Você está ouvindo o história FM? Imigração no sul do Brasil, aquele tema que é bastante discutido e muito distorcido para se criar mitologias de superioridade solista e coisas do tipo. Esse é o tema de hoje do história. FM, eu sou ícles Rodrigues e para falar com a gente sobre esse assunto, convidei mais uma vez aqui conosco o professor Paulo piano Machado, a quem eu passo a palavra pra se apresentar para vocês. Então, Paulo, seja muito bem-vindo, fique à vontade pra
se apresentar para o pessoal. Muito obrigado pelo convite e eles ficam honrado em poder participar novamente. Então podcast, meu nome então é Paulo Pinheiro Machado. Eu sou professor do departamento de história da UFSC. Leciono aqui na no curso de história da graduação e no programa de pós graduação também é o meu. Meus temas de pesquisa são sobre.
O campesinato brasileiro e mais é ultimamente sobre a guerra do contestado e o mundo do campesinato, é nacional brasileiro no Planalto meridional. Então é isso, gente, vamos entender um pouco mais esse processo de imigração, os seus meandros, depois que eu dou um recado para vocês. Estamos de volta. Depois de um breve período de férias, que começou ali em dezembro e terminou agora em fevereiro, nós estamos de volta com episódios regulares do stor FM.
Quer dizer, a gente tinha os Drops, né? Rolando, mas agora. História FM de volta no seu formato tradicional, do jeito que vocês gostam, e tudo isso graças ao pessoal que colabora com a gente em apoia.se barra obriga a história. Nós tivemos é vários novos apoiadores desde final de dezembro até agora, mas perdemos mais apoios do que recebemos, o que é meio normal nessa época do ano e vamos torcer que a gente continue mantendo a base de
apoiadores estável. Mas para isso eu preciso contar com a sua colaboração e você pode fazer isso a partir de qualquer valor a partir de 2 BRL por mês, que é menos que o preço de um miojo de acordo. Com os 2 mercados que eu vou aqui na minha cidade e os nossos novos apoiadores e apoiadores são, Fernando Domingues, Luana Corrêa, Leonardo Batista, Pablo vialli, Sérgio Porto, Guilherme castanholi.
José neto, Fábio Antunes, Lucas mizzusaki, Laura Barbosa, André Domingues, Tiago Ribeiro, Paula Queiroz e Tam Cruz, Gustavo ferroni, Flávio Figueiredo, Diego Valadão, Lucas Maciel, eniandra, Donato r rbapp, Aline Santos, Pablo Garcia, Daniel Corrêa, Rosângela Ferreira, Gabriel Guilherme, Gabriel Ferreira, Adenilson Rodrigues e Jéssica Michels. Muito obrigado pessoal. É graças a vocês que esse programa existe e se você quer apoiar também, o link está aqui
na descrição desse episódio. Apoia.se barra, obrigado. História no link você consegue ver todas as recompensas, beleza? E agora chega de papo e vamos para o episódio. Boa noite. Você sabia que de cada 100 brasileiros, 15 são filhos, netos ou bisnetos de italianos? No Globo repórter de hoje, 140
anos de migração italiana. Apesar do título desse episódio ser imigração no sul, a ideia aqui é falar da imigração europeia, de como ela ajudou a consolidar toda uma mitologia política de superioridade cultural e social no sul do Brasil, que a gente sabe, né? Quem é da história sabe que isso é uma falácia. Mas de qualquer modo, o sul, ele não começa com esses imigrantes, né? Então você poderia explicar pra gente.
Qual era a configuração social e política do sul do Brasil antes desse fluxo mais massivo de imigrantes europeus? Acho que principalmente século 19, né? Então é o sul do Brasil. Era uma região é predominantemente de pecuária, né? Se a gente fosse considerar as regiões mais interioranas, né, do Rio Grande do Sul, do Planalto catarinense, dos Campos Gerais, do Paraná. Era uma região dominada pela
pecuária extensiva. É também pelo comércio de mulas que abastecia a feira de Sorocaba, EOEOE as regiões centrais do Brasil, é e no litoral a gente tinha 11. Atividade Pesqueira já bastante importante desde o século 18, não só da pesca da baleia, mas de de outros peixes e tudo mais, né? Então assim é. A gente tem uma sociedade tão tradicional, colonial brasileira, mas muito ligada ao abastecimento do mercado
interno. Não só de bulas, mas também de charque e outros produtos da pecuária que tinham como objetivo principalmente o abastecimento do mercado interno brasileiro. E também há durante o período colonial e antes da chegada dos imigrantes europeus de outros países, há também uma colonização.
Açoriana, né? Uma colonização de portugueses provenientes dos Açores e de algumas outras vilas de Portugal, que vão formar também unidades de pequenos produtores de gêneros alimentícios ao longo do litoral, principalmente do do do Santa Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, né, né? Do Rio Grande do Sul, na região da Lagoa dos Patos e do vale do Rio é Jacuí, Guaíba, né? Então, são regiões também onde pequenos e médios proprietários açorianos vão se assentando no
final do período colonial. Então assim é frequentemente a historiografia considera até a colonização europeia quase que com alguma continuidade com a colonização açoriana que tinha acontecido antes, né? E tem de fato algumas semelhanças, esse é o sul do Brasil, né? Oo são províncias, né? Muito pobres, muito pouco povoadas também, né? No geral, em comparação com o Rio, Minas, Bahia, Pernambuco, né?
É, mas já tinha, né, 11 número significativo de trabalhadores escravizados, mesmo nas regiões de pecuária. Aqui a gente tem dados de Lajes de Alegrete e dos Campos Gerais do Paraná, que entre 20 e 25% dos trabalhadores Na Na pecuária eram trabalhadores escravizados, africanos ou nascidos no Brasil, né? Mas eram é, é juridicamente escravizados. E há também uma grande população de libertos, né? É?
E filhos de escravizados ou libertos em vida também, que compunha muito mais do que esses 2530 por cento. Então, assim, a gente tinha uma forte população nacional livre no sul do Brasil. Além de indígenas destribalizados, muitos provenientes tanto de do troperismo, Paulista, Tupi, Guarani de lá, né, como dos indígenas remanescentes. Das missões jesuíticas na região do do Rio Grande do Sul. Esse povo todo meio que vai se mesclando no sul do Brasil, né? E formando 11 população
nacional. Muito se fala sobre como esses imigrantes vieram para cá fugindo de guerra, de fome. Genericamente falando, a gente ouve muito isso, né? Porque eles, os dos antepassados, fugiram da guerra da fome e tal. Mas você pode explicar pra gente que eventos mais específicos estavam acontecendo na Europa que incentivaram essas pessoas a virem para o Brasil? Esses fluxos migratórios mais intensos, né? Porque beleza, guerra, mas qual ou quais?
Ou fome por quê? Então, se você puder explicar um. Pouquinho. Então é, são diferentes levas, né? São diferentes ondas de imigração, né? A gente tem ali, por exemplo, no primeiro reinado no Brasil, é uma vinda de colonos alemães, ou vindo de estados que mais tarde fizeram parte da Futura Alemanha, né? Porque na época na Alemanha não existia como estado nacional. Eram vários principados, pequenos reinos, né?
Em cidades independentes, mas essas pessoas que vêm do norte da atual Alemanha, muitos eram veteranos das guerras napoleônicas e são contratados pelo Império como soldados para lutar na guerra cisplatina. Então é uma figura que é chamada já na época. É pelo pelo, por por Pedro primeiro e por sheiffer, que foi um dos arregimentadores desses colonos. É de colonos, soldados, eles eram já assim chamados, então eles vinham com as suas
famílias. As famílias se estabeleciam nos lotes coloniais, em regiões como São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, é São Pedro de Alcântara, aqui em Santa Catarina, que é de 1829, ainda do primeiro reinado, né? É rio Negro e outros São Pedro de Alcântara, em São Paulo também. Então são colônias que vão se criar com soldados, colonos, né? Então era uma época que a rubrica de colonização. Que existia no orçamento do Império, era usada pelo imperador para a contratação de
soldados, né? E esses soldados, no contexto do primeiro reinado, eles eram fundamentalmente importantes para o porque o Império tinha dúvidas quanto a tropa do exército, né? Ou seja, a tropa do exército brasileiro, ela era muito turbulenta, vamos dizer assim, no mínimo, né? Politicamente turbulenta. A professora gleyde Sabina Ribeiro, lá da Universidade Federal Fluminense, estudou até vários. Conflitos, né? Da tropa No No Rio de Janeiro,
né? Onde os oficiais, em grande maioria dos oficiais do exército, eram portugueses natos, né? Mesmo tendo aderido à Independência do Brasil, eles diziam que era uma tropa haitiana, né? Ou seja, que. Poderia levar a um levante semelhante ao que aconteceu em São Domingos, no Haiti, Na Na revolução haitiana, que você já tem um episódio sobre isso até, né?
Então, assim, esse esse temor ao haitianismo fez com que ao o Pedro primeiro se fosse estimulado a criar alguns batalhões com imigrantes estrangeiros e ao longo do primeiro reinado, são praticamente 10000 soldados que vem trazendo suas famílias. Aí um contingente então seria bem maior, né, para essas. Diferentes colônias no caso de São Leopoldo, no Rio, no Rio Grande do Sul, foi a maior
colônia dessa fase, né? Porque foram praticamente 5 anos de. Entrada sucessiva de lotes de colonos na região de São Leopoldo. Que depois, né? É ganhou uma dinâmica própria, porque aquele grupo foi se nacionalizando, formando uma segunda, uma terceira geração, e foi até ajudando a assentar os novos colonos que chegavam depois, né?
Então, assim, mas mesmo em 1850. Quando tanto no Rio Grande do Sul como Santa Catarina e Paraná se estimulam colônias particulares e colônias provinciais, também vem um grupo de soldados, né? São os bloomers. Os bloomers. Eles é, tinham lutado nas guerras da prússia contra os estados alemães. Eram veteranos de guerra e vão ser também. Brasildos para o Brasil. Vários desses bloomers vão lutar na guerra do Paraguai. Também em número menorzinho, né?
Do que a maioria nacional que compunha o exército brasileiro na guerra do Paraguai, mas a presença de a busca de colonos. Ela estava ligada também a essa preocupação com o uso militar do colono, né? É EE, portanto. Para o Império era era era até interessante trazer colonos com uma certa experiência militar então AAAA Europa ao longo do século 19 tem muitas guerras, né? Para o primeiro reinado, era importante para os agenciadores contar com veteranos das guerras napoleônicas.
E mais mais para o final do século, como é a imigração, vai virando um fenômeno de massa, vai diminuindo esse, essa preocupação com colonos militares e vai aumentando a preocupação em trazer. Colonos que sejam camponeses, né? Que tenham. É que venham do meio rural, do meio agrícola, né, para que sejam assentados. Então, num primeiro momento, a gente sempre tem que pensar assim, a passagem transoceânica até 1850 é. Ela era muito cara.
Então isso impediu uma imigração de massa para o Brasil antes de 1850. Isso só foi viabilizado com a generalização da navegação a vapor e o barateamento dos frestes e dos preços de passagens. Então, assim os os navios começaram, começaram a carregar uma tonelagem muito maior de mercadorias e um número muito maior de passageiros. E aí foi possível baratear as
passagens. Que inicialmente eram pagas pelos colonos e depois, a partir dos da década de 1870, 1880, o Império passou cada vez mais a subsidiar as passagens desses imigrantes. Então, não são, é sim, eles são. Eles vêm pela guerra, mas é a fome, é uma fome irrelativa. Também há ondas de fome na Europa. A década de 70 é há um caso muito Sério no norte da Itália. Que é uma região que sofre uma crise agrária muito importante.
E esse é o eu, particularmente, estudei bastante na minha dissertação de mestrado, né, que é o caso. É é um caso estudado até por uma por um inquérito feito pelo Senado italiano, né? E que resultou num num relatório bem minucioso sobre a crise agrária no norte da Itália. É, são as atas da da junta da inquiesta agrária, né? Que é um essa investigação feita pelo Senado, então? Então o Senado vai chamar atenção no relatório, né?
Para pequena para fragmentação da propriedade camponesa, que chegou a um a um máximo de fragmentação, né? Que é, são eram famílias muito grandes, que viviam em poucos hectares de Terra, então dependiam cada vez mais do trabalho assalariado externo desses camponeses, né?
Que muitas vezes se urbanizavam e se transformavam em trabalhadores urbanos ou Mineiros, ou iam para outras regiões da da. Da Europa, como imigração temporária é, então há sim crises de abastecimento, há fome, mas assim é em alguns depoimentos de imigrantes e correspondências que eu estudei na época, é, existia 11 problema Sério para a família camponesa, principalmente aquela da do norte da Itália, que estava sob ainda domínio austríaco.
É que, quando um camponês, ele era recrutado para o exército, o exército austro húngaro, por exemplo, a família, não só. Perdia braços pra pra Terra, né? Pra pra lavoura. Mas também além de perder um trabalhador em idade adulta jovem, né? Um soldado de 181920 anos tinha que também fornecer para o exército um enxoval para esse soldado, né? Ou seja, eram recursos destinados a comprar farda. É bota armamentos e tal, que tinham que ser fornecidos pela família também.
Então, há muita queixa sobre isso. E há queixa também sobre o tipo de tributação que é feita sobre a população. Na época da unificação italiana, porque antes aquelas regiões estavam mais acostumados a viver do norte da Itália, né? Estavam mais acostumados a viver sobre o domínio francês ou o austríaco. Ora variava um, ora outro, mais forte e tal, né? Ao longo dos das décadas anteriores, a unificação da.
Mas aí o que acontece é que com a criação do Reino da Itália e a unificação do país, há uma mudança da tributação, né? A antiga tributação, que era por cabeça é por chefe de família, na verdade era Oo imposto chamado pestático, que era o imposto até relativamente baixo, mas era meio que universal, assim geral para todos os chefes de família. Ele mudou para o macinato, que era o imposto sobre a moeda de cereais. Então, quando Oo camponês IA.
Moer o seu trigo, o seu milho, em poucos dos moinhos existentes, né? Ali ele era tributado pesadamente pelo estado, né? Então foi um processo de acumulação para para o desenvolvimento, inclusive para arrancada do desenvolvimento industrial do norte da Itália, que foi em grande medida subsidiada com essa tributação ao campesinato. Então é isso? Isso acabou fazendo com que muitas famílias passar pensassem
seriamente. Em deixar de praticar aquela imigração temporária para trabalhar em outras regiões. E pensar na imigração é definitiva, né? Que é AA imigração transoceânica naquele período, os europeus, eles queriam ir para um Novo Mundo, mas não para trabalhar como assanariados, certo? Acho que é. Na maior parte deles, eles queriam.
É, e pensavam, existia um cálculo, vamos dizer assim, subjetivo que é assim, olha, eu eu vendo aqui o meu, o meu pedaço de Terra que eu tenho na Itália, que são 1 ha e meio, 2 ha, um pedaço muito pequeno de Terra, mas com esse valor eu consigo adquirir no Brasil uma colônia de 2550 ou até 75 ha, né? Então ele podia ter.
Nesse processo, uma ampliação do espaço agrícola e uma possibilidade que seus filhos e seus netos teriam também de continuar reproduzindo a situação camponesa num outro continente, com a Fronteira aberta, como era dito naquela época, é só teriam que ter cuidado com feras indígenas. Essas coisas que já eram é relatadas aos imigrantes. Então, assim. Nas décadas de 1000, 1870, 1880, o Brasil, a Argentina, os Estados Unidos, a Austrália, o Uruguai e é. E o Chile eram países, né?
De grande destino para esses imigrantes europeus. Agora é a partir da década de 1880, a Fronteira agrícola norte Americana já está praticamente esgotada. É ocupada por. Farmers, né? Por por imigrantes que acabaram adquirindo as terras lá a preços muito baixos, né? Enquanto que a Austrália era visto como uma Terra muito bravia, insalubre, com problemas, né? Então, e a Argentina era um ponto de atração, mas o Brasil passa a ser um ponto de atração
importante, né? Então é tanto o efeito da propaganda como por parte. É de alguns pioneiros europeus que tinham chegado por aqui e que publicam esses relatos na Europa. O Brasil, principalmente o sul do Brasil, porque é uma região de clima não tão quente quanto AO quanto o Brasil central e do norte, é isso. Aparecia nos textos da época como um lugar é interessante para o destino de colonos europeus.
Agora a gente, se a gente for pensar naquela crise agrária dentro da. Da Europa, que está empurrando esses camponeses para a imigração. A historiografia europeia mostra, né, que a essa crise
agrada. Ela começou no norte da Europa, na primeira metade do século 19. Então a Alemanha, os países nórdicos, a própria Grã Bretanha, vão ser grandes expulsores de. Camponeses durante esse primeiro primeira fase, a na segunda metade do século 19, a partir de 1800 e da década de 1850, essa imigração e essa crise agrária também vai se deslocando para o sul da Europa, né? Regiões como Itália, Espanha, Grécia, Portugal vão ser também aceleradores, né? No fornecimento de de
imigrantes. Então assim, essas ondas migratórias. Elas seguem um pouco o processo de crise agrária que é provocado pela introdução do do capitalismo no meio rural, né? É que implica no cercamento dos Campos, implica na no fim da dos laços comunitários e na e no código, na aplicação do código civil e na ideia de propriedade individual da Terra, que leva tempo para se consolidar na
Europa continental, né? Olha que a insider tem as roupas mais confortáveis do mercado, com altíssima qualidade, melhor dissipação de calor, desamassa sozinha no corpo, não desbota e tem várias outras vantagens. Quem é o ouvinte de história FMEO? Ouvinte regular, né?
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era abundante no sul. E eu sei que uma das questões tem a ver com branqueamento e tal, mas essa questão do branqueamento eu vou trazer depois aqui. Eu queria focar nessas questões em teoria, mais fronteiriças e materiais, né? Quais seriam as razões do Império e até da República depois querer esses imigrantes aqui? Olha, há uma preocupação, né? Em fazer com que o país tenha, né?
Um abastecimento de alimentos mais regular a história da alimentação e do abastecimento no Brasil mostra desde o período colonial. Várias crises de abastecimento, né? Principalmente nessas regiões de de plantation de exportação, né? Quando produtos como o açúcar, o algodão, o café e outros, né? Acabavam tomando conta dos interesses principais desses proprietários, né? E descuidavam muito, né, do do da agricultura de subsistência, né? E essa agricultura de
subsistência? Ela é própria de um. Campesinato é médio ou pequeno, né? Que não está ligado ao mais, ao não diretamente ao circuito Internacional de comércio. Então assim é, era, é era interesse do Império a formação de um campesinato em áreas que não fossem interessantes ao latifúndio pecuarista. Então, assim, as regiões de introdução das colônias de imigrantes europeus no sul do Brasil é. Eram frequentemente regiões de matas que não eram interessantes
ao latifúndio pecuarista. É então assim, havia também uma preocupação com a consolidação de Fronteiras, né? Durante muito tempo é Oo governo central do Rio de Janeiro é, teve. É um temor, né, de perder essa região do sul para os vizinhos. É de língua espanhola, do prata, né? Então, assim, AA consolidação da ocupação territorial, ela poderia ser feita também através dessa colonização, né? Que traria?
Não que a região fosse despovoada, mas é que traria uma população sedentarizada, mais obediente ao Império. Tem alguns ministros da agricultura fazem referência a isso, né? Dizendo que por mais. Desassistidas que fossem às colônias, é, elas tinham uma incrível fidelidade a figura do imperador como sendo alguém que podiam apelar em casos de calamidade e tal. Então, para o Império era interessante ter dentro das províncias um grupo também de confiança, além do que também
essas colônias são. Locais importantes para o recrutamento militar e no caso da igreja, era interessante para o recrutamento de quadros da igreja também. Na época, a igreja era ligada ao estado do Império, né? Então era era quase que uma questão estatal isso. Aqui vem mais uma questão do tipo que que veio primeiro, né?
Eu, ovo ou a galinha? Mas talvez a minha pergunta seja mais fácil de responder do que isso, que é o seguinte, esses imigrantes, eles começam a ver o Brasil como uma possibilidade interessante e, vendo esse fluxo, o governo do Império. Resolveu aproveitar essa imigração, intervir para facilitar ela ou foi um outro processo? Foi o Império que ativamente se esforçou para ir atrás desses imigrantes lá mesmo na Europa, de alguma forma. E só aí o fluxo começou a ser maior.
É isso é algo que a historiografia consegue responder. Olha, é, a historiografia acaba considerando que aconteceram esses 2 processos, eles aconteceram meio que de forma concomitante, porque há uma imigração espontânea que ela é bem pouquinho numerosa. Mas ela é qualitativamente importante, né? Depois eu vou, vou explicar melhor isso. E a depois da década de 1870, migração em massa, onde ela é já claramente dirigida pelo governo ou através de empresas
contratadas pelo governo, né? Como foi o caso daquela firma Caetano pinto e irmãos, né, que fez 11 tratado de introdução de 100000 imigrantes. É com o Império no início da década de 70. Então, assim, os imigrantes é. Normalmente é difícil de lidar com esse assunto porque a gente sempre trata com uma historiografia de corte étnico bastante pronunciada, né? Então, se a gente vai ler.
Texto sobre a imigração alemã, a imigração italiana ou de poloneses, ou de japoneses ou de ucranianos, seja lá qual for a nacionalidade, né? É, existe meio que um roteiro heroico que anima essa historiografia, né? É a ideia de que eles foram enganados, que foram trazidos por uma região inóspita, né? É, foram atacados por indígenas, sofreram todas as carências, mas depois venceram através do trabalho e tal. É, não foram enganados, né?
Os imigrantes, frequentemente, o que que eles faziam eram famílias grandes, que mandavam jovens na frente. No caso que eu estudei das colônias de. Caxias e Bento Gonçalves e Conde de do Rio Grande do Sul. Várias famílias mandavam filhos jovens de 2025 anos na frente. Esses filhos depois começavam a mandar correspondência e dizer para a família quem que devia vir primeiro, quem que devia vir por último e o que que deve cada um deveria trazer na bagagem.
Eles diziam assim, olha, tragam na bagagem todo o trem de cozinha, tá? Tragam ferramentas que aqui elas são caras, tragam tecidos que aqui são muito caros. Agora não tragam alimentos, não tragam outras coisas que vão estragar no caminho não presta e tal. Cuidado com os agentes no Porto de genova que são todos os ladrões vão te enganar, vão tirar o teu dinheiro e tal.
Procure conduzir um outro grupo de colonos que aí você vai ter AA passagem gratuita se você for o condutor e eles dão várias dicas assim que aparecem. Como a imigração era um risco calculado de certa forma e não propriamente 11 pulo pulo escuro, né? Era um risco calculado que às vezes podia dar certo, outras vezes podia ter problemas, né?
Mas frequentemente a. Acompanhando pela correspondência dos colonos, dá para ver que existia uma mútua influência entre a iniciativa dos colonos em ter. Porque eles são empurrados, né? Pelos seus países, pelas suas sociedades, pelas crises econômicas que viviam naquelas regiões, né? Eles são meio que empurrados para cá, mas eles não vão se se jogar para qualquer país sem antes fazer uma avaliação. Então há agentes brasileiros que precisam também na Europa, combater.
A propaganda norte Americana, porque a propaganda norte Americana das companhias de colonização e de navegação que faziam esse esse transporte de colonos para os Estados Unidos, contavam com um poder muito maior de convencimento, já que a passagens era a metade do preço, né? E além de dizer que no Brasil ainda era vigente a escravidão, que os colonos podiam ser escravizados, há 11 exploração até exagerada, né? Daquele episódio da fazenda em beca. Acaba que acontece em São Paulo.
É na década no final da década de 1840, né? É. Foi uma experiência de vinda de colonos suíços, introdução desses colonos suíços em fazendas de café, do senador Nicolau dos Campos Vergueiro de São Paulo, né? Um senador português. Ele era um português de nascimento, mas era senador pela Capitania, pela província de São Paulo. E ele. Criou uma firma de importação de colonos e introduziu 2000 colonos suíços na sua fazenda,
né? E aquilo acabou numa época que os colonos ficaram muito endividados com a passagem transoceânica e depois ficaram mais endividados ainda no Barracão da fazenda desse. É Nicolau Vergueiro, né? Da Safira, é uma Vergueiro. E aí acaba havendo 11 grande insurreição, né? Quem é a revolta dos colonos da
fazenda de bicaba, né? E isso repercutiu muito quando foi publicado na Europa, em 1850, um livro de um colono suíço, Thomas dabat, chamado memônias e o colono no Brasil, o Thomas dabat era um colono professor, né? E. E que relata todas as formas de exploração, inclusive os maus tratos que eram feitos pela fazenda do Nicolau Vergueiro, então, na época, até na Alemanha, alguns jornais começaram a publicar charges.
É de é colonos brancos trabalhando na agricultura no Brasil, sendo chicoteados por feitores negros, né? Ou seja, para criar assim 11 choque na naquele público, né? E mexendo até com. Com o racismo da população europeia, né? Olha, você pode ser chicoteado por negros se for para o Brasil e tal, então houve até 11 operação do governo da prússia em desestimular a vinda de colonos para as províncias do norte e do centro do Brasil. Era o rescrito de fonhead nesse decreto, né?
Ficou definido que as companhias de navegação? E fizessem esse comércio de colonos nesse transporte, né? De colonos alemães para o norte e o centro do Brasil, elas perderiam as isenções tributárias e alfandegárias que elas gozavam nas cidades do norte e da Alemanha, né? Então. Mas isso não vigorava para as províncias do sul, no caso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e, em certa medida, também Espírito Santo,
ficaram de fora dessa medida. Então, assim, respondendo a tua pergunta que veio antes, o ovo ou a galinha? Eles vem meio que juntos, né? Há tanto a vontade do do Imigrante fazer e conhecer a nova novo país, como também depois, mais predominantemente perto do final do século, né? Um forte investimento do governo. Em propaganda e agenciamento de colonos para o Brasil.
Um dos argumentos que é usado para destacar a imigração do sul como algo excecional é a ideia de que essa colonização aqui foi mais eficiente porque os trabalhadores eram mais esforçados e coisas do tipo. Mas diferente dos historiadores contestam isso, né? Então eu queria te perguntar é, como é que você deu essa imigração, essa ocupação de território? Por que ela trouxe benefícios a esses imigrantes que os imigrantes de outros lugares não necessariamente tiveram? Porque no começo desse.
Fluxo, esses benefícios não eram dados. Isso foi uma coisa que veio depois, né? Pelo que eu entendi, como é que foi a cronologia disso, dessa questão de benefícios para imigrantes no sul? Bom, como eu falei, né? Antes, são diferentes ondas migratórias, né? No primeiro reinado, aqueles colonos, por exemplo, que foram para São Pedro de Alcântara, aqui e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e. Eles tiveram terras doadas pelo estado, então não eram nem
vendidas. Era antes da lei de terras, né? É, e eram Datas de até 70 ha por família. Há algumas colônias que nos relatórios dos presidentes de província e dos ministros, eles vão chamar de fracassos. É como a colônia de Torres, Três Forquilhas e São Pedro de Alcântara, que tem lá em Torres, no Rio Grande do Sul. Mas eu fui ver direto. Mas o por que que fracassaram, né? É o fracasso.
Era uma conclusão dos presidentes de província, mas não era exatamente uma conclusão dos colonos, porque os presidentes de província diziam que os colonos tinham se acaboclado. E, portanto, adotado, né? O mesmo modo de vida das populações nacionais que viviam naquele território, então acabava não oferecendo aquele enxerto europeu modernizador que eles esperavam. Mas é uma forma negativa de se ver essa experiência.
O acabocamento pode ser visto também como uma forma de integração desses colonos à sociedade brasileira. E isso a historiografia vem revendo, né? Esses casos de fracassos entre aspas, né? É de colônias, mas mesmo aquelas que eram relativamente bem sucedidas, elas eram extremamente pobres durante todo o século 19 e boa parte do século 20, essas colônias. Elas eram muito, mas muito pobres.
Não quer dizer que eles passassem fome, porque eles tinham até uma certa abundância de alimentos, né? Porque eles produziam esses alimentos, criavam pequenos animais, galinhas, porcos, patos e tudo mais, né? Tinham uma agricultura de subsistência e tal. Mas o problema? Era a renda da colônia, né? Era OA venda dos excedentes coloniais, sempre era
atravessada por comerciantes. É açambarcadores, né, que muitas vezes eram alguns colonos mais ricos que se transformavam em comerciantes e esses sim acendiam socialmente, enquanto que aqueles colonos que estavam lá na Terra viviam um processo de. É, é bastante pobreza, né? A pobreza é porque eles não tinham um tostão no bolso. Eles podiam ter os alimentos, podiam ter lá sua subsistência
garantida. Mas cada vez que eles precisavam comprar 1 m de tecido, um pouco de sal, algumas mercadorias que eles não fabricavam, que eles não produziam na nos seus lotes, né? E. E aquilo que equivalia a muito trabalho, a muito produto da sua lavoura para poder é ter acesso a esses produtos frequentemente. Até esses colonos nem conseguiam pagar para os seus lotes. No caso das colônias oficiais, é a partir de 1850 essas colônias oficiais vão ter lotes. Que são vendidos pelo Império a
preço até baixo. Não era um preço muito alto, mas mesmo assim os colunos não conseguiam pagar dentro do prazo. Mas nem por isso foram os pulsos de suas terras. Então há, há, há. Há diferentes situações, né? As famílias, quando chegavam, ela não tinham que se esfalfar em abrir o Mato, e abrir o Mato implicava também num processo. Semelhante a agricultura tradicional brasileira, que é a derrubada, a queimada da mata,
né? EAEAE uma primeira e uma segunda lavoura, que são feitas ainda em cima dos tocos em brasa que jaziam sobre o chão, né? É diferente, completamente diferente da agricultura europeia, praticamente uma agricultura indígena que eles vão ter que aprender para sobreviver as casas dos colonos. Até século 20 adentro, frequentemente eram casos de pau a pique com telhado de
Palmeiras, né? Tal como eram as casas dos caboclos e da população nacional brasileira, da população pobre, do meio rural, leva muito tempo para se introduzir construções de alvenaria de Pedra, o uso do vidros em janelas. Isso é coisa do século 20. No século 19, só pessoas muito ricas é que podiam fazer isso. Então, assim, acho que é um, é um. É um dado importante, né? Dizer não, não que eles não se esforçassem e não trabalhassem,
né? Mas eles trabalhavam no mesmo ritmo e no mesmo processo de trabalho que era desenvolvido pela agricultura brasileira, ajudaram a construir a maior cidade do país, revolucionaram a agricultura, nos revelaram o
Encanto das pizzas e das massas. Me parece que hoje o entendimento da historiografias sobre o assunto é de que esses imigrantes fizeram essa ocupação funcionar melhor que a média, por conta da relação de aprendizado mútuo entre os imigrantes que estavam chegando e os que já estavam aqui, inclusive população indígena, conhecimentos da população negra escravizada e por aí vai, né? Você pode explicar pra gente como é que funcionava essa troca de informações e como esses
imigrantes que vem depois? Esse eles acabam sendo beneficiados pelos conhecimentos de quem estava aqui antes e tal. Ah, isso é, é, é realmente bem interessante. Eu acho que é um é um dos capítulos mais importantes da da da história da agricultura brasileira, né? Porque há uma mútua aprendizagem, né, tanto da população nacional como da população Imigrante, né?
Uma peça que caiu nas minhas mãos é 111, livro de um engenheiro francês que foi o primeiro diretor da colônia de Joinville aqui em Santa Catarina. É o Louis leonze, ou b Louis leonze. Ele faz um manual de agricultura para os colonos recém chegados. Então ele começa nesse manual dizendo para eles assim, olha, esqueçam tudo que vocês sabem sobre agricultura europeia, não vai funcionar aqui. Ponto, né?
Aí ele diz. Que é os colonos que vem pra, pra pra região ali de Joinville devem se dedicar à produção de cana de açúcar, de café, de feijão, de algodão, de milho, de mandioca, que eram produtos que tinham mercado certo no Brasil. E estando o Joinville do lado do Porto de São Francisco, teria todas as condições de uma comercialização desses excedentes agrícolas. Então dali ele começa a explicar como é que planta mandioca tem que pegar os gravides.
Leitinhos lá e tal, tal, tal explica a época do ano que se planta o milho, como cuidar para não ter ataques e aves e tal a cana de açúcar? Ele vai explicando ali como é que funciona e tal. Então aquela ideia de que o europeu chegaria no Brasil para introduzir o trigo, o centeio e os produtos da agricultura europeia, tal, tal, tal isso, eles já tinham no, em meados do século 19, praticamente abandonado isso. Não que não tenham plantações de. Trigo e tem ocorridos, né?
Principalmente no nas regiões de Planalto acabam acontecendo, mas essas já aconteciam também em São Paulo, no período colonial. E entre os açorianos também, né? Não é uma novidade dos imigrantes do século 19. O fato é que é, eles aprenderam com as técnicas indígenas e cabocas em várias colônias, né? É sempre existia lá alguns que trabalhavam no, no, no, no desbaste do Mato e na demarcação dos lotes a no serviço de topografia para a direção de colônias que eram.
Era sempre um caboclo, um negro velho, um trabalhador nacional que com muita frequência ensinava esses colonos. A qual a época, qual o período, qual o processo de plantação? É de trato e depois de colheita, né? Dos produtos. Os da agricultura tradicional. E se não fizessem isso, eles não sobreviveriam, porque os auxílios que eram destinados aos colonos geralmente não vigoravam
depois de 6 meses. Então em 6 meses era o tempo que o colono tinha para fazer derrubada no Mato, pelo menos uma parte daquele Mato e ter 11 pequena roça de milho. Feijão a mandioca, né? Pra ter no nos próximos meses, né? 11 safra e não depender mais dos auxílios do governo. Então isso era um ponto meio que central, acontecia um problema Sério quando algum problema climático evitava que esses colonos tivessem uma safra. Isso acabou acontecendo no sul do Brasil em 1878 e 79, que é a
época de uma grande seca, né? E que os colonos recém chegados, mesmo depois de 6 meses, eles não. Tinham nenhuma safra, então eles vão lutar junto ao governo para ter uma extensão dos auxílios e vários vão conseguir. Várias colônias vão vão conseguir, mas eles chegam a fazer verdadeiros levantes nas colônias, né? Em Blumenau é acontecem levantes, acontecem levantes em Caxias, no Espírito Santo também, né?
Alguns mandavam pessoas até o Rio de Janeiro procurar Pedro segundo, né, para que atendesse essas demandas. Então assim, no final dos anos 1870, o no orçamento do Império. Império em créditos extraordinários chegou se a gastar próximo de 10% do orçamento do Império em apoio às aos setores de colonização para pequena propriedade nas províncias do sul. Então não foi pequeno o investimento que o que o Império fez, né, para a introdução dessas famílias, desses agricultores, né, desses
camponeses no sul do Brasil? Algumas pessoas apontam que parte do sucesso da imigração no sul foi porque essa ocupação aconteceu com. Concomitante, algo que se assemelharia a uma reforma agrária. Bem, entre aspas aqui, né? O quanto disso faz sentido ou não? Olha, faz um certo sentido sim, né? Porque a colonização é um processo de assentamento de camponeses.
Claro, se a gente for ver o sistema no, no, no. Uma visão mais ampla vai ver que esse assentamento de camponeses com frequência é causava a expulsão dos nacionais, né? Tanto indígenas como caboclos ou posseiros brasileiros naqueles territórios, né? Com o tempo, a Inspetoria de terras e colonização e o próprio Ministério da agricultura vai recomendar que a em cada colônia se estabelecesse pelo menos 10 ou 15% de nacionais, que seria uma forma de facilitar, não?
Só aquela comunicação e a troca, né? De tecnologias agrícolas, mas de ter uma maior integração, né, entre o pessoal é de fora, com o pessoal nativo, né? Então, assim, num certo sentido, a gente pode dizer que sim, né? Ainda mais considerando que o Brasil. Era uma região, um domínio, né, do da grande propriedade fundiária na maior parte da sua extensão ocupada, né? Então é sim, num certo sentido, houve entre aspas, né, uma espécie de uma reforma agrária, só que era um processo de
colonização, né? Não mexia na estrutura agrária existente, tanto é porque as terras escolhidas eram para esse assentamento de camponeses europeus. Eram terras desinteressantes para o latifúndio pecuarista. Aqui eu queria te perguntar sobre o tópico que eu estava adiando, que a gente até mencionou e tal, porque eu queria focar primeiro nessas questões econômicas e tudo que é a questão da tentativa do governo de embranquecer o país,
né? Isso começa já no Império ou foi uma coisa do período republicano? Você pode explicar melhor pra gente? E como é que essa imigração do sul se encaixa nisso? Olha. Isso começa com o Império. Mas não é um discurso pronto. Assim, ele vai se introduzindo aos poucos. Durante a década de 1840, tem um ministro da agricultura que é o Miguel Calmon. É, ele era um banqueiro ligado aos interesses da lavoura,
açucareira baiana e tal, né? Mas é um político membro do conselho de estado, muito influente no. No No primeiro reinado, na nas regências e no início do segundo reinado, o Miguel Calmon, ele dizia o seguinte, ele defendia a imigração europeia como um enxerto para a população brasileira. Um enxerto quer dizer que não, não ele ela não viria para substituir a população brasileira. Ela viria para se agregar e dar uma nova energia, uma nova vitalidade.
Ele usa essas palavras, né? Então seria um enxerto para dar nova vitalidade. É porque todos esses governantes brasileiros, esses políticos destacados, tem uma formação que chamar de eurocentrismo. É até leve, né? Pro pro caso, né? Eles eram extremamente eurocêntricos, né? Eles só conseguiam entender um processo de desenvolvimento de um país como sendo. Um desdobramento da europeização do país. Mas esse é um fenômeno que não é só brasileiro, ele é Latino
americano. Na segunda metade do século 19, isso vai se intensificar com a difusão principalmente de das teorias racistas, né? Da do evolucionismo spenceriano e das doutrinas racistas que vão dominar a medicina legal a. A frenologia naquilo que se chamava de que hoje se chama de racismo científico do final do século 19, né, que se
apresentava como ciência e? Isso aparece muito nos anos 1870, quando, no Império, o ministro da agricultura, lá no final dos anos 70, o ministro cinimbu, Visconde de cinimbu, que é um alagoano, ele vai chamar um Congresso agrícola, tá? Acontece um Congresso agrícola no na região sudeste do Brasil, com lavradores de Minas, São Paulo, no Rio de Janeiro, e acontece um Congresso agrícola em Pernambuco, né? Pegando proprietários, fazendeiros, da. Aquela região lá do nordeste do
Brasil, né? Porque simplesmente chamamos de norte, não chamamos de nordeste. Nesses congressos agrícolas, vai ser levantada a tese que era a preocupação principal desses proprietários na época. Eles diziam o seguinte, na década de 1870, eles não acreditavam que viesse uma onda imigratória para trabalhar nas lavouras de café no Brasil. Eles achavam que o café teria que ser tocado com o trabalhador nacional, com a introdução de trabalhadores.
Asiáticos. E aí é que entra uma discussão racial bem importante nesse período, é o ministro cinimbu defendia a vinda de trabalhadores indianos e chineses para o Brasil, tal como alguns proprietários já tinham feito em alguns países. Já tinham feito ali no Caribe, nas guianas, né? Onde há a introdução de indianos e chineses que eram. Meio que uma força de trabalho disponível também para a construção de ferrovias na Califórnia, nos Estados Unidos e tal.
Eram os cules e os fins. Só que na época os asiáticos eram muito mal vistos pelos europeus. Eram vistos como pessoas degeneradas viciosas é que viviam em em trogradição do ópio e de outras drogas lá do Oriente e que eram representantes de civilizações decadentes de estado. Os que estavam é estados milenares que estavam vivendo 11. Declínio muito grande, né? Então há uma, há uma descaracterização e uma desqualificação assim
violentíssima dos asiáticos. Alguns senadores de Minas e de São Paulo vão até dizer, olha, o Brasil já tem uma raça muito ruim, que é de indígenas e de africanos. Vai piorar mais ainda com o asiático era assim, né, que falavam, né, os políticos daquela época, então, assim, Oo racismo, ele vai ao. Aumentando ao longo do século 19, vai ficando mais pronunciado. Principalmente é no final do Império e no início da República. No início da República ele vai.
Ganhar áreas de é de se juntar com discursos de higienização e de busca de uma melhoria racial também. Esse racismo vai chegar a defender, inclusive, a criação daquilo que eles chamam da de um projeto de imigração para criar um povo novo. Chegam a usar essa expressão. Então não era como aquela conceção do Miguel Calmon, lá do início dos anos 1840, que era um enxerto e tal. Agora eles já falavam na. Década de 1880 em criaram o povo, porque eles diziam que o Brasil não tinha povo.
O Brasil tinha proprietários, tinham alcance dirigente, mas não tinha povo, porque o que era considerado o povo, para eles seriam proprietários brancos. Então eles não viam aquela massa de pobres. É de origem africana, indígena e mestiça, como parte de um povo real brasileiro. E se um povo imaginário seria esse povo europeu, então ao
final do século 19, essas teses. Os racistas vão crescendo não só no discurso médico, no discurso dos políticos, dos ministros, da agricultura, dos parlamentares, daqueles que decidem as políticas públicas, né? E é bem forte. E a imigração asiática? Ela só vai chegar ao Brasil significativamente só no início do século 20, com os japoneses. E mesmo assim há conta gotas, né? Com muito cuidado, o Brasil evita a imigração de asiáticos e de. Tanto em dos como chineses.
Meu pai falou assim pra mim, né? Que o vô, o bisavô dele, né? Disse que veio lá da Alemanha, assim da Alemanha, né? Sobreviveram só aqueles mais Fortes, aqueles que mais trabalhavam, que tinham esse sangue guerreiro, esse sangue que não se cansa, que não para nunca, que sempre tem Esperança, que sempre aguarda. Expulsos, digamos assim, da Alemanha, né? Em condições de miserabilidade. A região sul foi palco de vários conflitos entre os séculos 19 e a primeira metade do século 20, né?
E muitos deles têm relação direta com questões de classe de Terra. Como é que esses conflitos, ou pelo menos alguns deles, se conectam com a questão da ocupação dessas terras? O caso do contestado, por exemplo, dá para relacionar com esse tópico de imigração. Mas certamente acho que todos os conflitos agrários no Brasil, desde o final do século 19 até o século 20 e 21, né? É, estão ligados, né, ao rescaldo da da imigração e da colonização, embora muitos desses movimentos sociais.
Sejam tocados, né? Por populações nacionais, por caboclos, por indígenas, por quilombolas. É, mas eles participaram desses movimentos porque eles foram expropriados em suas terras por companhias de colonização. Podiam ser companhias de colonização particulares ou públicas, né? Mas elas acabavam. Expropriando posseiros e moradores tradicionais desses territórios, né, que eram agregados à colonização formal?
No caso do contestado, isso fica muito é descrito pela historiografia quando AO grupo empresarial do Percival farquard, que é a Brasil rayway company, né? A companhia ferroviária norte Americana, que vai adquirir a concessão para construção. Término da construção do trecho
do trecho sul, né? Da estrada de ferro São Paulo ou Rio Grande do Sul, ela vai cortar o vale do Rio do Peixe e vai ter um outro ramal lá no entre o entre União da Vitória e o Rio Iguaçu até Canoinhas, para depois descer para o Porto de São Francisco, né? Então a estrada de ferro ela vai receber como concessão do governo a. Até 15 km de cada lado da linha férrea de das terras devolutas das terras públicas ficariam sobre a administração dessa
companhia ferroviária. E são vales de rios que eram já relativamente bem povoados, né? Por populações nacionais de ervateiros, de sitiantes, de agricultores que viviam em regime de subsistência e também de algumas comunidades indígenas, né? Tanto no Rio do Peixe como no vale do Rio e. Iguaçu médio. Então é por ali que vai ter esse conflito, né? A gente no contestado, a gente tem.
Dentro dos redutos, a chamada cidade santas é tanto agricultores nacionais que foram expulsos pela estrada de ferro para a introdução de colonos europeus, como alguns colonos europeus, que acabam aderindo ao movimento rebelde. Então? Um misto. E eu acho que a as lutas sociais que têm se intensificado é no Brasil, nos anos no, no século 20, principalmente se a gente for ver, é o movimentos dos posseiros do sudoeste do Paraná, na no início da década de 1960, é o movimento.
Pioneiro dos agricultores do Rio Grande do Sul na época do governo Brizola, no final dos anos 1950 a 1960, né? Onde se cria o master? O master era o primeiro nome do movimento dos agricultores sem Terra antes de ser fundado. OMST nos anos 80. Então tem a experiência do banhado do colégio, na região de camacoã e de vários assentamentos que foram feitos até pelo pelo governo do estado do Rio Grande do Sul. Aqui em Santa Catarina vai se criar o Iraque, que é um órgão. Né?
De de reforma agrária mesmo antes de 64. Então. Assim, existe 11 espécie de uma demanda por reforma agrária por parte de uma segunda e terceira geração de filhos de imigrantes que estão no filhos e netos de imigrantes que estão no Brasil, né? E que muitas vezes não podem também mais fracionar as suas colônias, né? É, os colonos geralmente tinham muitos filhos, né, por um pedaço pequeno de Terra. Então esses filhos tinham que ir pra pra Fronteira agrícola e aí
eles acabaram. Acabaram é é engrossando esse exército de agricultores sem terras. A gente tem muitas lutas sociais, inclusive o grande movimento de Encruzilhada natalino no norte do Rio Grande do Sul. No final da década de 70, né? A gente acessa fotos desse movimento. A gente vê que ali, que tinha tinha uma reunião só com as fotos das crianças. A gente vê a multiplicidade étnica desses movimentos, né? Porque tem crianças loiras do
lado de crianças morenas, né? Claramente algumas crianças afrodescendentes, outras descendentes de indígenas, outras parecendo pequenos alemãezinhos, assim, todos eles no mesmo assentamento, né, numa mesma ocupação. Ou então naqueles acampamentos que ficavam ao longo das BRS, né? Antes deles ocuparem as terras,
né? Então a Eu Acredito, né, que é. A contribuição dos descendentes dos imigrantes é bastante importante para a formação até dos movimentos pela reforma agrária mais recentes, como o próprio MST, né? E onde se ancora o discurso separatista do sul do Brasil? Em em quais pressupostos, no caso? Isso tem origens nessa imigração, né? No caso, o discurso que se faz em cima disso. Tem tem origem na imigração, né? Mas ele é um discurso que é elaborado por uma elite intelectual de classe média
dessas colônias imigrantes, né? Ele é mais um um grupo urbano. É que acabou fortemente tomado, né? Por por essa influência. É racista e conservadora. E em considerar essa essa perceção do enriquecimento das comunidades de imigrantes como bem sucedidas, o que não é bem assim, né? Como eu já tinha falado, ou seja, em muitas regiões coloniais, aqueles que se dedicam mesmo a agricultura vivem, né? 11 ressaca no campo tem até um estudo clássico.
A professora arlene Hank, lá de Chapecó, que se chama sóciodiceia as avessas, onde ela estuda, né? É, vamos dizer assim, como que essa lavoura de origem e imigrantes sofreu, como toda agricultura pequena sofreu durante o regime militar e os as últimas décadas de modernização da agricultura do Brasil, né, que foram décadas de ampliação da concentração fundiária? É do subsídio aos grandes produtores de agroindústria e da subordinação crescente do
trabalho camponês ao capital. Frequentemente, esses colonos se transformam em trabalhadores. Assalariados, mas sem carteira assinada de agroindústrias, quando eles estão trabalhando para o frango, para o porco, para o fumo, para os mais diferentes produtos, né? EE sofrendo 11 super exploração sem ter os direitos trabalhistas que aqui, que ACLT garante aos trabalhadores formais, né? Então ali eles são contratados como prestadores de serviço. É uma.
É uma condição muito precária do ponto de vista da da defesa dos seus interesses, né? Então, assim, uma coisa é a realidade, outra coisa é o discurso separatista que vai se vangloriar daquela historiografia Imigrante de de corte. Glorioso, né? Atribuindo ao Brasil a. O restante do Brasil? A pobreza, a preguiça. Enquanto que o trabalho só
existe nessas regiões. Provavelmente, se se esses 3 estados do sul do Brasil fossem separados da união federal, é no início do século 20. Seriam regiões. Igual OPR, mas provavelmente porque não teria um mercado nacional para vender os seus produtos, né? Para mandar a banha os produtos da agricultura ou os tecidos da da região industrial, né? Para o para o restante do mercado brasileiro, o Brasil é uma unidade, né? Uma unidade complexa, cheia de desigualdades, né?
E o discurso separatista? Ele parte dessa percepção fortemente ancorada no racismo, né? Não, não, não, não tem como descolar isso. Porque não? Eu não consegui identificar nenhum discurso separatista que não tenha um tom de racismo e de preconceito contra as populações nacionais brasileiras. Isso aparece de forma recorrente? É, mas eu acho que é, é. É o tipo do discurso que vai e volta, né? Com muita frequência e depois. É, está muito ligado a crises econômicas AA determinados
ciclos, né? E que não tem 11 lógica política muito clara. E o sul? Politicamente falando, ele não é feito só de conservadorismo, de separatismo. As questões de Terra aqui foram importantes para a criação ou articulação de movimentos sociais também, né? E não só de Terra, né? Outras classes de trabalhadores também e tal. Você poderia dar um alguns exemplos que, de certa forma, ajudam a gente a desvencilhar um pouco essa imagem recorrente
hoje. Gosto de que o sul é é só conservadorismo, é só sabe atrás e não sei o quê. E é. A gente sabe que a história do do sul do Brasil, ela é complexa, né? Nesse ponto. É não, com certeza, né? Concordo absolutamente, né? É o sul, ele é. Tem também os seus conflitos agrários, as suas lutas
camponesas. Tem aquelas experiências que eu já falei, né, do. Mais recentes, até da formação do MSTOA luta dos posseiros no sudoeste do Paraná, a ocupação da fazenda burro branco, em Santa Catarina, que marca o início da reforma agrária. Aqui, a luta dos atingidos pelas barragens, para que fossem reassentados em condições dignas, né, e não fossem simplesmente expropriados pela pelas barragens ao longo do do Rio Uruguai. E outras, né? Então é um é um número muito
grande de movimentos sociais. É hoje ligados à via campesina, tem o movimento dos pequenos e proprietários, o movimento das mulheres agricultoras, o movimento dos do próprio MSTE. No caso, né? É do lá do início do século 20. A gente tem a guerra Sertaneja do contestado, né? Que foi? Transformado em guerra porque o governo quis atacar, né? Mas antes de ser uma guerra do contestado, foi um movimento social, né? Um movimento social que inventou um tipo diferente de vida rural,
né? Baseado naquilo que eles chamavam de cidade Santa. Como taquaru sul e mais uma dezena de outra cidade Santa. Então assim, a gente tem uma população rural que tem uma cultura de mobilização, uma cultura de sociabilidade. De vida comunitária, frequentemente associada a formas populares do catolicismo, né? Que formas populares que acabam incorporando, né? É religiões de origem africana e indígena, que é é, dão a essa população um repertório de experiência comunitária, que é a base.
É o cimento para vários movimentos sociais que a gente tem aí no. No resto do Brasil e que muitos brotaram a partir do sul mesmo, né? Antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil, viviam no território catarinense 3 grupos indígenas, os guaranis, o chocleng e os kaingangues. Hoje, o que se sabe deles está preservado na coleção do museu do homem do sambaqui, em Florianópolis. Recomendações de leitura para quem ouviu até o final. Se interessou?
Quer saber mais sobre o assunto? Se você tivesse que recomendar até uns 3 livros sobre o tema, que que você recomenda para o pessoal? Olha, é a recomendação. Ela podia ser muito extensa, né? Porque eu tratei de assuntos bastante diversos, de diferentes conjunturas, né? Mas eu vou recomendar 3 livros sobre o tema, né? Primeiro. De um grande especialista italiano sobre a imigração europeia, né?
Que é o Emílio franzina é um professor lá do vênetto, um enorme pesquisador, é. É AO livro dele se chama grande imigração, é o êxodo dos vênetus para América. Foi traduzido pela editora da Unicamp mais recentemente. É uma tradução recente, quando eu li ele, ele ainda li no italiano, na época que eu fiz o meu mestrado. Um outro livro que eu considero clássico para a gente entender a colonização no sul do Brasil é a obra do Jean Roche, né? O Jean Roche. É um historiador francês.
Teve durante muitos anos pesquisando no Rio Grande do Sul e em outras regiões do sul do Brasil EOO livro dele em 2 volumes, publicado pela editora Globo, se chama a colonização alemã e o Rio Grande do Sul. Então ele pega bem faces distintas lá desde o primeiro reinado. O que que aconteceu durante as regências segundo reinado, República, né? É, ele usa, ele criou um conceito, é para a formação das novas colônias, que se chama enchamagem, que é uma perceção bastante interessante.
Enchamagem é como se fosse a formação do enxame, fazendo uma analogia com as abelhas, então muitas vezes nas colônias mais antigas se formavam. Enxames, né? De excedente populacional que iam para as colunas novas. Então é um estudo histórico e sociologicamente bastante relevante esse do Jean Roche, né?
E já é um clássico antigo. Acho que o livro dele é de 1969 e também eu, eu coloco aí por último o meu livro, que se chama a política de colonização do Império, que foi publicado pela editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é hoje ele está esgotado, mas ele pode ser baixado gratuitamente lá no. Um lume que é o repositório da UFRGS, né?
Da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entrando ali no repositório, digitando a política de colonização do Império. Vocês podem baixar OPDF gratuitamente desse livro, então essas são as recomendações. E agradeço muito pelo convite, né? E pela paciência em me escutar até agora. Então é isso, gente, muito obrigado por terem ouvido até o
final. Deem uma olhada na descrição do episódio, lá vocês vão achar o link do meu Instagram, arroba inclis Rodrigues, vocês vão achar os links dos meus cursos. Link da insider apoia se e tudo mais que vocês têm direito, beleza? Então é isso, muito obrigado e até a próxima. Esse podcast foi editado por Samuel gambini, Samuel gambini audiocom.
