¶ Agradecimentos e Empatia Coletiva
When approaching an airport for landing in the first time. Come è che è, malta? Da qui è la vostra Boombex. Benvenuti al episodio numero 40 di Fuso. Di quarentena, non è? Como é que estão? Como é que vocês estão? Desculpem maltinha, eu falhei-vos ontem. Mas é que o dia inteiro foi uma roda viva, entendem? A pessoa chorou, a pessoa partilhou, a pessoa foi fazer uma cesta e a pessoa quando acordou tem todo um arraial com o quê?
Porque é o que dizem sempre, sobe-me um bolo alimentar ácido à garganta, com esta expressão, dá-me um certo repúdio. Mas vocês percebem, foi uma lista infinita de mensagens absolutamente amorosas que me chegaram e me comoveram muito. Que é o meu queixo, eu digo-vos que... Foi assim, foi um bocadinho absurdo, e digo-vos eu por um lado fiquei um bocadinho angustiada a pensar na quantidade de pessoas que está a passar mal a sério.
A sério, não é como eu, porque eu não estou a passar mal a sério. Pessoas que ao contrário de mim estão sozinhas ou que têm familiares doentes e ou que perderam o emprego. Enfim, mas por outro lado também foi. Foi um consolo muito grande, não vos vou mentir, foi um consolo grande de sentir que… No meio de tanta caca, de tanto ódio. Detilado nas redes, agora cada vez mais. Ainda assim há um bonito.
Laço coletivo de apoio and empatia, and pronto estamos realmente sozinhos quando, por vezes, erradamente a nossa cabeça não é muito nossa amiga. E nos faz sentir que sim. Portanto, a todos vocês que me fizeram chegar os vossos miminhos. Palavra que repudiu também. Muito obrigada mesmo a vossa vulnerabilidade, a vossa generosidade na partilha comoveu-me mesmo muito. Ontem a vossa bombes ainda dei tocar para fora muitas lágrimas, muita ranhoca, mas já eram das boas e não das más. Compreendem?
e espero poder continuar a retribuir-vos da mesma forma neste podcast e em todas estas estupidez que compõem o meu trabalho alegrando-vos e aliviando-vos o fardo na medida que é possível, que muitas vezes sinto que é mínima. Mas neste cenário pós-ac Ai Pós Apocalíptico Que estamos a viver, se eu fizer a diferença num pessoal, já é bom, já é positivo. E é isto, malta. Sou uma privilegiada e digo-vos só que hoje hoje já não acordei a soluçar, descontroladamente. O que é excelente!
Estou bastante mais tranquila e também muito se deve às coisas bonitas que li. Portanto, muito obrigada.
¶ Estreia na Imprensa Cor-de-Rosa
Posto isto, vou avançar, que a pessoa não quer comover-se de novo, mas tenho que vos dizer uma coisa, malta. Eu fui brindada, agora com tudo isto, fui brindada com a honra de ter sido pela primeira vez. Alvo de difamação numa revista Cor de Rosa. Portanto, peço o vosso aplauso. Bravo, bravo, Buma! Atingiste o topo? Não fica melhor que isto, entendem? Rita Pereira, Cristina, quem são vocês? Por que tipo?
Eu vou eu digo vos as revistas das TVs Sete Dias e Flashes e Novas Genas sempre se cagaram de alto para mim, e eu, bem que tentei entender ao longo dos anos chamar a atenção o meu sonho. Sempre foi ser a manchete de uma notícia qualquer que acabem incendei às redes sociais. Sabem? Tipo. Bumba! Encendei as redes sociais com o seu tuerco atrevido. Nunca, nunca aconteceu. E eu muito me abanei, como vocês sabem, semanalmente.
Semanalmente sacou destas nalgas. Mas nada. Oh, sei lá. Bomba! Encendei as redes sociais, revelando mais do que devia. Clique para ver as fotos. Uhum, uhum. Bomba! Encendei as redes sociais com um tralho épico na passaveira vermelha. Não, não, com muita pena minha, nunca tinha incendiado nada, malta. Não sou piromaníaca das redes e tenho muita pena. Eu é que eu nem um lumbrando, entendem? Nem uma X. Não é uma xispa.
E é isto não quando? Ontem, quando acordei da minha cesta, mandaram-me uma notícia de uma revista que já não sei se era a Flash ou se era da Nova Gente, que dizia o seguinte. Bumba na fofinha confessa: Estado depressivo nas redes sociais! Estado depressivo! DEPRESSÃO Primeiro, que orgulho, que orgulho, porque trata-se, malta, em primeira mão, é a minha estreia na difamação zita, de cordei.
Eu deixei de ser virgem nas alderabices da imprensa cor-de-rosa e só vos tenho a agradecer por terem tornado este pseudão. Agradeço aos meus pais que me deram à luz. E agora é continuar a trabalhar, não cruzar os braços. Continuar a trabalhar. Eu não vou ficar satisfeita. Enquanto não tiver um paparazzi empleirado num arbusto de cá de casa a tentar apanhar. Um mamilito meu desprevenido numa foto. Eu até vou andar nua, perto das janelas, a ver se pega, entendem?
É isto, portanto, bomba depressiva. Bomba depressiva. Parece uma personagem de banda desenhada, tipo o teu Patinhas ou a Maga Patológica. E é bomba depressiva.
¶ Estigma e Deturpação da Vulnerabilidade
Eu digo-vos, Malta, isto é Isto é parte do problema, percebem? Isto é parte do problema. Eu, uma pessoa mostrar-se vulnerável num dia menos bom, que foi de facto e que tenho tido vários desses. E ser rapidamente empacotada num quadro depressivo. Isto é. Pronto, é a prova que nós estamos completamente anjos-luz de superar o estigma. Pá, de que cuidar da saúde mental é para os fracos, ou para os fragilizados, ou para os destabilizados. Ui!
A subiu o circular de loucura. Percebem o meu ponto. Eu mostro-me lágrimas e para estas pessoas estou automaticamente doente. Tipo, ela não está bem, ela não está bem, ela está desequilibrada e eu percebo e tive até várias reações de pessoas próximas a mim preocupadas, e acreditem que dar-me um quintinho é bom. Mas foda-se! Estamos todos desequilibrados, malta. É isso, quer ser normal? Faço ao que estamos a passar. Porra! E aqueles otários do catano. Bumba depressiva. Pá, desculpem, doentes.
São os que não estão a passar mal. Faça ao que estamos a viver, percebem? Porque não sei se sabem, há um pormenor, mas estamos a meio de uma porra de uma pandemia à escala planetária. Os sociopatas são os outros, são os que não têm qualquer empatia pela gravidade do que se está a passar e que não se preocupam com o futuro, e aliás, são os mesmos que andam por aí sem máscara a fazer ajuntamentos e merdas e irresponsáveis porque nós estamos todos aqui enfiados.
Esses são os doentes, são as pessoas que realmente têm um problema porque não têm empatia. Eek malta, eu... Sona, eu não tenho depressão, coisa nenhuma, e reparem, podia perfeitamente ter. Não havia mal nenhum em assumir isso como é. se estivesse de facto num quadro depressivo. Quero querer que ter coragem para o partilhar também, de forma cândida e transparente, como tento fazer.
Mas pá, não é o caso, e a depressão é outra pandemia do século, percebem? Mas é invisível, não tem números de infectados a figurar no Jornal da Noite, mas ataca, e ataca a cabeça e ataca bem. Infelizmente não tem os sintomas tão claros e fáceis de diagnosticar, mas incapacita de igual forma, ou até mais. Ai, estou-me a irritar muito, calma, vou-me a calmar. Respira a bomba. Mas é um absurdo reagirem desta forma hardcore a um exprimir de emoções que são absolutamente normais neste momento.
Uma depressão não se cura com um brufeno e com 15 dias em casa. Ou achar lá que assim fosse. Até vos digo outra coisa: não se cura, semente nas pessoas a vergonha de passarem por fracas ou fragilizadas. Por se exporem a sofrê-la, que é o que estas merdas, destas manchetes, fazem. ¿Percebem? Con esta simplificación leviana de mierda.
¶ Jornalismo Irresponsável e Saúde Mental
A minha revolta, malta, é que o facto de eu aparecer a chorar e de dizer o que disse. Foi motivo para um par de revistas para que é verdade que pronto que são de atrasados mentais e que aparentemente têm psiquiatras a escrever em vez de jornalistas, para concluírem que estou num quadro de depressão assim, com o facto de tirarem esta teoria do cu. Do fucking coup dos meandros dos seus entrefolhos anais mal higienizados só para gerar cliques.
Mostra o profundo desconhecimento e desrespeito pelo que é absolutamente normal e natural estarmos todos a sentir neste momento. Percebem? É tratar estas emoções naturais: o choro, o desespero, o medo. Como se fossem comportamentos desviantes, ui, cuidado que se ela chora, se ela tem pensamentos negativos, ui, é porque pronto, é porque já é porque está deprimida, pronto, é depressão. Não é depressão, malta. É uma pega de uma pandemia.
Que nos está a querer comer por dentro e que, de facto, em muitos casos, isso não for tratada, e se as pessoas não tiverem acesso à ajuda como deviam ter, como devia ser parte integrante de um exame de rotina do SNS, devia ser. Higiene emocional e mental, como fazemos com uma análise de sangue, devemos fazer a mesma análise, mas à cabeça, quando não é tratada, de facto degenera em depressão.
E não é para menos, foda-se. O mundo está a passar pá, uma merda colossal. É uma cascata de caca sem precedente. E o que me enerve é que depois muita gente deixa chegar a este ponto antes de pedir ajuda justamente por ter medo de se ver enfiada neste tipo de generalizações bacocas. Sabem, tipo ah, não vou pedir ajuda já.
Pá, não vou, porque depois não vou pedir ajuda já quando começo a sentir-me fragilizado, senão a minha amiga vai achar que estou deprimida. Ai, não, Deus me livre, não, não, não, não, não vou chorar à frente do meu amigo. Do meu amigo próximo, porque ele vai achar que estou a ficar um poço. Que estou a ficar um poço, põe para dentro, há homem, há simio, à primata, põe para dentro, aguenta.
Percebem esta merda? Tipo, ai, não vou contar aos meus pais os loops de pensamento destrutivos em que anda a cismar há dois meses porque não quero preocupá-los. Se também lhes contas, se tiveste amigo de elite, se também és o primeiro a ligar-lhes, se apanhaste Covid, porquê que não ligas? É a mesma merda, é exatamente a mesma coisa, e é aqui que está o problema. É igual, tal como um resfriado, ou uma garganta inflamada, ou uma porra de uma artrose e todas essas doenças do resto do corpo.
É a mesma coisa, se esses pensamentos destrutivos, as insónias e a ansiedade constante no peito for apanhada cedo e tratada cedo, não desgenera para algo pior. É igual, e é esse o segredo. Malta, como em tudo! Como assumir vulnerabilidade é parecer um xalopinha, fraquinho, codependente, um bocadinho cobarde. Vou guardar para dentro até implodir. έτσι έτσι έτσι έτσι έτσι έτσι έτσι έτσι έτσι έτσι έτσι έτσι έτσι
Já não está ao alcance dos meus pais ou amigos ajudarem-me? Ai aí, grandes que já não está. Porque é de facto uma depressão, e já está para lá de uma conversa boa, de uma conversa elucidativa, ou de um abraço forte, ou de uma partilha de experiências aí, de facto, já é uma doença.
¶ A Importância de Partilhar e Pedir Ajuda
Mas o que me angustia, malta, e é aqui que eu quero chegar: é que havia tanto que se podia fazer antes disso, se as pessoas. Se as pessoas fossem mais livres. Para sentir e falar e partilhar sem isso ser hardcore, sem isso ser no fucking big deal. Não estávamos aqui a ter esta conversa, percebem? E pronto, não preciso de partilhar com o país todo, como eu fiz ontem, não é necessário, mas com os vossos próximos do coração.
Υπότιτλοι AUTHORWAVE Que estudou para nos ajudar e que ia chegar lá mais depressa, porque há coisas de facto da nossa infância e personalidade, traumas, e hormonas, e um coquetel molotov do que nos compõe a. Tudo o que somos, de bom e de mau, para que simplesmente não conseguimos resolver sozinhos, e daí o meu apelo incessante para se procurar ajuda, porque eu acho que é. Para mim, não é um ato de coragem, é um ato de higiene, pronto. E malta, eu tenho conversas.
intermináveis com as minhas amigas sobre isto e é por isso que somos tão próximas. Eu não tenho qualquer filtro com elas. Falo com elas sobre as nossas inseguranças, sobre os nossos dramas existenciais e defeitos corporais complexos. intelectuais, não sei se sou boa ou suficiente, não sei se disse a coisa inteligente, sabem? E eu digo-vos que não há nada... De mais consolador que nos sentirmos amparados e espalhados em alguém, sabem?
Alguém desinteressado, alguém que só nos quer bem e que, como é nosso. E que, como é nosso amigo íntimo, fala a mesma linguagem que nós, percebem? A mesma linguagem de tudo, a mesma linguagem de amor, de inveja, de mesquinias, mas também de empatia, de raiva, de insegurança, alguém. que nos compreende e que está na mesma frequência que nós e Malta, os cliques monumentais que já me deram, só ouvi-las falar sobre coisas delas, sobre dramas delas, tipo, nada a ver comigo, nem era sobre mim.
Pá, mas saio da conversa e parece que fui operada às cataratas, tipo, oh, olha, de repente vejo, de repente vejo. Não acredito que antes vi as coisas daquela outra maneira, envoada. Percebem, meu ponto é É por sofrer tanto em silêncio. Que Portugal está a aumentar estupidamente o consumo de antidepressivos e ansiolíticos é porque não se faz. Nenhum do caminho cinzento até lá. Entre o branco que está na boa e o preto que está na merda, há todo um caminho cinzento. E só não...
Navega mais nesse cinzento porque este estigma de merda de cala calor, aguenta ao homem para se servir ele e mais. Υπότιτλοι AUTHORWAVE Em ser-se. Parece que é sinónimo ter espinha dorsal. Não vamos sobrecarregar os outros. E de facto não estou a dizer que devem. Ou seja, não estou a dizer que agora devem fazer um broadcast dos vossos dramas para toda a gente. Acho que devem escolher as pessoas.
Que estão lá para vocês, tal como vocês estão lá para elas, seus amigos, é a família, depende de caso para caso, mas porra. Ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...ε...
Desculpa, malta, mas isto irritou-me para lado razoável, a sério. Dentro das consequências todas positivas que teve este meu desabafo e espero que. O facto de chegar ao coração de tanta gente deu mesmo um quentinho, mas não deixo de me perguntar como é que é tão Art de core e como é que é tão retratado como um ato de coragem uma coisa que é só falar sobre o que se sente?
e como é que é reduzido bacocamente a um pois ela está deprimida não malta não estou podia estar e garanto-vos que há muita gente deprimida que pá que teria uma reviravolta na vida. Se tivesse essa ajuda e se vencias. A vergonha e que pegasse no telefone e se metisse. O quão quão melhor seria este mundo? Quantos menos votos haveriam em André Ventura se as pessoas tivessem acesso à ajuda psicológica? Só vos digo isto.
Mas eu percebo que é pouco comum esta transparência e autenticidade, e fico muito contente por ter dado a cara por isso. Mas, malta, coragem, coragem a sério. É estar na linha da frente, como os médicos, os enfermeiros, os auxiliares, os professores, isto é a coragem. Coragem não é mostrar emoções perfeitamente naturais na internet, no momento em que estamos a viver.
E isso é um sintoma grave de que ainda não estamos lá, ainda não estamos lá na normalização do cuidado da saúde mental, mas no que depender de mim. Voy a intentar Key Smooth. ¿Está bien? Era só isto que queria dizer, Maltinha. Desculpem mais um desabafo, mas pronto, olhem. Comecei numa ponta, acabei na outra. Precisava tirar isto do peito. Precisava mandar cá para fora. Lá está, porque é bom falar. É bom falar.
Não se esqueçam disso, está bem. Portanto, cuidem-se. Cuidem-se mesmo de vocês e dos vossos. E deixo-vos um grande abraço e beijo.
