¶ Intro / Opening
Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.
¶ Boas-Vindas e Pautas Iniciais
Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petijornal. Esse é o Bate-Papo número 984. Estamos gravando numa live no YouTube do Petijornal. São exatamente 9 horas e 17 minutos da segunda-feira, 8 de dezembro de 2025. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, ô Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado e tarifado. Segue tarifado o professor Bagdadi, bem menos do que antes, mas ainda com algumas tarifas a negociar.
Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala, ao longo dos próximos minutos. Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais dos últimos dias. Esse é o bate-papo do Pet Journal e começamos com um assunto importante. Chegou a nossa vez!
¶ Trump e a Doutrina Monroe Atualizada
Depois de muito tempo esquecidos, renegados a segundo plano, finalmente a América Latina volta a ser uma prioridade. Veja você, Tengui. Chegou o nosso momento. Que alegria. Tudo bem? Vamos a isso? Ah, que coisa boa, né, Daniel Souza? América Latina aí, pô, no centro do tabuleiro internacional, Daniel Souza. Tamo aí, pô, reinando nas notícias. Daniel Souza, muito bem-vindo. Deixa os bons dias também, Daniel, todo mundo que tá acompanhando a gente.
Nessa live aqui no YouTube, prazer estar com vocês aqui iniciando mais uma semana. Daniel Souza, é verdade, a América Latina voltou para o centro do tabuleiro porque o governo de Donald Trump divulgou na última sexta-feira uma nova estratégia de segurança nacional. Para deixar claro, isso não é uma novidade. Todas as administrações, todos os governos lançam uma estratégia de segurança nacional, que é basicamente um documento tentando dar alguma transparência.
algum nível de direcionamento acerca do que aquele governo, aquela administração quer fazer com relação à sua estratégia de segurança, daí o nome, estratégia de segurança nacional. E o que mais chamou atenção, Daniel, é que as últimas estratégias de segurança nacional recolocavam, colocavam os Estados Unidos, direcionavam os Estados Unidos para objetivos globais. Então falavam sobre a contenção à China.
falavam sobre a relação com a Europa, e a América Latina tinha uma posição muito secundária. Agora, não é de hoje, Daniel, que a gente comenta aqui no Petit Jornal... que a visão de Donald Trump, naturalmente, do seu governo com relação à América Latina é uma visão muito específica. É uma visão realmente de zonas de influência. É uma visão de que o mundo é dividido por grandes potências.
Na visão dele, aliás, são três as grandes potências mundiais, que são Estados Unidos, Rússia e China. São três países que têm que dividir entre si as grandes influências globais e há, portanto, uma noção... de disputa, mas também de respeito entre as zonas de influência de um e de outro. E nessa estratégia de segurança nacional, Donald Trump reafirma a importância do predomínio norte-americano
da hegemonia norte-americana aqui nisso que os Estados Unidos gostam de chamar de hemisfério americano. Na prática, Daniel, é uma tentativa de trazer à tona, de volta, a doutrina Monroe.
Só para a gente conseguir lembrar o que é a Doutrina Moreau, a Doutrina Moreau foi lançada pelo presidente James Moreau no ano de 1823 e que tem aquela famosíssima frase de América para os americanos. Naquele momento, a gente vinha... de um período de consolidação das independências dos países da América Latina, um dos últimos tinha sido o Brasil, em 1822.
E o medo que a América Latina tinha era de que a Europa viesse aqui para as Américas para tentar reverter os processos de independência. O que os Estados Unidos estão dizendo é, olha, isso não vai acontecer nas Américas, mando eu. Então, nesse momento, Daniel, a gente tem os Estados Unidos retomando essa ideia de que, nas Américas, mando eu. A gente fala, inclusive, Daniel, que a doutrina moral é uma ideia mais geral.
e ela teve vários corolários. O corolário é você tem a doutrina moral e você tem uma forma de aplicar a doutrina moral. Então a gente tem, por exemplo, o corolário Roosevelt, que foi lá no início do século XX. que foi o momento no qual os Estados Unidos estavam dizendo, olha, América para os americanos, se a América Latina não fizer o que eu estou mandando, eu vou fazer intervenção. Isso é um corolário. Me chamou muita atenção, Daniel, porque eu fui pegar o documento para ler...
E o documento fala especificamente em corolário Trump. Não é uma ideia que os analistas levaram à tona, um termo que os analistas criaram e tal. A própria estratégia de segurança nacional fala... em corolário Trump. Mas o fato, Daniel, é que de fato a América Latina é colocada como uma das prioridades maiores dos Estados Unidos. Na sua política externa, fazia muito tempo que a gente não via de fato isso acontecer.
com alguns elementos que me chamaram a atenção, Daniel. Primeiro deles, abro aspas, isso está lá na Estratégia de Segurança Nacional, queremos garantir que o hemisfério ocidental, o hemisfério ocidental são as Américas. Então, o ponto é...
A América Latina é a nossa região aqui, mas a gente quer garantir que eles sejam estáveis para não ter migração. E também governos bons o suficiente. Então fica muito claro o que quer dizer isso. Segundo ponto, queremos o hemisfério com governos que cooperem conosco. contra narcoterroristas, o termo, portanto, que Donald Trump vem adotando, aparece na Estratégia de Segurança Nacional, cartéis de outras organizações criminosas transnacionais.
Queremos o hemisfério em que países de fora não façam invasões hostis ou tomem posse de recursos estratégicos e que apoiem cadeias e suprimentos essenciais. Aqui, Daniel, tem um ponto essencial. A doutrina Moro, lá de 1823... ela fala sobre uma proteção da América Latina contra os europeus. Claramente, essa estratégia de segurança nacional emitida por Donald Trump, ela está falando sobre a China. Queremos garantir que outras potências...
não venham para cá para exercer influência. Então, a lógica é realmente que a gente precisa limpar, a gente precisa isolar a América Latina para que ela seja um espaço de atuação dos Estados Unidos. E o mais importante, Daniel, isso eu tenho certeza. que ao longo dos próximos meses a gente vai ouvir falar muito. O que os Estados Unidos quiserem fazer na América Latina é problema dos Estados Unidos. Não queremos ninguém se metendo no que a gente vai fazer por aqui.
A gente vai manter a nossa superioridade militar internacional e tal, mas a América Latina é um espaço reservado aos Estados Unidos. Essa é uma mudança histórica muito importante, retomada de uma ideia do século XIX. que já foi aplicado no início do século XX, mas que está sendo ressignificada por Donald Trump, e me parece, Daniel, que isso não são apenas palavras que são levantadas, me parece que isso deve trazer consequências práticas para a atuação dos Estados Unidos aqui pela região.
Aliás, na semana passada a gente chegou a falar, né? Tudo isso que Donald Trump veio falando sobre a Venezuela me parece que é algo que a gente deveria prestar atenção, porque pode ter consequências práticas e militares.
¶ A Ordem Imperial e o Declínio Europeu
muito importante para a atuação dos Estados Unidos aqui na nossa região. A consolidação desse plano, Tanguy, seria uma pá radical na lógica liberal pós Segunda Guerra Mundial. onde os Estados Unidos construíram organismos multilaterais, onde os Estados Unidos tentaram, de certa forma, moldar o mundo à sua imagem e semelhança.
E, ao fazer isso, os Estados Unidos tentavam construir um mundo mais seguro. Aliás, claro que o contexto da Segunda Guerra Mundial explica muito esse objetivo. E Donald Trump... Dá sinais claríssimos, aliás, não é de hoje, que ele quer desmontar essa ordem liberal do pós-segunda guerra mundial, quer constituir uma ordem imperial.
E nessa ordem imperial, cada potência, cada império cuida da sua zona de influência. E o hemisfério ocidental, a América Latina está na zona de influência dos Estados Unidos, assim como a Ucrânia está na zona de influência da Rússia. e consequentemente é problema da Rússia. Nesse sentido, essa visão de mundo ajuda muito esse diálogo que os Estados Unidos têm.
com a Rússia de Vladimir Putin, porque os dois acabam tendo visões de mundo, num certo sentido, parecidas. Visões que acabam diminuindo o espaço, digamos assim. para potências emergentes ou para organismos multilaterais. Afinal, esses organismos multilaterais, como é o caso da ONU, da OMC, etc., são organismos que diluem o poder.
dos impérios, que acabam dando voz para nações emergentes e para nações em desenvolvimento. E isso não interessaria aos Estados Unidos, não interessaria a esses grandes impérios. Para o Brasil isso traz consequências maiúsculas, afinal o Brasil estaria na zona de influência dos Estados Unidos e teria muitas das suas ambições nos organismos multilaterais.
tolidas por essa nova ordem internacional. E uma Europa numa posição absolutamente secundária, né, Daniel? Essa estratégia aí coloca, de fato, a Europa numa posição que é, meu amigo, vocês não apitam mais nada. Mais nada. Aqui não é...
O mundo atual não é um espaço no qual vocês tenham conforto, no qual vocês tenham voz. Então ele volta a falar que a Europa tem que cuidar da sua própria segurança. Dá um jeito de cuidar da sua própria segurança que a gente não necessariamente vai estar à disposição.
para o caso de vocês precisarem. E o Oriente Médio também, Daniel, deixado um pouco de lado. O Oriente Médio não é tão importante quanto já foi no passado, o que é muito explicado pela questão energética. Os Estados Unidos, de alguns anos atrás, eram muito dependentes da importação de energia.
Hoje os Estados Unidos são supridores de energia. Petróleo continua sendo importante, do Oriente Médio e tal, continua. Mas não é tão importante quanto já foi no passado, e isso está lá também na estratégia de segurança nacional. A gente, inclusive, falou bastante sobre a Europa num curso recente no PT Cursos, no curso sobre 2026, e também falando sobre prognósticos em relação à economia internacional.
A gente observa, Tanguy, que a Europa está em um declínio há bastante tempo, perdendo espaço no PIB internacional, perdendo tração no que diz respeito à sua capacidade inovadora. E isso faz com que os Estados Unidos olhem para a Europa e digam, olha, Europa, acho que você não tem que dar palpite, você não tem que ter voz aqui na mesa dos grandes players globais.
Aliás, quando a gente projeta 2050, a Europa não está lá. Entre as grandes economias do planeta e os Estados Unidos sabem disso, a Europa também não está lá. entre as grandes potências militares do planeta em 2050, consequentemente, a Europa é decadente, a Europa está em declínio, e a Europa não é mais minha responsabilidade, eu não tenho que ficar garantindo a segurança.
¶ Joesley Batista e a Venezuela
Agora, Tanguy, ainda dentro desse contexto, chamou muito a atenção uma matéria da Bloomberg, que revelou que Joesley Batista, empresário brasileiro, esteve em Caracas e encontrou-se com... Nicolás Maduro. Não está muito claro qual era o teor da conversa entre os dois, mas dentro de um contexto onde ele vai à Venezuela na última semana de novembro,
onde a pressão americana sobre os venezuelanos já está enorme, onde o acesso à Venezuela pelo espaço aéreo já está comprometido, isso suscitou grandes perguntas. Grandes perguntas por quê? Por que Joesley Batista é conhecido por ter... boas relações com Donald Trump. Aliás, ele foi, inclusive, um dos financiadores de Donald Trump num passado recente. Ele esteve com Donald Trump para negociar.
a suspensão de tarifas para o Brasil, particularmente tarifas à carne brasileira, algo que interessa pessoalmente ao Joesley Batista. Ele é habitué em Mar-a-Lago, na Flórida, ele está sempre por ali, inclusive.
tendo conexões com o governo dos Estados Unidos. E não é só isso. Joesley Batista tem ótimas relações com o governo brasileiro. O governo brasileiro, há bastante tempo, tem ali... na JBS, nessa grande empresa de proteína animal, uma das campeões nacionais, inclusive em outros governos do PT, a gente teve essa empresa como uma grande campeã nacional, uma empresa que poderia ser aí...
uma grande referência para o desenvolvimento econômico brasileiro. E aí ficam mais perguntas do que respostas. Ele foi ali intermediar uma rendição do Nicolás Maduro? O Brasil tem alguma participação nesse processo? Ele era um emissário do Donald Trump? Ele foi por conta própria? O Planalto no Brasil negou, disse que não tem nada a ver com isso, que não sabe o que ele foi fazer lá, não sabe o que envolve esse tipo de visita.
Mas, de qualquer maneira, é importante lembrar que a boa parte dos interesses do Joesley na Venezuela estão relacionados ao próprio Brasil, inclusive exportações de proteína animal do Brasil. em direção à Venezuela. Como a gente tem tido uma aproximação do Donald Trump em relação ao Lula, muitos se questionam, bom, mas o que eles têm falado sobre Venezuela? Qual é a visão dos dois sobre Venezuela? Isso não está claro.
o que a gente tem são apenas indícios e movimentações. A gente não sabe exatamente o que está sendo buscado nos bastidores. O que a gente sabe, segundo a Bloomberg, é que um empresário brasileiro... ótimas relações com o governo americano e com ótimas relações com o governo brasileiro, foi pessoalmente a Caracas conversar com o Nicolás Maduro dentro de um contexto
onde o Donald Trump não esconde que quer removê-lo do poder e onde nós tivemos, inclusive, há poucos dias, um telefonema entre os dois, entre o Trump e o Maduro. Nenhum dos dois nega que esse telefonema aconteceu, onde... aparentemente haveria ali uma negociação de uma situação intermediária ou de algum tipo de acordo entre os dois governos. E essa questão do Maduro se encaixa como uma luva na descrição que você fez há pouco.
A Venezuela faz parte da zona de influência dos Estados Unidos. É absolutamente inadmissível que você tenha um governo hostil aos Estados Unidos, num país tão importante, num país rico em petróleo como a Venezuela. E, consequentemente, a Venezuela é problema dos Estados Unidos. Não é problema da China, não é problema da Rússia, é problema dos Estados Unidos. Perfeito. E, mais uma vez, né, Daniel, a gente, às vezes, quando vê, ah, mas o governo brasileiro concordou ou não concordou,
Às vezes houve uma consulta, né? O Brasil, o Joesley, que é brasileiro, tá indo lá, tem alguma coisa contra? O Brasil fala assim, ó, não tem nada contra. Agora, foi o Brasil que intermediou, o Brasil fez acontecer? Muitas vezes não, então muitas vezes essa informação desencontrada...
¶ Apoio ao Petit Jornal e Insider Store
ela se dá por conta disso. A gente tem que esperar um tempo ainda para saber qual vai ser o resultado disso. Agora, Daniel Souza, hoje é dia 8 de dezembro, está chegando o Natal e o mundo, Daniel, se divide entre duas pessoas na hora de escolher os presentes de Natal que você quer distribuir.
Tem as pessoas que, assim como o Daniel Souza, gostam de ir pra shopping lotado. Pega fila. Muita gente, né, Daniel Souza? Muita gente. Aquela confusão aí. Nossa, aquilo ali. Estacionamento cheio, engarrafamento e tal. Mas tem gente que, diferentemente do professor Daniel Souza, prefere um certo conforto na hora de escolher os presentes. E para essas pessoas, a Inside the Store é perfeita. Você consegue comprar do conforto da sua casa.
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A gente tem um cupom que está na descrição desse episódio que oferece até 30% de desconto. Aliás, o desconto para quem é cliente novo é ainda maior, mas 30% de desconto somando o cupom do Petit Jornal com o desconto do site e... 20% de cashback. Ou seja, de tudo que você comprar, do valor que você comprar, 20% se torna crédito para a próxima compra. Aí, Daniel, você pode, inclusive, escolher
aqueles kits presenciáveis. Você compra ali um kit que dá para... São vários produtos e você consegue oferecer para aquela pessoa que você quer presentear nas festas de fim de ano. Não peço oportunidade, não. Imperdível, gente. Corre para que os presentes possam chegar ainda antes do Natal. Então, aproveitem as condições especialíssimas da Insider Store para os amigos e amigas do Petit Jornal. Link no descritivo. Clica. Vai lá.
¶ Tentativa de Golpe no Benin
Tenho certeza que você vai gostar demais dos produtos da Insider Store. Daniel Souza, com a próxima pauta eu queria falar sobre mais um golpe ou tentativa de golpe no continente africano. Recentemente você trouxe... ... ... ... ... E agora tivemos uma movimentação no Benin. Soldados do Benin apareceram na TV estatal na manhã desse domingo afirmando ter tomado o poder. Eram pelo menos oito militares que apareceram.
na frente das câmeras, declarando que um comitê liderado por um coronel chamado Tigre Pascal teria dissolvido as instituições, suspendido a Constituição e fechava todas as fronteiras do país. Os militares, Daniel, falavam naquele momento ali em inaugurar uma verdadeira nova era baseada em fraternidade, justiça e trabalho.
E aí o discurso era de que o Benin estava passando por um processo de deterioração da segurança no norte do país. De fato, aquela região ali tem sido muito instável. É importante lembrar que o Benin está muito perto da Nigéria. A gente vem falando aqui sobre... sequestro no norte da Nigéria, atentados terroristas do norte da Nigéria. Naturalmente, o Benin também é muito afetado por isso, inclusive com soldados mortos por ataques de jihadistas.
Nesse momento, Daniel, o mundo, de novo, falou, pô, mais um golpe no continente africano, como é que a União Africana ia ter que lidar com isso, né? A gente sabe que isso vem sendo um problema ali naquela região. Mas, algumas horas depois, o ministro do interior do Benin...
afirmou que forças leais ao presidente Patrice Talon tinham conseguido neutralizar a tentativa e retomado o poder. Segundo o governo, a única coisa que os militares conseguiram acesso foi a TV estatal, mas o restante do país continuava. nas mãos do governo e a gente está num período, Daniel, que antecipa eleições. Teremos eleições no Benin em abril de 2026. Existe um problema político no Benin que são as críticas de que o presidente, o Patrício Talon,
estaria tentando acumular poder nas suas mãos. Ele teria, inclusive, aumentado, teria não, isso é um fato, ele aumentou o tempo de mandato, então ele está cumprindo o seu segundo mandato de cinco anos. mas ele já aumentou o tempo de mandato para sete anos, então a partir do próximo mandato já serão sete anos de mandato, e o Patrício Talon, a princípio, não pode disputar uma nova eleição.
mas existe uma preocupação de que ele está se tornando cada vez mais poderoso e que ele ou pode tentar um novo mandato ou ele pode tentar ser mais influente em mandatos vindouros. Vamos ver, Daniel, mas é uma tentativa de golpe que aparentemente não prosperou. mas que aponta para uma instabilidade em um país particularmente estável daquela região. O Benin não é um país que, da década de 70 ou 80 para cá, tenha passado por enormes instabilidades, particularmente a partir da década de 90 para cá.
conseguiu uma notável estabilidade, então é importante a gente ficar de olho com o que vem acontecendo no Benin, Daniel. E é sempre importante lembrar que o norte do Benin e o sul acabam sendo bem diferentes, né, Tanguyo Sul, onde está a capital. teve ali uma influência europeia, o Sul acaba sendo mais cristão e o Sul acaba sendo o centro de poder, o Norte, que é justamente alvo desse tipo de disputa que você está descrevendo.
¶ China: Superávit Recorde e Desafios
Avançando para a próxima pauta, Tanguy, eu quero registrar que de janeiro a novembro de 2025, a China bateu recorde no seu superávit comercial. O superávit comercial foi de 1.073. de dólares. É a primeira vez acima de um trilhão. Já supera o recorde de superávit comercial de 2024, onde a China tinha tido um superávit de 992. De janeiro a novembro, nós tivemos um crescimento das exportações em 5,4% em comparação com o mesmo período do ano passado.
E essas exportações cresceram impulsionadas principalmente pelo Sudeste Asiático, região da ASEAN e também a Europa. A Europa passou a comprar mais produtos chineses. Em parte, Tanguy é uma certa substituição dos Estados Unidos, quer dizer, num certo sentido, a China acabou sendo parcialmente beneficiada por esse lado da tensão comercial que os Estados Unidos impôs ao mundo nos últimos meses.
As importações chinesas no mesmo período, de janeiro a novembro de 2025, caíram 0,6% em comparação com o mesmo período do ano. O inacreditável é que as exportações para os Estados Unidos despencaram... 28% em novembro de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A gente está fazendo aqui uma análise anualizada.
É uma queda que continua muito forte, apesar da trégua tarifária renovada ali entre o Xi Jinping e o Donald Trump. As exportações seguem sustentando o crescimento econômico chinês. O consumo doméstico segue ainda bastante fraco e isso é um elemento de fragilidade da economia chinesa, sem dúvida alguma, somado à questão demográfica.
Mas a China tem ali um projeto, a gente vai explorar isso em algum momento no futuro, Tanguy. Demografia a gente eventualmente resolve com robótica. Bota aí uns robôs para substituir esses trabalhadores e a gente consegue manter o crescimento chinês. E o outro problema, além do consumo interno fraco e também da questão demográfica, é a crise imobiliária. Aliás, agora, no final de novembro, a China Zeng, sexta maior construtora da China,
ela pediu uma extensão do prazo de vencimento de sua dívida. Na prática, ela não está conseguindo pagar a sua dívida. Uma vez mais, nós temos uma empresa chinesa, uma empresa chinesa grande. enfrentando graves problemas para honrar seus compromissos. O setor imobiliário chinês tem uma crise bastante significativa que ninguém sabe exatamente qual o tamanho dela por conta de uma certa opacidade.
Vamos seguir acompanhando a economia chinesa, que por um lado demonstra força, mas também tem ali alguns elementos de fragilidade que merecem ser observados.
¶ Donald Trump Ganha Prêmio da FIFA
Daniel Souza, para a Geleira Shakira de hoje nós temos o tradicional, se você não tem prêmio Nobel, você tem amigos, né Daniel Souza, é isso? Ah sim, Tanguy. Nós tivemos, Tanguy, o sorteio dos grupos da Copa do Mundo. E na última sexta-feira em Washington. E a FIFA apresentou seu novo prêmio anual. O futebol une o mundo. E o vencedor da primeira edição foi Donald Trump.
Donald Trump está unindo o mundo através da paz, através do futebol. Eu não entendi muito essa parte. Mas, de qualquer maneira, ele ganhou o prêmio, ganhou uma medalha, ficou lá todo pimpão, todo orgulhoso. E eu vi... que nós tivemos ali, a Cláudia Schembaugh e também o primeiro-ministro do Canadá, e o Donald Trump fez questão de não ficar ao lado do primeiro-ministro do Canadá. Eu vi, eu vi, ninguém me contou, eu vi climão ali entre o Donald Trump e o primeiro-ministro do Canadá.
Mas, de qualquer maneira, o Donald Trump ainda não foi o prêmio Nobel da Paz, mas ele já tem aqui o prêmio O Futebol Une o Mundo. Uma bola com várias mãos tocando a bola. Não entendi também porque futebol é um esporte com pé. E aí são várias mãos tocando a bola no troféu. Assim. Isso é o troféu. Estou descrevendo apenas o troféu. As pessoas podem olhar, inclusive, as imagens na internet que vão ver o que eu estou querendo dizer. Enfim, é um negócio assim.
muito estranho, mas sei lá, é a FIFA, é Donald Trump, e é Donald Trump unindo o mundo através do futebol, que é um esporte que ele não entende, mas de qualquer maneira a FIFA fez ali um grassejo. E ofereceu para ele uma medalha que ele botou todo feliz e todo contente. É a FIFA desesperada com a possibilidade de Donald Trump acordar um dia de mau humor e resolver que um monte de turista não vai entrar.
Até vai ter Copa, mas a delegação do país tal aí não pode entrar. Não sei onde é que fica, é melhor não entrar. torcedor, e também não quero, melhor não entrar também, tô vendo que você é estranho, você é esquisito, a sua religião não gosto, né, a cor da sua pele mais ou menos e tal, então já não é de hoje, né, Daniel, que o Gianni Infantino, presidente da FIFA.
Está fazendo de tudo para o Donald Trump ficar feliz com essa Copa do Mundo. E está aí. Não tem prêmio Nobel da Paz, mas já tem o prêmio da FIFA, que é o que mais importa, né, Daniel Souza? O prêmio da FIFA, nesse momento, é muito mais importante.
¶ Fechamento e Convite
que o Prêmio Nobel da Paz. Daniel Souza, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio e deixa aqui o convite, né, Daniel? Se você gosta do Petit Jornal, curte o Petit Jornal, quer mais conteúdo, acessa lá, peticursos.com.br. Tem uma série de cursos lá que eu tenho certeza que vão agregar muito para você que se interessa por temas internacionais, por temas econômicos, por temas geopolíticos, por esporte, por energia. Está tudo lá.
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Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.
