¶ Intro / Opening
Não sei se... Buenos dias, carinho.
¶ MARCO PAULO, O PIONEIRO DA COLECÇÃO DE CANCROS
Que tal? Que tal? Está bem? Sim, sim. Arriba, arriba. Estou muito contente. Estou muito contente, não só porque à data de gravação deste podcast vou atuar em Coimbra e estou muito feliz, blá, blá, blá. Props para o Grêmio Operário de Coimbra, para o Pedro Seixas. Mas também porque ontem fui ligeiramente visada no extremamente desagradável. É a segunda vez que o fazem, eu acho que é a terceira, vão
metê-lo todos, espero que não. Mas ontem então fui referida porque Joana Marques fez um episódio inteiro sobre o patrocínio da HiWell a vários podcasts, a vários projetos de influencers. Influencers que eu não conheço e não me estou a armar em cu, odeio influencers e não sei o quê, mas é mesmo porque não acompanho o trabalho de ninguém dessa área, creio eu. Talvez a Cat Naba, sabem quem é a Cat Naba? De Naba não tem nada, que é uma tipa que faz aquela... Ah, e da Madalena Abcacis, essas
eu sigo. Mas pronto, não conheço o trabalho delas, fizeram uma abordagem com a qual não me identifico, uma abordagem embora vulnerável e com um toque pessoal e portanto aquele lado relatable que deve dar em conversão ou que até exemplifica um bocadinho a relação que elas têm com os seguidores. Não me identifico, além de que seria esquisito que eu já tendo feito algumas coisas em comunicação, fizesse uma abordagem assim, com a qual não
concordo, pronto. Mas acabou por ser algo assim elogioso, apesar de Joana Marques ter passado a frase em que eu digo, rap I well, não queria de todo que isso fosse de conhecimento nacional, uma pessoa também tem de aprender o valor, a sua insignificância e ver que isso não foi importante para ninguém. A não ser para mim.
Mas relativamente a esta questão dos patrocínios da HiWell a tanta gente, eu, obviamente que a saúde mental também é um negócio, ninguém anda aqui a fazer voluntariado sem um segundo ou terceiro interesse nisso, mas eu acho, sinceramente, que quanto mais pessoas a falarem sobre saúde mental e divulgarem este serviço que... Torna a terapia acessível a mais gente e em qualquer lugar,
porque é uma cena feita online. Acho que isso é fixe e acho que, da mesma maneira que toda a gente condena o Gustavo Santos, embora ele agora... Enfim, eu nunca fui contra o Gustavo Santos, mas acho que agora se está a tornar um bocadinho mais perigoso. Sim, acho que é essa a palavra.
Eu acho que... Determinado tipo de pessoas, com determinado enquadramento mental e social, também vão atingir pessoas semelhantes e acho que é sempre positivo não tentarmos impigir a nossa forma de comunicação, o que quer que seja, a pessoas que não têm a ver connosco e, portanto, acho importante haver pessoas de várias... várias formas a falarem sobre os assuntos. Além de concordar então com esta questão da saúde mental e não sei o quê, da high well, a cena
que a high well é mesmo fixe. Quem é que está a aproveitar aqui para pôr o patrocínio na peida? HiWell é mesmo fixe. Imaginem, é uma aplicação, então, vocês podem fazer terapia em qualquer lugar. Tem mais de mil e quatrocentos psicólogos especializados para vocês. O que é fixe, porque dá uma espécie de Tinder de psicólogos. E posso ainda dizer-vos que... Antes de subscreverem o serviço e não sei o quê, vocês podem ir ao site da High Well e ver alguns psicólogos e psicólogas e
piscar logo ali o olho. Olha, posso tentar este, posso não sei o quê, deixa ver como é que corre. Para além disso, no site também estive a ver, e eu gosto, gosto disto, porque sou do tempo em que as revistas tinham estas porras. O BuzzFeed também tem, mas tem uns testes para nós conseguirmos avaliar o nosso grau de stress, o nosso grau de, sei lá, de ansiedade e, portanto, é giro porque não que não tenhamos noção, mas acaba por ser
interativo. E é também através de um questionário que conseguimos, então, esta ligação especial aos psicólogos da High Well, porque dizemos o que é que queremos melhorar na nossa vida e não sei o quê e depois eles fazem. A correspondência, temos direito ainda a uma entrevista de boas-vindas de quinze minutos em que podemos mandá-los cagar. Cagar. Esta é outra coisa do patrocínio da HiWell, nunca me limitaram a comunicação de forma alguma.
Mas então aconselho-vos mesmo a fazer isto, fazer terapia é mesmo importantíssimo, tem mudado a minha vida, literalmente, e não vejo porquê que, a não ser por uma questão monetária, claro, porquê que não devemos tentar melhorar a nossa vida mental, porque notamos as consequências positivas disso, claramente. Queria dizer-vos, então, que têm acesso a um desconto da minha parte, é joana-xv, é esse o
desconto. Têm quinze por cento de desconto na primeira compra, seja numa consulta apenas ou num pacote de consultas. Portanto, se estiverem agora numa fase em que estão cheios de dinheiro, façam logo uma compra de duas mil e quatrocentas consultas, que quinze por cento nisso vale a pena. Saquem a aplicação HiWell e saquem através do link que eu tenho aqui na descrição, porque assim a HiWell pensa, aham, isto está a valer a pena, vou
continuar a patrocinar esta... E isto é outra cena que é... Eu entendo completamente que as outras pessoas têm outros projetos que estão a ser patrocinados pela HiWell, que deem tudo aquilo que podem à maneira delas, não é? Fazendo vídeos inspiradores e coisas que eu considero assim abimbalhadas e tal... porque acaba de ser uma forma de monetizar os nossos conteúdos e é dinheiro que entra.
Este podcast tem, não é que tenha custos físicos e não vou armar em Diogo Faro aqui a implorar o vosso apoio, mas é cool estar a ser patrocinada num conteúdo e que seja um conteúdo com o qual, um patrocínio com o qual eu me identifique. É melhor isto do que, efetivamente, estar a fazer suplementos desportivos. Não sei se um dia irá acontecer. Eu não digo que nada é impossível. Olha, entretanto, quero falar de outras coisas convosco.
Eu estive para falar sobre a questão do Diogo Faro e do Diogo Sena, tudo aquilo que houve esta semana. O Salvador Martinha tem um podcast que é o Ar Livre. E decidiu pô-los frente a frente. Eu não tinha conhecimento de que havia um constrangimento ou um mal-estar entre Diogo Fara e Diogo Sena. Honestamente, se Diogo Sena não estivesse no ar na Cidade FM todos os dias, eu não me lembraria da existência dele.
Sei que ele já trabalhou onde eu trabalhei, na RFM, mas não tenho qualquer referência da sua personalidade, ou assim, a não ser a entrevista que... que ele deu ao Salvador Martinha e também ao episódio que... ou dois episódios que a Joana Marques fez sobre ele. Não acho que vale a pena falar sobre isto porque... Acho que é conteúdo que talvez só seja útil para quem se debruce a pensar nele. E é preciso pensar num quadro amplo, que foi aquilo que o
Salvador tentou fazer. Ele tentou afastar-se ali um bocadinho da questão fácil que é criar conteúdo com duas pessoas antagónicas, frente a frente. E tentou escudar-se dessa questão, de criar ali uma discussão minimamente útil, que infelizmente não foi conseguida. Diogo Faro mostrou-se bastante mais maduro, ou com uma postura muito mais esperta durante a conversa, o que fez com que Diogo Sena ficasse ali isolado
nas suas emoções. na sua reação, sendo que mais tarde ele veio a dizer, creio que no podcast dele, que a postura dele era um bocadinho para gerar conteúdo e controvérsia, e assim conseguiu, portanto, sucesso. Mas este assunto não... Não sei, não me traz... Claro que tenho várias opiniões sobre isto, porque sou uma pessoa, mas... Aquilo que eu não gosto é do ódio todo que isto traz à tona. E é isto como podia ser outra coisa qualquer.
Não estou a julgar o projeto em particular, porque morri várias vezes de vários episódios, mas acho que a forma como nós nos comportamos, quando sabemos alguma coisa disto, quando temos um alvo em particular para a nossa boa disposição e para rebaixarmos, acho que a intensidade com que o fazemos é sintomático da nossa saúde mental.
E portanto, estou a brincar, não vou a high well outra vez, mas às vezes eu questiono-me, é, claro que a saúde mental é algo importante, claro que devemos fazer algo por ela, não sei se a nossa saúde mental está cada vez pior ou se estamos cada vez mais conscientes dela, porque o que é facto é que um problema só existe depois de ser reconhecido, não sei como é que era a saúde mental dos nossos pais, consigo ver as diferenças entre o meu comportamento e o dos meus pais, Mas não sei, não
sei, não sei, acima de tudo. E parece-me um bocado que este comportamento de enchevelhamento alternado entre os vários assuntos que vão surgindo e que são debatidos e trazidos à tona pela Joana Marques, parece que acende em nós um comportamento que já reconhecemos da época medieval, que é estar a matar
pessoas na praça pública. estar ali no pelourinho ou enforcar as pessoas, isto parece-me um comportamento bastante humano, que lá por isso não quer dizer que se justifique, estas questões históricas não justificam o comportamento, mas parece-me que continuamos presos a esse tipo de comportamento por
alguma razão. Existem aqui várias causas interessantes que podem ser pensadas e eu abstraio-me sempre um bocadinho da... da realidade neste aspecto porque gosto de pensar porque é que as coisas acontecem e se calhar um dia além de pensar nelas vou também investigar, que é para começar a conhecer merdas. Portanto, morri de medo quando disseram que eu estava a parecer-me extremamente
desagradável. Confesso, fiquei mesmo apertadinha, mas fiquei contente e até mandei uma mensagem à Joana Marques. É importante tê-la como amiga. A não ser que seja o Dieta, aposto que o Dieta está cheio de dinheiro agora por causa dos gelados. Acho que imensa gente, não sei, ou então irritaram-se com ele e ele agora está na falência, não sei. Mais importante do que tudo isto, meus amigos, meus amores, como diria Tânia Graça, que tenho de marcar um almoço com
ela. Tenho e quero marcar um almoço com ela. Amigos... Morreu Marco Paulo. É verdade, depois de tantos anos de vida, contra tudo e contra todos, depois de tantos álbuns editados, mais de oitocentos e vinte e três que eu fui ouvir, morreu João Simão da Silva. Lindo, não é? Isto é um instrumental de karaoke. Deve ser das músicas mais cantadas em Viseu nos karaokes. Reparem, este homem, o primeiro cancro que o homem teve foi em
mil novecentos e noventa e seis. Este homem é capaz de ter sido o pioneiro do cancro em Portugal desagradável muito desagradável e não só além de ser pioneiro do cancro é também um colecionador de cancros Teve cancro no pulmão. Estão a contar? Ótimo. Teve cancro no fígado. Amigos, estão ou não? Cancro na mama. E digo-vos ainda mais uma coisa. Que horror. Isto é muito cedo, eu sei.
Mas digo-vos que em mil novecentos e noventa e seis, na altura do seu primeiro cancro, não o seu, mas o dele, mil novecentos e noventa e seis, é certo e sabido que Marco Paulo teve cancro no testículo. Direito. Agora digam-me só uma cena, não acham que é pormenor a mais? É daquelas informações que diz assim no artigo, ai familiares muito próximos da vítima ou amigos muito próximos, é demasiado próximos ou não? Não chegava a saber que o túbaro de Marco Paulo, ambos no geral estavam...
A putrificar-se? Eu tenho mesmo de saber, e agora vocês também, que o testículo direito de Marco Paulo era efetivamente aquele que estava cheio de tosse. Reparem, como é que nós sobrevivemos a esta vida, a ver Marco Paulo a atuar em todo lado, sem olharmos para a zona
do testículo direito? É que é tanto por menor, eu não sei como é que esta informação vazou, sendo que falando de vazamento e testículo não é agradável, mas isto chega ao ponto de podermos pedir direções para o testículo de Marco Paulo. A menina vai reto, mas a senhora não vira para o lado, nem para o lado, vai reto. Agora sabemos que já não é ir
reto. Tantas piadas homofóbicas que poderiam ser feitas, mas eu estimo não só ética e moral, sou um ser humano especial, correto e prezo muito a minha comunidade seguidora que transporta em si todas as cores do arco-íris. Bom, o que é que eu ia dizer? Testículo foi a abrir, não é? O testículo direito, afetou-se de ter cancro, é uma coisa absolutamente fenomenal, deviam estudar este homem, porque pulmão, fígado, testículos, claramente ele tinha mais do que
dois tumores. Ora, caso não saibam, Marco Paulo não é o nome verdadeiro do Senhor, o Senhor chama-se Jesus, mas neste caso o nome verdadeiro de Marco Paulo era João Simão da Silva, portanto terá havido aqui um esforço qualquer de marketing pessoal em que ele pensou, João Simão ninguém quer saber, agora Marco Paulo? Isto é uma coisa interessante
que é... Se os nomes artísticos são criados por uma questão de marketing e de facilidade, ou se, por exemplo, neste caso, era como se fosse uma organização mental da parte dele, que é Marco Paulo era uma pessoa que não ele. Porque ele sempre foi bastante reservado no que tocava à sua vida pessoal. Não conhecemos nenhum amor de Marco Paulo.
Sabemos que a personagem dele, esta persona, este Marco Paulo... assumia que, ou pelo menos as obras que ele cantava, que a sua heterossexualidade, por exemplo, e acredito que talvez tenha sido, não sei, terá sido esse o motivo para que Marco Paulo nunca tenha exposto a sua vida pessoal. A verdade é que ninguém tem de assumir nada, claramente. Marco Paulo dizia que não podia casar-se, não podia dizer nada disso porque as fãs não deixavam.
E acho que também pode ser uma forma de explicar que se ele assumisse a sua orientação sexual, a sua identidade nesse aspecto, que poderia perder muito dinheiro. O seu trabalho, o seu grande amor, que claramente parece ser a música, ou parecia ser a música... E, portanto, deve ter sido complicado. A equivalência disto, para mim, é a Ricky Martin, que também andou aí a ter que esconder os seus amores e a sua vida louca.
Vocês não têm noção, eu estive aqui a ler, uau, ela lê, e a cena em relação ao Marco Paulo, as fãs eram tão loucas que chegavam a reservar quartos nos hotéis onde o moço estava para de fininho irem com frascos ao quarto dele, what the fuck, ainda não devia haver cartões, não é? E retirarem a água, a espuma do banho do rapaz.
Quando eu há pouco dizia que, apesar de saber que a vida antes era muito difícil, não sabia o estado mental das gerações anteriores, acho que sim, acho que só este facto já nos ajuda aqui a tirar várias conclusões. E ainda à luz desta questão do nome artístico de Marco Paulo, o tal João Simão, agora esqueci-me do nome, João Simão da Silva, assim é que é, quero propor-vos aqui uma brincadeira, quero que pensem um bocadinho sobre quem será... Maria Fernanda.
Ágata! Eu não sei se vocês têm seguido a Maria Fernanda recentemente nas redes sociais. Eu não sei se é gozar ou não, mas a senhora tem posto tanto,
tanto filtro naquela cara. Eu percebo que deva ser super difícil, tipo a Nicole Kidman, a... valermenos da nossa beleza e depois vendo essa beleza, ou pelo menos a nossa noção de beleza, o envelhecimento a acontecer aos olhos do público e claramente Lilica Nessa está toda escarafunchada, a cabeça, a pele, sabem aquelas tendas que é preciso pôr as tacas e depois fica tudo tão arrebanhado, tão arrepanhado, que nem dá para
tocar, fica ali tudo duro. Pá, Ágata está assim, eu acho que é, que sabes, Lilica Nessa, Epá, eu nem sei como é que ainda mexem, como é que ainda mexem naquilo, eu teria medo de se rasgar. E a Shania Twain, sim, Shania Twain também apareceu toda recaustada, nada contra, sou super a favor que a malta faça aquilo que lhe apetecer, mas está muito esquisito, pá. O olho, sabem aquelas bonecas que quando inclinam, um olho fecha e o outro abre? Mas continuamos neste jogo. O último, ok?
Sabemos de Marco Paulo, sabemos de Maria Fernanda Ágata. E agora, quem é Américo? Emanuel! E se elas querem um abraço ou um beijinho, nós pimba, nós pimba. Por acaso não sei da vida deste senhor, mas não tem que saber. Porque temos de separar o artista. Por falar em separar o artista, isto obviamente dos nomes artísticos é uma coisa que afeta todos os tipos de arte, não é? E até mesmo no dia a dia, quem é que não tem uma alcunha? Eu, pelo menos que saiba. Benji Price, conhecem o rapper.
O rapper também, Benji Price, também mudou de nome por vários motivos. Entrevistei nas Manhãs da Três recentemente sobre também este processo.
E para além de se querer afastar do rap por causa do ambiente competitivo, também se indagou um bocadinho relativamente ao motivo pelo qual estava... fugir um pouco da sua identidade e, portanto, agora orgulha-se dela, percebe que é uma nova parte do seu percurso artístico e agora chama-se João Maia Ferreira e tem um novo álbum, que é o Lobo Um Dia Irá Comer a Lua, que é o resultado também desse processo, desse crescimento. Por falar em crescimento, passemos aqui a outro tema.
¶ TRANSIÇÃO DE CLASSE + LIVRO DA PIÇA [PODCAST] - PAI RICO, PAI POBRE.
Tendo em conta a minha atual transição de classe, que foi uma expressão que Mariana Rosária, comediante do Porto e do país, uma rapariga, uma mulher, cujo trabalho eu admiro bastante, sigam-na no Instagram, esta transição de classe deve-se ao facto de ter voltado a ser freelancer, per se. O facto de ter saído da Antena Três fez com que o meu orçamento
mensal mudasse. e portanto tivesse de adaptar o meu estilo de vida, mas falando com várias pessoas com dinheiro, disseram-me que não, não reajas à pobre, quer diminuir as tuas despesas, reaja a rico, quer aumentar os teus assets.
Não sei o que é que isso quer dizer, mas houve um rapaz que me recomendou aquele livro que agora está por todo lado, agora não, segundo ouvi nos livros da PISA, do Conjunto Jovem Conservador de Direita, só ouvi um bocadinho, por acaso tenho de ouvir mais, mas assim parecia bem mais culta e interessada na vida podcastiana, Esse livro já existe há vários anos aqui em Portugal, com muito sucesso, está sempre no top de vendas e todas as versões, a versão para jovens, a versão para mulheres,
a versão para a malta, no geral. E comecei a lê-lo e uma das coisas que mais me enerva neste tipo de livros é a estrutura, o esquema que arranjam para tornar a mensagem mais poderosa. para serem mais efetivos. Claro que é uma figura de estilo ou de narrativa hiper útil, não é? E acho que deve ser utilizada para passar a mensagem. Neste caso, nestes livros, o que interessa é essa eficácia, não
é? Mas enerva-me muito esta pseudo-mercanização e mercantilização da escrita no sentido em que o livro fala então de um pai rico e de um pai
pobre, os dois mentores que esta pessoa teve. sendo que um deles apostava nas habilitações académicas e que via o dinheiro como chapa ganha, chapa gasta, e à procura da segurança e da confiança, e o outro, que era um pai que só tinha feito até o décimo segundo, ou uma coisa do género, mas que era líder de uma empresa que fazia imenso dinheiro e que, portanto, conseguia dizer ali algumas verdades, algum... Nomeadamente a questão de não termos qualquer literacia
financeira. Eu não tenho de todo e considero-me uma pessoa razoavelmente educada, mas a nível financeiro é uma desgraça. E então, aquilo que me irrita particularmente neste tipo de livros é o autor sentir a necessidade ao longo do diálogo de se ir validando. Ah, e o pai rico, que nem sequer sabemos se existiu ou não, ao dar conselhos diz, ah, atenção, que existe asset e existe liabilidade, riscos, não sei como é que se diz em português.
E depois o narrador diz, bem, e que razão que ele tinha? Eu abri mesmo os olhos e estava mesmo curiosa a ouvi-lo. E eu, ah, parem de se auto-reforçar, parece um auto-flácio que é, hum, hum, esta frase foi tão boa, aquela que eu escrevi antes, mas que estou a fingir que foi outra pessoa que disse, mas eu pareço-me tão, pareço-me tão humilde a ouvi-la e a acatar esse conhecimento. Irrita-me. No entanto, e defendo, tal como
no início deste podcast, que... E adoro esta expressão, acho que me faz parecer inteligente, que a apropriação do conteúdo é da nossa responsabilidade. E, portanto, estou a aprender várias coisas neste livro com espírito crítico, claro. A própria capa indica ali... uma tentativa de início de culto, não é? E o marketing absurdo, intenso, com que estão a fazer do senhor para parecer um mentor, não é?
Mas eu acho que consigo, com algum espírito crítico, retirar dali algumas lições, tendo em conta que estou a partir do zero. E aconselho a toda a gente lê-lo, ainda só vou na página tipo noventa, mas estou a curtir a cena, especialmente a coisa de...
De olharmos para a forma como vivemos a nossa vida, de chapa ganha, chapa gasta e quando temos mais dinheiro aumentamos também o estilo de vida e portanto isso não faz com que tenhamos mais segurança e o facto de termos mais dinheiro não quer dizer que não sintamos... Mais medo ainda de perder dinheiro e o que é que é? Pá, achei interessante. A nível filosófico, ainda que não pareça pela capa, acho que pode ser interessante para refletir. Meninos, tenho que ir urinar.
¶ DESPEDIDA E URINA.
Eu neste momento estou aqui debaixo de uma secretária no Vila Galé de Coimbra porque quero dar-vos melhor som, mais qualidade. mais... e tenho que ir urinar, tenho a sinceridade. Eu posso urinar aqui, mas confesso que não confio que isto faça bem ao computador. No entanto, a vossa preocupação até agora, e eu sinto, sinto a vossa preocupação, é como é que está o meu testículo direito e posso assegurar-vos que está bem. Então vá. Beijinhos.
