S07EP300 - Felicidade, escolhas e a vida que existe - podcast episode cover

S07EP300 - Felicidade, escolhas e a vida que existe

Oct 29, 202541 minSeason 7Ep. 300
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Summary

A Natália reflete sobre como a abundância de "coisas imperdíveis" nos paralisa e nos afasta da felicidade, que parece sempre estar na próxima esquina. Compartilhando a história de uma mousse de maracujá e o experimento das geleias, ela propõe a "teoria da única coisa": fazer uma escolha consciente e viver plenamente o que é possível e "bom o bastante" no momento, aceitando que a falta é parte da vida e que a felicidade está intrinsecamente ligada à presença.

Episode description

Eu não sei se você já reparou, mas hoje, na palma da mão, a gente tem uma multidão de receitas, de sugestões de caminhos, e  junto com isso uma multidão de promessas, como: é o melhor bolo que você vai comer na vida, é o salgado mais fácil da história, é a empada mais incrível do mundo, é o doce mais gostoso da atualidade….

São infinitas sugestões e todas elas são imperdíveis. Você precisa experimentar. E justamente por tudo ser tão incrível, você não consegue escolher nada. E se escolhe, não fica satisfeito com o que escolheu, porque afinal de contas, tem uma infinidade de outras coisas que você poderia ter escolhido. E aí começa dar uma sensação de que a felicidade sempre foi para próxima esquina, cinco minutos antes de você chegar. É uma sensação de descompasso. E isso vai se infiltrando em tudo. E como a gente sai disso e encontra a felicidade possível? Usando a teoria da única coisa, que te explico nesse episódio. Nessa quarta-feira no @‌spotify cê vem?

edição: @‌valdersouza1 identidade visual: @‌amandafogaca
texto: @‌natyops

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Transcript

Intro / Opening

Oi, meu nome é Natália e esse é o tricentésimo episódio do Para Dar Nome às Coisas, um podcast que nasceu para ser uma mesa de bar na web daquelas que a gente senta.

Uma Jornada de 300 Episódios e Relações Duradouras

E sente que não estamos sós. Um lugar em que a gente pode ser do nosso próprio tamanho, sem precisar se esticar e nem se espremer. Como é que você está? Como é que estão as coisas para você? Como é que está o seu mundo dentro desse mundo? Como é que você está? Eu não sei se você sabe, mas eu não sei os números ordinários de cor, então eu sempre peço a ajuda do Google.

para traduzir os números dos episódios em números ordinários. E hoje eu me dei conta de que a gente está no episódio 300. Você diria isso? Você seria capaz de apostar que a gente chegaria no episódio 300? Eu não seria, gente. O Prada das Minhas Coisas, pra mim, é a maior prova de que caminhos longos a gente faz aos passos. A gente vai dando um passo depois do outro.

a gente vai se perguntando se aquilo ainda faz sentido pra gente, a gente vai fazendo mudanças, ressignificações, e aí a gente se pergunta de novo se faz sentido, e aí a gente continua aí quando vê... andamos 300 passos, andamos 300 episódios, andamos 6 anos. Eu já contei essa história aqui muitas vezes, mas é uma daquelas memórias que, se fosse um porta-retrato, estaria num porta-retrato na parede do meu peito.

que é de uma experiência que eu vivi muitos anos atrás no Hotel Ponto de Luz, e já falei muitas vezes desse lugar, que é um hotel, pra mim, barra e tiro, porque a internet não pega bem e... Hoje tem até um espaço no lugar que você pode ficar assim e a internet pega. Mas eu sempre digo que lá é um lugar em que o estranho é você usar celular. Diferente do que acontece aqui fora, lá o estranho é usar celular. Enfim.

E aí eu tinha ido pra lá, já fui pra lá umas três vezes, e aí dessa vez, que faz alguns anos... eu tava fazendo uma terapia. Lá tem algumas terapias corporais, enfim. E aí uma das terapeutas tava contando que ela tinha uma relação, acho que há uns 5, 6 anos, se eu não me engano. Não lembro exatamente quanto tempo. mas que ela dizia que ela tinha um compromisso, um combinado com o companheiro dela.

que a cada seis meses eles tinham uma grande conversa. E o que era essa grande conversa? Essa grande conversa era para que eles olhassem um no olho do outro com muita honestidade, com muita sinceridade e se fizessem uma pergunta. E essa pergunta, os dois teriam de responder. Que era, ainda faz sentido a gente continuar junto? Você ainda vê sentido na nossa relação? Você ainda quer ficar comigo? E se quer, como?

Quais são os acordos que precisam ser renovados ou quais são as coisas que precisam ser deixadas pra trás pra que a gente continue junto. E eu achei muito bonito isso, assim, de uma maturidade muito rara, né? Mas achei muito bonito porque... Era um acordo que contempla o tempo, que abarca o tempo, que considera que uma relação de 5, 6, 3, 10 anos... É uma relação que tem ali pessoas que mudaram muito, que mudaram de gosto, de rotina, que mudaram de sonhos, de perspectiva, e que precisa ser...

renovado também nesse lugar, assim, né? De, será que essa relação ainda cabe a gente? Se não cabe, o que a gente precisa fazer pra que caiba, assim? E eu acho que é um pouco essa coisa, né? De se perguntar a cada seis meses se aquilo ainda fazia sentido. E ela falou que... ela tava me contando que ela fazia isso com todas as coisas da vida dela, e que, claro, né, diante de, tinham coisas ali que ela não tinha como dizer, ah, cada seis meses eu me pergunto se eu quero ficar ou não, sei lá.

nessa casa e aí tem coisas práticas e objetivas que impedem você mudar naquele momento, né? Às vezes, contrato de aluguel, a multa, enfim. Mas o que ela dizia é que se fazer essa pergunta de tempos em tempos era uma forma de escapar do automatismo da vida que engole a gente e de ir fazendo um check-in, check-out da própria vida e ir entendendo o que estava bom, o que estava ruim.

O que podia ser melhor. Então, eu não quero mais morar nessa casa, porque essa casa tem me trazido muito problema. Eu acho que eu quero mudar... tudo bem, eu não consigo mudar agora, mas o que eu posso fazer pra ficar melhor aqui? Ou o que eu posso fazer pra que eu consiga mudar daqui um ano, daqui dois, enfim. E eu acho que isso é uma coisa que a gente aprende em longos caminhos e em longas relações também, né? Relações que estão ali...

vulneráveis e conscientes da própria transformação e da transformação da própria relação, acho que isso é uma coisa que a gente aprende, de que as coisas não são, elas podem ser estáveis no sentido de contínuas. mas elas não são imutáveis, né? Relações grandes, seja com um projeto, seja com uma relação com outra pessoa, seja uma amizade, elas... A gente vai ter que topar, cara, a mudança, vai ter que topar a transformação, vai ter que topar as oscilações, porque...

a gente muda, o outro muda, a relação muda, as coisas mudam, as rotinas mudam, e aí a gente vai ter que ficar abarcando. Eu tô vivendo uma coisa muito curiosa, assim, com alguns amigos, inclusive até mandei uma mensagem pra Jadinha recentemente, que é uma amiga minha de muitos anos.

assim, uma amiga e irmã, e eu falei pra ela, amiga, eu sei que é horrível isso, mas vamos colocar na agenda o nosso encontro, porque a gente tá tentando se encontrar desde agosto, e assim, não vai dar pra deixar na conta do acaso, porque a gente não vai fazer caber, não vai dar.

Então, vamos colocar na agenda? E eu tenho feito isso com os meus amigos, colocando na agenda o nosso encontro. E isso, pra mim, era impensável três anos atrás. Mas agora é a única coisa pensável. É a única coisa possível, assim. E se abrir pra essas pequenas mudanças.

né, com com curiosidade e com compreensão de, ah, entendi, agora minha vida tá nesse lugar, então minhas relações também vão precisar fazer mudanças, né, e eu vou precisar propor essas mudanças junto com os meus amigos e dizer, se a nossa relação é importante pra nós, tudo bem se a gente colocar o nosso... se encontram na agenda, assim, eu sei que te parece estranho, mas tudo bem se a gente fizer isso. Enfim, eu acho que isso é viver também, né? É se abrir pras possibilidades de viver.

Felicidade: Quando o Agora É o Bastante

Mas fiz essa introdução enorme, porque na verdade, meus amigos de barra, o que eu queria falar é sobre felicidade. E eu falo de felicidade com toda a humildade do mundo, porque eu acho que falar de felicidade e falar de amor... São dois temas gigantes e que podem ser vistos e compreendidos e acessados de diferentes formas. Então hoje eu vou trazer a minha forma de entender felicidade nos dias de hoje.

Talvez não tenha mudado muito nos últimos anos, mas eu vivi uma experiência essa semana e eu falei, nossa, cara, isso é muito massa, assim, pensar a felicidade desse lugar é muito legal. Por um momento... Eu gostaria até de ter colocado um outro nome nesse episódio, que seria Felicidade A Única Coisa, porque eu vou falar sobre essa teoria que eu criei na minha cabeça sobre uma única coisa e sobre como isso...

estaria relacionado à felicidade. Mas enfim, eu vou falar sobre felicidade hoje e eu espero muito que esse episódio faça sentido pra você. Mas que se não fizer meu amigo, minha amiga, meu amigo de bar, que ao menos ele te faça uma boa companhia. Boa audição. acho que se eu pudesse definir o que é felicidade pra mim hoje eu diria felicidade é quando o agora é o bastante É quando eu tô em paz com aquilo que deu, com aquilo que não deu.

Com as minhas potências, com as minhas limitações, é quando eu tô em paz com as escolhas que eu fiz. E não tô nem falando de coisas grandes, do tipo a escolha da universidade, a escolha da casa, a escolha... Da transição de carreira. Tô falando das coisas pequenas também. As escolhas que a gente faz no dia a dia. Do tipo. Decidir não ir nessa festa. Porque eu queria ficar no sofá. E você conseguir ficar em paz com o fato de ter ficado no sofá.

decidi dizer não pra essa coisa pra essa proposta, pra esse convite porque apesar de amar muito essa pessoa eu acho que esse convite me deixaria ainda mais cansada numa semana que eu já tô muito cansada. E você poder ficar em paz com isso, sabe? Felicidade pra mim é isso. Felicidade é quando o agora é o bastante e quando eu tô em paz com o que eu...

com aquilo que eu não consegui, com o que deu, com aquilo que não deu, com aquilo que eu projetei muito e queria muito que tivesse acontecido e não aconteceu. Felicidade pra mim é isso.

A Mousse de Maracujá e a Presença

Eu vou te ensinar a fazer pãozinho de maracujá com só três ingredientes. Pronto, Chef Yacht. Você vai precisar de três maracujás. Eu tava fazendo uma mousse de maracujá que eu tinha visto na internet quando eu senti uma felicidade que a gente sente quando a gente tá presente, sabe? E foi nesse momento que essa definição de felicidade chegou na minha cabeça.

Foi nesse momento que eu comecei a pensar o que era felicidade pra mim. E comecei a descrever pra mim o que era aquele sentimento que eu tava sentindo naquele momento. Eu comecei a... A dizer pra mim mesmo ali em voz alta que felicidade é quando a gente sente que a nossa mente tá onde o nosso corpo tá. É quando você tá no sofá depois de negar o convite pra festa e sua mente tá no sofá.

Ela não tá lá pensando como é que estaria essa festa se você estivesse lá, se as pessoas vão sentir sua falta ou se vão ficar chateadas porque você não foi. Você decidiu estar no sofá e o seu corpo e sua mente estão no sofá. É quando você decide ir pra casa depois de uma festa pra dormir mais cedo, porque amanhã você vai ter que acordar mais cedo ainda. E você tá na cama, sabe? O seu corpo tá na cama e a sua mente tá na cama. Quando você puxa o cobertor...

Sua mente acompanha o movimento do cobertor e você tá ali. Felicidade é quando você diz, cara, eu não posso. E você tá em paz com o não poder. Felicidade pra mim é isso. Mas é isso, essa reflexão me chegou, essa compreensão me chegou quando eu tava ali girando o botão do liquidificador pra fazer essa mousse. Eu tava fazendo essa mousse que eu tinha visto na internet.

porque dias antes eu tava deitada na cama rolando o feed do Instagram e apareceu um vídeo curto que ensinava essa receita e aí na hora eu fui automaticamente com o dedo em cima do botão de salvar e o vídeo foi direto para aquela pasta infinita de coisas, de viagens, de restaurantes, de aquela cafeteria que você precisa conhecer e que a gente vai salvando naquela lista interminável que a gente nunca mais visita e que a gente nunca mais vai.

Só que eu falei pra vocês nos últimos episódios, principalmente no ser gente boa comigo mesma, ser eu mesma gente boa comigo, eu falei principalmente nesse episódio, Que eu tô tentando mudar um pouco dessa lógica, né? Então naquele momento eu pensei Cara, eu vou salvar essa receita aqui Mas eu também vou fazer diferente Então no lugar de sair seguindo com o feed, né? De seguir rolando o feed

automaticamente eu peguei uma caneta que estava em cima de um móvelzinho branco que eu tenho no quarto. Geralmente a gente coloca ali os nossos livros. Eu peguei uma caneta e comecei a anotar na mão os ingredientes da receita. Whey, leite em pó, maracujá, gelatina sem sabor. Logo em seguida, eu abri o aplicativo do bloco de notas do celular e fui anotando tudo ali. A minha ideia... era que, quando semanas depois eu fosse no mercado, eu pudesse comprar essas coisas e pudesse fazer essa música.

Foi assim que aconteceu. Quando chegou o dia de fazer as compras, eu fui colocando tudo no carrinho e era uma quarta-feira. Então eu decidi que no sábado daquela semana eu faria a muse. Mas aí, meus amigos de bar, é a vida, né? Isso é um podcast, um podcast baseado em vida real. E a vida, então, não poderia estar de fora desse podcast. E o que aconteceu foi que...

Chegou o sábado e o maracujá foi passando de um canto a outro na geladeira, à medida que outras coisas mais objetivas foram aparecendo, como trabalhar, resolver burocracia, pagar conta. levar o cachorro no veterinário, enfim. O maracujá foi sendo esquecido. Aí corta pra ontem. Ontem eu fui tirar uma carne do congelador. E quando eu fui tirar a carne do congelador, eu vi que no fundo do congelador tinha um potinho verde escrito polpa de maracujá.

E naquele momento eu lembrei que, semanas atrás, depois de vários dias sem conseguir fazer a receita, eu tinha decidido congelar o maracujá pra não perder. E aí lembrei que o meu desejo era fazer aquela mousse que eu não tinha feito. E fiz um novo acordo comigo. Hoje é quinta-feira, mas amanhã, sexta, eu vou fazer essa mousse. E eu consegui fazer essa mousse.

E eu tô gravando esse episódio, meus amigos de bar, enquanto a mousse tá na geladeira. E tô gravando esse episódio depois dessa experiência da cozinha, em que, enquanto eu tava fazendo a mousse, eu fui invadida por uma sensação de felicidade. E uma sensação de felicidade, inclusive, com a imperfeição desse plano. Que foi... anotei os ingredientes, aí fiz a compra, e aí o plano era fazer naquela semana, e aí não consegui fazer, e aí o maracujá ficou passando, e aí eu não consegui fazer a mousse.

com o maracujá fresco, só com o congelado, enfim. Fiquei pensando na imperfeição desse plano e na imperfeição da minha vida também, de todas as outras coisas que eu projetei e não deram certo. mas que aconteceram de outra forma e fui invadida por esse sentimento de felicidade. E aí nesse momento que eu tô gravando esse episódio, eu não sei ainda te dizer se a moça ficou boa ou não, porque ela ainda tá na geladeira, mas eu sinto...

que essa experiência não é sobre isso, não é sobre o resultado, sabe? Eu sinto que fazer a mousse, e é sobre isso que eu queria falar, foi como encontrar uma felicidade possível numa vida possível.

A Paralisia das Infinitas Promessas

eu não sei se você já reparou mas hoje na palma da mão exatamente nesse momento na palma da sua mão você vai encontrar uma multidão de receitas de sugestões de possibilidades de caminho. E junto com isso, uma multidão de promessas que vão dizer pra você que você tá a um passo do melhor bolo que você vai comer na vida que você tá a um segundo do salgado mais fácil da história que se você comprar os ingredientes

você vai fazer a empada mais incrível do mundo. Se você atravessar a rua, você vai comer o doce mais gostoso da atualidade. Na palma da sua mão e da minha mão tem infinitas sugestões e todas elas são imperdíveis. Todas elas você precisa experimentar. Todas elas vão abrir a sua vida num antes e depois. Vão inaugurar um portal em que você nunca mais vai se sentir o mesmo.

E justamente por tudo ser tão incrível, né gente? Por tudo ser tão inescapável, por tudo ser tão imperdível, a gente não consegue escolher nada. A gente começa a se sentir paralisado e a gente não consegue escolher nada. A sensação que eu tenho, muitas vezes é que eu tô diante de uma de um presente de uma coisa ali que tá me sendo entregue e essa coisa vai me trazer uma felicidade imensa só que quando eu vou

me aproximar disso, aparecem várias outras coisas e todas elas me prometem a mesma coisa, uma felicidade imensa. E diante dessas coisas, diante de todas essas coisas que são imperdíveis, eu não consigo escolher nada. E se eu escolho uma dessas coisas, eu não fico satisfeita com o que eu escolhi, porque afinal de contas, tem uma infinidade de outras coisas que eu poderia ter escolhido.

E aí começa a me dar uma sensação de que essa coisa que está me prometendo uma felicidade indescritível é também essa coisa que, ao passo que eu me aproximo dela... eu me afasto dessa felicidade, sabe? Ao mesmo tempo que é uma coisa que me promete uma felicidade, toda vez que eu tento me aproximar dela, parece que a felicidade escapa. E eu me sinto, por vezes, menos feliz do que eu tava antes de ver essa coisa.

a sensação que eu tenho é que essas coisas todas que nos prometem uma felicidade incrível porque afinal de contas é o melhor bolo do mundo é o doce mais imperdível é o salgado mais incrível é o que você vai... precisar experimentar e vai transformar sua vida num antes e depois. Eu acho que essas coisas todas, elas começam a dar em nós uma sensação de que a felicidade sempre foi pra próxima esquina cinco minutos antes de você chegar.

Então te prometeram que a felicidade tava lá na próxima esquina, você assim, suou pra caramba pra chegar lá, e aí quando você chegou lá, a felicidade tinha ido embora fazia cinco minutos. E aí você vai pra próxima esquina, onde falaram que a felicidade estaria, e aí quando você chega lá, o pessoal E aí você olha pra pessoa e fala assim, cara, se você tivesse chegado 5 minutos antes, você teria pego a felicidade. E aí você olha pra pessoa e fala assim, mas me falaram que tava na esquina anterior.

E eu tava lá na esquina anterior. E a pessoa falou assim. Não, mas fica tranquilo. Fica tranquilo. Você vai rodar mais um pouco. E aí você vai chegar na próxima esquina. Onde tem o doce mais imperdível do mundo. E isso vai abrir um portal de antes e depois na sua vida. E aí você vai. E aí a sensação é, de novo, de que a felicidade escapou fazia cinco minutos. É uma sensação de descompasso e isso vai se infiltrando em tudo. Então você vai numa festa e fica pensando se deveria ter ido em outra.

Você pede o prato do começo da lista no carnápio e fica pensando se deveria ter escolhido o de baixo. É um mundo de tanta coisa imperdível que vai mudar sua vida, que vai transformar sua história, que na tentativa de não perder nada, tudo é imperdível, a gente acaba perdendo quase tudo porque a gente não consegue se conectar com aquilo que a gente escolheu, com aquilo que a gente está fazendo naquele momento. De tanto que a gente está pensando, se não deveria ter feito outra coisa.

é tanta coisa imperdível que a gente sempre tem a sensação de que a gente está perdendo algo

Encontre Sua "Única Coisa" Possível

Mas o que eu queria compartilhar aqui verdadeiramente é como é que a gente sai disso e encontra essa felicidade que é menos uma felicidade imperdível e mais uma felicidade possível. Como é que a gente encontra isso? E aí, meus amigos de bar, eu acho que a gente sai disso quando, diante desse mundo de coisas imperdíveis, a gente olha pra tudo isso e diz, eu vou pensar daqui uma coisa, uma única coisa.

E eu vou viver essa coisa. O que no meu caso foi, diante de todas essas receitas que eu já salvei e que nunca mais eu olhei, diante de todas essas coisas que estão me falando que são imperdíveis e inescapáveis, diante de tudo isso que eu estou acumulando na tela do meu celular porque meu deus do céu, eu preciso salvar para em algum momento fazer diante de tudo isso eu vou escolher uma coisa eu vou pegar essa mousse

E eu vou comprar os ingredientes dessa mousse. E eu vou suportar todas as mudanças de plano. que vão me impedir de fazer essa mousse quando eu quero, mas eu vou celebrar quando for possível fazer. E aí quando for possível fazer, eu vou preparar essa mousse. E aí eu vou abrir a geladeira mais vezes do que eu deveria, porque eu tô ansiosa pra...

essa única mousse gelar e quando ficar pronta essa única mousse que é uma única receita, eu vou comer e vou provar essa mousse, e vou comer essa mousse, lembrando que, apesar de todas as escolhas incríveis que eu poderia ter feito, foi essa que eu fiz. E eu vou viver essa escolha enquanto eu estiver aqui. E assim que eu terminar de comer, eu vou analisar se eu quero ou não quero fazer essa mousse de novo. Se eu gostei ou não gostei dessa mousse.

Se eu quero continuar nessa escolha ou se eu quero mudar da próxima vez. E eu vou fazer isso... Porque é maravilhoso saber que eu tenho um milhão de possibilidades. Mas ter um milhão de possibilidades é, muitas vezes, a forma mais eficiente de sentir que a gente não tem nenhuma.

eu tenho mil receitas disponíveis mas ao mesmo tempo são todas tão incríveis que no fim eu não consigo fazer nenhuma delas porque me parece que a decisão é sobre escolher a melhor de todas e não sobre escolher o que faz sentido, o que cabe, o que eu consigo, o que eu quero, o que é a minha vontade nesse momento, o que é a minha fome nesse momento, sabe?

Eu acho que ter um milhão de possibilidades imperdíveis faz com que a gente olhe muito mais pras possibilidades do que pra nossa fome, pro nosso desejo. Sacou? E aí fica tudo tão grande. Tão encantador, tão imperdível, parece que tudo está tão em letreiros grandes e brilhantes que a sensação é de estar no meio de uma multidão sem conseguir se ouvir. A gente vai perdendo a conexão com as coisas e com os nossos sentidos, com os nossos desejos. Você também sente isso?

O Experimento da Geleia e o Pequeno

E isso me lembra uma conversa que eu tive com a Amanda dia desses. Ela tinha saído para tomar um café com uma amiga e ali à noite a gente estava conversando na sala sobre o nosso dia e ela veio me contar sobre essa conversa. E aí me contando sobre o que ela tinha vivido, sobre esse café... teve algum momento que ela disse ai eu não sabia até agora o quanto eu tava com saudade de olhar coisa pequena de viver uma coisa pequena e o que eu ouvi

dela dizendo, na hora eu falei nossa, que coisa linda que você acabou de falar porque o que eu ouvi do que ela disse foi, em algum momento a gente quis ir numa cafeteria incrível e sair de lá com um plano pra dominar o mundo, mas o que a gente fez foi

A gente foi na cafeteria mais próxima que era o que cabia na nossa agenda. E aí a gente conversou sobre as nossas vidas porque era essa a energia que a gente tinha no momento. E a gente acabou conversando sobre os planos pra mudar na semana que vem e não o mundo.

Porque era o que estava na nossa mão. E por que isso foi tão bom? Porque a gente estava radicalmente consciente de que era isso que existia e que era possível naquele momento. É a mousse, né, gente? É a mousse. Não é a melhor receita do mundo. Nem é a mais imperdível. Certamente tem outras melhores. Eu nem posso dizer se ficou boa, na verdade. Mas é a receita que eu consegui fazer e é a receita que existe nesse momento. E eu tenho preferido muito.

As coisas pequenas que existem, que ganham vida, que vêm para a vida real. Há grandiosas que nunca saem do papel. E acho que essa história da mousse...

Ela se encontra com a história da Amanda, que diz que estava com saudade de olhar coisa pequena. Porque é isso, no fim das contas, né? A sensação que eu tenho... é que todos nós, e eu me incluo 100% nisso é que a gente tá num lugar de olhar coisas muito grandiosas e muito imperdíveis e muito inescapáveis e eu acho que isso é muito maravilhoso pra povoar o nosso inconsciente com possibilidades

Enfim, não é uma crítica e nem um hate a coisas grandiosas e imperdíveis. Pelo contrário, eu acho que isso é muito importante pro nosso processo imaginativo, né? Imaginar outras coisas, olhar por outras janelas, pensar. outras possibilidades, mas eu acho que isso não pode nos afastar da coisa pequena, da vida real e da felicidade possível, porque é nessa vida real, fora da tela, que a felicidade é possível, né?

Depois que eu vivi essa experiência da Mousse, eu criei uma teoria que eu batizei de felicidade uma única coisa. Que é isso. Entre todas essas possibilidades, qual é a única coisa que você vai escolher? E a gente faz isso não pra ser limitado, né? Não pra se limitar. Mas pelo contrário, pra que a gente possa se movimentar. Porque diante de tantas coisas, o efeito mais concreto, muitas vezes, é a paralisia. E é isso, quando eu...

me comprometo a escolher uma única coisa, eu também me comprometo a escolher sabendo que essa coisa que eu vou escolher não precisa ser a mais certa, nem a melhor. Ela só precisa fazer sentido pra esse momento. Qual é essa única coisa? Entre todas as receitas, qual é a única que você vai fazer? Entre todas as mudanças que vão te fazer feliz, qual é a única que você vai apostar?

E aí eu nem tinha pensado nisso, mas meu inconsciente está fazendo, ou meu consciente está fazendo essa associação, mas é um pouco do que eu falei na abertura dos 300 passos. Qual é o único passo, entre todos os passos, entre todas as possibilidades, entre todas as formas de caminhar qual é o único passo que você pode dar hoje e que vai te dar uma sensação de felicidade e que vai te levar pra esse caminho longo que você quer caminhar

Essa coisa da paralisia, ela me lembra muito um experimento que foi feito anos atrás com dois grupos. Eu vou deixar o link na descrição desse experimento e aí vocês podem ler se vocês quiserem. Mas como que foi esse experimento? os pesquisadores montaram dentro de um supermercado uma bancada com 24 tipos de geleia

E depois eles montaram uma bancada com seis tipos de geleia. E aí eles ficaram monitorando a reação das pessoas nas duas bancadas. Então eles monitoraram as pessoas se aproximando da bancada de 24 tipos de geleia e Depois, a reação das pessoas se aproximando à bancada de seis tipos de geleia. E aí, o que eles queriam saber? Eles queriam saber se quanto mais opção a gente tem, maior a chance das pessoas comprarem. O que...

a gente poderia traduzir como quanto mais opção a gente tem, maior a chance da gente sentir que encontrou o que a gente estava buscando. Então, quanto mais possibilidades eu tenho, mais eu sinto que eu cheguei lá. que eu encontrei o que eu queria. E aí eles fizeram esse monitoramento, então passaram ali um tempo monitorando, e o que eles concluíram? Que, embora mais pessoas tenham se aproximado da bancada com 24 opções,

menos pessoas compraram. Menos pessoas encontraram aquilo que queriam. Conseguiram concluir que tinham encontrado aquilo que queriam. E o oposto aconteceu na bancada de seis. Na banca de seis, menos pessoas se aproximaram, menos pessoas foram atraídas por aquilo, mas mais pessoas encontraram o que queriam. E aí eles concluem que quando a gente tem muitas opções, a gente vive o que eles chamam de ansiedade e paralisia da decisão, que nada mais é do que o medo de errar.

de se arrepender ou de não fazer a melhor escolha. E aí vem a paralisia, né? Se eu tenho medo de errar, de não fazer a melhor escolha, se eu tenho medo de arrepender, aí eu vou lutando a minha pasta de receita e não consigo escolher uma pra fazer, porque afinal... de conta se não for a melhor escolha. E se a melhor receita for aquela que ficou lá e que não escolhi? E se, de repente, eu escolher e me arrepender do que eu fiz?

E aí, meus amigos de bar, esse estudo é uma metáfora, ele é concreto, objetivo, enfim, científico. Mas ele também é uma metáfora que diante de tantas escolhas, diante de tantas possibilidades, mesmo que fantasiosas, né? Porque a gente tem lá na nossa pasta várias viagens que talvez a gente não consiga fazer ou não consiga agora, enfim. Mas diante de tantas possibilidades...

A gente que adora geleia, volta sem geleia pra casa. Fica com o café da manhã, mas sem graça. Mas então tá, né? E como que a gente usaria a ideia da única coisa que... Dizendo pra gente mesmo, eu não preciso fazer a melhor escolha, nem a mais acertada. Eu preciso só escolher uma geleia que me pareça...

boa o bastante pro meu café da manhã. Ela não precisa ser a mais incrível, ela só precisa ser o boa o bastante. E isso nos ajuda a entender que tudo bem se tiver outras geleias mais gostosas. Tudo bem se tiver outras geleias mais imperdíveis. O que eu queria? Qual é a minha fome? Qual é o meu desejo? Eu acho que a gente sai desse looping quando a gente se conecta com a nossa fome, com o nosso desejo, com aquilo que...

Que a gente tá buscando no fim das contas, né? Eu sempre uso essa metáfora pra internet porque eu acho que ela é muito ilustrativa. A sensação que eu tenho na internet muitas vezes é da gente estar saindo. de casa. E a cada passo que a gente dá, entregam pra gente um panfleto.

E aí a gente vai pegando esse panfleto que propõe pra gente um estilo de vida e a gente vai socando dentro da bolsa. E no final do dia, a bolsa tá estourando. E a bolsa, na verdade, é a nossa cabeça. E aí a gente deveria, então, eliminar os panfletos? Não, a gente não deveria eliminar. os panfletos, mas a gente deveria olhar pro nosso corpo e, diante de todas essas possibilidades que estão nos oferecendo, de restaurantes e de comidas e de...

e de lojas, a gente deveria se perguntar qual é a minha fome? qual é o meu desejo? o que eu tô buscando aqui?

Aceitando a Falta na Vida Real

E isso me traz à memória uma história que eu vivi e que tem tudo a ver com o experimento das geleias da mousse e por isso com a felicidade e a vida possível. que no começo do ano eu fui fazer uma viagem a trabalho e eu sabia que eu teria de ficar 10 dias em salvador numa rotina que que ia ser mais ou menos assim, durante o dia, trabalho e no fim da tarde, noite, festa, praia, happy hour, enfim

Então, não era uma viagem de férias, mas também não era uma viagem a trabalho. E aí eu precisava... Quer dizer, não era uma viagem só de férias e nem uma viagem só a trabalho. Então eu precisava mesclar esses dois universos dentro da minha mala e não era...

uma mala tão grande. E aí, a questão sobre o melhor jeito de arrumar a mala, e por isso eu tenho uma fixação com roupas coringas, tomou a minha cabeça. Fiquei, meu Deus, como é que eu aproveito essa mala? E aí, como não dava pra colocar o meu armário inteiro na mala, eu fiquei...

Fiquei ali pensando que eu ia ter que fazer escolhas e sofrendo por essas escolhas que eu ia ter que fazer. Enfim. Aí corta pra... eu já em Salvador fui procurar uma escova de dente dentro da minha mala e comentei isso com uma amiga minha que ia dividir o quarto comigo falei nossa cara foi muito difícil fazer essa mala porque cara eu queria levar meu guarda-roupa inteiro e ainda mais uma viagem assim que a gente vai ter

atividades tão diferentes pra mim foi muito difícil e aí ela me olhou e falou assim nossa Nath, eu já tive essa dificuldade por muito tempo mas sabe como eu resolvi isso? e aí eu falei, como? me fala E ela disse, eu me convenci que eu sempre vou sentir falta de alguma coisa. Desde que eu entendi isso, ficou mais fácil. E eu, que sempre defendi que não há vida sem falta, me vi ali, caramba, embasbacada. Porque é isso.

A gente às vezes pensa nessa lógica da falta pra coisas tão grandes, né? E esquece nessas coisas pequenas, assim. Esquece que escolher a festa é automaticamente escolher a falta do sofá. E escolher o sofá é automaticamente escolher a falta do sofá.

falta da festa. A gente não vai conseguir ter tudo. Nem no grande, nem no pequeno. E eu acho que isso é a essência da vida que existe. E, portanto, da felicidade possível. Porque a vida que existe tem falta. E como tem falta, isso a gente já... chega revisando esse contrato de letra pequena e a gente assume que a letra pequena do contrato é que vai ter falta, a gente se vê livre pra decidir aquilo que a gente pode, aquilo que a gente consegue e aquilo que dá nesse momento.

Então assim, vai ter falta de qualquer jeito, vai ter falta se eu for, vai ter falta se eu ficar, vai ter falta se eu decidir por isso, vai ter falta se eu decidir por aquilo, vai ter falta, de algum jeito vai ter falta. E aí eu preciso... reconhecer que nessa falta eu tenho a liberdade de decidir aquilo que eu posso, que eu consigo e que dá nesse momento. Eu tô livre, então, pra decidir o que eu quero colocar na mala.

E não vai caber tudo mesmo. Algumas coisas vão ter de ficar de fora. Mas isso não é só comigo ou só com você. É com todo mundo. É com todo mundo que tá aqui vivo. Nada vai me dar essa completude. Por mais abundante que minha vida seja. por mais próspera que minha vida seja por mais abundante que minha vida seja com alguma falta eu vou ter que lidar

Eu vou fazer uma receita de mousse de maracujá e ela vai me dar um mousse de maracujá. Uma mousse de maracujá. E essa mousse pode ser a melhor do mundo, mas ainda assim vai ser só uma mousse. Todo o resto vai ficar de fora. Me parece, meus amigos de bar.

Felicidade e Presença: A Escolha Consciente

Que fazer as pazes com isso é o que vai fazer a gente ser capaz de reconhecer quando a felicidade aparece. Quando você tá na cozinha fazendo uma mousse de maracujá. E ser capaz também de buscar essa felicidade possível, sabe? Que... acho que está intimamente relacionada a essa compreensão de que tudo não terá, né? Tudo a gente não vai ter. E se tudo a gente não vai ter...

Como é que a gente pode ficar em paz com as nossas escolhas? Como é que a gente pode ficar em paz com os nossos sofás ou com as nossas festas? E é muito louco, né? com as nossas festas, inclusive quando você decide ir pra festa. E como é que você pode ficar em paz com essa festa? Sabendo que existem outras acontecendo na cidade, mas você escolheu essa. Como que a gente pode fazer isso, assim?

Eu não sei, pra mim tem me parecido esse o caminho, porque felicidade pra mim é isso, é quando a gente sente que o momento não é tudo, mas é o bastante, é o suficiente. É quando a gente sente que a nossa mente tá onde o nosso corpo tá.

É quando a gente sente que sim, a gente poderia realmente estar em outro lugar. A gente poderia realmente ter feito outra escolha. Mas essa escolha foi a que eu fiz. E agora como essa escolha foi a que eu fiz, eu vou viver essa escolha. Nem que seja pra daqui uma semana, dois dias. três dias, no final do dia eu decido que eu não quero mais essa escolha eu decido que eu queira fazer outra escolha, e acho que isso tudo que eu disse

Explica muito porque eu fiquei tão feliz fazendo a mousse. Porque eu tinha várias possibilidades, mas eu sabia que eu não ia conseguir fazer tudo. Então eu fiz uma escolha e honrei essa escolha que eu tinha feito. E enquanto eu estava fazendo, eu não estava pensando no que eu não fiz. Eu estava pensando no que eu estava fazendo. No que existia. E esse foi um momento feliz. E isso quer dizer que agora eu só vou fazer a mousse para sempre? Claro que não. Escolhas e decisões.

não tão escritas em pedra, a gente pode mudar. Só quer dizer que felicidade e presença, pra mim, são cada vez mais indissociáveis. Pra mim, são cada vez mais inseparáveis. Eu não consigo mais... falar sobre felicidade sem falar de presença, sabe? Eu não consigo pensar em felicidade que não seja, que não passe por essa conexão com o nosso próprio corpo. Então...

O Convite: Qual Sua "Única Coisa"?

Pra ajudar nessa presença, meu convite hoje, meus amigos de bar, é esse. diante de tudo isso que te parece imperdível diante de todas as mudanças que você sente que te trariam mais felicidade diante de tudo isso que parece incrível Qual é a única coisa que você pode, quer, consegue fazer nesse momento e que te parece suficientemente boa pra hoje, pra amanhã, pra esse mês. Não precisa ser a melhor, mas...

Que seja, então, suficientemente boa. E vai ser suficientemente boa se ela estiver conectada com a sua fome, com o seu desejo, com o seu espírito, sabe? com a sua alma. Eu acho que esse é um jeito da gente sair da paralisia do medo, do receio de se arrepender e, enfim, encontrar pelo menos por agora.

a nossa geleia e poder voltar pra casa com essa única geleia e poder sentar com as pessoas que a gente ama e poder dividir essa torrada, né? Poder passar essa geleia no prato, poder passar essa geleia na torrada, no pão. E poder experimentar essa geleia. E comer essa geleia. E desfrutar dessa geleia. Como a escolha que a gente fez. E que poderia ter sido outra. Poderia. Mas foi essa. E aí se a gente quer. Se a gente.

não gostar dessa geleia ou achar que poderia ter sido outra, aí no dia seguinte a gente volta ao supermercado e compra uma nova geleia. Mas eu realmente acho que felicidade tem a ver com presença, tem a ver com estar onde a nossa mente está. E estar em paz, ainda que com ressalvas, né? Mas estar em paz com as escolhas que a gente fez, com as que a gente não fez, com aquilo que poderia ser melhor, mas não foi. Porque a vida também é isso, né? Porque a vida é falta. Também é falta.

Mas não precisa ser só falta. E aí, pra não ser só falta, a gente precisa ter esse compromisso radical e consciente de que é isso que existe e que é possível nesse momento. poderia ser muitas outras coisas, poderia mas não vai ser tudo então que a gente possa ser radicalmente consciente com as felicidades possíveis nesse momento, então é isso qual é a sua única coisa?

isso meus amigos de bar, espero que esse episódio tenha feito sentido pra vocês, espero que ele tenha te invadido, assim, com a força de uma felicidade possível e pequena, como foi pra mim, quando eu tava preparando mousse, e aí depois se infiltrou na minha cabeça, e eu fiquei, nossa, é isso, é muito... muito isso. Espero ter feito sentido pra vocês, espero ter te feito uma boa companhia. Se você gostou, se fez sentido pra você e você puder

quiser conseguir compartilhar esse episódio nas suas redes sociais, isso é uma forma de agradecer ao nosso trabalho. Então se você quiser me agradecer, essa é uma forma que eu vou ficar muito feliz e muito... consciente do seu agradecimento. Se você puder compartilhar esse episódio nas suas redes sociais. E uma segunda forma muito importante de agradecer é deixar um comentário aqui na caixinha de comentários do Spotify. Se você não quiser escrever a sua experiência, como te chegou.

Só escreve felicidade possível. que daí eu vou saber que você chegou aqui até o fim e vou saber que esse episódio foi importante pra você. Lembrando que os links das palestras que dou em Rio de Janeiro, Curitiba e Minas Gerais estão na descrição, assim como tá o link do nosso financiamento coletivo onde, gente,

a gente compartilha recompensas muito legais e que é uma forma também de apoiar o nosso trabalho. A gente se encontra na semana que vem, tem episódios novos todas as quartas-feiras. Um beijo nessa cara linda e até mais.

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