¶ Intro / Opening
Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá gente, bem-vindos, bem-vindas ao Peti Jornal. Esse é o Peti Invest número 93. Estamos gravando numa live no YouTube do Peti Jornal. São exatamente 9 horas e 17 minutos da sexta-feira, 21 de novembro de 2025. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor. Tanguy, o Bagdad animado, contente, preparado, revigorado, resiliente.
retumbante, descansado e tarifado, mas menos tarifado do que ontem, bem menos tarifado do que ontem. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala ao longo dos próximos minutos. Vamos trazer aqui... Reflexões sobre o ambiente econômico internacional, a dinâmica de investimentos. Esse é o Petinvest, espaço de toda sexta-feira.
no Petit Jornal. Tudo bem, Tanguy? Vamos a isso? Tudo bem, Daniel Souza? Vamos lá para esse Petit Invest 93. Um prazer estar aqui para começar essa sexta-feira, para a gente poder falar sobre temas econômicos. E, aliás, Daniel, o que tem hoje é um grande assunto econômico que a gente vai trazer para os nossos ouvintes nessa live e nessa gravação. Deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que está com a gente aqui no YouTube, nessa live.
todo mundo que está acompanhando a gente também no podcast. Aliás, Daniel, a gente fala aqui sobre boas decisões econômicas. Vou deixar aqui um recado da Inside Store, viu? A gente está tendo agora, ao longo desse mês agora, a Black November, o período aí... de super desconto da Insider Store. E o desconto que está atrelado ao link do Petit Jornal, o link está na descrição desse episódio, oferece 15% off em qualquer compra. E se for a primeira compra, Daniel...
Esse desconto se eleva a 20% e acumula com os descontos da Black Week do site. Isso significa que os descontos podem chegar a 50% de desconto. Pode até ultrapassar se for a sua primeira compra. E, aliás, você tem a possibilidade, inclusive, de entrar no grupo de transmissão da Insider Store para receber as Flash Promos. Você vai ficar sabendo hoje de todo mundo sobre as melhores promoções.
com super desconto que você só consegue utilizando o link que está na descrição desse episódio. Não perde, não. Tem os dois links lá. O link do cupom do Petit Jornal e o link para entrar.
¶ Anúncio e Razões da Redução Tarifária
no grupo do WhatsApp. Dá uma olhada na coleção da Inside Store, que você não vai se arrepender. Bom demais, tem muita coisa boa por lá. Daniel Souza, a gente teve mais uma notícia ontem sobre tarifas, né? Os Estados Unidos anunciaram... que retiraram mais algumas tarifas do Brasil. Me explica o que aconteceu. Pois é, Tanguy, tivemos esse anúncio no dia de ontem, 20 de novembro de 2025, que os Estados Unidos estavam retirando aquela sobretaxa.
de 40%, de aproximadamente 200 itens, 200 itens que o Brasil exporta para os Estados Unidos, entre eles destaque absoluto para carne e café. dois produtos que o Brasil exporta pesadamente para o mercado americano. É interessante também registrar que a medida passou a valer em 13 de novembro, ou seja, os Estados Unidos...
estão tornando também o passado incerto, Tanguy. Veja você. Então, está valendo a partir de 13 de novembro. 13 de novembro, uma semana antes. E me parece que existem dois aspectos que nós precisamos considerar. 13 de novembro, não me parece que seja um acaso, foi a data de encontro entre o Marco Rubio e o Mauro Vieira, ou seja, existe ali uma sinalização de que o diálogo está surtindo algum efeito.
E uma outra sinalização é a questão do preço dos alimentos nos Estados Unidos. A gente destacou aqui no Petit Jornal, inclusive em episódios dessa semana, que o Trump vem perdendo popularidade. E que essa perda de popularidade tem dois eixos centrais, o Epstein e também o preço dos alimentos, a inflação nos Estados Unidos. O Brasil é um gigantesco produtor de alimentos.
Se você quer baixar o preço dos alimentos no mercado americano, o Brasil acaba sendo meio que incontornável. Nesse sentido, há um certo pragmatismo também do governo dos Estados Unidos em reduzir tarifas. para facilitar a entrada de produtos brasileiros e contribuir para a queda do preço dos alimentos. O preço do café, em particular, subiu muito nos Estados Unidos nesse ano.
de 2025 e isso irrita os consumidores. Claro, o café, a carne são produtos ali do dia a dia e, consequentemente, isso acaba afetando a popularidade do governo Trump.
¶ Manufaturados: Barreiras e Pragmatismo EUA
dentro de um contexto como esse. Produtos manufaturados, principalmente, continuam sujeitos ao tarifácio. É importante registrar também... que o Brasil exporta, ou pelo menos sempre exportou, muito produto manufaturado para os Estados Unidos, ao contrário da China. Tem a questão das aeronaves, que já tinha sido isentada lá atrás. Mas tem outros produtos, como máquinas e equipamentos, que continuam sujeitos ao tarifácio, e isso...
traz impactos para o Brasil e continua trazendo impactos para o Brasil no presente momento. Era esse ponto que eu queria trazer, Daniel, porque quando foi divulgado o tarifácio, então vai ter tarifação, 50% e tal, havia uma incerteza com relação a que produtos seriam, na prática, impactados. E depois vem o anúncio de como é que vai ser especificamente, você tem ali uma lista de exceções, e me parece que, com essas negociações diretas entre Brasil e Estados Unidos,
O que está se mexendo é exatamente nessa lista de exceções. E, claro, os Estados Unidos estão mexendo principalmente nos produtos que mais impactam lá. O que você destacaria, Daniel, que ainda continua incomodando empresas brasileiras, a economia brasileira na hora de exportar? Porque muitos produtos saíram. O que permanece? Enfim, ainda há espaço para o Brasil negociar mais.
destarifações, se é que a gente pode colocar dessa forma. É, o que permanece tendo espaço é a questão do setor industrial. Aliás, o setor industrial brasileiro tem segmentos, tem cidades no Brasil. que vivem basicamente de exportação para os Estados Unidos e não conseguem, de maneira tão simples, substituir o mercado americano, buscar alternativas ao mercado americano.
Até porque produtos industriais muitas vezes são bastante customizados e estão ali focados a um determinado público consumidor e não necessariamente se encaixam em um outro público consumidor em outras partes do mundo. Além, claro, do fato incontornável dos Estados Unidos ter a maior economia do planeta e, consequentemente, ter aí muitas oportunidades. Está muito claro, Tanguy, nesse movimento do governo americano...
que as negociações vão continuar, que as conversas vão continuar. Nós estamos aqui avançando, temos interesses no Brasil que ainda vão ser desenvolvidos através de conversas futuras.
Mas existe ali uma preocupação, acima de tudo, me parece, do Donald Trump com a sua popularidade doméstica. E quando você mantém ali tarifados produtos manufaturados brasileiros, Por Trump tudo bem, afinal existe toda aquela retórica de reshoring, vamos trazer empregos de volta para dentro dos Estados Unidos, esses produtos exportados pelo Brasil têm que continuar sendo tarifados mesmo, pelo menos por enquanto.
Então vamos continuar acompanhando, porque as conversas devem continuar, mas claro, agora com muito menos pressão sobre o Brasil. A gente sabe que essa questão, na verdade o cenário político, o discurso político, ele nem sempre é absolutamente racional, né? Porque quando você fala sobre a ideia do reshoring, não é uma questão com o Brasil. Nenhuma empresa saiu dos Estados Unidos e veio produzir no Brasil porque o Brasil era um espaço de maior competitividade.
Isso aconteceu com outros lugares. Certamente empresas saíram dos Estados Unidos para ir para a China, para ir para Taiwan, para ir para a Indonésia, onde você tem determinados custos que são mais controlados, custos de mão de obra. Agora, para o Brasil não faz muito sentido. Eu fico com a impressão, Daniel, não sei se você concorda com isso, que se tornou meio que uma questão de tempo e de insistência. Se continuar insistindo, vão acabar caindo mais tarifas e tal.
para o Brasil especificamente, afinal de contas, se o plano de Donald Trump é a questão do reshoring, ou seja, trazer de volta empresas que saíram dos Estados Unidos, o Brasil não deveria ser um alvo, não faz muito sentido que o Brasil seja um alvo como esse.
O que a gente viu, na verdade, foi uma tarifa que, naquele momento, quando foi implementada, era muito mais uma tarifa justiceira, uma tarifa para calar a boca do Brasil ou para dar uma lição no Brasil, porque o Brasil estava falando de desdolarização.
que no momento em que há uma aproximação política, no momento em que o Brasil demonstra uma disposição maior em negociar com os Estados Unidos, meio que perde o sentido. Então, por isso que essas tarifas, inclusive, vão derretendo. E também porque, como você disse...
¶ Interesses Americanos e Influência Chinesa
mexe com a popularidade doméstica de Donald Trump nos Estados Unidos. Eu concordo com você porque quando a gente pensa nessa estratégia do reassuring, a gente está falando na prática de países com os quais os Estados Unidos têm déficit comercial importante. Não é o caso do Brasil. O Brasil exporta alguns produtos, mas são situações mais pontuais, digamos assim, não é?
Uma questão generalizada, como acontece principalmente junto a países asiáticos, e em particular China e Japão, também na Europa. A Europa acaba exportando muitos produtos manufaturados. para os Estados Unidos. Dentro de uma lógica de reshoring, o Brasil não é o foco, claramente. Se você tiver uma insistência, se você tiver uma boa negociação, a tendência é que novos avanços possam ser...
eventualmente alcançados. É claro que os americanos têm interesses importantes no Brasil e esses interesses certamente vão continuar sendo buscados. É o caso... das empresas de tecnologia na regulação, é o caso das terras raras e minerais críticos, é o caso do acesso ao mercado brasileiro de etanol. Enfim, esses elementos certamente continuarão presentes aí.
no diálogo do Brasil com os Estados Unidos. E outra coisa que é importante a gente olhar também, Daniel, é o elemento político ideológico. Donald Trump, em diversos momentos, ele dava a entender que... colocaria tarifas sobre países A, B ou C por conta da ideologia do governo, da ideologia do presidente. Então, naquele momento, chegou a dar a entender que o Brasil poderia estar sendo tarifado porque tinha um governo de esquerda, um governo que...
era contrário, que tinha como opositor Jair Bolsonaro, que é um presidente à direita e que é ideologicamente bastante alinhado aos Estados Unidos. Desde o início, no entanto, aqui, Daniel, a gente vem falando que Trump usa isso como argumento mas não é exatamente um argumento muito sólido, que ele não tem muitos problemas em se aproximar de governos que sejam de esquerda, que pensem diferente, desde que ofereçam algum tipo de vantagem para ele ou para os Estados Unidos de uma forma geral.
Uma coisa que a gente sempre comenta aqui é a deferência que ele tem, por exemplo, com o Kim Jong-un, da Coreia do Norte. No seu primeiro mandato, ele encontrou três vezes com o Kim Jong-un e já falou agora de novo que gostaria de se encontrar mais uma vez com ele.
Ele não vê problemas nisso. Então essa aproximação dos Estados Unidos com o Brasil, apesar de você ter um governo à direita nos Estados Unidos e à esquerda no Brasil, não deve ser visto com muita surpresa, né, Daniel? Para o Trump também...
Ele falou lá atrás que esse era o motivo pra ele desfalar também, pra daqui a pouco, ah, isso aquilo ali, esquece, já não é mais um problema, já não é mais uma questão. Você vê que o Bolsonaro já não é mais um assunto, não se fala mais em Bolsonaro nessa relação. E vida que segue, né? Me parece que esse é um tema absolutamente escanteado já nesse momento. É, a questão política realmente perdeu muito espaço e há também um certo...
pragmatismo do governo americano. Olha, nós precisamos ter ali relações boas com o Brasil, até para ele não jogar o Brasil no colo da China, né, Tanguy? E o que nós observamos nos primeiros momentos ali do tarifaço... Foi uma China o tempo todo dizendo, olha Brasil, eu vou inclusive aqui licenciar mais importadores de café no meu país para que eles possam comprar o magnífico café brasileiro.
Eu que bebo chá, vou comprar café brasileiro, porque você sabe que eu tenho aqui uma verdadeira amizade com você, ao contrário dos Estados Unidos que está te tarifando. O Brasil é um país grande, o Brasil é um país realmente que desperta interesses. É o maior país da América Latina, o maior país da América do Sul, territorialmente, economicamente. E os Estados Unidos, nessa lógica de América para os americanos, precisam cultivar boas relações com o Brasil.
e buscar uma maior proximidade com o Brasil. Nesse sentido, se o ex-presidente ou se questões políticas se tornarem um constrangimento, os americanos tendem a colocar isso de lado. e a defender os interesses dos Estados Unidos em primeiro lugar, o que é algo racional, algo que faz sentido. E quando você tem uma mudança de abordagem, uma mudança de estratégia, me parece que é uma percepção, é uma leitura.
que nesse caso me parece bastante correta. A abordagem anterior não estava correta, vamos agora para uma nova abordagem, justamente para que nós possamos preservar os nossos interesses no Brasil e possamos minimizar...
¶ Considerações Finais e Próximos Passos
a presença chinesa, a influência chinesa no Brasil, numa região que é tão cara aos Estados Unidos. Claro que ano que vem tem eleição, né, Daniel? A gente não sabe exatamente qual vai ser o impacto dessa questão ideológica num cenário eleitoral brasileiro. no ano que vem, em 2026. Mas a gente vai estar aqui exatamente para acompanhar. A gente sempre lembra que a gente não fala sobre a eleição no Brasil, não é o tema desse podcast, mas implicações internacionais naturalmente vão ser abordadas.
por aqui. Daniel Souza, dessa maneira a gente encerra o nosso episódio e deixo aqui um grande agradecimento, enorme agradecimento a todo mundo que está junto com a gente esteve ao longo da semana, segunda-feira estamos aqui com mais um episódio, apenas um lembrete Daniel, hoje é o último dia da Peti Week para você entrar no Peti Cursos com o maior desconto do ano. Até 40% de desconto se você entrar no plano anual do Peti Cursos.
O link está na descrição desse episódio. Não perde a oportunidade, não. Amanhã, sábado, já não terá mais. É só ter hoje, sexta-feira, dia 21. Daniel Souza, segunda-feira, estamos de volta. Um abraço e até a próxima. Valeu! Tchau, tchau! Petit Jornal Inteligência e reverência em doses diárias.
