#47 - Quero que os meus pais se voltem a juntar. - podcast episode cover

#47 - Quero que os meus pais se voltem a juntar.

Feb 08, 202415 minSeason 2Ep. 47
--:--
--:--
Download Metacast podcast app
Listen to this episode in Metacast mobile app
Don't just listen to podcasts. Learn from them with transcripts, summaries, and chapters for every episode. Skim, search, and bookmark insights. Learn more

Episode description

Sou um cliché.

Transcript

Vou ter que esquecer. Mais um clássico de podcast dizer, olha, se ouvirem isto são os meus gatos ou são as obras, pá, o que é que querem que eu faça? Não tenho um estúdio, tenho vários, não é na RTP, mas não vou para lá, a campeã a dizer, olhe, senhor cadáver. Deixe-me lá gravar aqui uma coisa que é com humor. Sabe o que é que é? Humor? Pronto. Também não queria estar aqui. A chatear. Olá, meus corações amarelos, como é que vocês estão? Estou super animada, como podem

ver. Ainda não vos posso dizer como é que terminou esta semana no que toca à saúde mental, porque ainda não acabou a semana. Posso dizer-vos sim, que segunda-feira começou com a minha consulta habitual no psicólogo, psicólogo. Esse que estou a partilhar com um amigo ela partilha e estou. E estou contente por essa pessoa também ter encontrado a sua compatibilidade. E é engraçado porque existe alguma arrogância, pelo menos da minha parte, ou cansada ou cansaço.

E do de, por exemplo, quando o meu psiquiatra disse, Ah, você é que podia voltar agora a fazer terapia, terapia, já fiz durante tantos anos e não sei quê, não, vá lá, faça só para isto. Eu cheguei lá e o psicólogo disse assim, temos, temos aqui algum tempo para para fazer terapia. E eu ó menino, Ah, como onde você anda? Já ainda andava você de consultório em consultório, já andava aqui pá e de facto, pronto, eu já estava farta de fazer terapia, mas realmente teve um impacto rápido muito

rápido. E positivo na minha vida. E às vezes uma pessoa tem esta cena do Ah, eu já sei como é que é, amiga. Mas eu estava enganada. Eu tenho realmente muitos preconceitos em relação, muitas coisas. Temos todos. Não é uns mais do que outros. Depois de ter ouvido a minha família a falar no domingo passado, sobre várias coisas que nos rodeiam, fiquei a saber também de onde é que vêm muitos

deles. Que já não tenho EE então, nesta consulta, como o meu psicólogo também tem uma vertente psicoanalítica psicanalítica, é muito interessante porque eu babo-me toda AA falar sobre os meus sonhos. A discutirmos os seus significados é muito giro porque Freud? E mais um outro tipo qualquer um gajo. Dizem que as coisas que aparecem nos nossos sonhos podem não implicar serem efetivamente

objetos dessas coisas. Ou seja, se eu sonhar que estou a fazer sexo com o meu pai, não quero dizer que eu queira fazer sexo com o meu pai. E se quisesse, já tinha feito, estão a perceber. Bom, e então tive um sonho recentemente em que o resultado foi muita esquisito. Eu geralmente acordo dos sonhos a pensar.

Fica fritaria, mas desta vez acordei a sentir qualquer coisa, como porque é que este sonho acabou, eu queria tanto que continuasse e fala-vos daqui uma pessoa que nunca teve um sonho molhado que se lembre anão serem criança provavelmente não. Por esses motivos lembro-me de já de já ter, ou seja, acho que sonho molhado tem de culminar no orgasmo, correto? Ou é só ai, que lindo, que lindo, ai, que bom, se sim, nunca me aconteceu ou pelo menos que eu saiba.

Por isso, se não tiver reparado, também não foi um orgasmo, não foi um sono molhado, foi um sonho húmido. Porque é que estou a falar disto? Ah, mas normalmente a cor dos sonhos a pensar que fritaria é não sei quê. Este sonho eu acordei cheia de saudades, acordei como vida e passei o dia todo.

Consolo nostálgica, acho que é essa a palavra, ou seja, cria muito voltar para aquele sítio, voltar para aquele sonho, como se aquele sonho fosse uma peça muito grande, que me faltasse e que me falta, como se aquele sonho quando quando eu estava naquele sonho. Não é que todos os meus problemas tivessem resolvidos, mas é como se. Eu tivesse tudo, eu, eu estou só a repetir, mas eu eu tivesse tudo aquilo que procuro a vida toda. Calma, Carolina deslentes. Então o sonho foi apertar.

Muitas referências que vocês não vão entender porque não é nem toda a gente é tão esperta. Não porque não, não tiveram a minha vida, mas estava numa casa que tinha partes da casa de uma casa, onde eu onde eu morei. Até da casa da minha avó, mas o que interessa aqui reter é é uma casa com imensas imensas divisões e que eu andava por lá a passear pela casa.

Com o meu pai algures não estávamos lado a lado, mas ele estava algures EE essa casa, todas as divisões pareciam ter sido deixadas a meio, como se naquela casa tivesse vivido uma família que por algum motivo teve de sair à pressa. 11 obrigado, um tsunami, um assalto, um incêndio, qualquer coisa e a vida tivesse sido deixada a meio, isto ao ponto de as camas estarem por fazer. AA ver comida posta no fogão. Desligado, não é? Senão tinha dado mesmo merda e

aquilo que senti. Era isso que tinha havido uma partida. De repente, inesperada, inesperada, e eu e eu IA explorando essas várias divisões, sendo que cheguei a uma que era a de uma criança que. Pá, isto é uma coisa que faz parte do meu imaginário, também tem a ver com várias coisas, mas as paredes azuis, escuras o tema era o universo. Havia 11 aquário, uma espécie de aquário, que lá dentro tinham répteis maus, porque eu tentei abrir aquilo e assustaram, mas

estavam dentro do aquário. Depois, havia um quarto gigante com imensos brinquedos dos anos 90, Barbies, nenucos, jogos de de Tabuleiro, algumas coisas da minha infância também, mas que só consigo reconhecer a posteriori coisas que já não vejo há muito tempo. Os chãos, alcatifados, chãos cheios, chão, chão, alcatifados. E apesar da casa ser num sítio,

não muito abunado. E a vista ser muito tapada por muitos prédios, conseguia ver se conseguia-se, ver ali ao longe o mar e estranho também andava por cada divisão numa de Ah, olha giro, esta casa é gigante e cheguei a uma em que destapei qualquer coisa e apareceram imensos cãezinhos. Ou seja, parecia que a casa tinha sido abandonada há uns 89 anos. 89 anos e havia aqui uma data interessante que já me esqueci, mas que ainda tinham animais lá dentro, pequeninos.

Eh pá. E foi dos sonhos mais deliciosos que que tive nos últimos tempos. Isto muda muito consoante a fase da vida em que nós estejamos pronto primeiro, acreditando que os sonhos revelam coisas do nosso inconsciente. Não é que simbolicamente nos poderão dizer coisas da nossa vida, que é uma crença que eu tenho.

Portanto, se estivermos numa fase má, o nosso inconsciente estará a transmitir qualquer coisa também, mas depois a nossa perspetiva de interpretação do sonho também poderá ser mais positiva ou negativa, consoante a fase em que nós, em que nós estejamos, eu estou numa fase positiva, overrald, pelo menos

em comparação com. Com quando todas as outras fases que eu já já estive na minha vida e a interpretação aqui do sonho que eu fiz, com a qual o meu psicólogo, em princípio, terá concordado, não posso, quer dizer agora, não posso dizer que sim senão Malta. Ei, a psicólogo de merda?

Não, mas tenho ideia que sim, é que, perante os meus pais, divorciaram-se quando eu tinha 6 anos e era das primeiras casas onde nós, nós, os 3, morávamos juntos, porque sempre estiveram separados por motivos profissionais e. AA família desapareceu. Num instante aconteceu algo que fez com que o um deles saísse de casa. Rapidamente fui morar para a casa de outra pessoa. E então, não. Aquela casa ficou, ficou algures. No tempo, um bocado.

Como não não ter havido um closer e foi como se aquela casa que não é aquela casa. Na realidade, não é a casa da rinchoa ou fitares, onde eu morei, onde aconteceu o divórcio dos meus pais, mas aquela casa representava para mim. A última vez que eu fui criança, como se? Até ali não tivesse servido mesmo uma grande fragmentação da minha pessoa. E. E aquilo, e sim e que ele disse, e me tornei menina, mulher, como diz toda a gente nas entrevistas da piça, em todo o lado, mas que

foi ali. Foi ali que que parece que começou o xadrez. Ou seja, até lá estava a brincar, estava a fazer as minhas merdas. AA, perceber porque é que o nenu que sujava a fralda se não sujava o rabo a ouvir. Super mix 9 a ir às aulas de aeróbica, casa da avó vê o esquadrão classe a que a vida não era perfeita, mas não, não tinha nada de está bem pronto mas aí aí foi, foi do género. Qualquer coisa pode me dar a qualquer momento e tu só podes contar contigo.

EE, apesar de eu ter falado sobre isto recentemente noutro podcast, procurem divórcio consciente nas nas plataformas em que. Não tenho uma visão nada catastrofista do divórcio. E sou, sou muito a favor do divórcio. Não, no geral, não é, mas quando se tem a certeza que é o melhor para nós e, portanto, consequentemente, para os nossos filhos. É engraçado só agora, aos 37 anos, depois de muitos anos de terapia, permitir-me chegar a este ponto. De admitir não só que são. Quê?

Não é porque um dos grandes clichês é que as crenças todas querem ver os pais juntos. Eu não quero ver os meus pais juntos de todo. Eu nem faço questão de ver os meus pais. Não estou a brincar, mas eu eu percebo o que é que isso quer dizer, eu, na prática, não quero que eles se juntem. Mas gostava de.

Ter uma família no sentido em que, morando com a minha mãe e com o meu padrasto, ou mesmo quando morei com o meu pai e com a minha madrasta, eu senti sempre que a minha família faleceu e que eu era um elemento extra numa reestruturação. E daí esse esse processo de adoção e de de reconstrução de

córte e costura. Córtico e costura, que é uma é, fiz uma pergunta meio de uma expressão que sou muito Americana, like copy paste in the World i mean e. Isso partiu-me pá. Partiu-me com partiu-me bem partida, mas partiu-me como várias coisas nos partem. Mas acho que foi a primeira coisa que me partiu até aí.

Pronto, várias questões, vários traumas e não sei quê, mas essa isso aí foi ou reforçou coisas que já havia ou foi mesmo impactante, EEO lado positivo disto é que me estou a permitir chegar aí. Portanto, tenho estrutura psicológica neste momento e diária para não me fragmentar ainda mais a pensar nisso e depois que estou no, estou no caminho de unificar a minha história, porque por causa de

tudo. Houve um processo aqui de dissociação 11, questão de método de sobrevivência coping mechanism não é método ferramenta de sobrevivência meio de não sei, meio, não é? E isso fez com que eu apagasse muitos, muitos momentos da minha história. Ainda. Para mais, com a tendência depressiva, as memórias boas fossem a abrir. Portanto, a minha identidade está fragmentada e maioritariamente baseada no negativo, que também não contribui para um grande equilíbrio emocional.

E o facto de estar a fazer esta ligação e de me permitir. Ter acesso a este meu passado. Até até reparei numa coisa que foi no dia a seguir, estive com a minha mãe e a relação que eu tenho com a minha mãe não é pá, acho que não. Não sei se alguém tem uma relação muito fixe com a mãe, não é? Vai por um lado e é problemático, vai para o outro e mama se a mãe na boca como o capinho há uns anos, mas a minha mãe tem um sentido de humor

muito engraçado. EE, eu rio-me rio-me, mas esta última piada que ela fez neste domingo eu ri-me com uma Felicidade ridícula de Foz, a minha mãe é do caralho. E acreditem que a história que nós, as 2, temos e que ainda vamos tendo isso. Dizer isso em asterisco é magnífico. Eu não sei se agora vocês vão achar, mas eu, eu tenho um gorro castanho da valcham, tipo. Tipo? Creme creme, vá capuccino e a minha mãe, odeia-me, ver mal arranjada e eu fui de propósito

para a provocar um psicólogo. Provavelmente diria que é para ter uma validação, nem que seja para o negativo, para me sentir visto Por Ela. Pode ser deixa-me em paz. Então fui de fato de treino e de gorro e a mãe a determinada altura, disse, ai tu, pareces um coador de café. Que são aqueles feltrinhos da merda. Ai, que fogo. Que maravilha. Adoro ter herdado esse esse sentido de humor. Filho, puta bom. E, portanto, estou muito feliz com isso. Não sei se repara o episódio

anterior. Estou deprimido, odeio-me, não sei quê. Tive a semana passada, não foi? Pensamentos suicidas. Tive medo de ter pensamentos suicidas, que é também muito engraçado. Mas esta semana já estou na machete ou, pelo menos, até agora, e. Odeio ser este cliché, odeio ser este clichê mas pá. Mas sou e sou um ser humano e tenho que me habituar a essa porra.

Se calhar não sou eu. Acho que, ao longo do tempo, para me sentir acarinhada por mim própria, convenci-me que era especial de alguma forma, seja por me vitimizar em relação a tudo ou por causa de uma história algo acidentada, que eu não tenho conhecimento se estará acima ou abaixo da média porque não, não me dou com pessoas e ainda estou a desenvolver a minha capacidade de. De ouvir mais e melhor. Mas esqueci-me um abraço. Era o quê?

Para ouvir? Ah, então tive esta necessidade de me sentir especial, nem que seja pela negativa, nem que seja através da vitimização. E aí, apesar disso ter servido um propósito, obviamente aí está parte do problema que é achando-me especial, não me permitir ver o que há de mais simples e básico, que é. Custou-me. Deixar ter a minha família junta, apesar de ter sido o melhor que me poderia ter acontecido. Chupem esta. Não sei se. Vou pedir assim.

Transcript source: Provided by creator in RSS feed: download file
For the best experience, listen in Metacast app for iOS or Android