Fui atuar a lameiras, 120 pessoas, uma noite organizada por Bruno mottar. Verono, motard, comediante, outras pessoas que lá estiveram foi o Miguel Sousa, João Nuno, Gonçalo Afonso o alturas, Joana Caldeira. Tudo. Malta, pá, com quem eu gosto de estar ainda no outro dia, estava como comediante, disse. Ah, esta pessoa é o meu amigo da comédia. Não vejo eu. Se calhar tenho esse problema. Não vejo como amigos da comédia, vejo como como amigos.
Porque mesmo que não nos conheçamos muito bem, eu sinto que, como já disse várias vezes, eu sinto que existe 11 ligação inegável entre entre nós não só porque temos objetivos muito comuns, mas porque também temos traços personalísticos semelhantes. É muito interessante. Eu nunca me senti tão em casa como no meio de comediantes ou que me dá vontade de tentar ser comediante ou de ser comediante. Seja como for, fui atuar, correu muito bem, foi uma noite muito fixe. Obrigada pelo convite.
Obrigada lambeira. Obrigada sociedade filarmónica. O lameiras foi muito fixe. No final, foi surpreendida com uma familiar que já não via há alguns anos e que fazia parte do Natal de família, deixou de fazer e umas um stresses não estava à espera. Acho que foi. O primeiro familiar que foi ver um espetáculo meu sem me avisar, podia ter. Podia ter corrido muito mal e só não correu muito mal. Quer dizer, porque já tenho 37
anos, não é? Ninguém, vai ter comigo a dizer, ó Joana, disseste quando é tantas vezes, para quê? Não é, mas. Editei agora. Isto porque estava a dizer quem era o familiar que tinha ido ver-me e depois senti que não queria partilhar isso. Engraçado isto de de crescer de de amadurecer-te estas coisas curiosas, há realmente coisas que eu digo que não entendo a noção de privacidade dos outros e muitas das vezes não entendo.
E aliás, Pedro Alves e eu, noutro podcast, tomamos de boca, falamos sobre isso recentemente, que é pá. Por isso da da privacidade, o que é que? Mas agora senti isso. Senti, senti-me que não quero nem sei sequer. Como é que eu abordo esta questão? Então, foi ter uma familiar comigo que eu já não via há muito tempo e de quem eu gosto e com a qual sempre me senti algo identificada. Já não havia há muito tempo e quando a vi, ela me viu desatávamos a chorar e abraçámo-nos durante muito
tempo, um abraçar. Que eu não tenho ou que não sei se alguma vez tive, senti que era 11 abraçar de como se eu voltasse a ter 10 anos foi um abraçar de me pentear, de mexer no cabelo, de me encostar a cabeça, ao peito, de me abraçar de de me dizer as tão lindas. Estás tão linda, eu sei que isto parece estúpido, mas. Senti ali uma Vibe maternal. Maternal? Muito, muito necessária, que já
me fazia falta há muito tempo. E não é que não tenha mãe ou que a minha mãe não me tente dar mimos, mas. Pronto, personalidades diferentes, histórias diferentes, sente-se de forma diferente quando se sente. Mas senti. Uma coisa que eu não sei se alguma vez já tinha sentido que foi. Senti-me filha, senti-me como família, senti-me. Com a história, e isso é muito raro em mim.
Aliás, recentemente, numa psicóloga, até se falou sobre essa questão de eu ter de unir os pontos na minha vida, porque eu tenho a minha memória muito fragmentada e sinto que me dei personalidade muitas vezes e não tenho uma noção de continuidade. E aquilo que eu senti no sábado foi como se a minha história voltasse a mim de alguma maneira. E depois. E depois, o facto de ser uma mulher, a abraçar-me assim e a. E a pentear-me remeteu-me para
outras situações. Só me veio em sagrado feminino à cabeça. As outras situações que também mexeram muito comigo. Nisto nesta questão de do feminino, da maternidade soreridade, o que é que queiramos chamar? Foi recentemente a Marrocos com o Miguel e tomei lá banho. Tomei, fui a banhos. Não sei se estão a par desta coisa lá em Marrocos que são é Malta a dar-nos banho e fomos para 11 casa de banhos. Eu não sei explicar. Eu não, não, não estou a par da
questão cultural, não tinha. Não tinha janelas, não tinha nada, nem teto, nem nada, e estava. Ou totalmente no lado de cuecas? Não sei. E houve uma senhora que. Me deitou, água para cima, morna, vá. Depois começou a esfregar-me com algas, com com produtos fixes cheirar bem e o facto de ser uma mulher, a esfregar-me, o corpo, a cuidar de mim. A lavar-me ainda que a senhora estivesse a trabalhar, não é? Faz-me sempre lembrar aquelas prostitutas bué cansadas.
Tive uma imensa vontade de chorar por sentir que estava a ser cuidada por uma mulher, ou seja, por. Haver um lado maternal implícito. E um contacto maior com. Com o feminino, não com o meu feminino, mas com esta questão de comunidade. Que não tinha, não sei se alguma vez tive porque lá está esta ligação que tenho com a minha mãe afeta muito a ligação que eu tenho com outras mulheres. Digo, eu não sei, não sei ou com aquilo que eu acho que é ser feminino. Não sei. Amanhã falo disso com o
psicólogo. Mas foi muito importante para mim isso também. Houve outra altura também quando namorei com uma rapariga. Também houve, assim, uns momentos de caraças. O feminino é isto. Estar em contacto com não sei fazer as pazes. Existe aquela questão de da ferida materna que é uma das coisas que que não é que não está cientificamente diagnosticado, mas que é algo que pode passar entre gerações, que é. Que é nós?
Nós ficarmos ofendidas e magoadas com as nossas mães e, portanto, transmitirmos isso às nossas filhas de que as outras mulheres, isto e as outras mulheres daquilo, o que também se diz que é mito, mas pronto existe. Existe justificação para tudo. EE eu sinto que fui muito consumida por isso, não só pelas minhas inseguranças, as minhas obsessões, tudo, nem sempre vi as outras mulheres como.
Como amigas como aliadas como nunca, sempre tive 11 amiga ou outra muito especial, sempre na faculdade, em cada ano tive uma amiga muito importante para mim, a Sara, a Mariana. Tenho a Susana, que é a minha melhor amiga. Vou tendo sempre uma amiga do caraças agora, recentemente com com esta idade, tenho 4 ou 5 ou 6, mas. Nunca, não sei. Nunca me senti muito confortável ao pé de de mulheres. E senti ontem, quando fui abraçada por esta pessoa. Que que eu tenho um problema com
isso? Pronto que tenho. Que tenho que tenho saudades, tenho saudades de ser pequenina, disse isso ao meu pai também a semana passada. Tenho saudades de ser pequenina, sinto que não fui pequenino a tempo o suficiente. Não estou a dizer que tenha crescido, menino. A mulher não é isso, mas sinto que, como sempre pus o peso de tudo nas minhas costas e na minha cabeça que não tive grande hipótese de de apenas ser abraçada e de estar tudo calada à volta.
Ei, Joana, será que estás numa fase depressiva claramente que estou. Exatamente que estou. Para quem não sabe, fui diagnosticada supostamente alegadamente de de bipolar, e mesmo que não tenha fases expressivas e maníacas, convenço-me que tenho e claramente convenci-me recentemente, estou numa fase
mais depressiva. Durmo mais a minha cabeça é mais merdosa tenho presto mais atenção a coisas que me incomodam e não sei geri-las internamente verbalizo mais o que não é necessariamente mau, mas cansa muito tenho mais bengearing. Tenho menos Demarco coisas para dormir, não tenho vontade de estar com pessoas ainda menos tenho ainda menos vontade. Não consigo ser tão carinhosa, perco a paciência muito mais rápido, portanto.
Portanto, isto não é depressão. Atenção, depressão, estar triste não sou a mesma coisa, mas é uma fase depressiva. Pronto, há de passar amigos, há de passar. Espero que tenha uma ótima semana. Acho que este é um bom mudo para começar a semana. Este podcast é isto serve para vos animar. É um podcast. De uma humorista que serve para vos deixar então loucos loucos pela vida. É com vontade de andar em frente. Amanhã há mais. Está bem? Sê genuíno. É isto, amigo, mas ela é bom com
isto. Não sei, sim.
