¶ Intro / Opening
Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 950. Estamos gravando numa live no YouTube do Petit Jornal. São exatamente 21 horas e 23 minutos da quinta-feira, 16 de outubro de 2025. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor, Tanguy, Obagdadi animado, contente, preparado.
Revigorado, resiliente, retumbante, descansado, bem descansado e tarifado. Segue tarifado o professor Bagdadi, apesar das reuniões que aconteceram ao longo do dia de hoje. Temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas e começamos com ele. Donald Trump.
¶ Trump e o Futuro da Ucrânia
Donald Trump publicou na sua rede social o que vai resolver, Tanguy. Chegou o momento. Chegou o momento. É interessante porque o tweet na Truth... Eu vou chamar de tweet na Truth, Tanguy. Me deixa que... ter essa licença poética. Ele começa o tweet dizendo que o Putin o elogiou muito, que ele conseguiu alcançar paz, uma paz que todos queriam há muito tempo. Não duvido que o Putin tenha feito esse elogio.
Mas, de qualquer forma, acaba sendo Donald Trump sendo Donald Trump. Tudo bem, Dagui? Vamos a isso. Tudo bem, Daniel Souza? Vamos lá para mais esse bate-papo. 950 bate-papos numerados até aqui. Seja muito bem-vindo você. que nos acompanha no YouTube, aqui nessa live, e também você que nos acompanha pelo podcast, seja no Spotify, seja na Apple Podcast, qualquer aplicativo que seja. É uma honra ter vocês aqui com a gente. Aliás, fazer um pedido, né, Daniel? Todo mundo que acompanha a gente aí.
pelo podcast, ou por onde quer que seja, dá cinco estrelinhas lá pra gente, porque isso pra gente faz muita diferença, ajuda demais a gente, se quiser ajudar a gente, seguindo a gente, se inscrever no canal do Petit Jornal, lá no YouTube. Ajuda muito esses podcasters aqui, criando o nosso conteúdo diariamente. E Daniel, a gente começa o nosso episódio de hoje, sim, falando, ainda que indiretamente, sobre a Ucrânia, esse contato.
entre Trump e Putin. O fato, Daniel, é que Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, estava todo pimpão com a sua visita agendada para a Casa Branca, que vai acontecer no dia de amanhã, nesta sexta-feira, e o objetivo dele... era exatamente ter acesso a armas de longo alcance que poderiam ser fornecidas pelos Estados Unidos, principalmente os chamados mísseis Tomahawk, que poderiam dar acesso, possibilitariam...
que a Ucrânia fizesse ataques mais profundos na Rússia. Então ele estava ali, vou encontrar com o Trump, vou conseguir essas armas e tal. E aí, Daniel, Donald Trump foi Donald Trump e antes de receber Volodymyr Zelensky... fez uma ligação para Vladimir Putin. Então, no momento em que Vladimir Zelens está achando que vou conseguir trazer o Trump mais uma vez para o meu lado, o Trump prometeu, Daniel, que se não tivesse paz, ele ia começar a pegar mais pesado.
com o Putin, ia pegar mais pesado com a Rússia, ia ter sanção, ia vender armas para a Ucrânia. Vou conseguir. O Putin chegou mais cedo, Daniel, com uma ligação telefônica. Os dois se falaram, né? Vladimir Putin e Donald Trump se falaram. aparentemente mais de duas horas de ligação. Duas horas de ligação. Se falaram ali, Donald Trump classificou a reunião como muito produtiva.
E aí Daniel já adiantou, falou inclusive que o Putin elogiou muito, que foi muito bom e que eu sou maravilhoso e tal, mas o fato é que Donald Trump está com a expectativa, Daniel, de tentar resolver a questão da guerra. Agora, naturalmente, Daniel...
Tanto a Ucrânia quanto os europeus, a Europa Ocidental, os parceiros da OTAN, estão todos muito preocupados porque a postura do Trump diante do Putin é, como sempre, uma postura muito conciliadora. É uma postura muito de... uma certa proximidade, uma lógica de tentar ter uma boa relação, ele não quer nunca estremecer as relações com Putin e dar impressão para todo mundo, e parece que não é apenas uma impressão, é exatamente o que está acontecendo.
é que toda vez que o Putin sente que o Trump pode começar a se afastar, ele busca algum tipo de contato um pouco mais amistoso, coloca um açúcar ali, elogia o Trump, então... Eu nem duvido, Daniel, que o Putin tenha elogiado o Trump. Deve ter elogiado mesmo. O Putin sabe muito bem lidar com essa vaidade, com a personalidade de Donald Trump. E a gente tem, inclusive, já a expectativa...
de um encontro entre os dois, mais um encontro presencial, eles já se encontraram na Alasca recentemente, mais um encontro entre os dois que deve acontecer em Budapeste. Chama muita atenção também... o fato de ele já ter anunciado, já ter me antecipado, não tem data ainda, mas que esse encontro vai acontecer exatamente na capital da Hungria, que é exatamente a casa de Viktor Orban, que é um cara que claramente tem uma excelente relação com...
A Hungria é integrante da OTAN, mas o Viktor Orban tem uma excelente relação com Vladimir Putin e não tem uma boa relação com Volodymyr Zelensky. Óbvio, Daniel, que tanto a Ucrânia... quantos países da Europa Ocidental olham para essa perspectiva de encontro com uma preocupação muito grande, principalmente porque tem a sensação de que Donald Trump pode ser dobrado a qualquer momento por Vladimir Putin. E eu estou nessa galera aí também, viu, Daniel? Eu também acho que...
o Putin consegue dobrar o Trump ainda mais, se o contexto todo ajudar e tudo. Então, vamos acompanhar, Daniel, se esse encontro vai acontecer, quando vai acontecer, mas o Trump...
¶ Sinais Trocados na Diplomacia de Trump
Foi além, né, Daniel? Ele começou a dizer, inclusive, como é que estava pensando ali em isolar a Rússia e tal. Só faltou os outros confirmar, só faltou combinar com os outros, né? É verdade, Tanguy. Aliás...
Antes até de avançar para a declaração do Trump em relação a um potencial isolamento da Rússia, é importante registrar sempre que o Trump tinha a capacidade de impor um cessar-fogo na faixa de Gaza porque ele tem tamanho para pressionar Israel, para parar Israel, que foi o que acabou acontecendo, e também para pressionar o Hamas. No caso da guerra entre Rússia e Ucrânia, me parece completamente diferente. O Trump não tem capacidade de fazer a Rússia parar. E no caso da Ucrânia...
Por mais que os Estados Unidos não tenham como ser substituídos pelos europeus, os europeus podem dar um certo suporte e a Ucrânia pode, bem ou mal, continuar, embora em condições muito mais precárias. do que se tivesse o apoio dos Estados Unidos. E o Trump sendo Trump, oscilando, tem horas que mostra uma postura mais dura, tem horas que mora uma postura mais flexível. E no dia de hoje...
No dia em que ele sinalizou ali uma conversa com Vladimir Putin em um possível entendimento, no mesmo dia ele declarou que o primeiro-ministro da Índia, o Modi, garantiu... que o país vai parar de comprar petróleo da Rússia. E teve mais. O Trump classificou a decisão como um grande passo para isolar economicamente Moscou. Aí a gente começa a ficar um pouco confuso.
Porque no mesmo dia, o Donald Trump liga para o Putin, poxa, troca ali, afagos com o Putin, diz que vai se encontrar com ele na Hungria. E, no mesmo dia, ele diz que finalmente convenceu o Modi, o primeiro-ministro da Índia, e a Índia vai parar de comprar petróleo russo. Lembrando que o Trump já disse em várias oportunidades que a Índia acaba sendo responsável por financiar a máquina de guerra da Rússia em função das compras de petróleo daquele país.
À medida, caso ela seja levada adiante, o que eu duvido muito, ela faz parte dos esforços de Washington para cortar a receita do petróleo russo. que é uma fonte de financiamento importante para financiar a guerra da Ucrânia. O importante também, Tanguy, é dizer que a Embaixada da Índia não confirmou. que o Narendra Modi não confirmou tal informação oferecida pelo Donald Trump. É claro que se essa informação fosse confirmada...
Você poderia potencialmente influenciar outras nações que ainda importam petróleo russo e tal. Mas eu continuo achando um pouco difícil. Até porque, Tanguy, o Trump já colocou ali o hedge. O Trump... reconheceu que a Índia não interromperá as compras de forma imediata, mas que o processo será iniciado e concluído em breve. E a gente sabe que breve é um conceito elástico. A gente sabe que o tempo acaba avançando e, eventualmente, mudanças muito graduais ou mudanças com avanços e recuos podem...
fazer com que as narrativas políticas sejam modificadas. E o Trump estava tão animado que ele afirmou que o próximo passo seria convencer a China a adotar medidas semelhantes e a parar de comprar. petróleo russo. Tengue, eu estou muito cético em relação a isso. Nós sabemos que a Índia e a China têm comprado o petróleo da Rússia como nunca ao longo desses últimos anos.
Tem aproveitado, inclusive, descontos bastante generosos que a Rússia acaba fazendo porque o número de clientes da Rússia diminui um pouco e tal dentro de um contexto de sanções. Mas a Rússia é incontornável na questão energética. É uma gigantesca produtora de petróleo, uma gigantesca produtora de gás. Tanto a Índia quanto a China são importadoras líquidas de petróleo vorais. Precisam de muito petróleo para manter a sua economia crescendo. São dois países que têm taxas de crescimento.
muito aceleradas e muito entre nós, a não ser que uma hecatombe aconteça, a não ser que você tenha um fato muito relevante. Eu estou muito cético de que a Índia, ainda mais a China, vão parar de comprar petróleo da Rússia, não vão mesmo, até porque se esses países parassem de comprar petróleo da Rússia, eles pressionariam outros produtores, o que poderia gerar ali um certo...
desarranjo no preço internacional do petróleo, não vai acontecer, não vejo como, dado o apetite que esses dois gigantes têm por petróleo, por energia, e a Rússia está ali do lado dos dois. acaba sendo uma parceria mutuamente vantajosa. E, Daniel, o que é mais importante, na verdade, nessa primeira parte do nosso episódio aqui...
É exatamente a gente perceber a quantidade de sinais trocados, né? Como é que Donald Trump, às vezes, ele parece meio uma biruta de aeroporto, porque no momento ele sinaliza para um endurecimento com Putin e logo depois ele conversa duas horas com Putin fazendo uma sinalização.
de que vai se encontrar com ele na capital de um país que é aliado, que é próximo, integrante da OTAN, mas que é próximo à Rússia. Fica difícil entender, né? Afinal de contas, a Rússia está sendo pressionada ou está sendo cortejada pelos Estados Unidos. Talvez as duas coisas, né? Talvez. O que a gente está entendendo é isso, né? As duas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo e os sinais se anulam, né? No final das contas, não está fazendo nada demais. Está apenas gerando ruído.
Hoje também, Daniel, a gente teve aquele encontro sobre o qual a gente falou no dia de ontem entre o Mauro Vieira, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, e o Marco Rubio. A gente não tem grandes novidades, mas o que os dois disseram é que a conversa foi muito positiva.
E um dos pontos tratados foi, mais uma vez, a questão das Big Techs. Aliás, Daniel, eu vou deixar até o recado aqui. Eu sei que muita gente que ouve a gente gostaria de entrar nessa área de tecnologia e a gente ver como é que tecnologia é importante para todo mundo.
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¶ Crise Política Francesa e Previdência
Daniel Souza, como próxima pauta, eu queria falar sobre a França mais uma vez. A gente vem falando sobre a bateção de cabeça que a França está ultimamente. Emmanuel Macron com o primeiro-ministro. Ele demorou, demorou para montar o governo, conseguiu montar. Ele mesmo pediu demissão 14 horas depois. O cargo ficou vago, então o Macron ficou sem primeiro-ministro durante alguns dias e foi reconduzido o próprio primeiro-ministro que tinha pedido demissão.
o Sébastien Lecornu. E o Lecornu está com a tarefa agora, Daniel, de novo, uma tarefa hercúlea que já derrubou alguns primeiros ministros, que é de fazer um orçamento que inclua... um corte de cerca de 30 bilhões de dólares, entre 30 e 40 bilhões de euros, aliás, no orçamento para 2026. E está correndo contra o tempo. E hoje, finalmente, Daniel, ele passou, ele conseguiu passar.
pelos seus dois primeiros votos de desconfiança. A França está assim, Daniel. Já é lote de votos de desconfiança. Então ele foi reconduzido na sexta-feira passada. Hoje é quinta-feira, ou seja, passou menos de uma semana desde que ele foi reconduzido.
e ele já teve que sobreviver a dois votos de desconfiança. O detalhe importante, Daniel, dessa sobrevivência dele, é que ele sobreviveu por apenas 18 votos, então com 18 votos... contrariamente a mais, ele já teria caído, já teria sido derrubado agora, então um mandato que seria ainda mais curto do que se poderia imaginar, e ele foi salvo basicamente pelo Partido Socialista.
Essa foi a estratégia que o Macron e ele assumiram, que é tentar juntar a base de centro, centro-direita, uma direita mais conservadora, uma direita liberal, que é exatamente a base do Macron. o Partido Socialista. O Partido Socialista é um partido de centro-esquerda e o que o Partido Socialista mandou como recado foi o seguinte, olha, a gente salvou, tá? O Sebastião Lecorni continua aí e tal, beleza, mas nós temos o nosso preço.
o preço para ele não cair é a reforma da Previdência tem que ser revertida. Então, esse era um dos grandes avanços que o Emmanuel Macron tinha conseguido, que ele se gabava, conseguir fazer a reforma da Previdência. Essa reforma da Previdência eleva a idade mínima de aposentadoria de 62 para 64 anos, continua sendo uma idade de aposentadoria mais baixa do que a média dos países da OCDE, essa idade de 64 anos.
seria atingida em 2030 e o Partido Socialista basicamente disse, olha, a gente manteve o cara no poder aí, mas alguma concessão vocês vão ter que fazer. A reforma da Previdência vai ter que ir embora, vai ter que reverter e... Esse é um ponto que a gente já abordou aqui outras vezes, a tributação sobre grandes fortunas. A tributação de grandes fortunas é extremamente popular no país. Uma pesquisa recente mostrou isso, até trouxe isso aqui num episódio recentemente.
Gente, todo o espectro político, todos os espectros políticos, da direita, da esquerda, do centro, consideram que tem que ter uma tributação maior sobre grandes fortunas. Me parece, Daniel, que não vai ter muito jeito. Não é o que o Macron gostaria. Não é o que o leal Le Corneille gostaria. O Le Corneille é um cara que está ali fazendo o que o Macron quer, fazendo o jogo do Macron. É um cara muito leal a ele. Não é o que eles querem.
Mas me parece, Daniel, que talvez vá entrar no cálculo, que é, meu amigo, é o que você tem que fazer, porque senão não vai ter governo, e você tenta trazer, portanto, o Partido Socialista meio que para a sua zona de contenção, para ver se alguma coisa do governo avança. Agora.
ponto importante, eu queria te ouvir sobre isso também, a reforma da Previdência foi o único avanço econômico que Macron conseguiu anunciar durante o seu segundo mandato. A única coisa. E ele já vai ter que abrir mão em nome do apoio, ainda que temporário, do Partido Socialista, Daniel. Na prática, o Partido Socialista está implodindo o governo do Manuel Macron para mantê-lo de pé. Quer dizer, você continua com o seu primeiro-ministro.
Mas você não vai ter avanço nenhum, você não vai ter legado nenhum, não vai ter entrega nenhuma. E, consequentemente, lá na frente, nas eleições, a gente vê o que acontece. E eu, Partido Socialista... posso ter aí os louros de ter implodido a reforma da Previdência. A reforma da Previdência que foi muito polêmica, a gente acompanhou isso aqui no Pet Journal, o Macron acabou utilizando ali um poder extraordinário que o presidente francês tem para atropelar.
o parlamento, para levar a reforma da Previdência adiante. Uma reforma da Previdência que, muito entre nós, super suave para o padrão europeu, quando comparado... aos países nórdicos, ou quando comparado à Alemanha, a idade mínima de aposentadoria saía de 60 para 62 anos, enquanto tem vários países europeus que a idade mínima é de 67.
e está subindo progressivamente conforme a expectativa de vida vai aumentando. E mesmo assim, mesmo com esses avanços que eram absolutamente tímidos da reforma previdenciária francesa, você agora tem ela... ruindo, tem ela sendo abandonada. O que coloca o governo Macron numa situação também paradoxal, uma situação contraditória. Você quer fazer ajuste fiscal e a primeira medida do ajuste fiscal é recuar na reforma da Previdência? Quer dizer...
Aquela redução do déficit fiscal, que na França é bem alto, está na casa de 6% do PIB, que tem levado ao aumento do endividamento, tem trazido consequências sobre juros na França. tem desorganizado um pouco os indicadores econômicos, vai ficar ainda mais difícil. Quer dizer, você acha que vai convencer quem que você é capaz de fazer esse ajuste fiscal que você se propôs a fazer?
Está muito claro, Tanguy, que o único objetivo do governo Macron é ficar de pé. É ficar de pé, é continuar no poder. Mesmo que continuar no poder signifique não exercer esse poder de forma relevante. ou não conseguir levar adiante a sua agenda, ou não conseguir construir um legado. Isso é reflexo dessa composição que a Assembleia tem, uma composição que é absolutamente desfavorável ao Macron.
E tem muita gente que coloca por que o Macron não dissolve o parlamento. Porque tudo indica, segundo as sondagens que têm sido feitas, que se ele dissolver e convocar novas eleições, o arranjo piora para ele. O arranjo se tornaria ainda mais desfavorável. Você poderia ter um crescimento ainda maior da extrema-direita. A hostilidade ao governo Macron poderia ser ainda mais difícil.
Quer dizer, ao contrário do que ele consegue bem ou mal agora, que é um acordo com os socialistas, que é manter o primeiro-ministro, ele talvez sequer conseguisse isso ao convocar novas eleições. É uma situação muito difícil, a situação francesa, porque as variáveis econômicas vão se deteriorando, é um governo fraco, um governo que não tem condições de pôr uma agenda.
E você tem ali muita gente dentro do parlamento, mesmo o Partido Socialista que agora dá suporte, que quer implodir o governo, quer implodir a agenda, embora o mantenha de pé. Implode a agenda do governo, mas mantém o governo lá. porque tem que conviver com ele enquanto as eleições presidenciais não chegam. E tem um dilema, né, Daniel? Quanto mais o tempo passa, mais a popularidade do governo cai. Na medida em que a popularidade do governo cai...
você dissolver o parlamento se torna cada vez mais custoso, porque a tendência é, com o governo mais impopular, o resultado das urnas seja também mais desfavorável ao governo. Então, de fato, Daniel, e o Macron tem mais de dois anos de mandato.
¶ Tensão na Fronteira Afeganistão-Paquistão
mais de dois anos de mandato, sabe-se lá como é que ele vai fazer para permanecer mais dois anos no governo, Daniel. Próxima pauta que eu queria trazer aqui, queria falar um pouquinho sobre segurança na Ásia, principalmente porque a gente vem tendo ao longo dos últimos dias...
um conflito na fronteira entre Afeganistão e Paquistão. A gente começou a ter bombardeios de parte a parte. Eu queria trazer aqui um pouquinho do contexto, o que está acontecendo e por que esse cenário acabou se construindo. A gente começou a ter problemas na fronteira, Daniel, principalmente a partir do momento em que o Paquistão acusou o Afeganistão de fazer vista grossa para grupos que atuam dentro do seu território passarem a atuar dentro do Paquistão também.
A gente está falando de uma fronteira muito porosa, então o que o Paquistão diz é, olha, o governo talibã, a administração do talibã, permite que um monte de grupo aí da fronteira atue por ali, não faz nada para conter. E essa galera começou a atuar com uma série de atividades, com uma série de medidas que são violentas, atividades econômicas, contrabando e tal, dentro do território paquistanês. O Paquistão, portanto...
reagiu, atacou determinadas instalações do lado afegão da fronteira. O Talibã negou qualquer tipo de apoio, qualquer tipo de suporte a grupos criminosos. E o fato, Daniel, é que ao longo dos últimos dias a gente começou a ter, de fato, uma piora muito severa da relação bilateral, inclusive com bombardeios de parte a parte.
A gente está falando, Daniel, sobre o Paquistão, por exemplo, realizando ataques aéreos na província afegã de Kandahar, que fica exatamente ali na fronteira, e segundo autoridades afegãs, a gente está falando aqui sobre o governo do Talibã, áreas residenciais afegãs foram atingidas. Islamabad nega, então o Paquistão nega que o alvo tenham sido áreas residenciais e que teria atingido somente brigadas dos talibãs.
e que dezenas de integrantes do Talibã que estariam dando suporte para esses grupos que fariam a transição entre fronteiras teriam sido mortos. A gente não tem uma confirmação, Daniel, do número de mortos, quantas pessoas morreram e tal. O Talibã, por sua vez, diz que o ataque paquistanês matou 12 civis e feriu 100 pessoas e que, portanto, há de fato um clima, Daniel, de animosidade deliberada, de animosidade aberta.
Óbvio, Daniel, que isso acabou levando a uma série de preocupações por parte de outros países que têm influência na região. As principais potências se manifestaram no sentido exatamente de tentar conseguir algum tipo de...
Cessar fogo de conversa, então China, Rússia, Estados Unidos, OTAN, todos eles pediram moderação e diálogo. A gente está falando, Daniel, sobre algo que é uma consequência ainda daquela queda do governo afegão, naquela... saída absolutamente atabalhoada, complicada, que o governo Biden fez do Afeganistão, o Talibã volta para o poder e a gente tem, portanto, um cenário curioso, para dizer o mínimo.
O Afeganistão é um estado nacional, com fronteiras definidas e tudo, mas com um governo que não é considerado muito legítimo, um governo que tem ligações com grupos terroristas. Aliás, o Afeganistão é governado pelo Talibã, que esteve, participou, ainda que indiretamente, dos ataques contra o 11 de setembro. Então, é meio um grupo terrorista religioso com ligações complicadas.
e que administra um Estado que tem um território grande, com fronteiras extensas com vizinhos seus. Então a gente já tem, portanto, um nível de tensão bastante grande só pela situação doméstica do Afeganistão, a situação das mulheres, a situação das crianças, das meninas.
já é uma situação bastante dramática e isso acaba transbordando também para uma série de tensões que a gente tem nessa relação entre, por exemplo, Afeganistão e Paquistão. A gente não pode deixar de notar também, Daniel, que essa tensão toda... acontece exatamente no momento em que o chanceler do Talibã, o chanceler do Afeganistão, que é o Amir Kamutaki, ele vai exatamente à Índia. Não deixa de ser curioso, né, Daniel? Então o chanceler afegão, ele vai para a Índia.
E o Paquistão, portanto, vai encontrar problemas, vai encontrar motivos também para escalar uma tensão. Mais uma vez, me parece, Daniel, que de fato o Talibã, grupos ligados ao Talibã e tal...
ultrapassa a fronteira, levam consequências para o Paquistão. Mas isso vinha sendo administrado aqui, acolá e tudo. No momento, no entanto, no que você tem uma visita do maior representante internacional do Afeganistão indo para o Paquistão... o que a Índia, o que o Paquistão vai dizer é, olha, aqui, aqui não, aqui passou de todos os limites, e aí o Paquistão, portanto, encontra motivos também para do seu lado.
escalar essa tensão contra o Afeganistão. Então, dá para ver que é um triângulo ali, né, Daniel? Essa aproximação entre Afeganistão e Índia não pega muito bem nessa relação entre Paquistão e Afeganistão, Daniel. Tem que ir para a geleia da chaqueira de hoje.
¶ Curiosidades e Encerramento do Podcast
Bora, Daniel Souza, me conta. Você sabe que na Geleia da Shakira tem uma sessão dedicada ao Guinness Book, né? E nós tivemos viralização de uma história que chamou a minha atenção. Existe um camarada neozelandês chamado Lawrence... Gregory Watkins. Um nome normal, sem maiores problemas. Só que esse neozelandês que vive na Austrália achou que era pouco. Ele resolveu acrescentar 2 mil... 250 nomes aos três nomes que ele já tinha. Consequentemente, ele tem agora um nome com 2.253 palavras.
No total. O seu nome completo ocupa sete páginas da certidão de nascimento e o passaporte original dele precisou de seis páginas extras para comportar o nome. E com isso, ele está no Guinness Book como tendo o maior nome do mundo. Olha que honra, Tanguy. Olha que alegria. O Lawrence estava sem tarefa. estava sem uma pilha de louça para lavar, estava sem uma pilha de roupa para lavar também, e resolveu um chão para esfregar, um banheiro para limpar, sabe-se lá?
ele resolveu que faltava algo na vida dele. Faltava sabor, faltava algo que o diferenciasse dos demais mortais. Por que não? 2.250 nomes a mais para você ter um passaporte gigantesco, para você ter uma certidão de nascimento com sete páginas, que é tudo algo muito agradável, é algo que realmente torna a vida muito mais fácil. o amigo Lawrence Gregory Watkins, mas agora acrescido aí de 2.259. Daniel Souza, eu acho que o Guinness poderia oferecer, caso esse camarada pudesse escrever...
o nome dele, o nome completo. É na ficha de descrição. Aí não pode dar. E você imagina, Daniel Souza, aquele formulário que você tem que preencher pra qualquer coisa e escreve nome completo. Imagina. O cara começa a sofrer, Daniel Souza. Nome completo. Já pensou? Calma, mas no dia-a-dia, o Lawrence assina como Lawrence Alloy Watkins. É, no dia-a-dia ele não presta o nome todo. Malandro ele, né? Aí até eu, né, irmão? Que isso?
Ah, quero ver preencher lá os 2.253 nomes toda vez que você tiver que preencher uma ficha no hotel, num cadastro que você quer para um determinado serviço. Agora, no dia a dia, usar apenas... Lawrence Aloy Watkins até eu, né? Aí ficou fácil. Pois é. Daniel Souza, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio. Agradeço muito a todo mundo que está junto com a gente aqui mais uma vez, acompanhando essas maluquices que estão acontecendo no mundo.
cotidianamente. A gente grava os episódios aqui, né, Daniel? Sou de segunda a sexta-feira. Amanhã de manhã tem episódio também. A gente tem o Petinvest. E a gente fica muito honrado de saber que muita gente acompanha o que está acontecendo por aí.
a partir do nosso podcast. E aí, Daniel, chega o momento de passar o chapéu, né? A gente dá o nosso showzinho aqui, né, Daniel Souza? A gente faz aqui de forma humilde o nosso conteúdo. Chega o momento de passar o chapéu. Se você curte o Petit Jornal...
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