#141 - Betos e não betos e betos e não sei quê. - podcast episode cover

#141 - Betos e não betos e betos e não sei quê.

Jun 28, 202415 minSeason 2Ep. 151
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Episode description

💥NOVA TOUR💥

🎟️ Bilhetes: ⁠⁠www.linktr.ee/joanagama⁠⁠

📍Lisboa - 27 de Setembro - Lisboa Comedy Club

📍Porto - 16 de Outubro - Ferro Comedy Club

📍Braga - 17 de Outubro - RUM by Mavy

📍Leiria - 18 de Outubro - Sala Jaime Salazar Sampaio

📍Coimbra - 25 de Outubro - Grémio Operário de Coimbra

Transcript

Oi pessoal, meu nome é Joanna, como você está? Obrigada por ouvir. Eu só quero te contar sobre meus dias de viagem. Eu vou estar fazendo um show em Lisbon, 27 de setembro, do que o 16º em Porto, 17º em Braga, 18º em Leiria, e 25º em Coimbra. Então, muito obrigada. Uma boa linha de vinte para você. Está fixe, tem comida, no entanto é bastante verbal.

Tem muita verbalização. Como estou em casa com Miguel e com Irene, e ambos parecem que desfrutam de ar, de ar podre. Eu mesmo prefiro vestir um casaco pular à pobre, do que estar em casa sem tirar ar podre, ar de centro comercial antigo. Então vim gravar para o quarto onde posso ter a merda da

janela aberta e onde entrar. Tudo bem que eu moro, ao pé da segunda circular, mas também moro ao pé de Monsanto, portanto corta a corta, tenho aqui um ar de jeito. E a diar que vamos falar hoje, aqui neste episódio, vamos falar da merda, da conversa de sempre, de Betus, e não sei o que, que estou cada vez mais farta de ouvir, confesso. Ainda no outro dia, como já vos falei, uns episódios, fui

ao despelariza. O próprio Tomás tem uma costeleta beta e, para isso, é uma conversa que se tem muito também no meio da comédia, o grupo dos Betus e não Betus, e na escola, os Betus e não Betus, fui atuar também a Santarém, onde há um liceu que é de Betus, o outro que não é de Betus, e o próprio tipo, ai, esses Betus, quando andava no liceu, no colégio, em esbete, para se calhar, não

sei, havia sempre esse tipo de distância e de etiqueta, que eu percebo que haja, porque, efetivamente, são backgrounds diferentes, quanto mais for o intervalo entre os dois grupos, são backgrounds completamente diferentes, e mesmo assim, há vários tipos de uma

coisa e de outra, não é só... Eu percebo que é uma enclatura, mas não entendo que aos 40 anos ainda estejamos nesta merda, honestamente, e isto para mim é recente, é recente, não sei se já vos falei disso, espero que não, porque já estou forte nesta conversa, mas acho importante partilhá -la, que é, por exemplo, eu, por algumas pessoas, sou beta, porque nem percebi bem, acho que é por tudo, e nem sei o que é que posso

dizer, ou não, o que é que parece, ou não, por estar bem, por ter seguro de saúde, por ir aos hospitais privados, nem sei, nem sei bem, mas sei que quanto mais longe uma pessoa estiver do

privilégio, menos Betus se considera, obviamente. Agora, depois, há o privilégio adquirido e o privilégio inato, e aí também difere de quem é que é Beto, quem é que não é, o Beto adquirido, é novo rico, o Beto inato é o de Manny, depois há aqui várias questões, mas onde acho que isto assenta, tem a ver um bocadinho com uma coisa básica do ser humano, que é um bocadinho a necessidade de pretença, e

quando não fazemos parte de um grupo, temos necessidade de... de um mal tratar, que é mesmo assim, que é para não nos sentirmos rejeitados para

uma determinada comunidade. Eu também não quero, é, não me deixam brincar, eu também não queria brincar, e acho que foi isso que eu fiz durante muito tempo, também tem a ver com o facto de ter tido muitos maus momentos em escolas, como é que eu ia explicar, andei na linha, andei na católica, e muitas das experiências que eu tive de falta de apoio, ou até de contribuírem para slate

-shaming, ou quer que seja, vieram ao sentido, de forma

mais intensa, desse grupo de pessoas. Mas pode ser reforçar um estereótipo que eu tinha na cabeça, um preconceito, pode nem sequer ter nada a ver, ou simplesmente estar incluída naquele meio, e portanto, foi esse meio que reagiu, isso é mesmo assim, algo em uma ansiedade social, e também de... de se calhar sentir que as convenções são alinhadas a partir dessas pessoas, e portanto, como eu não me

identifico com essas pessoas, também não me sei de comportar de acordo com essas convenções, e portanto, não sei estar, não sei ser, e quando existem momentos em que tenho que ir a casamentos, ou assim, de pessoas que não fazem parte de uma grupo de amigos, mas de outros grupos, sinto -me para já, sinto -me um pouco feminina para aquele caso de cerimônia pede, mas isso é um problema meu, porque

há pessoas que vão de outras formas, isso que acho senta isso bem com isso, eu ainda estou a tentar perceber por que que não me sinto bem com o facto de não ser tão feminina, ou com a minha noção do que seria ser feminina, porque de ser

feminina, a cabeça hoje está linda, não está? Está assim, senhora, e pá, isto falta dessa conversa, existe também uma conversa, agora estou de deitar, vou de deitar na cama, hora com licença, não sei como é que vai ser a voz, se as mamas me vão pagar a

ganta. Aqui outra coisa que é, eu acho que existe um certo ressabiamento da parte de quem não é Beto, com os Betos, para justificar de certa forma alguma da sua estagnação profissional, por exemplo, ah, eu se fosse como eles, se fosse amiguinho daquilo, eu contando dinheiro no cu também faria isto, os gás só convidam os amiguinhos, na na na, eu nunca passei por isso com ressabiamento,

nunca olhei para essa camada de gente, pois isto assim também é mais fácil, desangada, sempre aceitei com naturalidade o papo, pois o dinheiro facilita muitas coisas, mas tenho vindo a mudar de perspectiva, que é, independentemente de haver mais dinheiro ou não, de terem a possibilidade de tomar decisões mais conscientes, mais inteligentes, porque o dinheiro compra tempo, o dinheiro compra clareza, pode comprar, não quer

dizer que se faça essa escolha, portanto o tempo come para, não necessariamente, mas acessa cultura, cultura visual, por exemplo, as referências, acessa estratégias, a educação, eu percebo isso e não sou estúpida ao ponto de pensar que estamos todos em pede de igualdade, no entanto, encaro com

naturalidade. Atenção, eu não estou a dizer que aceito ou que seja bom, não é nada disso, só que uns não devem contribuir para os outros, não é isso, mas acho que é natural, independentemente do dinheiro que nós tenhamos, de nos rodearmos de pessoas quais nos identificamos e costemos, seja por motivos

for. O dinheiro é uma característica do nosso background, da nossa identidade, o ter ou não ter, ou mais ou menos, ou ter feito muito por isso, ou não sei o que, não sei o que mais, e é uma característica tão válida quanto outras, portanto, eu, profissionalmente, eu não olho para esse meio de pessoas, que às vezes até nem é, porque já falei disso com algumas pessoas que conhecem, terminadas as pessoas e dizem, pai, é

mentira, não é verdade, parece, mas não é, não há nada disso, são simplesmente escolhas, poupanças, poupam muito, que fazem isto e que nananã, e é um posicionamento, e isso é muito interessante saber, porque às vezes nós vamos buscar histórias para nos ajudar a ilustrar determinadas coisas na nossa vida, que nem sequer são verdadeiras, mas eu aceito

isso com naturalidade. Muitas pessoas dizem, pois é assim, eles podem, eles fazem, sim, sim, e depois ajudam, sim, é normal, nem ajudaram os outros, acho que nossa memória funciona um bocado, não é, com top of mind, e eu tinha uma amiga, quando era mais nova, que era como se fosse o centro do grupo de amigos, e ela é que combinava as coisas, e lembro -me, se ela não tivesse contaminado a pessoa durante uma semana, que

essa pessoa deixava de existir, ela lembrava sempre da pessoa com quem tinha estado no dia anterior, mesmo top of mind puro, e eu não ficava triste que é de género que tipo de amizade é esta, depois percebi que tipo de amizade era, tipo, tipo, tipo, tipo, tipo, tipo, tipo, naquela, era daquelas amizades de copos e nananã, senti que eu não sou de copos, também era normal, que a coisa não fosse

assim tão, tão regular, mas, mas faz sentido meu, faz sentido que trabalhamos com as pessoas de quem gostamos, e todos os projetos que eu tive foram pessoas das quais era próxima, não sei quando trabalhava em empresa, né, tipo, João na Paixão Brás, na Meia que Sabe, que era um blog de maternidade que eu tinha, Rita Camarneiro, uma das minhas melhores amigas, no Banana Papai, Pedro Alves, no Mamos de

Boca, e tornámos -nos próximos com o projeto, mas já estávamos antes no com a de therapy, e acho que é isso, acho que temos sempre fomentado, então, no meio criativo de trabalhar com amigos, é assim que nos sentimos bem, é assim que surgem as ideias, já vos aconteceu certamente estarem com alguém, eia, pô, acho que é que podíamos fazer, ou pé -de -mata, empreendedora pura, eia, podíamos abrir uma

empresa de não sei o que, entre comedientes é muita, eia, devíamos fazer um podcast, e, e acho que é natural, e portanto, sei lá, temos muito esta, esta coisa de eles e nós, eles e nós, sinto que para muitos de vocês, eu vou ser eles, para muitos de nós, são vocês eles, e é claro que somos todos diferentes, todos iguais, ah, ah, mas, estou cansada de ver conteúdos sobre isso na internet, de ver

comedientes a falarem sobre isso, de podcast sobre isso, de, de sim, de fazer parte das conversas como, com resabiamento, aquilo que eu sinto, mas não é, não é bem resabiamento, é querer fazer parte de um determinado grupo de pessoas, que têm sucesso, independente da quantidade de dinheiro que tenho ou não, É mais do... Pá, gostava que estava de fazer

parte desse grupo. Por outro lado, eu não me identifico muito com a cena de... de fazer parte de um meio e de me isolar nesse meio, mas eu também não estou assim, eu gosto de fazer bares, apesar de já ter o meu público, ao estar com uma alta que está numa estratégia diferente, que está a começar, gosto de estar a par disso, não é gosto de dar a mão porque ninguém é coitadinho, não é

isso, mas não... Isola -me tanto dos comedientes como o isola das outras pessoas, mas não perco... Não perco o pé? Não se explicar? Às vezes parece -se que sim. Mas encaro tudo isso com naturalidade, eu não sei porque continuamos com 40 anos ou 30 anos, ou mesmo os putos de 20 e tal anos hoje em dia ainda e sabem o que é que eu acho que são sempre os não -betos que se preocupam com isso,

pois pera a par, é exato. Acho que isso eu amo. Devoríamos falar sobre outras coisas da mesma maneira que... Parece que eu não quero entrar por aqui, mas vou entrar, que só há uma opinião certa sobre as coisas, em vez de se falar sobre o assunto, acho que esta nossa mentalidade, um bocadinho tacaenha nos faz

mal. Uma coisa que a minha filha me tem ensinado ultimamente é porque quando estás com outros pais, dá -se a entender que não quer estar comigo, porque é verdade, há muita esta cena do adulto, que agora é que começam as férias para nós, pois quando eles dormirem é que não sei o que é. Isso também é uma narrativa muito estúpida, porque não só nos convencemos disso, como os putos ouvem, e

parece que sentimos alguma felicidade por agora sermos os adultos e sermos nós a não desejar os miúdos quando fomos nós, em princípio, que escolhemos tê

-los. Temos aqui às vezes uns pensamentos bastante rudimentares, que faz parte, mas que acho que é interessante descontruí -los, e eu tenho vinda a descontruí -los, porque... É, pá, isto é tão estúpido, porque é tão superficial, porque há pessoas fiches em todo o lado, e nós só vemos aquilo que queremos ver, mas não é a querer nos fazer bem, é a querer que nos valide, tipo, cante, que nos valide a nossa opinião de alguma

forma, ou, sei lá, vemos consequências nossas em seguranças, e, se calhar, é isso que às vezes também nos separa, porque muito mais... Ah, isto fresquinho está tão bom. É que vocês não... pá, estou com aquele suorzinho de folhado na marriga, sabem que se me levantar

para a sua dedo e sair brilhante. Tristeza, olha, hoje tenho um jantar de finalistas na escola da Irene, lá vou estar com os pais todos e com as mães todas, há uns fiches, há uns fiches, mas, pá, a escola dá o jantar, dá, que o paga -se, mas dá o jantar, portanto, deve comer o que é que se come nas escolas, tipo, porê com... O que era porê com o que, que se comia? Com

carne estufada, não é? Porque tem de ser merdas que se metam numa panela enorme, isso cozinha... Porê com carne estufada, vai ser isso, e depois se quer, obriga -me a comer a sopa. E para a semana nova semana, não sei se sabiam, mas é uma notícia de última hora, para a semana é, efetivamente, uma nova

semana. Início do mês, portanto, rotem já esses bilhetes para a próxima turdo, não sei ser, caso não estejam a par, a semelhança do espetáculo com o podcast, é que são assuntos que recentemente tenham acontecido, ou estejam, não ardem do dia, nem que seja na minha cabeça, todos os espetáculos são diferentes, portanto, quem já esteja com a terefa cumprida de ter visto o espetáculo em

Lisboa, Porto, ou Coimbra, pode voltar a ver que vai ser completamente diferente. Vou estar festiva, sorry, e os bilhetes estão a venda na Ticketline. Portanto, Lisboa de 27 de setembro, 16 no Porto, 17 em Braga, 18 em Liria, e 25 em Coimbra. Pronto, seus vetores, beijinhos, até amanhã.

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