⊕Kardec: Viagem Espírita [Ep09] Instruções particulares III - podcast episode cover

⊕Kardec: Viagem Espírita [Ep09] Instruções particulares III

Feb 23, 20259 minSeason 19Ep. 9
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Transcript

Olá, minha amiga, olá, meu amigo, como é que vocês estão? Bem-vindos a Mais Kardec, onde estudamos as obras menos conhecidas do professor Rivail e da doutrina espírita. Estamos aí estudando Viagem Espírita em mil oitocentos e sessenta e dois e hoje nós vamos para a terceira instrução particular que Kardec passou naquela época que nos é tão

valiosa hoje. Só reforçando que no último episódio eu esqueci de falar que era questão, né, se a gente precisava de um código para nos dizer espíritas e uma sociedade meio secreta, eu estava tentando lembrar o nome da maçonaria, esqueci, mas enfim, era só para exemplificar que o espiritismo, a sugestão de alguns espíritas da época era que fosse mais ou menos parecido com a maçonaria, a que Kardec rejeita veementemente dizendo que o nosso único símbolo, que a nossa

senha seja a caridade. Vamos para a terceira instrução. Vamos lá. Algumas pessoas veem no espiritismo um perigo para as classes pouco esclarecidas que, sem poder compreendê-lo em sua pura essência, poderiam desnaturar-lhe o espírito e fazê-lo degenerar em superstição. Que responder-lhes?

Isso é passível de suceder com tudo, quanto julgamos de maior utilidade, e se fôssemos suprimir as coisas das quais pode-se fazer um mau uso, eu não sei bem o que restaria, a começar pela imprensa, com o auxílio da qual podem se difundir doutrinas perniciosas, da leitura, da escrita, etc. Aqui seria mesmo o caso de perguntarmos a Deus por que deu ele língua a certas pessoas. Abusa-se de tudo, mesmo das

coisas mais sagradas. Se o Espiritismo tivesse emergido das classes menos esclarecidas, sem nenhuma dúvida a ele estariam enredadas muitas superstições. Entretanto ele nasceu em meios esclarecidos e só depois de se ter aí depurado e elaborado foi que penetrou. nos dias que correm, nas camadas menos cultas da sociedade, aonde chegou desembaraçado, pela experiência e a observação, de todas as

implicações espúrias. O que poderia se tornar realmente perigoso para o vulgo seria o charlatanismo. Assim sendo, nunca será demais combater, de modo constante e cuidadoso, a exploração, fonte inevitável de abusos, e isso por todos os meios lícitos ao nosso alcance. Já não estamos mais no tempo dos páreas em que relativamente ao esclarecimento, dizia-se, isto é bom para estes e isto para

aqueloutros. A luz penetra sempre na oficina de trabalho, mesmo sob a choupana, à medida que o sol da inteligência se ergue no horizonte e dardeja seus raios mais intensos. As ideias espíritas seguem esse movimento. Elas estão no ar e não é dado a ninguém contê-las. É necessário apenas dirigir-lhes o curso. O ponto capital do Espiritismo é

o lado moral. Eis o que é preciso, mesmo à custa de todo e qualquer esforço fazer compreensível, note-se, que é assim que ele é visto, mesmo nas classes menos esclarecidas. Por esse motivo o seu efeito moralizador já é manifesto. Eis aqui um exemplo, entre muitos, em um grupo do qual eu fazia parte, durante minha permanência em Lyon I. Homem, envergando roupas de trabalhador, ergueu-se no fundo da sala e disse, Senhor, há seis meses eu não acreditava nem em Deus, nem no diabo, nem que eu

possuísse uma alma. Estava persuadido de que quando morremos tudo se acaba. Não temia a Deus, pois o negava, não temia as penas futuras, uma vez que, ao meu parecer, tudo findava com a vida. Será bom dizer que não orava, pois, desde a minha primeira comunhão, não voltara a pôr os pés numa igreja. Além disso, eu era violento e arrebatado. Para resumir, eu não acreditava em nada, nem mesmo na justiça humana. Há seis meses assim era eu. Foi então que me aproximei do

espiritismo. Durante dois meses eu lutei. Entretanto, eu lia, compreendia e não me podia furtar a evidência. Uma verdadeira revolução se operou em mim. Hoje já não sou o mesmo homem. Oro todos os dias e frequento a igreja. Quanto ao meu caráter, perguntei aos meus amigos se eu mudei. Outrora irritava-me com tudo. Nada me exasperava. Hoje sou tranquilo e feliz e bendigo a Deus por me haver

enviado suas luzes. Compreendeis do que é capaz um homem que chega ao ponto de não crer nem ao menos na justiça humana? Seria possível negar-se ao efeito salutado espiritismo sobre esta criatura? E há milhares como ele, ainda que letrado, nem por isto deixou de compreender." É que o Espiritismo não é uma teoria abstrata que se dirige apenas aos sábios. Ele fala ao coração, e para falar a linguagem do coração não

há necessidade de diplomas. Fazei-o penetrar por esse caminho, na mansarda e na choupana, e ele realizará milagres. Que coisa linda, né? Aí você percebe que, embora o Espiritismo tenha nascido entre os mais cultos, digamos assim, Kardec era ultra super culto, fazia parte da Sociedade de Ciências de Paris, enfim, professor, falava oito idiomas, entendia de um tudo. Então nasceu daqueles mais cultos, de uma sociedade mais educada, digamos assim. Mas não se destinava apenas a

eles. Essa bobagem que a gente tem, especialmente no Brasil, olha que a maioria dos espíritas possuem curso superior e daí... se isso for verdade ainda, lembrando que Kardec nessa viagem palestrava para a grande maioria de proletariado, ou palavrinha difícil, ou seja, os empregados, os operários da época. Não eram para ricos, claro que tinham os aristocratas, mas a gente já viu nessa própria obra que não era a maioria, pelo contrário, era uma pequena minoria.

Então, o espiritismo veio para todo mundo, não com o endereço certo, especialmente quando a gente vê o tanto de falar de caridade e dos temas sociais, da igualdade, né? É óbvio que se aplica mais para as grandes massas mais pobres do planeta do que para os mais ricos, né? Mas também é para todo mundo, desde os mais ricos até os mais pobres, desde os analfabetos até os doutores e pós-doutores, né? Isso que é bonito no espiritismo e esse exemplo aí vem trazer um

quentinho no coração. Eu digo que eu não era como esse homem, porque eu era católico, Mas eu perdi completamente a fé quando eu comecei a me questionar, questionar o catolicismo e fiquei um ano completamente ateu. E o espiritismo me trouxe de volta. E você viu que interessante, só uma última observação, que o homem diz assim, hoje já não sou mais o mesmo homem, oro todos os

dias e frequento a igreja. Ou seja, ele não... se achava espírita no sentido de religião, porque ele continuava na sua religião católica, mas ele entendeu o propósito do espiritismo, que é não como uma religião, mas como uma filosofia, uma ciência de observação, e que a gente, infelizmente, aqui no Brasil, vem com essa conversinha que é a

religião, não é religião. nem nunca será, apesar de muitas pessoas, infelizmente, tornarem o espiritismo religião, que é tudo aquilo que Kardec e os espíritos combateram. Enfim, pode parecer um absurdo, e assim é. Obrigado pela sua presença, eu te espero no próximo encontro, que a gente vai continuar com essas instruções particulares, dessa vez a próxima será a quarta instrução. Obrigado e até o próximo episódio. Tchau.

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