#102 - Emagreci 10kg num mês. - podcast episode cover

#102 - Emagreci 10kg num mês.

Apr 01, 202418 minSeason 2Ep. 102
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Não sei se diga VIVA ao Ozempic e afins...

Transcript

Pessoas amigas, como é que vocês estão por acaso? Menti e estou a usar na mesma os fones que comprei para a rádio, eu fazia rádio até recentemente na antena 3 e como sempre, sempre que eu começo uma fase nova, gasto dinheiro novo, workshop de teatro, vou comprar uma mole skin, nova rádio, vou comprar uns fones, comprei estes fones que são um balúrdio, não para fones, já ouvi dizer que há fones muito mais caras, mas foi

uma centena de euros. Não, não, não são daqueles da Sony que há ali à venda e pensei que não fosse usá-los mais até voltar a fazer rádio, mas agora olhei para eles, eles olharam para mim, Joana, então precisas de Fontes, tens aqui uns fones bons, vais usar uns fones de merda só para nós, usares os fones de rádio e cá estou a usar fones da rádio. Vocês sentem diferença no som? Não, porque é indiferente. Para vocês, eu assim oiço melhor, que é o cúmulo do

egocentrismo. Estou a fazer um podcast sobre mim própria e pus uns fones bons, que é para me ouvir melhor enquanto falo de mim, para vocês ouvirem falar sobre mim. E ainda vou mais longe que é. Há um espetáculo ao vivo para vocês olharem para mim enquanto eu faço um podcast sobre mim, enquanto me ouço bem, porque vou ter retorno, não é? Obviamente é um espetáculo ao vivo.

Então, dia 30 de abril, no Lisboa comedy Club, em Lisboa, pronto, que também faz sentido, vocês provavelmente não saberão, porque não são assim tantos os artistas que andam a ouvir os podcasts uns dos outros, ou que pelo menos que o admitam.

Mas quando se tem um espetáculo à venda, é super enervante, no sentido em que o ser humano muito mais nesta sociedade quotidiana, em que tudo acontece tão rápido e precisamos tanto da validação externa, estamos sempre à caça de formas de coisas, de eventos que validem os nossos medos, ou então à caça de de de uma dopamina. Não é que nos faça sentir momentaneamente satisfeitos. E a venda de bilhetes é um bocadinho. Isso sendo que eu estive a ler a

biografia. Funny life to the mackentire depois eu falo um bocadinho disso que vocês estão loucos para saber, fala. E ele fala ali sobre muitos, muitos problemas de fé que que teve ao longo da sua carreira, falta de autoestima ou síndrome de impostor e não sei quê. E quando temos um espetáculo à venda, é muito normal que consultemos as vendas dos bilhetes pelo menos 2 vezes por dia, ou, se formos mais doentes, várias vezes ao dia.

E então, sempre que há uma venda de um bilhete festejamos do género, isto está a ir bem. Isto é o que está, não sei quê, portanto, se vocês comprarem. O vosso bilhete agora eu quando me for deitar, eu vou estar a ver a bilheteira e vou pensar, pá, iá a Malta até gosta de mim, percebem? É mais isto é, é dinheiro, claro, mas validação.

É para isso que nós fazemos espetáculos e ainda falta um bocadinho para esgotar também falta um mês, mas comprem já o vosso bilhete, Lisboa comedy Club, dia 30 de abril, não sei ser ao vivo. Não sei se. Porque OBC? Quem fez o jingle foi o senhor noiserv. Muito grata, muito grata. Senhor noiserv é uma das coisas que me ajuda anão sentir tanto aquele síndrome de impostor ou a síndrome de impostor.

É que de vez em quando, conheço artistas bons que querem trabalhar comigo e prossegui bastante o noiserurf. E ele alinhou e ainda bem, olá, sejam bem-vindos a mais um episódio de não sei ser. Coloquei stories hoje de manhã a perguntar, que assunto seria da vossa preferência se falar de

excesso de peso? O de de vantagens de ser freelancer, freelancer, freelancer que é a Malta que diz podcast, podcast, podcast e. Então vou falar-vos sobre esta questão do peso, que desde sempre que foi muito, muito difícil para mim de lidar. Sempre me desde pequenina. E quando eu falo de mim, não quero dizer que não que eu seja especial ou que eu tenha sido diferente de vocês. Aliás, parte de do interesse que eu tenho em fazer este exercício é precisamente saber como é que foi convosco.

Para me sentir menos, menos alien. Mas desde pequenina que me debate muito com o excesso de peso e atenção que eu tenho noção que aquilo a que eu chamo de excesso de peso poderá ser considerado socialmente. Uma anedota, OK, eu não sou obesa, tenho excesso de peso, pronto. Excesso de peso não necessariamente para ter problemas de saúde, mas excesso de peso para conseguir ser mais rápida no desporto, para me sentir bem comigo mesmo. Para, sei lá, para.

É isso. Onde é que estão os parâmetros e não-sei-quê? Mas bom para vos contar um bocadinho da minha aventura. Eu sempre tive a barriga um bocado estendida, sempre tive a barriga um bocado de de bebé ao ponto de achar quando era mais nova que eu tinha uma barriga

gorda-hufa. E quando digo mais Nova Era para aí 6 anos, porque quando arrotava de propósito, engolia o ar e às vezes não arrotava então que o ar ficava todo preso na barriga e depois ter uma mãe que estava constantemente a dizer que eu estava gorda, que eu estava gorda, que eu não podia comer porcarias, que eu estava gorda não me não me.

Ajudou. E então criou-me ali um conflito entre, já que não consigo ser perfeita, fodam-se todos, vou comer aquilo que me apetecer e vou ser guarda à vontade, eram-me escondidas, as bolachas eram-me escondidos, os doces, o chocolate nem sequer era partilhado pela casa, era também

escondido. Eu, para comer alguma coisa à noite que não fosse o jantar, tinha de comer esparguete ou massa crua que por acaso vim a gostar, mas era o único hidrato que eu podia comer à noite, nem podia comer pão, nem nada, e era quando não era caçada a comerem, eh pá, olha para isto, que vergonha, não sei quê não precisas. Duro, duro, duro, duro e sempre. Fui muito, muito julgada,

julgada por isso. Quando deixei de morar lá em casa, quando voltava, era o primeiro comentário, a minha mãe também é do norte, a família é do norte também. Creio sair do normal, ser um desses desses comentários. E o primeiro não é quando se vê alguém que é, estás mais gorda, estás mais magra, mas tu tens comido e depois tentar para qualquer um dos lados, se estivermos mais magros ai.

Tens de ir comer lá a casa come mais um bocadinho que estás tão magrinha se tivermos gordos Ah, estás tão gorda, filha, o que é que tens feito assim? É um rapaz, te quer pronto, mas tupidas do caraças nunca tive. Sinto que nunca tive essa Liberdade de olhar para o meu corpo apenas como um corpo. Como algo pelo qual eu estivesse grata por funcionar. Talvez isso me tenha acontecido na gravidez, que foi do género pá. Não estava à espera de poder engravidar. Engraçado, mais ou menos, não

foi. Não foi, não foi bem assim, porque a primeira gravidez não fiquei muito grata, mas foi mais à frente, foi qualquer coisa com a minha, fui capaz de parir uma pessoa. Quando comecei a amamentar, Ah, o meu corpo funciona. Consigo amamentar na, na, na que não quer dizer que as pessoas que não consigam amamentar, blá blá, blá, blá, blá. Mas fiquei feliz por amamentar e acho que isso é positivo. Ter ficado feliz. Deixa-me em paz. Deixa-me em paz. Todos os que estão aqui é para calar.

Pronta. Então, nunca tive. Durante a gravidez, também estive um bocado a borrifar para o tipo de corpo que tinha ou deixava de ter, mas nunca pude usar croptops à vontade. Tinha sempre de estar a encolher a barriga. Nunca tive a barriga musculada. Apesar de sempre fazer desporto, EE sempre me deixou muito, muito triste isso e outros complexos físicos com nem.

Consigo falar sobre isso pronto a. E então sempre foi muito, muito complicado para mim sentir que não era boa o suficiente, que não não tinha um corpo bom o suficiente e. Isso foi duro e odiava tanto a

minha barriga. Eu já disse isto noutro podcast, mas pronto, noutro podcast que a. Cheguei a dormir com o cinto, com o cinto apertado na barriga, que era para me lembrar de encolher a barriga enquanto dormia, porque sobre algures que se tivéssemos sempre a encolher a barriga, que a barriga ficava com outro formato ou lá o que era? E, portanto. Duro, duro, duro, EE desenvolvi aqui 11 relação um pouco saudável com a comida, obviamente ligada à questão

emocional. Não é a comida, acho que é. Então, em Portugal eu não tenho muita consciência como é que é nos outros países, mas está muito ligado ao emocional. Não é alimentar os filhos, o amor que se tem pelos filhos. O festejo com comida, o doce como como um merecimento. E sempre que eu estou triste comigo, apetece-me comer até até não conseguir mais. Sempre que estou contente comigo, apetece-me comer porque mereço.

E raras são as vezes em que eu sinto que comemorar ou estar triste merecem a ação construtiva de comer melhor. Então tem sido complicado para mim. Principalmente agora estando com uma pessoa que eu considero bastante atraente também. Fisicamente é difícil. Era mais fácil quando namorava com um gordo. A pensar que se lixe apesar disto não dever ser o nosso foco, não é para cuidarmos de nós próprios, devia ser a nossa

própria saúde. Mas eu não sou hipócrita ao ponto dizer não, não eu ponho bonito é por mim, não é pelos outros, está bem, acaba por ser por ti porque ficas contente que os outros gostem, não, pá, não me lixem, nós vivemos precisamente neste sistema, nós somos seres. Relacionais não é. Portanto, é normal que nos baseamos um pouco na opinião dos outros para tomarmos determinadas atitudes. Vivemos em sociedade nhé, nhé, nhé, nhé, nhé, nhé, nhé. Agora tem de haver espírito

crítico. Que que eu gostava também de o utilizar um pouco mais. Tem sido complicado para mim nesta fase de readaptação, uma nova, um novo estilo de vida que que já era meu antigo, de comer melhor. Eu tenho muito aquela cena do segunda-feira é que é a segunda-feira é que é não, próxima semana é que é só mais este, só mais este. Ainda por cima descobri um

gelados. Não são os lados, são os iogurtes que são will ou lá o que é iogurtes em que se pode pôr merdas por cima tipo smarties e chocolate branco e não sei que pá, aquilo é uma eu sonho. Eu na minha cabeça digo, isto não pode ser assim tão calórico, isto é iogurte, por amor de Deus, pá, aquilo deve ser uma

bomba. Eu neste momento eu sinto que eu não tenho uma coxa, eu neste momento não tenho uma coxa, tenho um corpo que tem um pé na ponta, é o que se passa, tenho 2 corpos, não sei se deu para perceber, mas para dizer que estou estou larguinha para aquilo que eu que eu gostava. E mas não consigo, não consigo parar de comer. E quando penso, o meu pensamento é, não vou comer, não vou comer, não vou comer e fico com isto na cabeça durante horas até decidir, pá, vou comer. É o último.

Como fico a sentir mal, não devias, ter comido, não devias, ter comido, mas, mas depois passa até ao próximo momento, que será no dia a seguir, a dizer, come, come, não vou comer, come. Parece que o pensamento obsessivo com pulsão só pára quando eu fizer merda, que é quando me sinto já culpada ter comido e, portanto, nesse momento não me apetece o doce. Comer no dia anterior e pensar, Ah, ontem não comi hoje posso comer? Portanto, nunca há maneira de isto correr bem, nunca há

maneira. A única coisa que me tem motivado particularmente para não comer tanta merda é estar mais lenta no desporto, reparar que não estou a ir buscar tão bem as bolas no padle, que não estou a correr tanto, que estou a perder muitos pontos. E não é por uma questão de competitividade, é de sentir que a minha máquina não me está a favorecer de uma coisa que eu quero fazer.

Claro que comer muito açúcar e coisas do género não ajuda também em que pensemos bem, em que estejamos melhor da cabeça. Não é? Só que, neste caso é tão evidente que. O não comer bem me está a prejudicar, que eu não consigo negar de maneira alguma. E há aqui uma outra questão que eu vou desvendar. Vocês já devem ter ouvido falar dos empique, da sexenda, do

victosa. Eu tomei essas injeções, alegadamente, alegadamente, não para diabéticos, mas também para o excesso de peso, e perdi 10 kg numa semana, numa semana. Credo. Isto agora parece um anúncio. Não perdi 10 kg num mês. A fazer muito desporto. Praticamente não comer porque estava com enjoos e náuseas, não sei quê do efeito daquilo. E foi muito bom. Viver como magra foi maravilhoso. Deitei fora todas as minhas calças. 38. Comecei a usar 36. E 6 e às vezes estavam

larguinhas. Foi magnífico ver os sutiãs a ficarem mais folgados, comprar tops, deixar de ter braço assim mais camiona e passar epá. Eu falo com o preconceito que eu tenho em relação a mim próprio, que não quer dizer que eu tenha em relação a outras pessoas ou que abomine outro tipo de

corpos. Estou a dizer aquilo que sinto em função daquilo que sou e da das crenças que me foram implantadas, claro, pelo marketing, pela sexualização da mulher, pela visão distorcida que o mundo da moda trouxe. Mas. Também, claro, por. Por me sentir bem comigo própria, nem tudo é doentio, não é? E?

E pá. Senti-me nas nuvens, deitei fora as minhas calças, como eu estava a dizer, só tenho calças de 36 agora, e daí andar sempre com jardineiras, porque é a única coisa que me cabe, e deitei, deitei as outras calças fora, calma, vendi Na Na vintad, mas foi muita fixe. Eu lembro-me que houve uma determinada altura que estava magra, ao ponto de estar estar deitada de lado e sentir um joelho a tocar no outro o osso e também se há de fogo. Eu estava mesmo obesa para não sentir.

Um joelho a tocar no outro. EE, como? Por causa do os empique e da sexenda. Eu senti isso agora. Sinto-me mais gorda ainda do que senti antes. E não se e não não me está a fazer bem à cabeça. Honestamente, não me está a

fazer bem. Existe também aqui um efeito que já existe normalmente no corpo, que é quando se perde peso muito rápido, o corpo entra em estado de emergência e quer compensar a ausência de peso porque julga que estamos a passar fome com uma maior procura, uma maior demanda de de nutrição e alimentos e, portanto, ficamos muito mais sofregos a comer e depois ter perdido 10 kg. Obviamente que o meu corpo entrou em ai, caralho. Aí que eu vou poupar tudo

caraças pronto e eu aceito isso. Mas ei, tem o microfone que me caiu, Jesus e mas estou estou a lidar agora com esse processo e surgiu-me agora 11 raciocínio para encaixar isto que quem quem sofra desta questão, como eu, nós sentimo-nos, acho eu mestres, a enganar-me-nos, eu eu consegui enganar-me a dizer, Oh, 3 é saudável, é arroz e é carne. Por amor de Deus, não como o molho todo pronto. Ou seja, nós conseguimos arranjar sempre maneira de de nos sentirmos menos culpados de

do quer que seja. Mas arranjei agora uma maneira que me parece até até ter bastante aceitável e que o meu psicólogo concordou. Que foi. Eu tenho que ser empática comigo mesma, a saber, sabendo que isto é um coping mechanism que eu tenho, ou seja, neste momento não fumo, não nada, portanto, ando a passar por uma fase diferente de adaptação que me deixa nervosa, não é? EE, portanto, pronto, estou a comer mais. É uma fase diferente, estou-me a adaptar.

Depois, quando estiver melhor, estarei melhor, farei melhores decisões, que não é. Não é preciso estar a ser perfeita todas as alturas. E o que é que significa perfeição? Eu estou consciente das parvoíces que eu estou a dizer, estou só a falar de de forma livre para não estar aqui sempre com parentes, OK? Mas pronto, não tenho que estar a puxar tanto por mim. É a comida, é ser a melhor mãe do mundo, é ter conteúdos na net. Está presente, não sei quê.

Fechar propostas. Ser amiga, ser uma melhor namorada pá pronto, engordei caraças ando a comer merda, anda a comer merda, apetece-me comer merda como merda tenho só que me certificar que não estou a fazer isto para me punir de alguma coisa. Já faço terapia e portanto é isto. Por outro lado, pá, estou de fato de treino apetecia-me estar não é, estou mais para o confortável que não tem mal nenhum. Mas eu gostava de me voltar a sentir magra e por isso.

Estou muito perdida ainda no meio desta questão do Pedro. Mas sinto que estou a fazer um caminho de entendimento. EE eu sinto que esta questão da empatia por mim própria, por causa desta fase, é diferente do estou-me. A cagar é mais um Joana tem calma, não, não estiques a corda para todos os lados, e eu acho que isto é positivo, apesar depois de crescer para todos os lados, não estou a esticar a corda para todos os lados. Vem o verão e é pá.

Eu não sei, acho que eu não me quero estar a cagar, porque se não sei que isso me leva mais longe. Que isso me faz ter menos cuidado? Mas eu gostava de passar a comer melhor por amor próprio e não por pressão estética. EE agora vocês perguntam as mais coisas, então porque é que não fazes pelas 2? Porque é que não começas? Primeiro pela pressão estética e pelo facto de comeres melhor, a cabeça vai ficar melhor e,

portanto, ganhas. Amor próprio é difícil e há pessoas que continuam a achar que isto é só uma questão de mentalização, não é só uma questão de mentalização, tipo, o vício do jogo, não é uma questão de mentalização do tabaco. Ah, mas às vezes é, às vezes não. Pá deixa-me em paz, eu é que me quero deixar em paz, porque a partir do momento em que eu me deixo em paz, tudo aquilo que os outros digam ou penso, ou pensem, ou quer que seja, deixa

de me importar tanto. Mas. Estou a lidar e acabei de embarcar um grande geleirão. Daqui a uns sinto-me mal. Sinto, mas amanhã? Amanhã é que é. Difícil.

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