Estou super empoderada, estou marcando uma tour sozinha, não sei se vocês já repararam, mas neste momento não tem agência que me represente, não tenho produtora e portanto tudo aquilo que estou a fazer é
sozinha. Não fui eu a fazer o cenário, o cenário do espetáculo foi a cuca, não fui eu a fazer o jingle de abertura deste podcast, foi o Nois Arve, fui eu a fazer os cartazes, fui eu marcar as datas, fui eu fui eu, sou eu, eu, eu, eu, eu, sejam bem -vindos a mais um episódio do Não Sei Ser. Trim! Não sei se... Não
sei se... Estou super orgulhosa, tudo bem que aqui mas essa coisa que eu tenho de aprender, estou muito naquela de atenção, eu digo sozinha mas tenho tido ajuda de malta para produzir isto, a comunidade está muito junta, especialmente no Porto e tenho tido essa ajuda do Ricardo Leite, eu vou revelando as pessoas a seu tempo, que vocês estão aí loucos, quem é que são as pessoas que têm ajudado a
Joana? Mas estou muito orgulhosa porque às vezes nós temos aqueles sonhos, aquelas ambições de fazermos coisas que parecem muito mais complicadas do que aquilo que são na prática tecnicamente, nós não conhecemos o caminho, parece tudo super distante mas porque não fazemos um questionamento socrático em relação a isso, nós nos questionarmos em relação a tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, eu fico em saber que
não é preciso ter uma produtora ou uma empresa para conseguir organizar um espetáculo no sítio, existem brokeresses, licenças, mas que isso é tudo fazível e que eu posso fazer sem estar a recorrer a uma produtora, sem estar a dar xis do meu rendimento, especialmente no espetáculo que assenta também numa vertente estética e teatral mas que não exige por aí
além uma férida, né? Portanto estou muito orgulhosa de mim para que o Deus, que o Deus for mim e me... Datas, eu queria dar -vos datas, vocês me seguirem no Instagram, está lá, está? Estou?
Estou? E... Isto sou eu a fazer tempo, às vezes a malta acha que eu me estou a rir de mim própria, que me adoro, mas às vezes estou só em inserir silencias porque quando estou a fazer o espetáculo muito aquilo que eu faço é improviso e às vezes estou a me rir que é para ganhar tempo para ver o que é que um gás estava mesmo aqui a dizer,
por exemplo agora... Tenho aqui as datas, que eu estou aqui com o Berdas. Berdas, dia 27 de setembro no Lisboa Comedy Club, de 11 de outubro no Grêmio Oparário de Coimbra, 16 de outubro no Ferro Comedy Club, dia 17 de outubro no Rumbai Mavi e em Leiria, dia 18 de outubro na sala Jaime Salazar Sampaio. Tive de ver, Jaime Salazar Sampaio, a sala do Teatro. Em
Leiria é Teatro, sim, é Teatro. Ah, fui eu a fazer isto, fui eu e um beijinho para todos e era só isto, um obrigado e não sei o que. Estou muito contente, compre embletes assim que puderem, por favor, para eu saber dizer como é a minha vida. Porque a Irã tem de dormir para a casa do pai, eu tenho de saber como é, quem é que dorme, quem é que não dorme, o que é que eu faço para jantar e essas
coisas. Agora queria partilhar com vocês com uma coisa que me aconteceu, acho que foi esta semana, depois da escola da Irã que estivemos indo para um café de giro no meio da floresta em Monsanto e para ela fazer os trabalhos de casa e não sei o que, fica menos frustrada, bebemos um galãozinho e ememem, me giro e quando dei por mim estava boquiaberta a olhar para um grupo de quatro
homens todos nus a bater em uma uns aos outros. Estavam quatro homens vestidos com bebê. Sei que é aqui um filme qualquer, três homens e um bebê, dois homens e um bebê, não sei, mas sei que olhei para aquilo e fiquei com vida, vi eram algumas lágrimas onde aos olhos e pensei, fogo, que cena encantadora, que coisa mais maravilha. Olha, quatro homens a beberem cerveja, a estarem com o puto, a brincarem com o
puto. Pensei, humanidade é mesmo fantástico. Este puto está a ter oportunidade de ter um convívio completamente diferente ao final do dia, mas depois me a pensar. Por que é que eu estou convida? Se fossem três gajas ou quatro gajas eu estaria convida ou pensaria, ah amoroso, para
um cenário do costume. Mas pensei, estou a ser paternalista no sentido em que, ah, como são homens tão queridos em fazer isto quando não estranharia se fossem mulheres e depois ainda dei mais uma volta e fui para casa porque dei uma volta. Dei mais uma volta que foi. Até que ponto é que nós mulheres, incluindo -me aqui nesse grupo que não estou a generalizar, apesar de dizer mulheres, mas é só porque se estiver sempre
aqui a particularizar -te os amigos. Até que ponto é que nós mulheres não estamos a privar também os pais, isto em casais heterossexuais, não sei o que, de terem uma experiência mais próxima dos putos por causa do nosso machismo interiorizado e dos nossos papéis sociais não questionados. Eu
acuse -me neste fato. Eu tive muita dificuldade em ter capacidade para atribuir, que já nem sequer devia ser eu atribuir, mas pronto, para haver uma atribuição igualitária do papel de mãe e de pai. Sente que igualitária não significa fazer as mesmas coisas, não significa necessariamente fazer a mesma quantidade de coisas, mas significa talvez uma atribuição justa mediante
critérias que o casal possa definir. E eu senti aqui, ou para me sentir concretizada, enquanto mãe, uma boa mãe que tinha de abarbatar todas as funções que estivessem disponíveis, não só por minha causa, mas também por achar que não iriam ser
feitas em condições pelo pai da minha filha. Não por ele ser estúpido, mas exatamente por isto que eu estou a dizer, pure, a ver aqui uma espécie de infantilização que fazemos dos homens, que lhes dá jeito, obviamente, mas que me trouxe agora esta nova perspectiva de que, além de nós mulheres nos estarmos a sobrecarregar, por nos atribuirmos todos esses papéis, para não nos questionarmos, por termos
colhido parceiros, que blá, blá, blá, porque a sociedade blá, blá, blá, blá. Além disso ainda existe aqui uma camada que eu não tinha percebido que é que estamos a privar os pais de terem uma experiência mais enriquecedora. Mas e os filhos também, e mais 360, do que a ser pai.
Pá, deve ser realmente também muito engraçado, se nós não olharmos para um grupo de homens ao final da tarde a verem bejeques, como tipo, ah, mais bejeques, se não olharmos com esse olhar
discriminatório. Deve ter sido boa da fiche, três amigos estarem com um puto, quatro amigos estarem com um puto, estarem a falar com ele como é que é disto, como é que é daquilo, brincarem todos deve ter sido uma experiência incrível, se calhar habitual, se calhar o gajo nem queria estar a fazer aquilo, se calhar eles tinham de estar os três ou odiaram que o miúdo fosse só que na
minha cabeça que ele foi injustamente fenomenal. E pus -me a pensar também nessa perspectiva que é, ao estarmos a assumir as responsabilidades de outros, ao não estarmos a lutar por isso, ao não estarmos a conversar sobre determinados assuntos, também, com receito de estarmos a ser chatos ou chatas, trauma de abandono ou quer que seja, também estamos a privar a outra pessoa de algum crescimento
e de oportunidades de causar a vida. E além disso está aprovado por a mais b, que uma pessoa pensa está aprovado, está, quando é por a mais b é porque está aprovado, quando é por a mais b não
há hipótese, está tudo fechado. Que, ok, o cérebro da mãe tem uma ligação particular ao recém -nachido, por vários motivos, mas que o homem em contacto, direto com a criança e com a mesma quantidade e qualidade de contacto, o cérebro do
homem também se modifica. E não sei se não será de igual maneira ao da mulher, portanto acho que é interessante pegar neste raciocínio fantástico que eu partilhei com o Vosco e aplicar isto, aplicar isto em outras feras da nossa vida, o circo das feras, que é por exemplo em casal, até que ponto não estando a verbalizar uma necessidade que nós tenhamos ou álbums tenham feito sentir menos ao vidas, ao
vistas, ou não fazê -lo, porque temos medo do conflito, temos medo do abandono, até que ponto é que não estamos a privar a outra pessoa de ter uma melhor relação conosco, ou ter uma melhor relação no geral, ou de algum crescimento, ou de haver ali algum input que faça com que a pessoa se melhore, que no fundo foi só uma maneira um carinho mais longa a dizer aquilo que tinha dito 2 segundos
antes. Sei, achei interessante, achei interessante e eu tenho ainda uma visão muito retrógrada em relação a muitas coisas, eu questiono muito mas pouco sobre aquilo que me parece já interiorizado, cristalizado e se agora voltar -se atrás, não sei, depende da parceria que nós tenhamos.
Ah, mas é fácil dizer não sei quantos anos depois que eu teria feito assim e assado, mas que ali eu vou pegar nesse exemplo e pensar, pá, se eu verbalizar as coisas com respeito, empatia, vontade genuína de melhorar as coisas e não desce de sabotar ou de foder a cabeça de outra pessoa, sou outra pessoa, não consegui lidar bem com isso, cá estarei, mas se ficar defensivo, pá, há que
trabalhar, há que trabalhar nisso. Esta merda do medo de fazer coisas, pá. Eu sinto que as coisas têm acontecido no momento em que faz sentido e é óbvio que pensando o oposto é
muito chato. Bem, as coisas não têm acontecido nem mesmo quando faz sentido, portanto este pensamento está a jeito, mas acho que as coisas nos vão acontecendo à medida que nós permitamos que isso aconteça e muitas das coisas acontecem quando nós deixamos de ter medo de fazer algo, medo de chocar, de deixar de ter medo de falhar, medo de o que que as outras pessoas vão pensar, medo de não
conseguir, medo de não sei o que, se eu gosto de sempre pensar quando consigo que posso estar enganada. E ver aqueles quatro ou três homens mais o puto ao final da tarde com aquele porto de sol incrível e eu imuxar um brigadeiro ou algo que era aquilo, iria rever o sistema escritor, não o dela, mas num livro. Não era tipo, ah, não é?
Pensei, é. Acho que é fiche também cuidarmos dos outros, nesta perspectiva de amor também, não ser só aquilo que eu preciso, aquilo que a relação precisa, mas também o que é que o outro tem a ganhar com isto. Não é? Não é? Não é? Não é? Não é?
