#177 - Livros não da piç* e o que comprar neste Natal - podcast episode cover

#177 - Livros não da piç* e o que comprar neste Natal

Dec 16, 202431 minSeason 2Ep. 177
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Episode description

E não é que acabou esta temporada do podcast Livros da Piça? Andava viciada. Acabei por fazer aqui também uma visita à minha biblioteca agora cada vez mais digital por causa do Kobo da FNAC.

Catching

Entretanto... NOVA TOUR!

*Todos os espectáculos são diferentes*

Lisboa // Porto // Aveiro // Leiria // Coimbra // Brafa

arrotem aqui: 💸www.linktr.ee/joanagama

Transcript

Amigas, quem é que está de volta? Sou eu, sou eu e tenho bilhetes para vocês. Tenho uma nova tour em marcha. Tenho Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Leiria e Braga. Os bilhetes estão à venda na Ticketline. Quanto a Coimbra, ainda não, mas reservem o dia treze de março porque vou ao Salão Brasil. Com Zé, com Zé. E hoje falamos sobre...

Neste episódio, a Joana começa por descrever o almoço deste fim de semana, recordando um pouco a relação que tem ou não tem com a família, escorre mais uma vez sobre a sua infância, algo traumática, algo abandonada, depois recorre nessas mores para introduzir de fino um livro que gostou muito, meta-lhe o patrocínio da FNAC à campeã, falando de Cobo, dos Cobo, E depois volta ao outro livro, mas te colgo mais nessa pedra e é isto o episódio. Fica aqui o resumo e um

beijinho. Olá, este é o meu presente de Natal para vocês. Já chega? Feliz Natal! Feliz Natal! Eu não tenho nada contra o Natal, antes pelo contrário, sempre quis que o meu Natal fosse fantástico e era, quando eu tinha imensas prendas e era tudo ninguém e tudo a dar prendas à menina, agora já não me mascar de pai Natal, já não

engano o meu irmão com... Eu fazia a barba com... fazia uma folha a quatro, depois cortava, depois punha cola stick, ia ao algodão da minha mãe de coisa, pendurava, depois uma linha à volta. Oh, amigos, quando não vi a Leope, a Leope, mão já obra, que é mesmo assim. Não sei porquê, não sei porquê que fiz este... não faço a

mínima ideia. Mas o Natal voltou a ganhar algum interesse com a Irene, que é a minha filha, o que é que, como não temos mais crianças na família, aquilo acaba por ser um bocadinho solitário, não é? Já abriram os presentes, podemos abrir os presentes, estamos no café, mas porquê que bebem café? Enquanto que quando havia outras crianças, quando o meu irmão era mais novo, quando não sei o quê, sempre era aquela, vamos

brincar, nananã. E depois eu fazia uma coisa, os meus pais são divorciados, eu para me mascarar de pai natal, toda a gente dizia, ah, a mana foi agora para a casa do pai, como se eu no momento auge do natal fosse para a casa da outra pessoa. Mas ele nunca passou o natal comigo, o meu irmão, passou sempre com o pai natal, até que ele reparou que o relógio do pai natal e o meu era o mesmo. E aí juntou um mais um, que deu merda. E então, relativamente ao Natal, eu gosto muito de oferecer

prendas às pessoas. Eu perco um bocado de noção do orçamento porque penso sempre, pá, mais vale dar uma coisa de jeito que custe mais um bocadinho, mas que a pessoa vá usar. Ainda agora, a minha madrasta é muito caseira. E estava a procura de coisas para ela, pensei num pijama, não sei o quê, depois pensei numas meias, depois pensei, vamos para as pantufas, havia a hipótese da pantufa rasca, havia a hipótese da pantufa ok, fui para a pantufa ok. E a diferença aqui ainda são dez

pau. Ah, podias ir à Aleope e comprar, verdade, mas depois toda a gente... Estou a fazer aqui plug à Aleope, mas a FNAC assim vai ficar com ciúmes, porque a FNAC é que está a patrocinar este episódio, isto assim parece mal. Sena é, eu acho mesmo que se deve investir mais um bocadinho, acho que não se devem dar prendas à parva, acho que se deve pensar na prenda, olha dá-lhe um livro qualquer, para isso mais vale não dar prendas, acho que se deve, uma pessoa se deve esforçar.

A não ser que seja uma pessoa tão próxima, por exemplo, eu e o Miguel gostamos de receber prendas e de dar prendas um ao outro, mas há tantas, quer dizer, não é? Pois, então, o que é que foi? Acho que foi o ano passado, olha, oferecemos a viagem de Marrocos, assim é que é, pronto, vamos para Marrocos, tu pagas o meu, eu pago o teu, é estúpido,

é, mas o dinheiro também... Ofereci à minha mãe, ela fez anos agora, dia dois de dezembro, ofereci à minha mãe um Apple Watch porque ela já tem tudo, porque eu não tenho paciência para ir à La Redoute a rotar mais coisinhas que ela depois só usa quando me vê para me deixar feliz e eu, enfim, nem sei quais é que eu dei este ano ou o ano passado ou quais é que ela compra por si. Achei que o Apple Watch era fixe que o Apple Watch vai-nos avisando para nos levantarmos.

E a minha mãe vai reformar-se este ano e eu pensei, pá, ter alguém que lhe diga, levanta essa peida, pode ser interessante. Só não lhe ofereço um cobo porque já tem um cobo. E porquê que estou a falar do cobo? Não só porque estou alinhada com a FNAC nesta situação, mas também porque já é o meu segundo

cobo. O primeiro eu tive quando estava grávida da Irene. Porque chega uma altura em que nós temos aquelas fases de consumir trash TV, de vermos muitos reels e não sei o quê, eu depois sinto-me culpada por estar a ver a vida a passar-me ao lado e depois tenho momentos em que quero investir imenso dinheiro.

Em mim, em cultura e não sei o quê, e os livros para mim simbolizam bem-estar mental, porque eu acho que uma pessoa só consegue ler quando está bem da cabeça, quando consegue sair dessa ratoeira, e também porque está a valorizar-se ao ponto... de querer aprender alguma coisa por isso eu acho que não só ler ajuda a que sintamos isso mas o sentir isso faz com que nós consigamos ler mais e como ando sempre de um lado para o outro com a Irene vai taekwondo, vai escola, vai não sei o que não

tenho cu para andar com livros de um lado para o outro, porque também já tenho o saco do ginásio, o saco do ténis. Ai, queridos, que vida fina que a menina leva! Às vezes vou mesmo trabalhar para fora, e quando digo para fora, é para o centro comercial, mas levo o portátil, levo o disco rígido, levo não sei o quê. E a levar um livro, que é um bónus, que é uma coisa que... poderei eventualmente usar, mas não tenho a certeza, é peso extra e que não sei se vale a pena.

E ainda por cima, não sei qual é que vai ser a minha disposição no momento, porque não é que eu seja a Marcelo, mas às vezes posso estar num mood mais simples, quero uma coisa mais fácil, mais rápida, de consumo mais rápido, ou posso estar num mood um bocadinho mais exigente e ler, por exemplo, um livro...

um pouco mais científico. Por exemplo, há uns tempos acabei o The Body Keeps Core, em português deve ser O Corpo Não Esquece, exatamente, de Bessel van der Kolk, que é um médico, e ele mostra, ao longo do livro, vários estudos que comprovam que, efetivamente, o corpo armazena as nossas experiências, legitimando, ainda que não esteja... incluído no DSTM, aquele manual que diz o que é que é doença ou o que é que não é, que o stress pós-traumático é efetivamente um problema e o

trauma complexo e essas coisas, que por acaso são coisas das quais eu sofro. E explica não só as várias experiências que foram feitas nesse sentido, as publicações que há nesse sentido, mas também quais são os sintomas que essas pessoas, e algumas entrevistas até, que essas pessoas têm. E é muito interessante porque é uma das coisas que eu sou da geração, provavelmente vocês também, em que havia uma divisão entre saúde mental e saúde física.

E ainda há, mas agora estamos a juntar tudo com aquela frase de uma saúde holística, que é tudo ao molho. E de facto é verdade, há imensas terapias, imensos especialistas que falam sobre primeiro começarmos pelo corpo, até pela questão da meditação, yoga para acalmar a mente. E que tudo está ligado a uma coisa e outra. E o facto de começarmos por ler este livro que eu li no meu cobo... Até vos vou ser sincera. Comprei o livro. Comprei... Já não me lembro onde, mas comprei o livro.

Até foi o Rui Maria P que estava a lê-lo. E comprei e comecei a ler e as letras eram bem pequenas. E não me dava aquele pauzinho de livro tesudo, que eu, ai que graças, que vou ler todo, não estava a dar, parecia que estava a ler um assim, que eu gosto dos livros tesudos, gosto de páginas com alguma gramagem, gosto de letras sem serifa, não sei como é que se diz em português, sem serifa.

Gosto de um espaçamento porreiro, eu sei que às vezes há alguns clássicos, e até a Penguin faz isso, de juntar mais as linhas, que é para compactar o tamanho do livro, mas isso irrita-me e uma das coisas que me dá mais prazer em ler é acabar. É a cena de, ah, é aquela dopamina de fiz isto, está feito, terminei, fiz isto por mim, gosto de mim e dá-me autoestima. Bom, adiante, este livro não me estava a dar pau nenhum, ler manualmente, pegar no livro e tudo, apesar de ser um livro, eu

compro só livros bonitos, tenho esse problema. e daí ter tido muita dificuldade em anos passados em comprar livros em português porque honestamente as capas eram deploráveis, não entendo, eu própria estive envolvida no processo de criar uma capa para o meu livro e lutei muito, lutei muito não, era uma conversa amigável com a minha editora numa de pai, eu não quero isto, ah mas isso é o que o mercado quer e não sei o que acho que não queria, mas a capa para mim é muito importante

hum O sentir o livro na mão, sim, sim. Isto não quer dizer que eu não continuo a comprar livros. No entanto, este livro em particular, como eu tinha o Kobo, e tenho o Kobo, comprei-o no Kobo também. Mais barato, como é óbvio. e tive o prazer de andar com o livro de um lado para o outro, poder oscilar entre este e outro, do qual já vos vou falar a seguir, e assim não sentia aquela coisa de fracasso constante, de abrir o livro e sentir-me fracassada por não conseguir continuar a leitura.

Pensava, ok, não estou a conseguir seguir este livro, vou fazer aqui uma pausa, uma interrupção, volta este, depois volta aquele, e podia andar carregada com ele sem andar carregada com ele, porque estava carregado. No Kobo. E tenho muito esse prazer, porque como o meu objetivo é ler, se estiver a reduzir as minhas hipóteses, eu estou muito condicionada por várias variáveis das quais eu não tenho controle, não é?

A paginação do livro, posso querer muito um livro, mas a paginação não é fantástica e no Kobo, por exemplo, eu consigo mudar... Vocês, calhar, já tiveram um Kobo ou algum leitor deste género, mas... Eu adoro poder mudar o tipo de letra, o tamanho, o espaçamento. Gosto de fazer jogos comigo mesma. Ai, que marota! Por exemplo, em baixo eu às vezes não quero ver qual é que é a duração do livro, em que página vou, do total, que é para...

Isto é uma coisa que não dá para fazer com os livros, que é para tentar ter o prazer só da leitura sem estar a pensar no progresso. Epá, acabo por me divertir imenso. E ainda há outra questão, que é, quando o Miguel vai dormir, raramente isto acontece. Atenção, eu sou a pessoa que acorda às seis da manhã para estar tranquila e fazer sininhas, ou não fazer sininhas. O Miguel é a pessoa que se deita à uma da manhã porque ficou a fazer sininhas. Portanto, temos horários

completamente trocados. Mas já aconteceu eu querer ler na cama, ou mesmo de manhã, quando ele ainda está a dormir... E como existe retroiluminação, que não é uma iluminação tipo os monitores, que se tem de pôr os óculos azuis e não sei o quê, aquilo até tem uma calibração de temperatura de luz, eu consigo ver aquilo, estar a ler aquilo e

não incomodar ninguém, o que é fenomenal. fantástico, porque dantes quando eu lia livros na cama, além do barulho eu sei que isto é estúpido, mas são verdades além do barulho que eu fazia a virar as páginas, que se eu fosse outra pessoa ficava irritadíssima, comprei uma daquelas lâmpadas da Moleskine que tem um clipe e que se punha no próprio livro, mas isso acabava por ser uma seca porque ficava torto, eu sei que era para pôr na capa mas caía, isto para mim é fenomenal, e não

comprei o cubo maior comprei um cubo pequenino, isto já comprei há dois anos ou algo que foi E pá, cabe num bolso. Num bolso grande. Mas cabe num bolso. E então, estava a dizer-vos, li este livro, Body Keeps Core, que é muito interessante e é giro porque nós temos muitas reações no nosso dia-a-dia. que determinam a dinâmica das nossas relações e não sabemos de onde é que vêm, não só porque as coisas

nunca são unilaterais, não é? Existe uma dinâmica, a outra pessoa também imprime as suas influências nos nossos comportamentos, mas também porque nós não conhecemos a nossa história, nós não sabemos o que é que está gravado no nosso corpo, nós não paramos para pensar e acima de tudo não

paramos para sentir. E é engraçado... Às vezes, ainda que tenhamos de fazer um esforço para intelectualizar a nossa história, para termos a nossa identidade, é engraçado às vezes termos esta tendência ocidental para não nos ouvirmos, não ouvir o nosso corpo, que é de onde... vêm os principais sintomas de trigger, a meu ver.

A maior parte das pessoas, e eu incluída, porque eu sou mundana, eu sou uma pessoa da Terra, eu sou muito humilde, eu, a determinada altura, sabia que era ansiosa, mas comecei a reparar, aos poucos, que tinha sempre os ombros nas orelhas, estava sempre hipertensa, ainda hoje em dia acordo com os maxilares super rígidos, porque devo dormir a fazer bruxismo, imensa força na boca. E estas coisas são o corpo, é o corpo a dizer-nos o que é que se está a passar.

Eu, por exemplo, confesso-vos, eu não tenho grande capacidade de afeto físico. Sou capaz de abraçar pessoas que acabei de conhecer por estar grata por conhecê-las, mas no dia-a-dia não recebo bem contacto físico, principalmente inesperado. E é interessante perceber de onde é que isso vem, entender o conceito da telescopia geracional, que é um conceito que o meu psicólogo gosta muito, apesar de não encontrar em lado nenhum, tenho que o interrogar

relativamente às fontes. perceber onde é que isso vem na família. Reparei que no almoço passado o meu irmão também fugiu ali a uns toques de um membro da nossa família ali que o queria afestinhar no rosto. É giro ver isso. E este livro proporcionou-me isso, ou seja, comecei a interrogar-me sobre como é que a vida fica alojada no corpo, quais é que são as consequências disso, como é que os, sei lá, os... Os veteranos acusam esse tipo de sintomas? Como é que é o após, quando regressam?

Vocês lembram-se da anatomia de Grey? Havia lá o tipo ruivo que tinha estado na guerra, não sei, do Vietnã ou algo assim e estava terrível, não conseguia ouvir nem sequer a ventoinha de paz do teto que se passava logo, não sei o quê. Pronto, é interessante. Ah, mas não estiveste na guerra. Está bem, mas o corpo armazena tudo e é mesmo muito giro. E a partir do momento em que consigamos, apesar de eu estar a fazer esta ligação, ainda não a

integrei, não é? Mas a partir do momento em que consigo integrá-la, e que isto passa a ser uma prática recorrente no meu dia-a-dia, vou conseguir ligar as duas coisas. Eu agora estou a fazer um bocadinho de forma artificial. É como o início na mudança de um estilo de vida, não é? A partir de agora vou beber mais água. Se calhar no início temos de fazer de forma artificial, mas depois passa a fazer parte do dia-a-dia. Não consigo fazer, tenho sempre medo de mijarem sem...

Sem ser num sítio oportuno. Não que me mije, não é isso que eu quero dizer, mas que esteja no trânsito e queira fazer xixi ou que esteja não sei onde. Então, pronto, é uma ansiedade que tenho que resolver. E queria dizer-vos que no seguimento deste livro, outro livro que eu ando a ler agora no Cobo, E este sim, fiquei um bocadinho mais indecisa se comprava em papel ou não, porque é de uma editora, é da minha editora preferida. Tem algumas em Portugal, mas

esta é fenomenal. Chama-se School of Life, não sei se conhecem. É um ajuntamento de pessoas que junta ideias de psicologia, psicoterapia, filosofia, arte, cultura, que junta tudo isso e que depois edita ensaios, livros, jogos... que nos deem dicas sobre como melhorar a nossa vida. Ok, isto parece autoajuda, parece não sei o quê, também é, mas é filosofia contemporânea, é

aquilo que eu sinto. O principal autor, aquele que me puxou para isto, foi o filósofo Alain de Botton, que é um filósofo que não necessita de imprimir todo um linguarejo complexo para que as pessoas o respeitem. Aliás, o trabalho dele é, antes, o oposto, é deixar de mimimis, para que toda a gente se aproxime deste desejo de melhorar a sua vida e de conseguir pensar e sentir as

coisas. E então eu tenho vários livros desta coleção, provavelmente vocês já se cruzaram com eles na FNAC, tem o Como Pensar Mais em Sexo, o Porquê que Vais Enganar no Primeiro Casamento, os títulos não são bem assim em português, mas é como eu me estou lembrando.

Tenho o Great Thinkers também, Eu estou a babar-me um bocadinho, porque comi umas bolachas antes de começar, que é erro, erro de principiante, yeah, why you will marry the wrong person, adorei este, adorei este, em que ele joga com uma hipótese de nós primeiro, isto é muito psicanalítico, não é, procurarmos a pessoa, o parceiro que tenha mais a ver com... Com os nossos pais, que nós nos identificamos mais e que ao longo da nossa evolução pessoal, se a outra pessoa não evoluir, não é?

Acabamos por ficar presos ali num padrão com o qual já não nos identificamos, ou que é tóxico, porque nos ativa triggers e não sei o quê. Bom, muitos livros que eu adoro aqui, passo-me com isto, fico mesmo pingona com a maior parte destas coisas, porque o design é magnífico, o tato dos livros é... Eu não sei explicar, só isto dá-me vontade de viver... Eu tenho que me controlar imenso para não comprar isto tudo. Agora, o que é que acontece?

Comprando em digital no Kobo fica muito mais barato e vou-vos ser sincera, eu ando, sinceramente, a questionar-me

relativamente a muitos livros que eu possuo. livros às vezes que não gostei ou que não fazem parte da minha vida e que eu de antes sentia que eram tesouros porque era como se fossem uma espécie de montra da minha intelectualidade mas não são um espólio da minha existência e portanto comecei a querer vendê-los todos na Vinted e ando a fazer bom dinheiro com isso ando a libertar espaço na minha estante isto faz-me lembrar aquilo que eu fiz com vários agora isto não estava a gravar,

estou a curtir bué estar a falar de um lado, pá, por amor de Deus Ok. Faz-me lembrar quando saíram... Quando saíram, que horror. Quando se começou a usar mais os MP-XIII e não sei o que, que vendia os meus CDs todos. Menos os que eu tinha autografados dos Offspring, dos The Weasel, alguns CDs que o meu pai me tinha gravado, compilações, também ninguém iria querer comprar. O meu pai gravou com a voz dele e quando ele morrer eu vou ficar

tão triste ao ver aquilo. E pronto, e houve CDs íncabas e não sei o que, que nem eram meus, daí não ter vendido. Mas... Eu agora sinto que há aqui livros que quero preservar, que são muito importantes para mim, mas outros que filho. Se eu puder fazer cinco euros na Vinted para gastar novamente em livros, e provavelmente livros

no Kobo, pá, gasto. E este é um deles, que é um livro School of Life, portanto, o design, a capa, é magnífico, é pequenito, o mandar vir era caro, não encontrei na FNAC também, também não procurei. Hum... E pensei, este vai ser um daqueles livros que eu não vou querer que faça parte do meu espólio.

É um livro que eu quero ler, que estou muito curiosa, que quer retirar dicas para o meu dia-a-dia e, entretanto, por acaso já me apropriei de algumas e melhorei-me bastante a minha qualidade de vida, mas não faço questão de o ter fisicamente. Não é a minha cena, portanto... Quero falar-vos um bocadinho do Mind and Body do School of Life. O que é que eles fazem aqui?

Fazem... isto parece um bocado paternalista para quem já tenha pensado nas coisas, mas pensem que, um, é importante para pessoas que nunca tenham lido ou ouvido falar sobre o assunto partir-se do zero, e depois nós podemos assumir que sabemos coisas, mas não estar integrado de uma forma lógica. Ah, sim, eu sei isso, está bem, mas já... o conhecimento já está... Já faz parte de nós? Não faz? Como é que isso está?

Bom, este livro ajudou-me a... Primeiro motivou-me a ir a aulas de yoga, porque fundamenta aí muito bem porque é que o corpo é importante para nos sentirmos bem, etc. Ajudou-me a ter uma perspectiva mais gentil em relação ao meu corpo, porque eu andava numa de... correr muito todos os dias, seis quilómetros por dia, não sei quê, depois deixei de fazer, fiquei muito triste, depois fiquei com raiva de mim própria, então só queria fazer desportos violentos, violentos

eu digo tipo paddle, ténis, coisas assim com mais impacto, mas este livro deu-me vontade de fazer pilates, yoga também, ser mais gentil com o meu corpo, respeitá-lo mais um bocadinho, em vez de só ser rígida com ele, por procurar rigidez. E então, este livro tem uma coisa muito gira que é, vai buscar um bocadinho a nossa, nós associamos a infantilidade, mas não é bem isso, o nosso lado mais brincalhão, e o problema é associarmos isto à infantilidade, é precisamente

isto que aconteceu. Eles começam por falar de várias coisas e o que eles fazem aqui é, eles tentam dar-nos dicas, jogos, brincadeiras, que nos façam libertar deste garrote que nós nos auto-impusemos, por um lado, por não termos tido quem brincasse muito connosco, porque andamos com muitas preocupações, o que quer que seja, o corpo está preso, E eles arranjam aqui vários jogos, desde jogo de almofadas, desde... jogo não, luta de almofadas, fazer uma orquestra ao jantar, o carro

cego, a limpeza da festa. Estou a tentar traduzir aqui um bocado... Em cima da hora, portanto, não está muito sexy. Mas então, eles falam, dão ideias de vários jogos que podemos fazer em conjunto, com familiares, amigos ou o que quer que seja, que ajudam a sairmos um bocadinho do piloto automático, do dia-a-dia, da conversa da pizza, de... Ai, como é que estás? Eu não sei. Eu estou aqui com a minha casa

e... Não, começarmos a conhecermos uns aos outros, deixarmos de ter uma perspectiva utilitária, superficial das nossas relações e começarmos a aproveitar esses momentos para nos enriquecermos sim, mas com maior profundidade. Não sei se disse alguma coisa de jeito agora, estava só a pensar no quanto este livro até agora tem feito uma diferença na minha

vida. Ainda não puse em prática alguns jogos porque estou numa fase, há anos que estou neste ciclo de tentar desconstruir a minha relação com o tempo, sou muito ansiosa, acho sempre que não vou ter tempo para nada, tenho uma fixação por horas, tenho de acabar de fazer isto às horas, às horas, às horas, às horas, ela tem que se deitar às à hora, não necessariamente à hora certa pode ser à meia hora mas tem que ser porque senão tudo falha porque senão sou um fracasso,

bom, portanto eu estou aqui na fase de ler o livro De sentir aquilo que ele me dá... Mudei aqui algumas coisas... Lá está... Continuo a fazer desporto agressivo... Mas também estou a introduzir aqui aulas gentis... Que me faz bastante diferença... Nomeadamente o yoga... Depende muito das aulas... Eu estou no fitness set... E há professores que são mais de yoga e yoga... Há outros que aproveitam yoga só para fazer alongamentos... Há outros que acham que o yoga é

pior... Pá, no outro dia fui uma aula de yoga... Já passou-se... Eu espero que ela não me esteja a ouvir... Não, ela só deve ouvir vento e folhas... que pôs a ala toda a dar ruído branco. Eu achava que a coluna estava estragada e que ninguém lhe estava a dizer nada. Tive quarenta e cinco minutos a ouvir uma gaja baixinha dizer agora há posição do cocó amarelo. E a ouvir-se assim... Isto é uma seita. Eu começo a ficar logo cheia da medo, sabe? O que é isto? O que é isto?

Mas... É importante não só passar por essas experiências, mas também percebermos o que é que reagimos bem, o que é que reagimos mal e não sei o quê. Este livro bem inspirou-me, por exemplo, The Dressing Up Game. Eu não quero fazer aqui spoilings, mas... Fala-se, por exemplo, das origens, dá um jogo de quem consegue vestir mais roupa de uma vez só, há que podemos também com as roupas que temos no armário fingirmos algumas personagens, eu sei, vocês pensam, tenho lá paciência para

isto. No entanto, eu sinto que a partir do momento em que comecemos a fazer este tipo de coisas e que sintamos o prazer de tê-las feito, não só físico, mas também de accomplishment na cabeça. Por exemplo, eu sempre que brinco com a Irene, que não tenho conseguido, às vezes tento escapar-me, até quero ver se agora faço isso depois do podcast. Eu sinto-me melhor mãe, mas também gostei de brincar.

E vou-me deitar mais feliz porque é como se tivesse conseguido montar a vida que eu sempre quis ter naquele dia, percebem? Eu acho que este livro... Tal como muitos livros da School of Life ajudam-nos a ter referências que não nos foram passadas por algum motivo. A única pessoa que brincava assim mais comigo, de brincar de

palhaçada, era uma avó que me faleceu aos seis anos. muito fixe, muito fixe, Mind and Body comprei para o Kobo e eu só tenho o Kobo a preto e branco, mas as ilustrações também são monocromáticas, livro portanto não fiquei a perder o livro é as ilustrações são azul, aquele azul mais ou menos eu engano-me sempre, como é que se chama o gajo de Marrocos?

o coiso, o palácio nem sei procurar que eu disse uma vez Jean-Paul Gaultier, mas não é, é o Yves Saint Laurent, é isso, que tem o jardim Majorelle, pronto, é tipo esse azul Majorelle, e pá, não me arrependo de não ter comprado o livro, honestamente, e depois há aqui outra questão que é, que tenho de vos dizer, que curto bem no Kobol, que é, compro logo. Tipo, ah, um livro fixe, não sei o quê, e compro e fico ali. Enquanto que, quando estou numa

dessas... Imagina, recomendaram-me agora vários livros, os Paraísos Artificiais do Baudelaire. Pá, não vou gastar muito dinheiro num livro do Baudelaire. Gastar morto, o livro deve ser super barato. Em dez segundos fiquei com o livro, ainda por cima tenho uma assinatura, depois falo-vos sobre isso. Depois, hoje o meu...

Hoje o meu treinador de ténis falou-me no Steel Burning e no Oceano Azul. São dois livros que não sei se os vou comprar, porque acho que são aqueles livros que querem passar só uma ideia ao longo de todo o livro, de várias formas diferentes, mas que não acho que sejam livros da minha vida. Portanto, agora estou nisto. Tenho uma biblioteca gigante no Cobol. Não quer dizer que tenha lido tudo, mas fica aqui sempre à mão.

Tenho Baudelaire, Paraísos Artificiais, Mind and Body, tenho Rich Dad Poor Dad, eu já sei, dos livros da Pisa, do Conjunto, do Duon, Jovem Conservador de Direita. No entanto, eu gosto de ler mesmo aquilo que é merdoso,

honestamente. tenho o do Bruno Nogueira, tenho Nietzsche, que eu não vou ler, mas pronto, tenho vários livros de comédia que lá está, não vão ser livros que eu queira ficar, portanto, vou-vos falando disso, comecei o podcast a falar sobre prendas, não vou dar um cobo à minha mãe de prenda, porque ela já tem, mas se calhar eu e o meu irmão vamos dar uma para trás de um cobo, ele é louco, louco, louco por livros, mas não quero é um

cobo pequeno, porque ele sente, ele já é velhote, ele sente que no pequeno, as letras ficam muito grandes como ele precisa mas depois tem de estar sempre a virar a página mas há cobos maiores e acho que vai ser essa a prenda estou a sentir, estou a sentir comprem também um cobo é uma prenda fixe que estamos a ajudar a outra pessoa a cultivar-se é prática, não se estraga com o tempo é personalizável, a mim dá-me um pau do caraças tecnologia e comprar capinhas e coisas de

género mas eu tenho mesmo um problema com isso Fica aqui a ideia. Eu gostaria de receber um, só que já tenho. No entanto, ando aqui com uma comichãozinha. Calma, farmacêuticos. Vai que saiu outro cobo. E ando aqui numa lógica de economia circular. Apetece-me embrulhar o cobo que eu tenho, passar ao próximo e ir desencantar o novo. Ainda estou na dúvida. Entretanto, passem pelo meu Instagram e digam-me o que é que andam a ler, que isto não pode ser só unilateral. Beijinhos, até já!

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