Bem-vindos a mais um, não sei ser diário. Este é o segundo dia, portanto já mudou por feliz de estar a cumprir um bocadinho. A minha palavra. Já falo mais do que aquilo que valia há 10 anos. Eu sou a Joana gama, olá, olá para os novos que estão agora a
chegar. Este é um podcast de tudo e mais alguma coisa, um podcast que tira a limpo o facto da minha vida se reger por este ótimo título que é, não sei ser, entretanto, faço stand-up, eu e daguho, eu e dagu, que é um comediante incrível, sigam-nas redes sociais.
Vamos ter uma noite, uma noite de stand-up surpresa na botite da cultura, dia 29 de novembro, e já agora um outro podcast que eu tenho com o comediante Pedro Alves também terá o seu momento ao vivo, o seu primeiro espetáculo ao vivo, não do Pedro Alves, que até pelo contrário, dá espetáculos a mais, mas é dia 16 de dezembro, também na boutique da cultura. Os bilhetes estão à venda na BOL para não andarem à procura feitos parvos, utilizem os links que estão na minha link.
Tree significa isso. O link na bio. Um leça, sim. Eu tenho de esquecer. Isto de jingle é super útil, porque eu tinha acabado de meter um emmanem de caramel à boca e tinha engolido. É um facto, é aquilo que eu faço com os emmanes. Gosto de pôr na boca e depois engoli-los. Mas fiquei cheia da ababa, cheia da baba na boca. Então se vocês puserem para trás, vou reparar na piscininha de baba, que eu tinha de baixo da língua e nas bochechas e que
não, não IA fazer, não é? Como como fiz agora também para disfarçar o facto de ainda ter saliva, portanto, toda a gente que venha a utilizar a voz como um instrumento de de trabalho. Saibam que não se deve comer antes e durante as mesmas Apresentações, e também chato, perpétuas roxas, que é o que acontece sempre que temos algum problema de voz. Falamos com alguém, olha chá de casca de cebola ou perpétuo? As rochas ou então fecha a boca, que é como se diz a Malta não é?
Então, perdeste imenso peso. O que é que fizeste? Fechei a boca, que é mesmo assim, olha, fechei a boca, não há cu interessante que eu ontem surgiu aqui em casa um tema muito interessante a Irene e eu, antes de adormecermos, ouvimos uma senhora muito característica. A fazer meditações. Chegámos lá, não interessa como é que lá chegámos, mas a senhora tem uma voz muito.
Procurem por medita zen, me dita zen, pronto, e ouvimos uma meditação sobre perda, e isso fez-me pensar um bocadinho nas mortes que já houve Na Na minha vida já houveram. Não sei que já houve, já houveram não faz sentido as mortes que já houve não faz sentido nenhum. Perdi a minha avó paterna, perdi pá, procurei em todo o lado bolsa aquele bolso mais mais coisinho das moedas que já agora
esse bolso de piça. Que que temos na nas calças que não serve para nada, mesmo que ponhamos lá aquilo é para quê? É para um, para um martelo é que se pusermos lá moedinhas, temos de ir lá buscar, tipo, em pinça com os dedos, molestamos o dedo na Falange e ficamos com uma Falange o dedo.
Vamos perceber, ficamos ali com um dói, dói, pronto, chegou o Pedro Alves, já não posso gravar isto em condições, não há pá pronto agora tenho aqui Pedro Alves a respirar pelo diafragma ao lado enquanto escolhe uma coisa da Globo sem parceria é olhem. Mas estás mesmo. Pronta, já vamos gravar mamos de boca daqui a pouco, porque isto é uma fábrica de podcasts, mas sim interrogo-me relativamente à pertinência desses bolsos da piça que há nas calças de ganga,
aqueles bolsos pequeninos. Porque se vocês puserem aí uma moeda, vão Oo dedo, vai abrir, ficam só com o osso, não faz, é para pôr o quê aí dentro? Brincos é que depois também nos esquecemos das coisas aí dentro. Será que foi aí que eu pus a minha avó? Não sabemos, mas pronto, perdi a minha avó quando era mais nova, eu tinha 6 anos e estava a brincar no Jardim do hospital e como era bem estúpida não
percebia. Ah, então hoje estamos a passar a tarde nós hospital giro não percebi, não percebi que havia merda. E depois, mais tarde disseram, Ah, a tua avó faleceu. Giro qual temos? Público, giro qual e ele e ele, Ah, a minha, a Minha Mãe e Eu, foda-se, era a avó boa. Que chatice. Podia ter sido a outra, entretanto, também foi bem imenso. Cancro na família, cancro, cancro, cancro e tive 11 tia que suicidou.
Uma prima vá que se suicidou do nono andar, que mais tarde fez com que o meu primo também andasse a atirar facas da janela para ver como é que era. Depois tive uma tia que morreu enquanto dormia, portanto. Devia dormir. Quer dizer um gajo que morra durante o sono é um gajo que não sabe dormir em condições. Depois tive outra tia que morreu num desastre de automóvel, outra que teve ou que tem.
Não sei, não falo com ela. Cancro da mama pronto, as pessoas vão morrer na minha família e não sei como é que é na vossa, mas eu sinto que nunca processei bem a perda, sinto que só para aí o ano passado é que comecei a chorar. A morte da minha avó materna porque me lembrei de coisas porque eu dantes pensava assim mesmo quando me dizia Ah, devias ir ao hospital visitar a tua avó, eu pensava, mas eu estou a ser hiper hipócrita porque. Não faço questão, portanto não
faço questão. Vou lá fazer o quê? Ainda por cima, sou um daqueles avós em que eu não, Ah, o meu avô também morreu hoje, meus. Eu não tenho a voz todos estragados, tudo lixado, tudo no chão, tudo desarrumado, está tudo sujo. Os meus avós não funcionaram e eu não tinha pá a ligação que eu tinha com eles não era estupidamente emocional. A forma da minha avó me dar carinho era dar-me piarotes na cabeça.
Ela tinha umas unhas, tipo de gel, só que sem ser de gel, porque na altura não havia, não é e, portanto, era toda uma unha que era cultivada, tipo, unha de taxista, só que limada dos lados e aquilo doía porque me escapava a carapinha e portanto isso não era amor, era violência. O meu avô, o meu avô materno também, o amor que ele tinha por mim era perguntar.
Perguntar assim, não. É, você pode, nunca percebi nada daquilo que o meu avô dizia, não sabia se estava a falar comigo, se era catarro, se estava a imitar o carro dele a arrancar. A única coisa que ele tinha de engraçado era, colecionava tudo aquilo que era artigos de papelaria e mesmo não tendo um computador, apanhou uma vez 2 caixas com disquetes de screen saveres da Nokia no lixo e levou para casa. Tinha uma casa de banho extra que era só lixo.
Vocês abriam a casa de banho e caía-vos coisas em cima, pá tu mais do mais abstrato possível tipo Piranhas, sabem o que são Piranhas? É aquilo que as sopeiras usam no cabelo pronto, Piranhas. Depois eram uma pessoa que se magoava e punham. Outra de me criocromo na cabeça que ficava, parecia um fósforo. Como eu era careca, eu vinha-me creio o cromo ficava a parecer um fósforo, mas nunca chorei.
Nunca chorei nestas nestas perdas, chorei uma vez, chorei na morte do meu ex-sogro ai meu sobre o chão para sempre. Pronto, mas ex-sogro porque bateu a bota e agora? Pois é, a chupa mas o pai do meu ex-marido morreu não tive nada a ver com isso, apesar daquilo que dizem eu não, eu não fiz nada ao senhor e apesar de me ser relativamente irrelevante porque não, não tinha nenhuma ligação emocional.
Anão ser o facto de ser o avô da minha filha, mas ela própria também, e fartei-me de chorar no funeral porque a minha ex-sogra, sabes, são para sempre. Pronto, a minha sogra é a coisa mais fofinha do mundo, literalmente, não só por causa da densidade corporal, mas do tamanho do coração da senhora. A senhora é incrível e comecei a chorar porque ela estava triste, então foi do género, pá, porra, esta mulher não não merece que se morra, não sei quê, mas depois também me pôs a pensar,
se calhar a vida. Pronto e no outro dia, apanhei-a no trumps e não sabia que o fio dental podia ir tão para dentro. Mas nunca lidei muito com com a perda morreu-me uma gata há uns tempos, ri-me um bocado. Fiquei triste um bocado de vez em quando veio-me à cabeça, mas pronto, era uma gata quando não é. Ratas tinha 2 ratas também foram a abrir. Morre imensos animais cá em casa, se calhar devia parar de ter animais. Ah, bom. Boa reflexão.
Tenho aqui um está a dormir, não sei se está, se está a dormir ou se está morto, já lá vou com um pau. Portanto, eu nunca lidei, não, nunca. EE depois eu tenho uma cena que é a minha relação com uma familiar em particular. Não é muito abonatória, não me deixa muito feliz e ao longo de toda a minha vida me tenho debatido com imenso um intenso desejo de que ela faleça. E às vezes eu penso-me. Será que quando ela falecer é quando é que me vai bater do género?
Ah, devíamos ter feito as pazes o tempo, podíamos ter aproveitado. Ou será que vou pensar? Ih, cabe um que Alívio, não é porque quero queiramos quer não as nossas relações familiares vão-nos usucrinar a vida toda, seja por estarem na nossa cabeça ou por não estarem na nossa cabeça, porque é o esforço que nós fazemos. Portanto, se a minha mãe falecer, será que vou ficar triste? É essa a questão.
Eu acho que. Eu acho que não, porque ela tem um Mini Cooper. Eu gostava de ter um Mini Cooper, mas uma vez Ela Foi operada e foi num daqueles hospitais públicos. Rasgos santinho podes espirrar, isto é um podcast real. Diz-me aí um hospital público rasgo para além do amadora sintra, um assim mais em Lisboa. São? Francisco Xavier, aí foi onde eu
nasci, não é? Rasga egas Moniz, acho que foi no egas Moniz, a minha mãe foi ser operada um bocadinho e quando chegou lá, depois teve de ir para o sítio, onde era para ficar internada. E hoje AA pensar, ser internada porquê? Espero que tenham Descoberto, mas não stories é que não. E quando a vi a entrar pelo corredor, fora com as suas perninhas chochas, eu pensei assim, comecei a chorar do género. Eu não quero que a minha mãe esteja aqui. Eu não quero que a minha mãe esteja.
Aqui, mas depois, se eu por acaso, e pensei que até posso fumar. Mas gostava de saber lidar com isto do luto. Não sei lidar, por exemplo, a questão do do meu divórcio foi um Alívio para ambos, mas só chorei um ano e tal. Depois, quando me apercebi pá, isto foi giro até terminar. Momento depois, foi uma piçada. É literalmente, porque tenho uma filha, não é?
Mas ainda não tenho. Ainda não tinha feito o luto do casamento, do género tipo projeto falhado ou projeto bem sucedido durante alguns tempos, portanto. Quem esteja a lidar com a morte neste momento, não com a sua própria, quer dizer, também podem ouvir isto. Falem comigo, digam como é que se sentem, para que é que é que é para eu sentir como é que me deveria sentir, porque eu, no fundo, não me sinto. Se calhar, ainda tenho um longo caminho a percorrer. Será que alguém vai sentir a
minha falta quando eu parecer? Ou será que a minha filha vai pensar? Quer ter um Renault todo fodido? Não sei. Bom, fica aqui a ideia de hoje. Vamos falar então sobre morte durante 10 minutos e meio, é isto que acontece durante o não sei ser diário. Amanhã poderá calhar outra coisa. Por exemplo, toda uma utopia sobre cotonetes. E porque é que têm 2 lados? Pensemos sobre isso e até amanhã. Não sei. O que assim?
