Momento de venda de bilhetes. Olha lá, antes de ouvirem o episódio, que é isso que eu sei muito bem o que é que vocês querem nesta gravação. Falemos primeiro daquilo que é realmente importante. Há novos espetáculos este ano, senão morro à fome e morro de saudades de atuar, porque o palco, as tábuas são... E portanto, prestem lá atenção. Temos Lisboa, dia quinze de fevereiro, o dia a seguir ao Dia dos Namorados, porque vocês não são os bimbos que vão festejar
dia catorze e pronto. Tem Leiria dia não sei o quê de coiso. Deixem-me cá ver, peraí lá. Que interromperam-me aqui. Vinte e oito de fevereiro em Leiria, quatorze de março no Porto, quinze de março em Aveiro e vinte e cinco, vinte e nove de março em Braga. Os bilhetes estão à venda na Ticketline e quero muito estar convosco porque é uma coisa que me dá mesmo gozo e sempre me dá motivos para sair da rotina. Momento de venda de bilhetes. Agora sim, vamos a isto. É o podcast, não sei se...
Estou super insegura, isto não é meu hábito, demonstrar isso neste podcast, acho que não é normal. Porquê que eu estou insegura se vocês não veem tudo aquilo que se passa por aqui? Vocês sabem lá se tenho fungo no pé? Vocês sabem lá como é que está o meu gêmeo no que toca a largura? Vocês sabem lá quantos gramas de proteína é que eu ingeri hoje? Ou até se fiz uma limpeza anal ontem? Não sabem de nada, ainda assim estou super insegura. Já comecei isto várias vezes.
demasiadas vezes, e nunca me parece bem. Portanto, vamos fazer aqui um acordo, que é, é seguir, é andar. É mesmo, é quando o semáforo está todo esfrangalhado e tem lá um senhor de lá, anda lá, anda lá, anda lá, aqui é, anda lá, anda lá, anda lá.
Se calhar a minha insegurança também veio destes últimos dias em que estive em Sevilha, que não estou habituada não só a viajar, sou uma pessoa que viaja bastante do sofá para a cama, da cama para o sofá, mas tirando isso não costumo ausentar-me da nossa pátria, da nossa pátria, porque eu acho que a nossa pátria, a pátria de todos nós deveria limitar a nossa deslocação, é para dizer, olha, esta pessoa é daqui e fica aqui,
pronto. Como as coisas aqui em casa, eu arrumo-as no armário, não quero que elas andem para aí a passear, a ir de um lado para o outro, porque depois não sei onde é que estão. Depois as pessoas ficam preocupadas umas com as outras e ligam. Que é aquilo que eu mais odeio, que é falar ao telefone. Onde é que estás? Desde que se abriram as fronteiras, desde que a malta anda aí de um lado para o outro, que se começaram a avantajar chamadas. Onde é que estás? Ligam a dizer onde é que estás.
Vá! Senão dizíamos sempre, na nossa pátria. E é aí que nós estamos, pátria o nosso. Fui a Sevilha e fomos de carrito. E, pá, graças a Deus, graças a Deus nosso Senhor. Isto hoje está muito família, pátria e família, não é? E Espírito Santo, que meu Miguel não se importa de conduzir porque foram quatro horas e pique, e pique, em que eu estive em coma leve. coma leve, que
foi... Eu tenho uma cena que é, quando há ruído, white noise, seja no avião, seja no carro, seja no cabeleireiro, eu adormeço que nem pintarolas. Eu entro em modo de... Está nada a acontecer, vou nanar. E aqui é uma espécie... Não, é que nem faço de propósito. Eu tenho tido esse problema ao longo da minha vida, mas mais recentemente, confesso... que é a malta fica zangada, há malta que fica zangada porque as outras pessoas adormecem.
Eu não estou a falar de adormecer e de, portanto, chegar tarde a um compromisso, não é disso que eu estou a falar. Chegar tarde a compromissos e isso, olhem, amigos, amigos, isso chateia-me mais do que quando a minha mãe deitou fora a minha tartaruga para achar que ela estava morta e era só... Lá está! A minha mãe estava zangada pela tartaruga, estava a dormir e pensou, merda de tartaruga,
vumba! E lá está a tartaruga algures num contentor na rinchoa, trinta anos depois, porque fica sempre pegada quando eles vão atirar para o contentor.
O teu chefe fica ali assim... e lá está, na ranchoa, mas ali para fitar sempre agarrado ao sulo ok, chote, que diz sulo pá, eu adormeço, sim eu admito, eu adormeço, as pessoas ficam zangadas comigo, ah não, posso ir com a tica a todo lado a nenhum lado, porque teatro adormece, cinema adormece, primeiro a responsabilidade não é minha existem luzes, existem aquelas luzes, estrobes, existem, tipo, sons, existem
sustos, existem cheiros. Se uma coisa não me motiva ao ponto de eu ficar acordada, porquê que a culpa é minha? Na escola é, bem, ganda seca, o professor é uma seca, porquê que agora sou eu? Bem, estou a dormir assim de todo lado. Está bem, filho, achas que faço de propósito? Eu também arrotei o dinheiro do bilhete. Eu não vim para aqui para dormir, eu durmo melhor no meu colchão. Acham que eu gosto disto? Não gosto, não gosto.
No entanto, acontece. Ficam zangados comigo porque, ah, desculpem lá, fui eu que vos impedi de verem o vosso espetáculo? Ressonei-me? Fartei-me de me ressonar? Se não me ressonei-me? Se não me babei para cima do vosso ombro? Deixem-me estar, pá! Deixem-me estar! Agora há uma nova mania cá em casa que é... Estamos a ver um filme, já sabemos que é por volta dos vinte e sete minutos, Kino. Pá, Kino, é verdade.
Por quê? Porque há ali uma determinada altura que uma cena que eu sou demasiado inteligente e aos vinte e sete minutos eu penso, já sei como é que isto vai acabar. E economizo, economizo tempo. Entro em safe mode e penso, pronto, acordo lá para o fim quando o gajo já tiver saído do alçapão.
Pronto! pronto, mas não, há uma mania cá em casa que é a PID do adormecimento, que tem Miguel sempre de esguelho a olhar para mim dizendo, a gaja já está a dormir, a gaja já está a dormir, a gaja já está a dormir, eu foda-se, já me sinto pressionada, sinto que tenho... Pá, que tem a pide do sono, que está sempre de esguelha. Porquê que adormecer é mal? Deixem-me dormir, graças. Ainda por cima, ver uma coisa é uma atividade inactiva.
Não é tipo jogar-se no criou a adormeço e de repente olheste-o e tem que estar sempre a acordar. Não é, façam a vossa cena. Eu estou lá, está a corpo os presentes na mesma. Deixem-me em paz.
Deixem, é que ainda por cima, dormir é uma necessidade básica, vocês vão falar lá com o gajo que fez a pirâmide, não é, dos alimentos é a outra, dos mijos e não sei o quê, pá, e o gajo diz, dormir, eu sou bipolar alegadamente, alegadamente porque se alega, e dormir é das coisas mais básicas para eu estar equilibrada, meu, eu se estou a dormir, melhor para todos. melhor para a vida toda. Não me vou escachar no trânsito
irritada. Primeiro porque não apanho trânsito, porque eu não sou estúpida, não me ponho em filas. Eu vejo que há trânsito, vou para outro sítio. Buscar a miúda à escola, está trânsito, quieta, vou para o cartacho. Não brinquem, pá, não me fodam por eu adormecer. Eu também não ando atrás de vocês a dizer, pá, estás com fome outra vez, mas estás a gozar comigo. Mas por que raio é que o teu estômago agora pensa que pode dizer merdas? Não vais comer não, senhora. A partir de agora só comes
quando eu digo. Só comes quando me apetecer que
tu comas e temos de comer ao mesmo tempo sempre. estás no trabalho, queres comer uma bolacha temos de conversar, eu vou aí ter nem que seja trotinete e comemos a bolacha ao mesmo tempo olhar um para o outro, pá calma meu deixe-me dormir em paz és uma passagem para o próximo assunto já não chega a ter a merda de um gato, que é o Kiwi que está para aqui, que é adotado, e eu continuo a dizer que acho que os gatos adotados deviam ter mais calma, deviam estar mais gratos para
aquilo que se passa na vida deles, porque não é assim Deviam saber, deviam saber, da mesma maneira quando adotamos putos, há pais que escondem, dizem, ah, ele é, ah, é as nossas filhas, não, não, não, não, devia dizer-se sempre, devia dizer-se sempre, olha lá, tu não te esqueças que és adotado, olha que vais para a adoção outra vez, olha que isto é gratitude. Olha que mais um bocadinho e voltas para a porta dos bombeiros. Eles agora andam a dar petardos.
Apanhas um cagaço com os bombeiros a dar petardos que até te viras em solha. Isto não é assim. Claramente que não é assim. Eu já expliquei ao Kiwi. O gajo estava aí todo fanfo. Está vivo ou não? Está vivo. A ir de um lado para o outro, a estragar coisas, a ir às plantas e não sei o quê, para essa tripeirinha cá de casa. Eu disse assim, Kivi, atenção, eu estou a portar-me como tua mãe, mas isso também significa que eu posso tomar outro tipo de decisões.
Mas depois ela olhou para mim e eu fiquei a sentir, mas deviam ter essa gratidão, deviam. Crianças, gatos, tartarugas e até produtos de marca branca. Desculpem, produtos de marca branca que sabem perfeitamente que são o elo mais fraco das prateleiras. Um gajo quer ter um produto mais barato. Mas muito barato também começa a suspeitar, não é? Quando é, epá, esta quinoa está a setenta por cento de desconto, ui, ui, será que isto é quinoa?
Ou será que é farfa de rodapé? Rodapé às vezes acumula farfa e se fizermos assim com a mãozinha, aquilo fica em bola, sabemos lá se é quinoa ou se não é. Adormeço, gosto de cestas. Gosto bastante de cestas, me perguntarem, Joana, o que é que tu fazes? Pá, sou muito boa a fazer cestas, era muito boa a fumar, foi, pá. Um desperdício, eu deixar de fumar, um desperdício. Havia malta que na rua batia palmas sempre que eu cancelhava, dizia, pá, f... Se tu realmente a fumar tu és outra coisa.
Eu sei, eu sei, mas tenho que parar. Não pares. Não pares, senão como é que as outras pessoas aprendem a fumar como deve ser? Não aprendem. Tu és o José Irmão de Saraiva do tabaco. E eu o que é que eu fiz? Parei de fumar. Ainda fui para o Aicos, mas senti que no Aicos eu já não era tão boa. Já não era tão boa. Um bocadinho como quando faço natação, sinto que no crawl... Tenho coisas a melhorar, costas, sou vida. Sou vida.
Tenha de pensar, tenha de fazer as contas às bolas, no teto, que é para não bater com os cornos na parede. Que dói, pá. Dói. Principalmente, se calhar, naquele intervalinho em que os braços, nenhum dos braços está lá para cima. Está tudo... PÁ! Uma vez, bem, não interessa, não vou estar aqui a falar de natação, que este podcast é sobre atualidade. Espanha, pedi coisas, insegurança relativamente a usar espanhol, certo, apontar coisas, está bom. Início do ano, certo, muito giro.
Eu já fui mais negativa relativamente às resoluções de ano novo. Isto é um comportamento estúpido, porque todos têm esse comportamento. Também vou deixar de respirar, como toda a gente respira, não
é? Ai, toda a gente respira, não vou... é estúpido é engraçado aproveitar esta época de renovação para tomar decisões eu por acaso tomo-as sempre que é segunda-feira sinto sempre que as manhãs de segunda-feira o início da semana é mesmo muito importante para mim que é quando eu tomo decisões que vou quebrar nessa tarde Mas gosto disso, dá-me assim uma espécie de força, como uma força para melhorar, para melhorar. E então este ano tomei a liberdade de comprar algo, compreendo senhora.
Eu tomei a liberdade de fazer várias resoluções e é aqui que eu acho que reside parte da minha doença mental, não sei se é a causa, se é a consequência ou se calhar são as duas, que é as minhas resoluções foram todas. Todas. Decidi tudo. Eu quero fazer tudo. Quero fazer tudo. Tudo aquilo que eu quero fazer. Faz sentido? Ainda bem. Quer beber mais água e mijar menos? A partir de agora sou camelo.
É isso que eu quero fazer. Mesmo que ficam duas bossas, que sejam duas bossas nos vagos, assim é que é. Estou farta de mijar, odeio mijar. As pessoas dizem que isto com o tempo passa, mas eu continuo a ver pessoas de cinquenta e sessenta anos a mijar. Portanto, eu acho que vou mijar para sempre. Farta de mijar. Vou comer melhor.
E isso implica cozinhar e não sei quê, deixar de pedir tanto Uber e tal, porque vem sempre com um molhinho aqui, vem sempre com um caju a mais, e um gajo acha que está a comer bem e não está, e eu sou perita em enganar-me. Enganar-me não é peço um escovilhão em vez de uma alface, é pensar, ah, Há três não é assim tão mal, não é? É arroz... É carne, eu podia estar a comer um churro e, portanto, isso não pode acontecer.
Mais, quero dormir mais e melhor, quero estar mais com pessoas, quero estar mais consciente da minha relação amorosa, quero ter uma parentalidade mais consciente e envolver-me mais na vida da minha filha numa perspectiva não controladora, mas de... de professora, de mãe, de mãe, no fundo é mãe. Quero aprender a ser feliz aqui onde eu vou, ninguém me diz. A guitarra, que só toca, depois queria também fazer mais cursos, não sei o quê, pensar mais ainda
no espetáculo, mais ainda. momento de venda de bilhetes é verdade, tenho espetáculos, estou aqui com merdas eu tenho que regravar no início, vou regravar o início porque vocês para esta altura já desligaram e o que quero é que comprem bilhetes e aqui já estão já estão noutra, já estão já estão a jogar o jogo das matrículas no carro CP, CP CP pode ser comboios de Portugal ah este é PQ puta que puta que puta que
Puta que... Mas há bilhetes, há bilhetes ainda, ainda, mas estão a voar de uma maneira que a Rússia até está ali com medo de acertar, não. Se forem à Ticketline ou então à minha bio no Instagram, têm lá datas para Lisboa, Porto, Leiria, Braga e Aveiro e os bilhetes. É fixe, é fixe. A sério, quem vai, repete. É como ao décimo segundo ano para gurros, que é vais, repete e repete até ficar bem afinfado, mas neste caso o currículo muda em todos os espetáculos.
Todos os espetáculos eu faço coisas diferentes. Fiz um arroz doce da primeira vez, fiz uma mantequilha au la beurre da segunda vez. Portanto, apareçam, tragam
guardanapos e divirtam-se. momento de venda de bilhetes queria perguntar-vos uma coisa que é, eu ando a perceber-me que sou uma conanga, sinto que dá para refletir sobre porque a utilização de uma palavra relacionada com vagina para uma coisa sem atitude mas eu acho que cedo muito facilmente às coisas, eu começo a achar que ou sou painhonha, no sentido em que não me apetece lutar pelas coisas, ou sou a candidata perfeita para relações tóxicas e momentos tóxicos, ou então sou
só mais inteligente que toda a gente. Também pode ser esse o caso. Eu deparo-me com muitas situações em que a minha preferência não é a da outra pessoa, mas que não me apetece... Lá está, não sei. Que eu aceito a decisão ou a preferência da outra pessoa... Não sei se é para não me chatear... Para a outra pessoa não deixar de gostar de mim... Desvalorizo-me um bocado... Ou será que é indiferente? Eu não sei se é indiferente... Não sei se existe aqui uma réstia...
De um comportamento depressivo... Porque... Eu tenho opiniões e tenho gostos... Mas não os faço valer... Não os faço porque acho que... As minhas opiniões e gostos... Não são sustentados devidamente... Em cultura, é como se eu não tivesse personalidade ou não merecesse ter personalidade, a pessoa diz, quero este, e eu, pá, não gosto deste, mas este é que é, eu sinceramente prefiro outro, então e este, este não acho, que é sempre o mesmo, mas este não achas que não sei o que é?
Pá, não adoro. Então, mas eu acho que devia ser este. Tá bem, então nunca sou a pessoa que fica ali. Mas eu disse que não. Mas eu não quero. Não faz sentido. Eu não faço isso também porque eu acho que vou magoar a outra
pessoa. Que a outra pessoa queria mesmo aquilo que era a cena que a pessoa queria e eu... que estou a fazer um movimento também um bocadinho frívolo, de, ah, eu não quero, como se estivesse a fazer uma birra, a dificultar o momento, como se me assumir, estou a ser uma besta. Oh, caraças, tenho que ir para o psicólogo, já volto. Voltei do psicólogo, foi fixe. Isto acaba... Eu adoro fazer terapia, como vocês sabem.
Ando a ler um livro, no entanto, sobre compulsão alimentar e lá há uma perspectiva diferente sobre como não andar a aprofundar os nossos traumas para resolver tudo, porque às vezes as narrativas auto-empáticas... Pode ser que não funcionem tão bem porque acabamos por legitimar comportamentos que nos fazem mal, porque coitadinhos de nós. Bom, no entanto, foi uma cena
fixe. Estive a falar sobre não me sentir suficiente para nada nem para ninguém, de me sentir uma merda, porque é que toda a gente é muito mais culta do que eu. E houve ali uns insights interessantes, ainda bem, que é para isso que eu lhe pago, sobre eu não ter tido alguém que me guiasse nesse sentido. Mas depois penso, será que as outras pessoas... Não interessa, quando tiver isto assim mais afiambrado falo convosco sobre isso.
Agora vão ter que ter calma, vão ter que aguardar, porque a minha vida não é só passar isto a cru. Isto não é bifa inglesa. Em Espanha disse al punto... Quando é médio passado, o bife, não é? No ponto. Se eu disser cá, no ponto, isto retomando a conversa que eu estava a ter há bocado convosco, sinto que estou a ser muito assertiva. Sinto que estou a dizer, pá, é bom que essa merda venha como deve ser, porque senão eu vou-me... Venha no ponto.
Eu suposto que estou outra pessoa a saber o que é que é o ponto. O al dente, eu percebo, porque é al dente, é para sentir na al dente. E agora o ponto, qual é que é o ponto? Cuidado, que eu nem sei se devia dizer isto ou se me calo, mas eu já fui almoçar a um daqueles sítios de bifes, que um gajo pensa que anda bife, e pedi à inglesa, e à inglesa acho que é
tipo vivo, a carne ainda vem ali, oi, oi, oi. e ainda estava congelada no meio portanto façam atenção ao que é que é o ponto e como é que é o ponto eu se pedisse exatamente aquilo que vai na minha cabeça é mal passado mas sem estar congelado caralho e era assim agressiva mas eu não sou essa pessoa Tenho que me controlar imenso na minha passiva-agressividade.
Na semana passada, estou a trabalhar com umas pessoas a propósito de uns projetos, e na semana passada tínhamos uma reunião marcada, uma reunião que me apetecia zero ter, mas que não desmarquei porque eu era a principal interessada. Mas sabem quando têm um compromisso e estão ali até ao último debate? Eu não disse nada. Eu geralmente confirmo com as pessoas. Ah, então há reunião daqui a nada. Não disse nada. Às três da tarde, zero, pináculo. Três e dez, nada.
Aí, filho, como é que é? Ah, estou aqui no trânsito. É? Então está bem. Aguardo mais dez minutos. Epá, vinte minutos depois da hora já é... Já se estão a esticar. Já é estar a menosprezar o meu tempo. Eu aí, nem daí posso isso. É melhor marcarmos para outro dia. E a pessoa, está bem. E eu, ai, o quê? Aí, quando a pessoa me voltou a enviar uma mensagem e dizer, como é que é, tratamos daquele assunto, eu juro que terei a pago, sim, a pago, mais de dez
vezes aquilo que eu ia escrever. Porque a minha passiva-agressividade estava tão latente que a minha cena foi, é? E será que há reunião desta vez? Ah sim, agora queres marcar a reunião, não estavas no trânsito, já chegaste a casa. Ei, ei, tive de me controlar tanto, tanto, tanto e é nisto que a terapia funciona. Nisto e nalguma, não é oportunismo, mas é rabiteza no sentido em que é que isto me
conduz. Conduz-me, ganhei, és pouco profissional, sendo que eu é que sou interessada nesta, não sou só eu interessada, essa é que é a questão. O que é que um gajo ganha com passiva-agressividade? Uma vitóriazinha interior, não é? Pensa assim, puta, toma lá disto. Mas depois pronto, fica mau ambiente, pusemos outra pessoa no sítio, giro. E agora? Vamos mudar atrasados? Não estou a dizer, olá, não estou a dizer que a pessoa a quem isto aconteceu...
Aquilo que eu estou a dizer é, vamos mudar cretinos um de cada vez? Ah, olha, aqui é que ele vai saber como é que é. Agora que um gajo sabe como é que é, falando de cretinos, é... Não vou fazer esta passagem. Vou? Não, não vou. Estava a dizer reluzões de matemática. Ah! Eis uma passagem para o próximo assunto. Ontem o Miguel e eu fomos almoçar a elvas. Giro elvas, muito a giro. É tipo évora. Isto é super ofendido para as pessoas, ofensivo para as pessoas, não é?
De género. Eu farei um espetáculo em Évora, aliás, já tentei fazer, só que a nível de adesão foi tipo... Deve ser com uma malta de determinados sítios. Eu vejo no dia como é que é. Quando eu for gigante, vamos ver, quando eu escutar altices arenas ou meus arenas ou pavilhões, vocês vão... Porque eu nem sequer vou avisar que tenho espetáculo. Nem vou dizer. Ponho lá na ticket line, fica ali...
Tipo, tarte, cheirinho, como nos desenhos animados, olha, quem comer come, quem não comer comesse. Évora, estou sentida quando estiverem prontos, prontos não, pronto, para mostrar o contrário, aí estarei. Fomos a Elvas, fomos à adega do Star, adega regional, incrível, maravilhoso, um daqueles clássicos, e estava a dar o domingão. Acho eu que era o Domingão na televisão. E eu estou numa de...
Eu tenho em mim um julgamento constante dos outros, e em mim própria e de mim própria, obviamente. Estavam imensas velhas agrafadoras na televisão, aquelas que só têm dois dentinhos mesmo, a bater palmas, as mamas de um lado para o outro, nem conseguem bater palmas porque vão esmagando mamas, vão fazendo mamografia
não intencional... Eia, eia, mamas aqui, mamas ali, tudo maluca, atrás de um apresentador ou outro, assim todas pingonas, quando sabemos que aquele apresentador nunca daria naquelas velhas, nem pensar, tem outra orientação sexual, e porque no fundo gosta de higiene. Estão a ver? Isto é terrível. As dançarinas todas, que um gajo começa a pensar, pá, o que é que fazem no dia-a-dia? Será que também se vestem assim
no dia-a-dia? Será que é para facilitar o Papa Nicolau, porque tem uma consulta a seguir? Será que há efetivamente velhos a baterem uma, a ver estas gajas na televisão, a pensar, ai, se não fosse a calzedónia, metia já. Até que ponto é que isto funciona? Que outros trabalhos é que os cantores de música popular portuguesa menos conhecidos têm? Porquê que me parece demasiado fácil ser-se cantor de música
popular portuguesa? Parece que qualquer pessoa pode ir à televisão e lançar um álbum da Farol Música ou da Vidisco.
Como é que isto se processa? São amigos de amigos. é tipo podcast um gajo tem um telefone em casa ou um microfone em casa e faz o que quiser como eu estou a fazer é só pôr um acordeon vamos experimentar eu primeiro vou cantar e depois é que ponho o acordeon por baixo quem passa uma aguinha por baixo eu ponho o acordeon por baixo Vou pedir ao ChatGPT para me cantar assim é que é, para me fazer uma letra, eu ando apaixonadíssima pelo
ChatGPT, para me fazer uma letra de uma música popular portuguesa que tenha a ver com a decadência da música popular portuguesa. Vou fazer aqui uma pausa que vocês têm mais merdas para fazer e eu também, esperem lá. Então, fui aqui à ChatGP Teta porque não podemos... ChatGP Teta é aquele tipo de humor, não é? Mas já é um humor onde eu... Aquele humor de família, aquele humor de televisão generalista, não é? Pode ser que me dê...
Sai da merda do computador, pá! Lá está, gatos adotados que não têm noção. Pedi ao chat GPT então para me dizer, escreve-me uma letra para uma música popular portuguesa que faça trocadilhos com sexo, mas que também ridicularize isso mesmo. E a gaja responde-me, aqui vai uma proposta de letra para uma música que mistura humor, trocadilhos com sexo e uma pitada de ironia, ridicularizando a obsessão por esse tema. Espero que seja a obsessão da música popular portuguesa.
Título, só falo de amor, ou quase. Risos Opa, eu não sei... Verso um. Eu fui à feira do quintal, vi uma fruta tão especial, redondinha a pedir atenção, mas cuidado, era só um melão. Pá, isto requer instrumental. Parem lá.
Eu fui à feira do quintal, vi uma fruta tão especial Redondinha a pedir atenção, mas cuidado de era só um melão E o vizinho diz que planta uva, mas no fundo é só conversa turva A narrar o que não tem, ai tanta gente que não sabe bem Dizem que o tamanho é que conta Mas eu só quero é que a vida me apronte Corações grandes e piadas pequenas De trocadilho já fiz
uma arena Vamos! Na padaria pedi um pão O padeiro piscou-me que assombração Disse quente e duro é o meu segredo Mas era só fermento, acalma o medo No talho vi outra gracinha Carne fresca sempre em linha Mas quando olhei era só fígado Ai, o charme é sempre fingir. Dizem que o tamanho é que conta, mas eu quero... E é verdade. Eu vou desde o fundo do... Não aguento mais.
A melodia pode ter um tom leve e divertido, algo como uma marcha popular a um estilo inspirado no humor musical de Kim Barreiros. Sinto que não estive à altura. Vou agora tentar pedir... E se for uma letra intelectual, com grandes, com referências... Aos grandes clássicos da humanidade. Quieto, pá! E também... Sei lá, a quem? A quem? Sá? Sá? Enrique Sá Pessoa. Enrique Sá Pessoa. E lentilhas. Pronto, a ver como é que corre. Vou pôr o mesmo som? Está bem, ponho o mesmo som.
Vamos lá! Blatão falou das ideias perfeitas, mas nunca cozinhou lentilhas direitas entre o mito e o caldo na panela. Ser ou não ser, faltava uma estrela. Shakespeare deu tragédia e dilema, mas Henrique sabe só resolver o tema. Na vida o segredo é temperar bem e eu pergunto, será que o amor também? Ei! Essa escreveu sobre o bacalhau, mas eu só vejo lentilhas no meu areal, no pernazo da cozinha ou da emoção. Eu procuro um Nobel para o coração. Vamos! Tão, tão, tão.
Homero cantou Troia o seu ardil, mas nunca viu um sufleá subir no forno hostil. Dante desceu ao inferno a comédia divina, mas nunca lutou com uma massa que desafina. E enquanto Camões rimava em tercetos, eu faço listas de compras com sonetos. Amor é fogo que arde sem se ver. E lentilhas é o quê? Só dá para comer. Essa escreveu sobre o bacalhau, mas eu só vejo lentilhas no meu... Foda-se. Espera. Entre um goia sombrio e o Van Gogh de luz, no prato a vida grita e seduz.
Será que a pessoa ou o Fernando o tal escreveria um heterónimo sobre comida banal? A melodia pode ter um tom melancólico com momentos de humor súbito, alternando entre algo quase erudito e irónico, uma forma de casar o peso intelectual com a leveza culinária. Chet-GPT é vida. Vida, vida, vida. Obrigada, Chet-GPT. Este foi Momento Musical de Música Popular Portuguesa, escrito por Chet-GPT e cantado por Joana Gama. E a Teresa Guilherme continua a
falar de vaginas. Eu acho que a malta percebeu que vaginas é um tema, não é? Já temos o monólogo das vacinas, do João Baião, não sei se é um texto nosso ou não. O monólogo das vaginas, que é feito há oitenta e oito anos, ainda as vaginas não eram usadas, era tudo por toque retórico. O quê? Bom, mas este Teresa Guilherme e as vaginas, aquilo que ficou por dizer, suscita muita curiosidade e creio ir assistir.
Pessoa, o contato telefónico de Teresa Guilherme é algo de qual me orgulho bastante, já o utilizei num projeto chamado Banana Papaya com Rita Camarneiro e efetivamente ela atendeu o telefone e foi, será que eu tenho aqui o voice? É que o WhatsApp às vezes respinga, não é? Um gajo está a contar e depois respinga. Esperem lá. Teresa Guilherme. Teresa Guilherme. Aqui está. Vamos embora. Eu não sei se posso usar isto,
mas esperem. Vi agora a mensagem, sim, eu tenho aqui o histórico, mas a verdade é que já não me lembro nadinha o que é que combinei, disse que quando quiserem liga e tal. A minha pergunta é, isso é uma entrevista só voz certa, que eu não estou apresentável. Conversa, ainda vai que não vai. Pá, tão querida, muito querida, foi muito simpática, atendeu-nos, falou connosco, foi maravilhosa. E agora sinto-me...
Ela tem setenta anos e está aqui uma notícia, vá a dizer que Teresa Guilherme não gosta de pensar que está a envelhecer. E acho muito bem, e faz muito bem. No entanto, continua a ter umas pernas fabulosas. E eu quero saber, Teresa Guilherme e as vaginas. do que é que fala as vaginas e eu. Assim é que é. Durante setenta minutos, Teresa Guilherme aborda com humor as conversas secretas que as mulheres vão tendo entre si e que os homens nem sonham sobre as suas relações com os seus
maridos. Diz também quais são as suas vaginas preferidas, de quem são as suas vaginas preferidas, onde gosta de ter vaginas lá em casa para decorar melhor os interiores. De forma interativa e carregada de gargalhada, são quebrados tabus e preconceitos continuam a ser uma realidade das mulheres em sociedade. Por ter um bom apoio do Instituto Português das Artes e Juventude, são distribuídas algumas vaginas de cerâmica para as pessoas conseguirem sentir o que será efetivamente masturbar
uma vagina. Num espetáculo alucinante e muito divertido, nada ficará por dizer. Parece-me um ótimo espetáculo, é dia dezoito de março de dois mil e vinte e cinco, no Tivoli, no Teatro Tivoli BBVA. Os bilhetes são de dezasseis a vinte e dois, vinte e dois euros é para quem já, dezasseis é para quem leva vagina, vinte e dois é para quem quer vagina. Deve ser, imaginem que havia Ladies Night também para os espetáculos.
Aboliram agora aquela questão do Uber de gajas por ser discriminatório e o Ladies Night, que gajas não pagam. Se eu sou velha, sim, se calhar não há Lady... E é verdade, e agora com o gender neutral e não sei o quê, como é que é de Ladies Night? Não é? Como é que se faz? Acabou, acabaram, acabaram as borlas. Acabaram as borlas, a partir de agora é assim. É, é, é, querem entrar, entram, que é mesmo. E é isso que Teresa Guilherme
também diz sobre as vaginas. Estava eu a dizer ainda sobre o Domingão que quero ser menos julgadora do que aquilo que tenho sido relativamente aos papos de cona das senhoras que dançam no Domingão. Mas sobre o facto de ser tão fácil entrar na música popular portuguesa, pelo menos parece, sobre a química que questiono bastante entre Emmanuel e Luciana Abreu, eu acho que existe ali, apesar deles agora terem uma música juntos, eu acho que existe ali uma dinâmica
super tóxica. Acho que Luciana está presa ao comando de Emmanuel, acho que eles não podem sair do caminhão durante dez anos, têm um contrato com a SIC que não podem
sair do caminhão. quero ser menos jogador, no outro dia estava a ver o preço certo, e lá estava uma velha agrafadora, e eu, pá, bué da fixe, bué da fixe, esta velha, mesmo que vá dar um estandarte, que é muito agir, eles deram um estandarte lá da terra, não sei, Vila Viçosa da Pegães, ao Fernando Mendes, e o Fernando Mendes, ah, um estandarte, isto é que é sempre útil, o gajo é o maior, o gajo é o maior.
A velha estava toda contente, fez uma viagem de autocarro, foi com o seu dentinho, falou, não sei o quê, não sei o que mais. E eu a dizer... Primeiro aquilo que nós dizemos dos outros amigos. Tens um dedo apontado, são três apontados para ti. Sabes como é que é? Pronto. E depois... Ainda bem para a velha, há tanta velha para aí estacionada só à janela e mesmo assim fazem-se não bem, porque pelo menos não
estão no scroll. Ah, eu vi uma notícia qualquer de uma família que proibiu a velha de estar ao telemóvel, porque a velha de repente começou a fazer danças no TikTok e a fazer contour e ficou tudo meio maluco. Mas, pá, não quero criticar tanto. A cena é, eu vou ser essa velha, eu vou ser a velha, eu seria a velha do dentinho se a minha mãe não me tivesse posto aparelho, se não tivesse capacidade, liberdade financeira que por acaso não tenho, se não sei o quê.
Pá, o que é que tem? Eu não posso desculpar constantemente com o meu sentido de humor e com a minha profissão para ser uma cretina. Ou posso? Não. Quando estou a trabalhar em uma cena, mas estar em casa a fazer... É só parvo. Não quero ser julgadora.
Não quero. custa, custa, custa bastante mas é mais uma daquelas quero ser melhor pessoa por exemplo, eu hoje, agora acabei de vir do supermercado, porque depois do psicólogo fui ao supermercado e comprei uma corjeta a sessenta e nove cêntimos eu nem gosto de corjeta, eu acho que devíamos pagar as coisas de acordo com o nosso amor por elas, faz-me confusão comprar uma corjeta a quase um euro, a cem pau que é aquilo que se passa, que era aquilo que eu ponho num
carrossel na praia das maçãs para andar em cima do elefante De repente, sessenta e nove. Uma corjete? E nem uma corjete assim, pá pá pá. É uma corjete, é uma corjete, é uma corjete normal. Sessenta e nove cêntimos. Está tudo parvo. Mas ainda tudo a brincar. Quer dizer, uma coisa que eu gosto, tipo cenoura. Mesmo assim, pinhões. Adoro pinhões. Percebo que sejam caros, não tão caros quanto... Sabem que bloqueiam os pinhões no supermercado porque a malta vai aos pinhões.
Ai, pinhões é tão caro, bora roubar pinhões. Vamos fazer um arrozinho com estes pinhões que nós não temos dinheiro para pagar? Calma, malta. Ou então vêm fardar pinhões, não sei. Estou aqui a julgar um bocadinho. Mas fica a ideia. Fica a ideia também de vos relembrar que há espetáculos em breve. Não sei se perceberam, mas eu faço stand-up de improviso. Ou seja, os espetáculos nunca são iguais. Não sou capaz. Não gosto.
Não gosto. Quer dizer, seria capaz, se fizesse sempre o mesmo texto, ao final do terceiro espetáculo já sabia aquilo de cor e salteado. Não é isso que eu estou a fazer neste momento. Estou a dar-vos em todas as datas, em todos os lugares, momentos completamente diferentes. Falo sobre aquilo que me
aconteceu nessa semana, pensamentos que eu tenha tido. o que é que me aconteceu a caminho do espetáculo, coisas que eu vejo em vocês, no público, portanto, os espetáculos são completamente diferentes, se vocês já tiverem ido a alguma das minhas outras datas, podem repetir que não vão, pode haver uma história, tipo, estou a ficar velha, pode haver uma história que eu já tenha contado e que conto outra vez, mas é como faço com os meus amigos, portanto...
Não é por aí, mas todos os espetáculos são diferentes. Tenho novos espetáculos em breve. Começo por Lisboa, dia quinze de fevereiro. Ótimo para fugirem aquela azáfama da pizza do dia dos namorados. Está toda a gente maluca de um lado para o outro. E irem celebrar no dia a seguir. Dia quinze de fevereiro no Lisboa Comedy Club.
Vinte e oito de fevereiro. em Leiria, quatorze de março no Porto, olá Porto obrigada, estão a receber-me com muito carinho Aveiro, dia quinze de março Braga, dia vinte e nove de março Coimbra, vou ter que arranjar outro sítio porque mais uma vez está a dar o pai de mestre manda e-mails, não respondem e-mails e não sei o que é que querem que eu faça não sei o que é que querem que eu faça Pronto, é isto. Um beijinho muito grande e até para a semana.
Sigam-me, sigam-me no Spotify, não sei o quê, porque eu não consigo manter aquela constância, ia dizer autística, mas não quero ser. Mas sigam-me, sigam-me, que assim eu não consigo manter essa coisa. E então vocês... Ah, Joana Gami, vocês me... Ok, ok, ok, em vez de estar a ouvir este anúncio de oitenta e oito minutos, ou em vez de estar a ouvir esta música que já percebi, vou... Ok, ok, pronto. Fica aqui a sugestão. Beijinho. Boa semana.
