Olá, como é que estão? Eu pergunto, toda a gente começa assim as podcasts, mas é completamente infertífero, não é? Mas na verdade, é que não há resposta, um gajo sabe que não há resposta, mas eu sinto que é simpático e até gostava que houvesse resposta. A verdade é essa, porque isto é uma relação muito unilateral e o ser humano é um ser de relações e fazer isto só assim é
parvo. E por isso também tenho posto vídeos da gravação deste podcast no Instagram, não só para verem como é que eu estou vestida e estragar a legada magia da rádio, mas também para vocês poderem comentar alguma coisa, dizerem alguma coisa,
passarem por lá, beber um copo. Portanto, se não prestam muita atenção ao meu Instagram porque às vezes é só um cabaz de merdas, de merdas não necessariamente mais, mas tipo um cabaz, um cabaz de coisas. Vejam, vejam o diariamente que é que se passa por lá, porque tenho posto xerdos.
O enquadramento é assim um bocadinho de esgueilha, porque se eu enquadrar isto mais ao centro, vocês veem o ar condicionado e a televisão e isso parece muito demasiado parvo. Pronto, é isto. Conheci a série Baby Rain Deer, comecei a ver ontem e deixa muito desconfortável porque também já foi estolcada. É um tempo do qual não me lembro, assim, incompletamente, foi bastante traumática, aconteceu no
início da minha carreira em rádio. E para quem já tem a vista série, é um comediante que é estolcado, por uma senhora aparentemente simpática e invencível, ainda não via além do segundo episódio, portanto não há aqui spoilers. Isso
aconteceu também com uma... É para, vou dizer, fã, vou dizer fã, uma fanática, se calhar, fã é uma coisa, fanática é outra, e que também cheguei a tomar café com ela, porque no início da carreira é -nos difícil sentir que temos alguns status diferentes. Aliás, eu continuo a não sentir isso. A malta que pensa, ai tu és famosa para mim, que sou um gajo só. E fui tomar café com ela e realmente havia ali um
fascínio diferente nos olhos. Eu tinha alguma pena do ar triste que ela tinha, mas também havia um lado meu meio vaidoso, feliz e infantil que sentia validade daquela forma que fazia com que aquele espelho que estava a ter me preencheço de alguma forma. E por isso sinto que dei ali alguns sinais que foram mal interpretados, ou que foram mal dados, ou que até foram bem interpretados por
causa da minha confusão interna. E foi muito difícil, muitas mensagens, e -mails, e depois o stalking passou por uma coisa muito, muito negativa, em que havia difamação online, havia ameaças de partilha, de coisas muito privadas minhas, de situações desagradáveis. E
foi mesmo muito complicado. Chegou a criar uma página de Facebook com imensos seguidores, chamado humor sem limites, ou lá o que é que era, e aquilo afetava -me imenso porca as tantas. Acho que essa rapariga se tornou um stalker anónimo. Ou seja, eu tive dois. Ou realmente foi aqui só uma que depois decidiu assumir -me outra personalidade para conseguir perturbar -me. Por
eu já não lhe responder. Estamos a falar de uma pessoa que inicialmente eu não sabia se era Tantan, ou se não era Tantan. E que me enviava prendas para a rádio, uma tis de churta, dizia Joana Gama, não sei o que, e depois enviava -me fotografias a mostrar a quantidade de vezes que tinha tentado fazer a tis churta, mas que não tinha conseguido ficar -se perfeita. Uma nome escrita em grãos de café no chão. Pá!
Bizarria, bizarria completa. E eu lembro -me de... Eu estou aqui com bastante medo. Muitas vezes vocês disseram... Vocês disseram muitas vezes, aliás, para quando é que falas do episódio de ter sido stalkada e não sei o que, mas isto deixa um bocado perturbado, porque tenho medo... Pena não, tem... Eu tenho medo que é tipo a
ressuscite das trevas. E durante essa altura também muitas chamadas ao longo do dia anónimas em que eu atendi a pessoa do outro lado, só respirava, não dizia nada, era um número anónimo. Muitas vezes eu atendia com curiosidade, outras das vezes era perê -lo, desencar na pessoa, depois quando não atendia, sentia que talvez daquela vez eu ficasse a saber de alguma coisa. Epa!
Foi... foi duro, foi uma coisa que eu decidi não... não processar, e na altura
também. Eu não me lembro bem disto, nem sei se é verdade, mas talvez também fosse ela a fazer -se passar por uma pessoa de outra rádio, por um diretor de outra rádio, que na altura parecia que o ambiente entre a rádio onde eu trabalhava e a rádio concorrente não era muito esperto, e talvez o outro diretor não fosse também muito certo da cabeça, que não sei se é comum a todos os
diretoros... Não, não é, porque o meu último não parecia maluco. E essa pessoa também começou a tratar -me mal, a difamar -me na página dele, senti que eu nunca tinha tido contacto com ele sequer.
Foi muito aviso, parecia que era tudo ele, parecia que era tudo ela, foi tudo mais ou menos na mesma altura, ela existiu porque eu efetivamente tomei café com ela, e ela aparecia em muitos eventos da rádio, e quando tomei café com ela, eu comecei a sentir aquilo de ela ser tanta, porque não sei se é verdade, mas eu tenho ideia que alguns tipos de pessoas que são medicadas para qualquer
coisa ficam assim como a espuminha branca no canto da boca, pode ser saliva, pode ser saliva seca, mas a minha saliva seca não fica branca. Também babo -me para a almofada, não dá para ver, mas deixe -me ver aqui. Bába branca canto da boca pessoa. Saliva grossa, quatro motivos. Saliva grossa. Refluco -se tabagismo, alterações hormonais e boca seca. Peraí, Bába branca canto da boca pessoa, significado espiritual, meninos,
significado espiritual. O que é que... onde é que isto está? Salivácida, boqueira, língua branca, quer dizer, alguém andou a perguntar qual é o significado espiritual disto, se teré ciência de que causam problemas bokeis, mas não é isto, pá. Peraí, última vez, Bába branca canto da boca, significado espiritual, vamos tirar. Medicação. Saliva grossa, não, psiquiatria. Vocês estão a assistir, mas isto
está a suspence, eu acho. Psiquiatria. Reequilibrar o pé -á -da -boque, não, não tem psiquiatria. Tá, pronto. Quando a saliva são anterior e sai pela boca do paciente de forma do Bába, ela é chamada de sílul rei anterior. Acho que não, mas tinha essa ideia, vocês também têm essa ideia, vocês pulam -se um bocadinho do canto da... no canto, fica depois, as puma, as puma no canto da
boca, deixam -me super desconfortável. A verdade é que eu fui fazer queixa à polícia, legando que uma das pessoas que me estava a perseguir era o diretor de uma outra rádio, senti -me perfeitamente absurda em lá ir porque não me pareceu um crime... um crime, na verdade era isso, porque sempre fui habituada a desvalorizar os meus sentimentos e tive conhecimento da minha extra
sensibilidade e tinha medo que não fosse verdade. Fui fazê -lo e eles disseram, mas tem que nos dar o nome da pessoa. Eu, caraca, eu não quero dar o nome da pessoa porque se não a pessoa tem de ficar a saber. Porque eles disseram que se eu acusasse a pessoa, tinham de contactar a pessoa
também. Eu estou assim, não quero. E a pessoa ficaria a saber que era eu, e isto é o contrário do que uma pessoa que está a ser perseguida quer. Então eu fico assim um bocado esquisito, eu não sei como é que acabou. Provavelmente a rapariga, que já não me lembro do nome, será... não sei, não me lembro. Não me lembrei, esta é a parte em que ela vai ficar furiosa se eu ouvir, já
tenho mesmo medo disto. Mesmo medo... era lixado, mesmo da rua, eu tinha medo que ela aparecesse e na altura havia ainda uma outra fanática da rádio que falava muito conosco, mas essa parecia normal. Era do... que horror! Era do porto, até chegou a estar numa festa ou outra conosco. Conosco com a alta da rádio e às tantas começou a envolver -se na vida pessoal da
Malta. Até chegou a envolver -se com o namorado de uma das minhas colegas, assim do nada. Havia também outro maluquito que estava sempre a ligar para a rádio o dia todo, que era o Zé, com a Acara Coes, o dia todo a ligar. Tá, tá, tá, queria só falar, no início da alta deu confia numa de coitada, eu maluquinho, não sei o que, mas depois ligava várias
vezes ao dia. E o problema dos telefones fixes lá naquela rádio na altura era que tínhamos que atender, porque podia ser qualquer outro fã e esse não me perturbava, pronto, era um maluquinho, era para todos, mas quando foi específico para a minha pessoa, que erassas. E isto fez com que talvez eu começasse a ter medo de todos os fãs de rádio.
Ainda o ano passado houve um fã muito simpático das manhãs da 3, que algo parece, oferece anualmente prendas de natal, eu oferecia prendas de natal à malta das manhãs, e boas prendas, reparem, ofereceu um livro ótimo de comédia do tipo, do Breaking Bad, do Breaking Bad, e eles foram conhecê -lo, conhecê -lo não cumprimental, porque já o conhecem há vários anos, e eu disse, ''pá, não sei se
quero isso, não sei se me apetece lá abaixo tratar disso, porque tenho uma má experiência.'' E eu não consigo verdadeiramente compreender que uma pessoa oferece prendas, a pessoas de rádio que não são amigas delas, faz muita confusão, e depois disto foi terrível, por o lado. Depois ponho -me a pensar em comportamentos de talking
que eu já tenho atido, e já tive. Lembro -me de ligar para aí umas 40 vezes para a casa do ensinado, quando não conseguia sentir que a discussão tinha acabado, para o telefone fixe, imagino o que é que os pais dele terão pensado na
altura. Lembro -me de enviar uma catrefata de mensagens também a um outro namorado meu, quando sentia que ele gostava atrair, não, porque não tínhamos bem uma relação, mas ia dizer que me ia matar e nananã, quando sabia que não ia fazer ele, creepy, e lembro -me também quando era mais nova. E já era fã da mega, da mega FM na altura, ligava -se sempre para aquele número telefone porque queria conhecer as pessoas.
E cheguei a ligar mesmo várias vezes ao ponto de aparecer na conta telefone da minha mãe, que a minha mãe pedia a conta telefone discriminada, e lá aparecia o 342 -2000, e, pô, bizarro, bizarro, comportamento bizarro.
Provavelmente sentíamos sozinha, a rádio fazia -me sentir que eu tinha amigos, que tinha família, que não sei o que, e portanto, eu compreendo esta questão do stocking, mas, pronto, é só mais um caso em que a solidimental será importante. Para ambos os lados, para todos, diria eu, em relação à série, baby reindeer estou
a adorar. Não sei se tem um mesmo impacto, mesmo desconforto em toda a gente que ia ver, uma PT Discsim, o Miguel também, a fotografia está muito engraçada, e eu gosto muito da honestidade sendo uma história verídica, alegadamente, gosto muito da honestidade do ator principal, que foi quem escreveu, de assumir também o seu comportamento menos... Não diria correto, mas algo ambígo em relação à questão, e que não
justifica, porque uma pessoa, nessa situação, está desconfortável, claramente, mas que não ajuda. E quando o episódio da série acabou, eu recebi um sulfonema de um rapaz, de um número que eu não conhecia, que entrou à confias, dizer, então, como é que é? Não sei o que, nunca mais
desesto nada. E eu estava com aquela em alta voz, tirei de alta voz, porque pensei, sei lá o que é que o homem vai dizer, está aqui o Miguel ao lado, e foi instintivo, e depois continua assim a brincar, dizer, então não sabes, Jona Gemma, super desconfortável, não só porque parece questão do stocking, mas também por outras histórias que já vos
contei em outros episódios. E, pá, fica muito nervosa, e reparei mais uma vez que o meu comportamento, quando estou numa situação desagradável, como deixo de desconfortável, é utilizar o humor, mas é também alinhar na cena, que é como se
fosse um mecanismo de sobrevivência. Há as Fating Goats, que se nunca viram no YouTube, é um vídeo para aí dos anos 90, e é verdade, há umas cabras para defesa pessoal que fingem que estão mortas, e eu finge que não estou desconfortável. É um bocadinho como ir na rua à noite, não querer ser assaltada, então fingir confiança, gente, estou bem
da bem, estou aqui, estou bem da bem. E este comportamento eu já o tive várias vezes, e noto que também é um bígo, e provavelmente forma como eu lhe dei o número de telefone há muitos anos, quando fui atuar um sítio, ele convidou outro comediante, eu disse, não me convidas a mim, toma lá o meu número de telefone, e isso fez com que ele tivesse esta confiança toda, que me deixa muito, muito,
muito desconfortável, ainda para mais depois de ver a série. Mas não consegui lidar. É mais uma coisa que tenho que trabalhar no psicólogo.
Talvez o faça já há tempo de dia 17 de maio nos airboxlodes no Porto, onde vai haver este podcast ao vivo, e talvez consiga transmitir -vos algumas conclusões, ou quer que seja que tenha acontecido, até para que possamos criar ali um espaço onde se pense sobre o assunto, onde se ria sobre o assunto, e de repente parece que estou a criar uma seita, mas não tenho tempo. Beijinhos
e obrigada por me ouvirem. Ah, os bilhetes estão à venda na Ticketline, comprem lá essa merda, sua chaveira.
