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Vem aí uma revolução para quem quer emagrecer

Dec 05, 202515 min
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Summary

A obesidade, considerada a epidemia do século XXI, enfrenta uma revolução com a chegada de novos medicamentos altamente eficazes. O episódio detalha como estes fármacos, originalmente para diabetes, imitam hormonas para reduzir o apetite e a saciedade, criando um vasto mercado e fortes incentivos para a indústria farmacêutica. Discute-se o acesso, os altos custos e a necessidade de comparticipação, bem como os sérios efeitos secundários, incluindo o impacto na saúde mental e o risco de ideação suicida.

Episode description

A obesidade é a maior epidemia do século XXI, mas a vontade de emagrecer também existe em quem, tendo algum peso a mais, não tem um problema de saúde a precisar de tratamento urgente. A procura de medicamentos eficazes para emagrecer aumentou muito e isso funcionou como um incentivo para a indústria que vai lançar 16 novos medicamentos no próximo ano. Neste episódio, conversamos com a jornalista Vera Lúcia Arreigoso.

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Transcript

Introdução aos Novos Medicamentos para Obesidade

Temos neste momento, pela primeira vez, uma classe de medicamentos, podemos lhe chamar uma classe, que vieram mudar o nosso paradigma de atuação. Porquê? Porque são medicamentos muito eficazes e porque são medicamentos muito seguros. Viva! Está com o Expresso da Manhã. Eu sou o Paulo Aldeia. A Organização Mundial de Saúde chama-lhe a Epidemia do Século XXI. São mais de um milhão de obesos, muito mais se a avaliação for pelo peso saudável mesmo antes de chegar à obesidade. Esta semana...

É já a segunda vez que tratamos do tema aqui no Expresso da Manhã porque de facto há muita coisa a acontecer. Falamos na quarta-feira da diretriz da OMS para que os Estados democratizem o acesso aos medicamentos. que ajudam a reduzir o peso e esta organização da ONU foi mais longe ao indicar pela primeira vez uma classe de medicamentos como devendo ser usada para tratar a obesidade.

São medicamentos que foram produzidos para tratar a diabetes utilizando moléculas que atuam junto de hormônios naturais produzidas pelo corpo humano, diminuindo o apetite e aumentando a saciedade. Percebeu-se, por isso, que também funciona para reduzir o peso e esses medicamentos começaram a ser utilizados em todo o mundo para esse efeito. Ao haver um aumento de consumo, acelerou o controle de efeitos secundários.

E o acesso mais fácil vai trazer mais riscos e mais alertas. O risco para a saúde mental, por exemplo, não pode ser descartado, já que estes medicamentos também atuam ao nível do cérebro. Neste episódio, conversamos... Com Vera Lúcia Arrigoso. Não tens a sensação que o teu telemóvel ouve as tuas conversas? Sim. Às vezes até parece que sabe o que vou jantar. Não se preocupe.

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Viva Vera Lúcia Arrigoso. Vem aí uma revolução para as pessoas com peso excessivo. Bom dia Paulo. Vem aí uma revolução para quem de facto tem obesidade. Esta é a designação mais correta. Sendo que o peso excessivo não conta se forem, vamos imaginar, alguns quilos e que a pessoa quer caber no vestido. Agora já nem se diz peso ideal, diz peso saudável, não é? Peso saudável, exatamente.

Ou seja, a revolução vem sobretudo para quem tem um peso excessivo ou é obeso, essa é de facto a indicação clínica. Claro que sabemos que haverá sempre depois algum uso, chamemos-lhe recreativo, e agora já há algum uso recreativo destas novas moléculas, destes novos fármacos que aí vêm. A indústria tem neste momento quase prontos para sair 16 novos remédios destes modernos, que agora fomos ouvindo falar e que tecnicamente se chamam agonistas.

de determinadas hormonas, o mais conhecido é a GLP-1, foi o primeiro a aparecer, mas temos já alguns para outras hormonas, mas... Digamos que estes são só os primeiros, porque há muitos mais em análise, daqueles que ainda só têm um código, não têm um nome, mas que poderão também chegar em breve ao mercado, fazendo baixar o preço, aumentando o acesso e...

Todos eles com pequenas diferenças que tendem a ser melhores do que os anteriores. Sim, até porque vamos conhecendo e testando. Pergunto-se como esta é a maior epidemia deste século. mil milhões de obesos que podem duplicar nos próximos cinco anos, em todo o mundo, obviamente. Há um incentivo económico para a indústria farmacêutica estar a investir.

com estes novos medicamentos, nós vimos que aquele que é mais conhecido é um sucesso tal, que até foi retirado do PIB da Dinamarca para não enganar... É verdade. Há seguramente, e Paulo, só para teres uma ideia, só ao nível... destas moléculas para a diabetes. É claro que dentro destas há aqui utilizações que se chamam off-label, portanto paralelas para quem quer perder peso, mas vamos imaginar só neste grupo.

que são mesmo, de facto, fármacos concebidos para a diabetes, porque depois há outros que são mesmo concebidos para a obesidade. E estes a diabetes, não é sequer, são autorizados, pergunto, não estou a afirmar. Não são. E não são autorizados para combater a obesidade, não é? Não. Não, não têm essa indicação, não são co-participados para esse uso, o que muitas vezes se faz é, de alguma forma, uma utilização paralela, indevida, para...

O mal de rabisse. Exatamente, o mal de rabisse, porque sendo uma ald rabisse administrativa, na prática tem algum efeito. sobre o peso, portanto tem alguma eficácia terapêutica. Mas só para a diabetes, e falando aqui de quatro substâncias, quatro princípios ativos... Entre janeiro e setembro deste ano foram vendidas mais de 4 mil embalagens dia. Todos os dias. Todos os dias. Isto é muito, muito dinheiro. É um incentivo muito grande.

E é daquelas coisas que nós já percebemos, Paulo, que pode faltar dinheiro para outras áreas mas se houver aqui uma grande vontade as pessoas fazem o esforço. e pagam do seu bolso e compram para ter acesso a estes remédios. E nós estamos a falar 4 mil por dia, sendo que alguns destes medicamentos são de toma semanal, portanto significa que isto multiplica. É verdade, é uma injeção semanal.

uma injeção semanal. E estamos a falar de mais de 4 mil dias. Nós, ao longo destes últimos anos, temos falado várias vezes da procura, que é bastante superior à capacidade de resposta.

Acesso, Custos e Abordagens ao Tratamento

com a entrada destes novos medicamentos, isso vai atenuar, mas neste momento ainda há um problema de capacidade de resposta. Não, Paulo, esse problema foi sendo diluído porque neste momento nós temos... Cinco fármacos para a obesidade, destes cinco, três são estas novas moléculas que o que fazem é imitar.

as hormonas que nós naturalmente temos no trato intestinal e que nos dizem ao nosso cérebro para parar de comer. Como a GLP-1 que estavas há pouco a... Exatamente. E o que faz é dizer ao cérebro para parar de comer e, portanto, o que estes remédios fazem é imitar essas hormonas nativas que nós temos e que têm um déficit ou funcionam mal nas pessoas que são obesas porque...

Todos os cientistas o dizem. É uma questão de metabolismo. É uma questão não só de metabolismo, é uma doença que tem muito de cérebro e de cerebral. E, portanto, atuam nessa área. Portanto, temos desses cinco, temos três. que já só estão indicados para a obesidade. É claro que não têm compartilhação, mas mesmo esses, lá está, as pessoas fazem o esforço económico de comprar. E não são nada baratos estes medicamentos? Obviamente que algumas moléculas vão...

vão deixar de estar protegidas e, portanto, vai poder haver genéricos e também estes novos medicamentos haverá maior concorrência a uma tendência para baixar. Ainda assim os preços são muito altos, sendo uma doença que provoca muitas outras doenças. diabetes, hipertensão, etc. Não faria sentido que o Estado este, o Estado português, mas os outros também, investissem na compartilhação, pelo menos para os casos mais graves, para evitar gastos maiores no tratamento destas.

É um caminho que acabará, acredito eu e a comunidade científica, que acabará por ser feito um pouco por todos os países e Portugal incluído. Porque a obesidade está associada a 200 doenças e 3 tipos diferentes de câncer. E isto é muito mais caro. E sai muito mais caro. Portanto, essas contas estão seguramente a ser feitas. A compartilhação, no caso da diabetes, é de 90%. Para a obesidade, aquilo que os analistas dizem é que poderá ir aos 30%, 40%.

do preço marcado na embalagem. E também há diferentes tipos de obesidade, não é? Há casos mais graves e casos menos graves. Eles devem ser todos evitáveis, mas... Cinco tipos diferentes com cinco abordagens de tratamento diferentes e nem todas passam pela medicação. Mas essas contas vão ter que ser feitas porque tem que haver esta resposta e agora tivemos este apelo recente da Organização Mundial da Saúde que é necessário.

democratizar o acesso e portanto para isso é preciso termos preços mais baixos e a indústria está a responder em força a esse apelo porque mesmo baixando os preços A proporção de consumidores, neste caso de doentes, em Portugal é mais de 60% da população terá indicação para tratamento, tem... peso a mais e, portanto, são potenciais consumidores. Ora, isto é mais do que um blockbuster. É, de facto, um mercado gigante com um outro atrativo para a indústria, Paulo. É porque...

estes fármacos, uma vez tomados, tendem a ser para o resto da vida. Para o resto da vida, exatamente. Sendo uma doença crónica, é muito provável que quando se para, volta-se ao ponto de partida. Exatamente. Muitas vezes. A minha questão aqui é de perceber também que nós não mudamos o mundo, mas é importante dizer às pessoas cada vez que estamos a falar destas canetas milagrosas.

Isto sozinho não resolve, não é? Não. É preciso exercício, é preciso uma alimentação saudável. Sim, mas estas canetas milagrosas, em breve, talvez também já a partir do próximo ano, vão passar a ser também. comprimidos milagrosos, portanto as formas de administração vão ser mais simplificadas, lá está. aumentar cada vez mais e facilitar cada vez mais o acesso e a toma, baixar o preço, porque ter uma seringa ou um comprimido também tem diferenças ao nível de preço.

E da produção? Como é óbvio, ainda é muito complexo produzir estes medicamentos. Sobre o que é que é possível de fazer e deve ser feito a par com a medicação? O que disseste, exercício, alimentação, estilo de vida saudável para os especialistas da área é algo que funciona na prevenção. Isto é, a partir do momento em que a doença está instalada, em que há obesidade, Só um em 300 casos funciona com essas adjuvantes e se for uma obesidade grave, um em mil e, portanto...

Só nessas situações é que isso funciona, em todos os restos. Sim, eu estou a dizer, é tomar um medicamento mas continuar a fazer a mesma, não é? Ou seja, fazer na mesma. Sim, tomar um medicamento e fazer na mesma, mas nem requer uma alteração do estilo de vida, porque o próprio medicamento obriga a essa mudança. Ou seja, o que nós vamos ter daqui para a frente, Paulo, se quiseres, são... fármacos que reduzem o apetite, aumentam a saciedade, permitem reduzir

comorbilidades como doença cardíaca, renal, dependências, uma série de doenças. A lista é enorme, inclusive doenças neurológicas, e ainda, por exemplo... ganhar massa magra. O que isto quer dizer é quase o mesmo de que, com um comprimido ou com uma seringa, fazes dois em um, emagreceste e ainda foste ao ginásio.

Efeitos Secundários e Implicações Psicológicas

Deixa-me fechar, falando da parte menos agradável, dizer assim, a OMS pela primeira vez ao sugerir uma classe de medicamentos...

para tratar a obesidade, alegou, entre outras coisas, que o risco conhecido é tolerável. Mas quais são os efeitos secundários conhecidos mais graves? Os efeitos secundários mais graves têm desde logo a ver com problemas... biliares, pancreatitos, ou seja, que é algo complicado e tem... além de outras coisas menores, os vómitos, as diarreias, a dependência psicológica do fármaco para perder peso, mas há aqui um senão, está associado.

e isso também já se verificava com a própria cirurgia de colocação da banda gástrica, está associado a um aumento do suicídio, da automutilação. de comportamentos depressivos. Isto tem a ver com o quê? Como dizíamos, atuam ao nível neurológico do cérebro. Porque estes medicamentos retiram o prazer associado à comida e de repente uma pessoa que estava habituada a ter prazer a comer, vai comer e não vai ter esse retorno. E isto pode levar a essa ideação suicida.

E, digamos, a esses efeitos, está tudo em aberto, está tudo a ser estudado, os médicos dizem que o risco compensa para já. Sexta-feira, dia de nova edição do Expresso nas Bancas, disponível desde a noite de quinta-feira em exclusivo para assinantes. Na manchete, o tema que tratamos neste episódio, ao lado, a informação...

de que, na nova lei de retorno, o prazo máximo para a detenção de imigrantes ilegais pode chegar a um ano e meio. Por causa da violência doméstica, há 6 mil mulheres em Portugal que têm botão de pânico. Para esta semana, está marcada uma greve geral em protesto contra a legislação laboral defendida pelo Governo e contestada até por ex-ministros do PSD e CDS, como Silva Peneda e Bagão Félix.

A sonoplastia deste episódio foi de Gustavo Carvalho. Nós vamos voltar no domingo para uma conversa com o escritor António Cabrita sobre a sua má experiência com o auquismo. Até lá, tenham bom dia. Um bom fim de semana. Às vezes até parece que sabe o que vou jantar. Não se preocupe.

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