Confusão e desordem na Câmara - podcast episode cover

Confusão e desordem na Câmara

Dec 10, 202526 minEp. 1617
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Summary

O programa analisa a tumultuada sessão da Câmara dos Deputados, marcada pela ocupação da cadeira presidencial pelo deputado Glauber Braga (PSOL), sua remoção truculenta pela polícia legislativa e a inédita expulsão da imprensa. A conversa com Ana Flor explora a discrepância no tratamento comparado a ocupações anteriores por deputados bolsonaristas e o contexto das cassações. O episódio culmina na discussão e aprovação de um projeto de lei que alivia as penas de condenados por tentativa de golpe de Estado.

Episode description

Convidada: Ana Flor, colunista do g1 e comentarista da GloboNews. O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) por volta das 16h da terça-feira (9). Horas antes, Motta havia anunciado que colocaria em votação ainda nesta semana a cassação do mandato de Braga, acusado de quebra de decoro parlamentar por agredir um militante do Movimento Brasil Livre (MBL), em abril de 2024. Glauber Braga se recusou a sair da cadeira de Motta até que, às 17h34, o sinal da TV Câmara foi cortado e a polícia legislativa tirou a imprensa do Plenário. Na sequência, pouco depois das 18h, o deputado Glauber foi retirado da Mesa Diretora de maneira truculenta pela polícia legislativa. Depois da confusão, Motta reabriu os trabalhos da Câmara. Por volta da meia-noite, os deputados começaram a analisar o projeto de lei que beneficia Jair Bolsonaro e outros condenados por tentativa de golpe de Estado. Para explicar como foi a confusão e o que aconteceu a partir dela, Natuza Nery conversa com a jornalista Ana Flor. Colunista do g1 e comentarista da GloboNews, Ana Flor detalha qual o grau de ineditismo dos fatos registrados na Câmara dos Deputados nesta terça-feira. Diretamente do Congresso, a jornalista pontua a diferença de postura adotada por Hugo Motta agora e em agosto, quando parlamentares bolsonaristas ocuparam a cadeira do presidente da Câmara por dois dias. Ana detalha também quais as perspectivas de análise das cassações de Glauber e dos deputados Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro, também anunciadas por Hugo Motta para os próximos dias.

Transcript

Intro / Opening

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Confusão na Câmara e Censura

Era início da noite quando a polícia legislativa se aproximou da mesa diretora, cercou o deputado Glauber Braga do PSOL para convencê-lo a deixar a cadeira da presidência. Parlamentares aliados acompanhavam a conversa quando os policiais... noticiais avançaram sobre o deputado. Glauber Braga tentava se desvencilhar, enquanto deputados aliados buscavam impedir as agressões. Durante a confusão, a deputada Célia Chacriabá, também do PSOL, chegou a cair.

minutos até que a polícia legislativa retirou Glauber à força da cadeira da presidência. E o sinal da TV Câmara foi cortado, impedindo que os jornalistas acompanhassem o que acontecia no local. A polícia legislativa começou a retirar a imprensa do plenário. A assessoria da presidência da Câmara afirmou que a ordem partiu de Hugo Mota. Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é a confusão e a censura na Câmara dos Deputados.

Minha conversa é com Ana Flor, colunista do G1 e comentarista da Globo News. Ela fala comigo diretamente do Congresso Nacional. Quarta-feira, 10 de dezembro. Ana, eu quero te ouvir sobre como tudo começou. Você estava na Câmara dos Deputados, aliás, está ainda, mas eu não posso começar essa nossa conversa sem te perguntar uma coisa. Fazia quanto tempo... que você não levava empurrão de segurança. Olha, Natuz, eu...

Pensando, deve assim, acho que uns 15 anos era uma coisa que a gente reclamava que acontecia no Planalto ou em viagem com autoridades, presidentes da República, que às vezes tinha um ou outro segurança que exagerava. E a gente sempre reclamava, né? Você lembra disso também? Agora aqui... Também levei muito empurrão. Muito. Agora, aqui nunca achei que a polícia legislativa da Câmara fosse dar safanão e empurrão em jornalista, como aconteceu hoje.

A gente vai chegar nesse momento bastante grave, diga-se de passagem, que aconteceu na Câmara dos Deputados, mas vamos então do começo aqui, tá?

A Ocupação de Glauber Braga

Às 4 horas e 4 minutos da tarde, o deputado federal Glauber Braga, do PSOL, do Rio de Janeiro, se sentou na cadeira do presidente da Câmara. E aí, para quem não sabe, ele responde a um processo disciplinar no Conselho de Ética e a sua votação do seu pedido de cassação estava marcado para quarta-feira. Bom, o que aconteceu a partir daquele exato momento, das quatro horas e quatro minutos da tarde? Natuza, eu volto até um pouquinho antes, tá? Por volta de três e meia, tinham ali os parlamentares.

No plenário da Câmara, não tinha uma sessão rolando, o presidente da Câmara estava na residência oficial ainda e Glauber Braga sentava na presidência do presidente, falava um pouco, saía, voltava, conversava com o parlamento. Então ele ficou fazendo isso ao longo de algum tempo. Nesse horário que você citou, logo depois das quatro da tarde, ele senta.

e anuncia que dali não sai mais. Durante as duas horas em que ocupou a mesa diretora, Glauber Braga disse que não sairia do local até o fim do processo contra ele e criticou o presidente da Câmara. Eu vou me manter aqui, firme, até o final dessa história. Se o presidente da Câmara dos Deputados quiser tomar uma atitude diferente da que ele tomou... com os golpistas que ocuparam essa mesa diretora e que até hoje não tiveram qualquer punição, essa é uma responsabilidade dele. Eu...

Aqui ficarei até o limite das minhas forças. Até o limite das minhas forças. Então... começa uma tensão, porque é óbvio que todos os parlamentares, todas as pessoas, jornalistas que cobrem... Câmara, enfim, trabalham aqui, perceberam uma semelhança com o que a gente viu em agosto, quando aqueles deputados da direita, extrema-direita, ocuparam...

O Tratamento Diferenciado na Câmara

48 horas a mesa do presidente. Muito recentemente, em agosto desse ano, o que a gente viu foram deputados bolsonaristas também assumindo a mesa diretora da Câmara dos Deputados e com um tratamento muito diferente. Um tratamento em que se tentou um acordo, um tratamento que à época houve um acordo, vocês vão se lembrar, um acordo que participou Arthur Lira, participou também o presidente da Câmara, Hugo Mota, tudo para resolver sem violência. E hoje não foi...

Então, foi um momento de tensão que começou a se negociar ali essa retirada de Glauber, que a gente precisa, claro, colocar dentro de um contexto. estava no momento em que ele tentava o seu último ato. Ele sabe que a cassação virá. Inclusive, pautar junto o conde Carla Zambelli já indica isso. E ele queria também, claro, causar, como a gente diz. Mas o que aconteceu a partir daí foi muito grave.

O deputado Glauber Braga foi encaminhado para o DEMED, que é o departamento médico aqui da Câmara dos Deputados, vai fazer um exame de corpo de delito, porque segundo parlamentares que estavam lá dentro e segundo as imagens que nós pudemos assistir, O deputado foi tratado ali com uma truculência, com bastante violência, foi jogado para trás da mesa. Ele estava até com alguma camisa rasgada. Bom, não é a primeira vez que alguém se senta no lugar do presidente da Câmara.

Hugo Mota. Aconteceu isso recentemente, parlamentares de direita que queriam impor ali a sua decisão para Hugo Mota ficaram sentados ali. Como é que foi naquela ocasião? A segurança também retirou eles à força? Não, isso não aconteceu. Eles ocuparam a presidência. A mesa, a cadeira de presidente, um movimento também muito grave, fora de toda a regra e o regramento do regimento da Câmara dos Deputados. E ali ficaram. Mas não houve movimento. de cortar imagens, tirar imprensa e não houve...

o que a gente viu hoje, que é a segurança, a polícia legislativa retirando esses parlamentares. Houve uma longa negociação, inclusive com o ex-presidente da Câmara. Arthur Lira, e aí esses parlamentares acabaram saindo, saindo por vontade própria. E o que levou, também a gente tem que dizer o que levou ao dia de hoje, o fato de que houve um acordo. de que eles não seriam punidos. Então, ficou por elas e hoje Glauber repete o que é gravíssimo também como parlamentar, que é o...

a presidência, a cadeira de presidente, né? E isso sem autorização, sem nada. Hugo Mota se manifestou sobre a confusão na Câmara com o deputado Glauber Braga. Hugo Mota disse que seguiu o protocolo de segurança da casa. A cadeira da presidência não pertence a mim, ela pertence à república, pertence à democracia, pertence... E nenhum parlamentar está autorizado a transformá-la em instrumento de intimidação, espetáculo ou desordem.

A minha obrigação como presidente desta casa é proteger o parlamento. E foi isso que fiz ao seguir rigorosamente os protocolos de segurança. e o regimento interno. Também é preciso registrar. Não se deve ocupar a cadeira do presidente. Já não se devia ocupar quando os deputados de direito fizeram. Também não se deve fazer agora. É preciso...

retirar e até punir administrativo, punir de uma forma grave quem faz isso. Isso indica muito, a gente tem que falar sobre isso, sobre o status nesse momento de força e de pulso da presidência da Câmara. Exato, até porque não era aceitável lá e não é aceitável agora. E ele, inclusive, disse isso, o deputado Glauber, que fez para mostrar...

como há dois pesos e duas medidas. Ele chegou a alegar isso na entrevista que deu depois desse triste episódio. A única coisa que eu pedi ao presidente da Câmara, Hugo Mota, foi que ele tivesse... 1% do tratamento para comigo que teve com aqueles que sequestraram a mesa diretora da Câmara por 48 horas, por dois dias. em associação com um deputado que está nos Estados Unidos conspirando contra o nosso país. Ali sobrou negociação, sobrou diálogo.

Expulsão da Imprensa e Reações

Em nenhum momento foi cogitada a possibilidade de retirar da força daqueles deputados pela polícia legislativa. Eu quero continuar na cronologia da história. Você citou o horário lá de por volta das três e meia, depois o momento de... 4 horas da tarde, 4 e 4, quando Glauber Braga se senta na cadeira de presidente. E aí, às 17 e 34, acontece algo muito esquisito.

O sinal da TV Câmara foi abruptamente cortado e em seguida houve uma inaceitável ordem para os jornalistas deixarem o plenário. Quando é que você viu isso acontecer? Em toda a tua trajetória de cobertura do Congresso Nacional, Ana? Olha, Natuz, eu comecei a cobrir Congresso Nacional em 2003, idas e vindas de Brasília, mas há 20 anos cobrindo intensamente, jamais.

Vi a imprensa sendo expulsa do plenário, sendo impedida na Câmara dos Deputados, a Casa do Povo, de fazer o seu trabalho. Houve muito tumulto aqui no Salão Verde e também agressão contra jornalistas. que tentavam acompanhar a saída do Glauber Braga depois que ele foi retirado do plenário da Câmara dos Deputados e os profissionais de imprensa.

Todos foram ali justamente para acompanhar a saída do Glauber e pegar as declarações do deputado depois que ele foi retirado. Nesse momento, jornalistas ali posicionados, homens, mulheres, repórteres, repórteres cinematográficos, fotógrafos, etc. foram empurrados por integrantes da polícia legislativa, principalmente estavam sendo liderados ali.

pelo Marcelo Guedes, que é chefe da Delegacia de Polícia Legislativa. Então, a gente não pode diminuir a seriedade disso, a gravidade disso, porque isso também tem muito a ver. com a aceitação de que, olha, imprensa não é tão importante, a nossa democracia... pode ser flexibilizada, a imprensa, os jornalistas são sim os olhos do povo. E quando esses olhos são fechados, tudo pode acontecer. Bom, eu estava assistindo...

a TV. Estava me preparando para entrar no ar no Jornal das 18, nós duas, inclusive, porque a gente faz esse jornal juntas, quando o presidente da Câmara, Hugo Mota, conversa com a Júlia Duailib, que estava apresentando. o jornal dela, o Maisy, diz não, não fui eu que determinei que os jornalistas fossem expulsos, inclusive eu determinei que fosse reaberto o plenário. Só que aí os minutos foram passando, Ana Flor, e o plenário não foi reaberto.

com a imprensa toda protestando lá fora, e a segurança dizendo, aliás, a assessoria de imprensa do presidente da Câmara, Hugo Mota, dizendo que a imprensa tinha que sair, ou seja, o presidente da Câmara disse... Que não foi dele a decisão, mas a sua própria assessoria foi quem colocou os jornalistas pra fora. Difícil colar essa história, não? Muito, porque, pensa bem, ali entre 4, 4 e 15 e 5 e meia, muita coisa acontece, muitas decisões são tomadas.

E foi o que a gente viu. A decisão que foi tomada foi retire os jornalistas, corte o sinal da TV Câmara. E não dá para acreditar que um... Um coordenador, um diretor, um responsável pela polícia legislativa toma uma decisão dessa sozinho. É óbvio que ele consultou as suas chefias. Fui empurrado, outras pessoas foram empurradas. Então, além do momento anterior em que os jornalistas foram impedidos de acompanhar o que acontecia na mesa diretora, a retirada do Glauber Braga...

Segundo o Marcelo Guedes, chefe da Polícia Legislativa, por decisão do Hugo Mota, aqui, mais uma vez, os jornalistas foram cerceados, dessa vez, por decisão do chefe da Polícia Legislativa, da Delegacia de Polícia Legislativa, o Marcelo Guedes. Eu o levei, olha, fiquei perguntando muito tempo à assessoria do presidente da Câmara, onde ele estava naquele momento e demorei para receber a resposta que ele estava na residência oficial. Quer dizer, ele estava perto, não estava.

aqui no prédio, mas estava com certeza sabendo do que acontecia e tomando decisões. Não dá para tirar o corpo fora quando algo tão grave acontece. Eu não sei o que é pior, o presidente da Câmara ter decidido. retira a imprensa ou ele não decidir e alguém decidir por ele. Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com a Ana Flor. Agora, Ana, por volta das 18 horas e 8 minutos, o Glauber Braga foi tirado...

da cadeira de Hugo Mota. Descreve pra gente como se deu essa cena, porque foi muito impressionante. As imagens são muito impressionantes. É chocante. Me arrepio só de lembrar delas, porque a gente que cobre muito aqui, a gente não... vê esse tipo de truculência. E vimos isso... porque isso foi filmado por parlamentares que não podiam ser expulsos, os parlamentares não podem ser retirados do plenário. E eles, gravando, filmando, transmitindo ao vivo, foram os nossos olhos. Simplesmente...

Subiu a polícia legislativa e, claro, Glauber estava rodeado por parlamentares também que queriam que ele saísse, mas não de forma truculenta. E aí houve um embate corporal entre policiais e... A gente viu uma parlamentar mulher indígena caindo, outra ficou machucada, outros parlamentares ali no corpo a corpo. O próprio Glauber saiu com o terno rasgado e foi retirada. Assim, então...

É muito triste a gente olhar para isso e pensar, enfim, que isso está acontecendo no nosso parlamento. É triste porque a gente sabe o quanto o parlamento é importante, quantos deputados são importantes para a nossa democracia, mas não é isso que a gente quer. ver deles. Mas você conversa comigo direto do Congresso Nacional. Como é que foi a reação dos parlamentares? a essa sucessão de coisas. Matusa, o Salão Verde, que é aqui onde eu estou, ficou empolvorosa, porque dentro do plenário...

Geralmente, quando tem sessões, e hoje tinha uma sessão marcada importante, que era essa votação da dosimetria, fica lotado de gente no fundo e no cafezinho. Essas pessoas estavam todas do lado de fora, porque foram expulsas, inclusive servidores da casa. E os parlamentares incrédulos lá dentro iam e vinham na porta informar o que estava acontecendo, porque a imprensa simplesmente se colocou de frente para a porta principal, que estava bloqueada pelo segurança.

pelos policiais e toda vez que alguém abria, existiam gritos de libera, libera, libera a entrada dos... dos jornalistas, e sem falar nos jornalistas que foram retirados lá de cima, das galerias, enfim. Então, ficou os parlamentares lá dentro, registrando, saindo, fazendo esse relato para as pessoas. Quando Glauber Braga finalmente sai, retirado e sai pela porta lateral, ele vai para um púlpito que fica aqui no Salão Verde.

fazer as suas declarações, e é ali que também acontece um corpo a corpo, muita gente empurrada, a imprensa sendo contida com pouquíssimo respeito, e os parlamentares relatando. Até com tristeza o que viram também. É importante a gente dizer que eles são parte dessa casa e quando vem um parlamentar sendo tratado assim, mesmo...

tendo feito algo que é errado, mas eles pensam, olha, eu poderia também estar sendo tratado assim. Então, por isso que a gente fala que o clima azedou aqui e muito provavelmente será difícil pensar nessa votação.

Contexto das Cassações Parlamentares

hoje, acontecendo. Bom, toda essa história começou quando o Hugo Mota anunciou que ia colocar em votação as cassações, os pedidos de cassação de Carla Zambelli. Alexandre Ramagem, Eduardo Bolsonaro e incluiu o Glauber Braga. Queria que você falasse um pouco sobre o que deve acontecer com esses outros deputados e por que a escolha de incluir... Braga, justamente junto com esses outros processos. Era isso mesmo? Fazia sentido juntá-los todos ou não? Não fazia sentido.

Não fazia sentido porque, especialmente no caso de Carla Zambelli, de Ramagem, há um trânsito em julgado, determinação do Supremo Tribunal Federal, algo que já tinha que ter acontecido. O delegado Alexandre Ramagem, condenado a 16...

anos, um mês e 15 dias de prisão. Mas ele fugiu do Brasil para os Estados Unidos logo depois do julgamento. Agora ele é considerado foragido da justiça. Além da ordem de execução de... pena contra Alexandre Ramagem, Moraes notificou a Câmara para que declare a perda de mandato do deputado ao Tribunal Superior Eleitoral para que aplique a inelegibilidade e ao Ministério da Justiça.

para que Ramagem também perca a função de delegado da PF. Eduardo Bolsonaro há uma pressão, porque ele já tem faltas suficientes para ter o seu mandato cassado, para perder o mandato. Em tese, só ocorreria em março. O próprio Hugo Mota antecipa esse anúncio para agora para atender a uma pressão. E aí, como ele tem uma política cada vez mais recorrente de...

Faz uma coisa para a direita, faz uma coisa para a esquerda. Faz uma coisa para a esquerda, faz outra para a direita. Ele inclui Glauber Braga, que era um caso diferente.

O Orçamento Secreto: Motivo Real

que sim, já tinha a decisão de cassação, mas que era algo que... Incomodava muito mais os parlamentares o caso dele, porque ele denunciava e falava muito do orçamento secreto. Eu vi as imagens do conflito do Glauber Rocha com o militante do MBL. E ele, na verdade, acompanhou a pessoa agressivamente, dando um chute no traseiro do militante. Mas isso, no meu entender, é um caso...

Para cartão amarelo, não é um caso para cartão vermelho. O que determinou o cartão vermelho é o fato de ele ter denunciado o orçamento secreto e o manejo que o Arthur Lira tinha sobre o orçamento secreto. Então, ele tocou num ponto que interessava o Arthur Lira, mas que interessava também a todo esse grupo de deputados, a maioria que depende desse orçamento secreto. Então, é um caso diferente, mas...

O próprio fato dele ter sido incluído nesse grupo já era indicativo de que a cassação estava chegando. E aí ele entra nesse modo de, então, tá, vou fazer o meu ato final e sentar na... tentar evitar a cassação ou, pelo menos, também tentar evitar a própria votação da dosimetria que é vista pela esquerda e é, na verdade, um texto que vai...

Projeto de Lei para Reduzir Penas

Ajudar a reduzir a pena do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro. O projeto do deputado Paulinho da Força, do Solidariedade, não prevê anistia para nenhum dos condenados pelo 8 de janeiro, mas permite que o crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. seja absolvido pelo crime de golpe de Estado. Na prática, todos os condenados pelos dois crimes vão pagar apenas pelo crime de golpe de Estado.

O projeto também prevê mudanças no tempo que o condenado tem que cumprir a pena em regime fechado. Hoje, a previsão é que os condenados pelo 8 de janeiro cumpram no mínimo 25% da pena em regime fechado. Esse tempo cairia para 16% de acordo com o projeto. O Supremo Tribunal Federal condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.

sendo 24 anos e 9 meses em regime fechado. Nos cálculos de Paulinho da Força, o ex-presidente permaneceria preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília por mais dois anos e quatro meses. Para a gente terminar, Ana, como é que fica a votação do PL para reduzir as penas de Bolsonaro e demais condenados por tentar um golpe de Estado? Então, nesse momento, e a gente está falando aqui...

Pouco antes das nove da noite, tem muita gente dentro do plenário falando que não tem clima para essa votação. O governo também está defendendo, os governistas aqui defendem que não tem clima. Muitos parlamentares preferem deixar para depois, mas tudo pode acontecer. A direita, o próprio PL quer, o centrão quer a votação desse texto, porque ele é, de certa maneira, um acordão.

dar algo aos bolsonaristas, que é insuficiente para Jair Bolsonaro na visão da própria família, mas ao mesmo tempo enterrar. a anistia, aquele projeto de anistiar por completo Jair Bolsonaro. Depois de se reunir com os líderes dos partidos, o presidente da Câmara anunciou que colocaria o projeto da dosimetria em votação. A articulação começou ontem à noite, no encontro de lideranças do PL, União Brasil e progressistas.

O PL comemorou. O líder do PL disse que houve um acordo com o presidente da Câmara. O líder do PT afirmou que é um erro a Câmara aprovar um projeto sob medida para atender aos interesses de Jair Bolsonaro. Toda lei tem que ser geral. Nós estamos fazendo claramente uma lei específica para beneficiar o Bolsonaro. A gente vai ter que ver. Eu acredito que pode ser que não vote hoje, porque o clima ainda está muito pesado, muita indignação aqui dentro.

Ana Flor, minha amiga, minha companheira de encrenca, porque a gente tem feito algumas coberturas muito esquisitas. Muito sérias e com sinalizações bem graves também, né? Vamos lá, estamos juntas. Obrigada por ter topado conversar comigo depois desse calor todo aí que você passou nessa cobertura.

Obrigada pelo convite, estamos juntas e uma boa cobertura para a gente que vai seguir quente. Sem dúvida nenhuma, um beijo. Depois que eu conversei com a Ana... A Câmara dos Deputados retomou a ordem do dia e colocou em votação o texto que alivia para aqueles que tentaram dar um golpe de Estado.

Aprovação do PL para Condenados

Já era madrugada quando os deputados aprovaram o texto. Isso tudo aconteceu menos de um mês depois de Bolsonaro ter sido preso após condenação pelo Supremo Tribunal Federal justamente por tentar dar um golpe de Estado. Antes de terminar, um recado. Se você ouve o assunto no Spotify e gostou do episódio, é assunto mesmo, dá cinco estrelas e compartilhe esse episódio com quem você quiser. Você pode nos ouvir no G1, no YouTube e em todas as plataformas de áudio.

Comigo na equipe do assunto estão Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sara Rezende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kazurowski e Carlos Catelan. Eu sou Natuza Neri, fico por aqui. Até o próximo assunto.

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