O espiritismo brasileiro em psicANÁLISE [Ep 58] - podcast episode cover

O espiritismo brasileiro em psicANÁLISE [Ep 58]

Aug 31, 20241 hr 53 minSeason 17Ep. 58
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E vamos para a segunda live pós-recesso de meio de ano, a décima, no total, em nossa programação de lives de 2024, do ECK, neste 31 de agosto. Na nossa qualificada bancada, o convidado dessa vez é o psicanalista e cineasta André Marouço, atualmente radicado em Cascais (Portugal), mas que durante décadas atuou no meio espírita brasileiro. Nos debates, Leopoldina Xavier (SP), sob a tradicional moderação de Marcelo Henrique (SC). A pergunta inicial é: - o que é Psicanálise? O que ou quem podem ser psicanalisados? O Espiritismo, enquanto o conjunto de adeptos e intérpretes, como escritores, palestrantes e dirigentes pode se sentar num divã, a fim de ser analisado psicologicamente? Por que o Espiritismo brasileiro é tão distinto da proposta originária de Allan Kardec? E em sendo diferente, afastando-se de muitos pontos considerados como de relevo pelo Professor francês, o que é possível ser feito (por nós) para resgatar a essência kardeciana e valorizar o trabalho de comunicação entre vivos e mortos, isto é, entre os Espíritos? São questionamentos como esses que irão constar de nossa bancada, dentro das premissas da dialética e dialógica espíritas, em clima de fraternidade, alegria e respeito interpessoal e interinstitucional, como de costume. Nosso convite, além de prestigiar ao vivo o nosso evento, vai para você que também tem perguntas e poderá fazer comentários a partir dos debates, enriquecendo as abordagens que estarão na pauta. São os "Embalos de Sábado à Noite" do ECK que, ano a ano, têm possibilitado a muitos espíritas o pensar "fora da caixa", a abertura para novas ideias e a ressonância da progressividade dos ensinos dos Espíritos, como desejou Kardec.

Transcript

Alô você, tudo bem? Bom dia, boa tarde, boa noite, transmitindo ao vivo e depois na gravação, no horário que você estiver, no horário que você escolher para acompanhar mais uma sessão de embalos de sábado à noite aqui no SK, presente em diversos canais, em diversas plataformas, agradecemos a sua audiência e a sua condição de participante em mais essa live pedimos a você que dê o seu like que possa compartilhar essa live com seus amigos com seus companheiros de Lida Espírita

multiplicando ainda mais essa nossa forma de difusão do pensamento espírita no cotidiano, na atualidade inclusive seguindo a diretriz do próprio Allan Kardec de acompanhar a progressividade dos tempos das ciências, do conhecimento humano espiritual, fazendo com que o Espiritismo continue sendo uma proposta, como o próprio codificador disse, uma alvorada de luz para o mundo dos encarnados e dos

desencarnados. Estamos aqui hoje com a técnica formada por Evandro Oliva, Cláudia Gerônimo e Júlia Schultz. Agradecemos a quem está fazendo essa live que você vê e que está lá atrás nos bastidores, cuidando para que tudo possa estar a contento nesse nosso dia, nessa nossa noite, nessa nossa programação. da décima live do ano de dois mil e vinte e quatro, a segunda do segundo

semestre aqui no ECK. Estamos pela primeira vez recebendo um querido amigo da comunicação social, do meio espírita, da filosofia, da ciência e temos certeza que você vai aproveitar bastante esse nosso momento de debate com muita alegria, com muita fraternidade e Com, claro, aquelas coisas mais picantes que fazem com que o ser alavanque o seu próprio progresso a partir do pensamento, da reflexão, a partir das circunstâncias que nos rodeiam e que estão diretamente com o nosso envolvimento.

Agradecemos também a todos aqueles que estarão conosco fazendo questionamentos, fazendo comentários. E não se esqueça de se identificar. Permita que o StreamYard identifique a sua fala, o seu comentário, a sua pergunta, para que o seu nome apareça. e a sua figurinha, seu avatar, a sua foto apareça para nós de uma forma clara, para que todos nós nos conheçamos melhor.

Sem mais delongas, vamos apresentar a décima live dessa nossa noite de trinta e um de agosto, último dia do mês mais longo do ano, costuma dizer o populacho, com o tema o Espiritismo Brasileiro em Psicanálise. Para tanto, vamos chamar o nosso convidado pela primeira vez na nossa bancada, nosso querido, e rufem os tambores, André Marosso. Bem-vindo, André! Olá, boa noite, boa tarde, bom dia, né?

Como você fez a saudação pra quem estiver nos acompanhando, uma alegria enorme pela primeira vez aqui participarmos do Espiritismo com Kardec, parabéns pelo trabalho importante que vocês estão fazendo, né? de levar a ciência, a filosofia espírita, muitas vezes tão colocada de canto ali, enfim, e tão necessária para os tempos atuais, tempos duros que estamos atravessando, enfim, uma alegria poder colaborar com os amigos, uma alegria muito grande mesmo. Muito obrigado.

Já é um namoro antigo, André, a gente já conversa há um bom tempo, ainda na época em que eu tinha relação direta com o grupo Boa Nova, TV Mundo Maior, tivemos companheiros muito lúcidos, muito queridos, que trabalharam lá há algum tempo, o Eder Fávaro, a Katia Pelli, que ainda está lá, felizmente para todos nós, o nosso amigo Cardel Chiara, o filho, e tantos outros comunicadores que passaram aí nesses mais de trinta anos, acredito, de trabalho da Rede Boa Nova de Rádio e Televisão da

TV Mundo Maior, a quem saudamos especialmente como comunicadores, como jornalistas, os nossos companheiros que estão hoje à frente desse importante trabalho. O André Marosso é formado em Marketing, é pós-graduado em Psicologia e Psicanálise Clínica. Tem como profissão, então, psicanalista e cineasta. Atuou profissionalmente no SBT, o Sistema Brasileiro de Televisão, na TV Cultura, na TV Globo. A sua atuação espírita como fundador e gestor da TV Mundo

Maior durante dezesseis anos. Foi gestor também da Rádio Boa Nova por três anos e fundador e diretor da Frater TV, web TV laica, espírita, para o público hispânico. E é um ponto que nos associa, porque nós também, o Espiritismo com Kardec, encara o Espiritismo como... uma proposta laica e não

uma proposta religiosa. Respeitamos aqueles que entendem o Espiritismo como uma religião ou adotando o tríplice aspecto entre os quais científico, filosófico e religioso, mas nossa visão é condizente com a visão de Kardec, que não desejou apresentar uma nova proposta religiosa para a humanidade.

complementando a biografia do nosso querido convidado André Marosso, ele é nascido na Pauliceia, em São Paulo, e atualmente está do outro lar, na Terrinha, lá em Cascais, em Portugal, nós temos aqui no Conselho de Gestão dois companheiros de Portugal, e fazendo com que o Espiritismo com Kardec esteja presente nos dois lados do mundo.

Um dia estaremos nos quatro cantos do mundo, ou nos cinco continentes, mas hoje temos a felicidade de estarmos em dois, ampliando cada vez mais as nossas fronteiras. Vamos chamar a nossa debatedora, que é gente de casa, que é gente que faz, que toquem os clarins para a nossa querida Leopoldina

Xavier, a rainha do ECK. boa noite a todos boa noite Marcelo boa noite André a toda essa equipe que está aí fazendo com que nós possamos estar dentro do ar a todos aqueles que estão nos assistindo não posso dizer que sempre é uma felicidade estar com vocês o coração cada vez se radifica maior quando a gente está muito próximo muito obrigada Essa simpatia, esse carinho, essa fraternidade é uma das características do ECK.

Apesar das divergências que temos em termos de filosofia, em termos de ensinamentos sendo interpretados dentro do chamado kardecismo, nós não deixamos de lado jamais a fraternidade, o carinho, o respeito e as relações interpessoais pautadas exatamente na terceira parte do livro dos Espíritos, e em toda a contextura ético-moral contida nas trinta e duas obras de Allan Kardec, nos projetando sempre à frente para sermos criaturas individualmente melhores e construirmos uma sociedade

igualmente melhor. Leopoldina, a nossa debatedora, é advogada com especialização em direito previdenciário, com foco na medicina, higiene e segurança do trabalho. Ela atua na educação espírita no Posto de Estudo e Acolhimento Espiritual, o PIS, em Arujá, São Paulo. e é membro do Conselho de Gestão do Espiritismo com Kardec, o ECK.

Feitas as apresentações do nosso convidado e da nossa debatedora, na presença sempre amiga do professor Herculano Pires, hoje, inclusive, em ifige, em imagem conosco, vamos dar início, vamos dar o pontapé inicial dessa nossa conversa, desse nosso debate de hoje. Claro, André, a primeira pergunta que nós devemos fazer a você, até pela proposta do tema dessa nossa conversa, dessa nossa live, é um conjunto, na verdade, de três perguntas que se fundem.

Pergunto a você, o que seria a psicanálise? Quais os objetivos desse ramo científico chamado psicanálise e E quem poderia atuar, ou seja, o que seria necessário para que uma pessoa pudesse se tornar psicanalista? Muito bem, a psicanálise tem seu início a partir dos estudos do médico neurologista à época, Sigmund Freud, né? Quando ele começa a conviver com o médico austríaco chamado

Joseph Breuer, né? e também com o neurologista francês Jean-Martin Charcot, e eles começam ali a desvendar as instâncias psíquicas das pacientes, principalmente as pacientes que eram tidas como pacientes histéricas, né, o caso primeiro da psicanálise é conhecido como caso da paciente Anaou, que Freud não identificava o nome verdadeiro, isso é um nome fictício, hoje acredita-se que o nome verdadeiro seja Bertha Bappenheim, alguma coisa do

tipo, não me lembro exatamente o nome de batismo, mas na época ele designou como Anaou, e a psicanálise no início ela se dá investigando os conflitos neurológicos, os sintomas histéricos desses pacientes que muitas vezes estavam próximo de uma certa psicose e descobrindo ali o inconsciente, né? A base da psicanálise é uma investigação do inconsciente da

criatura. Freud, ele faz uma distinção das instâncias psíquicas entre consciente, semiconsciente ou pré-consciente, inconsciente e defende que a maior parte de nós é o inconsciente, né? Ele até faz uma, na época, um desenho muito interessante em como um iceberg, e do iceberg nós sabemos a parte para cima da flor d'água é o consciente, isso na analogia que Freud faz, a parte próxima da flor d'água é o pré-consciente e a parte maior do iceberg, aquela que nós não

vemos, é o inconsciente. Tem até uma frase muito interessante de Freud que ele diz que o homem não é senhor de si em sua própria casa, ou seja, ele não governa a sua mente porque a sua mente muitas das vezes ela está agindo a partir de pulsões, de informações, de toda uma carga energética armazenada no inconsciente humano. Ali estão armazenados os nossos traumas, os nossos medos, os desejos reprimidos, os conflitos internos.

Basicamente, o objetivo da psicanálise é tornar para o paciente, ou seja, para a pessoa que está passando por um processo de busca do seu eu, de busca da sua essência, de uma pessoa que tenha condições de lidar melhor com o seu ego e com as suas pulsões, ele trabalha em tornar inconsciente, ou melhor, tornar o inconsciente consciente. Os porquês, por que eu ajo dessa forma quando estou passando por

tal situação? Então, em setting psicanalítico, o psicanalista faz com que o analisando perceba Como que está se dando os seus processos inconscientes e por que muitas vezes vem as fobias, os medos, as noites difíceis, as más resoluções da vida e que tais, as disfunções todas psíquicas, né? busca sempre a resolução dos conflitos internos, o autoconhecimento e o alívio dos sintomas psicológicos, ou seja, reduzir e eliminar sintomas de transtornos emocionais e mentais.

Basicamente, esse é o trabalho de um psicanalista, é um trabalho que é feito em um setting de psicanálise. A segunda questão é sobre quem pode se tornar psicanalista, isso já desde Freud, Freud convencionou que só a pessoa pode se dizer psicanalista. Então, não há uma formação propriamente dita, não há uma escola que diga, olha, o Marcelo, a partir de agora, você é psicanalista. Não, se o Marcelo resolver que ele é psicanalista, ele é

psicanalista. Agora, é evidente que é preciso, Marcelo, a Leopoldina, eu, você, meu amigo, você, minha amiga que está nos acompanhando, Agora, a formação, sim, há toda uma quantidade grande de, não só Freud, como outros psicanalistas, Lacan, principalmente, outros tantos que dizem que a psicanálise precisa se formar a partir de um tripé, que é Análise pessoal, ninguém pode se tornar psicanalista se não for analisado, então o psicanalista

ele vai ao divã e passa ali alguns anos descobrindo quem ele é, quais foram os dramas, os traumas, os medos que os pais, os avós, a sociedade acabou causando nessa mente, principalmente na primeira infância, segunda infância, mas principalmente na primeira infância, e como é que ele aprendeu a lidar com esses caminhos ou descaminhos dessa primeira infância e dessa segunda infância.

Então, análise pessoal. O segundo é o conhecimento da psicanálise, então é o estudo das obras de Freud, de Anna Freud, de Lacan, de Jung e outros tantos, Melanie Klein,

enfim, tem uma quantidade... grande aí de respeitáveis psicanalistas, então é o aspecto, enfim, da leitura, do estudo das obras, principalmente as obras de Freud, isso no meu caso, que sou um psicanalista freudiano, principalmente as obras de Freud, e supervisão clínica, depois de alguns anos de análise, de alguns anos de estudo da base, da literatura psicanalítica, aí o candidato a psicanalista, ele começa a analisar outras pessoas sobre sob a supervisão de um

psicanalista mais experiente, por assim dizer. Essa supervisão dura ali um, dois anos. Na verdade, essa é a supervisão inicial. Aí depois, o próprio psicanalista, quando se sente apto, diz eu estou pronto para começar a analisar pessoas, mas

ele sempre fará a supervisão clínica. porque muitas vezes os casos que chegam demandam um conjunto de mentes a debruçar-se sobre as dores daquele cliente para poder levá-lo a entender melhor quem ele é, por que dessas dores e como ele pode se conhecer e pautar sua experiência, suas andanças nessa terra de uma melhor forma. Acho que basicamente é isso,

essas questões, né Marcelo? Já deu aí uma boa introdução, seguramente nós temos outras questõezinhas implícitas, mas vou puxar a Leopoldina para essa nossa conversa a partir de um recorte da tua fala, como trazer o inconsciente ao consciente. Você é espírita, Leopoldina também é espírita, eu também sou

espírita. Creio, Leopoldina, que toda essa bagagem que a gente chama, bagagem espiritual das vidas sucessivas, que praticamente só o Espiritismo tem hoje, atualmente, a capacidade de traduzir para uma linguagem mais acessível, saindo do místico, do sobrenatural, do fantasioso e do objeto de crendice, tornando a questão mais transparente, mais clara no entendimento, na compreensão e no falar sobre, deve fazer com que a gente tenha um somatório, um quebra-cabeça

bastante interessante. Se o psicanalista, como nós vimos, a partir da experiência e da teoria tratada pelo André, ele mergulha no inconsciente, primeiro de si mesmo, depois do chamado paciente, de quem está atendendo.

Quando ele tem essa noção do espírito, da natureza do espírito, da realidade pré-existente do espírito, Não sei a tua opinião, mas a minha é. Parece que o campo ainda se abre muito mais para perceber que muitas coisas que acontecem conosco hoje não são fruto exclusivo das vivências do hoje e atravessam séculos, encarnações, de modo que nós somos essa concepção integral que o próprio Herculano colocava da integralidade do ser. Você pensa assim também, Leopoldina?

Sim, Marcelo. Haja vista que a psicanálise, o que ela faz? Ela faz entender, compreender e ter consciência da alma humana. E o espiritismo, da mesma forma, ele trabalha com a alma humana. É o conhecimento da alma humana. Quando você diz que podemos trazer frutos, e trazemos, sim, entendeu? De vidas passadas e que ficam no inconsciente e que nós, inclusive, como espíritas, precisamos entender. esse potencial que nós trazemos e também aprender a trabalhar com ele.

Há muito em comum entre a psicanálise e o espiritismo, posto que ambos levam a um caminho, conhecer a alma humana. E a conhecer a alma humana não é uma coisa fácil. Cada um é cada um. Cada um tem o seu jeito de ser, de pensar, de conceber, inclusive, ou ter uma concepção da vida. E isso tudo é que faz com que quer a psicanálise, quer o espiritismo, vão com a alma

humana para o mesmo divã. O divã que tem que se falar, o divã que tem que se conhecer, o divã que tem que se saber, o divã que tem que se estudar, que trazer todo aquele fruto que há dentro de nós, e inclusive dentro dos outros para poder compreendê-los, à tona, à liberdade. Então, é sim, é sim, o Espiritismo tem muito em comum, porque ele também trata de entender a alma humana.

Muito bem, eu fico imaginando aqui, André, a circunstância de nós não termos tido a oportunidade de ver Kardec e Freud como contemporâneos. Kardec desencarna em oitocentos e sessenta e nove, quando Freud tinha treze anos de idade, e só vai produzir as suas maiores obras, as suas obras mais destacadas, já numa fase de mais maturidade, né?

Agora ficamos aqui nós imaginando e tergiversando se os dois tivessem construído as suas filosofias mais ou menos no mesmo período, o quanto que o espiritismo teria se beneficiado da psicanálise, você também não pensa assim? Poxa vida, é Que momento incrível que foi esse século XIX. A segunda metade do século XIX, o começo do século XX. Quanta coisa extraordinária e

importante. O processo que se deu, principalmente na Europa, no século XIX... E aí, já entrando aqui, você estava falando da questão da laicidade, que está no DNA do Espiritismo com Kardec, assim como está no da Frater TV e de outras instituições. que só foi possível, o Espiritismo só se deu como se deu, sendo filosofia e religião, em função de tantos movimentos filosóficos que se deram antes, e preparando o terreno para que Kardec pudesse

fazer o trabalho que fez. E não por acaso, a Revista Espírita, jornal de estudos psicológicos, eu diria que talvez já as equipes que trabalhariam com Freud, do outro lado, do lado espírita, enfim, espiritual, quem sabe já estavam também trabalhando ali com Kardec na Revista Espírita, no Jornal de Estudos Psicológicos, mas eu não tenho dúvida nenhuma que eles depois devem ter tido os ótimos encontros na espiritualidade e quem sabe até durante o período de trabalho do

próprio Freud, do Freud já no início da vida adulta. Eu queria só retornar um pouquinho, faltou uma coisa importante da primeira questão, que é como que esse trabalho se dá no setting psicanalítico. Basicamente, no setting psicanalítico, o psicanalista trabalha junto ao analisando, analisando a associação livre, ou seja, o camarada o analisando, ele vem para o divã, No meu caso, eu atendo totalmente online, então é através dessa ferramenta aqui.

E ele vem e diz aquilo que lhe vem à telha. A gente sempre diz, olha, fale sem censura. Aquilo que lhe vem à telha, você fale, porque tudo é extremamente importante para a gente perceber como é que está se dando o seu inconsciente, o que está vindo do inconsciente. E muitas vezes... a gente pesca coisas que não estão na fala, mas estão nas entrelinhas da fala, né? Além disso, nós trabalhamos com análise de chistes, atos falhos

e análise de sonhos, né? X é aquelas piadinhas que a gente faz muitas vezes conosco próprios ou com os outros e que diz muito acerca de como é o nosso mecanismo mental. Atos falhos é quando a gente diz uma coisa querendo dizer outra, mas na verdade o que a gente está querendo dizer está implícito na fala. E análise de sonhos não é aquela bobagem de que sonhei com cobra, serei traído.

Um profissional do Instituto Butantan, quando sonha com uma cobra, é completamente diferente do que eu, a Leopoldina e o Marcelo sonhando com uma cobra. É algo muito mais profundo.

Aliás, não por acaso, Freud tem duas obras, que é a análise dos sonhos, que ele trata com profundidade científica mensagens que vem do inconsciente dos seus analisandos a partir de sonhos, às vezes os sonhos mais esdrúxulos, mais sem perna nem cabeça, são os melhores sonhos para serem trabalhados no setting psicanalítico e mostrar para o analisando como é que está se dando a mente dele para que ele possa se pautar um pouquinho melhor dali para

diante. Mas eu não tenho dúvida nenhuma, voltando à sua questão, Marcelo, que Freud e Kardec são bons amigos. São parças, como a gente costuma ouvir e dizer atualmente. Pois é, eu gostei muito dessa tua intervenção no sentido de termos realmente na segunda metade do século XIX, um momento de surgir de muitas teorias, em todos os campos da filosofia e da ciência, que serviram de base para a construção do pensamento de todo o século XX, malgrada a ocorrência das duas grandes guerras.

Esses dias, inclusive, André e Leopoldino, eu escrevi um artigo dizendo que havia um ufanismo de Kardec em imaginar que no século seguinte, ou seja, no século XX, logo na primeira década do século XX, haveria um boom, uma expansão do Espiritismo, e o Espiritismo tornaria-se quase que crença comum.

Kardec diz isso em várias passagens, em vários textos de próprio punho, não é texto interpretativo de mensagem espiritual, mediúnica, mensagem psicografada, é Kardec encarnando a ideia de ser o grande construtor da filosofia

espírita. Outra questão que é tratada com desdém pelos espíritas em geral, acreditando que Kardec é um mero receptor, é um secretário, é um organizador de tudo o que os espíritos disseram, minimizando a autoridade espírita a estatura ético, moral, filosófica, científica desse grande homem do século XIX. Mas nós não podemos, aliás, ficar parados no século XIX. Nós temos que permitir que o Espiritismo avance. E é essa grande questão que se

pontua atualmente. Se Kardec imaginava que o Espiritismo se tornaria crença comum no século XX, e isso não aconteceu por causa da expansão do materialismo, por causa... das duas grandes guerras que mostraram a face negra da humanidade, regrediram a ideia de colonização do homem pelo homem, que já havia ficado sepultada lá no século XVI, no século XVII, e a partir da Revolução Francesa passou a ter

uma outra conotação. Quando isso retorna no século XX, nós temos aí um prejuízo muito grande para essa proposta de transformação do homem pelo homem. E aí eu acho que a psicanálise tem um grande contributo a

fazer, não é verdade? Porque ela mostra que nós somos nós em essência, que nós trazemos isso como acúmulo de muitas existências e que fazemos desabrochar, vez por outra, essas nossas tendências, não por acaso, porque a vida se vive em ciclos e porque nós repetimos muitas das vezes aquilo pelo

qual já passamos antes. Tu também entendes assim, Leopoldina, que essa ideia cíclica do homem seja responsável ao mesmo tempo numa análise que não é psicanalítica, porque eu não tenho a formação, André, mas é uma análise à luz da doutrina espírita, utilizando-se de muitos aportes da psicanálise para dizer que Nós temos esse ponto de crescimento, de virtude, de bem, de progresso e, do outro lado, o mal, o negativismo, o decréscimo, a ideia da

colonização do outro. Pensas que isso é também essa ideia que volta e meia vem à tona enquanto seres encarnados? Marcelo, Esse ponto que você coloca, ele é fantástico, porque ele abre tantas brechas para a gente falar, para a gente pensar, para a gente poder, inclusive, tratar sobre ele e a questão do espiritismo. A gente não pode esquecer que a mente humana, ela sobrevive após a morte.

E ela tem o mesmo poder da mente do homem vivo. que ela influencia, e muito, e como ela influencia o homem sobre, inclusive, toda a sua vida, a vida material, a vida do momento que nós estamos vivendo. Bem disse o André, o século XIX foi um século em que a produção, a produção da ciência, a produção da filosofia teve um boom, ela estourou em termos de ideias, quer na parte econômica, quer na parte filosófica, quer na parte da ciência, ela teve um dinamismo e ela foi muito, muito

rica. E eu acho que todos aqueles homens que se destacaram, inclusive nesse século XIX, que não foram poucos os homens que se destacaram, eles tinham esse mesmo pensamento, que o século XX... para eles era o século da esperança, era o século em que o homem avançaria em todo um potencial, se agigantaria, ele teria liberdade, ele teria maior estabilidade econômica, ele estaria em melhores condições, inclusive em virtude do avanço tecnológico, do avanço da

ciência. que ela vem sempre para beneficiar e trazer uma qualidade de vida melhor ao homem. E o que nós vimos? Kardec não foi um homem que, vamos dizer, um bom visionário. Não. Dentro daquilo que ele concebeu, ele tinha essa visão. Entretanto, a dinâmica do nosso mundo é que às vezes a gente tem a visão, tem a esperança, mas não dá para a sua realização. Não podemos dizer que o nosso mundo, desde a sua origem, é

feito de batalhas. E essas batalhas para ocupação de espaço, para ocupação econômica, para todas essas ocupações, ela faz com que, muitas vezes, a gente avance do ponto de vista da ciência, da filosofia, da economia. Mas essa batalha, essa organização que o mundo vive dentro da sua forma material, que ela não permite aos avanços. Eu acho que mais frustrante do que foi o século XX está sendo

esse nosso século XXI. Ele, para mim, pelo menos, entendeu que eu já tenho tido uma história, passei metade do século XX e já estou entrando no século XXI, eu não pensava que as coisas seriam mais dóceis para todos. O homem teria, inclusive, um sentimento maior da humanidade, maior potencial do que é o humanismo.

E nós acabamos vendo que esses interesses do homem pelo mundo material, pela civilização em que ela tem que se degladear para um tomar o poder do outro, não permite, talvez, o avanço que Kardec nos ensinou, o avanço que Kardec sonhou. Então, é difícil, porque nós temos que voltar para a história para entender, inclusive, não só a história, mas os acontecimentos de hoje. Muito bem.

Às vezes eu me pego olhando algumas afirmações, André e Leopoldina, do movimento espírita atual, E não são afirmações de agora, eu me tornei espírito em oitenta e um, são aí quarenta e três anos praticamente de convivência no meio espírita, que o pessoal chama de movimento espírita, mas às vezes está tão parado, parece uma água parada de fundo de poço, que não dá para chamar de movimento, né gente? Então eu prefiro a expressão do Herculano, que diz meio

espírita. Então, nós que nos dizemos espíritas, nós que mantemos viva e atuante a mensagem filosófica e científica de Kardec, temos expressões que parecem totalmente fora de propósito. Dizer que o tempo de transição está acontecendo, que a Terra está em transição. Ora, meus amigos, a Terra está em transição desde o primeiro momento em que a Terra foi criada como plano solar.

primitivo, lá na escala dos mundos, no primeiro degrauzinho, lá quando ainda praticamente só tínhamos lava incandescente e os primeiros micro-organismos, diz a biologia, diz toda a pesquisa científica nesse sentido, começavam a brotar, começavam a aparecer como um fenômeno da própria natureza. A natureza formando os primeiros seres e dando origem aos reinos

como nós conhecemos hoje. outra afirmação ufanística o Brasil é o coração do mundo e a pátria do evangelho, não tem nada de coração do mundo nem muito menos de pátria do evangelho um dos países onde há tanta injustiça social há tanta fome, há tanta criminalidade cadê a pátria do evangelho?

a pátria do evangelho está dentro das igrejas se é esse tipo de evangelho, então eu também não quero saber o evangelho tem que estar em ação Jesus não pregava em sinagogas, em igrejas Jesus estava no povo, do lado do povo fazendo com o povo e não para o povo, como as pessoas pensam. Jesus era um personagem, assim como Kardec, do seu tempo, presente no tempo, agindo no tempo, e não um mito, um ser espiritual puro, encarnado na terra ou materializado na terra.

para formar a consciência coletiva, como os espíritas em geral acreditam e dizem isso. Essa mensagem, inclusive, é uma mensagem xenófoba, porque mostra o Brasil numa posição de proeminência que ele não teve, não tem e jamais terá. Porque, se tiver, vai ser na mesma circunstância do quê? De gregos, de romanos, de americanos, talvez agora chineses, que conquistam pela força, se não é a força material, bélica, é a força econômica.

E nós queremos distância disso, porque Jesus... classicamente disse, eu vim para os pequeninos, os mais pequeninos é que se acertam de mim. Então, dá pano para a manga a gente imaginar quanta distância nós estamos, enquanto meio ou movimento, como você queira, das duas propostas, tanto da proposta originária de Jesus, que nada tem a ver com cristianismo, Vou ouvir a tua opinião, André, a esse respeito.

O cristianismo me parece ser uma coisa completamente diferente do que fez, pregou, disse, atuou e realizou Jesus. E também diferente do espiritismo, que se transformou em uma religião mais ou menos salvacionista, uma religião dogmática, uma religião que preconiza a verdade e que ela tem acima de todas as outras verdades. E aí fica difícil dialogar, não acha, André?

É interessante, Marcelo, você estava dizendo desse ufanismo do Kardec, eu diria do Hipólite, nesse momento, esse desejo de que ele viu o poder daquilo que ele tinha em mãos e falou, não, depois do iluminismo... do positivismo e de tantos movimentos. Aliás, no mesmo século, o evolucionismo, o extraordinário movimento que nos tirou. Eu costumo dizer que a doutrina espírita é criacionista e evolucionista ao mesmo tempo, ela consegue trazer as duas

coisas, né? Mas esse ufanismo do Hipólite de achar que o século XX o espiritismo explodiria em todo o planeta, né? ele nem faz muito sentido se a gente analisar a história desde lá do Abraão, né? Aliás, nós tivemos aqui, essa semana, semana passada, nós tivemos um sismo aqui de cinco ponto três, né? Um terremoto. Quando a gente vai fazer a análise de um sismo, o que que ele é? Né? É... Do coração, mesma coisa, sobe lá embaixo, sobe lá em cima, bate

aqui embaixo. Análise do eletrocefalograma, mesma coisa. Eu tenho pra mim que a Terra é mais ou menos a mesma coisa. Vem Abraão, fala do Deus único, vem uma porção de médiums trazendo uma mensagem muito importante acerca deste Deus, ainda muito condizente com aquela nossa... mente mais primitiva, né? O senhor Deus dos exércitos, mas aí no século sexto vem a os judeus são expulsos, né? Vão pra Babilônia, aprendem o dualismo e a partir de então Satanás estreia na Bíblia, né?

Ou seja, nós temos um momento lá em cima, um momento aqui embaixo, vem Jesus, nos apresenta o amor, né? Nos ensina a maior revolução talvez de todos os tempos, nos ensina que Deus é pai, retira o senhor Deus dos exércitos e nos ensina a chamar Deus de pai, mas o que se dá no século IV?

Constantino, Roma, vem, toma o cristianismo da mão dos cristãos, começam ali uma porção de concílios, instituindo dogmas, trazendo toda a estrutura hierárquica do Império Romano para dentro da igreja, estrutura presente ainda hoje, se você vai no Vaticano, você vê lá os soldados do Vaticano, com armas e tal, todo o poder hierárquico vertical do Papa até todos os sacerdotes. Aí nós temos o quê?

No século XVI, século XV, século XVI, nós temos a reforma protestante, ou seja, a coisa sobe novamente. Então, aqueles homens extraordinários, Calvino, Lutero e outros tantos, o próprio Jan Husen anos antes, propondo esse... esse cristianismo tentando reconduzir-nos para um cristianismo primitivo, para a proposta original do Cristo.

Vem Allan Kardec, depois de todos esses movimentos filosóficos, bate de novo lá em cima o sismo do conhecimento humano acerca das questões existenciais e divinas, da lei divina, e naturalmente bate embaixo quando acontece o igregismo, a mesma coisa que aconteceu com a reforma protestante lá em cima, neopentecostalismo aqui embaixo, pegam o discurso de Lutero e Calvino e os outros contra o dízimo, o mesmo movimento, traz para baixo e implanta o dízimo e

a teologia da prosperidade e outras coisas tanto, então O igregismo que está se dando no espiritismo, e isso, a meu ver, é o que impede este avanço do espiritismo. Eu vejo aqui na Europa, em Portugal menos, porque Portugal ainda é um país muito católico. Mas se você sai de Portugal e da Espanha, se você vai mais ali... pra França, se você vai pra Holanda, se você vai pra Bélgica, se você não apresentar algo profundamente filosófico e científico, você não tem

respeito, você não é respeitado. Então, se nós formos apresentar esse espiritismo igregista, aliás, isso não é espiritismo, né? Se nós formos apresentar o igregismo para o mundo, nós não falaremos, não levaremos nenhuma novidade. E as mentes estão ávidas por essa mensagem filosófica e científica que Kardec e outros

tantos nos trouxeram. Então eu vejo que é absolutamente natural nesse acompanhar do movimentação das filosofias e nesse momento de baixa, e vamos ser otimistas para que, embora Leopoldina já falou, olha, o século XXI, realmente eu concordo com você, Leopoldina, o século XXI está bem complicado, viu? Quando a gente vê algumas mentes aí, Elon Musk e outros tantos aí, a gente fica preocupado.

Mas vamos ver, né? Quem sabe nós estamos embaixo aqui desse movimento sismológico e daqui a pouco a gente sobe novamente. Eu acho que o Espiritismo tem tudo para ajudar para que isso se dê. Esse é o segredo, né? Nós aproveitarmos essas subidas e descer, esse movimento frequente e permanente da montanha russa e nos equilibrarmos adequadamente para não estarmos naquela posição ufonista de achar que está tudo

bem ou tudo vai se resolver. ou os espíritos vão transformar esse plano em um plano regenerado, etc., nem ficar pessimista ao excesso de imaginar que o planeta vai ser destruído, efeito estufa, depredação do meio ambiente, catástrofes e, novamente, intransigências, regimes políticos totalitários, correntes ideológicas, de extrema-direita e de redução da ideia de liberdades, voltando aos mesmos discursos que nós, que já estamos há algum tempo

aqui e já passamos por isso nessa encarnação e em outras, são tônicas de regimes totalitários, de regimes que querem controlar as massas dependendo da ideologia que

prefiram utilizar. Ora a teocrática... ora a político-econômica, ora a do apelo, como vimos e ainda continuamos vendo, aquela trindade Deus, Pátria e Família, que foi utilizada também por Adolf Hitler na sua conformação do Estado nazista, E é preciso, então, se equilibrar para não perder nem a esperança, nem cair num estado de pessimismo, num estado até mesmo de depressão, que possa levar a criatura a descrever tudo. Esse é o ponto fundamental.

Nós temos uma questão de um participante, mas antes eu quero fazer uma nossa para poder encadear com a outra.

Eu perguntaria a você, André, como distinguir o que... que é espiritual, se existe uma fronteira, se existe um liame, ou a psicanálise acaba trabalhando para, claro, quem tem essa crença na imortalidade, na espiritualidade, na relação entre o existente e o inter-existente, como diria Herculano Pires, como então entender as diferenças, se é que é possível, entre o que é psíquico e o que é espiritual?

Bom, eu parto do princípio que tudo é espiritual, o psíquico é espiritual porque a mente, nós sabemos, é a sede do perispírito, ou melhor, do espírito, né? É o cockpit do espírito, né? Então tudo é espiritual, né? E caminhando talvez para uma questão mais, me parece que houve uma... um certo enamoramento com as questões espirituais no que tange à religião.

Na questão, conforme ela tenha se formulado, é importante a gente entender um pouquinho o contexto de Freud, que é o pai da psicanálise, em lidar com as questões espirituais. Em princípio, para Freud, um judeu, o espiritual se referia sempre a experiências ou crenças espirituais, que o indivíduo tem relacionado ao transcendente, à fé ou à conexão com algo maior, né? Que pode incluir a religiosidade ou a busca por um sentido existencial, né?

São aspectos que, quando surgem em uma análise, eles são explorados como a partir da vida psíquica do indivíduo, como ele vê as questões transcendentais, as questões espirituais, né? mas não se entra propriamente em diferenciar num setting psicanalítico, olha, isso é fé, isso não é. O que é importante é contextualizar como ele vê essa questão na sua vida. Freud era judeu, e ele não teve uma boa relação com as religiões.

Aliás, tem-se para nós estudiosos da psicanálise, que um dos traumas mais importantes de Freud se dá justamente quando o pai dele, ele era garoto, né, andavam por uma rua, se não me engano, de Strasbourg, na República Tcheca, e um cristão, entre aspas, né, não era cristão, manda que o pai dele, um judeu, saia da calçada, né, xinga judeu, maldito, saia da calçada, dá um esbarrão nele, o chapéu cai no chão, e não era um cristão só, eram dois ou três, né, e o pai pegou o chapéu,

colocou na cabeça e seguiu caminhando, e Freud ficou pé da vida com aquela situação, porque achou que o pai tinha que fazer alguma coisa, que o pai tinha que partir para cima daqueles caras, e graças a Deus ele não fez, ele teve juízo e engoliu a seca e seguiu, porque não adiantaria, enfim, mas ali nasce um trauma, então Freud tinha uma relação com a religião, muito sui generis, ele dizia até que muitas vezes era quase como uma neurose a questão da religião, a busca pelo transcendental e

muitas vezes uma busca que não encontrava uma razão, mas eu tenho muito... que ele estava se referindo àquela religião dogmática que havia naquele momento e que há ainda hoje. Mas para nós, psicanalistas, o mais importante quando lidamos com a fé é mostrar para o nosso analisando a visão que ele tem de si, da fé e aquilo que está lhe fazendo bem ou não, para que ele possa se pautar na sua vida pessoal, na sua vida social, de melhor maneira e ser mais feliz consigo mesmo, né?

Não sei se eu respondi aí, né? Essa é a grande busca, esse é o grande alvo, né? É ser feliz com as armas que nós temos, é não imaginar que a felicidade decorra de coisas ainda inalcançáveis, ou nós estarmos tipo o cachorro que está correndo atrás do rabo e nunca alcança, né? Imaginando que existe uma condição ideal para ser feliz. Não, ser feliz é o hoje, é o agora, são momentos, né?

dizemos até que não experimentamos ainda a felicidade, mas temos momentos de alegria, que seja, mas que essa alegria possa ser constante, que a gente encontre motivos na atual existência, como nós que já passamos e nós que virão, para sermos felizes o quanto seja possível.

Quero puxar a Leopoldina para essa questão, apesar de eu e ela não sermos psicanalistas, sermos curiosos no assunto, sermos leitores, estudiosos do assunto, mas não temos a formação nem a prática na psicanálise, essa questão de diferenciar o que é psíquico e o que é espiritual, a Leopoldina, como membro de uma atividade de educação espírita, deve enxergar isso todo dia, na

prática. Da mesma forma como um psicólogo clínico ou como um psicanalista consegue visualizar situações que sejam predominantemente materiais, ou tem o foco na materialidade, na existência física atual, e outras que são da transcendência, que estão na bagagem, que estão na contextura espiritual do ser. Você já viu essas situações, né

Leopoldina? Sim, Marcelo, e eu queria dizer que a questão, inclusive, dos transtornos mentais, eu tenho uma participação muito maior e muito mais próxima com o meio do trabalho. o trabalhador que consegue ter esses transtornos mentais através do ambiente. E eu vou trazer a questão do meio ambiente, porque a questão do meio ambiente é um fator que influencia demais, demais, demais, demais, demais nos

transtornos mentais. E como ele tem um fator decisivo, pode-se dizer, para o desencadear. E o que eu poderia dizer a você é o seguinte. Primeiro, nós temos esse desencadeamento que é da vida social, que é da vida familiar, que traz o ser humano sob um estresse, sob uma pressão, que isto vai realmente envolvendo, envolvendo, envolvendo e criando uma perturbação, um transtorno realmente. Mas esse transtorno, ele também tem influência espiritual. Por quê?

Porque a maturidade faz uma diferença em você perceber esses transtornos, como eles estão acontecendo, por que eles estão acontecendo, por que ele... está sendo vivido, experimentado, e isso, quem dá para nós essa maturidade, o Espiritismo a coloca de uma forma muito bem. Ele consegue fazer esse desenvolvimento do ser humano, para essa maturidade de se autoconhecer, de se autoperceber, de se

autoadministrar. E eu vejo essa diferença dentro da nossa filosofia espírita que vem a contribuir com a questão da mente humana. Ela, vamos dizer, a psicanálise, ela pega o indivíduo e ela contribui com o indivíduo para dentro da sua melhora, para dentro da sua percepção. Em paralelo, A ciência espírita também, como ela trabalha com a mente humana, ela desenvolve e produz dentro da mesma forma.

Fazer que o homem tenha esta maturidade, tenha esse conhecimento, tenha o desenvolvimento para poder se compreender, para poder se perceber e para poder entender aquele mundo que o cerca com todas as suas dificuldades. Muito bem, já que foi falado aí, Ampassan, sobre transtornos mentais, vou pedir para colocar na lousa a pergunta da Paula Canhadas, justamente sobre isso, né? Questão muito interessante, André. Por que a psicologia e a psiquiatria não dão conta dos

transtornos mentais? Não dão conta é ótimo, né, Paula? Bom, isso aqui daria para a gente ficar conversando horas aqui. Vamos começar com a psiquiatria. Nós vivemos num mundo onde grana

é tudo. Então, o materialismo, o imediatismo, enfim, está nos levando para um cenário de... eu não sei onde é que nós vamos chegar ainda, né, mas você vai, a pessoa está sofrendo, ela chega até um psiquiatra, em dez minutos ela sai com uma bula nas mãos, ela sai com um receituário médico, né, Os departamentos de marketing das indústrias farmacêuticas são muito competentes. E já nos primeiros anos da faculdade de medicina, os futuros médicos são cooptados pela indústria farmacêutica.

E os departamentos de marketing gostam de colocar os transtornos psíquicos em caixinhas. Então tem lá a caixinha da depressão, tem a caixinha do TDAH, tem a caixinha da bipolaridade, tem a caixinha... do transtorno de ansiedade, então essas caixinhas todas são colocadas e há trabalhos de marketing muito bem pensados para que cada uma dessas caixinhas façam números, façam dólares, façam euros, façam reais, que as vendas sejam muito boas.

A psiquiatria, ela é muito importante, não estou aqui dizendo que é uma bobagem a medicalização, não, em absoluto, Medicamentos são bênçãos, né? Aliás, está no Alcorão, não cai uma folha de uma árvore se Allah, o Deus, não autorizar. Então, os medicamentos, sem dúvida nenhuma, vieram a partir de uma autorização divina. Agora, o que não se pode fazer é tentar resolver as coisas através das prateleiras farmacêuticas, né? Os psiquiatras precisariam ter um tempo a mais com os seus clientes.

O modelo de medicina que se pratica hoje não está se possibilitando isso. Então, o que nós entendemos como fundamental para que se dê conta dos transtornos mentais é justamente para que, em parceria com um médico psiquiatra, haja um profissional da saúde mental, um psicólogo ou um psicanalista, um terapeuta que possa permitir que esta pessoa que está passando por um transtorno possa falar de suas dores. Aliás, a psicanálise é a cura pela fala.

É a cura pela fala. Então, quando nós falamos, quando nós extravasamos aquela energia... que está retida, é curioso, nós estamos na era digital, onde eu estou aqui do outro lado do oceano, conversando com os meus amigos aí do Espiritismo com Kardec, outras tantas pessoas de outros países, já vi gente do Uruguai aqui que está acompanhando, ou seja, nós estamos tão conectados, mas estamos tão solitários, ao mesmo tempo, paradoxalmente, então, esta

solidão também está contribuindo, esta conexão onde nós nos conectamos através do digital, mas não nos conectamos com o humano, está nos deixando adoentados. Então, cada vez mais a importância de um bom psicólogo, de um bom psicanalista, dar ouvidos para que a pessoa possa falar das suas dores, dos seus medos, dos seus traumas, dos

seus dramas. E eu queria também incluir a questão que foi tratada agora, retornar um pouquinho à questão espiritual, como é que a gente faz a associação do que é psíquico e do que é espiritual. Puxa vida, infelizmente, é duro a gente dizer isso, mas as pessoas estão adoecendo muitas vezes em função das religiões. Porque a pessoa chega achando que vai para o umbral. Ou chega com um festival de

obsessores na cabeça dela. Erros todos nós cometemos, somos seres infantes ainda no nosso aprendizado, então nenhum de nós somos santos, eu todos os dias amanheço, coloco a mãozinha aqui, e a penogenzinha da asa do anjo não saiu, portanto todos nós erramos, todos nós temos as nossas culpas, todos nós temos, e nós não precisamos de um conjunto bíblico, que se chama religião para nos dizer que nós vamos, quando morrermos, para tal lugar e estamos sendo acompanhados por espíritos que

vão bagunçar o nosso psiquismo, a nossa noite. As pessoas estão adoecendo com isso. Então, na medida que as pessoas têm condições... de procurar respostas racionais e a doutrina espírita é muito rica em trazer essas respostas e não por acaso ela não é a culpadora prometida, mas sim a consoladora prometida, ela traz saúde mental.

Alguns anos atrás nós fizemos na TV Mundo Maior um documentário sobre suicídio e qual não foi a nossa tristeza ao constatarmos que os familiares de pessoas que haviam se suicidado, nos disseram que o lugar onde eles menos se sentiram acolhidos entre todas as religiões, as religiões, né? Vitas religiões, por assim dizer, foi nos centros espíritas, né? Porque entregavam pra eles memórias de um suicida. Então, como é que você vai ter

paz na sua mente? Como é que você vai estar tranquilo se você está sofrendo os horrores de ter um ser amado na sua vida? partindo de uma forma tão violenta e alguém vem dizer que ele vai para um vale, que vai reencarnar com tais e tais problemas.

Então, nós estamos na época das doenças, dos transtornos mentais, mas eu tenho para mim que isso também tem a ver com essa atividade em baixa, para que a gente possa se nortear melhor, com mais razão, e conseguir chegar mais equilibrados para o próximo estágio. Tomara que seja breve. Esse ponto que você levantou, André, nós fomos pioneiros aqui no Movimento Espírita Brasileiro, através do trabalho das nossas lives.

Me lembro, inclusive, de live que eu fiz com o Wellington Balbo, lá de Salvador. O meu abraço a você, Wellington. Saudade aí das nossas conversas ao vivo, aqui na nossa bancada. Vamos marcar uma logo, logo. Em que a gente colocava exatamente isso. Lembremos que, na condição ali da idade das trevas, o que fez a igreja com os suicidas? Não permitia que os suicidas fossem enterrados em covas identificadas. Não permitiam que os familiares prestassem as homenagens ao suicida.

Não permitiam que os familiares localizassem onde estavam as covas. E os suicidas eram enterrados em covas comuns, coletivas. Então, veja, da mesma maneira como se tratava o suicida e a família do suicida na Idade das Trevas, Esse é o mesmo conceito que está na obra que você citou. Memórias de um suicida. Primeiro, porque é a opinião de um espírito... baseada na sua vivência espiritual daquele

momento. E se nós pegarmos, por exemplo... só para dar um mínimo exemplo, André... pegarmos o céu e o inferno... lá estão situações muito similares... do que foram descritas na obra... mencionada, memórias de um suicida. A visão que se planteia e que se consolidou no meio espírita como cabal, como real, como permanente, como definitiva, é exatamente aquilo, um lugar de sofrimentos atrozes, uma punição sem fim, a doutrina, como costumamos dizer aqui no ECK, baseada em três premissas,

culpa, temor e E salvação. O espírita tem culpa porque atentou contra a própria vida. O espírita tem temor em relação às consequências. Ir para o umbral, ser desacreditado enquanto sociedade, enquanto família, enquanto movimento espírita. E, em terceiro ponto, a salvação que virá pela conversão ao espiritismo. Frequência à casa espírita, passes, evangelização, doutrinação e o compromisso de que virá numa próxima encarnação para purgar, para pagar, centil por centil, o ato de ter tirado

a própria vida. Vai sofrer logo quando morreu e vai sofrer numa própria vida. Isso é mensagem consoladora, perguntaria eu, para você que está ao vivo conosco. Isso aquece o seu coração? Isso tranquiliza a sua consciência? Isso planifica o seu espírito? Ou isso te torna um criminoso atroz que irá pagar e pagar e pagar até que alguém decida que você pagou tudo? Esse ponto a gente precisa sempre trazer à baila. E esse ponto está associado à próxima pergunta. que é sobre a

religião. E já houveram comentários aí, já houve comentários e questionamentos na live, e a gente vai tentar puxar para essa questão. André, na visão de Freud, estudando a obra de Freud, nós encontramos lá que a religião é uma ilusão. E é uma ilusão porque é uma busca naturalmente, meramente humana, para tapar o que a gente chama de buraco da existência. E, portanto, é um mecanismo ilusório.

Como você analisa esse olhar psicanalítico de Freud em relação ao que nós temos de fenômenos religiosos? E, por extensão, a nossa chamada religião espírita brasileira, made in Brasil, exportada para todo o mundo. Pois é. Bom, antes de qualquer coisa, Marcelo, é importante a gente contextualizar que Freud era judeu. O antissemitismo não é um fenômeno que se dá na Segunda Guerra Mundial.

O antissemitismo é um fenômeno que se dá há milênios, que o povo hebreu é perseguido em função da sua fé. Então, ele já trazia um trauma fundante só pelo fato de ser

judeu. Então, esta questão da religião em Freud é muito... muito pesado, eu diria, é um trauma mesmo para Freud, principalmente sendo ele judeu e vindo de todo, recebendo, Jung trata do inconsciente coletivo, é muito interessante, Jung tem uma frase sobre o inconsciente coletivo, que é, as mentes dos indivíduos são moldadas por forças inconscientes que têm suas raízes no inconsciente coletivo, E é por isso que muitas vezes as pessoas são guiadas por

influências do passado que nem sequer percebem, né? Olha que interessante esse inconsciente coletivo. O que é que as religiões têm nos apresentado, têm colocado nesse inconsciente individual e coletivo? O Marcelo estava nos dizendo há pouco tempo atrás, e há pouco tempo atrás, não achem que isso é muitos séculos, não. Não se podia enterrar um suicida no cemitério.

Muitas vezes... Primeiro era fora dos muros do cemitério, depois era nas laterais do cemitério, os sacerdotes não podiam comparecer, não podiam fazer ali, enfim, os atos pertinentes à fé para a passagem daquele, para o consolo da família e para a passagem daquele espírito. Então tudo isso é muito recente, né? Esta visão, nós já falamos aqui, a partir do exílio judeu na Babilônia e a introdução de Satanás, isso no século VI, essa

força dual. Aliás, hoje ainda vivemos uma sociedade profundamente maniqueísta. Até recentemente, as novelas, por exemplo, o mocinho era mocinho, não tinha nada de ruim, ele era bom o tempo inteiro. E o vilão era vilão, ele não tinha nada de bom, ele era ruim o tempo inteiro. Este maniqueísmo com o qual as religiões têm tratado, e eu diria todas as religiões têm tratado ao longo dos milênios, estão nos levando para esse

adoecimento psíquico, né? Nossa, você vê, nós falamos aqui, Jesus vem e nos ensina que Deus é pai, né? Mas eu pergunto, nós temos por Deus uma ligação de filho pra pai ou de soldado pra senhor dos exércitos?

a maior parte de nós vemos Deus como o senhor dos exércitos, aliás, recentemente aqui, eu até, eu confesso, fui até meio grosso, encerrei um papo com um amigo, uma pessoa que eu conheci aqui, que veio falar de espiritismo, falou assim, não, eu sou temente a Deus, eu falei, não, vamos mudar de assunto, então, porque temente a Deus não dá, não temente a Deus no sentido que eu temo, mas não tem que temer nada, Nós estamos doentes, nós estávamos falando agora a pergunta sobre os

transtornos psicológicos, o medo com o qual nós estamos sendo bombardeados o tempo inteiro, inclusive pelo digital, e o medo vende, e vende muito. E o medo vende, vende muito e entrega para a indústria farmacêutica.

Então, é um excelente negócio. Você abre o seu smartphone logo cedo, você tem as notícias dos principais crimes do dia de ontem, você tem as notícias que te abalam da economia, da política, as fofocas, enfim, todos os que tais que nos tiram do nosso eixo, que nos tiram do nosso eu. Você passa a temer, né? E pra quem que você vai correr? Pra Deus? Não, porque você teme a Deus

também, né? Então, dessa forma, nós só temos que adoecer e o adoecimento, nesse caso, é caminho pra cura, porque daqui a pouco a gente vai se cansar dessa bobageada toda e aí a gente, quem sabe, busque realmente o autoconhecimento, essa proposta que já ecoa desde a Grécia lá, séculos e séculos

antes do Cristo, né? da importância de nos conhecermos, a psicanálise e a psicologia tem total condições de fazer isso, e menos medicalização e um pouco mais de conscientização e autoconhecimento e auto-amor, e principalmente, eu diria, entendermos que Deus é Pai, com P maiúsculo, né? Me permita, Alciste, eu não posso evitar, não posso ficar longe disso. Todos esses temores que você falou aí são realidade. Aí nós vamos para a casa espírita, o que é que

encontramos? O temor ao dirigente, o temor ao palestrante, o temor ao André Luiz, o temor ao médium, o temor a todos que estão dizendo que o que está acontecendo é para pagar, é para pagar, e você veio para a terra para pagar, e para pagar, e para pagar. E não tem nada, não tem nada de consolo, não tem nada de mensagem alternativa, não tem nada de mensagem de autodescobrimento, esquece completamente o processo natural de transformação íntima e não de reforma íntima, que é uma distância...

Homérica não é somente jogo de palavras. A gente já discutiu isso bastante aqui no ECK, na Leopoldina. Reforma pressupõe você estragar, você destruir, você deixar de lado o que você conquistou durante as existências. É um conceito também maquineísta, maniqueísta. e que mostra que nós estamos aqui para expurgar as passagens ruins que tivemos. Não, elas fazem parte da nossa formação. Muitas das vezes a gente diz até para os nossos filhos, quando eles são menores, aprendemos com o erro.

Você faz uma coisa, não dá o resultado que você imaginou, Você tem que refletir, mas isso é um processo natural, não é um processo de temor, tem temor ao pai, temor à escola, temor à igreja, temor ao centro espírita, temor a Deus, nada

disso vai funcionar, vai funcionar como um cabresto. vai ter um mecanismo antinatural de controle e esse controle vai se expandindo, expandindo, de modo que no final, como costumamos dizer aqui no SK também, passamos a ser títeres, marionetes dos espíritos, eles dizem o que nós vamos fazer e nós ali ficamos dentro daquelas cordinhas e não podemos fazer nada fora quando o contrário, tanto Jesus quanto Kardec falaram do livre-arbítrio, da liberdade e do crescimento a

partir dessa liberdade. Quer dar algum pitaco aí nessa questão, Leopoldina? Olha, eu estou concordando com tudo que vocês estão falando, porque é isso mesmo, viu? Primeiro, é voltando naquilo que o André falou lá atrás, a história cíclica. E essa história cíclica, hoje nós estamos passando por um momento difícil, mas também ela voltará lá para cima e nós poderemos ter, sabe, uma projeção de um mundo mais humano, melhor.

Mas se não fosse isso, eu concordo com uma coisa também com o André e com você, Marcelo, é a questão às vezes da religiosidade, que em vez de ela libertar o homem, ela faz com que o homem ainda se prenda mais, ele fique mais preso dentro das circunstâncias e não se liberte. Ela é opressora. Como que a religião é opressora? Como ela traz para você dogmas, condutas de vida em que você nem reflete sobre eles. Você segue, como se diz mesmo, o

rebanho seguindo o pastor. E isso faz muito mal, porque isso realmente é uma forma muito inconsciente de você admitir uma postura de vida. E esse inconsciente vai sofrendo, sofrendo, sofrendo, até que um dia ele explode. Não tem jeito dele não explodir. E infelizmente nas casas espíritas acontece a mesma coisa. ela se procede da mesma forma. Eles criam dogmas para condutas de vida, inclusive falsas condutas, que é a questão da solidariedade, é a questão da fraternidade.

Ela é muito egoísta, essa questão da fraternidade, da solidariedade, que se coloca dentro do mundo da casa espírita. O individualismo é muito grande, quer dizer, e vão criando formas, conceitos de vida que você, ao invés de se libertar, você se oprime.

E isso, a maior parte das vezes, e eu vou voltar àquele conhecimento que eu coloquei, na questão dos transtornos mentais na saúde do trabalhador, muitas vezes, por incrível que pareça, a religião provoca uma crise muito maior por conta dos preconceitos, por conta realmente dos preconceitos que são dados, os dogmas que são dados, a questão da vida, ele oprime muito mais pessoas São trabalhadores que, às vezes, precisariam falar alguma coisa e não conseguem falar, porque a

opressão é tão grande que ensina a não falar. Porque o homem bom, o homem virtuoso, é aquele que não contesta, é aquele que não fala, é aquele que não dá opinião. Ele só tem a receber a opinião. E isto realmente leva, como você, Marcelo, disse, e o André colocou muito bem, há um maior sentimento de culpa dentro de si.

E que, muitas vezes, em vez de libertar, de dar uma maior consciência, de dar um maior esclarecimento, de dar uma maior leveza de ser, ao contrário, ele traz um peso muito grande para o ser e que pode contribuir de forma significativa para a piora dos transtornos mentais. Vamos continuar aí nesse tema dos transtornos mentais. Eu tinha preparado uma pergunta e agora uma companheira que está ao vivo conosco também

complementa essa situação. Vou começar com a minha e depois vou pedir para o pessoal colocar a pergunta da tua chará, Léo, a Leopoldina Bittencourt. Então, a pergunta é a seguinte... Como é possível, André, na tua ciência, na tua trajetória, na tua experiência, distinguir aquelas situações que são fenômenos mediúnicos e que podem desembocar em algumas patologias, em algumas dificuldades, em alguns transtornos, né? Freud, inclusive, fala na psicopatologia, né?

como a histeria, o delírio de tipo psicótico, entre outros, com fenômenos especificamente da realidade mediúnica. Ou seja, é uma dificuldade ainda do indivíduo em lidar com a mediunidade, de aproveitar o dom mediúnico, o talento mediúnico. Eu gosto muito dessa expressão figurada. E aí a nossa Leopoldina Bittencourt pergunta o seguinte, se alguns transtornos mentais, como a esquizofrenia... passam do aspecto físico, psíquico, para ser algo de origem

espiritual? Bom, a psicanálise freudiana, ela basicamente, isso de uma forma bem rasa, né? Ela divide a todos nós em três padrões mentais, né?

Neuróticos e perversos ou psicóticos todos nós segundo a psicanálise freudiana estamos classificados entre um desses a maior parte de nós somos neuróticos eu por exemplo sou neurótico o neurótico a culpa é minha eu sempre procuro onde é que estão as minhas pisadas na bola o que eu estou fazendo de errado o perverso a culpa é tua a culpa é do outro É isso assim,

de uma forma bem rasa. Inclusive dizem que o casamento perfeito é o neurótico com o perverso, porque um assume toda a culpa e o outro joga toda a culpa na outra criatura. perverso viu gente não é no sentido de malvado sim mas a sua falta aquilo que não lhe tá não não traz a sua completude ele acaba atribuindo ao outro isso no caso do perverso no caso do neurótico a falta minha completude é minha incompetência mesmo né E a terceira ordem é a dos psicóticos, que são aqueles

onde se inclui a esquizofrenia. São aqueles que estão aí variando entre a realidade, a realidade que os nossos sentidos podem captar, e a realidade que os sentidos... psíquicos podem captar, nós temos um filme muito extraordinário, uma obra hollywoodiana, uma mente brilhante, que para quem não assistiu, vale muito a pena assistir, é o filme, narra a história de um professor de matemática, Richard Nash, se não me engano, o sobrenome eu tenho certeza, Nash.

Ganhador, inclusive, de Nobel. O primeiro nome eu não me lembro. Mas era uma pessoa que sofria de esquizofrenia. Ele, ao longo da sua trajetória, tinha uma dificuldade muito grande entre distinguir o mundo físico do mundo das ideias ou do mundo espiritual. Passou poucas e boas. Conseguiu contribuir bastante... com a economia, a partir dos seus fundamentos matemáticos, que inclusive lhe levaram a ganhar o Nobel, mas ele sofria de esquizofrenia, então ele vivia essas duas realidades.

A medicina como nós a conhecemos, ela ainda não contempla a questão espiritual. Embora é curioso, muitos medicamentos... muitos medicamentos psiquiátricos descrevem ali a questão da obsessão, né? Que não necessariamente pode ser uma obsessão por um espírito, mas uma obsessão interior, ou seja, aquele medo, aquele trauma interior que vem do inconsciente, que leva a criatura a um grande sofrimento, né?

Mas hoje em dia a indústria farmacêutica conseguiu, nesse ponto nós podemos comemorar, há uma série de medicamentos que levam muita boa qualidade de vida para quem sofre. Não por acaso a psicanálise começa nessa paciente, essa Anaou, ela tinha uma série de sintomas, cegueira, não andava, mutismo e todos associados à sexualidade, traumas. do campo da sexualidade. Não necessariamente ela teria sido abusada, mas sim, mais uma vez, a questão das religiões.

A culpabilização do sexo, algo tão natural que que é natural para todos nós, absolutamente para todos nós, mas que faz com que as pessoas adoeçam, porque é sujo, porque é pecaminoso, aí não por acaso vem os concílios e diz que Maria é virgem, e aí estamos nós aqui, entre aqueles que não são filhos, nós somos

frutos do pecado, então fica muito difícil. a gente entender esse Deus Pai, se nós ainda acreditarmos, ainda passarmos por essas crendices, cada vez mais nós vamos ficar oscilando entre, cada vez mais terão criaturas oscilando entre o mundo real e o mundo ilusório e tendo problemas com isso. Mas estamos caminhando, acho que podemos ser bastante otimistas

quanto ao futuro. Queria só acrescentar também, de uma maneira pontual e com um pouquinho de jocosidade, porque é a nossa característica, Maria é virgem e Jesus também é, porque senão não se complementa a mágica da criação e da divindade encarnada entre nós, mas não é. Por que as pessoas se escandalizam em pensar que Jesus teria tido um consórcio matrimonial por quê?

porque estamos embevecidos estamos mergulhados nos dogmas religiosos cristãos e aí chegou esse cara e disse assim o espiritismo não é cristão não obstante Kardec tenha dito abre aspas a bandeira que iremos levantar é a de um espiritismo cristão e humanitário ele usa a expressão cristã porque naquela época cristão e jesuíta Cristianismo e Jesus eram a mesma coisa. E por estar envolvido por uma pleia de... Não gosto dessa palavra, mas

vamos usar. Por uma pleia de espíritos comunicantes que eram de formação católica e protestante.

Então, essas informações ainda truncadas, essas ligações com os dogmas... do cristianismo, estão presentes em todas as trinta e duas obras de Allan Kardec, ainda que aqui ou ali se faça um esforço de sair da pessoalidade de Deus, de sair da natureza divina de Jesus e de encontrar uma fórmula de entender que esse Jesus que as pessoas cultuam não é nada mais, nada menos do que um homem igual a nós, com algum avanço espiritual, mas ainda não

pertencente às últimas classes e aos últimos degraus daquilo que Kardec codificou exemplificativamente como escala

espírita. Leopoldina, dentro de toda essa nossa conversa, e do André ter dito que nós somos, ou de um tipo, ou de vários tipos, somos neuróticos, somos perversos, somos psicóticos, Como sair, então, dessa salada de frutas que nos coloca nessas posições de culpar aos outros, de culpar excessivamente a nós, ou de culpar a sociedade, de culpar a doutrina espírita, de culpar o Deus, ou sei lá quem, desses

nossos problemas existenciais? É, eu acho que essa resposta quem melhor daria É o nosso psicanalista, André, viu? E, André, eu estava vendo você classificar, eu acho que eu sou do tipo neurótica também. Mas acontece... Vai sobrar para mim, então. Pois é, vai sobrar para você. Mas... Eu tenho duas questões a ser levantadas, porque o homem é um ser social, ele está dentro de uma sociedade, e o meio social influi muito, muito, muito na

sua conduta. E nós estamos, e já falamos desde o começo, que esse meio social que nós estamos passando agora não é nada favorável para o equilíbrio Ao contrário, nós estamos vendo que cada vez mais o homem está necessitando, necessitando, necessitando de uma bengala para poder se conduzir. Ele não consegue mais, está muito difícil viver neste mundo. É um mundo que a questão econômica está cada vez mais desequilibrando as relações sociais, inclusive as familiares, pelo medo do

desemprego e tudo mais. a questão do meio ambiente, que está muito agressivo, porque o homem o tornou agressivo, e agora está se revoltando contra nós, e quem começa a pensar o que faremos e como faremos, essa nova política, e que nós somos um ser político, em que é a política do ódio, de se contrapor, a política das armas, a política da violência. Tudo isso faz com que o homem esteja numa fase muito difícil,

mas muito difícil mesmo. Eu acho que hoje o consultório que mais poderia estar sendo procurado seria o do psicanalista. e que, pese que as doenças mentais podem ter os efeitos colaterais nas doenças físicas, mas é muito agressivo, é muito agressivo e muito desconforme esse mundo que nós vivemos socialmente. E o homem, para onde que ele está se encaminhando? Está se encaminhando e, cada vez mais, para a fé dentro de uma seita religiosa.

Ele vai buscar dentro da religiosidade o equilíbrio que está lhe faltando no mundo social. A falta de amparo social vai buscar através da fé dentro das religiões. E dissemos aqui, muitas vezes elas não facilitam, não facilitam o homem que ele se projete, que ele se liberte, que ele tenha melhor conhecimento, que ele consiga ter uma compreensão filosófica do que está acontecendo. dentro do mundo, da sociologia, ele não

tem essa amplitude. Ao contrário, as religiões estão sendo muito mais opressoras, muito mais opressoras mesmo. Aqui no Brasil, André, a opção pelas igrejas evangélicas está terrível, terrível no ponto de vista que se monta uma igreja evangélica a cada esquina. sem o menor conhecimento. Gente muito, muito simples em todos os pontos de vista, inclusive do conhecimento espiritual, da formação espiritual, da formação de valores.

E isso faz com que vá criando-se uma bola de neve e ela vai aumentando, vai aumentando, vai aumentando, vai aumentando, vai criando e vai aumentando. E que quando ela começar a derreter, eu não sei o que vai acontecer desse mundo.

Eu não sei. Pelo menos, e a Europa está indo para o mesmo caminho, porque a gente hoje sente uma Europa também fervercendo, mas sem resposta social, apesar que ela tem a vantagem de não usar muito da fé como um salvo conduto, eu não sei para onde nós vamos realmente.

Está muito, muito difícil. Eu acho que novas teorias terão que ver, nova forma do homem entender o humanismo, de entender a solidariedade, de entender a fraternidade, de poder ceder muito mais ao seu individualismo e se tornar um homem muito mais coletivo. Isso é um grande segredo que nós temos para o futuro. Como fazer com que o homem se torne mais um ser coletivo do que ser um ser individual.

E esse ser individual que, inclusive, as religiões... fomentam que ele seja porque a coletividade ela é estreita ela é só dentro daquele meio ambiente e não pode se afastar dentro daquele meio ambiente eu acho que nós temos eu sou uma mulher esperançosa eu tenho esperança mas também eu estou com muito com muito pé atrás do que possa acontecer Em especial porque eu tenho netos, netos ainda em formação, tenho netos

ainda pela parte do meu marido. E o que esses seres vão esperar desse mundo futuro, desse mundo que está avançando, desse mundo que eu vejo, às vezes, com tão poucas perspectivas de você ser, de você ser, ser, ser real. um ser real, um ser maduro, um ser libertário, um ser que as ideias possam ajudar a iluminar e a crescer. É muito difícil. E, infelizmente, as nossas casas espíritas, que poderiam estar contribuindo para uma vivência diferenciada da fé, elas não

estão fazendo. Elas estão caindo na mesmice de todos. Então, não sei qual que seria a solução. Não sei. Eu acredito muito no estudo, no estudo, no estudo, no estudo e

no estudo que liberta. Nada diferente do que a proposta que a gente tem trabalhado aí nesses sete, quase oito anos de existência do ECK, que não é original nesse ponto, nós estamos repetindo a proposta de Kardec, nós estamos repetindo a proposta de muitos grupos sérios do passado e da atualidade que se concentram em afastar o espiritismo do dogmatismo, do ufanismo, do salvacionismo, do igregismo, o que é um trabalho muito árduo, porque o mainstream espírita, como a gente costuma

dizer, André, é exatamente o oposto desse, é o oposto do exército da salvação que aí existe, e que mostra que, se não for desse jeito, as pessoas não conseguirão ser espíritos melhores. Por isso, a nossa ruptura com isso, a ruptura fraterna, pacífica, e na base da construção de ideias tão somente.

Gente, nós passamos já de uma hora e meia do nosso debate, ficamos felizes, temos aí quase quarenta pessoas ao vivo conosco, pelas nossas plataformas, numa noite de sábado, e eu vou encaminhar a última questão, que é a questão dez do nosso plano, já dizendo de antemão que ficaram muitas aí pelo caminho, e fica aí já a previsão, André, nós fazemos um revival, uma segunda edição desse nosso porque não foi possível nem erradicar metade das dúvidas e dos

questionamentos e das colocações que tínhamos preparado e com a participação, claro, dos nossos internautas que estão ao vivo, que tanto enriquece o nosso trabalho. Mas a questão fundamental que nós devemos sair daqui hoje é o seguinte... O Espiritismo não é uma filosofia de almanac, ela não é uma filosofia distante, onde estão os livros que a gente consulta, que a gente lê, que a

gente estuda. O Espiritismo tem que estar na prática, tem que estar no dia a dia, tem que estar encarnado nas pessoas que fazem parte do movimento, do meio que cultua, que trabalha a filosofia espírita. Então, nesse meio, nós temos escritores, palestrantes, dirigentes, médiums, que são os que materializam a proposta espírita, bem ou mal, correta ou equivocadamente, nos nossos

dias. Se nós colocássemos essas pessoas, que somos nós, porque nós também estamos envolvidos, nós também fazemos parte desse meio espírita, num divã, que resultado será que nós teríamos do ponto de vista da análise psicanalista? Olha, então, já que a gente pode ser um pouquinho mais forte aqui, um pouquinho mais pesado, eu diria que já não seria na psicanálise, seria na psiquiatria e muito provavelmente internados em algum centro de tratamentos para doentes mentais.

E falo isso com muita propriedade Eu estive dezesseis anos trabalhando em uma das maiores instituições espíritas do mundo. Eu diria a maior instituição espírita do mundo em função do trabalho de divulgação, principalmente. E ao longo desses dezesseis anos eu tive a oportunidade de conhecer os mais populares, os mais populares trabalhadores do movimento espírita Autores, palestrantes, popes mesmo, alguns, inclusive as maiores instituições espíritas do Brasil, né?

E convivir com as lideranças espíritas de boa parte das federativas, inclusive da maior, né? E meu testemunho pessoal, eu adoeci, tive a bênção, nesse sentido aqui eu vou até trazer um termo religioso, eu tive a bênção de ser, eu fui abençoado com a depressão. Aliás, foi ela que me apresentou a psicanálise, porque...

Você veja, eu dirigia um centro de divulgação espírita, participava como expositor, como palestrante, trabalhava na mesa mediúnica, por assim dizer, trazendo aqui o termo mesa só para ilustrar, e aduentado, né, e precisando fazer uso de medicamentos para depressão, puxa, tinha alguma coisa muito errada, e aí voltei para a universidade, fui estudar psicanálise, tive que fazer uso dos medicamentos durante um bom tempo, e teve um momento que eu falei, não, eu não quero mais

isso para mim, né, nesse momento eu estava tomando três medicações, né, para depressão, né, E no ano de dois mil e vinte e um, eu atravessei o oceano e vim aqui pra Portugal e me afastei bastante e atualmente eu tomo zero de medicamento para depressão, embora o meu último psiquiatra, ele disse assim, olha, como no seu caso já é a terceira queda, né? Provavelmente vai ser pra vida inteira. Não tomo nenhum tipo de remédio, durmo e durmo muito bem.

E por que que eu adoeci? Justamente porque, é, Aquele meio com o qual eu estava, estava me levando ao

adoecimento. O que eu percebi, vocês fiquem muito à vontade de discordar de mim, se for o caso, mas eu percebi que, chutando aqui, noventa por cento das lideranças espíritas é formada por homens e mulheres que ou enriqueceram muito, isso eu estou falando das grandes instituições, ou enriqueceram muito, ou são militares com ótimos soldos, ou são funcionários públicos com ótimos salários aposentados, sentem um complexo de culpa muito grande em função de muitos

deles terem enriquecido nesse mundo corporativo cruel, que muitas vezes, nesse capitalismo que é duro, né que o camarada para enriquecer sabe-se lá o que ele faz e ele chega na casa espírita para poder fugir do umbral para poder fugir do obsessor ele chega ali para poder fazer caridade né e ali ele traz tudo que ele conheceu no ambiente corporativo e traz como prática né e aí nós temos as casas espíritas todas elas eu digo pelo menos a maior parte delas as grandes pelo menos Uma

fogueira de vaidades... Kardec em obras póstumas... Ele fala da importância... De grupos espíritas pequenos... E isso é de uma preciosidade... Porque quando o grupo espírita... Fica muito grande... as contas começam a pesar, e aí para poder pagar as contas, a galera que está lá no topo do organograma da instituição, começa a se valer do marketing do mundão aqui, e aí as coisas começam a caminhar e não caminham muito bem.

Enfim, o Olha, a gente precisava ir lá muito atrás, a gente precisava falar um pouquinho sobre o começo da maior federativa do Brasil, a figura de Bezerra de Menezes e tudo aquilo que se deu no Espiritismo e da qual redundou no que é o Espiritismo hoje. Então, eu volto para o início da questão. Infelizmente, é com dor no coração eu digo que a maior parte deste... Você não chama movimento? Não me lembro agora o nome que você deu. mas as cabeças... Oi?

Meio. Meio. Infelizmente, o meio espírita, as cabeças pensantes do meio espírita, é formada por seres absolutamente narcisistas, com complexos de culpa extremamente inflados, né, e fugindo do umbral através da caridade e por meios que nada tem a ver com o espiritismo que o nosso querido professor Hipólito Leão Denizade Rivail nos apresentou. E, portanto, nós estamos nessa situação. Tomara que um dia ela chegue ao fim. Então, Leopoldina, esse divã

está muito ocupado. Será que cabe todo mundo nesse divã? Pois é, eu fico quase que sem palavras, porque o André falou tudo, colocou de uma forma com tamanha precisão e clareza, e pouco sobra para falar, porque a realidade realmente é essa. E pode crer, André, que... a gente, eu, você e muitos de nós, acabamos inclusive se decepcionando com essas casas espíritas e acabam se afastando, porque não dá para conviver. Eu, pelo menos, não consigo

conviver. Eu sou uma pessoa muito questionadora, E se eu for questionar, eu vou criar cisma, eu não serei bem-vinda. Então, é preferível se retirar e ficar na sua, porque não dá para conviver. E aí, eu acho que eu preciso de divã. Eu sou uma mulher que eu acho que eu preciso de divã. Mas eles lá, eles não estão acreditando que eles precisam de divã. E eu acho que, mais do que nunca, eles, como você bem disse, eles estão precisando de divã. E como estão precisando de divã?

Porque, ao mesmo tempo que eles tentam fazer essa fraternidade, essa solidariedade, que eu a vejo como muito, muito, muito mesquinha, porque eles dão o pão, mas não querem dividir o pão, eles acham que eles são superiores, já saíram do umbral, já tem um espaço todo lá cerceado de flores, de beleza, de paz, de sucesso total, inclusive. O mesmo sucesso que eles já tiveram aqui na Terra, eles vão continuar tendo no espaço, porque eles são bem-sucedidos.

Eles não foram só bem-sucedidos dentro da forma profissional, econômica, mas agora, indo para esse campo espírita, eles também estão sendo muito bem-sucedidos para alcançar, inclusive, um espaço privilegiado. São arrogantes, são vaidosos, sabe, eu vejo assim, é interessante como que eles se sentem, por serem médios, eles já se sentem num nível de superioridade, só por ser médio. E dar passe, eles já são superiores, eles já estão numa hierarquia, né?

E esse é um outro problema, que as casas espíritas estão formando hierarquias. Uma hierarquia. E aí, isto também, que eu vou lhe falar, não só eles precisam do divã, mas muitas vezes eles fazem com que aqueles que estão seguindo também vão precisar do divã.

A maior parte das pessoas que vão às casas espíritas é porque elas querem... conseguir alguma coisa, um bem material, ou uma questão de saúde, ou uma questão espiritual pela depressão, e elas acabam, inclusive, não se libertando, ficando naquele marasmo e que vai circulando, circulando, circulando, E fica sempre naquela mesmice. Não sai daquilo. Eu acho e concordo com tudo que você falou, André. Assino embaixo tudo que você falou. Aprendi muito, muito nessa noite com você.

Ô, Marcelo, meu querido. Porque você é muito querido, Marcelo. Porque você... Quem pensa diferente, você consegue dar aquela força... para seguir pensando diferente, sabe? Você forma uma rede em torno do grupo do ECK muito forte, muito forte mesmo, aquela rede. que fortalece, que liberta, que faz com que você busque novos mundos, novas formas de pensar e de ver. Isso é muito importante para

nós. Eu quero cumprimentar tanto a você, André, como quero cumprimentá-lo mais uma vez, Marcelo, e dizer o seguinte, nada como terminar com Raul Zito, né? Enquanto você se esforça para ser um sujeito normal e fazer tudo igual, eu do meu lado aprendendo a ser louco, um maluco total, na loucura real, controlando a minha maluqueza misturada com a minha lucidez. Talvez muitos pensem que nós do ECK e que acompanhamos o ECK não tenhamos tanta lucidez. Mas eu prefiro ficar nesse

mundo, entendeu? Que podem até às vezes dizer que não é normal. Mas eu sei que a conquista que nós estamos pretendendo é de um mundo real muito melhor. Vou ficar, ficar com certeza, maluco, beleza. Assim somos nós aqui no ECK. Não sou eu, Leopoldina, somos todos nós que fazemos o ECK todos os dias, em todas as mídias e plataformas que nós estamos, sempre procurando dar essa amplitude plural, essa amplitude humanista, livre-pensadora, laica, progressiva e progressista.

E é por isso que nós escolhemos o nosso André Marocco hoje para tratar desse tema espinhoso, mas que é tratado com muita tranquilidade, sem apontar dedos, sem criar condenações, sem prescrever verdades absolutas, construindo pelo dialógico e pelo dialético essa forma, que não é diferente da forma de Jesus, nem da de Kardec, nem do nosso amigo Herculano, que nos acompanha aqui atrás, que preconizaram, que exemplificaram, que vivenciaram essa proposta ampla

que o Espiritismo veio trazer para a humanidade, que é, sim, herança do trabalho daquele homem magnífico que esteve aqui há dois mil anos. Não o homem das religiões, não o homem das crendices, o homem real, aquele que nós, pouco a

pouco, vamos descobrindo. Agradeço a você, Leopoldina, pelas palavras, por fazer com a gente o SK desse cotidiano de cada dia e pedir para você que aguarde um pouquinho lá na sala do chá para nós darmos a palavra final para o nosso convidado, André Marosso, e já já estaremos encerrando essa live. André, o espaço é seu para suas considerações finais.

Antes de qualquer coisa, agradecer ao Espiritismo com Kardec, Leopoldina, Marcelo, enfim, todos os companheiros que nos acompanharam aí na técnica, nos deram a condição de estarmos aqui falando, né? Agradecer a você, nosso querido amigo e amiga que nos acompanha aí, seja agora online, seja

depois de offline, né? E que bom, que bacana lembrar Raul Seixas, que possamos ser bons malucos, está tudo certo em ter um pouquinho de maluquice na vida, nós estamos aqui vivendo tempos onde nas redes sociais nós tentamos estampar aquilo que nós não somos, quando nós vamos ao Instagram está todo mundo lindo, todo mundo em maravilhosas viagens, pratos estonteantes, isso passa uma ideia de perfeição, que absolutamente não condiz com a nossa realidade, nós somos seres

em aprendizado e em evolução, vamos amarmos-nos, isso é muito importante, essa é a proposta da psicanálise, é a cura pelo amor, essa é a proposta da psicanálise, então vamos nos amar, amar inclusive a nossa maluquice, a nossa imperfeição e buscarmos na medida do possível, buscarmos a razão, a razão que Polito nos apresenta através dessas trinta e duas magistrais obras da doutrina dos espíritos, porque ali a gente vai encontrar o consolo e o consolo vai nos apontar que está tudo certo,

está tudo certo, o mundo está meio maluco, está meio virado a uma guerra na Europa, uma guerra no Oriente Médio, um Donald Trump que, pelo amor de Deus, que não volte, a polarização política e tantos movimentos estranhos dos quais estão se dando, mas nós já vencemos tantas guerras, tantas tantas tantas pandemias tantas dores humanas já se deram e nós aqui estamos então nós por aqui vamos continuar e que possamos continuar com paz em nossos corações e com razão em nossas

mentes buscando a filosofia ciência espírita tendo paz e amor em nosso coração e crendo que Deus é pai Ele não é mais o senhor dos exércitos, não há por que temer. Tenhamos paz em nossos corações. Muito obrigado pela oportunidade que nos foi ofertada. O agradecimento é todo nosso, André, pela sua simpatia, pela sua jovialidade, por essa mensagem espírita que ecoa a partir da tua voz e que exala a partir dos teus poros e alcança a todos nós.

Já conhecemos o teu trabalho à distância, lá na Boa Nova, na TV Mundo Maior, e pra nós do SCK, esse coletivo progressista de espíritas, é uma honra muito grande tê-lo pela primeira vez em nossa bancada e espero que tê-lo em breve novamente conosco, para fazermos aí a segunda parte, porque ficaram muitas arestas, muitas questões, inclusive estão assim puxando a minha orelha aqui na técnica, no PVT, como a gente diz, para não deixar de incluir numa próxima oportunidade alguns

questionamentos. Agradeço mesmo, em nome do ECK, a tua presença, já aí, já é o adiantado da hora em Cascais, Portugal, mas nós esperamos que todos nós saiamos dessa live alimentados em espírito e em verdade para continuarmos essa nossa trajetória. Pedi a você que aguarde um pouquinho lá na sala do chá, que a gente vai partir para o nosso encerramento. Muito bem, minha gente. Quero aqui agradecer as pessoas que estiveram conosco, que

fizeram essa live. O trabalho que não é nada... sem a participação coletiva, daqueles que programam a live. já com quase trinta dias de antecedência, aqueles que confeccionam e que sugerem as questões, aqueles que tratam das questões técnicas, e a vocês que estão ao vivo conosco, que são, como diria Silvio Santos, colegas de trabalho. Vocês são colegas desse trabalho tão harmonioso, tão gratificante, que é o Espiritismo com Kardec.

Quero agradecer aqui o Evandro, a Cláudia, a Júlia e o Ricardo Sardinha, que estiveram conosco na técnica. Quero agradecer também ao Manuel Fernandes Neto, ao Nelson Esteves dos Santos e a todos os demais que fazem essa iniciativa do Grupo Espiritismo com Kardec, nosso conselho de gestão com

mais de vinte e cinco membros. Agradecer também, especialmente, Luziane Prins, Jacira Silva, Márcio Saraiva, Maria Cristina Rivê, que colaboraram enviando sugestões e perguntas que foram parcial ou totalmente aproveitadas na live de hoje. Fica o convite para daqui a quinze dias estarmos trabalhando no ECK. Daqui a duas semanas, produção é dia... Catorze, né?

Catorze de setembro estaremos trabalhando com o grande laboratório a revista de estudos psicológicos de Allan Kardec, a Review Spirit. Teremos conosco Henri Neto e Nelson Santos para descortinar os meandros, os detalhes da proposta de Kardec ao colocar num cadinho do laboratório onde eram depuradas as ideias espíritas, todo esse manancial de conhecimento que passa ao largo de toda aquela gama daqueles que se dizem espíritas e que não se debruçaram ainda,

infelizmente, para conhecer esse rico manancial que é a Revista Espírita. Vem com a gente. Daqui a quinze dias estaremos tratando desse tema tão importante quanto foi o de hoje. Agradecemos, então, a todos. Ficamos todos nós com a alegria, com a satisfação e com as boas energias dessa nossa live. Até mais. Um beijo, um abraço. Tchau.

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