S07EP305 - Na dúvida, faça o que te dá orgulho - podcast episode cover

S07EP305 - Na dúvida, faça o que te dá orgulho

Dec 03, 202531 min
--:--
--:--
Download Metacast podcast app
Listen to this episode in Metacast mobile app
Don't just listen to podcasts. Learn from them with transcripts, summaries, and chapters for every episode. Skim, search, and bookmark insights. Learn more

Summary

Neste episódio, Natália explora a vulnerabilidade de se expor e a paralisia que a indecisão pode causar ao buscar aprovação. Ela compartilha como um insight, combinado a uma memória de uma reportagem polêmica, a ajudou a perceber que, ao enfrentar o desconhecido, o mais importante é agir com orgulho e acreditar no que fazemos, mesmo diante de críticas. A chave é o alinhamento com a própria verdade.

Episode description

Eu já estava dez minutos sentada na mesa do café da manhã, sem conseguir levantar. O café já tinha saído de morno para gelado faz tempo, por isso eu despejei o resto num copo vazio e coloquei mais um pouco.  Eu tinha um texto para entregar, mas estava pura paralisia. A insegurança tinha a ver com aquela frase da Adriana Falcão que diz: “indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.” Por um segundo eu achei que nada poderia me tirar daquele lugar, mas aí o meu inconsciente fez o que ele faz de melhor: ele me trouxe uma memória e, junto com ela, eu tive um insight. E aí, meus amigos de bar, essa combinação trouxe o que eu precisava para levantar e destravar o que era preciso.

Nesse episódio eu te conto o que eu entendi e o que aconteceu antes e depois, cê vem? Nessa quarta-feira no @‌spotify e em todos os agregadores.

edição: @‌valdersouza1 identidade visual: @‌amandafogaca
texto: @‌natyops


DOE PARA O ACNUR
Campanha #ComidaPraViagem
Link: ACNUR | ComidaPraViagem


PALESTRAS:

Palestra no RJ 04/12: Natália Sousa no Rio de Janeiro - Palestra "Medo de Dar Certo"


Palestra em BH 28/01: Natália Sousa em Belo Horizonte - Palestra "Medo de Dar Certo"


Palestra em Curitiba 21/03: Natália Sousa em Curitiba - Palestra "Medo de Dar Certo"

 

MEU LIVRO: Medo de dar certo: Como o receio de não conseguir sustentar uma posição de sucesso pode paralisar você | Amazon.com.br


Apoie a nossa mesa de bar: Financiamento Coletivo na APOIA.se | Crowdfunding Pontual e Mensal


Transcript

Intro / Opening

Oi, meu nome é Natália e esse é o tricentésimo quarto episódio do Para Dar Nome às Coisas, um podcast que nasceu para ser uma mesa de bar na web daquelas que a gente senta.

Abertura, Eventos e o Poder dos Insights

E sente que não estamos sós. Lugar em que a gente pode ser do nosso próprio tamanho, sem precisar se esticar e nem se espremer. Como é que você tá? Como é que estão as coisas pra você? Como é que tá o seu mundo dentro desse mundo? Como é que você tá? Hoje, gente, eu tô muito feliz, porque eu tô gravando o episódio no dia 30 de novembro, num domingo.

Mas, quando esse episódio entrar no ar, vai faltar menos de 24 horas para o nosso encontro no Rio de Janeiro, no Teatro dos Quatro, que fica dentro do Shopping da Gávea. E eu estou muito feliz, gente. Eu ando muito... emocionada com esses encontros que eu tenho feito pelo Brasil, sobre esse tema que pra mim é tão valioso e que eu demorei tantos anos pra conseguir nomear. Quando eu olho pra trás eu fico pensando, meu Deus, né? Por quanto tempo eu convivi com esse...

medo, que é o medo de dar certo, que é essa força estranha que impede a gente de realizar os nossos sonhos, ou quando a gente está perto de realizar esses sonhos que a gente sempre quis que acontecessem e que diante deles a gente paralisa, a gente diminui. e a gente, enfim, se desvia dele. E eu demorei muitos anos para conseguir nomear essa força estranha e quando eu consegui nomear...

Eu falei, gente, eu preciso falar disso, assim, porque muito provavelmente deve ter alguém numa outra cidade, num outro lugar, num outro apartamento, numa casa, numa kitnet, sofrendo com as mesmas coisas que eu, sofrendo com esse mesmo medo que eu sofri por muitos anos.

e sem saber nomear e sem saber dar um contorno para isso. E eu acho que aquilo que não tem nome fica cerceando a gente e a gente não sabe exatamente o que fazer, porque a gente não sabe nem exatamente o que é. Então, estou muito feliz com esse encontro no Rio. Eu não sei...

se quando o episódio entrar no ar ainda vai ter ingresso, porque a gente estava nos últimos ingressos, mas se você mora no Rio de Janeiro ou região e quiser viver essa noite comigo no Teatro dos Quatro, nessa conversa olho no olho, eu vou deixar o link na descrição, porque... Hoje, domingo, ainda tem poucos ingressos, então talvez quando esse episódio entrar no ar ainda tenha.

e eu vou ficar muito feliz de te encontrar lá. Sempre tem gente que me pergunta se eu fico no final, e eu sempre fico pra autografar todos os livros, pra tirar foto, pra abraçar vocês, quem quiser ficar. Então, tô muito, muito, muito feliz. Mas hoje, gente, eu vou falar... Sobre um insight, uma epifania que eu tive esses dias.

mais precisamente há três dias, e que foi muito importante pra mim, e que eu acho que tá ali naquela lista de insights que transformam a nossa vida e que ficam ali num lugar do nosso corpo, que por mais que em algum momento a gente esqueça desse insight, o nosso corpo vai trazer de volta, sabe? Foi um insight que veio junto com uma memória, como é geralmente o funcionamento do meu inconsciente, né?

Às vezes eu tô num conflito, num dilema, às vezes eu tô numa angústia, e aí meu inconsciente traz uma memória. E aí quando eu acesso essa memória de novo, eu falo, ai meu Deus, entendi. Entendi porque meu inconsciente trouxe essa memória, entendi o que ele tá querendo dizer, e por isso que...

também digo sobre a importância da gente viver coisas diferentes, da gente viver, gente, a importância da gente viver. Porque quanto mais vivências a gente tem, claro, né, com responsabilidade, sem se colocar em risco, não é sobre isso que eu tô dizendo, mas assim, quanto mais... experiências a gente tem, mais repertório de vida a gente tem e quanto mais repertório de vida a gente tem, maior é, mais extensa a nossa perspectiva, a nossa visão, mais larga é a nossa compreensão do mundo e de

se, quanto mais a gente vive e experimenta coisas e compreende coisas, e no episódio da semana passada eu falei um pouco sobre isso, né, sobre a gente se abrir pras mudanças, no episódio talvez você tenha mudado, quanto mais larga é a nossa visão de mundo, mais repertório a gente tem.

e acho que mais lugares a gente consegue ir dentro e fora. Hoje eu vou falar sobre esse insight que me ajudou muito e que acho que é um episódio muito importante e é um insight muito importante para momentos em que a gente está se sentindo vulnerável.

exposto, que a gente tá se colocando diante de situações novas, porque eu acho que é um insight que traz uma perspectiva e uma âncora, sabe? Traz uma âncora pra gente caminhar nesses momentos e nesses solos inseguros. Então, eu espero muito que faça sentido pra você, meu amigo. de bar, mas que se não fizer, que ao menos te faça uma boa companhia. Boa audição.

Campanha ACNUR: Comida Para Viagem

Mas antes, gente, queria muito dividir com vocês uma coisa que eu descobri recentemente e que me deu muita noção de propósito. E propósito no sentido de fazer as coisas de propósito, com intenção. Sabe? Eu tô falando da escolha de participar da campanha Comida pra Viagem do Acnur, que é a agência da ONU pra refugiados. O Acnur atua em mais de 130 países, protegendo e apoiando pessoas forçadas a deixarem suas casas.

por causa de guerras, conflitos e perseguições. E a gente pode ajudar o Acnur a levar essa ajuda humanitária urgente para refugiados em países da África, como o Sudão do Sul e o Quênia, de forma rápida e eficaz, com doações recorrentes mensais. você garante a alimentação a famílias inteiras e também pode oferecer abrigo, acesso a água potável, kits de higiene, educação e saúde. Com o valor de uma pizza, a gente ajuda uma família refugiada a comprar frutas e vegetais nutritivos

por um mês. Doar é rápido e fácil, como pedir um delivery e a ajuda chega para quem mais precisa. Eu vou deixar o link na descrição para você conhecer mais do trabalho deles e, quem sabe, entrar nessa rede de solidariedade que salva vidas.

Vulnerabilidade e o Medo do Novo

Há alguns anos atrás eu tive um insight, uma epifania, um esclarecimento, uma luz. Eu tive uma compreensão que me ajudou muito. No caminho que eu tava seguindo. Me ajudou muito. Muito mesmo. É como se eu estivesse num lugar muito escuro. E esse insight. Essa luz. Essa compreensão. Essa epifania. Fosse uma lanterna. Sabe? A lanterna não te tira do caminho escuro.

escuro, mas ela te ajuda no caminho escuro. Foi isso que aconteceu. Foi exatamente isso que aconteceu naquela época. Nessa época que eu tive esse esclarecimento, essa epifania, esse insight, eu tava vivendo, gente, um momento de muitas coragens. Eu tinha

decidido assumir algumas coisas que eu queria muito, alguns sonhos que eu queria muito, isso tenha muito a ver com o processo do meu livro, com o tema do meu livro, eu tinha acabado de conseguir nomear o medo de dar certo, e quando eu consegui nomear o medo de dar certo, eu consegui nomear

as minhas coragens também. Eu entendi o que estava acontecendo comigo, entendi por que eu estava com esse medo, de onde vinha esse medo, e naquele momento eu entendi que eu também queria andar, apesar do medo. Que eu queria lidar com esse medo. Em movimento. Então eu comecei a me movimentar. Mas aí. Ao mesmo tempo que. Eu tomei todas essas decisões. Eu comecei a sentir.

que eu tava numa situação nova, que eu tava num lugar desconhecido, que eu tava vivendo coisas pela primeira vez, que eu tava vivendo coisas em cenários e terrenos muito diferentes pra mim. E eu comecei a me sentir muito vulnerável. Eu acho que isso é uma coisa muito própria de quando a gente tá vivendo algo novo, que a gente se sente vulnerável. Ao mesmo tempo em que eu me sentia vulnerável, eu me sentia também iniciante. Eu me sentia pequena, eu me sentia... sentia amadora

Como se nada do que eu tivesse vivido até ali, até aquele momento, fosse suficiente pra que eu me sentisse segura nesse lugar novo, sabe? A sensação do meu corpo, embora não fosse essa a realidade, mas a sensação do meu corpo é... como se eu estivesse vivendo algo novo, mas como se eu fosse muito nova também. Não é como se eu tivesse a sensação do meu corpo, não é como se eu tivesse...

vivendo só algo novo, vivendo só algo pela primeira vez. Era como se eu tivesse acabado de chegar no mundo também. E por me sentir assim, eu me julgava muito, sabe? Eu ficava pensando, mas meu Deus, né? Eu não nasci ontem, eu não nasci semana passada. Eu tô há muito tempo nesse mundo, eu já fiz muitas coisas. Como eu posso me sentir tão amadora? E aí tinha essa coisa, assim, de idealizar muito e de achar que eu não deveria me sentir tão frágil.

e nem me sentir tão vulnerável e nem me sentir tão pequena e nem me sentir tão amadora eu deveria me sentir grandona eu deveria me sentir corajosa eu deveria me sentir inteira. Só que na vida real eu tava sentindo as duas coisas. Eu tava me sentindo vulnerável e corajosa. Pequena e perspicaz. Eu tava sentindo essas duas coisas e às vezes tava me sentindo mais vulnerável do que tudo. Lembro de várias situações, assim, de me sentir com cinco anos prestes a fazer seis, sabe?

Como se, de fato, assim, eu estivesse internamente num lugar infantil. Porque era um lugar de muito medo. E eu acho que é assim que a gente olha pro medo depois que a gente fica adulto, né? Como se o medo fosse um lugar do infantil, da criança. E não é, mas é assim que a gente sente às vezes. E eu lembro... gente, isso é muito curioso, que nessa época...

Às vezes, sabe quando você tá entrando no elevador ou você vai na recepção de um prédio porque você tá indo no médico e às vezes, sem querer, você se olha no espelho? Você entra no elevador e aí o elevador tem um espelho e aí você se depara com a sua imagem ou você tá andando

pela rua e aí tem um prédio espelhado e aí você olha pro lado e você vê sua imagem. Eu lembro que nessa época isso acontecia, eu levava até um susto porque a sensação interna que eu tinha era muito desse lugar da inexperiência.

a falta de repertório, da criança mesmo. Então, quando eu olhava a minha imagem refletida no espelho, era como se tivesse uma dissonância, como se tivesse um erro no sistema, né? Que eu falava, nossa, eu tô me sentindo tão infantil e tão criança, e aí quando... repente eu me olho no espelho e eu vejo que eu sou uma mulher, dá um bug na cabeça ali, naquele segundo dava um bug na cabeça.

Como essa sensação de insegurança era muito presente, como essa sensação de vulnerabilidade era muito presente também, eu automaticamente, às vezes até inconsciente, buscava muito um lugar seguro.

Eu ficava buscando muito esse lugar interno em que eu ia me sentir segura, sabe? Eu ficava muito buscando mesmo. E eu lembro que em alguns momentos eu chegava até cogitar... abrir mão de coisas, então nessa fase eu tava vivendo coisas que eu queria muito e dizendo sim pra coisas que em outro momento eu diria não

E aí quando eu tava prestes aí, então eu dizia Ah, sim, vou dar essa entrevista E aí quando eu tava perto de dar essa entrevista Quando faltava um dia pra dar entrevista Eu ficava fantasiando, me imaginando Dizendo, ah, eu fiquei doente, não vou conseguir Ou, nossa, você não sabe, cara

aconteceu um negócio lá no Japão eu vou ter que resolver um negócio no Japão, sabe? eu não fazia isso porque eu tava consciente de que era só o medo agindo mas eu fantasiava muito com essa ideia porque abrir mão daquilo que me dava medo era o que me trazia

segurança. Então, assim, já que isso tá me dando medo, eu vou abrir mão disso pra voltar a me sentir segura. Só que, de novo, como eu sabia o que tava acontecendo dentro de mim, como eu sabia que o medo não era... uma prova de que eu não era capaz, era só uma sinalização de que eu tava pisando num lugar novo, desconhecido, eu sustentava o corpo e ia.

O Insight: Não Há Lugar Seguro

E nessa época, gente, eu tive um insight, uma percepção, uma iluminação, digamos, que eu tava... Assim, na véspera, não lembro exatamente mais o que que era, mas eu tava na véspera de viver uma coisa que pra mim era muito desafiadora. E eu tive uma luz, assim, uma percepção de que não ia existir lugar seguro quando a gente tá fora do esconderijo, sabe? Não existe.

Fora do esconderijo sempre vai ter ansiedade, sempre vai ter o medo do julgamento, sempre vai ter dor de barriga, sempre vai ter algum grau de vulnerabilidade, sempre vai ter. E nesse dia, quando eu compreendi isso e pensei, cara, eu vou ter que fazer uma escolha aqui. Eu vou ter que fazer uma escolha que é, ou eu vivo a coragem com tudo que a coragem traz, que é o medo, a ansiedade.

a insegurança, ou eu continuo dentro do esconderijo, assim, e aí os problemas dentro do esconderijo vão ser outros, né? A gente também não tá livre de problemas dentro do esconderijo, só quer dizer que vão ser outros. Não vai ser a vulnerabilidade, não vai ser o medo do julgamento.

desse lugar, né, porque dentro do esconderijo também tem julgamento, mas assim, vão ser outras coisas. Aí eu falei, é isso, não existe lugar seguro quando você tá fora do esconderijo. E isso, gente, que parecia assustador, que parecia... completamente amedrontador, me deu um alívio.

Porque eu percebi que não adiantava lutar contra isso. Que era isso, que era fato. Fora do esconderijo. É isso mesmo. Essas são as letras pequenas desse contrato, né? E aí eu entendi que não adiantava lutar contra isso. Não adiantava também fingir que... isso não ia me assustar, porque por um tempo ia me assustar. Até eu me acostumar, até eu conseguir entender, até eu conseguir sentir no corpo e poder sustentar isso, por um tempo ia me assustar. Então o negócio era aprender a lidar com isso.

E aí, eu lembro também de entender um paradoxo, que é a gente aprende a lidar com a parte de fora do esconderijo indo pra fora do esconderijo, né? Não tem manual nem teoria que dê conta desse ensinamento. A gente vai ter que ir. E eu fui. E eu fui com esse insight no corpo de que não tem lugar seguro fora do esconderijo.

A Paralisia Diante da Indecisão

Mas entender isso, meus amigos de bar, entender que não existe lugar seguro fora do esconderijo, Não é tudo. Porque às vezes isso não vai ser suficiente. Às vezes compreender isso não vai ser suficiente. Às vezes a insegurança, o medo, a dúvida vão bater. E mesmo consciente disso.

mesmo consciente de que não existe lugar seguro fora do esconderijo, mesmo sabendo que a gente só aprende a lidar com a parte de fora do esconderijo indo pra fora do esconderijo, às vezes isso não vai ser suficiente. Essa compreensão não vai ser suficiente. A gente vai precisar de outras coisas.

E foi exatamente isso que aconteceu comigo. Ontem eu tava sentada na mesa do café da manhã. Esfregando o rosto com as mãos. E eu tava esfregando o rosto com as mãos. Porque minha cabeça tava um turbilhão de pensamentos. Era oito horas da manhã e eu sabia ali que eu tinha que sentar pra escrever. O que era a mesma coisa do que dizer eu tinha que sair do esconderijo. Escrever é um lugar de vulnerabilidade. Quem escreve sabe que a gente se coloca na escrita. Não tem como você se distanciar.

da escrita. Então, escrever sempre vai te deixar vulnerável. Acho que qualquer tipo de arte ou qualquer tipo de expressão artística passa por isso. Você se sente vulnerável. E eu sabia que eu ia ter que sentar pra escrever. Mas naquela manhã, meus amigos de bar, tava difícil. e tava difícil porque eu tava com muita dúvida sobre o caminho que eu tinha que pegar no texto eu tinha construído o texto

mas estava muito na dúvida se aquela construção era melhor. E aí tem uma frase da Adriana Falcão, na verdade, que eu amo muito, que ela diz, indecisão é quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa. E aí era isso que eu estava conversando. Eu tinha escrito um texto sabendo que eu queria, mas no meio do caminho eu comecei a pensar se as pessoas iam gostar do texto, se elas iam achar tão bom quanto eu, se elas iam achar... Que fazia algum sentido aquilo.

E, por algum momento, eu comecei a achar que as pessoas só iam gostar do que eu tinha escrito se eu escrevesse de outro jeito. Ou seja, se eu jogasse tudo aquilo que eu tinha escrito fora e começasse o texto de um outro jeito. Só que eu não sabia de que outro jeito...

poderia escrever, porque o jeito que eu poderia escrever era aquele jeito que eu já tinha escrito então assim, o dilema era justamente esse, eu acho que as pessoas só vão gostar desse texto se eu escrever de outro jeito, mas pra eu escrever de outro jeito eu preciso ser outra pessoa, e eu não sou outra pessoa, eu sou quem eu sou. Enfim, fiquei nessa crise e essa crise me fez ficar ali na mesa do café da manhã

esfregando o rosto com as mãos, enquanto dentro da minha cabeça tinham milhares de vozes competindo pra ver quem ia falar mais alto. Cada voz falando e pedindo uma coisa. E eu não sabia exatamente qual ouvir, então o relógio ia correndo, computador continuava aberto no escritório parado na mesma frase de ontem café na minha frente seguia esfriando e eu continuava ali sem levantar da mesa numa

paralisia pura, porque eu não sabia o que fazer, né? O que a minha ansiedade tava pedindo era uma coisa que eu não conseguia entregar. Só que aí, meus amigos de bar...

A Memória da Reportagem Polêmica

No meio dessa crise, desse dilema, dessa confusão, o meu inconsciente trouxe para a minha consciência uma memória. O que eu queria dizer é que meu inconsciente fez o que ele faz de melhor. Ele me trouxe uma saída trazendo um pedaço da minha própria vida. E o que o meu inconsciente fez pra me tirar daquela paralisia, o que o meu inconsciente fez pra que eu conseguisse enxergar um outro caminho foi...

foi me trazer uma memória de algo que eu tinha vivido anos atrás. Anos atrás, eu estava com uma missão muito difícil. Eu precisava escrever uma reportagem, para quem não sabe sou jornalista, e nessa época eu precisava escrever uma reportagem sobre um assunto, meus amigos de bar, que... tava dominando a internet. Era um assunto que as pessoas estavam muito inflamadas. Eu não vou dizer qual é esse assunto aqui,

Porque se eu trouxer o assunto, eu vou ter que abrir uma janela muito grande e vou ter que explicar o que era o assunto, o que as pessoas A defendiam, o que as pessoas B defendiam e o que a gente estava propondo defender. Então, eu vou me ater só a dizer que era um assunto que estava dominando a internet e uma parte das pessoas E essas duas partes estavam se atacando com comentários, com críticas, com réplicas, tréplicas e todo tipo de resposta que é possível nas redes sociais.

E na redação onde eu trabalhava, como jornalista, a gente tava olhando pra tudo isso e pensando, mas por que ninguém tá falando da parte C? A gente tava olhando pra essa discussão e pensando, a galera que tá...

que tá defendendo a parte A tem um tanto de razão, a galera que tá defendendo a parte B tem um tanto de razão, mas pra gente, o ouro, o motivo da discussão deveria estar na parte C. Então a gente decidiu fazer uma reportagem pra mostrar pras pessoas que a gente estava vendo dessa arquibancada.

A gente decidiu fazer um texto para mostrar para as pessoas que valia muito falar sobre a parte A, sobre a parte B, mas que a discussão também deveria contemplar a parte C. E assim que a gente decidiu fazer essa reportagem, a gente entendeu com essa decisão que a gente ia mergulhar de cabeça em um caldeirão de loucura.

porque a gente não estava escolhendo um lado. Então, a gente não teria proteção de um grupo. A gente estaria criando um terceiro cenário e, portanto, tanto o lado A quanto o lado B poderiam se aliar para brigar com a gente. A gente sabia do vespeiro, por isso quando o texto ficou pronto, ele passou por muitas revisões, foi e voltou várias vezes, até que a gente chegou a uma versão final. Mas antes de publicar, a gente decidiu duas outras coisas. A primeira é que a gente reforçou... E a partir...

dessa conversa, a gente fez os últimos ajustes, a matéria foi ao ar e como a gente previu, a gente levou muita porrada digital. Mas a gente saiu bem do outro lado, deu tudo certo, a vida seguiu, a gente fez outras reportagens e essa memória...

foi pra uma gaveta da nossa redação e ninguém nunca mais falou disso, porque era realmente uma coisa trivial, numa rotina trivial, e numa história que era muito maior. Mas o que eu não sabia, meus amigos de bar, é que algo dessa conversa, algo dessa última reunião que a gente fez pra avaliar a versão final desse texto ia ficar no meu corpo e ia voltar nesse dia enquanto eu lidava com a ansiedade e a paralisia antes de sair do esconderijo.

Orgulho Pessoal como Bússola

Eu já tava 10 minutos sentada na mesa do café da manhã, sem conseguir levantar. O café já tinha saído de morno pra gelado, já fazia muito tempo. E as vozes da minha cabeça estavam berrando agora. Mas aí eu lembrei.

de uma parte daquela reunião que tinha acontecido anos atrás. Na verdade, o meu inconsciente trouxe uma memória daquela reunião que tinha acontecido anos atrás. E quando eu lembrei dessa parte dessa reunião... ... ... ... ... ... ... importante do que isso, eu consegui destravar aquele texto que

tava parado na última linha que eu tinha escrito ontem, né? O que o meu inconsciente trouxe é que naquela última reunião, antes da publicação do texto, que era o texto que ia colocar a gente num vespeiro, a minha chefe da época disse... Eu chamei essa reunião porque a gente sabe que esse assunto é polêmico. E o que eu queria com essa reunião é que todo mundo lesse pela última vez esse texto e se perguntasse, eu realmente acredito nisso? Eu estou orgulhosa disso?

Porque a gente vai entrar na fogueira. Mas então que a gente entre na fogueira, que a gente saia do esconderijo acreditando no que a gente fez. Sabendo por que a gente fez. Se a gente vai apanhar digitalmente, se a gente vai ser julgado digitalmente, se a gente vai ser criticado, que a gente seja julgado, criticado, que a gente seja questionado. Fazendo aquilo que a gente acredita. Fazendo aquilo que dá orgulho pra gente.

E aí, meus amigos de bar, eu nem sei descrever pra vocês o que eu senti ao relembrar dessa memória. Nem sei descrever pra vocês o que eu senti de gratidão. Pelo meu inconsciente. Quando ele trouxe isso para a minha consciência. Porque é isso. A minha ansiedade tinha a ver com o desejo de acertar.

de fazer alguma coisa que todo mundo gostasse. Só que como todo mundo é muita gente, eu sabia que aquilo que eu tinha escrito ia ser amado pra algumas pessoas, ia ser neutro pra outras, ia ser insuficiente pra outras. E aí, sem perceber, eu comecei a empreitada de encontrar

Encontrar então qual seria o caminho que ia me levar pra mais perto dessa unanimidade. E por que a gente faz isso? Porque sair do esconderijo é assustador. É inegavelmente assustador. E a busca pela certeza de que todo mundo vai gostar... É, no fim das contas, a busca

por esse lugar seguro. E aí por isso é tão importante lembrar que não existe um lugar seguro fora do esconderijo. Mas às vezes lembrar disso não vai ser suficiente. Às vezes você vai lembrar que não existe um lugar seguro fora do esconderijo e ainda assim

vai continuar paralisado e com medo, porque às vezes não é suficiente lembrar disso. E é isso exatamente que aconteceu comigo, né? Eu tava lembrando que não existe um lugar seguro fora do esconderijo, que não adiantava buscar isso, mas mesmo assim eu tava paralisada. E aí o que meu inconsciente fez foi jogar uma segunda cartada, foi jogar uma segunda imagem pra completar esse quebra-cabeça, que essa memória dessa minha chefe, dessa pessoa que disse vai ter julgamento.

Não vai ter lugar seguro mesmo. Não vai ter colete à prova de balas de julgamento. Não vai ter um lugar completamente seguro. Então o que importa aqui... pra sair dessa paralisia, o que importa aqui pra sair desse esconderijo é lembrar, é se perguntar, na verdade, se você tem orgulho do que você tá fazendo. Se você acredita no que você tá fazendo.

Porque assim, já que vai ter crítica, já que vai ser insuficiente pra algumas pessoas, já que não vai agradar todo mundo, que pelo menos você esteja agradado, sabe? Que pelo menos você acredite nisso. Que pelo menos você... você coloque no mundo algo que você vê sentido, algo que você acha que vale a pena, porque no fim das contas, meus amigos de bar,

Se é pra sair do esconderijo, que seja pra fazer algo que a gente vê sentido, que a gente acredita, né? E foi isso que me fez levantar da mesa do café da manhã e sentar no computador, sabe? Foi pensar, cara, o que que eu... Acredito tanto...

ao ponto de correr esse risco. O que eu acredito tanto ao ponto de colocar no mundo, assim, sabe? Ao ponto de me colocar no mundo. O que é essa coisa que eu acredito tanto que vale a pena esse risco? Porque não existe lugar seguro e a gente sabe que não existe a gente precisa lembrar disso porque a gente esquece mas não existe um lugar seguro, mas o que é essa coisa, sabe, assim, qual é essa mensagem, qual é essa realização

que vale a pena por si só, não porque ela é uma unanimidade, mas porque ela traz em si aquilo que eu sou e aquilo que eu acredito.

Faça o Que Te Dá Orgulho

E dentro de todas as coisas que eu poderia falar essa semana, dentro de todas as coisas que eu poderia dividir essa semana nessa mesa de bar, a que mais me importa hoje, gente, a que mais faz sentido pra mim, a que mais é valiosa nesse momento é essa. Já que é pra viver...

Já que é pra viver as coisas que a gente quer, já que é pra sair do esconderijo, já que não existe lugar seguro fora do esconderijo e que não existe lugar confortável dentro do esconderijo na maioria das vezes, não é sempre, né? Acho que a gente precisa também fazer as pazes.

com a oscilação da vida, às vezes a gente precisa sim ficar no esconderijo. Nem tudo a gente precisa matar no peito. Nossa, eu sou zero a pessoa que defende um movimento só na vida. Eu acho que a vida tem múltiplos movimentos e eu acho que quando a gente não reconhece... esses últimos movimentos a gente adoece, não tem outra saída, achar que a vida é só pra frente adoece a gente, mas achar que a vida também é só no ponto neutro também adoece, porque a vida pede movimento

a gente precisa fazer, eu acho que fazer as pazes com o movimento é o grande segredo mas já que assim, já que vez ou outra a gente vai se sentir impelido a sair do esconderijo, porque é fora do esconderijo que na maioria das vezes a vida acontece, que seja por algo que a gente acredita então, já que todo mundo aqui vai ser julgado, todo mundo aqui vai ser criticado, todo mundo aqui vai ser vítima de olho torto

Todo mundo aqui vai ser incompreendido em alguma medida. Questionado em alguma medida. Duvidado em alguma medida. Que seja então por algo que a gente acredita. Que seja então por algo que a gente acredita. Porque sim. vários dos seus sonhos vão acontecer fora do esconderijo, vários deles, vários, e muitas vezes esses sonhos, esses desejos, eles vão pedir a expressão de algo que é muito único em você, e nem sempre isso vai ser compreendido, e isso não é sobre

você, é sobre a experiência de estar vivo, mas então, que seja algo que você acredita, que seja por algo que você acredita. Acho que o que essa minha chefe tava dizendo é, já que a gente vai apanhar digitalmente, que seja por algo que a gente acredita. Porque pelo menos é isso que vale a pena, né? Que vai fazer sentido, assim, que seja por algo que a gente acredita. É isso, gente. Acho que de tudo que eu poderia dizer, acho que isso é o que tá mais forte no meu corpo essa semana.

E talvez mais forte na minha vida. Eu espero muito que tenha feito sentido pra você. Que tenha te feito uma boa companhia. Se você gostou. Se fez sentido pra você. Se você puder, quiser. Conseguir compartilhar esse episódio. Nas suas redes sociais. Eu vou ficar... muito feliz, se você puder também me contar aqui nos comentários como esse episódio chegou, como é que ele ressoou em você, eu vou amar ler inclusive eu leio todos os comentários absolutamente todos, não consigo responder

porque às vezes todos, né? Porque o volume é muito grande, mas eu amo ler. E se você estiver no Rio de Janeiro e quiser me encontrar, lembrando que o link está na descrição das palestras e que também tem um encontro marcado com BH já em janeiro, falta menos de dois meses. E tem encontro em Curitiba em março. Então eu espero que a gente possa se encontrar nesse ano e que a gente possa, meus amigos de bar, se olhar e perceber que...

Temos várias outras pessoas perto da gente que também estão saindo do esconderijo e que esse olhar seja um olhar de cumplicidade, de eu sei o que você está... Eu sei que você tá com coragem, mas também tá com medo. E que a gente possa ser a lembrança um do outro, né? Que a gente possa ser a lembrança de que, já que a gente vai sair, que seja por algo que a gente acredita. Já que não tem lugar seguro, que a gente...

se relembre que a gente tá fazendo isso por algo que a gente acredita. É isso, gente. Obrigada pela companhia amorosa, obrigada por ter me encontrado nessa mesa e a gente se encontra na semana que vem. Um beijo e até lá.

This transcript was generated by Metacast using AI and may contain inaccuracies. Learn more about transcripts.
For the best experience, listen in Metacast app for iOS or Android