Olá, meu amigo! Olá, meu amigo! Como é que vocês estão? Bem-vindos a Mais Kardec, onde estudamos as obras menos conhecidas do mestre Allan Kardec. Nós estamos estudando a obra Viagem Espírita, em mil oitocentos e sessenta e dois, e hoje nós vamos começar mais uma parte que são as instruções particulares dadas aos grupos em resposta a algumas questões propostas. Então, sem demora, vamos para o texto de hoje. Nós vamos ver a primeira dessas instruções particulares, que é o total de onze.
Vamos lá. Há um ponto sobre o qual creio ser um dever chamar toda a vossa atenção. Quero falar das surdas manobras dos adversários do Espiritismo, que, depois de tê-lo, inutilmente, atacado às abertas, procuram atingi-lo pelas costas. É uma tática contra a qual é preciso que estejais prevenidos. Como sabeis, já se combateu o espiritismo por todos os meios possíveis, atacaram-no em nome da razão, da ciência, da religião.
Nada disso deu certo. Tentou-se cobrí-lo do mais assintoso, ridículo, e o ridículo deslizou sobre ele como a água sobre o mármore. não se obteve mais êxito com a ameaça e a perseguição. Se elas encontraram frágeis caniços, depararam também com robustos carvalhos, que não puderam dobrar. E não conseguiram, além disso, abalar nenhuma convicção. Deveríamos então supor que o inimigo já se rendeu? Não!
Restam-lhe ainda dois recursos, os derradeiros, que, esperamos, não lhes resultará melhor, graças ao bom senso e à vigilância de todos os verdadeiros espíritas, que saberão se preservar dos inimigos internos como puderam
rechaçar os externos. Não tendo podido lançar o ridículo sobre o Espiritismo, invulneráveis sob a égide de sua sublime moral, experimentam, desta vez, colocar os espíritas em ridículo, isto é, provocar atos ridículos da parte de certos espíritas ou pseudo-espíritas, responsabilizando a todos pelos atos desses poucos.
O que desejam, sobretudo, é atribuir os vocábulos espírita, espiritismo e médium aos charlatães, politiqueiros necromantes e ledores da sorte, e não lhe será difícil encontrar comparsas complacentes, que os ajudem, empregando sinais místicos ou cabalísticos para justificar o que ousaram. afirmar em certos jornais, que os espíritas, se entregam às práticas da magia, e da feitiçaria, e que suas reuniões se constituem em renovadas cenas do sabá.
XVI à vista de um cartaz de salte em bancos, anunciando representações de médiums americanos ou de outras nacionalidades, como se anuncia o Hércules do Norte, eles esfregam as mãos excitados de alegria, e correm a proclamar sobre os telhados que o respeitável espiritismo está reduzido aos palcos das feiras os verdadeiros espíritos obviamente nunca lhes darão essa satisfação e as pessoas de sadio raciocínio saberão sempre estabelecer diferenças entre o
sério eo burlesco porém de qualquer modo é preciso que se esteja em guarda contra todas as provocações que podem favorecer a crítica Em semelhante situação é preciso evitar-se até mesmo as aparências. Engraçado que parece que está
falando de hoje. Ele está dizendo de poucos anos, em mil oitocentos e sessenta e dois, poucos anos depois do espiritismo ter sido criado, os ataques baixos que se sofriam, que os espíritas sofriam, especialmente Kardec, e que para qualquer coisa, qualquer manifestação, eles chamavam de espiritismo. Está vendo como é coisa do demônio? O que se faz hoje em dia? Exatamente a mesma coisa, especialmente nas igrejas.
talvez algumas poucas católicas, mas na maioria das evangélicas, dizendo que o espiritismo é coisa do capeta, do demônio, porque está na Bíblia, não é para conversar com mortos, e isso tem explicação nas obras fundamentais, não vou retomar aqui. E Kardec está informando como é que se deve agir nesse sentido. Continuemos. Um ponto final que dá um desmentido formal a essas alegações da maledicência, é o desinteresse. Que dizer de pessoas que tudo fazem sem esperar retribuição,
apenas por devotamento? Como intitular os charlatães se eles nada exigem? Como alegar que vivem do espiritismo, tal qual outras pessoas vivem dos seus negócios comuns? Que partido pessoal podem, pois, tirar da fraude, se, pelo contrário, sua crença é um motivo para sacrifícios e abnegações, com absoluto desprezo e indiferença às honras e aos lucros? Eu o repito, o desinteresse moral, imaterial, será sempre a resposta mais periptória a ser dada aos detratores da doutrina.
eis porque eles ficariam encantados, se pudessem subtrair-lhe esse prestígio por meio de todos os pretextos, chegando mesmo a pagar algumas pessoas para desempenharem a comédia. Agir de outra forma será, pois, fornecer-lhes as armas. Quereis a prova? Eis que lemos um artigo em O Courier de Leste, jornal publicado em Barley Duque, que foi cuidadosamente transcrito pelo Courier de Lotte, editado em Cours e outras várias publicações que, todas elas, desejam nos desafiar.
O Espiritismo tem por partidários três espécies bem distintas de indivíduos, os que dele vivem, os que com ele se divertem, e os que nele creem. magistrados, médicos, pessoas de responsabilidade podem ser contados entre os seus adeptos e que, sendo embora eles próprios inocentes, tornam-se extremamente úteis àqueles que dele vivem.
Os médiuns constituem hoje em dia uma categoria de industriais não registrados e que, nem por isso, deixam de fazer o seu comércio, um verdadeiro comércio, a respeito do qual pretendo falar-vos. segue um longo artigo condimentado de piadas pouco espirituosas, descrevendo uma sessão que o autor assistiu e na qual se encontra a passagem seguinte, relacionada a uma senhora que esperava receber uma comunicação de sua filha, e a mesa se dirigiu para a infeliz mãe que
se torcia em espasmos nervosos. Quando se refez de sua emoção, ofereceram-lhe uma cópia da mensagem recebida. Custo, vinte francos, e o preço não é excessivo, em se tratando das palavras de uma filha. Adorada, se devemos crer no autor do artigo, a sessão não se desenvolveu de maneira a exigir muito respeito e recolhimento, pois ele acrescenta. O senhor que interrogava os espíritos não me pareceu mais
digno do que comportava a situação dos interlocutores. não emprestava as suas funções maior majestade do que se estivesse trinchando um pernil de carneiro na mesa de hóspedes de Batignolles. O mais constrangedor é que tenha podido dizer que viu estabelecer preços para as manifestações. Todavia o caso aqui é de lamentá-lo por julgar uma obra por sua paródia. Aliás, é isso que faz a maioria dos críticos uma vez que afirmam, eu vi Olha que
interessante, né? Se a gente pode fazer um paralelo com os nossos tempos atuais, são, por exemplo, o escândalo que a gente teve aí com o médium famoso, João de Deus, que todo mundo atribui que era espírita. E não, João de Deus nunca foi espírita, apesar de ser médium. Espírita, a gente está vendo quem é, né? Que segue a doutrina dos espíritos.
Então, assim, era espiritualista. acreditava que tinha comunicação de espíritos e tal, incorporava um doutor lá que fazia operações duvidosas, mas muita gente foi curada, enfim, mas que teve esse escândalo, que ele era mais ou menos um coronel da terra onde vivia, que mandava todo mundo, mandava matar, e tinha escândalos sexuais e tudo mais. A quem se atribui tudo isso? Ao espiritismo. Então todo espírita esta tranqueira aí. Então parece que Kardec está falando dos nossos tempos.
Todo mundo que se atreve a fazer alguma coisa e se chama de médium ou alguma coisa assim vai ser confundido com o espírita. E isso que Kardec está nos advertindo. Vamos ver como é que ele termina. Esses abusos, como disse, são exceções, e raras exceções. Se as menciono com insistência, é porque são tais fatos que dão mais pretexto à maledicência, se é que já de per se não constituem obra de uma calculada maledicência.
De resto, eles não poderiam se propagar em meio a uma imensa maioria constituída por pessoas respeitáveis e que compreendem a verdadeira missão do Espiritismo e as responsabilidades que ele impõe, bem como o caráter de grave dignidade que lhe é próprio. Para esses é, pois, um dever repelir qualquer solidariedade com os abusos que poderiam comprometê-lo e deixar, bem claro, que não se fariam campeões de tão tristes fatos nem diante da justiça, nem
diante da opinião pública. Entretanto esse não é o único escolho que se nos revela à vista. Eu disse que os adversários têm uma outra tática para alcançar seus fins, consiste em procurar semear a desunião entre os adeptos, atiçando o fogo de pequenas paixões, de ciúmes e rancores, fazendo nascer os cismas, suscitando causas de antagonismo e de rivalidade entre os grupos a fim de levá-los a constituir diversos campos. E não creiais que são os inimigos declarados que desta
forma agem. São os pseudo-amigos da doutrina, e, frequentemente, aqueles em aparência mais calorosos. Muitas vezes, espertamente, farão tirar as castanhas do fogo com a própria mão de amigos sinceros, porém fracos, que, sabidamente enganados, agirão de boa fé e sem desconfiança. Lembrai-vos de que a luta não está terminada, e o inimigo se encontra ainda às vossas portas. mantende-vos constantemente em guarda a fim de que ele não vos
apanhe desprevenidos. Em caso de incerteza tendes um farol que não vos pode enganar, é a caridade, que nunca é equívoca. Considerai, pois, como sendo de origem suspeita todo conselho, toda insinuação que tender a semear entre vós gérmens de discórdias e a vos extraviar do caminho direito que vos ensina a caridade em tudo e por todos. E, mais uma vez, a gente vê como são atuais esses conselhos dados por Kardec. Coisas que estão acontecendo hoje. Que danado!
Acontecia naquele tempo e acontece hoje. Mas que legal, né? No próximo episódio nós vamos continuar lendo essas recomendações. E eu conto sempre com a sua valorosa presença. Obrigado pelo seu carinho e até o próximo episódio. Tchau.
