#166 - Será que Júlia Pinheiro também me ama? - podcast episode cover

#166 - Será que Júlia Pinheiro também me ama?

Sep 04, 202415 minSeason 2Ep. 166
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Episode description

Fiquei... fã. Quero ouvi-la falar. E voces que me conhecem, sabem que para não ser eu a falar, é porque essa pessoa é especial para mim ;)


Tour Não Sei Ser www.linktr.ee/joanagama

27 Set - Lisboa [esgotado]

16 Out - Porto

17 Out - Braga

18 Out - Leiria

25 Out - Coimbra

1 Nov - Lisboa


Entretanto, fica aqui o link para a APP de que vos falei, apesar deste episódio não ser patrocinado, mas... acredito mesmo no projecto e fez sentido incluir: aproveitem a HiWell (saquem a APP ⁠https://hiwell.app/gama-joana1⁠ ) para terem terapia online (com psicólogos à vossa escolha) este é o código de desconto: gama20


Transcript

Não sei se... Não sei se... Ai que ela foi à Júlia, ai que ela foi à Júlia. Nestas merdas, quando sou entrevistada e quando parte do ângulo é para ser emotivo, para falar de problemas mentais, eu penso sempre, estou a ser convidada por ser personalidade ou por ser pessoa? Uma pessoa tem personalidade, mas uma personalidade não é necessariamente uma pessoa.

E se uma pessoa for uma personalidade é bom, no entanto pode ir na categoria de pessoa, que significa que não reconhecem o facto de ser uma personalidade.

Portanto, vamos lá ver. Fui à Júlia, fui convidada, já posso dizer, se há vontade, a lagarbera, que fui à Júlia, convidada, esquece, Júlio, epá, deixa-me, epá, e fui, e fui, e estava... cheia de nervos eu já fiz aqui um episódio a falar sobre isso mas já foi há algum tempo já não sei o que é que disse o que é que não disse porque é assim estava cheia de nervos porque chega uma altura por exemplo eu quando trabalhava na Renascença eu conseguia bem discernir o que é que falava no

ar tinha assim sempre uma espécie de ator crítico, calma que estás na Renascença, calma lá, até porque uma vez fui chamada à gerência porque disse pirete no ar, pirete é tipo manguito, só para pisa de dedo. E então, quer dizer, eu tinha aí os limites, não é? Também em casa da minha mãe, a linguagem sempre foi muito cuidada, eu não podia dizer gajo e ficava chocadíssima quando a minha mãe dizia merda e rebelbel pardaisoninho, era outra coisa, rebelbelbelbel.

E então, eu depois de tantos anos, sem ter grande registro de censura ou de ter que me adaptar a alguma coisa, na Antena Três o registro era bastante livre, tive assim uma pontadinha ou outra, se puder, se puder, está bem, mas nada de especial, tendo aqui o podcast onde não me inibo, francamente, não... raramente edito aqui alguma coisa nem no podcast nem na minha cabeça nos espetáculos então ainda menos é o que for então estava com medo ali da Joana com a Júlia porque a Júlia

eu vejo como um cão calma, não é nem assim está a farejar para onde é que deve ir tem ali o script, tem ali as perguntas cheira a emoção da pessoa vai tentar lá buscar vai não sei o que e eu sabendo de antemão que ela é uma profissional do caraças e qual é que é o motivo para me terem levado ali, em princípio é por causa da minha história enquanto pessoa e também já agora um bocadinho por ser uma mini celebridade, porque já agora também vai lá uma pessoa que se calhar não sei o

quê, eu tinha medo de me deixar ir. Claro que uma pessoa pode ser uma pessoa e deixar-se ir, só que o meu deixar-me ir é, enquanto comediante é esquisito, estando a trabalhar, porque eu nos estúdios da SIC, onde já trabalhei, estou a trabalhar, há uma câmara, estou a trabalhar, estou a enfrentar a Júlia, estou a trabalhar, não é?

Até no psicólogo tenho ali alguma dificuldade em vulnerabilizar-me, portanto imaginem numa generalista em drive time, quer dizer, espero que ninguém tenha estado a ver no carro, e vulnerabilizar-me não consegui, mas senti... que por isso estava a dificultar um bocadinho o trabalho à Júlia. Agora, a Júlia tem um andamento de quarenta e dois séculos disto e, portanto, o facto de a dificultar ou não o trabalho à Júlia é obviamente indiferente para a qualidade geral da

entrevista. Mas sinto que não dei sumo. Mas se calhar um bocadinho por causa do meu preconceito relativamente a este tipo de formatos, em que sacam ali da base do piano, que é para ver se puxa a lagriminha, comigo que tiveram azar porque não só estou altamente trunfada, mas também porque não dormi cesta, acordei às seis da manhã, fui correr, fiz ténis, migos, o que já passou por aqui hoje?

Ré! E então os meus próprios olhos já estavam consumidos do ar-condicionado e tudo, portanto provavelmente parece que tenho uma conjuntivite ao longo de todo o programa. Mas tive pena, tive pena de não poder brindar a entrevista com alguma vulnerabilidade por não conseguir sair desta persona, mas a verdade é que eu sou assim no meu dia-a-dia, raramente... me vulnerabilizo.

Mesmo, raramente. A minha melhor amiga, temos uma relação por aí, sei lá, desde o décimo ano, décimo primeiro, eles que só me vêm chorar três ou quatro vezes. E uma delas foi quando soube que estava grávida, a outra foi quando fui abortar. Portanto, só para verem... Mas eu não sei, não sei o que é que... Sim, também pode ser por causa da medicação, que inibe um

bocado... A descida, a depressão, sinto que as emoções no início estão um bocadinho mais almofadadas, mas eu mesmo, enquanto a minha personalidade, não tenho assim grande capacidade para me vulnerabilizar. E se calhar é daí que vem também esta veia hilariante, hilária, humorística. É provavelmente daí. Mas... O que é que eu ia dizer? Gostava de me vulnerabilizar. Epá, mas aqui eu tinha todo um conjunto de situações que eu não queria falhar.

Que é, existe aqui uma Joana adulta, uma Joana que já está bem melhor da cabeça, que já está mais madura, uma Joana que

é mãe. E que, portanto, olhando para trás, para alguns podcasts que eu poderei ter gravado, nomeadamente no Psycho, em que, Psychotherapy era outro podcast que eu tinha, em que poderei ter brotado mais raiva, mais incompreensão, ou mesmo em alguns outros podcasts em que estava mais zangada, mais triste, em que disse coisas sem noção, não só das repercussões que isso poderia ter... mas também em persona. Que é isto?

Ora, a Joana tinha gravado um podcast de quinze minutos, só que deitei-me para trás na cama, mandei-me para um pontapé na entrada do microfone ou na saída, nunca percebi a diferença e foi tudo para o galheiro. Estou calma, estou serena, estou Williams. Pronto, e então olhando para trás, acho que era isso que eu estava a dizer, mesmo em persona disse coisas que não tinha muita consciência das repercussões, sendo que não houve, que eu tenha conhecimento, repercussões

práticas na vida de ninguém. A não ser talvez emocionalmente, deve ter sido desagradável para algumas pessoas ouvirem algumas coisas. Houve outras que disse com a intenção de que houvesse repercussões, nomeadamente assédios que sofri, mesmo dentro do seio familiar. No entanto, foi bom ter ido lá contar uma história mais adulta, mais madura, mais inteligente, mais construtiva, mais analisada. Lamento não ter... Isto sou eu a reviver aquilo que tinha dito.

Lamento não ter tido uma atitude mais vulnerável e mais generosa com a Júlia, mas é-me difícil porque comunicação é o meu trabalho. E estávamos ali, na SIC, onde já trabalhei, câmaras, muito bem, microfone, tal, maquilhagem, está ali toda a rotina para eu estar a trabalhar. Além de que, não sei se já disse isto ou não, mas o facto de estar antidepressivos também deve ajudar a ter ali uma almofadinha emocional. Lembro-me que no início, quando

comecei a tomar determinado... antidepressivo, que não conseguia chorar, tinha de fazer um maior esforço para chorar, pelo menos foi assim que encaixei na cabeça o chapéu.

Não sei se terá sido isso que me aconteceu nesta entrevista, juntando a questão da persona também, de estar a trabalhar, mas também o facto de eu tenho noção que eu tenho um privilégio gigante, não só mérito pessoal de ter tido sempre a vontade de me melhorar, de tentar ter uma vida melhor, mais feliz, que me doesse menos, mesmo no meio dos dos momentos mais... pá, mais... sombrios da minha vida. Eu isso orgulho-me muito.

Mas eu sei que tenho o privilégio do Caraças por ter feito terapia, por ir ao psiquiatra, por ter acesso a esse tipo de informação, por ter tido, sei lá, não sei, formação académica ou o que quer que seja. E sei que nem todas as pessoas que vão à Júlia, em princípio, e a maior parte delas, terá essa oportunidade.

E, portanto, quando tocam em determinados assuntos, a ferida... está aberta, estão a escancarar, estão a pisar, ainda para mais a Júlia ter uma atitude tão maternal, uma maternal muito parecida com a minha mãe, bastante assertiva, teve ali uma altura em que fizemos uma dança tipo teatro, em que disse, não quero ela, não queres, queres, mas eu não quero jantar esta hora, e eu até... Senti-me, ai, como foi, estão a perceber? Fiquei grossas, grossas.

Mas essas pessoas, como não tiveram a vantagem de ser analisadas, têm aquilo tudo descancarado. Enquanto que eu tenho as cicatrizes todas, ok, claro que tenho muita coisa para resolver, coisas que nem sequer imagino ainda e o trabalho nunca estará feito e há de haver um dia em

que eu tenho que pensar, pá, calma. mas acho que ainda há muita coisa para melhorar e quero, e entretenho-me com isto também, eu tenho as cicatrizes todas, mas quando a Julia andou lá a escarafunchar, nem foi eu a estar a evitar, foi, por mim está tudo bem, por exemplo, eu não sei se já falei disto, mas no final a Julia estava a dizer, e agora saíste da rádio, eu assim, do que é que vives agora? Eu, sei lá, de comédia, de influencing, de locuções, hum... Lá estás tu a fugir ao assunto.

Eu, não, é fixe, estou a viver da comédia, portanto ajuda-me com a síndrome de impostor. Lá estás tu. E eu assim, não estava a fugir a nada. Eu tenho muito bem arrumado na minha cabeça o facto de não

estar a fazer rádio de momento. Primeiro porque já tive a experiência de ter saído ao ar, voltado ao ar... ter saído da rádio, voltar à rádio, mudar de rádio, e portanto sei que as coisas vão acontecendo de uma maneira ou de outra, e portanto não senti que fosse uma despedida da rádio, no mesmo sentido não senti que foi um regresso à rádio.

Senti um bocadinho, pá, porque já não estava à espera, mas agora já tenho isso assim mais editado na minha cabeça e estou tranquila, portanto eu nem sequer estava a perceber bem a pergunta, só quando a Júlia me disse depois... Ah, lá estás tu a fugir, é que eu a fugi. Ah, ela queria aquela parte depois, a televisão esqueceu-se

de mim, a rádio não me quer. Pá, eu acho que é aqui que entra muito a vantagem da terapia, que não resulta com toda a gente, nem toda a gente tem sorte com os mesmos psicólogos. Pena este não ser um episódio com o patrocínio da HiWell, mas acredito tanto neste projeto, nesta marca, que vou promovê-la mesmo assim. A HiWell é uma aplicação onde vocês podem ter consultas de psicologia online, e onde fazem fit com os psicólogos mais ajustados àquilo que querem

trabalhar em vocês. Vou para o link aqui na descrição porque vale a pena e faz sentido com isto que estou a

falar agora. Mas então isso, não estive a criar uma narrativa, foi mesmo, estou mesmo tranquila, mas isto também tem a ver com o facto de eu ser privilegiada e de haver algumas despesas que eu não tenho que para outras pessoas são, pá, de... se degularem e portanto eu tenho aqui um à vontade uma almofadinha novamente que me deixa não me querer atirar da janela por neste momento não ter um ordenado fixo no entanto estou fixe, estou bem e não sei se

isso é interessante o suficiente para a televisão mas olha, não me tivessem escolhido que é mesmo assim podem ver para trás, ponham rewind que assim veio mesmo para trás. Deu por volta das quatro e meia, depois da linha aberta da Hernani Carvalho. Para quem não sabe, tenho uma panca por a Hernani Carvalho. Pá, em que estive com a Júlia. Júlia, grande Júlia. E pronto, estive... estive a isto de lhe mandar uma mensagem eu gostei tanto de estar consigo

foi um prazer isto ia dar aonde? isto é outra coisa que é a maturidade além de mudarmos as narrativas porque começamos a ter uma visão mais trezentos e cento uma história menos e algum recuo e assumimos outros papéis também socialmente, familiarmente conseguimos ver as coisas de outra perspectiva também eu consigo pensar já nas consequências de cada coisa que eu possa fazer e claramente não havia nenhuma consequência positiva de eu dizer à Júlia que adorei estar com ela mas adorei

estar com ela Quase compensou o facto de ter ali a legenda a dizer animadora de rádio revela o seu diagnóstico de bipolaridade. Se quiserem ver uma bipolar a atuar, que foi por isso que eu fui ao programa, foi para promover também os meus espetáculos, os vossos espetáculos. Não sei ser ao vivo, todos os espetáculos são diferentes, são feitos de improviso, improviso mas com qualidade, não é chegar lá e é, dei uma letra, não, é

improviso ali, daqui. a dezesseis de outubro no Porto, dezessete em Braga, dezoito em Leiria, vinte e cinco em Coimbra, isto de outubro, um de novembro em Lisboa. Os bilhetes estão à venda na Ticketline ou então no link do meu Instagram. Júlia, eu quero-te.

Quero-te. e depois foi uma senhora com um filho que tinha trissomia trissomia, trissomia depois houve uma que também era da Iurde e não sei o quê ai amigos, e primeiro estou lá eu a dizer a vida é muito, mas a vida também pode ser feita de bons momentos não sei

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