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Flávio Bolsonaro: pré-candidatura como moeda de troca

Dec 09, 202525 minEp. 1616
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Summary

O episódio detalha a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, revelando-a como um "balão de ensaio" para manter o poder político da família e negociar anistia, além de servir como um recado a Michelle Bolsonaro. Analistas e líderes políticos, incluindo o Centrão e o mercado, veem a estratégia com desconfiança, preferindo candidatos mais viáveis como Tarcísio de Freitas, enquanto a movimentação beneficia Lula e expõe o isolamento de Jair Bolsonaro.

Episode description

Convidado: Octavio Guedes, colunista do g1 e comentarista da GloboNews. Anunciada pelo próprio filho mais velho de Jair Bolsonaro, a escolha de Flávio para disputar a Presidência em 2026 mexeu com o tabuleiro eleitoral. Na sexta-feira (5), o senador pelo Rio de Janeiro surpreendeu aliados e opositores ao tornar público que recebera a missão diretamente de seu pai, o ex-presidente que está preso por tentativa de golpe de Estado. A decisão de Jair se deu ao fim de uma semana agitada no clã Bolsonaro. Dias antes, a ex-primeira-dama Michelle implodiu publicamente a tentativa de amarrar uma aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará. Flávio e Carlos Bolsonaro a criticaram em público; pouco depois, Flávio se desculpou. A pré-candidatura de Flávio, no entanto, nasceu sob desconfiança dos líderes dos partidos do Centrão, com preferência por governadores que se colocam como opção para a disputa. Caso dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do Paraná, Ratinho Jr. (PSD). No fim de semana, o próprio Flávio ponderou a possibilidade de não ir até o fim ao dizer que sua pré-candidatura “tem um preço” e poderia ser retirada caso uma contrapartida fosse oferecida em troca. Para analisar e explicar o cenário no qual Jair Bolsonaro ungiu seu filho mais velho para disputar a Presidência, Natuza Nery conversa com Octavio Guedes, colunista do g1 e comentarista da GloboNews. Na conversa, Octavio Guedes comenta as movimentações do centro, da direita e do bolsonarismo, além de projetar a viabilidade política e eleitoral de Flávio nas urnas em 2026.

Transcript

Intro / Opening

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Crise Familiar e Anúncio da Candidatura

A semana foi agitada no clã Bolsonaro. No último domingo de novembro, Michele Bolsonaro assumiu protagonismo nas costuras de candidaturas com o apoio do bolsonarismo pelo país. participar do lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão ao governo do Ceará. E durante o evento, acabou criticando um movimento que vinha sendo feito pelo deputado André Fernandes, do PL do Ceará.

movimento de aproximação com Ciro Gomes. A gente vai acompanhar um trechinho do que ela disse. É sobre essa aliança que vocês se precificaram em fazer. Eu adoro o André, mas fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá. Isso não dá. Isso não dá.

O movimento levou a uma verdadeira lavação de roupa suja dentro e fora da família. O Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, disse que dentro do PL há um enorme respeito pela Michele Bolsonaro, pelo trabalho que ela tem feito com mulheres. Mas a percepção é que... É preciso, nesse momento, explicar quais são as normas do partido. O senador Flávio Bolsonaro disse que a fala de Michele Bolsonaro durante esse evento em Fortaleza, no Ceará, foi uma fala minimamente desrespeitosa.

atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará, e a forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja a nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangida. O vereador Carlos Bolsonaro, ele endossou o discurso do irmão e na mesma linha seguiu também o deputado federal Eduardo Bolsonaro. A ex-primeira-dama reagiu, deixando claro uma fratura exposta.

Só que ela fala o seguinte, como ela opinou em relação à aliança no Ceará, que ela discorda dos filhos do Bolsonaro, ela fala, aqueles que defendem essa aliança lá no Ceará são livres para continuar com ela, mas não deveriam me criticar por não... aceitá-la, ou seja, por divergir. Eu tenho o direito de não aceitar isso ainda que essa fosse a vontade do Jair. Ele não me falou se é.

E aí, então, está aí posta a manifestação bem clara dela dessa briga familiar. Flávio depois pediu desculpas. E após ter se encontrado com seu pai, que cumpri pena na Polícia Federal de Brasília, o filho 01 anunciou ter sido escolhido pelo ex-presidente. para ser seu candidato ao Palácio do Planalto em 2026 contra Lula. Uma candidatura que, de cara, gerou dúvidas em todos os campos, de políticos tradicionais até analistas.

Dúvidas essas reforçadas por pesquisas recentes. O Datafolha também fez uma pesquisa de intenção de voto para eleição presidencial do próximo ano. No primeiro cenário, Lula do PT tem 41% dos votos. Pela margem de erro, tem entre 39 e 43. Flávio Bolsonaro, do PL, aparece com 18%, podendo variar de 16 a 20. E intensificadas por declarações do mesmo Flávio Bolsonaro já no domingo.

Destaco uma. Eu tenho um preço para não ir até o fim. O senhor vai até o fim com a candidatura? Olha, tem uma possibilidade de eu não ir até o fim. Eu tenho um preço para isso. Eu vou negociar. Eu tenho um preço para não ir até o fim. Só que eu só vou falar para vocês amanhã. O senhor sinalizou que o preço seria pautar a anistia, é isso? Não, não é só isso não, mas tá tudo bem, vamos lá. O senhor vai procurar o presidente da Câmara, o presidente da Colômbia...

Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é a candidatura de Flávio Bolsonaro como moeda de troca. Meu convidado é Otávio Guedes, colunista do G1 e comentarista da Globo News.

A Candidatura "Balão de Ensaio"

Terça-feira, 9 de dezembro. Otávio, o que está por trás da ideia de lançar Flávio Bolsonaro e qual foi a estratégia? E se ela deu certo? Olha, a estratégia veio da mesma mente que achou que era uma boa ideia pegar uma máquina de soldar para abrir ou romper uma tornozeleira eletrônica. Você usou alguma coisa para queimar isso aqui? Ferro quente? Curiosidade. Que ferro foi? Ferro de passar? Não, ferro de solda. Ferro de solda, aquele que tem uma ponta?

Então, quando fala de uma decisão de Bolsonaro, da família Bolsonaro, eu aprendi que eu não vou ficar aqui elucubrando qual a grande estratégia que tem por trás disso. Bom, lançaram, lançaram. E desde o início eu disse que era um balão de ensaio. Quais são os efeitos disso? Em primeiro lugar, mantém o sobrenome Bolsonaro no noticiário.

Mais tarde, pode servir como uma moeda de troca, como o próprio Flávio já falou. E de onde veio a minha certeza de que era uma candidatura de fachada, uma candidatura laranja? o Flávio Bolsonaro não pode ficar sem foro privilegiado. Então, ele vai largar uma eleição muito certa para senador aqui no Rio de Janeiro, garantir seu foro privilegiado para arriscar

um embate com o Lula, que hoje mostram as pesquisas e ele teria muita dificuldade. O mundo político e as pesquisas dizem isso. Então o Flávio não ia arriscar ficar sem foro privilegiado. E por que ele não pode ficar sem foro privilegiado?

conta de inúmeras investigações que estão ocorrendo. O medo da família Bolsonaro é justamente ficar sem foro privilegiado. Era uma família que dizia que foram privilegiados, era a pior coisa do mundo, que no governo, uma vez no poder, eles iam acabar com isso e acabou mostrando, quer dizer, foram privilegiados e todas vão e vêm da justiça.

acabaram salvando o Flávio Bolsonaro do crime de rachadinha, que estava comprovado e foi confessado pelo Queiroz. Disse que o Flávio não sabia, mas foi confessado. Dinheiro que pagava boleto. E há outras investigações em curso envolvendo assessores muito próximos de Flávio Bolsonaro. Contra ele especificamente não há... Nenhuma investigação. Ele pode não ter nenhum caso neste momento na justiça, mas ele tem um passivo. Ele tem toda a questão da rachadinha, investigações, imóveis e tudo isso.

campanha volta. Sem falar num fator importantíssimo, se a gente olhar para a centro-direita ou a direita extrema-direita, que é a candidatura de Flávio Bolsonaro, carregando os votos do pai. Divide a direita. E a família Bolsonaro também se diz perseguida por investigações. Então também não abriria mão do foro privilegiado que eles tanto atacaram.

Movimento Contra Michelle e Reação do Mercado

Agora, Otávio, por que agora? No começo do episódio, eu narrava a sequência de questões ali envolvendo a família, a fala de Michele no Ceará, depois a crítica de Flávio Bolsonaro. ex-primeira-dama, por que Bolsonaro resolveu dar as bênçãos para o seu filho, ou pelo menos combinar um anúncio assim com o filho 01. Tinha alguma coisa a ver com o Michele ou era outra motivação? A cronologia mostra que tem tudo a ver com o Michele.

Porque foi justamente na semana, no período em que estavam brigando para saber quem seria o porta-voz de Bolsonaro. Essa é a briga. E o Bolsonaro foi mais além e disse o Flávio, não só... o meu porta-voz, como o meu candidato. Então, é também um chega para lá na Michelle, na minha visão. E o pedido de desculpa também deve ter sido por...

Por ordem do pai, né? Porque ele faz um pedido de desculpa para ela na sequência. Faz um pedido de desculpa e vira o candidato do pai, ou seja, vira o porta-voz. Então, ao mesmo tempo que ele mostra uma humildade... depois ele é ungido o porta-voz, o candidato, então, portanto, a Michele fica em segundo plano para o bolsonarismo.

não aos olhos do eleitor. Esses líderes do Centrão, presidentes de partidos, receberam muitos telefonemas do mundo econômico, do que a gente chama Faria Lima. E não era só assim, o que a gente faz e agora... o que acontece. Não, pessoas revoltadas com o fato de Flávio Bolsonaro ter feito um anúncio que quebra uma construção, esse é o significado, quebra uma construção de um nome... Forte.

Para quem analisa o cenário e também dentro da Faria Lima, colocar um candidato no segundo turno inviável como Flávio Bolsonaro seria dar à Lula uma vitória. bandeja. Olha, a reação foi muito forte. O mercado começou a dar tilt já na sexta-feira. O Centrão avisou que não queria. Então ele rapidamente teve que dizer a verdade. Olha, gente, é uma candidatura de fachada, mas...

Tem negociação, tem um preço que é a niché do meu pai. Ela existe, um dos motivos que existe é que na nossa cabeça a gente conseguiria isso. Olha, o Bolsonaro está isolado.

Isolamento de Bolsonaro e Vantagem para Lula

está recebendo muito visitas e ele sempre se guiou pela bolha dele. nas redes sociais. Então, Bolsonaro deve imaginar, devia imaginar que essa candidatura seria uma candidatura que ia ameaçar o Lula. E, ao contrário, o PT festejou essa candidatura de fachada. O Palácio do Plano Alto, a comemoração é discreta por quê? Porque o nome do Flávio é, na verdade, o nome Bolsonaro. Então, vai repetir a polarização. Isso interessa ao Palácio do Plano Alto.

Por quê? Porque o nome Bolsonaro já traz em si uma rejeição muito elevada, segundo várias pesquisas. É como se Bolsonaro estivesse estendendo o tapete vermelho. para Lula subir mais uma vez a rampa do Planalto. É assim que isso é entendido, obviamente, pelos governadores de direita, pelo Centrão. Porque se é séria essa candidatura de Flávio Bolsonaro...

Eu, no lugar de Lula, correria para o abraço com metade do centrão que vai preferir ficar com Lula e com o próximo governo do que ficar com a candidatura inviável e maluca de Flávio Bolsonaro. Quando a gente olha para o Flávio Bolsonaro e até mesmo para a Michelle e outros virtuais ou potenciais candidatos à presidência da República que carregam o sobrenome de Bolsonaro, o que as pesquisas dizem? Dizem que a rejeição... ela é um impeditivo para uma eleição majoritária. É um impeditivo. Porque...

O Bolsonaro, para ganhar a eleição, o bolsonarismo tem que falar ao centro. Se ele falar para o eleitor de centro, ele deixa de ser, ele perde a sua essência bolsonarista. O Bolsonaro, na minha visão, em 2018, ele não fez um discurso para o centro. Ele continuou no cercadinho dele. O que fez foi que milhões de eleitores pularam para o cercadinho do Bolsonaro.

Então ele estava ali a metralhar os adversários políticos, os petistas, fazia piada contra minorias. Ele não mudou, ele foi transparente na campanha de 2018. Mas muitos eleitores... com a falência da política e a traição do PT, que sempre fez um discurso anticorrupção, ele herdou... o discurso anticorrupção da UDN e o que a gente viu foi uma grande corrupção nos governos do PT, esse eleitor traído pulou no cercadinho do Bolsonaro, rapidamente viu a besteira que fez e saiu fora.

do cercadinho e muitos eleitores de centro que em 2018 votaram no Bolsonaro decidiram entre a democracia e o autoritarismo de Bolsonaro e votaram no Lula.

Anistia Improvável e Pragmatismo do Centrão

Essa estratégia de Flávio Bolsonaro de dizer que é ele o candidato, mesmo sendo uma estratégia de fachada, pode ter o condão? De fazer com que Hugo Mota, Davi Alcolumbre e Companhia Limitada votem e aprovem uma anistia? Menor possibilidade. Menor possibilidade. Ao contrário, enfraquece. Porque essa foi tão comédia pastelão. Que isso? É uma comédia pastelão, circense, que desmoraliza ainda mais o bolsonarismo, na minha visão.

Espero um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com Otávio Guedes. Eu conversava com um importante aliado do ex-presidente Bolsonaro, atua ali na tropa de choque do ex-presidente, ele dizia o seguinte, olha, o Bolsonaro tá querendo ver quem é quem, né? Quem é que tá com ele e quem é que diz que tá com ele só pra se beneficiar do... do poder de voto que ele tem. E quem foram os feadores do Hugo Mota, da eleição de Hugo Mota e de Davi Alcolumbre?

foram Ciro Nogueira, padrinho de Hugo Mota, e o Rueda, do Neão Brasil. Padrinho de Alcolumbre. Embora o Alcolumbre não precisasse de padrinho, mas o Hugo Mota sim. Por isso, o Ciro Nogueira foi lá e foi o fiador do atual presidente da Câmara. Os dois se elegeram. Só que Bolsonaro... Aro não vê o Gumota entregando a votação da anistia. Isso está incomodando. Isso por si só.

Já deixa Ciro Nogueira, que é um dos líderes do Centrão, numa posição mais reativa a esse propósito da família Bolsonaro, de ver viabilizada a anistia? Eu digo isso, eu pergunto isso, Otávio, porque o Ciro Nogueira quer o Tarcísio de... Freitas como candidato à presidência da República pelo campo bolsonarista, não alguém que releve o nome de Bolsonaro. O Centrão não quer A, não quer B, nem C. O Centrão quer o poder. Quem vai ser é um detalhe.

Então, hoje é o Tarciso, ele sabe que o Tarciso tem muito mais chance do que qualquer pessoa com sobrenome Bolsonaro. O Ciro seria extremamente beneficiado se o presidente fosse Flávio Bolsonaro, mas ele sabe... que não ganha. Então, como centrão, ele quer o poder. Como Tarcísio tem mais chances do que alguém como Bolsonaro. ele então está fazendo uma opção lógica, não está querendo essa candidatura do Flávio, como o Valdemar, presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

também não quer, como o Centrão também não quer, como a Faria Lima também não quer, como o agronegócio também não quer. E o Bolsonaro, se quer testar quem está próximo a ele, vai ter a resposta. A família e os carcereiros da APF. De verdade, né? Próximos de verdade. Porque de coração... Ninguém está com Bolsonaro, a não ser os eleitores dele.

O Posicionamento Estratégico de Tarcísio

Pois é, e como é que a gente analisa a movimentação de Tarcísio de Freitas? Porque no começo, algumas semanas atrás, ele estava super candidato, né? Dando discurso, atorteia direito, e aí depois da prisão, ele rapidamente, isso era esperado que ele... fizesse mesmo defender o Bolsonaro, manifestou solidariedade e desde que essa movimentação em torno de Flávio Bolsonaro começou, ele tá caladinho, tá, viu? Como é que a gente analisa a postura dele?

Bom, primeiro que o Tarcísio, calado ou falando, é candidatíssimo a presidente. Ele não recuou em nenhum momento. Eu nunca acreditei no recuo dele. Tarcísio tem mais vontade do que o Lula hoje. Se a gente for comparar, fazendo aqui uma... forçando uma imagem, ele é mais candidato do que o Lula. Então, tem dois pontos nessa história do Tarcísio. Atrapalha ele porque o Tarcísio precisa ficar conhecido do eleitor, do Nordeste, do Norte, ali do Sul, dos grotões do Sudão.

em grandes estados do sudoeste. Enfim, ele precisa ficar conhecido. Ele ficaria mais conhecido se já tivesse sido ungido como candidato da direita. Então, isso atrapalha. Mas se você botar na balança, o benefício é maior para o Tarcísio. O Tarcísio sempre precisou dizer que era fiel ao Bolsonaro, mas não era radical como o Bolsonaro.

Como eu digo, ele fazia uma harmonização facial. Apesar de ser ungido pelo Bolsonaro para o governo do Estado, ele queria mostrar que era um bolsonarista que come de garfo e faca.

E isso que seria explorado na campanha, o candidato do Bolsonaro, agora ele tem o argumento. Não, o candidato do Bolsonaro é o Flávio. Como não deu certo, estão me apoiando. Então, eu acredito que esta... atrapalhada, foi benéfica para essa estratégia do Tarcísio de se mostrar ou tentar se mostrar um candidato de centro e não de extrema direita.

Mas existe alguma possibilidade do bolsonarismo ficar com o Tarcísio se o Tarcísio não se comprometer a anistiar Bolsonaro se eleito for a presidência da República? Olha, ele já disse que vai dar indulto. Indulto já está certo. Aliás, todos os governadores de direita disseram isso. Caiado disse, Ratinho disse. É um pedágio a ser pago porque precisam também dos votos desse bolsão radical. Está ali entre 20% e 30%. É um trampolim para você começar num patamar competitivo.

para ir ao segundo turno. Então, eu acredito que essa seja a estratégia do Tarcísio. Em silêncio, desde o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência... O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, falou pela primeira vez sobre o assunto e declarou apoio a Flávio. Foi amplamente noticiado e o próprio Flávio falou isso. Ele esteve comigo na sexta-feira passada. Nós conversamos sobre isso.

O presidente Bolsonaro, que é uma pessoa que eu respeito muito e sempre disse que eu ia ser leal ao Bolsonaro, que eu sou grato ao Bolsonaro e eu tenho essa lealdade, é inegociável. Ele disse, o Flávio, da escolha que o Bolsonaro fez pelo nome dele.

Rejeição Final do Centrão e "Presentes" Familiares

E é isso, o Flávio vai contar com a gente. Otávio, o Flávio Bolsonaro marcou, convidou os líderes do Centrão e do seu próprio partido, o PL, para um jantar para discutir. o preço dele, porque não é para discutir a candidatura dele. A candidatura dele foi anunciada sem conversar com os demais partidos que apoiaram o pai dele. E aí, o que a gente pode esperar dessa reunião, já que o senador Ciro Nogueira deu uma entrevista coletiva no Paraná, onde ele estava nesta segunda,

falando que ele se fia não por relações pessoais, até porque ele gosta muito, desgostar muito de Flávio, mas no que as pesquisas dizem. Olha, a fala dele começa com muito elogio ao senador Flávio Bolsonaro. Em política, Natuza, você sabe, quando você começa a elogiar demais, já, e elogia, e mais elogia, quando você não está aguentando mais, aí vem a facada. Está no finalzinho da fala dele, em que ele acredita...

que o Tarcísio e o Ratinho são as melhores opções. Eu já tinha externado anteriormente que os dois candidatos que poderiam unificar essa chapa era o nome do governador Tarcísio, que era o mais forte, ou do governador Ratinho. Mas... É uma fala de quem não foi convencido de que a candidatura do Flávio Bolsonaro seja uma opção viável para derrotar o Lula, que é o objetivo desse campo político.

E sabe o que me chamou a atenção nessa fala dele? Logo terminando, ele diz assim, posso ser convencido, convencido do contrário, ele quer dizer, mas com argumentos e critérios para que a gente possa fazer uma escolha, porque o Brasil não pode perder a próxima eleição. temos que virar a página da nossa história. Então, ele está dizendo claramente, Flávio, gosto muito de você, mas você não pode ser o nome que vai encabeçar a chapa. E vice?

Dá para considerar o nome Bolsonaro, o sobrenome Bolsonaro na vice, na visão do Centrão? Também não. Também não. O que o Centrão quer é o sobrenome Bolsonaro, apoiando, mas afastado da chapa. por conta da rejeição. E essa fala que você citou do Ciro, ele dizendo que preciso ser convencido, isso aí é como qualquer ouvinte nosso. Em casa, por exemplo.

A Vivi, quando diz que precisa ser convencido, eu nem falo de argumentos, que eu sei que ela já está convencida e nada vai mudar a sua opinião. É mais ou menos isso a nota do Ciro. A Vivi é a sua mulher, né? Isso, a minha esposa. Quando ela falou, vamos fazer qualquer coisa. Ela me convence que isso é bom. Eu falei, vamos pensar em outro programa? É isso, o Ciro está dizendo a mesma coisa. Política não é diferente da nossa vida no dia a dia.

Ou seja, a Vivi é quem manda, é isso, né? A Vivi é o centrão desse casamento. É, já a Vivi decidiu, tá decidido. Me convence assim, vai aí. Vai, joga fora suas palavras que eu já tomei a minha decisão. É isso. Isso aí é o que diz o Ciro. Isso é o que pensa o Centrão. Isso é o que pensa o Valdemar Costa Neto, que nunca vai admitir. Mas sabe que não tem a menor chance. Aliás...

Parece até que os bolsonaros estão tirando um Natal de inimigo oculto, para ver quem dá o pior presente para o pai. O Eduardo Bolsonaro deu como presente o tarifaço. que foi uma bomba para o bolsonarismo. O Flávio agora vem com essa candidatura que deixa o retrato nu e cru. A candidatura do Flávio Bolsonaro deixa bem claro.

que o mercado não quer os bolsonaros, o agronegócio não quer o Bolsonaro, e nem o centrão quer o Bolsonaro, nem o mundo político quer mais os bolsonaros. Então, outro presente de inimigo oculto. para o Bolsonaro. A Michelle já vinha criando confusão em todos os estados, em que ela entrava para opinar quem deveria ser também um presentaço de inimigo oculto do Natal da família Bolsonaro. Agora...

Oportunidade para a Direita Democrática

Encerrando, Natuza, o que a direita tem oportunidade é a direita democrática romper a tornozeleira que aprende a Bolsonaro. A candidatura... fake do Flávio Bolsonaro deu essa oportunidade à direita democrática de romper com toda a delicadeza e não solda elétrica. A tornozeleira que a liga à direita, que a une a essa extrema-direita, porque isso vai fazer bem eleitoralmente a qualquer candidato de direita.

Otávio Guedes, muito obrigada por ter conversado aqui com a gente no assunto sobre essas tretas todas no campo da direita e do bolsonarismo. Bom trabalho para você, meu amigo. Até a próxima. Antes de terminar, um recado. Se você ouve o assunto no Spotify e gostou do episódio, é assunto mesmo, dá cinco estrelas e compartilhe esse episódio com quem você quiser. Você pode nos ouvir no G1, no YouTube e em todas as plataformas de áudio.

Comigo na equipe do assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Tiago Kazurowski e Carlos Catelan. Eu sou Natuza Neri, fico por aqui. Até o próximo assunto.

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