Religião e Política: Diálogos possíveis? [Ep59] - podcast episode cover

Religião e Política: Diálogos possíveis? [Ep59]

Sep 29, 20242 hr 2 minSeason 17Ep. 59
--:--
--:--
Download Metacast podcast app
Listen to this episode in Metacast mobile app
Don't just listen to podcasts. Learn from them with transcripts, summaries, and chapters for every episode. Skim, search, and bookmark insights. Learn more

Episode description

Recebemos, na bancada, dois militantes político-partidários que são candidatos a vereador nas cidades de Barra Velha e Florianópolis, ambas em Santa Catarina. São eles Juvan Souza Neto (SC) e Pedro Cabral Filho (SC), respectivamente, os quais estarão, no debate, moderados por Marcelo Henrique (SC). Qual a contribuição da formação e da atividade religiosa para a política? Política e Religião são conciliáveis? A atividade religiosa pode ser utilizada por pessoas inescrupulosas, como um trampolim para a atividade política? No desempenho de atividades executivas e legislativas, como representantes eleitos pelo povo, a religião pode se constituir em um meio para a aprovação de normas legais e projetos que beneficiem o "rebanho" de fieis da religião a que está, o representante político, vinculado? Questões como estas estarão sendo abordadas em mais uma sessão dos gosto "embalos de sábado à noite do ECK"... E, como sempre acontece no ECK, as premissas da dialética e dialógica estão presentes, na interação em clima de fraternidade, alegria e respeito interpessoal e interinstitucional.

Transcript

Alô você, tudo bem? Seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda ao nosso espaço dos embalos de sábado à noite do grupo Espiritismo com Kardec. Agradecemos a sua audiência, sua presença sempre marcante nas nossas lives e pedimos a você que, desde já, dê o seu joinha, se inscreva no nosso canal e ajude a multiplicar a expansão desse nosso trabalho que visa conscientizar as pessoas sobre questões humanísticas, sobre questões livre-pensadoras, progressistas, laicas ou

religiosas e progressivas, para que cada um de nós tome o maior juízo, a melhor decisão para aplicar às suas próprias vidas. Tudo bem? Boa noite, boa tarde, bom dia, independente da hora em que você estiver acessando este vídeo que fica disponível no nosso canal do YouTube. E de lá, se transmite para outros canais parceiros e conta com a sua participação também, compartilhando os nossos vídeos, o nosso canal, as nossas iniciativas.

Pedimos a você também que dê uma chegadinha lá, dá uma chegadinha lá, nojento, como dizia o Tião Macalé. ao nosso portal www.concardec.net.br, onde está todo o nosso portfólio de atividades, de publicações, de documentos, as nossas iniciativas que têm se multiplicado, internet afora, em todos os rincões brasileiros, em vários países da América do

Norte, da Europa e da Ásia. Muito obrigado pela sua audiência e pelo esforço que você faz também em ampliar os nossos canais de diálogo com a sociedade, a espírita e a não espírita, a espírita e a geral planetária, nesse trabalho multicultural que o ECK vem fazendo desde dois mil e dezessete. Agradecemos a você que está presente, já vão se apresentando, já vão dando as suas mensagens, muito bom estar com vocês.

Hoje, estaremos trazendo um tema bastante empolgante, interessante e pontual para os dias de hoje.

Afinal de contas, daqui a oito dias, no domingo que vem, estaremos realizando em todo o Brasil, nos mais de cinco mil e oitocentos municípios brasileiros... as eleições municipais que vão eleger o prefeito, o vice-prefeito e os vereadores, ou seja, poder executivo e poder legislativo para gerir a sua cidade, onde você mora, onde você vive, onde você tem as suas raízes, pelos próximos quatro anos, a partir de primeiro de janeiro de dois mil e vinte e cinco.

Então, estaremos tratando hoje do tema religião e política, diálogos possíveis? Vamos aí trabalhar com as questões de inter-relação entre política e religião, entre política e religiões e entre política, partidos políticos, Estado e toda a sociedade como um todo.

Temos a gratíssima satisfação de receber hoje, na bancada mais alegre, mais fraterna, mais democrática, mais dialética e mais dialógica da internet brasileira, dois velhos amigos meus, dois queridos amigos que semeamos nessa trajetória da atual encarnação, da atual vida física neste planetinha azul, a nossa Terra. Vamos receber um companheiro que eu conheço desde mil novecentos e oitenta e três, ou seja, há mais de quarenta anos. Querido amigo que conheci na

área da arte, na área da música. E também, por não dizer, na área das ciências sociais, na área da pedagogia, da educação, do envolvimento em movimentos sociais e da perspectiva de sermos todos nós agentes transformadores da sociedade em que vivemos. Por outro lado, vamos receber um outro companheiro que eu conheço desde a década de noventa, aí já no movimento espírita, no jornalismo espírita, onde eu e um outro companheiro militamos desde essa época.

Eu comecei na imprensa muito cedo, em oitenta e cinco, tô aí completando quase quarenta anos de militância na imprensa espírita e na imprensa em geral, aqui em Santa Catarina. Antes de chamarmos a bancada aos nossos convidados, nós vamos fazer duas pequenas introduções ao tema. Uma delas do movimento cristão católico e outra do movimento cristão espírita. Vamos começar com o pensamento de um grande vulto do catolicismo, um grande vulto do

pensamento católico. cristão em nosso país, que é Dom Helder Câmara, já desencarnado hoje, inclusive se comunicou mediunicamente algumas oportunidades em instituições espíritas, ditando até um livro ao nosso companheiro lá do Recife, o querido Carlos Pereira. Certa feita, perguntado a respeito do seu trabalho, principalmente o trabalho social e Dom Helder fez a título de desabafo a seguinte mensagem. Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles são

pobres, me chamam de comunista. Está aí o pensamento do Dom Helder, que com certeza espiritualmente está conosco. porque participa também desse grande processo de iluminação espiritual do nosso planeta e de desenvolvimento individual e coletivo, no sentido de termos uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais equânime, mais de acordo com as nossas necessidades de todos e não apenas de alguns.

O outro pensamento é do professor José Herculano Pires, mentor do ECK, em que, na obra O Sentido da Vida, páginas sessenta e um e sessenta e dois, assim se manifestou. Como cidadão, o espírita tem o direito e o dever de intervir na vida civil do seu país, de participar dos pleitos eleitorais, tanto votando como sendo votado.

O votante chega às urnas impulsionado por reflexões que teve de fazer, por decisões que tomou, e depois das urnas aguardará com ansiedade mais ou menos intensa, mas sempre presente, o resultado do pleito. Essa possibilidade de participação é como um ato que merece se processar sem alinhamento. Não como uma pedra que cai no vácuo, desligada de qualquer impulso. Portanto, qualquer ilusão de não participação é anti-espírita e

também é anti-cristã. Pois, se acreditássemos nessa possibilidade de abstenção política, nós estaríamos fadados a receber resultados muito desastrosos. Com essas palavras, então, de Helder Câmara e de Herculano Pires, damos por aberta mais essa nossa sessão dos embalos de sábado à noite e vamos chamar que toquem os tambores o nosso primeiro convidado da noite, Pedro Cabral Filho. Vem pra cá, Pedro. O teu microfone, Pedro. Não deu. Deu, agora deu, né? Isso. Obrigado, Marcelo.

Obrigado pelo convite. Vai ser muito bom. A noite promete. Verdade. Nosso Pedro Cabral Filho é candidato a vereador pelo Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL, aqui na Florianópolis, capital de Santa Catarina. Daqui a pouco a gente vai... Saber um pouco mais acerca do Pedro, quem é o Pedro, por que o Pedro está aqui, quais são as suas propostas, qual é a sua visão das relações entre política e religião, entre

religião e política. Nós estamos tendo um probleminha técnico com outro convidado, então nós vamos dar o pontapé na nossa live, pontapé inicial na nossa live, fazendo as primeiras considerações. Daqui a pouco, quando o querido Juvan entrar... a gente vai inserindo ele aos poucos no debate. Pedro, nós sempre temos o hábito nas nossas lives de fazer a apresentação dos nossos convidados, mas hoje, inspirado por Hélder e Herculano, dois Hs, nós resolvemos fazer um pouquinho diferente.

Ao invés de eu apresentar os nossos convidados, vou pedir que os mesmos se apresentem. Então, quem é o cidadão Pedro Cabral Filho? E se estivéssemos fazendo o anúncio do vetusto programa televisivo Globo Repórter, nós poderíamos dizer assim, quem é Pedro Cabral? O que Pedro Cabral faz? Qual a sua formação? Que atividades realiza? Não perca hoje no SK, nas lives do SK. Então, Pedro, responda para nós. Estava mutado. Deu. Eu procuro desligar para não ter interferência, porque é muito

ruim. Então, gente, boa noite a todas e a todos. Eu sou Pedro Cabral Filho. Eu sou um profissional da educação do município de Florianópolis, aposentado. Eu trabalhei trinta e dois anos na prefeitura de Florianópolis e desses trinta e dois anos, durante doze anos, eu fui diretor dessa unidade escolar. E eu sou formado em artes pela UDESC, pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Formei na UDESC e depois me formei em música, em educação artística e habilitação em

música, na UDESC. E foi nesse período que tu me conheceste, né, Marcelo? Lá com a Mércia. E eu era ajudante da Mércia. Na verdade, eu me aproveitava da Mércia. Porque ela sabia tudo e eu não sabia nada. E foi muito bom, assim. E aprendi muito com a Mércia. E gosto sempre de dizer isso pra todo mundo. Porque eu vinha de um... Não adolescente, né? Mas era novo mesmo.

Então... e ela tinha uma formação religiosa muito interessante, e eu ali com dúvidas, então era muito bom conviver com a Mércia nessa área da igreja ali, e por outro lado também era muito bom conviver com a Mércia, que o Marcelo conheceu, uma sumidade musical, então foi alguém com quem eu aprendi muito. Mas eu sempre me vi, e continuo me vendo até hoje, como um profissional da educação. Eu sou professor de... Eu sou um professor, né? Ah, tem diferença de ser professor e músico?

Eu não me vejo um músico, eu me vejo como um profissional da educação, eu me vejo como um músico, como um profissional da educação mesmo, né? Como professor. E... ou afeto as áreas que estão relacionadas à educação. Tanto que a minha formação intelectual é toda construída na

área da educação. Eu fiz especialização em artes pela UDESC, depois eu fiz pós-graduação a nível de mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina, onde eu fiz, na linha teórica, teoria e prática pedagógica, e fiz doutorado na USP, em História e Historiografia da Educação. E em todo esse movimento, eu sempre estive na escola, eu nunca saí da escola. E, assim, mas por que não saiu da escola? Porque, para mim, a educação

foi, desde sempre, a minha prioridade. e como militante político, já depois ali no processo de fim de adolescência, entrar na universidade, eu tinha muita clareza, e eu penso que daí também vem a questão da igreja católica, que eu sou engolido pela proposta das comunidades eclesiais de base, e aí eu pego a história da formação do PT e tal, mas não gostava muito daquela coisa meio light da vida, assim, né?

Então, eu não me via um revolucionário pegando em armas, mas achava as coisas muito social-democratas demais, assim. Enfim. E aí, nesse processo, eu fui entendendo e a vida, ela me deu essa possibilidade, né? de cruzar com outras pessoas recém-saídas da Universidade Federal. Nós fizemos o mesmo concurso público, nós em cada área, né? Estou falando de pessoas de áreas diferentes que se juntaram numa mesma escola. Em mil novecentos e oitenta e seis, nós fomos todos para essa

escola. Juntou um grupo de pessoas nessa escola e, claro, recém-vindos da universidade, um grupo de pessoas de esquerda. Então, a gente tinha muito claro, assim, de que... E ali, para mim, foi se construindo a certeza absoluta de que a revolução que nós pregávamos, ela não era com as armas nem matando ninguém. E que, sim, seria através do conhecimento. E nós montamos, e nós estivemos à frente de uma escola durante, eu, particularmente, trinta e dois anos, outros tiveram mais,

outros ainda estão nessa escola. onde nós colocamos em prática a ideia de que é possível fazer as coisas acontecerem da base para fora. E foi isso que aconteceu.

Então, eu tenho uma relação... com a educação, eu não sou freiriano, não que eu não comungue das ideias do Paulo Freire, mas eu não tenho relação muito, se fosse pensar, eu tenho um pensador, chama Gramsci, eu tenho muito mais e acredito muito mais na concepção dialógica da história, dialética da história, do Gramsci e tal, enfim, tenho muito mais relação com essa coisa do Gramsci, admiro Paulo Freire e tal, mas não sou freiriano, assim, até acho que quando começa a dizer

todo o pessoal da esquerda é todo freiriano, eu fico com vontade de rir. Então, tem muita gente que não é, tem bastante gente que é, e tem muita gente que não é. Então, eu acredito que a escola é o lugar da modificação social. Não é à toa, na minha opinião, e que a extrema-direita tenta acabar com a escola. Porque a escola faz tu pensar. E não se quer uma sociedade que pense. E tu não vai pensar. Tu pode até pensar, eu não gosto disso, eu quero ser de esquerda, ótimo.

De direita, ótimo. Sem problema. Desde que você pensou, analisou, avaliou. Então é isso. Esse é o Pedro. E hoje eu sou... Eu saí da escola e eu sempre cantei em coral. Já falei demais, né? Eu sempre cantei em coral. E eu cantava no coral da UDESC, no coral da UDESC eu cantei, depois eu fiquei ali com a Mércia durante muito tempo, no coral do Instituto. Mas, paralelo ao coro do Instituto, eu cantava já no coral da Catedral Metropolitana aqui de Florianópolis.

Sempre fui cantor ali. E eu fui o cantor que todo maestro gostaria de ter. Olha, a pessoa é convencida. Mas, é, eu não tenho uma voz bonita, mas eu tenho uma voz que a gente chama de uma voz firme, né? E aí eu leio música, então era o sonho do maestro, né? Então tu canta junto com os outros, tu nunca vai ser solista, e eu nunca tive problema com isso, eu gosto de cantar, então o lugar é o de menos, né?

Então eu fiquei muitos anos no coro da catedral, e outro dia eu estava fazendo as contas, eu tenho mais de cinquenta anos de coral da catedral. Eu entrei no coral da catedral com dezessete anos, eu era um menino, adolescente, né? Então, depois, faz sete anos, seis, sete anos, oito talvez, não lembro, que o Padre Ney, que esse cara com quem eu comecei a cantar, ele faleceu. E o cara era uma sumidade, assim, né? Eu tenho poucos defeitos na vida, né? Mesmo.

E um dos poucos defeitos que eu tenho na vida é modéstia. e que eu descobri isso na análise fazendo análise aí eu tinha uma inveja dele, eu dizia nossa mãe, como que alguém pode ser tão brilhante tão inteligente, aí tem inveja de quem é inteligente então eu fico assim, eu fico encantado, eu fico parado olhando, eu me encanto eu tinha isso com ele, igual a Mércia eu ficava olhando pra ela o jeito que ela fazia as coisas, o padrinei e eu, pra encerrar eu gosto muito de gente sabe Então,

e aí vocês podem pensar assim, mas que coisa contraditória, né? Um cara de esquerda que canta na igreja tem uma admiração profunda por um padre e uma outra admiração profunda por uma pessoa da igreja presbiteriana, que era a Mércia, né? Então, mas isso não, pra mim, não era um... convivia com os dois, inclusive, né? De frequentar a casa da Mércia, família e tal. E com o padrinho aí a gente era muito próximo também, de frequentar o ITESC, de a gente

conversar, enfim. Então esse sou eu na fila da apresentação, ou na fila do teatro, para comprar o ticket, enfim. Hoje eu sou o maestro, aí ele morreu, e hoje eu sou o maestro do coral da Catedral de Florianópolis. Muito bem, Pedro, é muito bom

recordar isso, né? E as suas palavras nos levam à ideia que motiva o nosso trabalho aqui no ECK, que é justamente o multiculturalismo, a possibilidade de nós dialogarmos com várias correntes de pensamento, muitas delas religiosas, outras não, para que, a partir dessa colchinha de retalhos, nós tenhamos condições de que cada um tome as melhores

deliberações para a sua vida. todos esses personagens aí da música também convivemos de perto, você sabe disso, foi em oitenta e três que eu conheci o canto coral, passei pela Mércia, passei também pelo Ney, passei por muitas pessoas, pela Aurélia, Enfim, por todos aqueles que foram responsáveis pela minha formação musical, assim como a tua. E a gente tem muita gratidão. E a religião permeia isso tudo, né, Pedro? A religião católica, a religião

protestante. No nosso caso, particularmente a religião espírita, esses vários tecidos, esses vários modos de entender a religiosidade e a espiritualidade vão também formando o que é o Marcelo, o que é o Pedro, o que é o Jovão, o que é cada um dos que estão conosco hoje. ao vivo nessa noite. Então, desse jeito, nós vamos construindo a nossa fala, o nosso contexto de hoje. Aproveitando que o Juvan ainda não conseguiu entrar, eu vou emendar a segunda pergunta. Pedro, você é religioso?

Você possui espiritualidade? Você se encontra hoje afiliado a alguma igreja, alguma concepção religiosa, alguma religião? Já foi filiado a alguma? Até quando? Está mutado. Se você quiser deixar... Não, eu deixo ligado e alguém desliga. Não fui eu que desliguei. Legal. Tá bom. Então, assim, quando eu era adolescente, eu fazia parte, eu tinha muita vontade, eu sempre quis ser padre. E eu fui para um seminário, fui seminarista do Seminário Menor Capuchinho, no Paraná.

E a experiência lá foi uma experiência muito interessante, foi uma experiência... Foi maravilhosa a experiência da minha vida, né? E foi interessante porque eu tenho um gosto e os gostos a gente aprende, a gente não nasce com eles, né? Eu aprendi a gostar, eu penso que tudo, a vida inteira é isso, nós aprendemos a gostar, enfim, né? E a história de estar lá no seminário, me foram apresentados os clássicos. Então, desde a vida inteira, eu sempre fui muito apaixonado

pelos clássicos todos, né? E nesse meu processo de ter sido apresentado aos clássicos e tal, depois eu saio do seminário, eu saio do seminário, já venho para a casa dos meus pais, volto, né? Fiquei pouquíssimo tempo lá, volto para a casa dos meus pais, mas até essa idade de dezesseis, dezessete anos, eu convivia dentro da igreja católica, aqui na Trindade, onde eu moro até hoje, junto aos capuchins. Então eu tinha uma relação muito profunda com isso. E fazia parte de um grupo jovem,

né? que era, o nome do grupo jovem era Grupo Irmão Sol, que tinha relação com São Francisco de Assis, não é? E, nessa época, a gente, eu cruzo, então, na adolescência, com a teologia da libertação, entende? E, por uma falta de habilidade em lidar com jovens, e eu acho que isso é um problema que eu conheço de perto, não é mais, da Igreja Católica, das outras religiões eu não conheço, não posso falar, eu posso falar da

que eu estive perto. É de inabilidade de conviver, de lidar com os jovens, na linguagem dos jovens, tanto que os últimos dois papas, se não me engano, estão fazendo jornadas mundiais da juventude, porque é preciso tu estar discutindo com essa gurizada de uma outra forma, não é? Então, e na minha época a gente não teve essa possibilidade,

vamos dizer assim. Bom, aí o padre dizia para a gente, o padre que estava ali, coordenador, ele dizia assim para a gente, ah, vocês, o nome do grupo era Grupo Irmão Sol, GIS. E aí ele dizia que nós éramos o GIS que não escrevia. E aí, nessa história toda, eu fui apresentado por uma questão mesmo de... De filiação ali, eu acabei me filiaçando no sentido de conhecimento, fui me apresentar ao Partido dos Trabalhadores. Mas nesse grupo que nós fazíamos parte, tinha gente que foi

militar no PCdoB, por falta... Eu vou afirmar isso de novo, por inabilidade da igreja. Pode falar. Eu também no PCdoB. Ah, é? Então, é. Aí nós somos... Eu fui pro PT e alguns amigos foram pro PCdoB e que militam até hoje. São pessoas que foram e estão, são militantes do PCdoB até hoje. Eu saí do PT, vim para o Partido Socialismo e Liberdade e eles continuam, alguns continuam no PT. Eu não lembro de ninguém que tenha parado de militar ou não esteja na vida política da cidade até hoje.

Faz tempo isso, então, né? Bom, nessa história toda, eu passei a não ter mais nenhuma relação com a igreja, eu sou uma pessoa que não tenho, eu sou agnóstico, eu não me vejo com problema nenhum com relação a nenhum credo, não defendo nenhum credo, não professo nenhum credo, e hoje eu rejo o coral da catedral, então dizer assim, um ateu que rege um coro de igreja católica, parece contraditório, mas eu tenho uma relação afetiva e amorosa com aquele coro, entende?

E é interessante porque eu não me incomodo de estar nas missas, eu gosto de estar lá, tanto que eu estou lá porque eu quero, não

é? e não é por causa do coro, eu estou lá porque eu quero, não me incomoda estar ali, eu acho que as salas que o Cristo fez e que são atribuídas a ele, eu tenho essa dificuldade de dizer que foi, porque eu sempre acho que foi atribuída a, e a gente que está aí no processo de ler e nos tornar uma pessoa melhor, A gente sabe que muitas das coisas na Idade Média se destruíram, se construíram e se reescreveram. Então eu tenho uma dificuldade de dizer que é isso ou não é.

Mas isso não me incomoda. Entende? Não me incomoda. Porque o princípio básico, que é respeitar o outro, amar o outro, isso é para todas as religiões e isso é para quem é ateu, agnóstico ou o que quiser. A gente tem que... A gente tem que... Como é que é a musiquinha? Amar o outro como se não houvesse amanhã e pronto. Não tem saída. Não tem saída. Não existe saída para nós, enquanto seres humanos, se nós não amarmos o outro. Nós não tivermos uma relação de... de sobrevivência.

O outro, para mim, Marcelo, é... é a razão de eu viver...

entende? e eu sou... as pessoas olham para mim às vezes... elas dizem assim... nossa tu és tão solitário... porque eu vivo muito sozinho... mas... eu não sou solitário... eu conheço muita gente... eu convivo com muita gente... mas eu gosto muito de estar sozinho... e eu gosto sempre de dizer... eu falei isso... então é bom eu completar... eu tenho zero problema de ficar sozinho... ou de estar sozinho... porque eu tenho a sensação de que eu estou

bem... Eu não sofro, eu não tenho um processo de, oh, meu Deus, eu estou sozinho, oh, o que é que eu vou fazer? Eu adoro, tanto que eu viajo sozinho, eu gosto de ver, porque eu gosto de gente. Eu gosto muito de gente. Eu sou... Sabe o filme Advogado do Diabo? Já assistiu? Aquela frase do diabo, assim, aquela frase que o diabo diz, né? eu sou um humanista, eu adoro, eu me misturo, eu me sujo, eu me encharco de gente.

Quando ele fala essa frase no filme, eu fiquei assim, mas que coisa, Madu, mas sou eu, eu sou assim, eu gosto de gente. Então, eu gosto de gente. E eu acho, assim, para encerrar essa minha fala, eu acho que é por isso que eu sou socialista, sabe, Marcelo? Porque eu gosto de gente. Eu não posso achar normal alguém não ter as condições mínimas para sobreviver com dignidade. Não posso achar normal. Como é que eu posso achar normal isso?

Entende? Como é que eu posso achar normal alguém andar com o carrinho, com o cachorro dentro e humanizando um animal? Eu tenho pena do cachorro. Entende? Por que eu tenho pena do cachorro? Porque ele é cachorro... ele não

é gente... sabe? Então a gente tinha... eu falo isso às pessoas... eu sou candidato... então eu perco um monte de votos quando eu digo isso... porque as pessoas não deixam concluir... mas aqui eu vou poder concluir... porque assim... você tem que tratar as pessoas para que as pessoas cuidem dos animais... ele não vai cuidar da gente... nós vamos ter que cuidar dele... Nós vamos ter que cuidar, inclusive, da sobrevivência dele como animal. Como dos gatos, como dos cavalos.

E hoje, a gente está vendo aí, na nossa sociedade, a história da carne bovina. Não é? Aonde que esse consumo que o capital disse e nos ensinou a gostar, relegando qualquer outro tipo de proteína, tem que ser aquela porque é aquela da lucro, Entende? Como que a gente lida com esses animais que deveriam estar aqui vivendo, né? Normalmente, assim, e não num patamar acima da gente. E aí o ser humano aqui, os animais... Como assim, gente? Aí vai lá na Bíblia e nós não somos tudo por tudo, né?

As árvores do céu, as plantas... Tá tudo ali. Então, eu vejo que... Eu penso um pouco isso, assim, sabe? Eu gosto de gente, eu sou apaixonado por gente. E, para encerrar de verdade, Marcelo, minha única, única tristeza... A minha mãe disse para mim, assim, eu sou o filho legal, sabe o que é filho legal? Aquele que parece que não tem problema na vida, né? Daí ela disse para mim, assim,

eu não quero mais viver. Aí eu fiquei pensando, eu saí de perto, fui andar, e eu disse, como que alguém não quer mais viver? E aí, eu tô dizendo isso porque é a minha única, a única tristeza que eu tenho. Acho que eu já falei isso pra ti uma vez. Eu sou, além de eu gostar muito das pessoas, eu gosto muito mesmo, eu gosto de gente, eu amo estar vivo. Ah, eu falei isso pra ti sim. Eu acho que eu disse pra ti que se eu morrer, eu não vou pra lugar nenhum.

Se tiver alguma coisa, eu não vou pra lugar nenhum. Eu vou ficar aqui porque eu adoro isso aqui. É o fim do mundo dizer isso, né, Marcelo? Não, esse é um ponto que a gente também tem se debatido na crença espírita, né? Você deve ter visto a repercussão do filme Os Mensageiros, que foi a continuação do filme Nosso Lar, duas obras fotografadas por Chico Xavier. A ideia é que o espírito... Não viu? Nosso lar eu vi. A ideia que o espírita tem generalizadamente é que vai

morrer e vai para aquele lugar. E aí nós do SK temos dito, a contrário do censo, e para escandalizar muita gente, que nada daquilo existe, não existe um mundo espiritual como as pessoas querem esperar que tenha. Eu costumo dizer, nós aqui no SK, que o nosso lar é o paraíso que os espíritas esperam da mesma forma que os demais

cristãos esperam o outro. E o umbral é o inferno que está em Dante, que está nas Escrituras, aquela região de sofrimentos mais ou menos duradouros, conforme o mérito de cada um. O SK diz o seguinte a respeito disso. Quando você morrer... Quando você desencarnar, quando não houver mais o envoltório físico, você estará aqui, no lugar onde você sempre esteve. Você vai continuar vivendo na companhia daqueles que ficaram

por aqui. Os teus amigos, os teus inimigos, os teus familiares, as pessoas que você gostava, se relacionava, as ocupações, as vivências. Tudo isso vai continuar com apenas uma diferença. Você será um ser desmaterializado.

Claro que nós não empurramos isso a iguela abaixo como se fosse uma crença dogmática, apesar das igrejas cristãs, entre elas incluída a Igreja Espírita Tradicional Brasileira Majoritária, o mainstream espírita, representado pelo Ente Federativo Nacional, no nosso caso, induzem as pessoas a acreditarem nessas ideias que passam a ser ideias coletivas. Então, Pedro, o nosso caminho nesse ponto também se cruza, o meu e o seu, e de grande parte dos companheiros que aqui estão

fazendo o ECK. Nós não temos religião. nós não achamos absolutamente necessária a ideia de participar de um culto, mas eu e muitos aqui ficam muito felizes de entrar numa igreja e assistir uma missa, um culto, ou assistir uma palestra bem feita na logosofia, na seixo noê, no racionalismo cristão, num centro espírita, porque onde tiver qualidade, isso vai preencher você espiritualmente, a sua mente e o

seu coração. A questão de rituais, de vinculação, de se expressar dessa ou daquela maneira é um direito pessoal intransferível. Eu não sou religioso, eu sou laico. Eu não chego a ser agnóstico como você, porque eu substituo particularmente a ideia de Deus, que para mim ficaria muito melhor se fosse Deus aqui entre

nós, se fosse um ser feminino. Mas não sendo nem um ser masculino nem feminino, porque aí seria a imagem e semelhança do homem, essa divindade, nós aqui no ECK temos professado em grande parte dos nossos trabalhos a ideia de que é uma origem, e que essa origem não tem formatação alguma. Claro que tudo veio de uma origem. Não nasceu do nada. Não foi gerado de forma espontânea. Tem uma razão de ser.

Como essa razão, nem eu, nem você, nem religioso algum sabe como é. Apenas existem ter diversações. Apenas existem teorias, filosofias ou dogmas. E cada um fica à vontade para escolher os seus. Muito boa essa tua colocação do pensamento da humanização dos animais. E a gente acha que tratar bem os animais é humanizá-los, é colocá-los na nossa mesma prateleira. E por alguma razão espiritual, por alguma razão universal, homens e animais têm papéis

diferentes no nosso planeta. Quando você transforma homens em animais, como por exemplo as pessoas que acabam vivendo nas ruas, sem qualquer higiene, sem qualquer condição de vida, sem qualquer condição de dignidade, você está animalizando os

homens. E quando você coloca o animalzinho, gato, cachorro, ou mesmo um outro tipo de espécie animal na condição de humanizando, tratando ele como filho, dando a ele as condições que daria a um ser humano, você também está retirando a natureza e, de certa forma, retirando a dignidade do ser animal de viver como ele foi concebido e qual a sua missão, o seu papel nesse grande jardim que é o universo.

Vamos adiante. O Juvan ainda não entrou, então nós vamos tocando eu e você esse bate-papo aí que está muito legal, está muito criativo, está muito instrutivo e que cada um de nós vai, no final, aproveitar da melhor parte. Pedro, nós vivemos num país literalmente, constitucionalmente, no papel chamado de laico.

Um Estado laico é aquele que não tem vinculação religiosa alguma e que, mais do que isso, respeita qualquer manifestação de fé, de crença, de religião, seja ela minoritária ou majoritária, colocando-a, no plano ideal, em igualdade. Aí eu te perguntaria... Como devem ser ou como deveriam ser as relações entre política e religiões ou religiões e políticas partindo desse pressuposto do Estado laico?

E por que essa pergunta? Porque nós temos nos ambientes públicos, nós temos, por exemplo, Nas duas casas legislativas federais, o Senado e a Câmara dos Deputados, assim como devemos ter no plenário da Câmara Municipal de Florianópolis, eu acredito, não estive lá recentemente, mas acredito que tenha, um crucifixo. um símbolo religioso, dogmático, um símbolo que pertence a uma configuração

religiosa e não a todas. A grande maioria dos homens hoje sobre o planeta, aliás, é formado de não cristãos. Dois terços da humanidade sequer sabem quem é o Cristo, quem é Jesus, qual foi a sua missão. e não tem qualquer relação com isso. Então, como conviver política e religiões partindo desse pressuposto da laicidade do Estado? Deixa eu tirar aqui. Então, Marcelo, eu não tenho a menor dúvida, zero, que o Estado... Deve ser laico. Precisa ser laico. É condição para que exista o

Estado laico. O contrário do Estado laico, na minha opinião, e eu acho que essa opinião, eu mudo de opinião. Hoje, com sessenta e quatro anos, eu mudo com muito mais rápido, inclusive. Mas eu acho que isso que eu vou te dizer, eu não vou mudar de opinião, não. Tão cedo, vamos dizer assim. o Estado religioso vai nos levar a uma ditadura religiosa. Entende? Não vou citar nenhuma religião, porque não seria correto, mas nós temos ditaduras religiosas e

que são horríveis no mundo hoje. Todo mundo aqui conhece. Onde... Mulheres são menos que homens, onde a leitura, na minha interpretação, ela é enviesada sobre as palavras que ali estão, enfim. Que vai um pouco... Enfim, é complicado. Quando eu vejo um pastor evangélico ditando regras de vida, ditando regras de comportamento, eu vejo que se tenta, de fato, transformar um país, no caso o Brasil, num país religioso. Mas pior ainda, religioso de uma

religião. Assim como a religião católica, ela tem essa questão que tu colocaste ali. E nós tivemos uma experiência aqui em Florianópolis com o vereador Lino Pérez, que fez uma discussão na Câmara dos Vereadores e as pessoas disseram, nossa, ele quer tirar Jesus de dentro da Câmara. Não, ele estava dizendo que aquele ambiente é laico, ele comporta signos, símbolos de qualquer religião, de qualquer religião. Então, e aí as pessoas já entenderam que não, que não era

nada que... Enfim, o Molino teve problemas bastante ruins, assim, né? E quero te dizer, sem medo de errar, ali estava o começo desse malefício que se chama bolsonarismo, né? Hoje. Essa coisa, essa corrente horrorosa, não é? Horrorosa. E que me lembra muito, sabe, Marcelo? Condições horrorosas da extrema esquerda também. Entende? Igual. Igual. E eu defendo que a extrema esquerda e a extrema direita, elas andam de braços dados, elas são queridas, elas se adoram,

inclusive. Não sei o que elas falam uma da outra. Podia se abraçar e sair juntas, porque pensam igual. É a minha ideia e o outro tem que ser assassinado. Não é? Então, quando eu falei no início dessa conversa que eu me dei conta que não era através das armas que as coisas iam se constituir, porque eu tive contato com isso. eu não cheguei a militar em nenhum grupo, mas eu fui apresentado, eu disse,

mas como assim? Não dá, não tem a ver, eu acredito nas pessoas, eu gosto de gente, e o processo, e eu tenho, claro, assim, eu vou resgatar um pouquinho ali atrás, não sei se depois eu consigo amarrar mais pra frente de novo, mas quando eu digo que eu amo viver e que eu não gostaria, a minha tristeza é a morte, né, porque o ser humano, na minha leitura, ele já foi tão ruim, nós já fomos tão horrorosos, nós matávamos, aí, entenda, matávamos, no inglês tem um

verbo, present perfect continuous, a ação que começou e continua até os dias de hoje. Nós matávamos crianças que nasciam, com alguma deficiência... não é? nós matávamos... nós pegávamos crianças com deficiência... amarravamos numa... eu digo amarravamos porque nós somos humanos... então participávamos disso... enquanto seres humanos... amarravamos uma corrente nos pés... para que elas não incomodassem... e não envergonhassem a família...

quando vinha visita... E aí botávamos essas crianças no sótão. A visita, para azar da família, ia dormir na casa. Não é? A criança acordava e brincava. Aí, à noite, eu escutei barulhos de fantasma na casa. Correntes sendo arrastadas. Aquela criança com deficiência acordava, ia brincar. E, claro, que aquele barulho... Então, a gente fez isso com criança. Nós matamos mulheres por nada. E aí, homossexuais... E nós matamos negros a rodo.

Porque nós negros, quando fomos trazidos para o Brasil, nós éramos essa caneta aqui. Nós éramos essa caneta. Funcionando. Não funciona mais, lixo. Então nós matamos muita gente. E nós chegamos hoje numa situação que é muito melhor do que foi ontem. Muito melhor. E aí, quando tu faz a pergunta, eu penso assim, o Estado religioso, seja ele de qual for a religião, eu tenho certeza absoluta, dentro das poucas certezas que eu tenho na vida para além da morte, é... eles

têm saudade disso. Sabe? Eles têm muita saudade de achar que é no medo... é no susto, é te deixando em pânico, que tu vai acreditar numa entidade e que tu vai ter uma vida. Os desejos, os desejos individuais, as perversidades que nós todos temos e que nós aprendemos a controlá-las todas, numa coisinha que a gente aprendeu e tem nome, que se chama civilização, ela comporta a mais variada diversidade. E essa diversidade, na minha opinião, Marcelo, ela só é possível através de um Estado

laico. Se você quer viver numa história com algumas regras muito definidas, tu te filia a uma religião e vai viver. E não vai te interferir na outra

vida do outro. né, eu vou pegar o caso, no meu caso pessoal, né, não vou falar no meu caso que sou gay, né, mas tu vai pro inferno, mas aonde, qual é, qual deles, assim, o que é que tem lá, né, não, porque isso é uma abominação, mas quem te disse, aonde que você lê o que é uma abominação, aonde é que, lê, lê, lê, eles leem, né, mas assim, então... Outro dia eu vi, assim, é uma construção baseada no medo e na punição. E tem um livro lá do Foucault, né? Vigiar e Punir, né?

Sabe? A vida, a beleza da vida não é vista em gente como eu, como as lésbicas, como quem não está fora desse espectro, homens e mulheres brancos. Homens e mulheres... Ah, não, eu também sou... Vamos fora. Viva a nossa. Aí não dá, Marcelo. Senão a gente vai ter que botar o Zélio. Porque o capital vai inventando moda para poder... Não, é. Porque o capital vai inventando moda para ganhar dinheiro. Entendeu? Eu nunca esqueço. Eu vou dizer uma coisa aqui que eu gostaria que fosse muito bem

entendida. O movimento negro... Ele brigou, brigou, brigou, brigou, brigou, brigou para que nós negros tivéssemos a possibilidade de sermos vistos como pessoas de direito e tal, tal, tal. O que é que o capitalismo se faz com isso? Se apropia. E aí, tu passa a ver uma série de pessoas negras em vários espaços hoje, na televisão, a propaganda, tá tudo ali colocado, né? E depois tu vai ver essas pessoas, elas dizem, não, mas eu

tô falando da Jojo Tadinho, né? ela chega de um jeito e depois ela diz, não, mas eu não penso assim, eu cheguei por causa disso, mas eu não penso assim, eu não sou desse tipo, sabe?

Então, para encerrar, eu tenho certeza absoluta de que o Estado tem que ser laico, laico... a laicidade é fundamental... eu concordo contigo que não deveria ter... ou tem de todos ou não tem... símbolo... signo de ninguém... E ele tem que ser laico para que a mãe de santo que professa aquela religiosidade que tem relação com a natureza, ela não tenha o seu espaço vilipendiado. Ela não sofra agressão na rua. Para vocês que são espíritas, não ter, sei lá o que se fala,

mas assim, mal dizer, entende? É uma coisa maluca, é uma coisa maluca. E é só o Estado laico que pode garantir o direito à religiosidade. A mais plural das manifestações religiosas. Só o Estado laico. Porque se o Estado for coordenado por uma lafaia da vida, todo mundo terá que virar evangélico da primeira igreja dele. Não é qualquer uma, porque é a dele, entende? E aí, nesse ponto, pode discordar, tu podes discordar, vou até gostar de ouvir a tua discordância.

Eu acho que a igreja católica, ela é mais... Eu não conheço as outras, né? Então, estou até já começando o equívoco para afirmar. Mas no meu dia a dia, no que eu convivo... Eu acho que a Igreja Católica tem um monte de pecado aí no meio do caminho, né? Mas essa liberdade de escolha, ela tem até hoje. Ela consegue garantir que as pessoas decidam o que elas vão fazer. Claro, tem uma aula ali, né? Opus Dei, que jura que se tu sair da linha, tu vai pro inferno e queimar. Vivo!

Não sei... mas as outras igrejas eu acho muito nós somos a verdade, não é Jesus que eu sou o caminho, a verdade e a vida ela é a verdade, o caminho, a outra é tudo pecado tu pega esse pessoal que se converteu eu tenho um amigo que ele era adicto se converteu, é uma coisa insuportável de ficar perto porque ele é a verdade entendeu? ele é a verdade a gente substituiu uma droga por outra claro eu não tenho dúvida também

Eu também não tenho dúvida. Mas eu penso isso, sabe, Marcelo, que é complicado, assim, o Estado tem que permanecer laico para que todos possam ter o direito à religião. A sua religião, a sua escolha. Não quer dizer arreligioso, porque todos vão ser arreligiosos. Cada um vai ter a sua religiosidade e vai ter o direito de professar ou não uma religião. Vai poder o direito de dizer se é ateu, que é agnóstico, que

seja o que quiser. Mas todos vão ter o mesmo espaço, todos vão ter os mesmos direitos. É nesse sentido que a gente fala tanto. Vamos chamar então que toquem os clarins para Juvan Souza Neto. Vem para cá, Juvan. Gostando desde já da ótima discussão que o Paulo está fazendo. Travou? Acho que deu uma travadinha aí. Está tudo ok aí, gente? Está tudo ok aí o... Aqui vocês sumiram da tela. Nós estamos aqui. E agora você também está. Então vamos continuando aqui.

Pedindo desculpas aí porque eu justamente estou na campanha, estou na corrida, então estava no interior de Barra Velha agora pedindo voto nessa experiência Nessa experiência aí, nessa experiência pela primeira vez, eu sempre fui muito ligado à política, Marcelo, mas na condição de jornalista, de assessor de imprensa, realmente vivendo bastidores da política, e agora a gente se lançou nesse desafio de ser candidato a

vereador. Nós estamos aqui, só para fazer um breve retrospecto, estamos aqui numa cidade, numa das quase trinta cidades brasileiras, que estão com o seu prefeito, nesse momento, preso, por conta de denúncias de corrupção.

Então, é um momento difícil da história do município, um momento difícil, porque nós tivemos praticamente toda a cúpula da prefeitura retirada do município, do comando do executivo pelo GAECO, pelo Ministério Público, e a cidade hoje está, infelizmente, está aos pedaços, literalmente.

Para quem conhece Barra Velha, nós temos quase cinquenta mil habitantes, temos nove praias, é uma cidade belíssima, com uma lagoa, com uma península, com vários costões de pedra, enfim, um potencial turístico enorme, mas nós estamos com pelo menos dez grandes obras aqui do município paradas por conta da corrupção. Na história recente do município é o quarto prefeito, quarto prefeito afastado e pela primeira vez preso em decorrência das investigações.

Foi afastado em janeiro e está preso ainda. Então, essa conjugação de situações difíceis também que me levaram a ao desafio de ser candidato a vereador e decidir ser candidato a vereador. E também o perfil da nossa candidata a prefeita, que é uma estreante na política, é uma professora pós-doutora da Unicamp, é um perfil

completamente diferente. A primeira mulher da história de Barra Velha candidata a prefeita é um perfil completamente diferente daquilo que a gente viu até então na política. Estamos numa chapa muito alternativa. e enfrentando os mesmos coronéis de sempre, financiadores e empresários interessados em que a coisa não mude, que a coisa continue como

sempre foi. Mas pegando, então, agora, continuando a questão que o Paulo já vinha comentando, acredito que não há nenhum acréscimo a fazer com relação ao que foi dito, porque justamente é esse amadurecimento que eu acho que é, como é que eu posso dizer, Marcelo, é fruto da lei da evolução, é esse amadurecimento da sociedade que fez a gente vencer justamente essa série de coisas que o Paulo

ali citou, né? As barbáries, a morte das mulheres, a escravização de seres humanos e ainda mais seres humanos negros, né? estamos aí num momento da história que, apesar dos pesares, nós ainda nos entristecemos muito ao ver, por exemplo, o que está acontecendo aí na faixa de casa, né? Mas os avanços que já tivemos foram avanços garantidos, assegurados justamente pelo influxo, não é, Marcelo, da lei de evolução, né?

seja, e vou usar uma retórica bem, uma expressão bem conhecida na doutrina espírita, seja pelo amor ou pela dor, mas nós temos que evoluir. E agora estamos nesse momento em que estas conquistas já asseguradas, elas foram postas à prova, desde a ascensão do chamado bolsonarismo, Mas o que a gente observa é que esta vertente de pensamento que ora se chama bolsonarismo, que nada mais é do que a extrema direita e o fascismo, as suas vertentes, de volta, essa vertente de

pensamento sempre existiu na sociedade. e ela aproveitou a presença de um homem desclassificado em qualquer ordem para eclodir novamente. E eclodiu até mesmo, e eclode ainda, e repercute ainda no próprio movimento espírita. No próprio movimento espírita nós temos alguns porque efetivamente pensam dessa forma. Infelizmente, e outros porque vão na onda, na carona do senso comum e porque não pararam aí para refletir aquilo que defendem.

Aqueles que ainda não pararam para refletir no que defendem e aqueles que foram arrastados pela torrente das fake news, pela torrente da manipulação dos algoritmos, pela torrente que levou à casa de cada um uma forma de ver e de pensar que se baseia pelo senso comum e que gerou, em expressivo, o segmento da sociedade, como o movimento espírita também integra a própria sociedade, levou esse povo todo a esse tipo de

pensamento, né, Marcelo? A esse tipo de... de... de... ideário que... que demonstra, de certa forma, que muito possivelmente essas pessoas não pararam para refletir, porque estão defendendo aquilo que é indefensável.

E quando nós vamos, né, Paulo e Marcelo, quando nós vamos ao dois, dois, três, nove, tem dois, três, nove, se não me engano, no livro dos médios, nós vamos ver justamente o conceito que Kardec traz de fascinação espiritual, e nós vamos observar que é... é justamente isso que a gente está vendo. O conceito de fascinação, consoante o livro dos médios, ele nos mostra pessoas, e aí eu não vou usar literalmente, mas pessoas que não conseguem ver o extremo do ridículo das ideias

impensadas que estão defendendo. Elas são levadas por essa torrente. Para eles é muito natural, para eles é muito... é muito normalizada aquela situação. E quando o Paulo falou ali também dos problemas da extrema

esquerda, sim, sim, concordo. Porque nós temos ainda hoje, mesmo na esquerda brasileira e mundial, nós também temos integrantes da esquerda que ainda coadunam com práticas de ditadores de esquerda e que suprimiram liberdades também e que afrontaram liberdades e que mataram, não é? Então, não podemos pensar que só o lado deles é que pode ser acometido de uma fascinação espiritual. O lado de cá também. Eu não gosto de usar muito,

Marcelo, o termo trevas, né? Porque meio que no movimento espírita parece que virou um chavão, né?

assim como na religião tradicional nós atribuímos nós criamos um desculpismo na religião tradicional atribuindo tudo às trevas no movimento espírita também tem as as argumentações e as justificativas para os problemas que nós enfrentamos com a tal da treva, virou tudo treva as trevas que estão fazendo mas eu vou usar essa expressão batida na falta de outra, talvez, mas são sim trevas que estão carregando homens e mulheres, muitos deles até de boa vontade,

a defender aquilo que não é defensável, seja na esquerda, seja na direita. Mas, claro, a torrente criada pelo fascínio da manipulação do algoritmo faz com que a gente veja, e eu vi ontem ainda dirigentes... adeptos da doutrina espírita, saudando, por exemplo, o Pablo Marçal. Eu acho que ainda é pior do que aquele ex-presidente que nós tivemos. E continua assim a expressiva parcela do movimento espírita e da sociedade.

Laicidade do Estado sempre, direitos humanos sempre, Constituição sempre, e democracia sempre, mesmo com as suas falhas. Mesmo com as suas falhas, A democracia é isso que o Paulo falou, é o direito, é que assegura o direito de todos nós termos a nossa individualidade respeitada, né? O Paulo deve ser um codinome do Pedro Cabral em outra encarnação, sabe, Gilvan? Mas tudo bem, Pedro e Paulo têm toda uma conexão aí dentro do

cristianismo, né? Como a telinha dele voltou lá para trás, eu para mim aqui olhando, a gente está velhinho já, né? Então tudo bem, tudo está corrigido. Tudo bem. Beleza. Veja quantas conexões a gente consegue fazer nesse momento. Nós três somos homens da comunicação, porque o Pedro, como professor, também é um comunicador nato. Eu e o Juvan somos jornalistas, eu também sou professor, a gente acaba trabalhando com ideias e

tendo esse fascínio da palavra. E isso é muito importante no tema que nós estamos debatendo, porque ele tem realmente inúmeros, muitos mais defeitos do que nós três juntos. Esse personagem que foi citado aí e que eu muitas das vezes até... me reservo ao direito de não repetir o seu nome, o seu nome político. Agora, ele tem, e nós não podemos deixar isso de lado, um fascínio sobre as multidões que eu só vi na história na pessoa de Adolfo.

Adolf tinha, me parece, o mesmo fascínio e muitas similaridades em relação à origem e à trajetória que justificam, inclusive em termos espirituais, sabe, Pedro? essa reverberação das mesmas ideias que já estiveram presentes na humanidade. Você falou disso na sua última

intervenção. Parece que volta tudo aquelas ideias passadas que nós pensávamos que estivessem colocadas em um baú hermeticamente fechado, com muitas correntes, e jogado no oceano mais profundo do planeta Terra. Isso não é verdade. Essas ideias afloraram com uma violência e com uma persuasão, com uma força de contágio que é muito mais do que a nossa visão

material pode presumir. Pegando um gancho também na fala do Pedro anterior, Pedro, você falou de culpa, aliás, de medo e de salvação, que faz com que as pessoas se aferrem a dogmas religiosos, a verdades religiosas, e fiquem ali presas àquilo e não consigam pensar fora daquele quadrado. Nós aqui no ambiente espírita, o Juvan sabe disso, temos dito com frequência que não é um binômio, não é medo e salvação, é um trinômio que faz parte da humanidade planetária neste

momento. É o medo, É a salvação, mas no meio tem a culpa. As pessoas se acham culpadas de algo. As pessoas se julgam culpadas e imerecedoras de benesses espirituais, de dons, de dádivas, de vida melhor, de felicidade, de proveito, de bem-estar. Porque há algo dentro do seu espectro físico-material, físico-espiritual, que mostra com que elas têm um culpa no cartório. Se não nessa vida... ou em existências anteriores. Então, todo esse caldo cultural misturado dá vazão a essa ideia

de messias. Não só o messias da religião, mas o messias da política, como nós experimentamos, infelizmente, nesses tétricos Quatro anos antes do atual mandato presidencial. Nós vamos colocar mais um pouquinho de lenha nessa fogueira.

Temos tido aí vários comentários elogiosos a respeito da escolha do tema e das colocações que têm sido feitas aí pelo Pedro e agora pelo Jovã. Eu perguntei sobre a laicidade do Estado e agora eu vou entrar um pouco mais fundo nessa ideia de relação entre política, religião e sociedade. Como é que nós podemos, vou começar por você, Juvan, que chegou depois, como é que nós podemos diferenciar A ação política e político-social da ação político-partidária.

Em outras palavras, em que situações ou contextos essa ação político-partidária colabora com o espectro social, político-social, e em que momentos essa... fixação na ideia política a partir da vinculação político-partidária dificulta ou prejudica que se alcance aquele resultado político-social, sobretudo em termos de melhoria da sociedade? Bem ampla a discussão e bem complexa a questão, Marcelo. Para entrar nela, eu queria citar o seguinte.

Eu assisti, talvez o Marcelo tenha acompanhado, talvez o Pedro, uma recente entrevista da Dora Encontre com o sobrenome desse escritor, é Perissé. Ele lançou um livro recente sobre um novo conceito filosófico, o conceito de assédio espiritual. O assédio espiritual que as pessoas estão sofrendo dentro das suas respectivas casas

religiosas. Político partidário. ou de muitas outras formas, mas usa-se a força da liderança, da significação do sacerdote, do pastor, do médium, do presidente da casa espírita, do pai de santo, usa-se esta significação para exercer um assédio espiritual sobre a pessoa.

E o Perissé, que escreveu esse livro, fala... abarca ali todas as religiões nessa obra, tem aí no YouTube a live com a Dora, e ele diz o seguinte, isto, esta figura do assediador espiritual, ela acontece muito por conta do fato de que existe um fanatismo, existem pessoas que seguem líderes cegamente. Ponto. E ele colocou numa outra ponta a existência avaliando na filosofia a mesma questão, ele colocou em outro ponto a existência, a possibilidade da existência do fanático antifanáticos.

É uma coisa curiosa. Existe o fanático seduzido por falsos mitos, assediado dentro do seu ambiente religioso, E existe a pessoa que acorda para aquilo, que vai denunciar aquilo, mas que também fica fixada nesse cenário de denunciar ou de combater este assédio, a combater este mau uso, principalmente da fé religiosa. É aquele que se fanatiza no combate, que também se torna uma... eventualmente pode se tornar uma pessoa tóxica.

Por que eu usei esse exemplo? Porque para responder essa questão, Marcelo, a gente tem que entender o seguinte, é muito tênue a linha entre a política partidária e a política como ciência do bem comum, a ciência do bem-estar social, a ciência de levar até as pessoas essa possibilidade, esse conhecimento. E eu relutei muito, Marcelo, de aceitar ser candidato a vereador aqui na minha cidade.

Relutei até onde eu pude. Mas esse cenário que eu citei lá atrás, prefeito preso, secretários presos, vereadores omissos, me levou a entrar para a campanha política sabendo que um vereador não vai mudar o mundo. Aqui nós somos nove. Vamos para onze na próxima

legislatura. Eu já sei que domingo que vem, quando fechar a urna, anunciar o prefeito eleito, já vai tocar o telefone de seis, sete destes eleitos e eles já vão se vender na largada para o novo poder estabelecido para fazer a maioria do futuro prefeito da Câmara. Eu sei disso. E eu não vou. Caso a minha candidata não chegue, eu não estarei no barco de nenhum deles. Nem que eu fique sendo Moisés clamando no deserto. Paulo, apóstolo Paulo, clamando no deserto sozinho. Não vou.

Eu quero ser um vereador, se a população me colocar na oposição, eu quero ser um vereador de oposição. Crítica consciente. Mas a política como construção do bem comum... dentro de uma igreja, de uma agremiação de fé, de uma casa espírita, e aí eu entro na resposta, Marcelo, ela tem que ser muito bem dosada para que você não caia na tentação da política partidária, que não deve ser feita, por exemplo, nesses ambientes, né? Kardec faz esse alerta.

Aliás, o alerta de Kardec, né, Marcelo, ele é usado de maneira, a maneira de senso comum, né? Ah, o alerta de Kardec sobre os espíritas na política, política nos centros. Ali havia uma conjuntura, conjuntura da ditadura, ao tempo de Kardec, Napoleão III, As reuniões eram proibidas, havia toda uma conjuntura. Mas não é que Kardec não queria discutir temas políticos e sociais. Ora, eles estão nas leis morais. Eles estão ao longo da Revista Espírita, eles estão nas obras de Kardec.

A começar pelas leis morais. As leis morais são uma proposta de teoria sobre sociedade. Então ali se discute qual a sociedade ideal. De acordo com os espíritos. E ainda nós entramos mais, né, Marcelo? Sociedade ideal é aquela onde ninguém morra de fome. Está lá na obra. Uma sociedade regida pelas leis do Cristo. Neste modelo, ninguém pode morrer de fome. Os espíritos são taxativos. Mas se você falar de Bolsa Família, dentro da Casa Espírita, você vai ser taxado de político partidário.

Quando, na verdade, Bolsa Família, não importa o nome que tem o programa, ela é política pública. Tem erros, pode criar dependência, pode criar paternalismo, sim, vamos discutir isso, mas a ideia é uma ideia de justiça, de justeza. Então, esta linha tênue é muito difícil de ser trabalhada, porque daí os contra vão nos acusar de estar levando a política para dentro da casa espírita, mas ela não é a partidária.

E aí nós entramos, e encerro aqui, Marcelo, não sei se consegui responder, nós entramos no dilema do grande, Dom Helder Câmara. Enquanto eu alimentava os pobres, me chamavam de santo. Mas quando eu questionei por que existem pobres, aí me chamaram de comunista. Exatamente, essa foi a frase que abriu a nossa live hoje, trazendo o pensamento importante desse grande filósofo cristão, posso chamar assim. Humanista, né?

do pensamento católico, mas com ideias muito consonantes em termos de espiritualidade que podem e devem ser aproveitadas por nós também espíritas. Vamos ver o Pedro. A pergunta foi feita no sentido entre ação política e político social, que tem o mesmo viés, e ação político-partidária. Em que pontos uma colabora com a outra? E em que pontos ela pode ser dificultadora ou prejudicadora dos resultados? Enquanto o Gilvan falava, eu

pensava. Eu defendo uma tese sobre isso, e eu acho que essa é uma tese da esquerda. É uma tese, nossa, assim, e aí para poder fazer, falar sobre ela, eu vou demorar um tempinho, uns dez minutinhos, talvez, para comentar tudo. Primeiro, eu gostaria de deixar claro para todas e todos que é uma frase do, se não me engano, é XVIII Brumário, não tenho certeza, do Napoleão Bonaparte, escrito pelo Marx, que diz que nada do que é humano me é

estranho. né? Então, nada que é humano me é estranho, a extrema direita não me é estranha, a direita não me é estranha, a esquerda não é estranho, nada me é estranho a partir dessa nossa, dessa raça a qual fazemos parte, que é a raça humana e as suas divisões aí colocadas, né?

Então, com base nisso, eu vou pensar assim, a gente vem de um processo, vou dar um salto histórico, a gente vem de um processo de ditadura militar até oitenta e cinco, oitenta e quatro, por aí. Os militares defendendo que fizeram milagres, eles trouxeram milagre econômico no Brasil, a gente sabe da dívida e o buraco que eles nos enfrentaram, enfiaram hoje, e a esquerda, e aí eu vou botar o Fernando Henrique na esquerda também, Sarney na esquerda também, Nunca

fizemos um trabalho de esclarecer todo mundo de que os militares roubaram esse país na cara dura, endividaram esse país na cara dura e foram subservientes aos... E aí o Lula também, né? Subservientes aos Estados Unidos

até hoje. Então, e para mim isso é uma coisa muito séria, porque o liberalismo neste país, a ideia do liberalismo, que eles tanto, e que esse povo aí que se diz A ou B ou C, não, tu tem que estar, não chega nem perto, nós estamos longe de ser um país liberal, longe, é uma ideia tacanha, mas enfim, a gente vem e aí termina em Em oitenta e oito a gente tem a nossa Constituição, considerada uma

das melhores de todos os tempos. Enfim, eu particularmente gosto muito e sou fã e leitor do artigo quinto o tempo inteiro, que são as liberdades individuais e por aí vai.

Eu gosto e acho e defendo. E aí nós vamos ter um presidente da República chamado Fernando Henrique Cardoso, que vai trabalhar a ideia junto com a Margaret Thatcher, com o Helmut Kohl e com o Ronald Reagan, que vão criar um movimento que é o tal do neoliberalismo, que é a venda, o mercado vai se gerir, o mercado é um demiurgo, ele se manda, é um negócio, não é feito por pessoas, o mercado vai gerir, o mercado vai coordenar a

sociedade. E nesse processo, foi se criando a ideia, eu vou usar um termo que pode ser infeliz, mas hoje a gente chama de coach. Coach não, as pessoas fazem com que você vai ficar rica. E na época ali do Fernando Henrique, se vendia a ideia de que o estádio de bem-estar social vai ser a coisa, o contrário do estádio de bem-estar social é a felicidade plena para todo mundo. Entende? E aí, o que é o estado de bem-estar social que eu defendo? E por isso eu sou socialista.

Que é saúde pública, educação pública, transporte público, tudo que é gerado, toda riqueza gerada por todos os trabalhadores e trabalhadoras, tem que ser dividido por todos e por todas os trabalhadores. Eu defendo isso com toda a tranquilidade do mundo, né? O contrário disso é a exploração

do teu trabalho. Enfim, se foi criando essa sociedade, e nós fomos criando, já deu um salto aí de quase mais de trinta anos, nós fomos crescendo, fomos crescendo, fomos crescendo, e aí vem o Lula, a gente vai crescendo, não, se cria uma ideia, porque o país passa a ter um processo de estabilidade, Se tem uma estabilidade cinco, plano real, a gente tem isso. E aí vem o Lula com uma ideia de que, pera, nós somos iguais? Esse país é igual? Nós somos todos iguais? Não, nós não somos iguais.

E aí vem um conceito novo que chama de equidade. Para que a gente possa ter igualdade, é preciso que a gente tenha equidade. O que é equidade? Equidade é quando eu dou as condições materiais de existência para quem não as tem, para que eu possa disputar no mesmo nível de igualdade. Como isso? Cotas. O que são as cotas? As cotas são tratar desigualmente os desiguais. Por quê? Porque, historicamente, a ideia de igualdade nunca levou negros para a universidade.

A história de igualdade nunca levou, falando assim, LGBT, mulher e por aí vai, para a universidade, nunca levou nenhuma dessas categorias, enquanto divisão social só. Para o trabalho... Por exemplo, o Lula fala, fala, fala em igualdade, cota, cota, cota. Quando foi escolher ministro para o Supremo, tudo homem de novo. Então a ideia de cota é fundamental para que se tenha a equidade e a equidade possa nos gerar a igualdade. Entende?

Essa cena toda da igualdade, da equidade, da cota para negro, para mulher, para gays, para portadores de necessidades especiais, ela deu um ódio na sociedade como um todo, porque se tratou por uma questão individual, o ser humano não vale nada. Nós somos egoístas, nós somos pessoas horrorosas. Como que aquele vagabundo não estudou, o meu filho estudou, como que ele vai entrar por cota? Como que essa mulher horrorosa, essa mandriona, não estudou... Mandrião é bom essa palavra, né?

Adoro. Como essa pessoa, essa mandriona, que não estudou, vai pegar da minha filha? Ora, quais são as condições materiais que a tua filhinha teve... estudando num colégio X e o outro da escola pública, que tem deficiência sim, vão disputar um vestibular, gente? Não vão. Não tem igualdade nesse processo. E aí foi nesse nicho, na minha opinião, foi nessa... Tem um livro agora que se chama

Defeito de Pele, né? Foi nesse defeito de caráter, foi nesse defeito de que eu sou melhor do que tu, que... se criou, na minha opinião, se criou esse ódio que se tem hoje a qualquer pessoa que não seja igual a mim. Não, ele entrou na universidade porque ele entrou por cota. O meu filho, que dormia, que nunca trabalhou, sempre estudou em bom colégio, sempre esteve com... manteve aquela sociedade que foi uma sociedade da vida inteira. Então, Marcelo, eu vou voltar lá no início da fala.

A minha tristeza é morrer e não ver esse negócio mudar para valer, porque está mudando, entendeu? Não adianta esse povo gritar, porque não vai ter volta. Não tem volta. A sociedade vai melhorando, vai melhorando, vai melhorando, e vai apurando, e vai depurando isso. Vai chegar um momento que essas pessoas, às vezes eu vejo as pessoas chegam para mim e dizem assim, tu não vai trabalhar. Como se eu, um profissional da educação, trinta e dois anos nas costas, um professor, doutor,

nunca trabalhei. Tu é um vadio, tu nunca trabalhou. Eu fico olhando e digo assim, mas por que você trabalhou? Não, tem que fazer como eu. E isso tu ouve de pessoas carentes, que eu, Pedro, vou brigar por ele para ele estar. Ele está errado de pensar isso? Não, ele está certo. Eu estou errado de não ter convencido ele disso. Então, eu acho que eu respondi a tua pergunta, mas só para fechar, então. A questão social da esquerda é mal esclarecida para quem

usufrui as questões sociais que nós defendemos. porque dá a impressão de que a gente quer assim, todo mundo é igual, virou tudo, vamos pegar, para encerrar mesmo, vamos pegar as pessoas em situação de rua, eu não chamo de morador de rua, porque rua não é endereço de ninguém, nós não vamos ter saída, quem prometer saída para pessoas em situação de rua, mente, nós só não vamos ter mais pessoas em situação de rua, o dia que nós não tivermos

mais o capital, entende? Porque o capital, na minha opinião, do jeito que as coisas são colocadas no processo do capitalismo, o desejo vai continuar acima do teu ser. Entendeu? O teu desejo vai estar acima do que é o outro. Então, se hoje eu tenho... Eu ia dizer um palavrão, mas não vou dizer, não. Vou dizer sim, sabe? Se eu tenho um iPhone... É, se eu tenho o iPhone de um, eu quero o iPhone de cinco, porque senão eu não posso ter o mesmo iPhone que tu.

Eu preciso ficar disputando contigo pra dizer pra ti que eu sou melhor do que tu. Entende? Então, assim, é por isso que eu acho que o processo capitalista, o capitalismo em si, e aí tu vai dizer assim, mas qual é a saída, Pedro? A saída é o comunismo? Não. A gente já teve experiência com o comunismo, o Gilvan colocou, que foi horrorosa, gente. O que é que foi o... o que é que foi o Mussolini na Itália, o outro ali na União Soviética, o que se matou de gente, é uma

coisa horrorosa. Então, não é isso. Eu acredito no que eu estou falando, eu acredito nisso, eu acredito que ainda a social democracia, não a social democracia do PSDB, mas eu acredito que essa social democracia, mas ela precisa ser explicada para as pessoas, não só para quem pensa diferente da gente, ela precisa ser explicada para quem vai receber o tal do benefício, entende?

Porque ela tem que ser instruída para ela ser autônoma, isso não é favor, eu recebi Bolsa Família, recebi Bolsa Família, ótimo, eu consegui me estabilizar, eu não quero, eu não vou mais usar o Bolsa Família, eu alcancei o objetivo do Estado, entende? É isso. O Estado tem que prover, sim. Nós não podemos ter gente passando fome. Mas esse prover tem que ser temporário. A pessoa tem que ter condição de sozinha fazer. Porque isso é dignidade.

Essa ideia da equidade é tratá-la diferente para que ela possa ser igual. E ao ser igual, ela vai conseguir sozinha, com seus pés, continuar. Eu vejo aqueles depoimentos da Minha Casa Minha Vida e eu fico emocionado. de ver as pessoas. Aí tu vai dizer que aquele programa é ruim. Tem gente sem vergonha que pega a casa e vende sim. Entendeu? Que o governo deveria ir atrás e pegar de volta. Sabe? Então, assim, amanhã vou ser

expulso. Mas eu tenho essa leitura de que a equidade, tornar os diferentes, é fundamental para que a gente tenha igualdade. E para encerrar essa fala de verdade, tem uma fala de um pensador espanhol, que é o La Roça, ele diz assim, a memória nos une e o esquecimento nos separa. Nós devíamos usar a história... pra não repetir o passado. O passado nosso, ele é um passado assassino de matar criança, matar negro, matar mulher. Hoje a gente mata ainda, mas nós

já matamos muito mais. Por isso que viver hoje ainda é tão bom. E viver amanhã, imagina que delícia que vai ser. Pena que eu não vou estar aqui. E não adianta, Marcelo, tu dizer pra mim que eu vou estar, que vai ter meu corpo. Vou estar nada, eu vou querer tocar. Crenças, crenças limitantes e

crenças libertadoras. Esse é um grande processo de brainstorming permanente nosso, de se entender, de entender o outro, entender o cenário, entender por que estamos aqui, o que estamos fazendo aqui e como podemos mudar o locus onde nós estamos inseridos. Esse, para mim, parece ser o

grande sentido da vida. Mudar. não mudar de qualquer jeito, mas mudar consciente e buscando essa tal felicidade que não é aquela ideia... até uso a palavra do magrão, sabe Pedro, nós chamamos Jesus de Nazaré, ou Yeshua bar Yosef, de magrão aqui no ECK, porque ele parece aquele cara que você chega, abraça, senta, beija, que te diz uma palavra de conforto, que te dá uma bronca, mas que tu tem liberdade também de conversar com ele de igual para igual, porque não tem hierarquia

espiritual, não tem superioridade a não ser Jesus, a sua própria ética, a tua ética que mostra realmente o que você é, o que você está fazendo aqui e até que ponto você pode, como diz lá na parábola do óbulo da viúva, como você pode renunciar o pouco que você tem. em favor de quem tem menos ainda.

Talvez esse seja o grande mistério de entender que não estamos aqui para competir em padrão nenhum com ninguém e que seria muito mais fácil se nós nos enxergássemos como copartícipes, co-construtores dessa grande realidade. Processo difícil. Foram feitas algumas perguntas aí, o pessoal da técnica colocou na lousa, pergunta do Amorim, pergunta do Alexandre Júnior, pergunta da Luísa Medeiros, todas conexas a essas ideias que nós estamos trabalhando hoje.

Não vamos ter tempo de tratar todas, pedimos antecipadamente escusas, mas eu gostaria de chamar a atenção para a pergunta do Alexandre Júnior, pedir para recolocar na tela, para ver o que vocês dois podem dizer ao Alexandre e dizer a nós mesmos,

né? Qual é essa relação que se firma, então, de uma maneira até muito próxima de nós, muito natural, embora não seja natural no ponto de sentido espiritual, mas é natural no termo da natureza humana que nós estamos discutindo até agora, ignorância política, maldade, egoísmo e

ação espiritual. Estou entendendo aí, Alexandre, a ação espiritual como sendo não só... o nosso propósito existencial, porque todos nós somos almas, todos nós somos espíritos, independente da crença que diga para onde essa alma vai, mas espiritual no sentido também de teleológico, né? Qual é o objetivo existencial? E aí nós abrimos um pouco mais a questão. Juvan, será que não há um compositivo muito particular

antes da intervenção espiritual? E que compositivo seria esse para justificar tantas ações de ignorância, de distanciamento? Parece aquelas pessoas que dizem assim, eu vou votar porque é obrigado, porque se não fosse obrigado eu não ia votar, e eu não quero saber de discurso político, isso não vai mudar nada. Brecht tem muito na sua filosofia essa ideia de que o analfabeto político é governado

pelos espertos políticos. E nós temos muitos espertos políticos e muitos espertos religiosos, seja no catolicismo, no evangelismo, no neopentecostalismo, no espiritismo, pessoas que vão arrastando multidões. que, como foi dito há pouco, não sabem bem onde estão, o que estão fazendo, mas vão indo. Se é para ir para esse lado, seja para a direita, para a esquerda, para trás ou para frente, vão indo. Então, o que poderias dizer dentro dessa bela provocação do Alexandre Júnior?

Eu acredito que há esse impositivo, Marcelo e Alexandre, e Pedro, e todos que nos acompanham, esse impositivo, porque esse... Vamos voltar lá à questão da obsessão espiritual, né? Eu falei agora do conceito de fanatismo, vamos à obsessão espiritual clássica, né? Esse start, esse móvel, esse móvel é sempre o nosso. Se nós não damos vazão a ímpetos que nós carregamos dentro de nós... o processo obsessivo não se instala. Ele se instala a partir do momento em que a gente

possibilita essa sintonia. Isso aí acaba... Não quero voltar ao chavão das trevas, mas acaba sendo algo explicado pela própria mediunidade, pela própria condição da influenciação que nós temos dos espíritos... e aí vai novamente o texto da codificação, o texto da obra de Kardec, de ordinário são eles que nos dirigem, mas o start, o processo inicial é o nosso, as pessoas que seguem os mitômanos, os falsos líderes, as pessoas que seguem aqueles que invertem

a ordem de valores, em algum momento eles trazem dentro deles aquele princípio, não é, Pedro, que normaliza o racismo, que relativiza o racismo, que relativiza o machismo, que relativiza a homofobia, que relativiza a questão da desigualdade social, porque houve, agora, tempos atrás, e não faz muito tempo, um médium que gravou uma fala que eu considerei desastrosa... e o médium até que tem uma produção interessante... no movimento espírita brasileiro... mas ele

gravou uma fala... em que ele disse que ele foi abordado por

espíritas canadenses... felizes... por encontrar a miséria e a desigualdade social no Brasil... porque lá no Canadá eles não têm como fazer caridade... porque não tem pobres no Canadá... então isso é algo desastroso... que reduz o conceito de caridade... que reduz a própria missão dos espíritas, Consoantes também está no texto de Kardec, que reduz o entendimento do que é pobreza, que normaliza a desigualdade social e que transforma o nosso irmão

vulnerável numa massa de manobra, então, para nós fazer caridade. Porque é muito bom... E só material. Só material. Só material. E a amplitude do conceito, né, Marcelo Henrique, de caridade. Onde é que fica? Normaliza isso e vem, então, a caridade ser novamente tão somente a penitência da igreja romana, com todo respeito aos bons católicos que temos, né? Mas volta a ser penitência. Eu vou lá, entrego a cesta básica, faço o enxoval, dou a sopa e, pum, acabou. Toquite.

Mês que vem eu volto. É assim. E nós sabemos que isso é muito mais amplo e tem que ser muito mais assertivo. Agora, é triste ver esse tipo de conceito nos dias de hoje. E o Marcelo falou, né, Marcelo? Medo, culpa e punição, né? Então você tem ali a fórmula de superar o medo, de ter a retribuição... de superar a culpa, então é, ah, eu vou praticar a caridade para mim, ficar quitte, ficar quites com a minha consciência. Isso é lamentável. Muito bem.

Peço para a técnica colocar novamente a questão na... na lousa, para que eu possa passar a palavra para o Pedro, no sentido da pergunta que foi feita pelo nosso Alexandre Júnior, a relação entre o egoísmo, a maldade, as questões espirituais, a ignorância política, para a gente não ficar tudo mapeando, Pedro, a ideia do inominável, a ideia do intangível, a ideia do espiritual, mas tem também um componente nosso nesse processo, a nossa miséria humana.

O Juban acabou de dar um exemplo pontual de que parece que nós nos locupletamos, espiritualmente falando, enquanto facções religiosas, se assim posso dizer, de uma forma

até pejorativa... Sobre a miséria humana, porque aí nós temos um produto material para explorar, nós temos um objeto humanificado ou um humano objetificado para colocar nas nossas ações pontuais e acharmos com isso, porque as religiões também trabalham essa ideia e algumas vertentes políticas começam também a enveredar por esses lados políticos, religiosos, isso é muito perigoso quando há essa ação de miscuir uma na outra, não permitindo que haja uma

separação que convirja para ideais realmente nobres, você ter a ideia de que Haverá um prêmio por você fazer algo por semelhante, por você ser caridoso, porque você ajuda, porque você é fraterno? Até que ponto essas questões realmente nos prejudicam em termos de construtores de uma sociedade renovada? Agora foi. Eu tenho uma frase que eu gosto muito, não gosto, eu adoro, que é a seguinte, que é a frase do... Acho que é do Matrix, não tenho

certeza. Acho que é do Matrix, que ele diz assim, a ignorância é uma bênção. Então, eu acho que a ignorância é uma bênção. E que eu não fui abençoado. Eu não fui abençoado com a fé e não fui abençoado com a ignorância. E com a modéstia também, claro. Com nenhuma dessas três eu fui abençoado. Com a modéstia, com a... Enfim. E aí eu penso assim, é bom ser ignorante. Eu acho que as pessoas ignorantes são felizes, elas são mais felizes.

Porque a sua infelicidade, que ela não vê, é o outro, porque ele é assim. E aí eu vou pegar uma frase, a fala, da extrema-direita. Por que a pauta da extrema-direita é moral? porque eu abandonei a responsabilidade sobre os meus filhos, eu abandonei, eu dei a responsabilidade dos meus filhos, eu estou restringindo, mas eu dei a responsabilidade por educar esse sujeito que caiu nas minhas mãos para um celular. E aí, quando ele usa mal o

celular, a culpa é do professor na escola. e aí ele grava o professor na escola entende? então é muito fácil é muito, muito fácil tu não ter responsabilidade nenhuma sobre nada e depositar essa responsabilidade que você não tem porque tu não consegue mais dar conta da tua vida o processo que nós vivemos hoje enquanto produção do capital ele é violento eu fico imaginando as mulheres tendo que ser belas o dia inteiro Homens tendo que ser lindos, maravilhosos o dia

inteiro... E tendo que dar conta disso, porque isso é chique, isso é bonito, isso é elegante, não é? Então, eu acho que essas coisas, essas coisas todas, não pensar sobre isso, não pensar sobre isso, é um processo de ignorância muito bom. E aí, se tu pensas alguma coisa, tu vai pensar sempre que o outro não pode ter isso. Porque se ele tiver, por que ele tem? Ele não deveria ter. Mas tu não tens problema em ceder a isso. E aí eu vou buscar uma imagem

que eu gosto muitíssimo. E eu, quando ministrava aula, eu mostrava para os meus alunos que é a Essinge. Não é? A Essinge, ela... Uma das, né? A Essinge, ela ama o ignorante. Ela adora o ignorante. Não é? Por quê? Porque ela estava ali em cima do muro e quando vinha lá o seu Marcelo passando, né? Aí ela chamava o Marcelo. O nome dele é Marcelo Henrique. Ela chama... Marcelinho, Marcelinho. O Marcelo sabe que não é... Como assim? Ah, tá, oi. Ah, tá, é comigo?

Ai, como você é belo. Como você é querido. Então, o Marcelo cai nesse conto da Essinge porque ela é altamente atrativa, ela seduz. Ela sabe onde ela quer chegar, ela quer te comer. Essa é a função da Essinge. E aí eu vou fazendo essa fala, que é a proposta do capital, gente, é nos devorar, é nos não sobrar nada, é nos mastigar e jogar o bagaço fora, mas o bagaço também dá para fazer reutilização, né? Como é que a gente diz?

Reaproveitar. Então, essa ideia da ignorância, ela funciona muito bem no fascismo, Porque a priori tu finge que tu não sabe que tu és ignorante, mas tu tem lucro em ser ignorante. As pessoas são felizes sendo ignorantes. Porque, vou voltar numa frase que eu disse no início da live, pensar dói, pensar faz a gente sofrer. Se deparar, olhar pra gente no espelho e saber da nossa finitude... Saber das questões que não vai ter outra pessoa para resolver

para ti que vai ser o outro... E tu que tem que resolver... Não tem historinha... Tu vai resolver... Entende? E aí vou tentar costurar também com a outra... Mas como que eu trabalho tanto, tanto, tanto... Aquele desgraçado ganhou as coisas do Bolsa Família... Aquele desgraçado ganhou a minha casa, a minha vida... E aí tu vai...

Como é que eu vou falar... tu vai te sentindo a mosca do cavalo do Napoleão, porque tu és uma pessoa tão boa, tão boa, tão boa, tu és tão querido, mas isso é teu, é da pessoa, são as dores que a gente tem a partir do nosso processo de construção

enquanto sujeitos, não é? Eu não sei se existe uma pessoa feliz, feliz, feliz, feliz, mas a gente hoje, vou falar de mim, que é mais fácil, Eu me entendo como uma pessoa cheia de dificuldade, cheia de problema, cheia disso, cheia daquilo, mas eu não olho para o outro querendo que ele não tenha.

Então, quando tu olha para o outro, acho que é legal isso assim, quando tu olha para o outro com o olhar de que ai que raiva que ele tem, é o processo da ignorância mesmo, você não conseguir te enxergar nessa construção como sujeito, de que ele faz parte da tua relação social.

Enfim, eu acho, eu penso, dificilmente eu acho alguma coisa, mas eu penso muito que a sociedade hoje, nós estamos vivendo, eu ainda afirmo, porque eu falei no início da live, e vou falando até o final isso, nós vivemos numa sociedade que foi melhor que ontem. Eu vou dizer isso porque eu acho mesmo. Embora nós, negros, sejamos a carne mais barata para ir debaixo do saco preto, nós já fomos em pilhas para o saco preto.

Enquanto nós, homens e mulheres gays ou lésbicas, já fomos atacados na rua, ainda somos hoje, mas já fomos mais. Mulheres assassinadas, hoje ainda são, mas já fomos mais. Então, a sociedade, e aí eu penso assim, que é a revelia, entre aspas, dessas pessoas que gostariam que nada disso acontecesse. E aí, para encerrar, e eu não acho que elas sejam ignorantes. Eu tenho certeza absoluta de que eu estou falando. Elas são perversas, elas são más, e é isso. Ah, é porque ela é uma pessoa

ignorante. Não, ela não é ignorante, ela é perversa, ela é má. Entende? Então, eu penso que é isso. E por isso que a educação... ela é o único caminho para a civilidade. Não tem outra saída para a nossa sociedade a não ser o processo educacional, a não ser o Estado laico, porque eu vou aproveitar para falar essa coisa do Estado laico para encerrar essa minha participação nessa questão colocada.

Nós corremos o risco hoje de ter um Estado religioso e não é de nenhuma religião posta como uma religião como qualquer uma. Entende? Eu vejo que o neopentecostal hoje é um sério problema para a democracia desse país. Eu não vejo a igreja católica, eu não vejo os espíritas, eu não vejo os irmãos da Umbanda, não vejo ninguém ameaçando a democracia. Eu acho que o neopentecostal, neopentecostalismo, é isso? Está correto? Eles são. Desculpa se alguém aqui rie, mas

eu acho. Porque a ideia é de que quem tem que governar o país, o Brasil, é o Senhor Jesus. E isso eu acho gravíssimo. Acho grave porque... E se eu não sou adepto do Senhor Jesus? E aí a gente está vendo aí o que eles estão fazendo com santas da Igreja Católica, com pessoas sendo atacadas. E para piorar, no Rio de Janeiro, por exemplo, pessoas ligadas ao tráfico que foram convertidas expulsando pessoas de outras igrejas dessa comunidade, gente. Olha que ponto que a gente chegou.

A Inquisição, ao contrário, Entende? Ah, é porque elas são ignorantes. Não, elas são perversas, elas são más, elas são cruéis. E a gente, que é mais ou menos normalzinho, a gente tem a nossa perversidade, mas aí a gente volta ao normal, por motivos vários. Opa, estou saindo da civilização e indo para a barbárie. A gente consegue dar um freio com cuidado, com psicologia, com psicanálise, com qualquer outro tratamento. Até com a igreja também, se

cuida, né? Mas esse povo não, esse povo é perverso, porque a vida e a realidade tem nome, é ele, não é o outro. O outro está fazendo errado. Eu penso isso. E a perversidade ainda é maior porque ela se ancora na ideia de Deus, como se Deus fosse perverso, como se o universo fosse perverso. E ela se ancora também na ideia de Jesus, porque eles chamam o senhor Jesus deles, é um senhor perverso, é um Jesus mau, é um Jesus que separa, quando na verdade ele jamais separou as

ovelhas. Ele foi atrás da ovelha perdida, porque todas elas merecem o tal mundo superior, o tal estado de felicidade plena, o tal céu... como você quiser chamar diga, Jovã o reino, né? O reino, exatamente. E o reino é algo bem diferente daquela beatitude contemplativa que a grande maioria das religiões, inclusive a católica e a espírita, proclamam e projetam para o futuro espiritual de todos nós. Bem longe disso. Minha gente, nós estamos chegando aí a quase duas horas

de live. Agradecemos aqueles que estão conosco ao vivo nesse momento. e vamos encaminhar com os finalmentes claro, essa é uma live que projeta a ideia da correlação entre religião e política no bom sentido dessa relação que se pode firmar e nós estamos aqui a exemplo do que eu fui no passado duas vezes candidato a vereador na cidade do norte de Santa Catarina, litoral norte Tijucas, aí a minha amada Tijucas beijos e abraços para os meus conterrâneos tijuquenses Quero ouvir de vocês, né?

Juvan, primeiro você, depois o Pedro. Juvan Souza Neto, candidato pelo Partido dos Trabalhadores com o número treze cento e trinta e um. a prazível e muito gostosa, hospitaleira cidade de Barra Velha, no litoral norte catarinense. Você que não conhece, dê uma chegadinha lá em Barra Velha, que você vai se maravilhar com tanta beleza e com a hospitalidade do povo barravelhense. Por que, Jovã, você é candidato no domingo que vem, desde outubro?

Porque a minha cidade está num padrão... político e social nunca antes visto em termos de degradação moral e ética. Como eu disse, eu sei que um vereador não muda o mundo, mas eu assumo um compromisso ético de questionar e de falar aquilo que talvez nenhum outro vá falar.

E tomara que outros venham a falar e tomara que a espiritualidade amiga ilumine eleitores e candidatos no próximo domingo de todos os pontos desse país, para que a gente construa um município, um estado e um país melhores.

E que a gente possa nos espelhar, Marcelo, E aí é grande a responsabilidade, embora dada a nossa distância moral e evolutiva, mas que a gente possa se espelhar em Leandrini, em Batuíra, em Carbachúteu, no próprio doutor Bezerra, em Freitas Nobre, que a gente possa ter aí, como diretriz nós espíritas, esses grandes políticos espíritas. Foram poucos. Talvez a gente conte em dez dedos aí. mas fizeram a diferença, né?

Eu espero poder fazer isso, poder estar minimamente digno desses exemplos e, repito, falar aquilo que precisa ser falado, fazer aquilo que precisa ser feito. Obrigado, inclusive, Marcelo, pelo convite. Desculpe aí pelo atraso. Não, tudo bem. Estamos em casa. Muito obrigado aí, Gilvan, pela tua participação. Eu pedi que você aguarde um pouquinho lá na sala do chá para depois a gente fazer o nosso encerramento. Muito obrigado pela tua

participação. Como sempre, muito fraterna, muito acolhedora, muito jovial, muito plural, que é o que a gente sempre quer e procura realizar aqui no ECK. Até depois. Pedro, agora é você. O Pedro é candidato pelo Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL, com o número cinquenta cento e vinte e três, na capital de Santa Catarina, Florianópolis. Pedro, por que você é candidato? Continua, mudo. Te vou usar. Eu Falaste o meu número, cinquenta, cento e vinte e três,

né? Eu gosto de dizer cinquenta, um, dois, três. É mais fácil para a urna, caso alguém queira votar. Por que eu sou candidato? Ah, porque eu sou prosa. Entendeu? Você conhece a expressão de eu sou prosa? Porque a gente, de alguma forma... Mesmo eu que não professo credo nenhum, de alguma forma, nós achamos, eu acho, que existe uma possibilidade de fazer. E esse fazer tem a ver com uma coisa muito egoísta, porque a gente poderia fazer isso em coletivos, então não precisaria

ser um nome, entende? Mas não, a gente acaba tendo que fazer... E aí até tu falou que o Gilvão era do PT, né? Eu não sabia, né? Pega o PT e o PSOL, nós somos a mesma coisa. Mesma coisa. E por que nós não somos um partido só, né? Porque tanto no PSOL quanto no PT... o ego fala mais alto, entende? Então, assim, eu acho que às vezes nós somos candidatos porque nós temos o ego maior que a luta de classe. E porque a gente acha que vai conseguir fazer mais e melhor

que o outro, enfim, né? Então, eu penso um pouco isso, assim. Eu sou muito racional, sabe, Marcelo? Eu fico o tempo inteiro achando o que me faz, o que me faz fazer... E por que eu continuo fazendo? Então, eu me questiono o tempo inteiro no meu processo de buscar, para não ser pego de surpresa. Eu tive trinta e dois anos na escola pública, eu fui diretor da escola há doze anos, e aí é aquilo assim, eu sei que é possível e eu sei fazer como

possível algo que traga as pessoas para a discussão. possa fazer com que as pessoas discutam, porque eu acredito no coletivo, eu não acredito em saída individual, como eu não acredito que o Pedro vereador sozinho vá dar conta. Não vá, não tem sentido. E eu tenho pensado agora, para encerrar, tenho pensado seriamente, que a gente deveria ter uma lei, eu não acho que o vereador não tem que ter salário, o vereador tem que ter salário, Tem que ser

assalariado. Mas o vereador tem que ser assalariado, mas ele tem que ter trabalho. Ele não pode ser alguém que não tem trabalho e vai ser vereador. Hoje eu penso isso, sim. Porque tu fica muito refém daí. Porque eu estive na Câmara dos Vereadores e eu sentia isso. O que o Gilvan está dizendo, essa atração pelo golpe. Claro que as pessoas já têm um fascínio pelo roubo. Elas são perversas e elas já gostam. Elas não roubaram porque estavam na prefeitura.

Elas já roubavam, por isso elas foram eleitas, e elas continuaram roubando e foram pegas. Então, é possível a gente, por exemplo, eu não acredito que eu vou ser eleito, o Gilvão vai ser eleito, eu não conheço o Gilvão. Mas nós não vamos ter essa tentação, porque a luta e a discussão é coletiva. Então, para encerrar mesmo, eu quero ser vereador em Florianópolis porque eu acredito que o vereador é alguém que tem que juntar a sociedade para ir

pressionar o governo. Ele é o caminho para isso. E eu sei fazer esse caminho. Eu fui já. Eu estive na escola. Eu sei como se faz, como se pressiona. Então, eu acho isso. E por último, Marcelo, mesmo por último, eu tenho vergonha na cara. Deus me livre de eu passar na rua e alguém me olhar e dizer aquele lá, sabe? Não, não quero, não quero, não, nem pensar. Então, assim, como eu acredito que o Gilvan também, né? Acho que a gente tem vergonha na cara.

Eu tenho dito pras pessoas, você fica falando que quer um vereador honesto, eu sou esse cara, e vocês não votam em mim. Por quê? Porque as pessoas são trapaceiras, porque as pessoas são corruptas, porque elas se trocam por uma telha. Sabe a Essinge? Que tá, Marcelo, Marcelo. Aí o Marcelo diz, ah, tá, tá, tudo bem. Eu tô precisando de um remedinho

lá pra epilepsia. então, não tem pro bem Marcelo, toma, mas o que eu ganho de volta tu é tão bandido quanto o cara que está te oferecendo isso a nossa sociedade, ela tem isso ela quer ter igualdade mas ela não suporta a história da equidade, eu vou voltar lá ela não suporta a equidade e aí, em não suportando a equidade ela prefere o roubo mesmo, que fica mais fácil acho que é isso Obrigado, Marcelo, pelo convite. Eu achei duas horas e meia que eu não ia aguentar, mas eu

adorei, foi muito bom. Foi muito bom te reencontrar, sim. E tu és um figuraço, isso é muito bom. Somos figuraços, né, Pedro? E é por isso que a gente se conhece e se relaciona há tanto

tempo. Ficamos muito felizes com a tua presença também, a tua luz que continua brilhando, aquela luz que eu conheci lá quando eu era um garoto pequeno, que, como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones com catorze anos de idade no IEE, Instituto Nacional de Educação, que nós amamos tanto e que agora estamos nos reencontrando já na maturidade, com os mesmos sonhos, com os mesmos desejos, com as mesmas inquietudes e tentando fazer um pouco do que nos cabe para

sermos um pouco melhores e ajudarmos os outros que não tiveram as mesmas oportunidades entre aspas, as mesmas oportunidades, os mesmos caminhos, porque é esses que fazem parte do nosso alvo existencial. Ajudar. Ser os outros também merecedores de um pouco de felicidade, um pouco de harmonia nesse mundo tão desigual e sem equidade. Obrigado, querido. Fica um pouquinho lá na sala do chá que a gente já vai partir para o encerramento. Um abraço.

Então, gente, ficamos felizes com a presença de vocês, que nos ajudaram a fazer mais uma live aqui no SK. Essa gente que você vê... faz a live que você também vê, mas tem um pessoal que está lá atrás que você não vê, que faz essa live andar e dar esse resultado tão positivo para todos nós.

Agradecimentos, então, à Cláudia Jerônimo, ao Evandro Oliva, à Júlia Schultz, ao Manuel Fernandes Neto e ao Ricardo Sardinha, que junto comigo fizeram mais esse espaço de livre pensar, de humanismo, de progressividade, de progressismo, de laicismo e de religião porque aqui cabe todos no coração de vocês tenho certeza que nós estamos e no coração do ECK cabem todos e todas que estiveram conosco nessa live ao vivo e aqueles que vão assistir postumamente na

nossa gravação no canal até a próxima estaremos juntos com mais um Embalos de Sábado à Noite no ECK Beijos, abraços, tchau!

Transcript source: Provided by creator in RSS feed: download file
For the best experience, listen in Metacast app for iOS or Android