¶ Intro / Opening
Petit Jornal. Inteligência e reverência em doses diárias. Olá, gente. Bem-vindos, bem-vindas ao Petit Jornal. Esse é o Bate-Papo número 952. Estamos gravando numa live no YouTube do Petronal. São exatamente 21 horas e 32 minutos da terça-feira, 21 de outubro de 2025. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.
Tanguy, o Bagdadi animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado e tarifado. Segue, tarifado, professor Bagdadi. E temos também Daniel Souza, que é esse que eu vos falo ao longo dos próximos minutos.
¶ Japão Elege Primeira-Ministra Conservadora
Vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas e começamos falando sobre o Japão. Japão que elegeu uma nova primeira-ministra. O Japão trocou. de partido comandando o país. Não. O Japão, digamos assim, é caracterizado por uma certa estabilidade, uma certa continuidade no partido que governa o país, mas dentro do partido.
eventualmente você acaba tendo troca de comando e, consequentemente, também troca o primeiro-ministro. E agora temos uma primeira-ministra no Japão. Tudo bem, Tanguy? Vamos a isso? Tudo bem, Daniel Souza? Vamos lá para esse bate-papo 952, mais um episódio aqui no Petit Jornal. Deixem super boas-vindas a todo mundo que nos acompanha. Daniel Souza, tem gente nos acompanhando aqui nessa live que a gente faz no YouTube.
de onde sai, aliás, a gravação que o pessoal vai ouvir lá no podcast. Uma honra ter vocês aqui com a gente. E é isso, Daniel. A gente começa hoje falando sobre o Japão. A gente já tinha anunciado, né, Daniel, a mudança... na liderança do partido, do Partido Liberal Democrata, que é um partido que governa o Japão basicamente de forma ininterrupta desde 1955. O partido é de 1955 e nesses 70 anos...
O chamado PLD esteve no poder em 66. 66 dos 70 anos de lá para cá sempre foi o Partido Liberal Democrata no poder. Então mudou a liderança do partido. acaba mudando naturalmente a perspectiva de quem será o primeiro-ministro e tivemos, portanto, a eleição da primeira mulher da história no Japão a se tornar a primeira-ministra, que é a senhora Sanai Takahichi.
Ela tem 64 anos e foi escolhida, portanto, como primeiro-ministra nessa terça-feira. Aliás, é uma votação, Daniel, bastante apertada. A gente está falando sobre uma Câmara baixa, que tem 465 cadeiras. e ela conseguiu 237 votos, apenas 4 votos acima do mínimo que ela precisaria para ser eleita a primeira-ministra. Aliás, isso apenas ressalta, Daniel, o fato de que...
o PLD vem passando por dificuldade. Perdeu maioria na Câmara Baixa, perdeu maioria na Câmara Alta, e para poder escolher, portanto, a Sanai Takahichi, a sua líder, como primeiro-ministro, teve que fazer uma composição de votos, coisa que, em outros momentos... O PLD não precisaria, com uma certa tranquilidade, conseguiria elegi-la sozinho, mas não foi o que aconteceu dessa vez. Teve que fazer algumas concessões. Só para a gente entender quem é a Takaichi, Daniel, em termos...
políticos, ela faz parte da alinhadura, da ala mais conservadora do partido. Então se alguém espera que vai ter diversidade, portanto vai haver algum tipo de abertura, alguma questão relacionada... a direitos das mulheres, direitos das minorias, pode tirar o cavalinho da chuva. Ela, na verdade, durante a campanha, por exemplo, ela afirmou mais uma vez que ela gostaria de ser a dama de ferro do Japão, numa referência a Margaret Thatcher, que é a grande inspiração.
a política dela. Ela tem como grande desafio, Daniel, reanimar a economia japonesa. É uma economia que a gente vem falando aqui constantemente, né, Daniel? Que vem passando por um crescimento muito baixo, uma deflação. persistente, e ela tem como uma das suas inspirações políticas, Daniel, além da Margaret Thatcher, também o Shinzo Abe. É curioso, né, Daniel, porque Margaret Thatcher e Shinzo Abe, quando a gente fala sobre as Abenomics...
não necessariamente são a mesma coisa, mas são duas inspirações políticas dela e ela propõe, portanto, uma política fiscal expansionista. Sempre me chama a atenção, Daniel. Ela tem como referência Margaret Thatcher. ao mesmo tempo em que fala sobre uma política fiscal expansionista, com endividamento ainda que controlado e tal, para aumentar gastos públicos em áreas como ciência, tecnologia, infraestrutura e segurança alimentar.
Ela defende também, Daniel, um programa de estímulo chamado de capitalismo para todos. Aí, Daniel, é como se, na minha cabeça aqui, dois mundos se juntaram, né? Porque o Rodrigo Paes acabou de ser eleito presidente da Bolívia. E ele tem exatamente esse projeto, Capitalismo para Todos. Exatamente a ideia que ela está levando à frente no Japão também, que ela quer levar à frente no Japão, que combina investimentos estatais com apoio ao setor privado.
Ela promete endurecer as políticas migratórias. Segundo ela, a entrada muito grande de migrantes deixa os japoneses à flor da pele. E na trajetória como parlamentar dela, Daniel, ela também foi contra várias pautas relacionadas à direitos das mulheres. Então, assim, é uma mulher, mas não dá para esperar políticas feministas ou qualquer coisa assim. Então, por exemplo, tem uma lei no Japão...
que obriga a mulher a adotar o nome do marido. E teve uma proposta, uma discussão para, de repente, isso ser eliminado e tal. Ela votou contra, ou seja, para ela, a mulher tem que adotar exclusivamente o nome do marido.
Então dá para esperar, Daniel, uma primeira-ministra bastante conservadora e que tem como desafio reforçar ou voltar a fortalecer o poder do partido dela, o Partido Liberal Democrata, que, como eu já disse aqui... vem passando por um processo de deterioração do seu poder e da sua centralidade, Daniel.
É interessante o aspecto que você destacou, né, Tanguy, que ela se coloca como uma seguidora do AB e da Margaret Thatcher ao mesmo tempo. A Margaret Thatcher fez uma política fiscal bastante contracionista, né, de corte. de gastos do governo, e o ABE fez exatamente o contrário, fez ali uma política de aumento das despesas do governo e utilizou a política fiscal como elemento ali do todo crescimento, uma estratégia que inclusive teve como consequência
um aumento do endividamento do Império do Japão. Ela escolheu um número muito reduzido de mulheres para o seu gabinete, ao contrário do que muita gente chegou a imaginar. E a questão migratória é sempre algo que me chama a atenção. O Japão é o país mais velho do mundo, é um país que precisa realmente de migrantes para tentar manter a sua economia oxigenada e em crescimento.
E quando você coloca que você é refratário ou refratária à entrada de imigrantes, você está condenando a economia do Japão a ter muita dificuldade para crescer, muita dificuldade para se renovar. e, consequentemente, para se desenvolver. O Japão também está com problemas de inflação. A inflação deu uma subida recentemente. Aliás, não é um fenômeno apenas japonês. Você tem uma economia ali relativamente desorganizada.
O Japão também tem perdido competitividade em termos internacionais, tem perdido espaço no ranking mundial de inovação. A gente está falando de um Japão que também tem desafios geopolíticos tremendos. Mas, de qualquer maneira, nós temos aqui uma primeira ministra que promete retomar algumas políticas do Abe, promete esse capitalismo para todos, que seria uma forma justamente de tentar incluir mais gente.
de fomentar o empreendedorismo e de abrir espaço para que mais pessoas possam prosperar através de atividades dentro do sistema capitalista. Está muito ligado a isso, nesse sentido é uma agenda muito ligada.
¶ Acordo EUA-Austrália Sobre Terras Raras
aos conservadores, muito alinhada aos conservadores em diferentes partes do mundo. Agora, Tanguy, avançando para a próxima pauta, eu queria registrar que o Anthony Albanese, o primeiro-ministro da Austrália, esteve... na Casa Branca e ele e Donald Trump assinaram um acordo envolvendo terras raras e minerais críticos. A Austrália é o quarto país do mundo com mais...
desses recursos. Em primeiro lugar está a China, em segundo lugar está o Brasil, em terceiro lugar está a Índia, em quarto lugar está a Austrália. Esse acordo acaba prevendo, na prática, cerca de 8,5 bilhões de dólares. em investimentos em projetos conjuntos dos Estados Unidos e da Austrália. É uma tentativa dos americanos, uma vez mais, de tentar diminuir a dependência dos chineses. É muito impressionante.
como o Donald Trump tem se mexido nesses últimos dias tentando procurar alternativas às terras raras e minerais críticos da China. A China que controla violentamente esse mercado. não só por conta das grandes jazidas que estão disponíveis no país, como também na questão do refino. A China domina a cadeia do refino e, consequentemente, se torna um país absolutamente central.
nesse segmento cada vez mais importante para a economia mundial. Agora, tem muita gente olhando para esse acordo com uma certa... uma certa desconfiança de que talvez ele não vá ter tanto sucesso como os mandatários gostam de sugerir. Afinal, várias plantas estão previstas, inclusive algumas... devem entrar em funcionamento num prazo não tão longo assim, mas os altos custos logísticos e ambientais não são triviais e viabilizar essa produção em larga escala fora da China.
Não é tão fácil assim. A Austrália já produz terras raras, minerais críticos, já está nesse setor. Mas a escala que os chineses apresentam é algo muito impressionante. E igualaram, de alguma forma... Ofuscar os chineses nesse setor não vai ser tão simples assim, não vai ser tão rápido assim. Fica muito claro que os Estados Unidos realmente paparam mosca durante muito tempo.
consideraram ali que o fornecimento chinês era algo regular, algo mais ou menos dado, e agora perceberam que estão nas mãos dos chineses e, consequentemente, acabam tendo ali um elemento de vulnerabilidade que não é pequeno.
¶ Black Friday Insider Store
em setores de alta sofisticação tecnológica da indústria americana. Agora, o que é sofisticação para vestida, Nelson Sousa? Já pensou? Sofisticação tecnológica para você usar roupa. Insider Store, Daniel. Toda a linha da Insider Store tem tecidos tecnológicos. E aí, Daniel, facilita a sua vida com tudo. Facilita a sua vida porque não precisa passar, ela não dá mau dor, não dá mau cheiro.
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¶ Pressão Por Cessar-Fogo no Oriente Médio
Demais, vale muito a pena. Daniel Souza, o próximo tema que eu queria abordar aqui é o Oriente Médio, mais uma vez. Donald Trump anunciou aquele plano de paz de 20 pontos. A coisa avançou, enfim, você teve um cessafogo que foi estabelecido ali com a entrega dos reféns. Os reféns, portanto, que estavam no poder do Hamas foram libertados.
Há alguns cadáveres, alguns corpos de reféns que não foram devolvidos ainda. Segundo Israel, não foram devolvidos de propósito. Segundo Hamas, muitos desses corpos estão embaixo de escombros por conta da destruição de gás e, portanto, há necessidade de mais tempo. Aliás, no dia de hoje, o Hamas entregou mais dois corpos, ainda tem alguns que estão para serem entregues, mas a grande preocupação nesse momento, Daniel, é o fato de que, ao longo do fim de semana,
Israel promoveu novos bombardeios, a gente falou sobre isso aqui na segunda-feira. Então, segundo Israel, no momento em que as tropas israelenses estavam se retirando, tentaram tirar determinados equipamentos do Hamas e o Hamas reagiu e, portanto, Israel fez ataques.
E no dia de ontem, na segunda-feira, isso aconteceu mais uma vez. Israel promoveu novos bombardeios contra a faixa Gaza, o que acendeu um sinal de alerta, Daniel, que é o fato de que, a gente vem falando isso, esse sessafogo é muito frágil. Um cessa-fogo que, de fato, a qualquer momento ele pode simplesmente sair dos trilhos e há uma articulação, principalmente por parte dos Estados Unidos, para evitar que o cessa-fogo saia dos trilhos. A gente sabe, claro,
Os Estados Unidos são um grande aliado de Israel. Os Estados Unidos não têm nenhum carinho pelo Hamas, muito pelo contrário. Mas isso aqui apareceu, Daniel, como um censafogo que tem a assinatura de Donald Trump. Então, os Estados Unidos... Então, se posicionando assim, cara, esse cessafogo tem que ser mantido. Quem desembarcou, portanto, em Jerusalém, Daniel, para fazer uma visita ao governo Netanyahu, foi o vice-presidente dos Estados Unidos, o J.D. Vance, para pressionar...
o governo Netanyahu a manter o cessar-fogo. A gente sabe, e a gente vem falando isso aqui constantemente, que partes importantes do governo Netanyahu são contra o cessar-fogo. Ele está falando sobre uma ala mais à direita, uma ala nacionalista, religiosa do governo Netanyahu, que é contra qualquer tipo de cessafogo, que eu considero que tem que partir para cima do Hamas até o fim. Inclusive...
com várias sugestões de anexação. Tem que anexar partes maiores da Cisjordânia, tem que anexar a faixa de Gaza, parte da faixa de Gaza, talvez a faixa de Gaza toda, tirar os palestinos de lá. Então o J.D. Vance, Daniel, ele foi para lá meio que para pressionar o governo Netanyahu, olha, tem determinados limites aí que não deveriam ser ultrapassados para ver se a coisa se mantém.
Ao mesmo tempo, Daniel, que o J.D. Vance foi para Jerusalém, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que os Estados Unidos e aliados americanos estão prontos para enviar tropas à faixa de Gaza se o Hamas violar o atual acordo de paz. Então, o recado é o seguinte. J.D. Vance vai lá falar com o governo Netanyahu, pressionar o governo Netanyahu.
E, claro, pode ter reclamações dentro de Israel, que é por que a gente está sendo pressionado e o Hamas não? E aí vem a declaração do Donald Trump, que é uma jogada ensaiada, a declaração do Trump, que é, olha... Aliados meus, de repente até possivelmente os Estados Unidos, podem enviar tropas para detonar o Hamas caso haja uma violação ao atual acordo de paz. Depois disso, Daniel, o próprio Donald Trump deu uma recuada.
E disse que os Estados Unidos não enviariam tropas, mas que seria uma coisa mais dos aliados. Mas ele falou sempre no sentido de ainda não enviaram tropas. Mas deixando ali aquela possibilidade, Daniel, de uma ação militar que estaria na mesa e tal. Então é uma tentativa de, é quase como se fosse a polícia jogando bomba de gás lacrimogênea na galera que está querendo arrumar briga ali. Tem uma briga e tal, joga uma bomba de gás lacrimogênea para ver se os dois recuam.
Então o Trump reiterou várias vezes que o cessa-fogo tem que ser garantido e se o Hamas não cumprir o cessa-fogo, esse será o fim do grupo. E o fim do grupo será rápido, furioso e brutal. Na cara do Donald Trump falar... muitas palavras que andam meio em círculos ali, mas existe uma preocupação por parte dos Estados Unidos exatamente por garantir que esse safogo, que mais uma vez tem a assinatura de Donald Trump, seja garantido.
pressionando tanto Israel quanto o Hamas. A gente aqui já falou isso mais uma vez, né, Daniel? É um cessafogo frágil, instável. Nenhuma das partes, nem Israel, nem o Hamas, queria realmente cessafogo. Foram meio que obrigados, os Estados Unidos se impuseram, conseguiram. É um grande trunfo do governo Trump, e o governo Trump, portanto, não quer perder esse trunfo, quer garantir que o cessafogo seja mantido.
E, portanto, a gente tem que ver, Daniel, porque aparentemente a coisa pode azedar a qualquer momento. Mas o governo dos Estados Unidos está, pelo menos, tentando se fazer presente ali na região e tentar garantir que haja um pouco mais de tempo para essa trégua ser testada, Daniel.
¶ Crise Francesa e Reforma da Previdência
Tanguy, nós temos destacado aqui no Petit Journal a crise horrorosa que está mergulhada a França. Inclusive, destacamos também no episódio anterior do Petit Journal que o Emmanuel Macron conseguiu que o seu primeiro-ministro fosse preservado com o apoio do Partido Socialista, sob a condição de que a reforma da Previdência fosse desfeita.
Reforma da Previdência, que acabou sendo aprovada ali com poderes extraordinários do presidente da República, algo que está previsto na Constituição Francesa de 1958. Pois bem, Emmanuel Macron, Tanguy, disse hoje que... Um referendo, um referendo, ainda é uma possibilidade para resolver o debate sobre a reforma da Previdência. A chance desse referendo...
manter a reforma da Previdência não é zero, é menos 15. E o Emmanuel Macron, quando traz uma fala como essa, muito provavelmente está querendo tumultuar, está querendo ganhar tempo, está querendo... abrir espaço para algum tipo de alternativa. Afinal, ele sabe que a situação fiscal, que já é grave, tende a se tornar ainda mais grave dentro de um contexto onde essa reforma da Previdência acaba sendo...
ou o governo acaba recuando em relação à reforma da Previdência. É um contexto muito delicado que os franceses estão vivendo dentro desse momento. A França tem uma idade mínima de aposentadoria muito mais baixa do que a maior parte dos países europeus, quando você compara com os nórdicos, quando você compara com a própria Alemanha.
A idade mínima de aposentadoria, mesmo com o aumento que foi feito pela reforma, ainda mantém os franceses se aposentando relativamente cedo. Isso aumenta as despesas do governo, pressiona o orçamento dentro de um contexto onde há... claramente o envelhecimento acelerado da sociedade europeia em geral e da sociedade francesa em particular. Cada vez menos gente contribuindo, cada vez mais gente usufruindo ali do benefício previdenciário.
Agora, referendo? Referendo? É claro que isso não tem qualquer tipo de chance, me parece uma manobra diversionista do Macron. Ele já entendeu que a reforma da Previdência caiu. caiu. A reforma da Previdência não tem como. Foi uma exigência lá do Partido Socialista para garantir que o Sebastião Leicórnio não caísse em poucos dias. Então...
A estratégia do Macron, Daniel, ela é a seguinte, já vai cair mesmo, pelo menos eu vou me respaldar na população. E você vai dizer, olha, caiu porque vocês quiseram, a população quis e tal, e vai tentar encontrar esse ajuste fiscal. em alguma outra forma, em alguma outra possibilidade. A reforma da Previdência é profundamente impopular na França. Ah, mas é necessário. É, mas a população não quer. A população é contra.
E ele vai ter que encontrar, portanto, outras vias, outras maneiras de fazer aquele corte. Agora, era um corte que ele queria fazer que estava na casa de 30 a 40 bilhões de euros. Se você anula a reforma da Previdência...
Esse número aumenta, né? Então já não são mais 30, 40 bi. Você vai ter que fazer uma reforma maior, vai ter que apertar mais em outros pontos da economia que certamente vão incomodar de outras formas. O fato, Daniel, é que o Macron está numa situação... muito difícil, politicamente, economicamente, eleitoralmente, a chance que ele tem de fazer um sucessor parece muito pequena e ele está vivendo um dia após o outro, porque a chance do primeiro-ministro cair mais uma vez...
¶ Cúpula Trump-Putin é Cancelada
não é pequeno. Daniel, como próxima pauta, eu queria falar sobre aquela perspectiva que havia de uma cúpula entre Donald Trump e Vladimir Putin. falou sobre a possibilidade dos dois se encontrarem em Budapeste. E aí tinha um certo ânimo para, de repente, os dois se encontrarem e tal. Tudo isso naquele contexto no qual Donald Trump ia se encontrar com o Volodymyr Zelensky, o presidente da Ucrânia.
Havia uma expectativa de que Trump fosse vender armas, fornecer armas para a Ucrânia, principalmente os Tomahawk, que aumentaria sensivelmente o poder de fogo da Ucrânia. E no dia anterior, Vladimir Putin ligou para o Trump e os dois... meio que se acertaram e tal, de que iam se encontrar em Budapeste, capital da Hungria, em algum dia que viesse aí pela frente. A questão, Daniel, é que a gente teve alguns contatos entre os Estados Unidos e a Rússia.
para tentar alinhar esse encontro, como aliás é de praxe, você vai ter um encontro de presidente, você tem uma série de reuniões para tentar imaginar o que vai ser discutido, como vai ser discutido, quando é que vai ser, que horas vai ser, o que vai ser falado, o que vai ser servido, onde vai ser. todos os detalhes e houve uma recusa por parte da Rússia de aceitar qualquer termo que falasse sobre um censafogo imediato na Ucrânia. Donald Trump, Daniel, está querendo dar o tiro certo.
O tiro certo é, eu quero encontrar com Putin e eu quero eu poder anunciar um cessar-fogo agora. E o recado que veio da Rússia foi, não vai ter cessar-fogo agora. E aí, Daniel, a conversa esfriou. Então, aparentemente, nós não teremos o encontro nos próximos dias entre Vladimir Putin e Donald Trump. A gente teria, inclusive, uma reunião preparatória entre os ministros das Relações Exteriores, entre o Marco Rubio...
o secretário de Estado dos Estados Unidos, e o Sergei Lavrov, que é o ministro das Relações Exteriores da Rússia, que aconteceria nessa quinta-feira. A gente está gravando esse episódio na terça, então depois de amanhã a gente teria um encontro entre os dois, e esse encontro também foi... cancelado. Ou seja, o Daniel, se havia alguma expectativa de um encontro entre os dois, os dois já se encontraram no Alasca esse ano, se havia expectativa, perspectiva, uma certa esperança de um novo encontro.
Daqui para frente, nos próximos dias, a gente já sabe que muito provavelmente isso não vai acontecer. Aparentemente, quem respirou aliviado foi não apenas Volodymyr Zelensky, que óbvio que a última coisa que ele quer é que Trump e Putin se encontre, porque ele já entendeu que Trump tem uma queda pelo Putin, Trump cede o que o Putin quer, ele abraça os argumentos do Putin e tudo, mas a Europa Ocidental também respirou aliviada.
Então, França, Alemanha, Reino Unido, a própria liderança da União Europeia, todos eles entenderam que, olha, se esse encontro acontecer, não vai sair muita coisa de bom e é capaz ainda do Putin conseguir trazer. o Trump para o seu lado. Então, se essa folga imediata é necessária, se a Rússia não está a fim de falar sobre essa folga imediata, é melhor que a negociação não aconteça agora mesmo e a gente precisa amadurecer um pouco mais a nossa posição.
Então todo mundo que está nos ouvindo aí, que já tinha colocado na agenda, preciso saber o que vai acontecer nesse encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, pode riscar a agenda, porque provavelmente essa reunião não vai acontecer. A Hungria, que está muito animada para receber essa reunião, disse que não vai acontecer por enquanto, mas é possível que aconteça um pouco mais para frente e tal, mas aparentemente não temos um horizonte próximo.
¶ Mosquitos Chegam à Islândia: Aquecimento Global
É um encontro entre Putin e Trump acontecendo, Daniel. Tivemos a divulgação pelo The Guardian de uma notícia que me chamou bastante a atenção. O último país do mundo que estava livre... Deste ser vivo, que é o mais letal aos humanos na história deste planeta, não está mais livre deste ser vivo. Eu estou falando da Islândia e do mosquito. A Islândia não tinha mosquitos.
Não tinha. Nós tivemos aí o anúncio oficial da descoberta feita por um pesquisador que encontrou, inclusive, mosquitos no jardim da sua casa, capturou, levou para análise. E percebeu que sim, estamos falando agora de uma Islândia que tem mosquitos. Era o único país do planeta que não tinha mosquitos. Agora, a única região do planeta que segue sem mosquitos é a Antártida. De qualquer forma, esse fenômeno é explicado pelo fato de nós termos a Islândia aquecendo quatro vezes mais.
do que a média do hemisfério norte. Então, o aquecimento global e o aquecimento da temperatura da Islândia agora permite que mosquitos consigam É claro que esses mosquitos devem ter chegado por containers, devem ter chegado por algum tipo de transporte. Mas, no passado, isso acontecia, só que no momento em que o container se abriu, o mosquito morria instantaneamente. Você não tinha exemplares de mosquitos vivos circulando na Islândia. Aliás...
Essa tem sido uma tendência global. Você tem aumentado a quantidade de mosquitos em diferentes partes do mundo e eles têm chegado em regiões em que eles não estavam presentes. E pior, recentemente... O Reino Unido divulgou que passou a encontrar dentro do seu território mosquitos responsáveis transmissores de doenças tropicais, como o Aedes aegypti.
que não havia no Reino Unido. E agora, porque você tem uma temperatura um pouco mais alta e, consequentemente, os mosquitos que antes não sobreviviam nessas regiões, agora sobrevivem. É algo que chama atenção, porque como eu disse no início dessa fala, e é real, nada, nenhum outro ser vivo, foi tão letal ao ser humano na história deste planeta.
¶ Trump Demole Ala da Casa Branca
quanto os mosquitos que agora se espalham pelo mundo, dentro de um contexto onde o planeta vai ficando mais quente. Daniel Souza, essa pauta, ela normalmente viria para uma geleira Shakira, mas ela é tão séria, né? Que a gente tem que ter outra pauta para ser a geleira Shakira.
Conta para mim o que Trump está arrumando dessa vez, Daniel. Ô, Tanguina Gelé da Shakira de hoje, eu quero falar um pouco sobre uma imagem que me impactou. Impactou. Uma escavadeira. Uma escavadeira derrubando... a East Wing, a ala leste da Casa Branca, porque, afinal, nós teremos ali um novo salão de baile, um novo salão de baile que tem um custo estimado em 250 milhões de dólares. um novo salão de baile que terá aproximadamente 8.360 metros quadrados e poderá acomodar até 999 pessoas.
O Donald Trump diz que a obra está sendo totalmente financiada por ele e por doadores privados sem a utilização de recursos públicos. Mas eu confesso, Tanguy, que me impactou. Porque eu pensei, meu Deus, cadê o Iphan? Cadê o Iphan dos Estados Unidos, meu Deus do céu? O rapaz botou a escavadeira, botou a escavadeira na Casa Branca. O cara tá demolindo uma ala da Casa Branca. Alguém para, estão as máquinas.
Parem as máquinas. Mas não. As máquinas foram levadas adiante. As imagens estão aí disponíveis na internet. Quem tiver curiosidade. Com a escavadeira derrubando ali. Paredes. Pedaços ali da Casa Branca. Porque o Donald Trump quer um ballroom, um ballroom novo. E, claro, o pessoal fica perguntando se ele está investindo tanto nessa obra. Será que ele está querendo ficar mais tempo na Casa Branca? Vai embora mesmo daqui a três anos?
Ainda não sabemos. Ou aquela coisa do bonezinho Trump em 2028 já é um fler. Saberemos no futuro aqui no Pet Journal. Uma casa de 1792, né, Daniel? Começou a ser construída ali.
¶ Petit Journal: Cursos e Apoio
Mas por que não, né? Por que não você tirar uma parte para fazer um salão de festa para Donald Trump? Daniel Souza, se você quer saber mais sobre Donald Trump... mais sobre os Estados Unidos, se você quer saber mais sobre esse mundão de meu Deus, tem muita coisa lá em petitcursos.com.br. Hoje, aliás, tivemos uma aula sobre Venezuela. Aliás, está rolando um curso sobre América Latina, a gente vai falar sobre Colômbia.
sobre o Panamá, vamos falar sobre o Nicarágua. Então, estamos falando aqui sobre a nossa região, a nossa quebrada. Alô, Matias Pinto! A nossa quebrada latino-americana. E se soma, Daniel, a outras dezenas de cursos que estão lá e no PetCurso. Então, acessa lá. para você dar uma olhada no catálogo. Tenho certeza que você vai ter muita coisa lá que vai te interessar. Cursos completos, aulas completas, aulas avulsos. Para você que se torna aluno do Petit Curso, está tudo disponível lá para você.
Fica aqui também o nosso agradecimento aos apoiadores e apoiadoras do Petronal, vocês que ajudam a manter esse projeto de pé. Fica o nosso carinho, o nosso abraço, o nosso muito obrigado a cada um de vocês. O PT é uma mídia pequena, não tem nenhum conglomerado por trás, nenhuma produtora por trás, por isso a ajuda de nossos apoiadores é tão importante, por isso registramos aqui o nosso agradecimento.
Fica também o convite. Se você gosta do nosso projeto, se ele faz diferença na sua rotina, considere nos apoiar. No descritivo desse episódio tem várias alternativas. Tem a chave Pix para apoiar o PetJornal. petijornal.pj.gmail.com, uma forma prática e instantânea de apoiar o Petit. Dá, inclusive, para ativar o Pix recorrente. Tem também o link para o Apoia-se, o link para o Patreon. Tenho certeza que uma dessas alternativas será confortável para você.
Estão todas disponíveis no descritivo desse episódio. É isso, Daniel Souza. Um abraço e até a próxima. Valeu! Tchau, tchau! Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias.
