Depois da quecazinha no episódio anterior não fiquei a sentir que o episódio tivesse ficado redondinho ou que tivesse acrescentado alguma coisa, no sentido em que é um assunto tão lato que parece que só fiz um uma espécie de relato da minha experiência que tem a sua validade, claro, blá, blá, blá, mas que é pronto para quê? E onde é que eu quis chegar
com isso? Acima de tudo. E claro que é preciso humildade e coragem para transmitir a nossa história, no entanto, no meu caso, já repisei essa história tanto lado, em tanto sítio, gosto de partilhar as minhas experiências para que não é que eu seja o símbolo do que era que seja, mas odeio que não se fale sobre as coisas, já sobre dinheiro, é uma satis, não sei, não sei,
não sei quanto é que eu recebo, não sei, não sei, não fazio, mas por quê, pá? Quer dizer, não estou a dizer que ando aí, ah, já tenho não sei quanto na conta, não é isso que estou a dizer, mas por que que é a da ver estas merdas?
Bem, já lavamos, deixemos só promover então o espetáculo de Lisboa, dia 30 de Abril no Lisboa Comedy Club, este podcast será ao vivo, irá ser alguma coisa interativa, uma orgia de contíuda, ainda não pensei, não é que vou fazer, mas sei que vai ser fecha, já tenho a experiência do outro podcast que eu fiz, fiz vários espetáculos, tanto em Lisboa como do Porto, e acho que corre muito bem uma
conversa fluida, com alguma preparação por trás, claro, mas uma coisa tranquila, em que trabalhamos em conjunto, faleimos todos juntos, uma espécie de seceita, mas em que o Malukin está em palco só. Lisboa Comedy Club dia 30 de Abril, não sei ser, ao vivo. Não sei ser. Não sei ser. Fala -se, só reparei agora que estava a gravar com o microfone do computador, e não com o microfone que... que
é um microfone. Ainda não fui ao ver o episódio anterior, mas eu espero sinceramente que não tenha ficado com o som de merda. Bom, adiante, sigamos em frente do que interessa o conteúdo, a forma também importante, claro, mas
sigamos em frente para não perder o flow. Então, no episódio anterior, falei -vos sobre, de forma muito superficial, sobre a minha experiência com... com... uma sexualidade, bisexualidade, o que é... a minha experiência com a minha sexualidade, como parte da minha sexualidade, mas não vos contei bem o
que é que... o que é que fui sentindo. Ou seja, falei um pouco da arte de sedução, de estar a descobrir... como é que se brinca, como é que se está com um novo género, como é que... como é que na altura, há muitos anos, se poderia falar sobre isso, como é que se conseguia perceber quem é que alinhava, quem é que não alinhava, e se estava me pica, confesso que me dava pica, eu gostava muito
de... seduzir um flirt aqui, um flirt ali, e a terminar da altura aos rapazes também, para onde já percebi e consigo o que quero. A pá, não... não é... não sei o que que posso dizer ou o que que não posso dizer. O que eu posso dizer é...
Nunca tive dificuldade em... arranjar um rapaz que quisesse fazer coisas comigo, poderia ter dificuldade, e tive algumas vezes em ter relações amorosas com essas pessoas, mas fazer com que se interessassem por mim, quisessem estar comigo, e algo mais... A
cena é que nunca era só esse meu objetivo. Mas, bã, chega uma terminar da altura, como eu estava a dizer que isso fica um bocadinho injetivo, mas não foi só por isso que decidi experimentar outras coisas.
Expliquei -vos a questão da pornografia, de me atrair muito a ver pornografia só entre mulheres, mas eu que me interesse por uma questão também, psicanalítica das coisas, ou aquilo que eu acho que é psicanalítico, que gosto de ir mais fundo, atenção que eu não sei do que estou a falar, são simplesmente coisas que estão na minha cabeça, com a minha experiência, com a minha reflexão completamente enviesada, mas eu associo
estar com uma mulher, estar com a mãe, que é a nossa primeira representação do nosso género, no caso de uma mulher, e estar com o homem, estar com o pai, ou seja, a nossa primeira identificação de género é com a mãe, e a nossa primeira identificação com o
género masculino é o pai. E portanto, eu sinto também que assume relações diferentes, posturas diferentes, com sua antepessoa com quem eu esteja, independentemente do género, e é aqui que isto me confunde, que é até que ponto é que eu consigo descernir o que é que é o sentimento numa relação homossexual, ou numa relação heterossexual, se as pessoas são completamente diferentes,
como é que conseguimos generalizar? Consigo aplicar, como disse no episódio anterior, alguns estereótipos, a cena de... Esperem, estou com a cadeira muito alta, isto é assim. Aquela cena de... De com as lésbicas parecer que acontece tudo muito mais rápido, parece que não há
espaço para jogos, ok? Ou seja, existe a sedução, existe essa brincadeira, mas depois a conversa discorre de forma muito brutalmente honesta, muito clara, os sentimentos são falados de forma... Passa em merdas, é o que é? Estou apaixonada por ti, gosto de ti, quero estar contigo, apetece -me, comir -te, comir -te não no sentido de comir, também pode ser, mas... Tipo, grossos, enquanto com um homem parece que há ali
primeiro... Não, é uma retenção. Não posso mostrar toda, se não o gajo acha que eu sou maluca. E eles às vezes, na minha experiência, estou a generalizar, mas... Pá, tenho que o fazer, se não há podcast. E eles nem sempre se sentem confortáveis em falar sobre os sentimentos, às vezes eu sentia que já eu sabia o que é que eu sentia há imenso tempo, eles ainda
nem sequer tinham pensado no assunto. Portanto, entre mulheres eu sinto que as coisas acontecem mais rápido, entre duas mulheres que estejam disponíveis para ter essa experiência, uma com outra, depois existe também toda uma questão, também tive uma relação com uma mulher que nunca tinha pensado na sua sexualidade nesse campo, e também rolou um pouco mais devagar por todo esse processo, é tão bonito ver uma pessoa, não
diria a descobrir se isso é tema para o outro podcast, ou se é essa pisada do vamos descobrir e quero descobrir, já me estou a passar, já me estou a passar. Mas, bom, estava eu a dizer, não consigo então perceber o que é que é a relação
com uma pessoa, a relação com outra. Aquilo que eu posso dizer é, com uma mulher, com as mulheres com quem eu estive, eu senti -me com umas... demasiado num papel socialmente atribuído ao género masculino, em que eu era até fisicamente, era grande demais, a mulher era pequena, então eu senti -me uma espécie de guarda -costas dessa pessoa, senti -me protetora e o que era ser protegido, não combinava bem, pelo menos com aquela
minha fase, e depois com outras mulheres senti -me, parece que estivei mais as mulheres, mas não, nem de todas as cores, infelizmente só tive acesso ainda. Estou
brincando, amor, é muito ruim. Com outras mulheres, senti -me a protegida, com uma mulher em particular senti -me a protegida, mas senti... lá está, não precisei explicar, e depois isto vai me dando a longo do tempo, estar com mulheres no início da minha adolescência, significava essa tal descoberta, essa sedução, essa paixão, encontrar um nicho onde eu sentia fazer parte, se perceber como é
que se dança com outro género, como é que é, como é que é a conversa, qual é a diferença entre amizade e amor, como é que se constrói numa relação entre duas mulheres, como é que eu construí, como é que aconteceu com aquelas mulheres em questão, e depois quando já se procura uma relação... uma relação séria, madura, uma relação com alguma longevidade, como é que se trabalha para isso, o que
é que se sente, uma das coisas que eu senti muito na maior relação que eu tive homossexual, senti um resolver da Frida Materna, e com isto eu não quero dizer no perínio, pelo sítio pronto saiu a minha filha e que estava todas cancaradas, já não estou, creio eu, não tenho olhado, tenho de ver, mas sinto que houve ali uma espécie de resolução, ou de descanso, ou de paz relativamente ao género
feminino, da minha parte, senti que uma espécie de... de irmandade, eu sei que isto é tudo muito esquisito, especialmente estando a aplicar a uma pessoa com quem eu me envolvia sexualmente, mas senti que fiz as passos com a minha mãe ao fazer a relação, ao ter essa relação com essa pessoa, vários momentos em que a simbióse de ambos os corpos me remeteram para a minha relação com a minha
mãe, e consegui de certa forma sentir -me parte disso
que é ser mulher. Foi através dessa... Não tinha nada a ver com a roupa, que é uma coisa que eu sinto muito, que é a maneira como me apresento, sinto saltos, não ando, essa forma que eu digo que não sei ser, por causa desse sufoco, desse enviesamento, tudo isso, não tenho a ver com isso, tenho a ver com outra coisa qualquer, tenho a ver com uma auto -aceitação, da identificação com a nossa
mãe, e eu ali senti... senti -me parte disso, senti -me parte da minha própria
história, não sei... Outra altura em que senti isso foi quando fui a Marroques com Miguel recentemente, e fomos aos banhos em que houve ali algumas raparigas a darem nos banhos, porém, de que não souber que isto acontece em Marroques agora, em São Esquisito, e ela estar a lavar -me o cabelo e esfregar -me as costas, também me fez sentir qualquer coisa de fluidez na aceitação do meu género. Ok?
Whatever que isto quer dizer, eu não sei falar o que... O que muita gente já sabe falar agora, ou a forma como se fala disso agora, não sei falar isso, portanto, tenta entender aquilo que eu estou a dizer, como palavras cuja descrição é o mais aberto possível artisticamente, e não aplicadas ao contexto, ao lexico atual. E
fazer essas passos foi incrível para mim. No entanto, como dizia há pouco, a minha postura relativamente a cada género, quando namorou, quando terminou de género, não dá para ser generalizada,
porque as pessoas foram todas diferentes. No entanto, houve aqui algumas coisas que eu reparei que eu quando estou com um homem, aquilo que eu sinto é que eu quero ser protegida, e aquilo também era isso também, que eu sentia quando estava com
uma mulher, e daí às vezes me soar errado. E quando estou com um homem, eu sinto que esse meu lado encaixa melhor, no sentido em que é isso que eu procuro, que é isso que eu preciso, e é esse o papel que eu atribuo ao género masculino, que é de uma injustiça tremenda para o género masculino, os rapazes sentirem que não podem chorar, que têm de cuidar, que têm de ser fortes, e eu percebo tudo isso só ao
falar dos processos da minha mente, e a forma
como está agrafada. E então faz -me mais sentido estar com alguém do sexo masculino, nesse sentido eu reparava também que quando estava com mulheres, não conseguia imaginar uma relação a lá long, com aqueles passos tradicionais sociais, a cena do casar, ter filhos, não conseguia imaginar isso, talvez porque também não tenha havido durante a minha adolescência essa representação, portanto não consegui ter -la na
prática na minha cabeça, e depois com o homem em cima. Isto é tudo tão multifatorial, que eu não consigo perceber o que vem do onde, vai para o ano, não sei o que, mas é sempre muito divertido tentar perceber a causa das coisas, e faxino
-me imenso por isto. E portanto, por mim. A conclusão, aqui eu chego, que nunca é uma conclusão, porque lá está -se, estou fascinada pelas coisas para este tipo de comportamento humano, e essas coisas, coisas, coisas, coisas. É aquilo que eu sinto agora, é que é completamente indiferente, para mim, o género, oh, estou a ser passar. Não há potequê, se tem caputa dos gatos, não me foda a
gravação, meu. Há ninguém, há pessoas que têm gatos, há gatos que fodem podcast. E
está tudo bem. Tome a carregar para estes rótulos, em tempos quando havia aquela cena do chat, na pandemia, falei com muita gente da comunidade queer, expusas minhas dúvidas sem receio, espero que senti um espaço seguro, e explicaram -me o porquê de haver a necessidade de rótulos, de tudo isso, no entanto, eu compreendi, compreendi que a questão do sentimento de pertença, de segurança, de identificação
é necessária. No entanto, para mim, essa classificação não me faz sentido. Agora, vou dizer, se não te faz sentido, é porque é espancéxual. Tome a carregar. Isso, se calhar, parece absurdo, parece um bocado concorrente
e tudo o resto, mas é... No episódio anterior, eu disse, creio, que... E vou falar -vos sobre isso no próximo episódio, que o meu romantismo acaba por limitar muito a minha abertura, a mudanças que vão além daquilo que é historiável, vai como sendo mais aceitável, mais perfeito até. Só que neste campo, eu sinto que... Eu tenho a fominha de amor, fominha de pessoas, e eu gosto de pessoas, não de
estar com elas ultimamente. Não me lembro de ser muito social, aprendi a estar sozinha e viver mais na minha cena, ou preciso de estar, ou quer que seja. Mas... É como ir... Gostas mais de restaurantes de carne ou de peixe? Eu vou lá e como que... Não sei explicar, sinto que esta questão para mim, que fui eu a pô -la, e daí ser este o tema do podcast, destes dois últimos episódios, não me faz
sentido. Estava -vos a dizer, porque eu, por causa disso do romantismo, sinto que não consigo sentir -me atraída por outras pessoas, que não têm essa disponibilidade mental, física também não.
É interessante, eu acho que a minha líbida está mesmo associada ao desafio da caça, como era quando era mais nova, eu queria tanto que as pessoas que estávam em mim, que namoravam a mim, que era como se fosse mais um nível, estava a ativar mais um nível, mas não era pelo sexo percebem, e... Mas para mim tem a ver com... Que eu quero a intimidade, e isso para mim constrói -se, e... E
não sei, não sei. Eu neste momento não me sinto bisexual, não me sinto pansexual, sinto -me Miguel a sexual. E agora estava a vomitar a ouvir isto. Pode ser que alguém se identifique. Olhem, foi um prazer falar com vosco. Isto está a tornar -se habitual, mas a seguir vou ter uma reunião, por zoom, com o Pai, da Comissão de Festa de... Viagem de finalistas, do colégio da minha filha. Tem
nada a ver com isso. Ela vai para a pública para o ano que a vida é assim. Para -se falar, para -se falar, para -se tirar dúvidas, para saber que sou bem que vão comer, onde é que estávamos aqui no Despreservativos, com quem vai dormir, e assim é... Já houve quatro reuniões, não fui nenhuma. A única coisa... Minha única contribuição foi a puta... Ai, desculpa. Foi um Google Forms, portanto,
eu vou só... Vou arranjar material. No fundo, arranjar material. Acho que nenhuma das mães do colégio da Irene irá ouvir este podcast até aos 12 minutos e 15 segundos. Se ouvirem ela, é persona, isto é humor. Mas, por antes de tratar disso. Um beijinho para vocês. E já agora, para toda a gente da comunidade queer que esteja a ouvir, quero dizer -vos que sinto o vosso amor, que sinto o
vosso carinho, em todos os espetáculos. E por que que eu sei que é a comunidade queer também, que lá está? Porque às vezes levam cartazes, a dizer -se, anda, volta para o nosso lado, está desperdoada, e adora as minhas fofas, adora os meus gays. Que horror, acho que sou uma dona neste momento. Mas, por antes, já só estou a dizer merda. Um beijinho, e venham ver -me
ao vivo. Tragam cartazes, só a sabor. Pode ser com pipis, desenhados, vulvas, como já me aconteceu, dia 30 de abril, num Lisboa Comedy Club, em Lisboa, não sei ser ao vivo. Os bietos estão à venda, na Tic -A -Tlan. Beijinhos, até amanhã. Legendas pela comunidade de Amara .org
