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EUA cercam a Venezuela - BP 992

Dec 18, 202533 min
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Summary

O Petit Jornal analisa a intensificação do cerco econômico dos EUA à Venezuela com o bloqueio de petroleiros, enquanto investidores especulam sobre a queda de Maduro. Na Europa, a França congela sua reforma da previdência em meio à fragilidade política, e o acordo UE-Mercosul enfrenta um provável fracasso devido às exigências protecionistas europeias. O episódio também aborda o pressionado discurso natalino de Donald Trump e a aprovação de um gigantesco orçamento de defesa nos EUA, com a polêmica inclusão de legendas explicativas nos retratos presidenciais da Casa Branca.

Episode description

RIO CLARO
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No episódio de hoje, analisamos o anúncio de Donald Trump de que os Estados Unidos irão bloquear petroleiros que cheguem ou deixem a Venezuela, intensificando o cerco econômico ao regime de Nicolás Maduro. O movimento ocorre em paralelo à aposta de investidores na dívida venezuelana, sustentada pela expectativa de enfraquecimento ou queda do governo em Caracas. Também discutimos o congelamento da reforma da previdência na França, uma decisão do primeiro-ministro Sébastien Lecornu para preservar a governabilidade em meio à fragilidade política.

O episódio aborda ainda o impasse político em torno do acordo entre União Europeia e Mercosul, que segue sem avanços concretos. Nos Estados Unidos, comentamos o discurso de Natal de Donald Trump à nação e a aprovação, no Senado, de um orçamento de defesa com valor recorde, reforçando prioridades militares e estratégicas.

Na Geleia da Shakira, encerramos com a remodelação da narrativa presidencial na Casa Branca, após Trump determinar a inclusão de legendas explicativas nas fotos dos presidentes, gesto que provocou reações e debates simbólicos.

#Venezuela #EUA #MercosulUE #França #Geopolítica

Transcript

Intro / Opening

Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. Olá, gente! Bem-vindos, bem-vindas ao PetJornal. Esse é o Bate-Papo número 992. Estamos gravando numa live no YouTube do PetJornal. São exatamente 9 horas e 32 minutos da quinta-feira, 18 de dezembro de 2025. Cá está a dupla de costume, a dupla que você conhece de cor.

Tanguy, ô Bagdad, animado, contente, preparado, revigorado, resiliente, retumbante, descansado, tarifado e campeão. É isso, campeão, campeão, campeão, campeão. Ainda não, mas em breve, muito em breve, será campeão o nosso... Amigo, o professor Bagdadi. E temos também Daniel Souza, que é esse que vos fala. Ao longo dos próximos minutos, vamos repercutir os principais acontecimentos internacionais das últimas horas. Como vai, professor campeão? Tudo bem? Vamos a isso!

Tudo bem, Daniel Souza? Vamos lá para esse bate-papo 992, começando com a carta anti-zica, logo no início desse episódio. Deixo aqui as boas-vindas a todo mundo que acompanha a gente aqui pelo YouTube, pelo podcast, por onde quer que seja.

Bloqueio Total dos EUA à Venezuela

E Daniel Souza, nessa quinta-feira de manhã, a gente começa o nosso episódio falando sobre Venezuela. Os Estados Unidos impuseram um bloqueio total. Aqui, segundo Donald Trump, um bloqueio total. petroleiros da Venezuela. Isso inclui os navios da Chevron que vão para os Estados Unidos? É, Daniel, a gente tem um anúncio que é um anúncio meio esquisito, né? Um anúncio a lá Donald Trump, é um anúncio que ele lançou e não explicou muito bem, tá?

Mas o presidente dos Estados Unidos ordenou, isso foi na terça-feira, na noite de terça-feira para quarta, um bloqueio total de petroleiros sob sanção dos Estados Unidos ao redor da Venezuela. E, segundo Donald Trump, o país estaria agora... totalmente cercado pelas forças armadas americanas. Só quando você fala de navios, de petroleiros sob sanção dos Estados Unidos, não ficou claro o que isso quer dizer.

Que navios que estão sancionados? Como é que vai ser isso? E a impressão que dá é exatamente essa, Daniel, que os Estados Unidos estão prontos, estão preparados para prender qualquer navio que passe por ali. menos os navios da Chevron. Me parece que a lógica é essa. E está dando resultado, Daniel, a partir do momento em que muitas empresas que têm petroleiros estão obviamente com medo. Então você tem um petroleiro que está parado ali, muitas vezes está carregado já...

em um porto venezuelano, você não vai arriscar, porque é muito dinheiro que você pode perder. Isso, naturalmente, vai aumentar muito o valor do seguro. Você imagina uma seguradora para... Olha só, se o seu navio for apreendido, eu vou te pagar. Você imagina o valor que você vai pedir. para poder oferecer um seguro como esse. E sem seguro, o navio não vai. Na prática, isso pode inviabilizar a circulação de muitas dessas embarcações.

E me parece que o objetivo é esse. O objetivo não é exatamente apreender os navios, apreender os petroleiros. Isso pode até acontecer, como já aconteceu com o Skipper, que foi o petroleiro que foi apreendido nos últimos dias. mas você vai também, dessa maneira, ameaçar a arrecadação do governo do Maduro. O governo Maduro vai passar por dificuldades maiores e a Venezuela, portanto, começa a ter um risco maior de instabilidades. Claro que pode ter um risco maior.

de instabilidades a partir do ano que você tem um anúncio como esse. E reitero, não é um anúncio que está muito bem definido como é que vai ser, que navios que estão sob sanção, um navio que seja uma bandeira, da bandeira de um país que não esteja sancionado. pelos Estados Unidos, vai poder ser apreendido? Não vai, não dá para saber exatamente. Agora, o que ele faz, o que Donald Trump faz é dizer que navios podem ser apreendidos desde que estejam sob sanção.

E dessa maneira você abre a brecha, portanto, para que, por exemplo, petroleiros a serviço da Chevron não sejam apreendidos. Ele também foi adiante, Daniel, ele disse o seguinte, Donald Trump disse o seguinte, o regime ilegítimo de Maduro... Está usando esses campos petrolíferos roubados, não entendi, para financiar terrorismo de drogas, tráfico humano, assassinatos e sequestros. Classifica o regime venezuelano como uma organização terrorista.

e ordena o bloqueio total e compré de todos os petroleiros sob sanção que entram ou saiam da Venezuela. Aqui tem um ponto importante, Daniel, que não é apenas uma palavra jogada ao ar, ao léu. Você tem um motivo para o Trump estar falando sobre... que o governo venezuelano é um governo terrorista. Por quê? A Constituição dos Estados Unidos impede o Executivo de declarar guerra. O Executivo não pode fazê-lo, quem faz é o Legislativo. Porém...

Se for uma ação contra grupos terroristas, existe a possibilidade de o executivo tomar a dianteira. Porque, afinal de contas, é uma coisa emergencial. Você está falando sobre um grupo terrorista, o executivo tem mais liberdade, ele tem mais margem. Ele tem poderes ampliados para poder fazer, eventualmente, ataques militares. Isso se intensificou muito depois do 11 de setembro. E, naturalmente, quando Donald Trump diz que o governo de Nicolás Maduro é um governo terrorista...

Quando ele diz, por exemplo, que a gente falou sobre isso no último episódio, que um grupo de narcotráfico lá na Colômbia é um grupo terrorista, quando ele taxa esses grupos como terroristas, o que ele está fazendo é, ele está tirando do Congresso a possibilidade de declarar guerra.

e está trazendo para o Executivo. O que apenas reforça, Daniel, algo que a gente já falou aqui em outros momentos. Donald Trump está preparando o terreno para um ataque em algum lugar da América Latina, muito possivelmente na Venezuela. Isso vai acontecer? A gente não sabe. A simples expectativa de que isso pode acontecer já gera resultados, já gera impactos. Por exemplo, as Forças Armadas Venezuelanas já disseram, disseram isso no dia de ontem, emitiram uma nota,

que estão fechadas com o governo Maduro e que não se sentem intimidadas diante das ameaças feitas pelos Estados Unidos. Ou seja, o fato de Donald Trump preparar ou eventualmente... juridicamente, do ponto de vista discursivo, um ataque contra a Venezuela já gera impactos na própria Venezuela. Vamos ver o que vai dar, Daniel? Mas me parece que a gente não pode olhar para isso que o Trump falou sobre a Venezuela do ponto de vista de apenas...

Ah, ele está jogando, ele está falando aí coisas que, pô, não tem nada a ver. Tem sim. Isso tem impactos para a Venezuela, tem impactos para o mercado de petróleo, tem impactos para a receita do governo Maduro, tem impactos para a relação entre as Forças Armadas e o Maduro. Está fechado agora.

Vai permanecer quanto tempo fechado se a receita do petróleo for para o chão? Como é que vai ser isso? Então é importante a gente analisar com muita atenção o que vem pela frente nessa relação entre Estados Unidos e Venezuela.

Investidores Apostam na Dívida Venezuelana

Agora, é interessante, Tanguy, porque todo esse cenário que você estava relatando está trazendo consequências para os títulos da dívida venezuelana. os investidores voltaram a comprar massivamente títulos da dívida venezuelana, apesar do país estar em default, estar em calote desde o ano de 2017. Os papéis tiveram uma alta de cerca de 40% desde outubro. E títulos da PDVSA também tiveram uma forte valorização. Claro, muita gente comprando esses papéis.

na expectativa de mudança de regime na Venezuela, uma mudança de regime que viabilizaria a reestruturação da dívida, retorno da Venezuela aos mercados globais de capitais, apoio do FMI e normalização. macroeconômica. Os preços atuais desses papéis ainda são relativamente baixos e têm um potencial de valorização muito significativo caso haja uma normalização macroeconômica

na Venezuela. Agora, nós temos uma série de riscos associados a essa expectativa, digamos assim. O Maduro já sobreviveu a previsões anteriores de queda. Não é a primeira vez que se fala que o Maduro vai cair. Aliás, nós tivemos, inclusive, no passado, até a nomeação ali do Guaidó como sendo o presidente reconhecido por países como os Estados Unidos e até pelo próprio Brasil.

Existe a possibilidade de uma guerra civil, isso não está descartado, quer dizer, eventualmente o regime do Maduro, diante de uma eventual queda, pode cair atirando, pode cair resistindo militarmente. Existe a possibilidade de um colapso institucional, a Venezuela viver um cenário de ausência de ordem, ausência de controle. E existe aí a possibilidade de uma transição caótica, sem qualquer tipo de acordo com credores, quer dizer, uma mudança, uma eventual mudança de regime.

não garante uma reestruturação da dívida venezuelana nem rápida nem amigável, porque não se sabe em quais condições essa eventual transição aconteceria. Quer dizer... É um nível de incerteza na Venezuela que é muito significativo. Agora, é claro, muita gente olha para os papéis venezuelanos, que não valem nada, e diz, ah, vou comprar alguns papéis porque...

Se a coisa evoluir para um caminho de uma certa normalização com a substituição do Maduro, pode ser que eu ganhe uma fortuna, porque peguei aqueles papéis que não valiam nada. E agora apareceu um novo governo dizendo, não, não, essas dívidas eu reconheço, vamos negociar, talvez eu não pague tudo, mas quem sabe eu pago um pedaço, e aí você pode ter...

a uma recuperação substantiva dos investimentos que você fez. Ainda mais um país como a Venezuela, que é um país economicamente super viável. Afinal, nós estamos falando de um país que tem as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo. Isso não é pouca coisa. Isso acaba trazendo aí uma série de oportunidades e de possibilidades. Mas é um nível de imprevisibilidade muito significativo.

Agora, quando você tem a Colômbia eventualmente sugerindo ali que o Maduro poderia ir para lá, quando você tem Belarus sugerindo, olha, quem sabe se o Maduro não venha fazer uma visita... Essas movimentações fazem com que você tenha ali um caldo de, poxa, alguma coisa está acontecendo aí nos bastidores, algumas conversas estão acontecendo e...

pelo menos alguns movimentos estão sendo cogitados. Se isso vai se confirmar ou não é uma outra questão, mas essas movimentações têm se intensificado nos últimos tempos.

Dicas Financeiras e Tributárias de Fim de Ano

Pois é, Daniel, isso tudo gera mais instabilidade, né, mais instabilidade na região, enfim, o que apenas aponta para um mundo mais instável do que a gente tinha até pouco tempo atrás. Por isso, né, Daniel, que é tão importante, nada mais nesse fim de ano agora,

ter uma boa gestora dos seus recursos, ter uma boa gestora. Não apenas, aliás, é importante deixar claro, a gente indica aqui sempre a Rio Claro, a Rio Claro não está aqui somente para garantir uma gestão dos seus investimentos, mas da sua vida financeira como um todo. E tem alguns recados, né, Daniel, que são muito importantes, que a Rio Claro sempre enfatiza para esse finzinho de ano. Conta aí, Daniel. Pois é, Tanguy, hoje é dia 18 de dezembro, então a gente está muito perto do final do ano.

o final do ano já é normalmente um período bastante delicado, bastante crítico do ponto de vista tributário. Quer dizer, você precisa ali de uma orientação para organizar os seus investimentos. Questões como, por exemplo, PGBL, VGBL, que envolvem temas tributários sensíveis, demandam a necessidade de uma orientação profissional.

E nesse ano, na virada de 25 para 26, nós temos uma mudança significativa no Brasil. Nós passaremos a ter, em 2026, tributação sobre dividendos a partir de um determinado valor. passaremos a ter tributação sobre rendas um pouco mais altas, o que torna a orientação profissional ainda mais necessária. E é importante que você obtenha essa orientação.

antes da virada do ano, justamente porque algumas movimentações podem ser necessárias para que você tenha ali uma otimização do seu patrimônio, para que você tenha ali uma melhor organização do seu patrimônio. Então, fica aqui a nossa recomendação. Link no descritivo, link da Rio Claro Investimentos. Entre em contato com eles antes da virada do ano. Aliás, o quanto antes, porque eventualmente algumas movimentações precisarão acontecer antes da virada do ano.

ainda mais dentro de um contexto onde mudanças super importantes vão acontecer no Brasil nos próximos dias. Daniel Souza, como próxima pauta, eu queria falar sobre a França.

França Congela Reforma da Previdência

A gente acompanhou muito de perto aqui, Daniel, em 2023, a reforma da Previdência na França. Então, isso aqui foi algo que foi encampado pelo Emmanuel Macron, o presidente. Na época, a primeira-ministra era a Elizabeth Borne. e o governo francês só conseguiu aprovar a reforma da Previdência com a utilização do artigo 49.3 da Constituição, que é um artigo bastante autoritário, que vem dessa Constituição da década de 1950.

que permite ao governo aprovar um projeto sem votação parlamentar. Então tem lá o parlamento, você normalmente submete ao parlamento a aprovação de uma determinada lei, de uma reforma, alguma coisa assim. mas o governo sempre pode utilizar o artigo 49.3 da Constituição e simplesmente passar a reforma sem votação parlamentar. Essa reforma da Previdência, portanto, Daniela previa o aumento gradual da idade mínima de aposentadoria de 62 para 64 anos.

Uma reforma que é considerada absolutamente necessária na França. A França tem uma idade de aposentadoria muito baixa, mesmo comparando com outros países europeus, mas é algo que pega muito mal na França. Na França, as pesquisas mostram que a reforma da Previdência é muito impopular e esse foi um dos pontos que levou, inclusive, o Macron a não conseguir manter um primeiro-ministro, porque você tem que aprovar

um orçamento para 2026. A gente está no dia 18 de dezembro. Tem que aprovar um orçamento para 2026 e você não consegue porque tanto a esquerda quanto a direita têm pressões. para que você abandone essa reforma da Previdência. O acordo que foi feito pelo primeiro-ministro, o atual, o Sébastien Lecornu, para garantir o apoio do Partido Socialista ao governo

De novo, sem o Partido Socialista, na verdade, sem um grande partido, você não vai conseguir manter o governo. Somente com o centro macronista ali, você não consegue manter o governo. O governo está fadado a cair. Então, o que o Sebastião Leicórnio fez foi trazer o Partido Socialista para o seu lado. e conseguiu um acordo para um congelamento da reforma da Previdência. Então, com essa decisão, a idade fica congelada em 62 anos e 9 meses.

Era gradual, né? Então chegou ali há 62 anos e 9 meses e fica congelado até 2028. Qual é a jogada aqui, Daniel? Em 2028, Macron já não é mais presidente. Já vai ter tido eleição presidencial em 2027. Você já vai ter um novo parlamento. Chega lá, você vê o que faz. Aí joga esse problema para frente. O ponto importante aqui, Daniel, é que a gente tem uma cisão, de uma certa maneira, entre o presidente Emmanuel Macron...

e o primeiro-ministro Sebastián Leicournil. O Emmanuel Macron era contra qualquer tipo de concessão na reforma da Previdência. Era um projeto que ele abraçou, que ele colocou para frente, que ele deu um jeito de passar e tal, mesmo que seja de forma autoritária. com o artigo 49.3 da Constituição. O Sebastião Leicornil considerou que era o acordo possível. Então, eu não vou me abraçar a esse projeto, me abraçar a esse ponto.

para aprovar o orçamento do ano que vem, porque eu vou cair, vai ter o outro que vai cair também, vai vir o outro que vai cair também. Então é melhor congelar, aprovar o orçamento, mesmo que não seja da maneira como a gente gostaria, e dessa maneira fugir um pouco da influência, tanto da extrema-direita... quanto da esquerda extremada, porque ambos eram a favor de um abandono completo, não é congelamento, é abandono integral da reforma da Previdência.

Então a França, Daniel, passando por uma situação muito complicada no poder, na gestão do país, pelo fato de que há muita pressão pela manutenção, pelo abandono, pelo congelamento. Enfim, você tem uma França muito fraturada quando a gente fala sobre o orçamento para 2026 e realmente a gente tem um grau de instabilidade que até pouco tempo a gente não via na França, Daniel.

Impasse no Acordo UE-Mercosul

Aliás, Tanguy, falando ainda sobre Europa, nós chegamos a destacar aqui no Petit Jornal que havia muita expectativa em relação à posição italiana, que era uma posição dúbia em relação ao acordo. entre a União Europeia e Mercosul, pois bem, a posição italiana não é mais dúbia. A Giorgia Meloni se juntou à França e pediu o adiamento da votação do acordo entre a União Europeia e Mercosul.

e exigiu medidas adicionais para proteger os agricultores europeus com garantias de reciprocidade no setor agrícola. A França já tinha feito exigências de salvaguardas mais duras. cláusulas de espelhamento, padrões ambientais e salários iguais aos da União Europeia. Ô, Tanguy, esses caras estão de brincadeira. Eles começam a colocar uma série de exigências que é pouco quando não sair. Vamos ser muito honestos aqui.

você começa a fazer uma série de exigências que não são factíveis em termos de acordo. É importante registrar que esse acordo tem apoios importantes. Ele tem o apoio da Alemanha, tem o apoio da Espanha. e tem o apoio dos países nórdicos. Esse é basicamente o eixo de apoio do Mercosul, do acordo entre Mercosul e União Europeia.

E é interessante também registrar que o presidente Lula reagiu e reagiu mal a essas declarações dos europeus e sugeriu que, olha, se não for assinado agora, não contem comigo para assinar mais esse acordo enquanto... eu for presidente. Porque, realmente, a gente está falando de um acordo onde o Mercosul já cedeu demais. Mas fica aquela impressão de que os europeus querem ter o acesso ao mercado...

mercossolino industrial de serviços, mas não querem abrir o mercado europeu aos produtos agrícolas mercossolinos. Aí não dá, entendeu? Ou o acordo é ganha-ganha... ou você realmente não tem qualquer tipo de acordo que seja possível. Se os europeus querem ceder a pressões de grupos minoritários,

na França e na Itália, também é azar dos europeus. Chega um determinado momento que você vai fazer o quê? Se eles não querem celebrar um acordo, o acordo não tem como ser celebrado depois de 26 anos de negociação. Não me parece que mais algumas semanas, mais um mês, é o que vai resolver para que esse acordo possa ser aprovado e, consequentemente, celebrado. É muito evidente que a França não quer, e agora ficou evidente também que a França não quer.

Soma-se a isso. Outros países que já não queriam, que era o caso da Polônia e tal, não tem acordo possível. Então, é uma pena. É uma pena para o Mercosul ter acesso ao mercado europeu. Seria superlegal, seria... Inclusive, algo que fortaleceria o bloco do Mercosul, tornaria o Mercosul um bloco mais viável em um horizonte de longo prazo. Agora, é uma pena também para os europeus.

que colocam aí toda essa banca, mas estão no processo de declínio relativo econômico super importante, estão perdendo espaço na economia mundial. Os alemães e os nórdicos já entenderam isso. pressionando fortemente para a celebração de acordos. Agora, os europeus querem celebrar acordos com um monte de gente e não querem abrir o seu próprio mercado, aí fica difícil. Aí você não vai conseguir celebrar acordo relevante.

além dos acordos que você já tem e, consequentemente, há uma tendência de intensificação do processo de declínio relativo da União Europeia em termos econômicos. Claro que a gente pode ter algum tipo de mudança, Tanguy, mas o cenário agora, o prognóstico, é de que o acordo subiu no telhado e muito provavelmente não será aprovado pelos europeus e, consequentemente, a Ursula von der Leyen...

que viria aqui ao Brasil no próximo dia 20 de dezembro, talvez nem venha mais, porque afinal não haveria mais o que ser assinado. Tanguy, passando para a próxima pauta, quero registrar que o Trump...

Discurso Natalino de Trump e Pressão

fez um discurso em horário nobre na televisão nos Estados Unidos, um discurso fazendo referência já ao Natal e um discurso onde ele me pareceu muito, muito pressionado. Ele prometeu um bom econômico, que os Estados Unidos estão às portas de um bom econômico. Disse que a inflação já está caindo, que a gente tem algumas dúvidas.

Então, ele disse que a culpa é dos democratas, que todas as dificuldades que o governo dele está vivenciando é culpa do governo do Joe Biden, anunciou o envio de um cheque. de 1.776 dólares para quase 1,5 milhão de militares americanos, financiados pelas tarifas, segundo ele. Quer dizer, então você estaria distribuindo ali... uma parte do que foi arrecadado com as tarifas. E tudo isso tem a ver com uma pesquisa que foi divulgada essa semana, uma pesquisa Ipsos Reuters, dizendo que o Trump...

está com uma aprovação de apenas 39%, uma queda em relação à pesquisa anterior, que era de 41%, e a economia é o principal problema. Apenas 33% dos americanos... aprovam a condução econômica, é o pior índice do ano. Nós temos também essa inflação persistente. A aprovação caiu de 31% para 27%, apenas 27% dos americanos.

aprovam a condução do governo no que diz respeito à questão da inflação. Deportações, cortes de impostos não empolgaram, até porque os cortes de impostos acabam sendo muito concentrados nos mais ricos. O Trump, no seu discurso, tentou fazer um encerramento patriótico, citou Jogos Olímpicos que vão acontecer nos Estados Unidos, citou a Copa do Mundo. Veja você, a Copa do Mundo. O Trump está apelando para a Copa do Mundo.

citou também o aniversário de 250 anos da independência dos Estados Unidos que acontece no ano de 2026. Enfim, Tanguy, me parece um presidente muito pressionado por conta de uma conjuntura econômica absolutamente adversa, que a economia americana não está tendo aquele boom que ele prometeu, e pior do que isso, está tendo a inflação que, em parte...

tem relação com as tarifas, tem relação com as tarifas, porque, veja você, basta você pegar qualquer manual de economia internacional que vai estar lá escrito tarifa gera inflação. E nos Estados Unidos não está sendo diferente.

Orçamento Recorde de Defesa dos EUA

Aliás, Daniel, vou falar em Estados Unidos, o Senado norte-americano aprovou um orçamento para o Pentágono. E quando você olha as cifras, é um negócio meio inacreditável. A gente está falando da aprovação. de um orçamento de 901 bilhões de dólares em gastos militares. Daniel, isso dá quase 5 trilhões de reais. Se a gente for converter para reais aqui, dá quase 5 trilhões de reais.

no momento no qual, naturalmente, você tem aí os tambores de guerra sendo rufados pelo exército dos Estados Unidos com tensões na Venezuela. Então, o Departamento de Defesa...

aprovou, passa a ter esse orçamento de 901 bilhões. Um elemento importante, Daniel, que me parece, que a gente, aliás, vem repercutindo ao longo dos últimos tempos, é que o Senado não aprovou a mudança do nome de Departamento de Defesa para Departamento da Guerra, que era algo que o Trump queria muito, queria aprovar e tal, e que o próprio Peter Hegseth, que é o secretário da pasta...

já estava meio usando, ele já estava falando ali, se colocando como secretário da guerra, mas permanece oficialmente, pelo menos, com o nome de Departamento de Defesa. O texto, Daniel, foi aprovado com ampla maioria. 77 dos 100 senadores votaram a favor, ou seja, tanto republicanos quanto democratas abraçaram o projeto.

que prevê um aumento salarial de quase 4% para os militares, 3,8% dos militares, e a modernização das forças armadas com a construção de mais submarinos e uma produção ampliada de caças, drones. E navios de guerra. Aliás, a gente vem falando sobre isso aqui constantemente. Quanto de dinheiro que vai ser colocado cada vez mais em armamentos. Não que os Estados Unidos sejam um parâmetro para isso. Sempre colocaram muito dinheiro.

E agora a tendência é que você tenha um aumento nesse sentido. Outro ponto importante, Daniel, que foi aprovado pelo Senado também, diz respeito ao ataque que foi feito recentemente a um dos navios na costa da Venezuela. Esses ataques vêm acontecendo com uma certa frequência. Tanto Donald Trump quanto Peter Hagsad parecem muito orgulhosos desses ataques. Só que a gente teve recentemente um que mobilizou muito a opinião pública dos Estados Unidos, que é um vídeo.

daquele que aparece por alto, que é provavelmente uma imagem de drone, que mostra que um navio é bombardeado e há sobreviventes. E logo depois você tem um novo bombardeio. com o claro objetivo de eliminar até mesmo os sobreviventes. O Senado obrigou, colocou lá na lei, que o departamento, que ele vem se chamando de secretário de defesa, secretário da guerra, mas enfim, mantém o nome ali de secretário de defesa, precisa divulgar o vídeo completo.

Esse vídeo não tem que ir para a imprensa, mas ele tem que ser divulgado para os senadores todos, o que naturalmente, no momento que isso for feito, vai acabar parando na imprensa. Não vejo muito como isso pode ser impedido. Agora, não há uma obrigação de divulgação pública do vídeo. Só que é previsto um corte de 25% no orçamento de viagens do secretário da pasta, o Peter Hexet. É como se fosse uma multa. Ou você divulga o vídeo para a gente.

e vai acabar parando a imprensa, a gente sabe que vai acabar parando a imprensa, ou você passa a ter um orçamento 25% menor para fazer as suas viagens. Me parece que é meio que o cenário dizendo assim, a gente quer que você divulgue, mas se você não divulgar também... Não é que você vai ser penalizado e tal, mas você vai ter 25% a menos de grana para viajar. Outra coisa que o Senado também fez, Daniel, colocou no orçamento uma obrigação para o Trump fazer determinadas contribuições

que o próprio Trump não queria muito que fossem feitos. Entre eles, a previsão de 800 milhões de dólares para a Ucrânia. 800 milhões de dólares terão que ser destinados para a Ucrânia. A gente sabe que o Trump está com uma má vontade horrorosa com relação à Ucrânia. Está fechadão lá com o Putin. Ele está apresentando ali um projeto de paz que é basicamente o que a Rússia quer. A Ucrânia está muito frustrada porque vem recebendo menos ajuda.

o que o Senado faz é carimba. 800 milhões de dólares terão que ser destinados para a Ucrânia. Prevê também 500 milhões de dólares para Israel, também tem ajuda para Taiwan. Mas, enfim, você tem a parte de agora, o Senado, definindo as regras. Qual vai ser a grana, quanto de grana que vai ter e tal, para que você possa direcionar o papel dos Estados Unidos em termos de defesa, em termos de segurança.

daqui para frente. Mais uma vez, é um orçamento inacreditavelmente grande, é quase três vezes maior do que o segundo colocado, o segundo país que mais gasta, que é a China, então realmente é algo colossal e naturalmente olhar para isso é sempre muito importante, Daniel.

Trump Altera Retratos Presidenciais na Casa Branca

Tanguy, podemos avançar para a ex-geleia da Shakira? A geleia da Shakira está de castigo ainda, né, Daniel Sul? Quem volta na Geleira Shakira de hoje é ele, Donald Trump e a Casa Branca. Me conta, Daniel. Ah, Tanguy, o Donald Trump, você sabe que ele tem questões a serem trabalhadas com o analista. Eu realmente acho que o Donald Trump resolveu instalar placas.

sobre os retratos de todos os presidentes no Presidential Walk of Fame, incluindo críticas duras a adversários e elogios a si próprio. E aqui a gente está falando... de um corredor na própria Casa Branca. A iniciativa rompe protocolos históricos e reforça ali a tentativa do Trump de recontar a história dos Estados Unidos sob a sua ótica. O Joe Biden, por exemplo,

É chamado na placa, isto é, uma placa embaixo ali do retrato do Biden, como Sleep Joe. A gente lembra que esse era o apelido que o Trump deu. para o Biden na época da campanha eleitoral. É o Soneca, o tradicional Joe Soneca. Joe Soneca, José Soneca, Zé Soneca, ele é acusado pelo Trump ali na placa de ser o pior presidente da história. Ele é acusado de inflação, crise migratória e até responsabilizado pela guerra na Ucrânia. O Barack Obama é rotulado como divisivo, com ataques ao Obamacare,

ao acordo nuclear com o Irã e também ao acordo de Paris. Bill Clinton recebe alguns elogios, elogios condicionais, mas tem seu legado relativizado e termina com uma lembrança da derrota de Hillary Clinton. para Trump. George W. Bush é elogiado pelo pós-11 de setembro, mas criticado pelas guerras. Enfim, você tem ali toda uma reinterpretação da história dos Estados Unidos à la Trump.

Trump dedica duas placas a si mesmo, exaltando sua economia como a maior da história e classificando sua vitória eleitoral como fantástica e espetacular. E ainda escreve no final, the best is yet to come. Olha aí, Tanguy, que coisa. Temos até slogan de propaganda na placa do Donald Trump.

Agradecimentos e Anúncios do PetJornal

É isso, jogando pro futuro aí que, né, Donald Trump é que vai fazer o melhor pelos Estados Unidos. O presente tá um pouco difícil, mas o futuro será melhor. O futuro, é, é isso. Daniel, dessa maneira a gente chega ao fim do nosso episódio e deixa aqui um super agradecimento a todo mundo que tá aqui com a gente. Muito obrigado. E já vou pedir o pessoal colocar na agenda. A gente vai ter um recesso de fim de ano agora. A gente volta a gravar os episódios do podcast no dia 7 de janeiro.

E no dia 13 de janeiro nós voltamos com a nossa próxima aula gratuita, que vai ser no YouTube do Petit Jornal. Convida todo mundo, fica à vontade, né? E a gente vai falar... Sobre a volta dos impérios, né? A gente tem aí um cenário internacional no qual os impérios estão voltando e tal. Então é uma boa maneira de você conhecer o nosso projeto de cursos, né? De aulas lá do PetiCursos. Quer saber mais? Acessa lá.

peticursos.com.br Se você se tornar aluno, aliás, você vai ter uma super companhia nesse fim de ano, porque tem um monte de aula gravada lá, um monte de curso sobre tudo que você possa imaginar, e você pode assistir do jeito que você quiser. na ordem que você quiser, do tema que você quiser, na hora que você quiser, é o streaming de cursos do Petit Jornal, do Petit Cursos, aulas sempre gravadas por mim e pelo professor Daniel desde o ano de 2020.

Então, tem muito material para você lá. Acesse lá, peticursos.com.br. Fica aqui também o nosso agradecimento a todos os apoiadores e apoiadoras do Petional, vocês que ajudam a manter esse projeto de pé. O Petional é uma mídia pequena. Não tem aí o suporte de um conglomerado de mídia, nem de uma produtora. É um trabalho bastante artesanal e, por isso, a ajuda de nossos apoiadores é tão importante. Por isso, registramos aqui o nosso agradecimento a cada um deles.

Fica também o convite. Se você gosta do nosso projeto, no descritivo desse episódio tem várias alternativas para nos apoiar. Está no descritivo desse episódio. Tem o link do Apoia-se, o link para o Patreon. Se você vive no exterior, acaba sendo uma ótima alternativa. E tenho certeza que uma dessas maneiras será confortável para você.

É isso, Daniel Souza. Ainda hoje, mais tarde, temos mais um episódio. Um abraço, até a próxima. Valeu. Tchau, tchau. Petit Jornal. Inteligência e irreverência em doses diárias. www.petijornal.com.br

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