Escutamos Lisboa! Estou tão coquente! Como vos disse uma vez, há sempre um lado do artista. Mesmo que já tenham escutado algumas salas, algumas vezes de pensar, não vou escutar, isto vai ficar lá sozinho, vai ser muito esquisito, vamos ser só 15. E aí que os artistas cancelam por motivos de força maiores. Não vai ser necessário agora em Lisboa. Obrigada!
Obrigada por verem ver ao vivo no Lisboa Comedy Club, para quem seja do Portista, e aí a filha já vai bem, bem, bem, bem, bem, bem, bem, dia 17 de maio, no Zero Box Lodges, que é um atual muito afístico, já, super Instagram, Montesável. Também pode ver ao vivo dia 5 de junho, em Coimbra, no Grêmio Operário de Coimbra, só para vos dizer, Coimbra está a ganhar neste momento, porque ainda falta
muito mais tempo e já estão a aviar bilhetes, como se não avessa amanhã, se calhar porque não vai haver amanhã. De questão, ah, olha, entanto dá, porque é assim, vai haver a Coimbra antes disto, e se calhar nem estou, nem devo estar, e portanto contribuo com X para a Joana. Vocês são uns queridos. Eu já não odeia minha mãe. Quem é que eu sou? Não sabemos, não sabemos quem é que eu sou. Eu já não odeia minha mãe.
Isso é, passei, sei lá, uns 37 anos da minha vida, odiar a minha mãe e de repente deixei de odiar e até me esqueço das coisas mais. Isto acontece muito com relacionamentos amorosos, não é? Que é horrível, ou seja, que é passar uns anos, ah, até que era físta, não é? Mas eu nunca pensei que este dia fosse acontecer, em que eu já não odiasse mais a
minha mãe. É claro que isto é empleado, eu nunca odeia a minha mãe, mas estive sempre algo zangada com ela, ressentida, triste. Acho que existe aqui uma teoria que é a ferida materna e coisas de género, mas há semelhança do que disse Dr. Phil num programa que eu vi para aí em 2000, realmente perdoar é libertar. E
eu sinto até que não tenho nada para perdoar. É inacreditável, passei metade da minha vida rancorosa, triste, porque eu acho que a zanga é um estágio inicial da tristeza, não sei se é verdade ou não, e de repente, pá, como é que isto aconteceu? Aconteceu primeiro com muita terapia,
claro. E uma das coisas que vocês podem fazer, caso odeiem os vossos pais, ou quem quer que seja, é terapia e podem aproveitar o meu desconto na Hywell, no joelho de 1920, a Hywell, não é uma aplicação nova. É nova aqui em Portugal e é um sítio onde vocês podem encontrar terapia com terapiotas, claro, licenciados, tem aconselhamento psicológico
com psicólogos a medida de vossas questões. O que é FISH, podem ter uma... é online, podem ter uma consulta inicial com eles para ver se simpatizam ou não, podem mandá -lo a abrir e escolher outro. E é muito fico porque não saem de casa, são ótimos psicólogos e são consultas mais acessíveis, principalmente com o meu desconto, Joana Vintenà Hywell. Hywell,
pronto. Estava a dizer muita terapia envolvida, obviamente, e reparo que ao longo dos tempos as minhas emoções têm mudado bastante, comecei com raiva pura e dura, passei para muito sofrimento e empatia. Essa empatia foi tornando -se cada vez mais verdadeira, não é? Porque existe sempre um esforço para a empatia, depois é que ela se instala e depois é que realmente começamos a senti -la, não os sei explicar, pelo menos
foi aquilo que me aconteceu. E agora, de repente, do nada, é como se nada tivesse acontecido. Eu não sei do que é que é. É claro que é da terapia também, também é provavelmente de estar medicada, de ir ao psiquiatra. Atenção, falei com pessoas recentemente que quando eu disse que estava a ser acompanhada também por um psiquiatra e estava a ser medicada, ela disse mas por que não pedes a não ser quem, que te passa os
comprimidos? Atenção, era o psiquiatra não é mandar comprimidos para cima. E o meu psiquiatra, pelo menos, ove -me, pergunta como é que eu estou, fez -me um dia de nóstico, não é? É ainda triste? Então, olha, pronto, aqui tem, divirta -se com isto. Isto não é assim, mas é inacreditável ter chegado a este ponto. Eu lembro -me de chegar à escola furiosa com a minha mãe, de empeular sempre um
pouco as coisas, porque estava a desabafar. Lembro -me de, até recentemente, ter tido sonhos em que lhe
batia. Eu não sei o que é que se passa, eu de repente consegui, sem me perceber, chegar aqui a um ponto em que eu penso verdadeiramente, porque eu geralmente consigo chegar aos raciocínios certos e sei o que é que eu deveria sentir e pensar, mas desta vez eu cheguei verdadeiramente ao... que conseguiu e dentro daquilo que conseguiu, dentro do melhor que conseguiu, eu
tive mesmo, mesmo muita sorte. Um psico, alguma vez disse -me uma coisa que é, esta é a forma que a sua mãe tem de demonstrar que gosta de si, nunca me faltaram os cereais preferidos. E eu pensei, pá, triste, triste ser só dar cereais, vamos dar cereais às pessoas e assim, os órfãos
ficam contentos. Mas efetivamente, agora anos depois, eu percebo, e sendo mãe, que não dá para tudo, que, dependendo dos nossos objetivos e ânsias, não há espaço mental para... nem havia contexto na altura para ponderar e para pensar tanto nisto da parentalidade, por um lado ainda bem, porque cansa a
cabeça. Mas efetivamente ela fez o melhor que eu consegui, ela levou -me para todo o lado com ela, porque teve de andar em várias cidades para Portugal, ela andaria colocada, teve -me, o que foi viz, foi mãe liou -la, porque foi criada muito sozinha por ela. Pensou sempre naquilo que era o
melhor para mim e fez por isso. E independentemente dos métodos, das estratégias, de coisas que me fizeram mal e coisas quais eu não concordava e que me fizeram sentir sozinha abandonada, há luz de agora, eu reparo que muitas delas são típicas da adolescência, outras também são típicas de uma pessoa que tenha uma personalidade como a
minha, sentir tanto. E... É pá, estou tão feliz, tão feliz, sinto -me toda na amasté, não na amasté como a professora de yoga que eu tive, que era super calma a mandar a todos. Era
de género, não, isto é sim, do que? Vai -se embora, isto é para ir abrir, isto é, não sei o que, é libertar, libertar, mas sinto mesmo que de repente consegui ver a minha mãe como uma mulher e de perceber por que as coisas aconteceram, como aconteceram, que a incapacidade que houve de ligação e de conhecimento mutuo fez parte da altura, da urgência em trabalhar, em garantir, em ser mulher.
A mim que eu estava um bocado isto do ser mulher e não sei o que, por causa do lado de cor de rosa, da questão, faz uma bocada isto de ser mulher, isto de ser mulher. Mas efetivamente eu tenho muita, muita vaidade na mãe que tenho, na força que ela tem, em tudo aquilo que ela fez, ainda faz por mim e na justiça, na justiça.
A minha mãe, independentemente de tudo aquilo que tenha feito com o qual eu não concordo, ela sempre foi muito justa em muita coisa, nomeadamente em dar -me liberdade para eu ser quem eu quiser só precisasse de ser. Isso é incrível, é mesmo para a geração dela e para a pessoa que eu sou, para o espaço que eu ocupo, para
a privacidade que eu não valorizo. Ela sempre me deixou sem me limitar contar a história, a minha história, a forma como eu a vejo e como eu assinto e deve ter sido doloroso fazer essa separação, não é? Não haver esse controle de que isto agora é assim. Agora estou com esta na cabeça,
mas isto é assim. Olha, fiz essa terapia para ser menos doloroso com a Highwell, por exemplo, na altura não havia internet lá em casa, mas se houvesse, podia ter sacado a Highwell, uma aplicação incrível, onde tem acesso a ótimos psicólogos de acordo com as voças necessidades, com aquilo que querem trabalhar em vocês para a vida e não ser tão complicada, para terem direito a aquilo que vocês
merecem da vida. E para isso tem um desconto ótimo, Joana 20, que podem usar -o então na app Highwell e começar a entretar da vossa vida. Bora, Malta, não esperem por janeiro para resoluções, é já? É
já, é já. Se ela tivesse feito terapiasca, as coisas melhoravam muito, mas até isso mesmo é uma prisão para os nossos pais, para as pessoas, para as pessoas que tenham pais da minha idade, para as pessoas que sejam da minha idade e tenham pais, que em princípio sim, se não estavam cá, que estão a direi ao psicólogo de
assumirem os seus problemas. É muito complicado, eu acho que a psicologia funciona um pouco para essas pessoas, como o Tarot ainda para nós que é Giro, mas não acredito. E não vou gastar dinheiro nessa merda. Acho
que é muito por aí. E então, tendo isso em conta, essa dificuldade e também o quanto, essa desconstrução dos conceitos todos que têm na cabeça, que faz com que sintam que estão no caminho certo e que estão estruturados, essa segurança, a oir ao psicólogo, a assumir que tem de ir ao psicólogo, a banaria, toda essa estrutura. E portanto, eu percebo, eu percebo e neste momento percebo tudo. Eu
não sei como é que vai ser para a semana. Não sei se vou acordar e reunir um faqueiro e ver o que é que acontece, deixar que a ir ali para a zona onde ela mora, mas estou mesmo muito grata, muito feliz, sinto -me privilegiada e 37 anos depois posso dizer que a minha mãe foi mamãe do Caraças. Ainda é, mas foi mamãe do Caraças. E Caraças, vocês sabem o caminho que eu fiz para isto. Eu espero que vocês tenham a
oportunidade de fazer o mesmo. Sei que, ainda que seja feio, muitos de nós lidamos com este tipo de sentimentos de ódio, de tristeza em relação aos nossos pais, uns com os motivos, outros
com outros. Mas o que é facto é que, havendo uma capacidade para pensar um bocadinho sobre isso, para sentir de forma diferente, isto não estou a responsabilizar -nos pelo processo que temos, ou tivemos que fazer para chegar a esta fase onde eu estou agora, que é o horror, parece que me estou a colocar no topo, mas, pá, é melhor não estar zangado, e é melhor não fingir que não se está
zangado, é melhor mesmo, e isto é sincero, isto vem dentro de mim, eu não estive a fazer mântaras, não estive a meditar, não estive a convencermos disto.
Isto surgiu -me quando pensei em liberdade, no outro dia fui dar uma toque, para uma revista feminina, e contei muita minha história, porque sinto que está muito associada à liberdade, como se calhar a todos nós, e apercebi -me que sempre fui muito livre, apesar de todas as restrições que eu tive, de não poder sair de casa à noite, de não poder estar com amigos, não sei o que, pelo menos na minha
concessa elmas, que essas restrições vieram do lugar de preocupação, e de desejar o melhor para mim, portanto, não estou a validar maus tratos, mas estou assim a compreender que mesmo as coisas que me fizeram sentir muito mal, foram feitas com uma boa intenção, e existe um livro que eu tenho ali, que se chama For Your Own Good, que fala muito sobre a
Segunda Guerra Medial, e como é que... Eu depois falo -vos melhor desse livro, que fala muito sobre a toxicidade, essa expressão, e isto é para o teu bem, isto é para o teu bem. Não entende, eu agora sinto que foi tudo para o meu bem. Tive de fazer mais trabalho, e de se calhar, mas... Estou feliz, pá. Hoje,
agora, é esta hora, daqui a pouco, não sei. Espero que vocês estejam bem também, e que estejam a ir, a ir ao encontro de uma vida sempre melhor, mais leve. E obrigada por continuarem a ouvir -me. Eu acabei com o podcast, o outro que eu tinha antes, a psicoterapia, porque, a determinada altura, eu senti -me tão bem, que achei que não tinha mais nada para dizer. Eu aqui sinto que não vai acontecer isso. Acho
que já vos falei da... Acho que à medida que a vida for continuando, estar cada vez mais em ordem, que vou ter mais espaço para criar, intencionalmente, isso poderá ser interessante. Bom, tenha uma boa semana. Obrigada por me ouvirem, sei lá, no carro, a dormir, ou o que quer que seja. É realmente um privilégio ter -vos desse lado. E já agora aproveitem e
venham -me ver ao vivo, porque não. Dia 17 de maio, no Zero Box Lodges, no Porto, e dia 5 de junho, em Coimbra, no Grêmio Operário de Coimbra. Um beijinho e mais uma vez, muito obrigada.
