#37 - Isto agora não se pode mesmo dizer nada? - podcast episode cover

#37 - Isto agora não se pode mesmo dizer nada?

Jan 08, 202413 minSeason 57Ep. 37
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Episode description

Será?

Pensei sobre isto a propósito do livro do RAP, "coisa que não edifica nem destrói".

Transcript

Hey, Guy, is wanna fuck Nice tames, Yes. Como é que estão pronto? Fui atuar ao Barreiro. É assim. Eu não sei, eu não sei porque é que da mesma maneira que delfins é, é aquela referência, não é constante no humor nacional, tal como a médio. Noutro dia, uma pessoa que eu que eu respeito bastante no mundo da da comédia e até no mundo em geral, enfim, mas menos fez uma piada de maddie. Fiquei ali, sabem, meio, eh pá, e agora o que é que eu faço com isto?

Em que em que caixa é que põe esta pessoa? Não é? Pode ser uma pessoa não binária no que toca à qualidade do humor do género. Oi. Oi. Oi, oi. Terrível, terrível, mas foi o Barreiro. Não sei qual é que é o problema do Barreiro. O meu pai diz que dantes aquilo. Havia tantas fábricas lá, que até se via uma névoa de químicos e que as crianças eram obrigadas a respirar. Ah, filho, isto já passa pulmões, não é? Sem o atum, não faz mal, tens outro pá, não sei, sei que é uma

zona que parece. Pobre no fundo é isso, é um. Subúrbio, um subúrbio. De um subúrbio?

De um subúrbio? Que eu não sei se isto é nojento, aquilo que eu estou a dizer, mas que eu que eu, que eu nutro bastante simpatia porque parte da minha família era bastante humilde, cresci em sítios desse género e, portanto, traz-me aquela cena de, quer dizer, eu ainda agora moro aqui ao lado dum do bairro social, mas pá, traz-me aquela cena de família, sabem de ir ao café de, de mandar vir com o senhor da da oficina porque não sei quê chegar já sabe?

É o jornal, então e como é que dá a sua mãe, pá? Gosto disso, gosto disso, claro. Há chatices, não é? Mas não sei, eu. Eu adorei Barreiro, estradas grandes, tudo em grande iluminação, lindíssima. Muita Malta jovem. Senti muita Malta. Jovem, que provavelmente estava concentrada ali Na Na sala 6. Por se calhar não haver assim tanta atividade quanto isso. No início de janeiro, à noite de comédia no Barreiro, mas fui sem medos porque já tinha reparado que era uma noite impecável.

E assim foi. Assim foi uma noite de que costuma ter 60 lugares sentados e depois o resto da Malta, mesmo apagando. Fica em pé a ver, portanto, é mesmo o pessoal que se quer divertir, que quer ver comédia stand-up comedy para nós e também para eles, e. Eu estava com algum receio, não é sempre que sempre que um comediante é uma última noite genial, vai com medo de perder esse, esse mito sempre que tem uma última noite péssima, vai

cheio de medo. De que tenha uma segunda confirmação de que é uma merda, pá. Foi naquela meio à paisana. Cheguei cedo demais. Pus-me a ler um livro, o Helder, que é o rapaz OMC. Gostava de ter essa tua calma, a ler o livro é pá era mais porque estava tímida e queria passar o tempo. Cheguei lá, mandei umas Biquinhas, fomos embora, tinha feito é pá. Foi muito divertido, foi muito bom, gostei, mas muito um beijinho para o Barreiro, não sei porque é que digo isto. A rir-me foi mesmo uma noite

incrível. Ainda sobre comédia, acabei de ler o livro, acabei de ler aquilo é um folheto do do Ricardo Araújo Pereira, da coisa que não edifica nem destrói, que é o resultado. Quer dizer, não sei o que é que veio primeiro, provavelmente o livro, mas só foi lançado depois que é o resultado do podcast do do do expresso, que surgiu em

setembro do ano passado. Ricardo Araújo Pereira a falar de de humor e. Mostrando também o seu tempo livre no que toca à. Espaço que tem na sua vida para ler sobre aquilo que uma das coisas que mais gosta, ainda que se note que ele não anda a ler. O que é que há de humor, não é? Ele lê muito e consegue fazer paralelismos consegue, Ah, cruzar as informações e dar 11 densidade, uma textura muito interessante e nova para quem nunca tenha passado os olhos

além do do técnico da comédia. Sobre o que é humor e na perspectiva de um humorista, é muito interessante, porque creio que muitos de nós carregamos o complexo de sermos atores de uma arte menor. De de termos, de de ter algo como missão ou ainda de cumprir com as expectativas dos intelectualides que pensa ai não, comédia tem de mudar o mundo xixi e cocó e cona e cu, isso é merda, é pá. O que é que o que é que para que é que serve a comédia?

Que tipo de comédia, de onde é que vem esta perseguição aos humoristas? Qual é o que é que o humorista tem que ter em si? Se isto é talento ou trabalho? Reflexões muito, muito interessantes da parte do

Ricardo, como não seria, não é? Como já seria de esperar, num tom bastante leve, divertido, EE, eu tive a oportunidade de de privar com Ricardo Araújo Pereira, há muitos, muitos anos fui jantar lá. A casa que é mesmo assim roubei-lhe imensos livros que não lhe vou devolver e. Essa foi uma das coisas que gostei muito No No Ricardo e apesar de pronto, é o Ricardo. Não é uma pessoa. É o Ricardo. Como está? Ainda para mais, eu tinha para aí o quê?

Uns 20 e tal anos uns 22 anos ainda não fui sozinha. Jantar com ele, está bem? Beijinho para a esposa Zé, que é a esposa, a filhas e tal e tal. Adorei porque sente-se à légua AA quantidade de cultura que está apertadinha naquele esfíncter de homem, aquele borbulha e ele consegue conter-se ao ponto de. De não a espirrar, sabem que é está ali tão apertadinha, mas ainda assim ele consegue dosear a dose que sai sem paternalismo. Envolvido sempre sem name dropping. É sempre tudo pertinente

explicando as coisas. Não, não. Partindo do princípio que as pessoas já sabem que também parece um bocado, não é sobranceiro, mas também não partilho do princípio que não sabem incluir na conversa. Estar atento à língua, linguagem corporal, à língua. Lá? Portanto, eu noto isso No No livro dele, que às vezes também existe. Ali creio, um complexo da parte dele, de de baixar um pouco a intelectualidade, aquilo que está a escrever, não só porque é

humorista. Mas também para, para não parecer que está de fato, não é porque acho que deve ser complicado uma pessoa que leia tanto depois também ter a capacidade de apresentar aquilo que aprendeu, aquilo que lia de uma forma simples e desconstruída. E interessante, sem perder skills de de comunicação, sem perder a atenção do do leitor, do do público. E nota-se que existe esse cuidado. Existe. Eu não sou psicóloga nem nada do género, uma frase muito dita permane, mas eu creio que há ali

um bom. Não quero, não quero, não quero estar aqui a chatear. Não sei quê, que sim é uma premissa para ser humorístico, mas há ali qualquer coisa de é pá. Sou um bocado cromo, desculpem lá, mas o livro é realmente muito, muito interessante. As reflexões que ele faz são interessantes. Estava eu a dizer não só para mim quanto comediante para respeitar mais o meu trabalho, para. Que para para, como é que eu hei-de dizer? Atribuir maior responsabilidade ao papel que desempenha aqui?

A técnica, o trabalho, a persistência, a resiliência, que é uma palavra que que abomina. Pelo seu significado, não pela sua sonoridade e, portanto, e sentir também não me sentir. Deitada abaixo por essa questão da da comédia ser palhaçada, tenho muito orgulho em dizer que sou comediante. Acho que também. Daí agora não estar a preparar nenhum projeto de de stand-up para breve e ter ido atuar ao Barreiro. Ou seja, quero continuar a ter o

músculo. Do stand-up trabalhado e também porque gosto efetivamente de de fazê-lo. Não foi pelo dinheiro, certamente, apesar de me a rir, pagar e pagar. Bem e tal, bem dentro do meio, não é? Mas gosto mesmo de o fazer e se creio que se desconstruir aqui alguns preconceitos que eu tenho em relação a isso, alguns complexos, talvez um dia eu consiga dar o litro ou pelo menos trabalhar melhor na nesta vertente profissional da da minha vida.

Interessante também, tal como Ricky gervais no normageddon, fala sobre a dificuldade que o público tem de dissociar. O comediante. Da sua arte, ou seja, é normal que nós, comediantes, trabalhemos para que A Entrega seja o mais natural possível, mas também um ator. Não é um ator nos atores de teatro. Às vezes parece que que é mais complicado ter ter naturalidade e não sei se até que ponto é que isso ainda fará sentido, porque tendo microfones, já não é preciso ter aquela colocação de

voz. Dramática e que sugere também outra linguagem corporal associada a um dramatismo gigante e uma eloquência tida por uma retidão. De ombros? Gostas, e. Não sei quê. Mas eu sinto que os comediantes fazem ao contrário, ou seja, primeiro destroem a cerimónia, e depois assim conquistam a casualidade. A casualidade não era bem aquilo que eu queria dizer.

Coloquialidade, normalidade por aí, mas estava eu a dizer que, apesar de de os comediantes parecem-me procurar mais AA naturalidade, até porque estamos sozinhos em palco, a atenção já está virada para nós. A narrativa é bastante simples. No sentido em claro que existem camadas de de, de ironia, de de sarcasmo, de de de tudo. No entanto, é linear, de tanto que acaba por ser surpresa quando é circular quando existe um callback, eu não sou o Ricardo Araújo Pereira.

Não sei porque é que me estou a meter por caminhos apertados, mas pronto. A naturalidade, pelo menos no tipo stand-up que eu que eu faço e que gosto, é uma das premissas mais importantes. Claro que existem outro tipo de comediantes, mais a atirar para o clowning mais não sei quê, mas aqui eu sinto que. Pá, eu só me consigo ligar a pessoas quando são pessoas quando começam a fazer coisas

exageradas. Até até me assustam um bocadinho e, portanto, essa naturalidade acho que traz um pouco AA confusão está além de 1001 fatores, não é da da sociedade

que. Vivemos hoje em dia em que não se pode dizer quase nada, pá. Que não é bem assim, porque lendo o livro de Ricardo Araújo Pereira pá, do Ricardo, pronto, do Rick, que não é o fazeres, apesar de ter feito agora um livro apercebemo-nos que esta questão vem desde sempre, desde decapitar pessoas a haver bobos que são mortos, porque não se peidaram enquanto assobiavam e davam um Salto, pá. Havia um bobo assim e ficou rico, deve ser.

Deve ser o equivalente a maus comediantes hoje em dia que têm sucesso, não há maus comediantes. Vá, não sei, isto é isto, mas desde sempre que eu vejo esta questão agora vivendo na sociedade de informação e foi para isto que eu tive uma licenciatura em que tudo. O que é conteúdo? Está muito mais acessível e a uma velocidade muito maior. É normal que a opinião também aumente de de rapidez e de volume, não é? São mais pessoas a ter a mesma opinião.

Vários, vários motivos, não é de necessidade de pertença, de identificação, porque não somos assim tão diferentes uns dos outros, não é? Somos produto de uma outra sociedade que também tinha pessoas semelhantes entre si. EE, portanto, faz tudo parte, só que agora não decapitamos tanto pessoas. Digo, eu não sei. Também também não, não estou a par, mas este livro trouxe assim alguma reflexão, tal como o solo do do gervaise, que até ganhou um Globo de melhor performance de stand-up.

Acho que foi o primeiro prémio de sempre. Relativamente a stand-up giro giro giro giro agora, mais um objetivo para os comediantes de stand-up internacionais.

Já só quero ganhar um Golden Club Na Na, na e eh pá, fez-me fez-me pensar e isso é bom e fez-me pensar e deu-me aquele fumo de EIA a quantidade de comédia arcaica que eu tenho de ir ler porque eu julgo que somos uns seres especiais, nós comediantes, porque vemos a realidade de uma perspectiva observadora e conseguimos desconstruir e não sei quê não sei que mais pá mas isto já existe há anos é a mesma coisa que ler banquetes do Platão e coisas do género que são muitos

banquetes, banquetes que eu homem tem. E de repente, apercebemo-nos que AA toda a dialética, tudo, tudo aquilo que é é, é impregne discurso, a ironia, o sarcasmo. Eh pá, isto já existe há anos, só se tira OPEOHE os uns. No fim caso seja latim ai é aquilo que eu acho, fez-me sentir significantemente insignificante.

Acho que mesmo para quem não seja comediante e que não tenha desligado ainda, pode ser interessante também para refletir sobre pá. Sobre esta frase tão comum que é agora não se pode dizer nada, será? Será? De agora, beijinho.

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