¶ Intro / Opening
Tim Black, um plano exclusivo para você descobrir a sua melhor versão. Durante todo o encontro prevaleceu... atitude construtiva e voltada a aspectos práticos. ... ... ... ... ... ...
¶ Reunião Brasil-EUA: Pauta e Análise
A reunião a portas fechadas na Casa Branca durou cerca de uma hora. Nos primeiros 20 minutos estavam apenas o ministro Mauro Vieira e o secretário de Estado americano Marco Rubio. Em seguida, entraram as equipes de cada lado. Os dois conversaram por cerca de 30 minutos, não falaram sobre a condenação de Bolsonaro e combinaram a abertura da negociação comercial.
O Brasil pede a retirada da sobretaxa de 40% e das medidas restritivas aplicadas contra autoridades. Isso foi um princípio auspicioso de um processo negociador. O ministro das Relações Exteriores também disse que discutiram a possibilidade de um encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump em breve. A reunião ainda não tem data marcada, mas Mauro Vieira admitiu que pode acontecer às margens da cúpula dos países do sudeste asiático, na Malásia, onde os dois estarão no fim deste mês.
Ministro, os dois presidentes podem se encontrar na Malásia na próxima semana, ministro? Não sabemos, vai depender se coincidirem as datas, até pode ser, mas como eu disse, isso vai ser estudado e preparado, mas há um interesse de ambas as partes. de que os presidentes se encontrem em breve. Da redação do G1, eu sou Natu Zaneri e o assunto hoje é...
a reaproximação de Brasil e Estados Unidos e o fator Venezuela. Meu convidado é Brian Winter, editor-chefe da revista America's Quarterly e analista político especializado em América Latina. Sexta-feira, 17 de outubro. Brian, a gente fala num momento em que a reunião entre o chanceler brasileiro e o secretário de Estado, Marco Rubio, já terminou. Os primeiros relatos foram de que...
A reunião foi ótima. O que eu pude apurar rapidamente, antes da gente começar a nossa conversa com o lado brasileiro, é de que o papo foi um papo bom. Rubio foi bastante simpático. já conhece Mauro Vieira há algum tempo. Não tem nenhuma decisão. A reunião foi mais genérica nesse sentido e Rubio ficou de levar as demandas apresentadas. pelo Brasil ao presidente Donald Trump. Diante disso, o que já dá para extrair dessa conversa na sua avaliação?
Claramente, na Tusa, há uma mudança de postura do governo do Trump com o Brasil. Começou a partir dessa conversa rápida que eles tiveram, essa... Química excelente na semana da Assembleia Geral da ONU em Nova York, mas agora está continuando. Eu, ainda assim, eu mantenho uma certa cautela. Brasil e Estados Unidos divulgaram uma nota conjunta.
em que declaram que as conversas foram muito positivas sobre comércio e questões bilaterais e que ambas as partes concordaram em trabalhar para a realização de um encontro entre Trump e Lula na primeira oportunidade possível. Porque eu tenho a sensação, Natuza, de que a conversa vai virar um pouco mais difícil nas próximas semanas, quando eles entrarem mesmo nos detalhes. Acho que está claramente no interesse.
dos dois países nesse momento falar que tem um clima bom, que claramente para reverter as expectativas que foram criadas de um confronto cada vez mais dramático, mas eu ainda Ainda assim, acho que o Rubio vai manter uma postura bastante dura e que... Não deve haver expectativas de uma volta para o status quo de antes de julho, quando as tarifas foram anunciadas. O ambiente entre os dois países...
¶ Motivações, Interesses e Estabilidade
Pode ficar um pouco melhor, mas na prática acho que algumas coisas vão ser difíceis de tirar. E que momento é esse da relação entre Brasil? e Estados Unidos. É diferente, claro, de dois meses atrás, quando nós, aqui no Brasil, só tínhamos as tarifas. Agora, pelo menos, há algum tipo de diálogo. Como é que você classifica esse exato momento?
Eu acho que o presidente Trump claramente mudou de estratégia. Ele entendeu, com a ajuda de várias pessoas, que a estratégia de tarifas e de sanções não estava dando certo. De fato, estava dando o resultado... As suas expectativas, a história que foi vendida para ele pelo deputado Eduardo Bolsonaro e o Paulo Figueiredo, essas tarifas... não fortaleceram o Jair Bolsonaro, fortaleceram o Lula.
criou dificuldades para várias empresas americanas brasileiras e teve um impacto na inflação aqui nos Estados Unidos, que é sempre um grande perigo para o presidente Trump. que se a inflação subir de novo, que vai ter impacto imediato na popularidade dele, porque a inflação virou o pesadelo dos americanos ao longo dos últimos cinco anos. Foi algo que não existia.
aqui durante muito tempo e que agora tivemos a experiência de conhecer novamente e ninguém quer repetir. E o governo brasileiro, o que é que ele tem a oferecer? Carne. Brasil, o maior produtor de proteína, com investimentos pesados nos Estados Unidos. Aliás, JF foi a maior doadora da festa de posse do Trump. O Brasil tem a carne, tem café. Tem terras, terras raras, minerais, tem petróleo. A exploração lá na Foz do Amazonas, a Petrobras fez uma parceria com a Exxon.
que é uma petrolífera cujos interesses muitas vezes se confundem com os interesses dos Estados Unidos, do governo. Ou seja, você bota petróleo, café, terras raras. E carne. Mas isso mostra que o presidente Trump tem vontade de ouvir. de mudar a postura, mas eu duvido novamente que ele admita uma derrota ou que mude o número principal das tarifas. Eu acho que vai manter os 50% sobreviver. Esse é um ponto interessante que você traz, porque para quem tem...
No governo brasileiro, a expectativa de reverter essas tarifas, isso pode ser... Um banho de água fria. Mas para quem não tem essa ilusão e que acha que a única alternativa boa aí é aumentar a lista de exceção, aí a reunião pode ter sido realmente proveitosa. E tem algumas coisas... No interesse comum dos dois países que vão ser tratadas ao longo dos próximos meses, Natuza, eu como você...
Tento dialogar com o pessoal dos dois países. E se há uma unanimidade, é o tema das terras raras. As terras raras são ricas em minerais que não são encontrados facilmente. na natureza, tipo ferro, manganês, urânio, titânio e vários outros. O mais importante desses minérios raros hoje é o neodímio, que é usado para fazer isso aqui. Ímãs superpotentes, eles servem para fazer... desde fones de ouvido até armas de guerra, mas são fundamentais para um grande setor da indústria mundial.
É quase impossível fazer um carro hoje sem esses imãs. O Brasil tem as segundas reservas das terras raras no mundo, só detrás da China. mas não foram muito exploradas até agora por falta de capital e de conhecimento. Estados Unidos está numa boa posição para poder oferecer essas condições e também Natuza, sinceramente, eu vejo um certo desespero
no governo Trump para conseguir mais acesso a esses minerais. Veja como o tema principal do confronto nos últimos dez dias com a China é as terras raras. A China ameaçou com parar as exportações para os Estados Unidos e o pessoal aqui entrou em pânico. O presidente Trump anunciou um aumento das tarifas sobre a China.
Coisa que os americanos achávamos que tínhamos superado, pelo menos com esse parceiro. Então, é um tema super importante para o presidente Trump, porque as terras raras são usadas para tudo na TUSA. para veículos elétricos, para as forças armadas, a aviação, sem elas. A atividade econômica no mundo de hoje praticamente para e tem uma consciência clara em Washington de que o Brasil pode ser um parceiro bom.
O que me chamou muita atenção são essas outras conversas que estão acontecendo, como, por exemplo, o Ministério das Minas e Energia já ter sido... contactado para fazer uma reunião sobre minerais. Importante isso. E acho que isso, em parte, foi um fator que levou o presidente Trump a mudar de postura nas últimas semanas. E qual é o risco de Trump mudar de novo e essa relação com o Brasil ser uma relação de química ruim e não de química boa?
Pois é. É a pergunta que todas nós fazemos. Vivemos num mundo onde você pode acordar e ver um tweet do presidente Trump que traz outra... Outra novidade completamente. Mas, no caso do Brasil, Natuza, eu duvido que mude radicalmente de novo. Porque... Porque eu acho que, francamente, eu acho que o presidente Trump não quer saber mais do Brasil. Aí estou exagerando um pouquinho.
O que é que eu quero dizer? Eu acho que ele comprou uma narrativa, viu que não era certa, e agora quer resolver esse problema, porque ele tem mais 100 problemas no mundo. Então, eu acho que ele... quer resolver mesmo para se concentrar em outras coisas, como México, como Venezuela, Irã, Israel, Rússia, Ucrânia, enfim. A lista de crises para um presidente americano sempre é grande.
Ele comprou uma briga com o Brasil, mas eu acho que ele quer, se não resolver, ele quer diminuir, baixar um pouco a temperatura.
¶ Venezuela: Ameaça e Contexto Regional
Como é que fica o Brasil caso o presidente Donald Trump faça o que uma reportagem do The New York Times revelou? Atacar a Venezuela. É um vizinho nosso, uma fronteira enorme que o Brasil tem com os venezuelanos, com a Venezuela. Vai depender muito do governo brasileiro isso. Eu acho que vai ter uma certa reação por alguns governos na América Latina, dependendo também do tamanho da ação militar.
A questão de lançar, sei lá, uma dúzia de mísseis em território venezuelano, isso vai provocar uma reação, mas será bem diferente comparado com a invasão de tropas americanas. O Brasil tem uma posição na política externa que é tradicional. O Brasil repudia completamente qualquer tipo de intervenção militar na América do Sul. Aqui é a nossa região. O Brasil tem uma posição de não interferência. nas questões de outros países. E certamente vai ficar preocupado com esse processo que já demonstrou.
através do Celso Amorim a sua preocupação. Não vejo, Natuza, muita simpatia pelo governo venezuelano na maioria dos países da América Latina. Eu acho que uma reação seria bastante limitada. Muito diferente, por exemplo, do que seria com um país democrático e legítimo da região como seria no México, outro país que foi... mencionado na lista de países que o governo do Trump poderia usar drones ou algum tipo de ataque lá. Lá seria...
uma reação muito forte. Aliás, eu acho que pode explicar a ação do Trump no Caribe nesse momento. Tem muita gente que especula que a intenção original do governo era fazer... . . . . Então aparentemente teriam decidido não fazer esse tipo de ação em território mexicano e alguém começou a pensar na Venezuela como uma outra opção. Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com Brian Winter.
O presidente Donald Trump falou abertamente sobre a possibilidade de atacar o território da Venezuela. Uma declaração, inclusive, surpreendente, porque no passado os presidentes americanos escondiam quando havia uma suspeita ou uma atuação de fato da CIA. Dessa vez houve, me parece, uma inovação. Quais são os objetivos do Trump na sua avaliação? O que ele está pretendendo ao fazer esse tipo de declaração?
Essa consideração que você traz, Natuza, eu acho que é muito importante e talvez revela as verdadeiras intenções do presidente Trump. Veja, ninguém sabe com certeza o que está na cabeça do presidente Trump. Sabemos que ele tem, sobre a mesa dele, várias opções com a Venezuela. que o mais provável é que seja uma operação para mostrar força para nossos cartéis que têm atividades na Venezuela, se não em todo o hemisfério, mostrar um pouco os dentes dos Estados Unidos.
e intimidar eles. Os Estados Unidos já bombardearam, nas últimas semanas, barcos que estão em águas internacionais perto da Venezuela, sob a justificativa de que as embarcações pertenciam a organizações ligadas ao tráfico de drogas. Ao todo, 27 pessoas morreram nos ataques. A ação americana envolve milhares de militares, aviões espiões e até mesmo um submarino nuclear. É a maior presença militar americana na região do Caribe em 30 anos, quando os Estados Unidos invadiram o Panamá.
Também tem um componente muito importante doméstico dentro dos Estados Unidos, que é que todos os americanos querem ver ação contra os narcotraficantes. Esse é um país que teve mais de 60 mil mortes por ano. principalmente por opioides, mas também pela cocaína que flui em parte pela Venezuela. E eu acho, Natuza, que o terceiro motivo também importante é tentar intimidar o governo, a ditadura do Nicolás Maduro. Eu duvido.
que seja provável, uma ação militar, uma intervenção direta de tropas americanas em solo venezuelano. Mas com toda essa atividade, e sim, como você disse agora, esse anúncio de operações da CIA e tudo, eu acho que o objetivo é mesmo intimidar e talvez levar desse jeito a uma mudança no governo sem ter que mandar tropas.
¶ Oposição Interna e Histórico de Intervenções
dentro da Venezuela. Por que há uma oposição dentro da base de Trump a uma intervenção militar maior? Porque há alguma resistência, né? Que cálculo se faz? Por que é que o presidente Trump provavelmente não vai invadir a Venezuela com tropas americanas? Não é por uma resistência da oposição nos Estados Unidos. É por oposição na base do mesmo... presidente Trump. Um elemento importante do mundo magra.
Do Make America Great Again, né? Essa oposição a novas guerras do mundo. Não necessariamente uma intervenção. Esse pessoal não se importa com os bombardeios que já foram feitos para... esses barcos, esses vídeos que a gente acompanhou ao longo dessas semanas. De fato, esses vídeos são mais quase populares, mas a possibilidade de tropas... no solo, em qualquer país do mundo, é inaceitável para essa parte da base. É uma parte Se não alguns lutaram nas guerras no Iraque e no Afeganistão,
Outros acompanharam essa experiência e são totalmente contra qualquer possibilidade de repetir essa experiência. Essa parte da base inclui figuras importantes como Tucker Carlson, que é um comentarista muito... importante na televisão, mas Natuza também inclui
O mesmo vice-presidente do presidente Trump, o J.D. Vance, que é um veterano da guerra do Iraque, que depois virou muito crítico daquela intervenção. Então, essa pressão é real e é mais um... motivo pelo qual eu acho uma ação dramática, uma intervenção, uma invasão da Venezuela, eu acho muito improvável, se não impossível.
Donald Trump admitiu ter autorizado operações da CIA na Venezuela e ainda afirmou que estuda realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas venezuelanos. Segundo o New York Times, a autorização dada por Trump permite... que a CIA faça operações letais dentro da Venezuela. Trump desconversou ao ser perguntado se a CIA tem permissão para eliminar Maduro.
A agência tem um histórico de já ter tentado várias vezes assassinar Fidel Castro em Cuba sem sucesso na segunda metade do século XX. Em espanhol, Nicolás Maduro criticou o que chamou de guerras fracassadas no Afeganistão. Iraque e Líbia e de golpes de Estado orquestrados pela CIA na América Latina, citando a Argentina e Chile na década de 70. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela afirmou que
a fala de Trump é uma violação gravíssima do direito internacional e da Carta da ONU. Afirmou que as manobras buscam legitimar uma operação de mudança de regime para se apropriar do petróleo venezuelano. Será que você pode fazer um relato, um breve relato do histórico de intervenções dos Estados Unidos em países da América Latina? Pois é, não temos uma hora e meia na Tusa. Houve várias ao longo da história. As mais recentes incluem a ação da CIA na Guatemala nos anos 50.
que ajudaram com a queda do governo do Jacobo Arbenz, presidente de esquerda naquele momento, que ameaçava interesses comerciais dos Estados Unidos. Os brasileiros sabem muito bem o papel dos Estados Unidos no 64. Houve outros momentos ao longo da história. O fato é que nos últimos 70, 80 anos, eu diria, os presidentes dos Estados Unidos sempre mantiveram uma espécie de regra de ouro. Intervir...
em países da região, na América Latina de forma geral, mas especialmente ali, Caribe e América Central, mas negando tudo sempre. Então, desde a deposição do presidente Arbenz na Guatemala, a invasão da Ilha de Granada, do desembarque...
aqui na Baía dos Porcos, em Cuba, a derrubada do general Noriega no Panamá, passando pelo golpe militar chileno de Pinochet, a Casa Branca agia sempre em tom de top secret. Mas Trump, ao declarar publicamente a autorização para a CIA... operar dentro da Venezuela, ele aboliu esse ritual de sigilo absoluto.
Com uma espécie de entusiasmo até de um apresentador de auditório. Então a Casa Branca virou uma espécie de showroom de testosterona geopolítica. E mais recentemente, uma comparação talvez mais válida que muitos estão fazendo neste momento é a... a invasão da Panamá no 89, que foi parecido em algumas coisas. Você tinha um ditador, Emmanuel Noriega, que era... narcotraficante mesmo, e Estados Unidos invadiram com miles de tropas para tirar ele e levar ele para uma prisão nos Estados Unidos.
e instauraram, Estados Unidos não instaurou, mas os panaménios instauraram uma democracia que continua até hoje. Mas é muito difícil repetir essa experiência com o caso venezuelano, Natuza, porque, primeiro, na Panamá, naquela época, o Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos estava... baseada na Panamá, como o legado do controle americano do canal. Então, para essa operação, os Estados Unidos já começou com 20 mil.
tropas em solo panaménio, mas chegaram depois. Venezuela, obviamente, é um país muito mais grande, tem um exército enorme, poderoso, e também a opinião pública nos Estados Unidos, eu acho totalmente contra agora qualquer experiência desse tipo. Brian Winter, meu amigo, muito obrigada por ter topado conversar com a gente. A gente estava sentindo sua falta aqui no assunto. Obrigado pelo convite, Narusa.
Se você ouviu o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite. Baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o Assunto, podcast diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do Assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kazurowski e Carlos Catelã.
Eu sou Natuzaneri, fico por aqui, até o próximo assunto.
