Não sei se... Olá amigos! Onde, onde é que vocês estão? Contem-me. Estão no carro? Estão na casa de banho? O que é que vocês estão a fazer? Eu pergunto isto porque a minha vida neste momento está incrível. Estou neste momento numa piscina. A minha filha e uma amiga estão a nadar. Estou de frente para elas porque senão acho que seria negligência. E era porreiro não ser abordada pela CPCJ. E vocês podem ouvir a água, é uma espécie de ASMR, sem eu estar a cuspir para o microfone.
Portanto, sou neste momento uma pessoa hiper privilegiada numa piscina, apenas com duas pessoas, com o meu microfone em cima de uma mesa de plástico de tasca, o meu computador e a curtir a vida, sabem? Tenho mesmo muita sorte, mais ainda se se afogarem, mas esperemos pelo melhor. Ontem, ontem, por falar em situações agradáveis, falemos de
uma situação desagradável. Fui ao podcast Batata Quente, que é o podcast do mercado lusófono, com o Miro Vemba e com o Skaite Borrabel. Pai, tenho que pôr isto mais baixo, não é? Que com o vento é capaz de ficar desagradável. Pronto, acho que já está.
E foi muito agradável no sentido em que fui muito bem recebida, passou-me muito bem conversar sobre comédia com eles, que eles também fazem stand-up comedy e são muito mais anal que eu, são daqueles comediantes que escrevem tudo, decoram tudo, melhoram. E eu admiro muito essas pessoas, adorava também ser assim e que me divertisse de forma igual.
Foi muito fixe, a produção também, o Edgar foi muito bom, ofereceram-me termossos e doritos, adorei ir a um podcast onde é aceitável comer ao mesmo tempo. E até percebi a piada, além de comer, fica ali um ambiente mais descontraído, estamos todos juntos a conversar, foi fixe, foi muito fixe. Para além disso, houve ali uma altura em que falámos sobre as diferenças entre Angola e Portugal, nomeadamente no que toca a relações.
Não só no sexo, o Miro avançou a dizer que dez vezes por dia é tranquilo se não tiver nada para fazer. Obviamente que eu fiquei chocadíssima. Eu disse, dez vezes por dia, eu nem faço isso num mês, eu acho. Quer dizer, não quero estar aqui a expor o Miguel, também não
ando a contar, mas é imensa a impressão minha. é preciso ter uma ginga diferente eu não posso falar sobre isto mas na minha adolescência, mas também não tinha casa pá, mas dez vezes num dia eu acho que ficava ficava nem sei o que é que hei de dizer ficava com o pipi o pipi fechava-se com medo larga-me, que horror mas eles diziam pá, tem que ser para alimentar o relacionamento, tens de dar pequeno almoço almoço, jantar Pá, achei muito interessante, não sei se é fazível, não sei se
não seria patológico cá, quer dizer, se for consensual obviamente que não, mas pá, muito interessante, muito interessante a conversa, menos feliz foi depois a conversa a falar sobre o machismo... que existe em Angola sobre a questão de se bater em mulheres, de como é que os homens tratam as mulheres e até como é que as mulheres aceitam serem tratadas e como é que isso está de tal forma emiscuído na cultura que em muitos casos ainda não existe sequer um questionamento.
Estás bem? Sim. Ok. O que é que se passa? Estás com pouca energia. A sério? É porque tens fome? Não. Tchau. E então falou-se muito sobre isso, sobre a diferença cultural entre um país e outro e a forma
de... Atenção que em Portugal, eu vivo na bolha de Lisboa e sei que isto não é homogéneo e que há sítios, até mesmo em Lisboa, onde isso acontece, basta olhar para as estatísticas e ver os casos de violência doméstica, mas em Angola... Está tudo muito normalizado e na altura fiquei com uma postura bastante desconfortável porque eu acho que a intenção daquele podcast é abrir diálogo entre duas culturas completamente diferentes.
Quanta? Foi interrompida pela minha filha, portanto, parece que fritei um bocado cerebralmente.
Então estava super desconfortável porque a intenção é promover esse diálogo entre Angola e Portugal, o que é muito fixe porque senti que, pelo menos no Miro e no Skype, que existe uma vontade gigante de perceber como é que as coisas funcionam cá porque têm tido vários desafios nesse sentido, o Miro... está com uma portuguesa, ou esteve, e durante essa relação foi muito esquisito chegar a casa e não ter o jantar feito, ou vê-la a trabalhar e trazer dinheiro para casa,
entrou ali numa medição de pilas, pá, muito interessante estar com portuguesas, ele diz que conheceu Lisboa muito rápido porque as portuguesas só querem passear, houve uma coisa que me chocou imenso que foi, na rua, costumam abordar muito as mulheres a falar, a falar alto e caso não ouçam até pegam nelas pelo braço a dizer, estás-me a ouvir ou não? Vocês pensam, isto é muito violente. Certo, cá então é completamente inadmissível.
Mas por outro lado, eles também conhecem angolanas que vieram cá para Portugal e que ficavam ofendidas quando na rua nem mesmo angolanos falavam com elas, nem assobiavam, nem pegavam. Existe aqui tudo, está tudo muito incluído... está interiorizado. Mas eu tento pensar aqui um bocadinho na questão que nós, ocidentais, temos muito a ideia do certo e do errado e que devemos impor a nossa cultura nos outros países.
Então, eu tentei escutar sem julgamento, tentei passar qual é que é a minha realidade e aquilo que eu aceito ou não aceito,
mas... Tentei entender o outro lado, uma cultura diferente, uma cultura que não digo que ainda não esteja aqui, mas eu parto do princípio que nós estejamos a ir num caminho de progresso, acho que não bater em mulheres e não levar a tareia é capaz de ser um progresso, mas lá, por exemplo, da mesma maneira que existe esse lado do machismo, de tratar muito mal a mulher, também existe a cena de providenciar para a mulher e dão imenso dinheiro às mulheres, assim, do
nada, toma lá, vai comprar coisas, não sei o quê. E eu sei que há muitas mulheres a ouvir isto que acham que é ofensivo, mas eu acho pelo menos coerente, ok? Se não deixam as mulheres trabalhar, blá, blá, blá, blá, blá, ou menos que tragam dinheiro para casa.
Mas, claro que é grave, claro que é gravíssimo, mas o exercício de escutar, de perceber melhor a cultura e eu acho que através da postura que eu tive, apesar de ser, é um risco para a minha imagem, qualquer pessoa que isola aquilo e faça circular, parece que eu sou completamente imbecil, machista e que eu própria ando a dar tareia a mulheres.
Não, não patrocino nenhum destes comportamentos, no entanto acho que talvez seja através deste tipo de diálogo que o Miri e o Skaite estão a promover neste podcast que a informação entre melhor, em vez de estar ali numa de sermão de preaching, de dizer não, isso não se faz, não sei o que, não sei o que mais, ok, olha no meu caso Se alguém me levantasse a mão, eu deixaria a pessoa. Claro que isto também é muito fácil dizer quando não se está numa relação tóxica. É difícil. Por acaso, não.
Nunca estive com alguém que me violentasse fisicamente, só psicologicamente. Mas tentei passar o quanto seria inadmissível a questão da divisão equilibrada das despesas. E quando não existe essa divisão, existe uma distribuição equilibrada das despesas. das tarefas em casa. Claro que isto é tudo uma versão super idealizada da coisa, mas eu acho que assim, a falarmos com mais calma, com menos julgamento, é capaz de haver mais escuta e talvez mais mudança.
Mas, pá, foi muita duro. Não tão duro como para as pessoas envolvidas nessa cultura, não é? E receberem esses maus tratos e estarem incluídos também nessa cultura super, super machista. A pressão que também têm como como é que se diz? Ganhadores de pão?
Não sei, providenciadores. Mas foi duro estar ali a gerir, estando em frente a duas pessoas que estão a questionar a cultura delas, mas que ainda estão muito agarradas a ela, e eu que tenho uma perspectiva muito ocidental e cidadina da questão, tentar ver, ou tentar passar a ideia de que Existe o mais aceitável e o menos aceitável, mas que cada sociedade faz o seu caminho, cada uma tem o seu tempo, mas é duro, porque aquilo que é correto publicamente é provavelmente passar-me ali e
dizer isso é inadmissível, não sei o quê, não sei, sentir-me
desconfortável por estar calma. Mas o podcast está muito giro, foram três horas à conversa, malta, cheguei lá às oito e saí às onze, pronto, são três horas, gostei mesmo muito de falar com eles e é interessante porque houve mesmo abertura para fazer várias perguntas, não só a nível da comédia em golo, o que é que se pode fazer de graça ou não, mas existem vários comportamentos muito diferentes, por exemplo, cá em Portugal as pessoas evitam sentar-se à frente nas filas porque têm
aquele complexo de... aquele medo de serem chamados como com os mágicos, então vou o mais para trás possível, mesmo os meus amigos quando me vão ver, ai não fales comigo, olhem que
tenho vergonha. Em Angola está tudo louco para ir para a fila da frente, até enviam mensagens aos humoristas a dizer, ah mete-te comigo, não sei o quê, por favor, mesmo a cultura de roast eles têm o formato que é o na grelha, está super instituída, ninguém se leva muito a sério, gozam muito, muito, muito uns com os outros, os comediantes entre si, mas existe muita falta de liberdade noutros temas, por exemplo, política é mesmo muito, muito difícil, fecha muitas portas se
brincarem com política, e o tema é muito interessante, tudo é muito interessante naquele podcast, até mesmo a falar sobre sexo, como vos mencionei há pouco, por exemplo, eles estavam com a dúvida de se tudo na cabeça deles quando eu falo deles, não é deles os negros é o Miri e o Skaite que estavam um bocado a incorporar a cena de angolanos cá se cá é tudo assédio ou lhes parece, como é que se pode engatar uma moça como é que isso se faz e é difícil responder a isto tentei
falar sobre subtilezas estar atento à linguagem corporal falar, perguntar mas é duro Foi muito interessante, três horas muito interessantes, não precisam de ver tudo, aliás nem sequer precisam de ver, mas forem ao YouTube aquilo está dividido por tabs e por isso conseguem ver o que é que acham que é mais interessante. Gostei de ir, gostei de ir, mercado lusófono é isso. Acho que é. Mercado Lusófono, podcast Batata Quente, Miro Vemba e Skate. Eu gostei muito, muito de lá estar.
Mas foi duro. Caso vejam, caso ouçam, digam-me de vossa justiça. Deixem-me também dizer-vos, relembrar-vos de várias coisas. A primeira é a tour. Os bilhetes estão à venda no link do meu Instagram ou então na Ticketline. Escrevam Joana Gama.
Vou passar por Porto, Braga, Leiria... e também Coimbra e Lisboa ainda, segunda data, que a primeira já foi a abrir, comprem os vossos bilhetes, a sério, é muito fixe saber com o que posso contar, até porque consigo assim também preparar o espetáculo de outra forma, sabendo das contas, posso levar ou ir de carro, ir de comboio, Sou muito aberta convosco, não estou cá com status alta a dizer, ah malta, não, não, é fixe, é fixe para saber, por exemplo, há uma diferença entre
eu ir de carro, que não irei, até porque não é muito sustentável, ir de comboio ou ir de autocarro, a quantidade de coisas que leva ou não, uma delas pode ser o cenário, a outra podem ser as luzes, a outra... Estão a perceber? Portanto é fixe, é fixe, antecipem-se aí e comprem, até porque outubro já está quase aí e tenho saudades, tenho saudades de estar em palco convosco.
Para além disto, deixem-me dizer-vos que vou dar uma masterclass de podcasting não ao vento, portanto não gravem ao vento que é como eu estou a fazer, mas preferi gravar assim do que não gravar. Dia vinte e um de setembro, em Lisboa, Odivelas, masterclass de podcasting. Vou ensinar tudo aquilo que sei desde as dez da manhã até às cinco e meia da tarde, o que é fixe.
É com a Quinze Produções, que é uma produtora de um amigo meu de stand-up, mas que também se está a aventurar aqui nestes workshops e masterclasses de stand-up, podcasting e outras
novidades que aí virão. E eu tenho todo o prazer de dar este workshop porque é fixe, é fixe pensar num projeto desde o início, como é que se pode melhorar um projeto, a importância da dicção, do humor, a escrita também para a escuta, compreender qual é que é o sentido de escuta, como é que ele funciona e perceber a sua eficácia, o branding de um podcast, os press releases, entrar na comunicação social,
ter aquela tourzinha da pizza. pelos canais, envolver os ouvintes, como conseguir patrocínios, o que é que é o Media Kit, como chegar às agências, comunicar nas redes sociais, como gravar um podcast, qual é que é o kit inicial de gravação, quais as coisas a terem atenção, portanto, Passem pelo meu Instagram, tem lá o email da Quinze Produções ou então é geral.quinzeproducoes.pt É dia vinte e um de setembro em Odivelas. Também vou estar em outubro no
Porto para dar uma aula de uma hora e meia sobre comunicação em público. Mais informações passem pelo Instagram da Creative Studios, Creative Studios, assim é que é. Tem mais formadores, tem o Renato Duarte, a Carolina Torres, a Catarina Palma e eu, em que vamos falar de comunicação nas várias vertentes.
Portanto, Porto não é deixado. de parte, oh que lindo muito obrigada por terem ouvido até ao fim cusquem o podcast Batata Quente e comprem bilhetes, acima de tudo é isso que eu quero dizer-vos um beijinho aqui da piscina e até amanhã
