. É a primeira vez que estou participando aqui, é algo novo para mim e dizer que eu estou muito feliz! O tema importantíssimo a ser debatido ainda mais. .. Estamos aí né, Dia da Mulher, foi há alguns dias atrás, então assim, muito feliz de poder estar aqui batendo um papo tão interessante aí com todo mundo falando que eu vou estar também nos eventos, tanto de Uberlândia quanto de Goiânia!

Eu vou estar lá também prestigiando o evento e aguardo mais convites pra participar e espero que eu possa estar em outras oportunidades com vocês também.

Edilaine

Muito legal, muito legal, muito bom, Thainã, veterana aqui do nosso podcast, Silvia. Quando teremos o próximo evento Silvia? E qual a mensagem que você tem para deixar pro pessoal que está ouvindo a gente hoje?

Silvia Coelho

Olha, obrigada mais uma vez pela aqui... Pessoal da ACSoftware super parceiro, super apoia os eventos de mulheres, super apoiam as comunidades de tecnologia. .. Isso sim são pessoas, são as empresas aliadas que fomentam aí a tecnologia de uma forma de compartilhar conhecimento, apoiar os eventos, apoiar os espaços em que a gente mulher - nós mulheres, vamos galera, mulheres se fortalecem.

Então, para mim é uma grande honra e eu sou muito grata por todo o apoio de vocês, pela oportunidade também de a gente conversar sobre um tema muito importante, como a Tainã falou. Estarei em Goiânia com o apoio do pessoal do PodCafé da TI, estarei lá. Já estive em Uberlândia no passado, com apoio PodCafé da TI, estivemos lá e é agora, final de abril, 29 de abril vai acontecer o Fron Elas Programa, viu? Vocês, Tainã, Mila, estão convidadas, todas estão convidadas.

.. Eu vou buscar o apoio da PodCafé da TI de novo, tô falando aqui na maior cara de pau!

Porque é um evento muito importante, é a segunda edição, ele foi feito com muito carinho e está sendo desenhado com muito carinho, assim como eu sei, como a Érica e Elizabeth estão aí colocando todo o seu coração no evento que traz o protagonismo feminino na tecnologia, a gente conversou muito isso sobre hoje, então para mim é uma honra muito grande aproveitar esse espaço e agradeço bastante pela oportunidade. E até o próximo episódio.

Edilaine

Muito bom, muito bom! Até o próximo, Silvia, e que possamos ter outros em breve, né? E Joice, queria saber o que você achou aí do nosso bate papo. Você que está começando e ingressando na carreira de TI, se a gente conseguiu te trazer um pouco de motivação, força para você continuar com muita garra aí nessa área.

Joice

Sim, com certeza foi uma oportunidade muito Eu gostei muito de estar com vocês. Agradeço novamente a oportunidade, e a gente debateu sobre temas muito, muito importantes que realmente me fizeram repensar algumas coisas e continuar motivada na área da TI, é uma área que eu gosto muito e eu gostaria de falar um pouquinho sobre as comunidades que elas desempenham um papel muito importante na questão de representatividade.

Quando a gente vê outras mulheres realizando coisas incríveis na área da tecnologia e se inspira e encoraja outras mulheres a seguirem caminhos semelhantes. E gostaria também de reforçar o pedido da Erica: participem do IDW Cerrado! Eu espero ver todos vocês lá no dia 15 de abril lá na UNIALFA. Vai ser uma experiência incrível.

Eu participei em 2019 do primeiro evento na comunidade e depois que eu participei eu apaixonei e isso me expandiu a minha visão e ajudou a me identificar mais com o meu curso, com a minha área, a conectar com outras pessoas também... Então eu super recomendo e espero ver todos vocês. E agradeço novamente por estar aqui com mulheres incríveis da área da tecnologia.

Edilaine

Obrigada Joyce! Obrigada pessoal! Obrigada a todas vocês meninas, pela participação e gostei muito de estar conversando com vocês aqui hoje, de estar trocando essa experiência, esse bate papo assim que foi muito legal, muito tranquilo e pedir para quem está ouvindo aí, seja você mulher, seja você homem, o pessoal da TI, compartilhem com outras pessoas esse podcast e compartilhem com outras mulheres. Vamos debater mais e conversar mais sobre o tema também e até o próximo episódio.

Gente, obrigada aí!

Música

Esse foi mais um episódio da quarta temporada ACSoftware, liderança em soluções para gerenciamento de TI. Se você quer sugerir um tema ou falar com a nossa equipe, escreva para podcast@podcafeti .com.br.

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