¶ Intro / Opening
Oi, meu nome é Natália e esse é o do centésimo, sexagésimo, sexto episódio do Para Dar Nome às Coisas. Um podcast que nasceu para ser uma mesa de bar na web.
¶ Gratidão e Coragem no Lançamento
daquelas que a gente senta e sente que não estamos sós. Um lugar em que a gente pode ser do nosso próprio tamanho, sem precisar se esticar e nem se espremer. Como é que você está? Como é que estão as coisas para você? Como é que está o seu mundo dentro desse mundo? Como é que você está? Ai, gente, falei essa abertura e me emocionei.
porque nesse último sábado foi o lançamento do meu livro na Livraria da Vila, aqui em São Paulo, e a gente fez a abertura junto. Eu, quer dizer, eu fiz a abertura com... As pessoas que couberam dentro do auditório na livraria foram quase mil pessoas na livraria no dia do lançamento do meu livro para participar desse momento. Quase mil amigos de bar.
Só de falar nisso de novo, eu fico extremamente emocionada de novo. Eu contei para o pessoal lá no auditório que eu tinha sonhado com o lançamento e quem está lendo o livro sabe. da relação que eu tenho com os sonhos, né? Eu conto alguns sonhos que eu tenho, que eu tive ao longo da escrita do livro ou antes do livro. Um dia antes do lançamento, como não poderia ser diferente, eu sonhei que o lançamento tinha acontecido.
E tinha acontecido numa casa, e tava uma casa super festiva, a gente tava dançando, e eu virava pra alguém e dizia, nossa, vieram 30 pessoas. E claro que eu sabia que iam mais do que 30 pessoas, porque... A gente sabe quanto podcast significa para vocês, mas nem nos meus melhores sonhos eu imaginava mil pessoas. Eu sei que em algum momento eles até precisaram fechar a livraria, enfim. Foi... Foi muito bonito, gente. Foi muito surpreendente também para todo mundo.
Os próximos lançamentos a editora já está vendo para que sejam num lugar maior. A gente já está fazendo também, conversando sobre uma segunda data em São Paulo, porque eu sei que muitas pessoas foram e não conseguiram ficar. Eu fiquei as cinco horas autografando todos os livros. Eu falei, só vou embora enquanto eu autografar e abraçar a última pessoa que estiver aqui. Foi muito bonito, assim, poder olhar pro rosto de vocês, poder saber o nome de vocês, poder...
Ouvir um pouquinho da história de vocês. Por mim, a gente conversaria por horas, mas por uma questão de tempo realmente não foi possível. Queria agradecer a todos vocês que estiveram lá, que lotaram aquela livraria. Gente, era uma livraria muito grande, estava realmente...
lotada. Um bastidor é que quando eu tava indo pra livraria, o pessoal da editora me mandou um vídeo, assim, do auditório lotado. E eu falei, pessoal, que legal, que incrível, mas vamos procurar um espaço maior dentro da livraria, porque eu queria que todo mundo ficasse bem acomodado, para que todo mundo entrasse. Não era nem três horas da tarde. E aí o pessoal da editora falou. Nath, você não está entendendo. A livraria inteira está tomada. Tem quase 400 pessoas. E não tinha dado nem três horas.
Então foi surpreendente pra todo mundo. Os próximos a gente tá tentando organizar de forma que todo mundo fique mais à vontade. Mas queria muito agradecer a todos vocês. Tiveram muitas pessoas que falaram comigo que estavam cinco horas na fila. E aí... Com ânimo. Estava até me surpreendendo. Porque eu estava muito feliz. E percebi que vocês também estavam.
Mas queria agradecer muito todos vocês. Vocês que foram. Vocês que foram, mas não conseguiram ficar. Vocês que queriam muito ir, mas não conseguiram ir. Vocês que vieram de Manaus, do Rio Grande do Sul, de outros estados, de outras cidades. Vocês que vieram com famílias inteiras. tinha uma ouvinte que estava com três gerações de família, tinham mulheres com bebês no colo, tinham... Ai, gente, muito, muito, muito obrigada.
Eu me emociono muito, assim, de ver isso acontecer. Me acho muito privilegiada mesmo, assim, de ter companheiros de jornada, que é o Valder e a Amanda, e eles são parte fundamental disso tudo. e muito privilegiada também de dividir esse tempo e espaço com vocês, que eu tentei dizer, assim, em todos os livros que eu autografei, fui mudando as frases ali que eu fui escrevendo, mas uma das frases que eu escrevi numa das dedicatórias é...
Que a coragem abençoe os seus sonhos, porque tem muita coisa bonita que acontece mesmo. Quando a gente permite que a coragem abençoe os nossos sonhos, nem tudo vai dar certo, nem tudo vai se realizar. Mas acho que o Prado Nome às Coisas e esse livro, né? O livro Medo de Dar Certo são... o meu lembrete pessoal, e agora eu divido ele com vocês também, do que pode acontecer.
quando a gente consegue se abrir para a coragem de realizar os nossos sonhos. Então, tudo isso para dizer muito obrigada para você que foi, para você que não conseguiu ir, para todo mundo que estava em presença, em energia, muito, muito, muito obrigada.
¶ A Pergunta: Estou Pronta?
E hoje, falando em coragem, da coragem abençoar os nossos sonhos, eu vou falar sobre uma pergunta que eu respondi esse fim de semana. Esse fim de semana é uma pessoa muito querida, não vou falar exatamente quem foi pra não expor. Mas é uma pessoa muito querida, tava em casa e a gente tava conversando e ela me fez uma pergunta que foi como é que eu sei que eu tô pronta?
E eu dividi um pouco disso no lançamento, mas continuei ecoando isso e vou trazer a resposta que eu dei para ela e que é uma resposta que é, na verdade, uma crença. uma ideia que me acompanhou em muitas travessias, em muitas mudanças, em muitas coragens, e eu espero que acompanhem vocês também. Boa audição!
¶ O Processo de Decisão: Neblina
Como eu disse, esses dias uma pessoa muito querida da minha família estava lá em casa. E a gente estava naquele momento tomando Coca-Cola e comendo sanduíche de metro. Porque... A gente sabia que ia ter pouco tempo para se arrumar, se organizar, sair de casa, então a gente encomendou um sanduíche de metro, foi a ideia da mãe. E a gente estava ali tomando Coca-Cola, comendo sanduíche de metro, se arrumando para ir para o lançamento.
E nesse momento, essa pessoa que é muito querida, que estava em casa, me disse que estava pensando em mudar de emprego. Ela tá há alguns anos já numa mesma empresa, ela adora o que ela faz, ela faz o que ela gosta há muitos anos. É um lugar que, apesar dos desafios, das complexidades todas, é um lugar que ela gosta muito.
Mas ela sente ao mesmo tempo que está chegando a hora de experimentar outra coisa. Ela quer viver outras coisas. Ela quer viver outra rotina. Ela quer viver outros desafios. E ela estava falando ali que ela estava pensando em mudar de emprego. Junto com esse processo de pensar sobre essa mudança, ela estava vivendo todo aquele processo de tomada de decisão. E aqui pode incluir qualquer mudança ou qualquer decisão que você precise tomar, porque eu acho que é muito parecido sempre.
Não importa qual decisão você precisa tomar ou qual mudança você precisa fazer, o que acontece geralmente é mais ou menos a mesma coisa que é um processo que não se resolve do dia para a noite, que não é linear também. e que é cheio de sobe e desce, vai e volta, porque é um processo que geralmente começa
com uma sensação meio difusa, com uma sensação, como se parecesse, como se a gente estivesse diante de uma neblina, diante de um dia que está tomado por neblina. É uma sensação muito discreta de algo... Algo aqui mudou. Algo aqui não é como antes. Algo aqui está diferente. Algo aqui se desencaixou. E o que pode ser agora? Será que eu ainda caibo aqui? Será que aqui ainda é o meu lugar? será que esse desencaixe que aconteceu
Tá trazendo uma mudança ou tá trazendo um novo cenário que pode ser algo bom? Será que tem algum outro lugar que eu possa ir aqui dentro? Que eu possa experimentar aqui dentro? O que será que vem depois disso? Nessa fase, na fase da neblina, geralmente, a gente tem pouco recurso também para entender o que está acontecendo, porque as informações vão chegando aos poucos. É aquele momento que você está muitos anos numa empresa, ou que você está muitos anos...
relação, ou que você está há muitos anos morando numa casa, ou muitos anos numa mesma rotina, e você percebe que algo mudou. Que aquilo que antes estava mais ou menos encaixado, mais ou menos organizado, mais ou menos... Mais ou menos parte ali da sua vida. Que não tinha nenhum incômodo. Ou nenhuma aspereza. Ou até tinham incômodos. Porque até o que é bom tem incômodo. Mas aquilo ali em algum momento distoou.
E você percebe isso, só que você percebe de um jeito muito difuso. É como uma neblina mesmo. Nessa fase, a gente não consegue ver muito o que tem além daquilo. O que a gente consegue ver é a neblina. E a gente precisa ir entendendo aos poucos o que é essa neblina, o que é esse incômodo. Uma vez eu ouvi...
¶ Da Neblina à Nuvem Espessa
anos eu ouvi uma frase que se eu não me engano o nome dela era Fátima Freire e ela foi dar uma palestra numa instituição que eu tava fazendo um frila de repórter e ela falou, o nosso corpo ele é... Generoso com a gente porque as fichas não caem todas ao mesmo tempo. As fichas são generosas com o nosso corpo, elas caem uma de cada vez.
E acho que isso ilustra um pouco, né? É isso, você sabe que tem algo ali que desencontrou, mas nesse começo é difícil saber também se essa neblina é passageira, se ela é sinal de uma semana ruim, de um mês ruim. ou se ela está sinalizando algo maior. se ela está sinalizando uma mudança grande que precisa acontecer. Uma mudança de caso, uma mudança de emprego, uma mudança de relação, um rompimento, um processo de coragem. Nesse começo é difícil de entender o que está acontecendo.
Eu acho que quem já passou por crises assistenciais ou mudanças no trabalho significativas ou mudanças significativas na própria relação sabem o que é isso. Começa com uma neblina e aí essa neblina se dissipa ou não. Começa com uma neblina e essa neblina vai se condensando. Mas é isso, nesse começo é só uma neblina. E aí a gente segue vivendo e às vezes a gente percebe que a neblina foi embora porque algo novo aconteceu, porque a gente se reorganizou, porque as coisas se ressignificaram.
Porque você foi promovido, assumiu um desafio novo. Ou você descobriu um novo hobby. E se o problema estava no trabalho, o trabalho ganhou um outro lugar. Porque você descobriu um novo hobby. Você encontrou prazer em outro lugar. E o que era uma neblina ali? O que era um encontro? Cômodo veio pra sinalizar alguma coisa, você conseguiu resolver e aquilo passou. Mas às vezes não.
Às vezes a neblina continua voltando. De tempos em tempos ela volta. Até que aquilo que era neblina vai ficando uma nuvem mais espessa mesmo. Vai ficando uma nuvem mais... mais condensada mesmo. E a sensação é que internamente, o que antes era só uma neblina, agora é um tempo que tá fechando dentro de você.
E você sente que você precisa tomar uma decisão para que esse tempo fique melhor para você. E essa decisão pode ser desde, cara, entendi que é isso que está acontecendo e eu vou continuar aqui, mas eu vou encontrar um jeito de ficar aqui
De um jeito que fique melhor pra mim Ou pode ser, entendi o que tá acontecendo E eu preciso sair daqui O que importa é que quando essa nuvem fica espessa A gente precisa tomar uma decisão É bem nesse processo da natureza mesmo, né A gente precisa chover, assim, né
a gente precisa encontrar um jeito de desaguar, de liberar essa tensão. E eu acho que muitas vezes a gente libera essa tensão não só transformando a realidade, que é vou sair desse emprego, vou sair dessa relação, vou criar um planejamento para encontrar um outro trabalho.
mas as vezes a gente cria essa vazão dessa tensão quando a gente diz eu sei que eu não posso sair agora ou eu não quero sair daqui agora ou isso daqui precisa melhorar mas eu acho que o rompimento não é o lugar e eu vou encontrar um jeito pra que esse tempo Mas é isso assim, quando a nuvem fica espessa, quando esse tempo fecha de fato, a gente precisa tomar uma decisão.
¶ Pronto vs. Preparado: A Diferença
Esse momento que essa pessoa muito querida que tava em casa estava vivendo. Ela tava nesse momento de decisão. E foi nesse momento que ela virou pra mim e disse mas como é que eu sei que eu tô pronta pra mudar?
Como é que eu sei que eu tô pronta pra viver essa nova fase da vida? Como é que eu sei que eu tô pronta pra ir pra um outro lugar? Pra viver um outro lugar? Pra tentar uma outra coisa? E na hora que ela me perguntou... fui invadida por vários momentos em que essa foi a pergunta que eu me fiz e o que eu respondi pra ela e o que eu queria dividir com vocês e quem tava lá no lançamento do livro escutou porque eu falei um pouco disso é que eu não sei se... Pronto, a gente vai tá!
Pronta mesmo, eu acho que a gente nunca vai estar. Até porque pronto quer dizer acabado, finalizado. Pra se sentir pronto, pronto mesmo, talvez a gente precisasse de uma vida inteira pra chegar nesse estado. Porque quando a gente tá pronto, a gente tá sem dúvida, a gente tá sem medo, sem insegurança, tudo resolvido. Tá com tudo resolvido, tá com tudo acabado, tá com tudo feito mesmo. É isso, né? Pronto! Me remete muito a esse lugar quase da morte mesmo, assim, né? Porque...
Porque o movimento cessa. E se a gente pensa no movimento como esse grande desorganizador e esse grande reorganizador da vida, o movimento é o que tira tudo do lugar. Tira tudo do lugar e as coisas ganham lugares novos e a gente fica feliz porque ganhou lugares novos e a gente fica desconfortável porque ganhou lugares novos. Mas a vida começa a se desorganizar e reorganizar. É um pouco disso, né? E como é que você fica...
pronto nisso? Se você tá vivendo coisas novas, se você tá se permitindo coisas novas, se você tá decidindo fazer coisas novas, como é que você se sente pronto, se pronto é acabado? Acho que pronto é um lugar muito difícil de acessar. Mas aí diz pra ela, então, mas eu acho que talvez você possa mirar no preparado. Eu acho que talvez a pergunta é, quando é que eu me sinto preparada?
¶ O Exemplo de Estar Preparada
eu tenho uma ilustração do que eu acho que é estar preparada que é quando eu e a mãe decidimos morar juntas A gente passou muito por isso, assim, porque tinha toda a euforia, a alegria, a vontade de morar juntas, de inaugurar um novo lugar, assim, pra gente morar. Quando a gente decidiu morar juntas, eu tava morando sozinha, acho que quase três anos.
se eu não me engano e eu já tava sentindo que era muito gostoso quando ela tava em casa que era muito bom quando ela tava em casa então eu senti que a fase do morar sozinha tava no fim ou tinha acabado e eu queria muito que ela queria muito essa ideia assim que a gente começou a sonhar com essa ideia da gente morar juntas e eu gostava muito dessa ideia da gente morar juntas e nesse plano de morar juntas tinha muito essa euforia essa alegria essa vontade
Também tinham medo, também tinham uma insegurança, também tinham meu Deus, eu vou ter que abrir espaço nessa casa pra ela entrar, sabe? E eu lembro da gente se perguntar muito, assim, será que vai dar certo? Será que esse vai ser o começo de uma vida longa, de uma fase bonita? Ou será que vai ser o princípio do fim? Será que a nossa relação vai melhorar? Será que a gente vai conseguir construir coisas bonitas morando nesse mesmo espaço, dividindo a mesma coisa?
rotina, tendo uma proximidade que a gente nunca teve até então porque morar juntas era a primeira vez ou será que as coisas vão degringolar e a gente vai olhar pra trás daqui 3 anos e dizer foi ali que tudo começou a terminar A gente já tinha conversado muito sobre isso. A gente já tinha conversado sobre dinheiro, sobre intimidade, sobre solitude, sobre o espaço de cada uma. E o que nos restava era tentar.
Mas tinha essa insegurança, assim. E pra mim, esse retrato é um retrato de um momento em que a gente tava se sentindo preparada. Eu acho que essa é a grande distinção de pronto. pra preparado, assim. Porque preparado é isso. Preparado é preparado pra tentar. Preparado, eu tô preparada pra tentar. Preparada pra saber o que que vai vir. O que que vai acontecer, sabe?
Eu não estava me sentindo pronta. Eu estava com frio na barriga. Eu tinha todas as minhas inseguranças. Acho que quem já morou sozinho sabe. As coisas estavam... Porque nessa configuração, a mãe... veio pro apartamento que eu moro, né? Que a gente mora juntas hoje, mas ela veio pro apartamento que eu morava sozinha. Poderia ter sido eu indo pra lá, mas foi ela que veio pra cá. E aí tinha essa coisa de as coisas estavam todas no lugar que eu coloquei. Quando ela chega, a casa...
ganha um outro significado, ganha uma nova configuração. E aí tinha todo esse frio na barriga e esse ai meu Deus, vou ter que tirar esse negócio daqui pra ela colocar as coisas dela, sabe assim? Tinha um desconforto ali. Tinha um frio na barriga, tinha um medo, tinha um receio. Mas eu tava preparada pra tentar. Eu acho que é muito parecido com... Acho que todo mundo...
Percebe um pouco essa distinção entre pronto e preparado? A gente só não nomeia quando a gente vai entrar no mar. Sabe essa coisa de entrar no mar? Puta de é lindo de sol, assim, e aí você tá no Rio de Janeiro, e aí você vai entrar no mar, e aí você vai entrando...
quer dizer, isso é muito paulistano, porque acho que quem mora em cidade de Praiana tem outra relação com a água, mas paulistano é isso, vai entrando muito devagar, vai molhando a canela, depois vai molhando o joelho, aí depois você molha o pulso, aí depois você molha o pescoço. Tem um momento que você percebe que a água está muito gelada, mas que você se sente preparado para mergulhar.
Você sabe que você vai sentir frio, você sabe que vai ser desconfortável no começo, mas você respira, molha os pulsos, molha o rosto e mergulha. Porque você sabe que em algum momento aquilo vai ficar bom, sabe? Porque você tá disposto a mergulhar. E é isso, assim, acho que preparado...
Parece que é essa sensação de se sentir preparado mesmo para lidar com aquilo, para lidar com tudo que é essa mudança, preparado para mudar sua rotina, para fazer caber ali uma nova casa, uma nova pessoa, um novo sonho, novos medos, novas vergonhas. as novas preocupações. Acho que é...
Preparado pra se abrir, né? E acho que essa é uma das grandes diferenças pra mim de pronto pra preparado. Porque pronto me parece muito uma parada fechada, sabe? E preparado é aberto. É estar disponível pra aprender a lidar com aquilo. está disponível para aprender a lidar com essa nova configuração, esse novo jeito de viver. É preparado para tentar e para segurar também tudo que vem com isso.
E foi meio que isso que aconteceu com nós duas também quando a gente decidiu morar juntas e isso realmente se concretizou. Cara, os primeiros meses foram truncados, assim, da gente tentando se entender e tentando se organizar. E a Amanda sofrendo com a minha bagunça, porque eu sou muito bagunceira e ela é extremamente organizada. E eu também tentando... encontrar, fazer valer os meus momentos de solitude e individualidade. Foi um tranco, assim, os primeiros meses. Por mais que a gente...
E acho que isso é muito bonito dessa distinção, né? Porque a gente estava... Se a gente estivesse pronta... pensando nesse estado pronto, né, que não existe, mas se a gente estivesse pronto, nessa idealização, nessa fantasia, não teria tranco, né, não teria desconforto, porque a gente estaria pronto. Só que, na verdade, esse estado pronto não existe, o que existe é o preparado.
e o preparado é o que? É você ir se abrir pra possibilidade e ir se preparando também ao longo do processo, né? A gente começou a morar juntas e a gente tava preparada pra morar juntas e a gente foi se preparando morando juntas também, assim.
¶ O Poder da Convicção e Aprendizado
Me parece que o preparo é uma coisa mais aberta mesmo. É quando a gente está disponível para aprender. disponível para aprender, ser de um novo jeito, se encontrar de um novo jeito, existir de um novo jeito, existir num novo lugar. Pronto mesmo?
Não vai ter. E preparado, eu gosto disso também, porque preparado é... Eu tô preparado e no preparado cabem as inseguranças, cabem os medos, cabem as dúvidas. Cabe tudo isso. Você sabe que... que é isso que você quer fazer, mas tem ali toda uma gama de sentimentos que são naturais desse processo. preparado é quando a gente sente que dá conta de segurar aquele passo.
Nasce em nós, eu acho, uma espécie de convicção de que é aquilo que precisa ser feito, de que é aquilo que você quer fazer, de que é aquilo que você quer tentar. E essa convicção, muitas vezes, coexiste com... O medo, com a insegurança, com a dúvida. Ela não vem pura, ela não é pura. E por isso ela é uma convicção e não uma certeza. Eu gosto muito de um dos significados de convicção, que é crença ou opinião firme a respeito de algo com base em provas ou razões íntimas. E é isso muitas vezes, né?
a gente se sente preparado muitas vezes. Eu tô nunca ancorado numa razão que é íntima, numa razão que é minha. E eu acho que é isso. Às vezes o que a gente tem mesmo, é só isso mesmo. Uma razão íntima e forte de que é aquilo que precisa ser feito, de que o momento é esse. que poderia ser depois, poderia, poderia ser antes, poderia, mas a gente sente que é agora que a gente tá preparado. Assim, tem uma frase que eu tô muito...
presa nela, falei dela no livro, falei dela em alguns episódios atrás, que é uma frase do técnico da Simone Biles, que ele fala, a Simone passou por todo o processo de lesão e tal, e ela tava muito insegura, né? E aí acho que ela também é um ótimo exemplo, né? porque a Simone tem aquele apagão emocional, enfim...
todo aquele contexto que existe, que ela precisa desistir das Olimpíadas e tudo mais. E aí depois ela vai voltar. E vai voltar com todas as expectativas sobre ela, com todas as expectativas e dúvidas e inseguranças das pessoas sobre ela.
vai conseguir, não vai conseguir. Ela vai conseguir se manter como a primeira do mundo, não vai conseguir. E ela tá com muita dúvida e com muito medo, assim. Só que ela vai. E eu acho bonito esse processo também. Acho que ela ilustra muito bem isso que eu tô querendo dizer, né? Dessa diferenciação de pronto e preparado. na minha cabeça faz muito sentido, que é ela vai e ela tá pronta, né? Ela tá sem medo, ela tá sem dúvida, ela tá sem...
Sem segurança? Não, ela não tá. Ela tá indo com tudo isso, mas ela tá preparada pra dar aquele passo. Ela tá preparada pra entrar no jogo de novo, né? E aí tem uma frase que o técnico dela fala, que é muito bonita, que ele fala quando a mente tá pronta, o corpo vai. E eu acho linda essa frase. Quando a mente está pronta. O corpo vai. E acho que isso é uma boa ilustração. Sobre o que é estar preparado. E estar preparado.
É isso, eu tô pronta pra ir e eu tô convicta mesmo, né? Tô convicta, que quer dizer, eu estou ancorada numa razão íntima e pessoal. De que é esse o momento que eu preciso fazer. E quando eu penso em todos os meus processos de coragem, assim, todos, assim, de mudanças de emprego, de fazer o padrão das minhas coisas, de escrever o livro, de...
Sei lá, tudo que eu fiz, assim, mesmo, que foi significativo pra mim e que muitas pessoas e que a maioria das pessoas nem sabem que foi significativo, sabe? Porque acho que tem...
coisas que são grandiosas pra gente, que acontecem no escuro do nosso quarto e que ninguém sabe, sabe, que foi significativo. Aquele não que você deu, ou aquele sim que você deu, aquele passo que você... você conseguiu dar numa estrada que era difícil pra você, aquela conversa que você fez, aquela matrícula, saca, que você fez e que
A maioria das pessoas talvez não tenham dimensionado a importância daquilo pra você, porque só você sabe o quanto aquilo significou. E eu fico pensando que a maior parte das vezes a gente só deu esse passo porque a gente tava preparado, assim, abraçando toda a complexidade que ia viver. you É isso, gente. Acho que é um bom exercício a gente começar a separar na nossa...
na nossa cabeça mesmo, o que é estar pronto e o que é estar preparado, né? Acho que nomear algumas coisas faz diferença nos nossos caminhos e acho que quando a gente começa a nomear, a gente começa... entrar um pouco mais em contato com a realidade da vida e entender que alguns passos exigem mais coragem e que talvez
A gente tem aqui, o grande lance é se abrir pra aprender. Teve uma frase que acho que foi a Ade que me falou, que me marcou muito, assim, acho que ela ouviu de outra pessoa, não lembro, mas que é, como que é? Tudo que eu não sei, eu posso aprender. E é linda essa frase, né? Tudo que eu não sei eu posso aprender. É isso, né? Eu talvez não saiba mesmo um monte de coisa.
Eu tô aprendendo, né? Tô aprendendo um monte de coisa. Todos os dias tô aprendendo novas coisas. Tô aprendendo, inclusive, coisas que eu quero muito fazer, mas que me dão muito medo ou que me dão muita insegurança. Mas tudo que eu não sei, eu posso aprender. E só tá difícil agora porque eu tô aprendendo. Só tá difícil agora porque é novo pra mim. E o nosso corpo vai reagindo ao novo com medo, né? Com insegurança e com dúvida. É isso, gente. Espero que tenha feito sentido pra você.
¶ Conclusão e Convite à Reflexão
Espero que tenha te feito uma boa companhia. Se você gostou, se fez sentido pra você e você puder, quiser, conseguir, compartilhar esse episódio nas suas redes sociais e dar cinco estrelinhas pra gente aqui no Spotify. Eu vou ficar muito feliz. Se você puder fazer mais um favor pra gente, contar também qual foi a frase, o trecho que mais te marcou aqui na caixinha de comentários do Spotify, eu vou ficar muito feliz e de novo e mais uma vez eu vou ser profundamente e eternamente grata
para o nosso tempo ter sido costurado de forma tão bonita nesse sábado, nas próximas semanas, enfim, a gente ainda está vendo como que vão ficar os... os próximos lançamentos, mas fiquem ligados que eu vou comunicar nas minhas redes e inclusive se você mora em alguma cidade, em algum estado que você quiser que tenha essa sessão de autógrafos, deixa lá no meu Instagram ou nos comentários aqui do Spotify que eu vou
ver e tô passando tudo pra editora pra gente fazer da melhor forma possível. Tudo bem? Tudo certo? Então tá bom. Um beijo nessa cara linda, muito obrigada pela companhia nessa mesa de bar e a gente se encontra na semana que vem.
