Hi, nice people! This is the live! Como é que vocês estão? Gostava mesmo de saber a apareção, então. Dia 17 de maio, no Zero Boxlots, no Porto, ou então dia 5 de junho, até lá, né? No Grêmio Aparário de Coimbra. Hoje vou falar -vos de mais uma coisa que me deixa brutalmente triste e que tem a ver com a nossa idade. Esta semana tem sido de grandes
revelações. Já vos disse que faço aulas de grupo nos ginás, e agora vou conversar -vos que fui sair à noite. Eu sei que isto para muitos de vocês é só bizarro, mas o que é que tem a sair à noite? Tem muita coisa, tive de lidar com muita coisa, tive de lidar, por exemplo, com o facto de termosito, parar a um bar, bar da ceteria
incrível, mas que estava repleto de juventude. E quando digo juventude, é a idade que eu acho que tenho, mas que já não tenho. Estamos a falar de uns 29, 30 anos, pessoas que sabem ir à estrada e vários, e perceber que as mamas que ficam ainda dentro do top, que conseguem mostrar as costas e dizer, eu faço o que quiser com o meu
corpo. Eu sou incrível, pessoas que conseguem a meio de uma conversa, estar a fazer um story, a mostrar as coisas, pessoas que estavam a ouvir a música, que eu estava a curtir, que provavelmente era do início dos anos 2000, e que para eles eram clássicos. É verdade, eu já não tenho aquele corpo. Eu não sei dançar como eles
dançam, ou como eles não dançam. Muitos deles estavam só numa de, não vou dar aqui muita cana, não vou fazer figuras, se calhar era efetivamente por não usarem isso. Já eu estava com umas calças de ganga que não me permitiam respirar, e portanto, quando estava a cantar Gwen Stefani, porque sabia a letra não só o ritmo, como as outras pessoas, digamos que a burgulha fez toda uma revolução. Isso
aconteceu, isso aconteceu. Estive o tempo todo a sentir -me bastante, bastante insegura, a esta questão da nossa imagem corporal, nossa, porque eu neste momento valho por duas quase. É muito dura, e estar com juventude à volta quando o nosso corpo já não é certamente, nem deve parecer
nada com aquilo, digo eu para me desculpar. A Pá, fez -me, não é fazer -me mal, é iniciar -me aqui um processo de compreender que já não vou para nova. Ainda a semana passada, quando fui a uma talk numa revista feminina, intencionalmente ou não, decidi vestir -me com um ar que considero mais respeitável, umas calças pretas de cintura subida, uma camisa muito larga, vintage, e quando cheguei a casa o Miguel disse, pá,
estou a odiar isso, parece -se uma velha. E a verdade é que eu me visto como um puto, ou o que é que é isto de nos vestir -nos como jovens? Foi duro, a sério que foi duro. Além de que não sei mesmo dançar, como nunca sei a noite para sítios fichos, eu ia sair à noite para uma discoteca no caiz do Cedré, chamada Tóquio, onde, a maior parte da população, tinha 50 talanos e a
música era predominantemente rock. Portanto, a plávia Maminha, a minha melhor amiga, para fazermos macacadas, para fazer air guitar, para sacudir a cabeça, para fazer a aeróbica, fingir que estávamos a jogar volei. Agora, nunca tinha dançado com o intuito de dançar sem palhaçada. Portanto, senti -me ali completamente fora do meu elemento, e ainda para mais, tendo um namorado muito giro, eu sei que isto é triste, comecei
a sentir que tinha sido adotada. Eu sei que enquanto falo são nos entes, mas é que eu bebo um galão e depois fica aqui o cafezinho todo, eu não dá a esperar de ir para baixo e eu tenho que ir a sentir tipo, isto é a caridade da parte dele.
Eu sei que sou uma pessoa interessante, no sentido em que posso dizer como é que é ser uma mulher no humor, ou esclarecer algumas dúvidas relativamente à rádio, não, na maior parte das rádios, não são os locutores quem escolhe as músicas, mas e provavelmente isto vai ser horrível de se dizer, mas eu sou mais interessante do que, se calhar, um terço das pessoas que lá estavam. Isto é mesmo aquela coisa da
esta geração, não é? Esta geração. E a atenção que eu não me tenho em grande conta, portanto isto quer dizer muita coisa, mas eu olhava para a Amiguel, olhava para as pessoas, à minha volta e pensava, ''pai, eu sinto -me um mono, eu sinto -me um pilar aqui, eu sinto que sou...'' Ah, parecia que Ierã tinha acordado. Eu sinto que não sou feminina, eu sinto que não tenho
formas a não ser um paralelo hipípedo. Que cansasse, que cansasse desta porra da gordura do tambanho. É também do tambanho. Isto é mesmo, isto é bem, uma luta muito grande, e ainda ontem estava a falar com uma psicóloga sobre isso, e eu disse ''papus, mas que é pensar?'' Porque os psicólogos pensam alguns. E até que ponto não será interessante quando o corpo tem esses cravings darmos mesmo aquilo que o corpo
precisa. Darmos mesmo, apetece -lhe chocolate como a porra do chocolate, só que depois, quando não tem esses cravings, não coma. Por causa de eles comemos só porque sim, só porque está ali. Ah, coma só quando lhe apetece. E eu puse -me pensar, ''até -se -me sempre!'' Tenho aqueles momentos mais de
craving. E ele disse ''tou mas isso não tiver as coisas em casa.'' ''Papus, se não tiver as coisas em casa encomendo.'' E lá, pois é, eu puse, que eu não morro num sítio recondo dito como você mora no alentejo, aqui há civilização, aqui há motas que trazem merdas. E
pá, anda a fazer este esforço enorme. Não é um esforço enorme, mas pronto, anda a fazer desporto diariamente, para muita gente é um esforço enorme, e reconheço isso porque isto é impensável. Antes vi pessoas a fazer em desporto diariamente e achava, ''pa, esta gente é tanta, é só, é só, esta gente é só, é só.'' Para depois mamar um pacote de bolachas, não percebo, não percebo. Existe fome emocional, isto nem é
fome, isto inérvame não ter este controle. E não sei se já vos disse, mas tomei aos em pique e saccendas aquelas injeções para diabéticos, que também são para excesso de peso e ajudam a perder peso. E como perdi 10 quilos, já vos disse isto, como perdi 10 quilos num mês e estive magra durante algum tempo, agora ainda tenho menos tolerância a esta porra.
Isto juntando ao facto deste pequenino e serem uma preocupação lá em casa, de ver lá o que é que come, olha o que é que estás a fazer, está as gordas, estás mais gordas, não há bolachas, e minha mãe escondia os chocolate, não sei o que, o meu pai uma vez disse -me uma coisa, a única coisa, que estava a comer chocolate e eu disse, ''atenção, que isto depois dos 30 custa muito mais a
abater.'' ''Ah pois é, ainda é essa da idade, será que é mesmo verdade?'' ''É, não é, que custa mais em emagrecer depois dos 30 por causa do metabolismo e na na na.'' ''Então é isso, então eu estou a fazer o mesmo esforço só que o corpo não deixa.'' ''Ah, então tenho de ir celebrar.'' De forma isso, aí uma campanha de fast food que ninguém diz para comer aquilo todos os dias, a marca não diz
''somos hiper saudáveis'' como nos todos os dias, mas diz sim, que poderá ser um momento para celebrar comer esse tipo de comida, ou seja, eu mereço, não sei o que não sei o que mais, e esse para mim é um dos principais problemas de não comer saudável, ''ah, fiz exercício, mereço isto, ah, está um dia bom, está um ótimo dia para comer coisas menos saudáveis.'' ''Ah, e isto é muito...'' ''É,
eu percebo a celebração das coisas com comida, ainda para mais somos portugueses, sinto que isto está muito associado à nossa cultura, mas a comida de merda já não percebe, por que nós fazemos isto? Por que merece um doce? É por causa destas restrições, tipo ''ah, não posso, tenho de ter cuidado, não é?'' e
quando é para celebrar é o chamado... ''já com álcool é a mesma coisa.'' ''Que é, aí vamos celebrar, vamos beber uns copos, devíamos
inverter isto, devíamos... ''e aí, bora celebrar, bora participar de uma maratona.'' ''E aí, a hoje não tem noção, vou mamar um litro e meio de água, vou ficar ali todo de meios, e se calhar até a manofora.'' ''Vamos celebrar, olha esta bananinha, choque de bananinhas.'' Anda um bocado obcecada com
isto. ''Isso é muito que vai ser assim a vida toda, vai ser quando estou magra, não posso se engordar, quando estou gorda, quero emagrecer, e estou farta, estou farta, estou farta desta porra, a sério, estou mesmo muito, muito farta e tenho muita pena que não se possa continuar a tomar aquelas injeções.'' Depois também falei com uma psiquiatra isso, mas não há outras maneiras de perder
peso. ''Ah, só que a menina por ser bipolar não pode tomar essas coisas.'' Eu fogo, fogo, eu também não queria tomar. Isto é para compreter aquele estereótipo, porque as pessoas que são bipolárias mudam de opiniões e têm duas personalidades, não temos nada. Temos, eu temos algumas, temos, temos de finalizar que isto não está, não está a fazer sentido nenhum, beijinhos e
até amanhã. E Porto, compreem lá os bilhetes, porque passam a vida a chatear uma molécula, a dizer ''Não venho ao Porto, não venho ao Porto'' e agora isto está a andar mais devagar que uma carroça. Eu sei, sabem o que é que se diz do Porto? Que deixam tudo para a última, não deixem que senão eu tenho um infarto. Sim? Pronto.
