¶ Intro / Opening
Oi, meu nome é Natália e esse é o do centésimo, septuagésimo, nono episódio do Para Dar o Nome às Coisas. Um podcast que nasceu para ser uma mesa de bar na web.
¶ Introdução e a Importância da Pausa
daquelas que a gente senta e sente que não estamos sós. Um lugar em que a gente pode ser do nosso próprio tamanho, sem precisar esticar e nem se espremer. Como é que você está? Como é que estão as coisas para você? Como é que está o seu mundo dentro desse mundo? Como é que você está? Eita, que saudade, gente, que eu estava. Fiquei uma semana sem gravar.
Porque tinha ido pra Pernambuco fazer uma viagem a trabalho como jornalista. Cheguei a levar gravador, cheguei a levar tudo. Quer dizer, levei só gravador e pilha, né? até fiz uma gambiarra pra conseguir gravar o episódio da semana, mas não consegui, gente. Quando sentei pra gravar, meu cérebro tava derretido, e ainda insisti, tentei gravar umas três vezes, e aí teve uma hora que eu levantei.
repetindo para mim uma frase que para mim virou um mantra. Não sei de quem é essa frase, não sei quem é a autoria dessa frase, se você souber me fala, mas é uma frase que diz pratique o que você prega. E aí levantei da cama dizendo isso, Natália, pratique o que você prega.
Você fala tanto sobre descanso, você fala tanto sobre pausa, você fala tanto que, esse é o nome, né, de um episódio do Pra Dar Nome As Coisas, que as pausas sustentam os caminhos. Então, pratica o que você prega. E aí, levantei muito a contragosto. por não ter conseguido gravar, mas realmente eu não tinha condições de vir, gente. Tava uma loucura. Tinha acabado de viver a intensidade...
A alegria, a emoção que foi também o lançamento de Campinas. Que foi lindo, gente. Foi muito lindo. Queria até aproveitar esse momento pra agradecer a todo mundo que foi. tanto de Campinas, quanto as cidades vizinhas, foi muito emocionante pra mim, foi muito especial mesmo. Tava vindo de uma batida, assim, de muitas coisas, e naquele momento minha cabeça desligou. E eu decidi por me respeitar porque é o que eu prego. E tem horas que a gente precisa praticar de fato o que a gente prega.
e aí não consegui mesmo gravar. Então, essa semana, só os ouvintes que apoiam a gente no Apoia-se, que apoiam o podcast no Apoia-se, que apoiam a nossa mesa de bar no Apoia-se, tiveram um episódio exclusivo do mês. Porque eu já tinha gravado. E foi um episódio muito especial. Falei sobre a sensação de se sentir perdida. E a frase do episódio é. Talvez você não esteja perdida. Você só dobrou de tamanho.
E foi uma experiência que eu tinha vivido muito bonita e essa foi a frase que guiou o episódio exclusivo. Inclusive, se você quiser apoiar a nossa mesa de bar, o link tá na descrição. E a carta exclusiva também foi muito bonita. Falei de um processo de... De angústia que eu vivi em relação a uma crítica. E de toda a elaboração que eu fiz. E que me levou para um lugar muito bonito. E aí foi sobre isso a carta também. Mas é isso, gente. Como a gente às vezes precisa, né?
¶ A Paralisia do Espaço em Branco
como a gente às vezes precisa não, como a gente sempre precisa, mas nem sempre a gente consegue praticar o que a gente prega, mas o que importa é que eu tô aqui de volta e tava com saudade. E hoje, meus amigos de bar, vou trazer uma experiência que eu vivi.
nessa semana que não vim pra mesa de bar, mas que foram alguns acontecimentos que foram se conectando e que me fizeram pensar sobre a sensação de paralisia. Sabe quando você se sente... paralisado quando você, de repente, sente que precisa tomar uma decisão ou... De repente você está vivendo e um espaço em branco se inaugura na sua agenda e você não sabe muito bem o que fazer com isso. Eu vivi isso recentemente, nessa última semana.
E o caminho que eu fiz para me libertar dessa paralisia é o assunto do episódio de hoje. Então eu espero que faça sentido para você, mas que se não fizer, que ao menos te faça uma boa companhia. Boa audição. Esse episódio começou no café da manhã de um hotel de Recife. Como eu disse para vocês, eu estava em Pernambuco, numa viagem a trabalho.
Era o quarto dia de viagem e o plano para aquele dia tinha mudado no dia anterior. A ideia é que eu acordasse naquela quarta-feira, tomasse um café rápido e fosse direto para encontrar uma das entrevistadas. Mas no dia anterior, ela me disse que tinha tido um imprevisto no trabalho e perguntou se a gente podia mudar o nosso encontro para mais tarde. Eu disse que, claro, estava disponível para ela.
E naquele momento, então, um buraco se abriu na minha agenda. O que tinha um planejamento, o que tinha uma rota prevista, o que tinha uma previsibilidade, no fim, virou ali um espaço em branco. Então eu cheguei no café da manhã desse hotel, fiquei procurando ali quais eram as mesas que tinham uma fresta de sol. O espaço onde acontecia o café da manhã no hotel, ele tinha uma parede de vidro.
Ele era todo fechado em paredes de concreto, mas a parede de uma das laterais do espaço era de vidro, então o sol conseguia entrar. e algumas mesas ficavam ali com frestas de sol. Então eu sempre procurava essa mesa com frestas de sol, e naquele dia não foi diferente. Procurei essa mesa, coloquei o meu Kindle, o meu celular, e fui me servir ali do café da manhã.
Quando eu tava ali já com o meu cafezinho preto, o meu cuscuz 40, que eu aprendi em Pernambuco, que é um outro tipo de... Acho que é uma outra forma de fazer o cuscuz, né? Sentei ali na mesa e me dei conta do que tinha acontecido. De repente, aquela manhã que já estava toda programada, que já tinha tudo previsto, tinha virado um buraco enorme. Um espaço vazio onde eu podia fazer qualquer coisa.
Mas em vez, meus amigos de bar, de ficar animadíssima com essa possibilidade, eu senti, vou confessar pra vocês, um frio na espinha. Porque de repente... eu senti a responsabilidade de fazer algo bom com aquele tempo, de fazer algo certo com aquele tempo, de construir algo bom com aquelas horas mesmo.
E essa pressão que eu mesma me coloquei fez com que minha cabeça desse tela azul. Sabe quando o computador trava e você não consegue nem ir pra frente nem pra trás, você não consegue, enfim, fazer nada no computador? Foi isso que aconteceu.
¶ A Angústia das Mil Ruas
Na hora, quando eu tava com essa tela azul, eu lembrei de uma analogia que uma conhecida minha anos atrás fez. A gente tinha se encontrado num... num café e ela tava me contando que ela tava um tempão trabalhando numa empresa e já não tava feliz há muito tempo nessa empresa, já fazia muitos anos que ela não tava feliz.
E então a maior parte do tempo ela ficava se imaginando em situações em que ela não estava naquela empresa. Ela ficava a maior parte do tempo fantasiando o que ela faria se ela não tivesse que ir para aquele emprego. Até que um dia, a diretora dela chamou ela na sala e disse que a empresa ia precisar fazer um grande corte, eles iam ter que cortar 20% dos funcionários.
E como aquela era uma decisão muito difícil para a empresa, porque a maior parte dos funcionários eram funcionários antigos, eles estavam chamando ali, cada gestor estava olhando para a sua própria equipe.
vendo ali se tinham pessoas que já tinham dado indício de que queriam sair, estavam chamando essas pessoas pra conversa e perguntando, vai ter um grande corte, a gente vai fazer uma lista de pessoas que... desejam sair, mas em vez de demitir essas pessoas e demiti-las sem alguns direitos, a gente vai colocar essa...
esses nomes, né, nessa lista de demissão voluntária, e aí vocês vão ser demitidos com todos os direitos, e eu tenho percebido que você já não tá muito feliz nisso, eu queria saber, você quer participar dessa lista?
E essa conhecida disse que sim, que era tudo que ela queria, porque na verdade ela não queria mais estar na empresa, mas também não queria pedir demissão pelo risco de perder todos os direitos. Então essa era uma oportunidade incrível pra ela e ela disse que sim. Acontece que um mês depois...
Ela se viu exatamente no cenário que ela sempre fantasiou, que ela sempre desejou. Então ela estava ali sentada no sofá de casa, com o cachorro dela ao lado, com o tempo disponível para fazer o que ela quisesse. com dinheiro suficiente pra ela fazer bastante coisa, mas no lugar de sentir alegria, ela descreveu o estado emocional dela assim. É como se eu estivesse diante de uma rua e dessa rua saíssem mil novas ruas.
Eu posso ir para a rua A, mas eu também posso ir para a rua B, assim como posso ir para a rua C, assim como posso ir para a rua D, assim como posso ir para a rua E ou para a rua F. Todas essas ruas são possibilidades. Todas essas ruas são caminhos que se apresentam para mim nesse momento. Só que eu simplesmente não consigo decidir o que fazer. Eu não sei qual é a rua certa.
E por não saber qual é a rua certa, por várias vezes eu me imagino batendo na porta da empresa e pedindo esse emprego de volta. Porque assim eu me livraria da angústia de ter que decidir o que fazer com esse tempo.
¶ O Peso da Escolha "Certa"
Cenários e momentos e importâncias diferentes, claro. Eu e essa conhecida estávamos experimentando talvez a mesma coisa, que é a paralisia causada. Pela cobrança de fazer o que parece certo o bastante. Isso foi uma coisa que muito me chamou a atenção na época. E por isso que eu acho que me ficou por tantos anos. É que é isso, né? Isso que ela falou, isso apareceu na fala dela, né? Eu não sei qual que é a decisão certa.
Eu não sei o que é o certo a fazer. E ali, muitos anos depois, então, eu tô ali no hotel em Recife, tomando café, diante daquele buraco na agenda, e eu tô com a mesma angústia. O que me parece certo fazer? O que é o certo o bastante para fazer com esse tempo livre, para fazer com esse espaço na agenda? Diante de um espaço inesperado que tinha se aberto na nossa vida, na nossa agenda, no nosso dia, nós duas estávamos nos perguntando como é que eu uso esse tempo da forma mais certa possível.
Só que acontece, meus amigos de bar, que o problema dessa pergunta é que ela traz muito peso pra algo que não deveria ter esse peso. Quando eu me pergunto o que é certo a fazer, eu tô dizendo que existe uma resposta certa. E isso faz com que, automaticamente, todas as outras respostas nos pareçam erradas. E claro que isso aciona em nós uma atenção, uma vigilância e um medo de escolher. E uma vez...
tendo escolhido, isso nos aciona o medo de ter escolhido errado. Quando eu decido que há uma resposta certa, eu estou dizendo que há um único caminho. e que todos os outros caminhos são desvio que todos os outros caminhos são errados e aí claro que eu preciso decidir muito certo porque se eu não decidir muito certo eu vou ter decidido errado e aí acho que o problema disso é que em vez de
eu me comprometer com a experiência, eu me comprometo com o resultado. E aí aquilo que inicialmente era pra ser bom na história dessa minha conhecida, isso acho que é muito claro, né? Aquilo que Aquele tempo que ela queria. Aquele tempo fora daquela empresa que ela tanto sonhava. Aquilo que inicialmente era pra ser bom. Vira algo duro, chato, difícil e completamente esvaziado de sentido. Vira algo que é indesejado, né? Vira algo angustiante, vira algo frustrante. Porque...
Em vez do compromisso com a experiência, em vez de ser... Vamos descobrir então o que eu vou fazer com isso. Vamos descobrir então o que a gente pode construir nesse espaço. Vira uma obrigação de decidir certo. Vira uma obrigação de escolher certo. E aí em vez... do compromisso com a experiência, vira o compromisso com o resultado. E o resultado também não é algo que a gente controla. Também não é algo que a gente garante. Aquilo que era pra ser libertação, vira culpa. Vira produção de culpa.
¶ Inspiração Inesperada e Reinvenção
Mas aí, meus amigos, isso só vira um episódio. Porque por uma coincidência muito bonita do destino. E aí eu nem me surpreendo mais com a vida, porque eu acho que a vida é isso mesmo, é magia pura. Enquanto eu tava pensando sobre isso tudo, enquanto eu tava pensando sobre essa história com essa minha conhecida, enquanto eu tava pensando nesse tempo que se inaugurou na minha agenda, se abriu na minha agenda, e meu Deus...
Deus, o que eu faço com isso agora? Eu... angustiada ali, né, de qual que é a decisão certa, né, como que eu decido o mais certo possível sobre esse tempo livre, eu decidi abrir o meu Kindle pra ler um livro, naquele momento eu tava lendo o livro Sintomas, da Marcela Ceribelli, que foi, é uma estranha
super recente, o livro tá lindo. Enfim, tava lendo ali o livro, super engajada com o livro. Falei, vou ler um pouco pra me distanciar um pouco disso. Pra me distanciar um pouco desses pensamentos todos e daqui a pouco eu decido que eu faço. E aí quando fui pra página seguinte, por uma coincidência do destino, a página seguinte trazia uma história que me fez...
Pensar muito na minha própria história. Pensar muito na história dessa minha conhecida. E talvez pensar muito na sua história. Talvez se você estiver nessa situação também. O trecho do livro diz assim. Ouvi da minha avó, meu grande amor, que apesar de todo o luto que ela viveu ao perder o amor da sua vida, meu avô teteu. A grande novidade que ela experimentou aos 87 anos foi poder pensar nela mesma.
Ela teve que descobrir do que ela gostava, que vida ela queria viver. Ela não apenas me disse, mas eu vi. Enquanto meu avô poderia passar dias em frente à TV... Após sua passagem, minha avó se tornou mais agitada do que eu. Amigas, viagens, festas, mal cabe no meu coração que sinto ao vê-la com a minha tia avó Jandira, ambas na casa dos 90 anos, com drinquinhos na mão se jogando em uma piscina. de dança em um evento de família, cena que jamais aconteceria quando seus parceiros estavam vivos.
E aqui a Marcela tá falando muito sobre... A forma com que a gente se constrói enquanto sociedade, os papéis de gênero, então o papel da mulher, o papel do homem, o quanto muitas vezes o casamento se constrói numa lógica em que a mulher serve ao homem e que a mulher... orbita em volta dos desejos e das necessidades desse homem, ela tá falando muito sobre essa construção do amor, né, do casamento, mas eu achei tão bonita, gente, e uma coincidência tão interessante essa história, ter...
¶ Questionando o "Certo" da Sociedade
Ter surgido exatamente nesse momento. Da angústia do papel em branco. Da angústia da fase em branco. Da angústia do próximo caminho. Porque imagina o que deve ser. Você ser casada. Por tantos anos com uma pessoa. E você ter um script muito marcado. A gente está falando de uma senhora de 90 anos. E acho que é isso que a Marcela está discutindo. O quanto os papéis de gênero vão estabelecendo para a gente. O que é papel da mulher. O que é papel do homem.
e esse papel tem várias tarefas, né? E aí, de repente, você não ocupa mais esse papel. De repente, o seu parceiro de vida faleceu. E aí você tem uma vida pra descobrir. E aí eu fiquei pensando... Como que deve ser, né? O que é essa descoberta? Depois de tantos anos ocupando um papel. E o quanto...
se torna muito mais angustiante se você se pergunta o que é certo a fazer. E eu acho que aí essa pergunta do que é certo fazer traz uma pegadinha. Porque quando a gente se pergunta o que é certo a fazer, muitas vezes esse certo... ele traz muitas expectativas por vezes que não são nossas. Expectativas das pessoas que nos rodeiam, expectativas dos grupos que a gente frequenta, expectativas de pessoas que...
que nos antecederam, expectativas de outras pessoas que talvez fariam diferente na sua vida, na sua história, enfim. Eu fico pensando que se a gente para pra... pra se perguntar o que é certo, talvez a gente se afaste muito daquilo que faz sentido pra gente. Eu não tô falando aqui definitivamente sobre...
ser desonesto, nada disso, não é sobre negar os nossos valores, mas eu acho que quando a gente pergunta o que é certo, às vezes a gente vai pra um lugar das regras que estão postas, das regras sociais, né? Quando a gente pega, por exemplo, o exemplo... da avó da Má, o que que falariam por exemplo pra ela sobre o que que é o certo pra uma mulher viúva? Será que seria pegar um drink e curtir uma festa?
nessa sociedade que a gente vive? Quando a gente pensa, por exemplo, numa sociedade produtivista como a nossa, o que que falariam pra gente que é o certo se um espaço se abre na nossa agenda? Será que falariam pra gente antecipar as coisas do dia seguinte? pra gente se sentir produtivo e ocupado, pra gente mostrar que é produtivo e ocupado, o que que falariam pra gente que é certo se a gente sentisse que o nosso cérebro derreteu durante um momento de gravação?
E a gente estivesse dizendo, cara, eu não tô conseguindo. Será que falariam pra gente dar um tempo e praticar o que a gente prega? O que essa pergunta, né? O que é certo a fazer? Nos traz de resposta. É isso que eu tô querendo dizer, né? Então eu acho que é uma armadilha muitas vezes a gente tentar resolver esses tipos de conflito e esses tipos de paralisia, se perguntando o que é o certo a fazer, porque eu acho que o certo, por vezes...
¶ O Poder do "Bom o Bastante"
faz com que a gente internalize em nós coisas que não são a gente que pensaria, sabe? São coisas que não fazem sentido pra gente naquele momento. Eu terminei de ler essa história tomando o último café. o último café que tava na xícara, e me perguntei, assim, e me perguntei honestamente, Nathalia, esquece o que te parece mais certo. Esquece o que te parece certo nesse momento.
O que eu quero saber é o que te parece bom o bastante pra fazer agora, nesse momento, nesse espaço vazio. O que poderia ser também o que te parece bom o bastante pra você fazer nessa próxima fase da vida. Esquece o que é certo. Esquece o que você internalizou que é certo. Claro, né? De novo, sem negar os meus valores. Não é sobre isso. Acho que a gente tá na mesma página. Mas esquece o que é certo. Porque assim...
Vão ter muitas regras sobre o que é certo e é em nome do que é certo que a gente tá, assim, se acabando muitas vezes. É em nome do que é certo que a gente tá passando por cima de nós muitas vezes. Então, assim, esquece o que é certo. O que te parece bom o bastante pra fazer? agora. Não precisa ser a melhor decisão.
Não precisa ser a decisão mais acertada. Não precisa ser a decisão mais impecável, nem a mais produtiva. Pode ser uma decisão que pode ser só bom o bastante pra agora. O que que te parece bom o bastante pra agora? E a resposta que eu dei pra essa pergunta que eu me fiz foi...
Eu subindo no quarto, passando protetor no rosto, pegando uma canga e indo pra praia. E aí eu fiquei a manhã inteira na praia, e quando deu o horário de tomar banho, comer e sair pra trabalhar, eu fui. E spoiler, gente, no fim... Dessa semana toda de trabalho. Esse foi o único dia que de fato. Eu consegui ir para a praia. Porque no restante do tempo eu estava trabalhando. Porque foi isso que eu fui fazer. E nas outras brechas de tempo que eu tive. Eu tive que.
eu precisei ou descansar ou administrar um mal-estar que surgiu por motivos de a comida de Recife é muito boa, eu comi muito e acabei passando mal por dois dias. Então, assim, fiquei muito reflexiva sobre isso, né? Se eu não tivesse me perguntado... o que era bom o suficiente, eu acho que dificilmente eu teria ido ir pra praia. Porque se eu tivesse me guiado...
pelo que era certo, eu provavelmente teria subido pro quarto e inventado alguma coisa de trabalho pra fazer. Porque é pra aí que o certo vai na minha cabeça. É pra essa rigidez que o certo vai na minha cabeça, sabe? E eu acho que quando a gente pensa na praia
como uma metáfora, né? Esse foi o único momento que eu consegui ir pra praia, né? E se a gente estivesse falando da vida, né? Esse teria sido o único momento que eu teria conseguido viver? Enfim... Não sei, gente, hoje eu queria muito... Não sei se ficou muito cabeçudo esse episódio, mas eu queria muito usar esse episódio pra te dizer, se você estiver se sentindo paralisada, se você tá sentindo que você tá numa bifurcação com mil saídas...
Em vez de honrando seus valores sempre, né? E com responsabilidade sempre também. Mas em vez de ficar pensando no que te parece ser o mais certo, tenta se concentrar numa decisão. que te parece boa o bastante nesse momento. Não precisa ser a melhor. Não precisa ser a definitiva. Não precisa ser a mais produtiva de todas. Se concentra numa que seja boa o bastante e testa ela.
Em geral, isso é suficiente pra nos tirar da paralisia, pra nos fazer movimentar. Isso também nos ajuda, eu acho, a nos conectar com o presente, porque o problema é de ficar buscando. A decisão certa é que uma, a decisão... Essa busca pela decisão certa nunca vai ter fim. Vai ser como essa rua que vai cada vez mais ganhando novas ruas. E aí você vai estar sempre...
tentando encontrar melhor, e quando você encontra melhor, aparece outra. E aí quando você vê, passou uma semana, um ano, um mês, e você tá ali ainda tentando decidir qual é a certa. E a segunda, que eu acho que é a pior, é que quando a gente se pergunta o que é certo, muito provavelmente a gente vai se...
guiar por ideias que não foi nem a gente que criou e nem foram criadas pra gente. Como os exemplos que eu dei da produtividade, acho que como os exemplos que eu dei também da questão da vó da má. Se ela se perguntasse o que é certo pra uma mulher viúva fazer, o que você acha que uma sociedade machista responderia? E aí quando a gente se pergunta, cara, o que me parece bom o bastante, eu acho que é um pouco de se conectar com o nosso próprio corpo e confiar na sabedoria do nosso próprio corpo.
¶ Leveza, Culpa e Autonomia
Confiar também que uma vez em um movimento, a gente sempre pode reajustar o movimento. A gente sempre pode refazer a rota. Isso me liberou, me libertou. E por mais que tenha sido uma experiência bem boba e simples... Eu confio na minha percepção de que se está no micro, está no macro também. Se está no pequeno, está no grande também. Eu acho que pensar na decisão boa o suficiente para agora, nesse momento, nesse contexto, nessa quantidade de energia...
A energia que você tem nessa fase nos traz para o presente e no presente a gente se movimenta. O problema de ficar pensando muito no que é certo, no certo a fazer, é que a gente está sempre...
na cabeça, né? Na cabeça e quando você vê, sua cabeça tá até quente de tanto pensar. E eu acho que uma coisa também que sempre perpassa Acho que isso também tem tudo a ver com o processo de individuação, que é nos tornar indivíduos, nos tornar quem somos, que é o que o Jung fala muito, que é o processo de encontrar o seu próprio caminho.
de encontrar a sua própria trajetória, claro, sumindo todas as escolhas e decisões e renúncias e consequências que isso tem, porque a gente não vai ficar só com a parte boa, mas acho que tem muito a ver com o processo de individuação. E uma coisa que eu penso muito também quando eu penso nesse
pensar autônomo, que é o pensar no tá, mas o que é bom o suficiente pra mim agora é que às vezes eu sou muito atravessada pela culpa, pela culpa de de não usar esse tempo livre pra trabalhar mais ou a culpa de Não seguiam o script que eu acho que esperam de mim, enfim.
E aí uma coisa que eu tenho gostado muito de pensar é que a culpa nem sempre é sinal de que você tá fazendo algo de errado. Às vezes só mostra, a culpa só mostra que você tem uma crença pessoal sobre algo e essa crença pessoal nem sempre diz respeito à realidade. das coisas. É muito comum, por exemplo, vou usar esse exemplo por ter trazido a história da avó da má,
que pessoas enlutadas se sintam culpadas por sentirem alegria em algum momento, mesmo que seja uma alegria pequena, né? Mas essa culpa, veja, tem a ver com a ideia de que só a tristeza é capaz de honrar alguém. De que é a tristeza que honra a vida de alguém. E aí quando a gente fala isso em voz alta, eu acho que é muito importante dizer isso em voz alta e se perguntar, né? Mas por que eu tô me sentindo culpada por estar feliz? Ah, porque eu acho que...
sei lá, tá triste, é a forma de honrar essa pessoa que se foi. Quando a gente fala isso em voz alta, a gente tem a capacidade, ou a chance, acho que chance não é a mesma coisa que capacidade, mas a gente tem a chance de mudar essa frase, dizer, cara, que coisa bonita ponder, poder honrar alguém por meio da minha alegria.
Que coisa bonita poder honrar alguém usando alegria. É isso, eu acho que quando a gente consegue perceber e ir dissecando a culpa, a gente vai percebendo que a culpa muitas vezes é só um sintoma de uma crença pessoal e crenças pessoais podem ser mudadas.
¶ A Conquista da Leveza
Crenças pessoais podem ser transformadas. A gente não precisa ir com essas crenças pessoais até o fim. E é isso, gente. Eu... Eu tenho uma... Eu acho muito engraçado, inclusive, quando me encontram e pessoas que me conhecem pouco ou muito, enfim, e que falam... Até meu terapeuta já falou muitas vezes isso, que...
que eu tenho uma energia leve, assim, que eu tenho uma leveza. E eu fico, gente, é porque eu travo tanta batalha. Olha, toda leveza que eu transmito é porque, assim, ela é tão arduamente conquistada. Não é uma coisa natural em mim. Não é. Eu tenho rigidez muito intensas, gente. Muito, muito intensas. E é duro pra mim, assim. É uma luta. É um esforço mesmo, assim. Mesmo, assim.
Mas é isso, né? Eu acho que toda leveza muitas vezes é resultado de um esforço consciente de quebrar as próprias prisões. Toda leveza é um esforço muitas vezes consciente de quebrar as próprias armadilhas. E eu acho que esse é um grande... E um bom movimento. Em vez de se perguntar o que é certo a fazer agora. É se perguntar o que é bom o suficiente agora. E aí para finalizar. Foi isso né. Subi no quarto. Peguei a canga. Saí para ir para a praia. E aí no caminho até a praia.
Andei um pedaço, assim, que era o pedaço que podia entrar no mar. E aí tava andando e falando, nossa, que decisão deliciosa, que decisão gostosa. E como eu não tava preocupada que aquela decisão fosse a certa, aquela decisão... naquele momento me pareceu ser a melhor olha que bonito isso e ao mesmo tempo contraditório quando eu suspendo a pressão pra que aquela decisão seja certa eu consigo me conectar com o melhor de cada decisão consigo
perceber que aquela decisão não precisa me preencher em todos os aspectos e nem me trazer uma suspensão e nem me trazer a certeza de que foi a melhor, mas ela me trouxe a satisfação daquele momento que era justamente o que eu precisava. gente, é isso
Espero que tenha feito sentido pra você. Espero que tenha te feito uma boa companhia. Se você gostou, se fez sentido pra você e você puder, quiser conseguir compartilhar esse episódio nas suas redes sociais, eu vou ficar muito feliz. Se você puder destacar aqui nos comentários do Spotify...
Qual foi o trecho, a frase ou a reflexão que mais te marcou? Eu tenho amado ler, gente. Tem sido muito importante pra mim ouvir vocês, saber como chega pra vocês. E aí eu queria deixar dois avisos curtinhos aqui, só pra caso você... Não esteja sabendo. A primeira coisa. No dia 24 de setembro. Eu vou dar uma palestra em São Paulo.
numa parceria com a Alma Talks, que é um ciclo, um circuito de palestras, um projeto de palestras muito legal e eu vou falar sobre medo de dar certo, que é... o meu livro, então vou deixar o link aqui na descrição, caso você queira estar comigo, falta 4 meses para o evento, mas metade dos ingressos já foram, então se você quiser, eu recomendo que você compre já.
caso você queira estar lá. E a segunda coisa que eu ia dizer, é que se você não tiver no grupo do Telegram, no grupo exclusivo do Pra Dando Minhas Coisas no Telegram, e você tiver no Apoia-se, me chama. me chama ali ou no direct ou na página do apoia-se pra gente colocar porque a gente tem feito muitos comunicados lá a gente tem trocado muita coisa por lá e acho que é bom você estar lá com a gente é isso gente muito obrigada pela companhia nessa mesa de conversa
bar, muito obrigada por me escreverem, perguntando, ai, não teve episódio, eu senti saudade, é muito bom compartilhar esse tempo e espaço contigo. Até semana que vem, um beijo e até mais.
