¶ Abertura e Sucesso da Palestra
Oi, meu nome é Natália e esse é o docentésimo octagésimo quinto episódio do Para Dar Nome às Coisas, um podcast que nasceu para ser uma mesa de bar na web. daquelas que a gente senta e sente que não estamos sós. Lugar em que a gente pode ser do nosso próprio tamanho, sem precisar esticar e nem se espremer. Como é que você está? Como é que estão as coisas para você? Como é que está o seu mundo dentro desse mundo? Como é que você está?
Eu, gente, ainda estou anestesiada pelo que foi o nosso encontro no último dia 3 de julho. Se você está chegando agora e não sabe, na semana passada, dia 3 de julho, eu dei a minha primeira palestra aberta. Eu geralmente sou contratada por empresas para dar palestras dentro de empresas. Isso significa que...
Esses eventos são sempre fechados e eu tô sempre falando com um público específico, né? Vez ou outra acontece de eu encontrar amigos de bar dentro dessas empresas, o que geralmente acontece, porque o que acontece geralmente é... Tem uma pessoa que ouve o Pra Dano Minhas Coisas, que gosta muito do que a gente faz aqui e que trabalha no RH de uma empresa.
ou trabalha em algum setor dessa empresa e quando sabe que vai ter um evento e que eles querem alguém para dar uma palestra, essa pessoa acha que eu tenho o perfil ou gostaria que outras pessoas... tivessem acesso ao Prada das Minhas Coisas, e eu sou contratada, mas aí estão sempre eventos fechados. E aí a Alma Talks me convidou pra dar essa palestra na semana passada, no dia 3 de julho, e foi a primeira palestra aberta que eu dei.
E eu fiquei, gente, tão extasiada, assim, pela possibilidade de fazer uma palestra, que eu nem gosto de falar que é uma palestra, né? a gente faz essa conversa com vocês, e eu saí da palestra, né, dessa conversa, e mandei mensagem pros meus amigos, e eles todos, e aí, como é que foi? Como é que foi? Conta mais, e tal. E aí eu gravei um áudio pra eles, dizendo, cara...
Eu não lembro de ter me divertido tanto num palco, sabe? Eu não lembrava como subir no palco podia ser tão divertido. Eu acho que ver... na plateia tantos roxinhos conhecidos, porque tem algumas pessoas que eu já me encontrei outras vezes, em outras situações, em outros eventos, em outras entrevistas, em programas, enfim.
Ver ali tantas carinhas conhecidas. E ver ali pessoas que eu não conhecia. Mas que eu sabia que estavam ali. Pelo que a gente construiu nessa mesa. Foi muito bonito. Muito bonito. Tiveram pessoas que vieram de outras cidades. pessoas que vieram do interior, teve uma moça que veio do Rio, teve outra moça que veio de Minas. Olha, gente, eu sou muito grata mesmo. Falei pra vocês, pra todas as pessoas que me abraçaram ali no final, que ficaram.
para autografar seus livros, eu disse e repito, esse nosso encontro me nutre. do mesmo jeito ou no mesmo tanto que vocês dizem que nutre vocês. Então, foi muito bonito, gente. Foi muito bonito. Agora, no dia 24 de setembro, também vai ter outra palestra no mesmo formato, só que dessa vez vai ser num teatro.
No Bibi Ferreira em São Paulo. Tá nos últimos ingressos. Eu entrei no site hoje pra ver se ainda tinha. Pra comentar com vocês. E aí tá ali escrito que são os últimos ingressos. E vai ser muito bonito igual. Tô muito feliz por poder contar com esse segundo encontro. Vai ser... Gostoso demais. Ah, e tem uma novidade, gente. Eu nem sei se eu podia contar pra vocês já, mas eu vou contar depois se me derem bronca. Eu...
Eu retiro a bronca. Eu retiro a bronca, eu me explico. Mas vai ter no Rio de Janeiro também. Vai ter no Rio de Janeiro no dia 4 de dezembro. Eu vou deixar o link na descrição. E vai ser no Teatro dos Quatro. Vou conhecer o teatro, eu não conheço. Mas é dentro do Shopping da Gávea. Enfim, aí eu vou colocar... Ah, gente, acabei de ver. O lote promocional esgotou, mas ainda tem o lote solidário, que é o ingresso mais barato. Eu vou deixar o link na descrição.
Mas é isso, e hoje eu vou falar, gente, sobre alguns aprendizados que eu tive no processo de autoconhecimento e eu acho que, de algum jeito, todo mundo vai ter alguns aprendizados e algumas armadilhas, na verdade. Deixa eu contar, eu acho que são 10.
Não, são nove. E acho que são compreensões e... Compreensões mesmo, acho que é a palavra que em algum momento acho que todo mundo vai ter. E eu espero que faça sentido pra você. Mas que se não fizer, que ao menos te faça uma boa companhia. Boa audição.
¶ Origem do Tema: A Tatuagem
Esse episódio começou esse fim de semana quando tava numa sala de espera. Não exatamente uma sala de espera clássica, mas uma sala de espera improvisada. Eu e a Mãe tínhamos ido pro interior pra visitar os pais dela que moram no interior. E ela tinha aproveitado, já que tinha sido o aniversário dela e já que a gente ia pro interior, pra marcar uma tatuagem nova com um tatuador que ela...
Acompanho ela há muitos anos, que já fez vários trabalhos nos braços dela, ela gosta muito dele. E é um profissional que eu passei a gostar também, porque ele fez uma... Uma correção numa tatuagem que eu tinha feito. Anos atrás. E que a ideia era que tivesse sido um desenho abstrato. Virou um desenho realista. Enfim, eu conto essa história no meu livro. Mas contando muito rapidamente. Eu queria fazer uma mulher criando. E era um desenho estranho.
extremamente abstrato, mandei pra um primeiro tatuador, que era o tatuador que sempre fazia as minhas tatuagens, e ele disse que não fazia, porque era um desenho muito abstrato, cheio de linhas, não ia ficar bom. Não satisfeita, mandei pra um segundo, que também disse que não dava pra fazer. Não satisfeita, mandei pra um terceiro. E também falou que não dava, Natália. Muito bonito o desenho, mas não vai rolar no braço. Vai estourar, vai ficar ruim. E aí acabei mandando pra um quarto.
tatuador, porque a gente é brasileiro e não desiste nunca. E o quarto tatuador disse que não, não. Ele disse que sim, que dava pra fazer. E aí quando eu cheguei no estúdio, ele tava fazendo um desenho que não tinha nada a ver com o que eu pedi. E no final esse desenho que não tinha nada a ver com o que eu pedi. Acabou virando um desenho muito bonito. Mas muito bonito para um quadro. Para um adesivo. Para uma estampa de colcha. E não para colocar no braço.
Mas não tive essa sacacidade na hora e acabei desenhando isso no meu braço também. Fiquei me convencendo por muito tempo que eu tinha gostado do desenho. E tinha gostado de fato, mas não pra ficar no meu braço. E aí, acabei entendendo que... Não ia acontecer um milagre pra eu gostar daquela tatuagem. Então que o melhor caminho era cobrir. E foi esse tatuador que já fez várias tatuagens pra Man.
Que acabou cobrindo e ficou perfeito. Enfim. Então é um profissional que a mãe gosta muito. Que eu passei a gostar muito também. Ele realmente é muito talentoso. E eu tava ali na sala de espera improvisada. Esperando a mãe terminar de fazer a tatuagem dela. Nesse momento, o tatuador, que se chama Regis, tinha se oferecido para me emprestar a mesa de desenho dele. Nunca tinha visto uma mesa de desenho, mas é uma mesa retangular. A dele, pelo menos, era retangular.
Ela tinha um tampo de vidro e embaixo do tampo de vidro tinham luzes que iluminam o desenho que você tá fazendo, né? Ali o esboço, enfim. E ele tinha me cedido também uma cadeira de rodinha. E aí eu peguei essa cadeira de rodinha, peguei essa mesa de desenho e apoiei. e um bloco de notas que tenha andado comigo?
E que foi presente de uma amiga de bar no lançamento do meu livro em Campinas. Ela me deu esse bloco de notas com uma mensagem. E desde então eu carrego esse bloco de notas para todos os lugares. Estava ali esperando, rabiscando algumas coisas. Quando me veio um desejo de escrever ali os principais aprendizados que eu tive e as principais armadilhas que eu caí. Quando eu me dei conta de que eu tava traçando um caminho de autoconhecimento. Quando eu me dei conta de que eu tava...
Fazendo esse percurso de mergulhar pra dentro. E que eu digo, na minha perspectiva, de que o processo de autoconhecimento é a droga mais viciante que existe. Nunca usei droga, gente. Sou muito careta. Mas mesmo não usando, digo que é a droga mais viciante que existe. Porque eu sinto um prazer mesmo fazer isso. Eu acho gostoso. E aí comecei a rabiscar ali os principais...
desafios, as principais armadilhas, os principais aprendizados. E aí quando terminei de rabiscar, com certeza tem muito mais, mas quando cansei de rabiscar, eu pensei cara, eu acho que isso aqui vale um episódio. Então... essa lista que eu queria compartilhar com vocês, pensando que talvez fosse uma lista que eu gostaria também de ler ou de ouvir, caso eu não tivesse escrito.
¶ Autoconhecimento: Não Ser Vidente
A primeira coisa que eu coloquei nessa lista é que ser sensível não é ser vidente. Ou... Estar num processo de autoconhecimento e perceber que você tá mais aberto pra você e, portanto, mais aberto pro outro, isso não te faz vidente. Eu acho que isso é muito importante de perceber. Porque às vezes essa nossa sensibilidade para se ler e para ler o outro...
Faz com que a gente confunda leitura com projeção. Leitura é quando você olha pro outro e aquilo que você vê do outro ou aquilo que você lê do comportamento do outro tá muito próximo à realidade, né? Quando você olha pra uma pessoa e você fala...
Cara, essa pessoa tá com medo. E aí depois a pessoa realmente te diz que tava com medo. Isso é leitura. Projeção é quando você tá com medo e atribui esse medo ao outro. Quando você tá com medo e diz... e diz sobre a pessoa, essa pessoa tá com medo e na verdade você tá falando de você e não do outro e eu acho que no processo de autoconhecimento como a gente vai abrindo esses canais esses canais que fazem a gente olhar mais profundamente pra gente
E esses canais que fazem a gente se perceber com mais frequência, com mais habilidade, eles ajudam a gente a ler o outro também. Quanto mais a gente tá sensível a gente, mais a gente sensível ao outro a gente tá também. Mas eu acho que é uma armadilha nisso, que é começar a achar que aquilo que você pensa sobre o outro, aquilo que você lê sobre o outro, é 100% fidedigno com a realidade. E nem sempre é.
em muitos casos não é. Ou que aquilo que você denuncia sobre o outro é aquilo que está acontecendo com o outro. Tem uma história recente que eu acho que vale a pena contar. Falei pra vocês da palestra, né? Dessa palestra que eu fiz semana passada. E meu pai foi. Meu pai é essa pessoa que sempre que ele pode, ele vai. E às vezes ele vai de surpresa, enfim. E ele foi e ele ficou na primeira fileira, assim. E durante toda a palestra, meu pai é uma pessoa...
muito expressiva, né? Então ele falava, nossa, isso é muito bom. Que é bem o jeitinho dele. Nossa, é isso mesmo, enfim. Ele tava ali o tempo todo interagindo com a palestra. E aí terminou a palestra. Ele ficou me esperando ali porque ele queria dar uma carona pra gente, pra mim, pra mãe, tal, pro vavá, tal. A gente foi embora. E aí durante todo o percurso de volta, ele tava...
mais silencioso. E meu pai é essa pessoa que fala muito, que faz muita piada, é uma pessoa muito extrovertida, muito espontânea. E aí eu cheguei em casa, fui tomar um leite com canela com a mãe pra gente ir dormir. E aí comentei com a mãe, eu falei, nossa, mãe, será que meu pai não gostou de alguma coisa? Mãe, eu vou perguntar pra ele. E ela falou, por que você tá falando isso? Eu falei, não, não sei, porque...
Eu dei a palestra e tal, e ele tava ali, mas no fim, assim, quando a gente tava indo embora, ele tava muito quieto. E eu acho que talvez ele não tenha gostado, e aí já comecei uma piração, né? Acho que talvez ele não tenha gostado, talvez porque eu disse aquilo, ou porque eu disse aquilo outro, será que ele ficou...
incomodado com alguma coisa. E aí a Amanda segurou na minha mão e falou assim, Nath, ele tá cansado. Ele fez uma viagem de 5 horas. Meu pai tava numa cidade no interior e ele fez uma viagem de 5 horas pra chegar em São Paulo pra conseguir ir na palestra. E ele falou... Ela falou, ele fez uma viagem de 5 horas, ele só tava cansado. E eu falei, meu Deus, é verdade. Ele não tava em São Paulo. Ele fez uma viagem de 5 horas, é verdade. E nessa hora eu me dei conta, assim, né, de...
Quantas vezes essa é uma armadilha possível de se cair, né? Quantas vezes a gente jura que sabe o que tá acontecendo com o outro, né? E jura que é uma leitura, né? Jura que aquilo que a gente tá vendo é aquilo que é. E na verdade é só... uma projeção, ou na verdade é só um é só uma necessidade nossa então assim, ah, eu tenho uma necessidade que meu pai goste daquilo que eu tô falando, goste daquilo que eu tô fazendo
E aí eu fico procurando no comportamento dele evidências de que ele está gostando ou não gostando. Quando ele se comporta de um jeito que me pareça uma desaprovação ou me pareça que ele não gostou, eu logo faço essa ligação. Só que aí é muito louco porque nessa... Nessa armadilha que todos nós podemos cair, a gente não atribui o comportamento do outro como uma reação natural a mil possibilidades ou mil coisas que podem acontecer na vida do outro. O cansaço, a fome, a sede.
o trânsito, o time do que o outro perdeu, o time que o outro gosta e que perdeu, a gente atribui a gente. Então é como se tivesse várias setas que pudessem ligar o comportamento do outro a várias circunstâncias, mas a gente só consegue ver aquela seta que liga ao nosso comportamento. E parece extremamente infantil isso, né? É extremamente infantil que a gente atribua tudo a gente, né? Ou extremamente egóico e é assim que é. Às vezes a gente cai realmente nesses buracos e...
O importante é se dar conta que te caiu, né? Quando a Amanda falou, Nath, ele só tava cansado. Eu falei, meu Deus, é verdade, né? Que vergonha. Que vergonha. Ele só tava cansado e... E olha com que facilidade eu atribuí todo mundo emocional do outro, né? Ou com que facilidade eu atribuí o comportamento do outro a mim e atribuí o comportamento do outro quase como num lugar de culpabilização. Mas isso aconteceu também, porque embora...
eu tenho há 38 anos, ainda tem coisas que são importantes que meu pai aprove. E é meio ridículo falar isso em voz alta, é um pouco, assim, porque a minha ideia de 38 anos é de alguém que não tenha esse desejo. Mas eu tenho, e pra mim é melhor assumir que eu tenho... pra mim é melhor assumir que isso pra mim é importante, do que fingir que não é. Então, como eu tenho esse desejo, foi quase automático ter transformado, né, esse silêncio do meu pai numa desaprovação. E aí...
Dando minhas coisas é importante por isso, né? O que me fez pensar? Ah, o que me fez pensar, na verdade, eu queria muito que ele me aprovasse. Eu queria muito que ele me achasse incrível. E ele acha. Mas no primeiro silêncio que ele fez, eu atribuí isso a mim. Enfim.
¶ Aceitando as Próprias Sombras
A segunda coisa que eu rascunhei nessa lista, meus amigos de bar, é que a gente vai se conhecer e as nossas sombras vão continuar existindo. Ninguém vai zerar esse game e isso tem tudo a ver com o item anterior, né? Por vezes eu me percebo cara chateada comigo quando eu vou pra um lugar meio infantil ou quando eu vou pra um lugar...
que eu julgo horrível, sabe? Quando eu penso uma coisa que eu falo, meu Deus, que coisa horrível que eu tô pensando, né? Quando vem aqueles pensamentos intrusivos, sabe? E que você fala, meu Deus, a capacidade que eu tenho de pensar umas coisas medonhas. Eu fico meio triste, às vezes, quando eu penso em algo horrível. Mas aí eu também me dou conta nessa hora, que aí também é mais uma lapada, de que é muito egóico.
Pensar que eu não poderia pensar coisas horríveis. Ou de que eu não deveria pensar coisas horríveis. Porque é quase como se eu estivesse dizendo. Os outros sim podem pensar coisas horríveis. Os outros sim podem ter pensamentos intrusivos péssimos. Os outros sim... sim, podem ser um pouco infantis, mas eu não. Eu? Eu não. Os outros sim, eu não. Enquanto isso é egoico no fim das contas, né? Porque por mais que...
que eu me elabore, né? Eu posso usar essa palavra por mais que eu me elabore, ou por mais que eu me conheça, ou por mais que eu caminhe, por mais que eu me aprofunde, por mais que eu me terapeutize, por mais que eu ainda vou ser muito parecida com... com as outras pessoas, que é, a gente tem pensamentos intrusivos e a gente pensa coisas horríveis às vezes, o que importa no fim das contas não é o que a gente pensa, mas o que a gente faz. O lance é decidir sempre o que a gente vai fazer com isso.
E acho que por isso também, por a gente às vezes não ter tão claro isso, que a gente pega um pouco de ranço ou que a gente vai para uns lugares de julgamento em relação a algumas emoções e sentimentos, né? Por exemplo, da inveja. Inclusive, eu fui participar de um programa chamado Engatilhadas. Muito legal o programa. E eu me diverti horrores participando desse programa. E eu falei, contei uma história em primeira pessoa, né? Contei como primeira pessoa, como eu vivendo mesmo.
Uma história com a inveja. E aí fizeram um corte dessa parte. Em que eu conto um episódio que eu senti inveja. E aí rolou, gente, uma discussão nos comentários. Inclusive no meu perfil, no meu Instagram. Arroba Nath Ops. Cara, rolou uma discussão de gente julgando a pessoa que eu enviei. Ou gente me julgando. E eu falei, gente, isso daqui é uma experiência antropológica?
Que é o quanto é mais fácil a gente apontar que o outro tem inveja e o quanto a gente tem dificuldade de assumir que a gente tem inveja às vezes e que tudo bem sentir inveja. O ponto não é... Se eximir completamente da inveja ou não. Não é eliminar a inveja. O ponto é. O que você faz com isso? Porque sentir inveja você vai sentir. E é melhor se você assumir que sente. Vai ser menos destrutivo se você assumir que sente. Vai ser menos ruim se você assumir que sente.
Mas é isso, né? Eu acho que às vezes a gente tem tanto medo de assumir pra gente que às vezes a gente sente inveja, que às vezes a gente sente ciúmes, que às vezes a gente sente... coisas que a gente não gostaria de sentir que a gente vai se apartando da gente a gente vai se apartando da gente e a gente vai perdendo a possibilidade e a chance de entender os nossos desejos porque a inveja no fim das contas é um revelador É um chá de revelação de alguns dos nossos desejos.
Quando eu invejo o outro, eu tô dizendo, em alguma medida, que aquilo que o outro faz ou é, é importante pra mim. E talvez, aquilo que o outro faz ou é, é algo que eu não me permito fazer ou ser. E aí, a inveja se... torna algo que revela pra mim aquilo que é importante pra mim, mas que de algum jeito eu tô negligenciando. Enfim. Mas é isso, assim, eu acho que no fim, o nosso medo...
É reconhecer que as nossas sombras vão continuar existindo. É reconhecer que independentemente de quantas terapias a gente faça, ou de quais são os processos de autoconhecimento que a gente entra, ou de... de quanto a gente é elaborado ou reflexivo, a gente ainda vai ter sombra e a gente ainda vai cair nos buracos que a gente vai falar, meu Deus, mas como é que eu vim parar aqui?
E a gente tropeça mesmo. E cai mesmo. Porque as sombras vão continuar existindo. Inclusive minha terapeuta sempre me lembra. Há sombra em todas as coisas. Inclusive nas coisas que a gente acha que são só boas. Há sombra em todas as coisas.
É isso, assim, ninguém vai zerar esse game, né? E esse é um buraco que vez ou outra eu caio, assim, quando às vezes eu tenho uns pensamentos bem horríveis, assim, eu penso, nossa, Natália, mas por que você tá pensando isso? E aí, é esse exercício de pensar eu assim como todo mundo.
Eu assim como o resto da população. O que me diferencia talvez, e o que te diferencia muito provavelmente também, é o que a gente faz com isso. Acho que essa é a grande confusão. A gente acha que pensar e agir são a mesma coisa e não são. A gente pode pensar coisas horríveis, mas não agir a partir delas. E aí tá a nossa decisão, aí tá a nossa escolha e aí tá o nosso diferencial.
¶ Crescer Pressupõe Contradição
A terceira coisa que eu rascunhei nessa lista é que crescer pressupõe ser contraditório. Porque não dá pra aprender ou crescer sem questionar as nossas certezas. Sem questionar algo que em algum momento foi inquestionável. E essa dói pra mim, hein? Nossa senhora, essa dói. Eu lembro que por muito tempo, gente, a ideia de contradição, ela era pra mim assim...
Uma coisa que era aquela visita que eu não deixava entrar, sabe? Quando chegava a possibilidade de contradição, eu realmente tancava a porta. Eu não conseguia conceber a ideia de ser contraditória. Eu não suportava isso. Era realmente difícil pra mim. E aí uma vez eu ouvi um episódio do Pós-Jovem...
com uma psicóloga ou uma psicanalista, eu vou deixar... Vou até anotar aqui pra mim, pra eu deixar na descrição. E aí ela dizia que a contradição faz parte da nossa identidade, porque não tem como não ser contraditório. E aí isso começou a abrir uma fresta. Nessa minha dificuldade de aceitar a contradição. E aí eu comecei a aceitar que...
Que é isso, né? Que esse desejo por ser coerente é como querer vestir sempre as mesmas roupas da adolescência. Porque se na adolescência eu gostava de... sei lá, saia de babado rosa que era uma saia que eu gostava muito na adolescência então se quando eu tinha 15 anos eu disse que essa era a minha roupa preferida então aos 38 eu tenho que continuar dizendo que essa era a minha roupa preferida pra ser coerente com roupa
isso parece sem sentido. Com roupa, isso parece ridículo. Mas às vezes a gente faz isso com outras coisas. Às vezes a gente usa essa mesma lógica pra outras coisas, né? Porque a gente... com 20 de se que tinha uma certeza, parece que aos 38 você tem que continuar tendo a mesma certeza. Muitas vezes é pra gente mesmo que a gente é coerente. A coerência, ela traz essa sensação de...
de segurança psicológica e quase esse reforço da identidade, né? Então, assim, eu continuo sendo quem eu sou. Acho que é um pouco disso que a coerência traz. Ah, não, eu era uma coisa e eu continuo sendo quem eu sou. Acontece que a gente não é o mesmo nunca, né? A gente tá sempre mudando, a gente tá se transformando. Então, crescer pressupõe ser contraditório. A gente vai ter que se contradizer, não vai ter jeito.
É isso, né? Essa coisa do exemplo da adolescência, né? É como se a gente estivesse dizendo o nosso corpo mudou, os nossos gostos mudaram, nossa perspectiva sobre as coisas se transformaram. Não tem como usar as mesmas coisas. Não vai dar. Alguma coisa vai ter que mudar junto. Até pra caber a gente. Alguma coisa vai ter que mudar junto pra que a gente possa caber. Tem um episódio muito antigo do Pra Dona Minhas Coisas que eu falo sobre mudança.
Eu uso essa imagem da nossa cama da infância, né? Porque na minha infância eu tinha uma cama que ela tinha uma cabeceira. Acho que é cabeceira o nome, né? Aquela parte de trás da cama. cabeceira que chama, ela era de ferro rosa e ela tinha uns... era um ferro rosa que ele era todo em curvas, assim, ele tinha um movimento, eu amava aquela cama, mas em algum momento aquela cama começou a ficar muito pequena pra mim.
E ela começou a ficar dura pra mim, porque o peso do colchão, o colchão ele não suportava mais o peso do meu corpo, que foi crescendo. E aí eu precisei mudar de cama. E foi duro pra mim, porque aquela cama não era só uma cama. Ela representava estabilidade, ela representava segurança, ela representava uma imagem conhecida. E mudar de cama...
Era aceitar que eu tinha crescido, era aceitar que agora aquilo que me fazia sentido, que me dava segurança antes, agora não era mais capaz de oferecer isso, né? E eu acho que às vezes a gente resiste à incoerência, porque a gente resiste... Existe a ideia de que as coisas que a gente vive nos transformam também, que a gente muda e que não vai dar para ser sempre o mesmo. Algo da nossa essência se preserva.
Algo de quem eu fui aos 10, aos 15, aos 25, aos 35, se preserva porque diz respeito à minha essência, diz respeito ao mais íntimo do que eu sou. Mas o que tá em volta disso se transforma, porque as experiências que eu vivi me transformaram, as relações que eu vivi me transformaram, enfim. Então, por vezes, a coisa mais coerente... O que a gente pode fazer é aceitar a incoerência, né? É ser incoerente. Porque não dá mesmo pra crescer sem ser contraditório.
A coerência tem a ver com o senso de identidade, né? Como se só existisse um jeito de ser a gente. Mas não, mesmo sem a gente perceber... A gente mudou muito. Basta olhar pras coisas que a gente amava antes e não fazem o menor sentido mais agora. Eu, de fato, tenho uma coisa com coerência. Se eu bobei, eu tô lá de novo querendo essa coerência. Eu me cobro muito isso.
Mas a real é que na maioria das vezes a única coerência que é possível é ser leal com quem a gente é hoje. É incoerente também, né? Tava pensando nisso esse fim de semana quando tava escrevendo. Não tem coisa mais incoerente. do que tentar ser leal a quem a gente foi e não ao que a gente é agora. Isso é incoerência. Às vezes nessa tentativa de parecer linear ou de se sentir linear,
É que a gente é incoerente. A única coerência possível é ser leal a quem a gente é hoje. O que foi, foi. Quem a gente foi, foi. E quem a gente foi deu lugar para o que a gente é hoje. Então, tem que ser coerente com o que a gente é hoje.
¶ O Luto de Decepcionar Pessoas
A quarta coisa que eu coloquei é que você e eu vamos decepcionar pessoas que se identificavam com a nossa versão antiga e isso vai doer. Mas o processo de autoconhecimento tem muitos lutos. Eu acho que isso é muito comum pra quem... Acho que tem gente que se dá conta disso com mais facilidade em tempo real e tem gente que só se dá conta disso depois de um tempo. Às vezes as duas coisas acontecem numa mesma história. Na mesma vida. Mas é isso. O autoconhecimento faz com que a gente...
se transforme, que a gente deixe de ocupar espaços que antes a gente ocupava ou que a gente pare de se preocupar de servir algumas lógicas e algumas pessoas. E isso faz, muitas vezes, com que hajam rupturas. com que hajam términos, com que relações quebrem, relações terminem. E aí vem os processos de luto do processo de autoconhecimento. Eu acho que o processo de autoconhecimento, muitas vezes, ele é solitário também, porque...
Tem trafecias e tem caminhos que a gente só pode fazer sozinho, ou que a gente precisa fazer sozinho. Eu acho que tem processos e momentos que a gente precisa se retrair pra viver a transformação, quase como essa metáfora da borboleta, né? Do casulo. Eu acho que às vezes a gente sente essa necessidade de se retrair e de ficar mais...
mas sozinho mesmo, pra entender alguns processos, pra entender alguns caminhos, pra entender o que tá acontecendo, e depois a gente vai pro mundo, né? Acho que esse processo de se retrair... ele antecede processos de grandes mudanças, ele antecede momentos de grandes transformações. Não é uma regra, mas eu percebo isso muito em mim e percebo isso muito em outras pessoas. E quando a gente vai pro mundo, né, e quando a gente...
Se transforma, por vezes, algumas coisas que faziam sentido antes não fazem mais e isso acaba impactando nas relações, não porque a gente quer que impacte. Mas porque tinham coisas que ficaram no passado que eram espécies de gancho, sabe? Tinham comportamentos nossos que eram os ganchos que nos prendiam a outras pessoas. E aí quando a gente muda esse comportamento, esse gancho desaparece.
E aí pessoas que estavam com a gente ali e que se sentiam atraídas por esse encontro, não se sentem mais. E isso é um processo natural que acontece. Mas não deixa de ser dolorido quando você percebe que... Algo que mantinha você junto com aquela outra pessoa. E que não necessariamente é ruim. Porque às vezes o que nos mantinha perto de... O que mantinha outras pessoas perto da gente. Eram coisas ruins.
Mas não precisa ser necessariamente ruim. Às vezes era uma coisa boa. Às vezes, sei lá, o que mantinha você perto de uma outra pessoa é porque vocês tinham um gosto incomum. E aí você se transforma e aquele negócio não faz mais sentido pra você. E aí você percebe que a única coisa que mantinha você próximo àquela outra pessoa era esse gosto em comum. E que uma vez que esse gosto desaparece, essa relação perde a força.
Mas é isso, assim, eu acho que o processo de autoconhecimento ele traz mesmo muitos lutos, mas são lutos que eu acho que ficam um pouco mais leves quando a gente entende que não dava pra ser de outro jeito. Não dá pra conter uma transformação que precisa ser, que precisa nascer. Não dá pra... adiar uma mudança que precisa acontecer. Então, é do fluxo natural mesmo da vida. Tem uma frase da Monja Coen, que não é exatamente isso, eu vou parafrasear, que não é exatamente assim que ela fala.
Mas ela diz que como se você estivesse subindo uma montanha e aí as pessoas que começaram a subir a montanha com você não necessariamente vão ser as mesmas pessoas que vão terminar essa montanha com você. Que vai ter momentos nessa montanha que essas primeiras pessoas que acompanharam você até o meio da montanha, vão fazer um outro caminho e aí você continua essa travessia com outras pessoas.
E não tem culpados nisso. Não tem culpados. Porque ao mesmo tempo que a gente tá vivendo essas transformações, as outras pessoas também tão vivendo. E às vezes é a transformação que o outro fez que deixou pra trás esse gancho que nos prendia.
Mas é o processo natural da vida. Nem todo mundo começa com a gente, termina com a gente. E por isso que o processo de autoconhecimento também... E eu acho também, acho que isso é importante dizer, eu acho que não é o processo de autoconhecimento que elimina esses ganchos.
Eu acho que é o processo de autoconhecimento que faz a gente perceber que esses ganchos ficaram no passado. Porque se conhecendo ou não, essas transformações vão acontecer. Mas quando a gente está consciente, a gente percebe o que aconteceu. aconteceria de qualquer jeito, mas quando a gente tá consciente, a gente percebe o que aconteceu. E acho que quanto mais consciente a gente tá também, maior a chance da gente poder elaborar isso como uma coisa natural da vida, né? Entender que, pô...
Puts, que dor. Mas é isso, aconteceu, faz parte. Acho que tem algumas relações que se sustentam por fases mesmo. E vão ter relações também, né? Que apesar das mudanças que você vive, apesar das mudanças que o outro vive, essa relação sobrevive. Isso também é muito bonito de perceber.
Tem coisas que parece que mesmo quando os ganchos que nos mantinham vinculados àquela outra pessoa desaparecem, parece que a gente consegue criar novos ganchos. Parece às vezes até que a diferença consegue ser esse gancho, né? Pô, eu aprendo muito com outro, outro é muito diferente.
De mim hoje. Mas eu consigo aprender com esse outro. Esse outro consegue aprender comigo. E a gente consegue se vincular ainda. A gente consegue se reencontrar ainda. Talvez não é nem claro para mim. Por que a gente está vinculado. Mas há um vinculo. E pronto.
mas é isso, tem algumas relações que não tem algumas relações que são só por fases e é um luto e é preciso atravessar esse luto também viver esse luto também A quinta coisa que eu coloquei nessa lista é que nomear não é o mesmo que racionalizar.
¶ Nomear Sentimentos e Errar
Eu vejo essa discussão muito frequente ultimamente de como se nomear os sentimentos e emoções fosse o mesmo que racionalizar. E não é. Racionalizar é dizer isso acontece por causa disso, porque tem... uma coisa no meu cérebro que faz isso e não sei o que e tal, e x, y, z isso é racionalizar
É encontrar uma razão lógica para aquilo que está acontecendo. Nomear é dizer, eu estou com medo. Por isso que eu acho que nomear continua sendo tão importante. Porque quando eu nomeio, eu sei pelo menos o que está acontecendo comigo. Eu posso não saber o possível. Por que está acontecendo comigo, mas eu sei o que está acontecendo comigo. E quando eu sei o que está acontecendo comigo, isso me ajuda a caminhar.
Assista coisa, você vai errar em público uma hora ou outra. Eu cheguei nessa percepção, nesse aprendizado no processo de autoconhecimento e num primeiro momento parece que eu tô falando sobre ser uma pessoa pública ou... ter um trabalho que envolve dar palestras ou que envolve dar entrevistas, mas não. O que eu tô querendo dizer é que eu acho que o processo de autoconhecimento é, antes de tudo, Um processo de reaprender a colocar sua voz no mundo. E colocar sua voz no mundo...
o que eu tô querendo dizer com o mundo, não é esse mundo grande, mas é o seu mundo dentro desse mundo mesmo, sabe? É reaprender a colocar a sua voz nas relações, é reaprender a colocar a sua voz em coisas que são importantes pra você, é reaprender a dizer eu gosto disso, eu gosto disso, eu não gosto disso, ou eu quero isso, ou eu não quero isso, eu quero ir, ou eu não quero ir. E eu acho que quando a gente vem de um caminho que a gente diz muito...
Muito não pra gente, muito sim pro outro. Reaprender dizer sim pra gente e não pro outro. É um processo que a gente aprende fazendo. Eu já contei essa história muitas e muitas vezes. Mas alguns anos atrás. Acho que uns 5 anos. Foi bem no comecinho do Prodando Minhas Coisas.
Eu tava num processo, num caminho de reaprender a dizer sim pra mim e não pro outro, né? Porque geralmente eu fazia o contrário, dizia não pra mim e sim pro outro. E eu lembro de ficar muito sequestrada, assim, muito impressionada quando eu dizia... sim pra mim e não pro outro, eu ficava com muito medo de ter sido grossa. Às vezes a pessoa me falava, Nath, você quer ir em tal lugar? E eu falava, putz, hoje não. E aí depois eu ficava, meu Deus, será que eu fui grossa?
E na verdade, era um aprendizado mesmo. Eu tava aprendendo a fazer isso. Como eu nunca fazia isso, tudo me parecia muito agressivo. Porque eu nunca fazia isso. Então tudo me parecia exagerado. Tudo me parecia a mais, assim. E foi um processo de aprender. E aí quando eu comecei a ficar segura com isso, quando eu comecei a dizer, ah, então tudo bem, então tudo bem, consigo fazer isso, eu consigo dizer.
sim pra mim, não pro outro. Por vezes eu fui grosseira mesmo. Por vezes eu fui. E aí eu lembro de me martirizar muito, assim, de ficar muito chateado comigo. Nossa, não precisava ter sido grossa, não precisava ter sido grossa. E aí lembro também de chegar a esse lugar. Quando você tá... aprendendo sobre si, quando você está fazendo algo novo para você, em algum momento você vai errar em público.
Mas isso não acontece só com você. Acontece com todo mundo. Não vai dar pra não errar em público na maioria das vezes. Porque a gente vive em sociedade. Quando a gente pensa, por exemplo, numa criança andando. Ou andando mesmo. Ou andando de bicicleta. Quando a gente tá aprendendo a andar de bicicleta.
Quando a gente tá aprendendo a andar mesmo. Isso é um processo muito natural. A gente erra em público. Porque a gente vive em sociedade. Porque a gente também precisa do outro. Nos dizendo até que você pode. Até que você não pode. Ou porque a gente precisa dizer pro outro que a gente não quer ir. E... Ah, você quer ir nessa festa? Não, não quero. E aí você tá dizendo pro outro. E aí, vez ou outra, a gente vai errar em público. Não tem muito como fugir disso. Mas...
Isso é um aprendizado, né? Vai ter que ser com o outro que a gente vai aprender mesmo. Assim como foi com a gente que o outro aprendeu e faz parte.
¶ Significado Pessoal para o Sofrimento
A oitava coisa é que o sofrimento existe para todo mundo e o sofrimento não é bom, mas se a gente consegue dar um significado para ele, que é um significado pessoal e intransferível, talvez seja mais fácil atravessar o sofrimento. Isso, gente, foi uma coisa que eu aprendi com a minha própria vida. Que eu fiz de forma muito intuitiva. E acho que aprendi com a minha família também. Minha família é essa família. Que tem uma tendência a dar um sentido. Pro sofrimento. Pra que...
Pra que o sofrimento pareça... Sofrimento não seja só sofrimento. Pra que a gente consiga atravessar. E aí eu comecei a acompanhar essa discussão sobre romantizar o sofrimento. E eu acho que eu deixei essa ideia entrar em mim. E bagunçar um pouco. os meus próprios sentidos, as minhas próprias compreensões sobre isso. E hoje eu entendo que romantizar o sofrimento é diferente de encontrar um sentido para o sofrimento.
É diferente de encontrar um sentido pessoal para o sofrimento. Eu acho que romantizar o sofrimento é dizer que a gente só aprende com a dor, que o sofrimento é bom porque ele nos dignifica. Romantizar o sofrimento é dizer que... O sofrimento é aquilo que nos faz aprender coisas que a gente não aprenderia sem o sofrimento. E esse tipo de compreensão é uma coisa que eu discordo completamente. Eu acho que a gente veio pro mundo pra ser feliz.
A gente não precisaria do sofrimento pra aprender nada. Nós somos inteligentes e acho que a gente é capaz de aprender sim de outras formas. Não acredito que Deus é uma pessoa ruim ou um ser ruim que manda sofrimento pra gente. aprender as coisas, mas acho, sim, que quando o sofrimento acontece, quando a dor acontece, quando aquilo que a gente tá sentindo é muito maior do que a gente acredita que pode suportar, quando a gente tá vivendo isso.
E a gente encontra um sentido pra isso. E a gente encontra algo que nos ajude e nos ancore. Isso faz sim com que a gente atravesse. Eu acho que dá um sentido pro sofrimento que a pessoal é intransferível. E aí pode ser. Aí você é contraditória. Pode ser aprender algo, pode ser sair mais forte, pode ser ver coisas que a gente não seria capaz antes. Isso nos ajuda a atravessar.
Quando a gente dá um sentido pro sofrimento, a gente é capaz de atravessar. E acho que toda vez que eu me apartei dessa ideia, por não querer romantizar o sofrimento e blá blá blá... eu me apartei da minha força também. Isso foi uma coisa que eu fiz às pazes, assim, ai...
Tem gente que vai falar que eu tô romantizando o sofrimento, tem gente que vai falar que, enfim, e aí o que eu tenho a dizer é isso, assim, eu não concordo com a ideia da romantização do sofrimento, mas acredito sim, acredito, que quando a gente dá um sentido praquilo que a gente viveu, quando a gente
encontra um propósito naquilo que a gente viveu que é pessoal e intransferível, isso nos ajuda a caminhar, é o que eu acredito e é o que eu percebo na minha própria história e na minha própria vida, sabe? Eu acho que isso não quer dizer que eu goste. E nem que eu estimule. E nem que eu torça para que o sofrimento aconteça. Óbvio e evidente que não. Mas uma vez que ele acontece. E ele vai acontecer na vida de todos nós. Ele acontece na vida de todos nós.
Eu acho que quando a gente dá um sentido pra ele, a gente consegue atravessar. A oitava coisa, meus amigos.
¶ O Que Se Julga no Outro
É a percepção de que o que a gente julga na gente, a gente vai repelir no outro. O que a gente não autoriza na gente, a gente vai apontar no outro. E libertar o outro pra ser... Aquilo que ele é, é libertar a gente pra ser o que a gente é também. Eu acho que isso não é uma regra. Eu acho que tem coisas que a gente repele. sei lá, tem uma coisa que é muito clássica tem coisas que a gente olha e que a gente repele porque elas são criminosas porque elas são, enfim
Você não precisa fazer um processo de autoconhecimento para entender porque você está repelindo algo que é criminoso, que é preconceito, que é discriminação. Enfim, isso é o que é e ponto. Mas quando eu estava falando, por exemplo, da inveja, às vezes a gente está repelindo no outro ou a gente está apontando no outro algo que, na verdade, é um desejo reprimido em nós. É uma dificuldade que a gente não consegue enxergar em nós.
Às vezes a gente tá apontando no outro uma liberdade, o que a gente chama de liberdade, né? A gente tá apontando no outro um comportamento completamente livre e a gente tá julgando, nossa, que pessoa irresponsável, quando na verdade... Aquele comportamento do outro pega em mim porque aquele outro tem coragem de fazer uma coisa que eu não tenho. E que eu não consigo assumir que eu não faço porque eu não tenho coragem.
E aí é isso, assim. Aí é o passo que a gente consegue entender que é isso que tá acontecendo, né? Que é isso que tá rolando. A gente consegue aprender sobre a gente também. Por isso que eu gosto tanto de falar sobre inveja. Tô falando aqui de novo. Porque eu acho que a inveja é esse portal. Cara, eu tô com muita inveja. A gente não chega elaborado assim, né? Mas tô com raiva da forma com que aquele outro age no trabalho. Sei lá. Tô com inveja disso.
É, tô com raiva disso. E aí, tô com raiva por quê? Tô com raiva porque... Por que eu tô com raiva dessa pessoa que tá fazendo uma parada, que não interfere em mim? Esse outro é de outro ser... de outro setor, esse outro faz uma coisa que não me afeta diretamente, mas tô com raiva dele. Por que eu tô com raiva? Tô com raiva no fim das contas, porque o comportamento que o outro tá fazendo é um espelho sobre o meu próprio comportamento. Eu jamais teria coragem de fazer aquilo. Então...
O que o outro faz reflete pra mim aquilo que eu não tenho coragem de fazer. Então o que me incomoda no outro é a liberdade dele. E aí eu acho que tem uma armadilha muito comum que é ah, mas o outro é irresponsável. Eu não tô com inveja porque ele é irresponsável Será que não mesmo? Será que você não Que na verdade o que Você não tá julgando Será que isso não tá te sequestrando tanto?
mesmo não tendo nada a ver com você, porque no fim das contas o comportamento do outro diz sobre você, porque se essa coisa aí que o outro tá fazendo não tem nada a ver com você, não te prejudica em nada, não te impacta em nada, por que que tá te sequestrando tanto? Então... É isso, né? O que a gente julga no outro, muitas vezes, são coisas que a gente não autoriza na gente. Aí é importante olhar, porque aí vira um grande portal de autoconhecimento.
¶ A Humanidade e Nossas Sombras
A nona é que talvez eu e você precisamos voltar mais vezes nessa lista pra gente lembrar que é humano e tá tudo bem. Às vezes a gente vai ter pensamentos, comportamentos que são completamente infantis e... e que você fala, porra, devia já ter elaborado devia já ter compreendido mas é isso, como eu disse, ninguém vai zerar esse game, todo mundo vai chegar até o fim com as próprias sombras
O que muda e o que nos diferencia, no fim das contas, o que diferencia uma pessoa da outra, é o que a gente faz a partir disso. Aquilo que a gente sente é aquilo que a gente sente. Mas aquilo que a gente faz é sempre uma escolha. Sempre pode ser uma escolha. E aí eu posso sentir coisas completamente contraditórias e estranhas, mas como o que eu faço a partir disso é o que me diferencia ou é o que pode me diferenciar.
É isso, gente. Espero que tenha feito sentido pra você. Espero que tenha te feito uma boa companhia. Talvez minha voz tenha saído um pouco rouca, mas é porque eu acabei de acordar. Era o horário que eu ia conseguir gravar. E é isso. Espero que tenha feito sentido pra vocês. Espero que tenha te feito uma boa companhia. você gostou, se fez sentido pra você.
e você quiser conseguir compartilhar esse episódio nas suas redes sociais, porque isso nos ajuda a chegar mais longe. Mas se quiser contar aqui nos comentários também o que você achou desse episódio, eu vou amar saber. A gente se encontra na semana que vem. Tem episódios novos todas as quartas-feiras. tá, é isso então, um beijo e até mais
