Olá, meu amigo, olá, meu amigo, como é que vocês estão? Bem-vindos a Mais Kardec, onde estudamos as obras menos conhecidas do professor Allan Kardec. Hoje nós vamos continuar aqui estudando Viagem Espírita em mil oitocentos e sessenta e dois e começaremos com os discursos, né? Então teremos o primeiro discurso que eram pronunciados nas reuniões gerais dos espíritas de Lyon e Bordeaux. Então Kardec fez essas viagens e este é um dos discursos que ele fazia durante essas viagens.
Então sem demora, vamos para o texto de hoje. Senhores e prezados irmãos espíritas, não sois escolares em Espiritismo, hoje colocarei, pois, de lado, questões práticas sobre as quais, devo reconhecer, estáis suficientemente esclarecidos, para enfocar o problema sob uma perspectiva mais ampla, e, acima de tudo, em suas consequências.
Este lado do assunto é grave, o mais grave incontestavelmente, pois que revela o objetivo para o qual se orienta a doutrina espírita e os meios para atingi-lo. Serei um pouco longo, talvez, pois o assunto é vasto, e todavia, restaria ainda muito a dizer para completá-lo. Assim, solicitarei vossa indulgência considerando que, podendo permanecer um tempo muito restrito entre vós, sou forçado a dizer, de uma só vez, o que em outras circunstâncias poderia ser dividido em muitas partes.
Antes de abordar o ângulo principal do assunto, creio dever examiná-lo de um ponto de vista que me é, de certa forma, pessoal. Se se tratasse tão somente de uma questão individual, seguramente outra seria a minha atitude. Entretanto ela se prende a vários assuntos de caráter geral e disso pode resultar um esclarecimento de utilidade para toda a gente.
Esse foi o motivo que me levou a optar por tal iniciativa, aproveitando, assim, a ocasião para explicar a causa de certos antagonismos com que deparamos, não sem algum espanto, em nosso caminho. No estado atual das coisas aqui na Terra, qual é o homem que não tem inimigos? Para não tê-los fora preciso não habitar aqui, pois esta é uma consequência da inferioridade relativa de nosso globo e de sua destinação como mundo de expiação. Bastaria para não nos enquadrarmos na situação,
praticar o bem. Não, o Cristo aí está para prová-lo. Se, pois, o Cristo, a bondade por excelência, serviu de alvo a tudo quanto a maldade pôde imaginar, como nos espantarmos com o fato de o mesmo suceder àqueles que valem cem vezes menos? O homem que pratica o bem isto dito em tese geral, deve, pois, preparar-se para se ferir na ingratidão, para ter contra ele aqueles que, não o praticando, são ciumentos da estima
concedida aos que o praticam. Os primeiros, não se sentindo dotados de força para se elevarem, procuram rebaixar os outros ao seu nível, obstinam-se em anular pela maledicência ou a calúnia aqueles que os ofuscam. Ouve-se constantemente dizer que a ingratidão com que somos pagos endurece o nosso coração e nos torna egoístas. Falar assim é provar que se tem o coração fácil de ser endurecido, uma vez que esse temor não poderia deter o homem verdadeiramente bom.
O reconhecimento é já uma remuneração pelo bem que se faz. Praticá-lo tendo em vista essa remuneração é fazê-lo por interesse. Por outro lado, quem sabe se aquele que beneficiamos e do qual nada esperamos não será estimulado a mais elevados sentimentos por um reto proceder? Esse pode ser talvez um meio de levá-lo a refletir, de suavizar sua alma, de salvá-lo. Essa esperança constitui uma nobre ambição. Se nos inferiorizarmos, não realizaremos o que nos compete
realizar. Então Kardec já avisa que está fazendo um discurso grande, mas porque ele não tem muitas oportunidades de se encontrar com as pessoas. Então, por isso que ele está fazendo este discurso maior e ele já começa falando sobre a questão de, acho que já preparando os trabalhadores do Espiritismo para os desafios que virão. Mas vamos continuar.
Não podemos, entretanto, supor que um benefício, aparentemente estéreo na Terra, seja para sempre improdutivo, é muitas vezes um grão semeado e que não germina senão na vida futura daquele que o recebeu. Muitas vezes temos observado certos espíritos, ingratos como homens, tomados de emoção na espiritualidade, pelo bem que lhes foi feito.
E essa lembrança, neles despertando pensamentos benéficos, facilita, lhes enveredarem para o caminho do bem, e do arrependimento, contribuindo para abreviar-lhes os sofrimentos. Só o Espiritismo poderia revelar esse resultado da benevolência. Só a ele está dado, pelas comunicações recebidas do Alentúmulo, revelar o lado caridoso desta máxima. Um benefício nunca está perdido, substituindo o sentido egoísta que se lhe atribui. Mas retornemos ao que nos concerne.
Pondo de lado qualquer questão pessoal, tenho adversários naturais nos inimigos do Espiritismo. Não cogiteis que me lamente. Longe disso. Quanto maior é a animosidade deles, melhor se comprova a importância que a doutrina espírita assume aos seus olhos. Se se tratasse de algo sem consequências, uma dessas utopias que já nascem inviáveis, não lhe prestariam atenção.
Não tem desvisto escritos vazados em um tom de hostilidade, que não se encontra nos meus, quanto à ideologia, e nos quais as expressões não são mais parcimoniosas do que o atrevimento dos pensamentos. Contra eles, todavia, não enuncio uma única palavra. O mesmo se daria, se as doutrinas que luto por difundir permanecessem circunscritas às
páginas de um livro. Entretanto o que pode parecer mais espantoso, o fato, é que tenho adversários mesmo entre os adeptos do Espiritismo. Ora, nesta área, é que uma explicação se torna necessária. Eita, então. Homens, né? Seres humanos. Lógico que vai ter inimigo até dentro do espiritismo, né? Vamos ver o que ele fala. Entre os que adotam as ideias espíritas, há, como sabeis, três categorias bem distintas.
Um, os que creem pura e simplesmente nos fenômenos das manifestações, mas que deles não deduzem qualquer consequência moral. Ou seja, meio que inútil, né? Dois, os que percebem o alcance moral, mas o aplicam aos outros e não a si mesmos. Conhece alguém assim? E três, os que aceitam pessoalmente todas as consequências da doutrina e que praticam ou se esforçam por praticar sua moral. Aí está o verdadeiro espírita, que inclusive está em várias obras fundamentais.
Estes últimos, vós bem o sabeis, são os espíritas praticantes, os verdadeiros espíritas. Essa distinção é importante, pois que bem explica as anomalias aparentes. Sem isso seria difícil compreendermos as atitudes de determinadas pessoas. Ora, o que preceitou essa moral? Amai-vos uns aos outros, perdoai os vossos inimigos, retribui o bem ao mal, não tenhais ira, nem rancor, nem animosidade, nem inveja, nem ciúme, sede severos para convosco mesmos e
indulgentes para com os outros. Tais devem ser os sentimentos do verdadeiro espírita, aquele que se atém ao fundo e não à forma, que coloca o espírito acima da matéria. Ele pode ter inimigos, mas não é inimigo de ninguém, pois que não deseja o mal a quem quer que seja e, com maiores razões, não
procura fazer o mal a ninguém. Esse é o verdadeiro espírita e que Kardec, já naquela época, prevendo e vendo... os quiprocó que estava dando, obviamente que ele tinha que botar isso num sermão, sermão não, num discurso. Quem faz sermão é padre. Botar isso num discurso para já dizer para o povo, ó, negócio é o seguinte, ó, estejam preparados, porque a coisa o bicho vai pegar.
Vamos continuar aqui a leitura. Esse, como vede, senhores, é um princípio geral, do qual toda a gente pode beneficiar-se. Se, pois, tenho inimigos, eles não podem ser contados entre os espíritas dessa categoria, pois que, admitindo que tivessem motivos legítimos de queixa contra mim, o que me esforço por evitar, Esse não seria um motivo para me odiarem, e, com melhores razões se nunca lhes fiz qualquer mal.
O Espiritismo tem por divisa, fora da caridade não há salvação, o que equivale dizer, fora da caridade não pode existir verdadeiros espíritas. Solicito-vos inscrever, daqui para frente, essa divisa em vossas bandeiras, pois que ela resume ao mesmo tempo a finalidade do Espiritismo e o
dever que ele impõe. Estando, pois, admitido que não se pode ser um bom espírita com sentimentos de rancor no coração, eu me orgulho de contar apenas com amigos entre estes últimos, pois que, se eu tiver defeitos, eles saberão desculpá-los. Veremos em seguida. A que imensas e férteis consequências conduz esse princípio? Em primeiro lugar examinaremos as causas que podem excitar certas animosidades.
Desde que surgiram as primeiras manifestações dos espíritos, algumas pessoas nisso viram um meio de especulação, uma nova mina a ser explorada. Se essa ideia seguisse o seu curso, teríais visto pulular por toda a parte médiums e pseudo-médiums oferecendo consultas a um dado preço por sessão. Os jornais estariam cobertos por
seus anúncios e reclames. Os médiums teriam se transformado em ledores da sorte, e o espiritismo se enquadraria na mesma linha da adivinhação, da cartomancia, da necromancia, etc., Nesse conflito, como poderia o público discernir a verdade da mentira? Por o espiritismo a salvo, em meio a tal confusão, não seria coisa fácil. Tornou-se imperioso impedir que fosse levado por essa via funesta. Era preciso cortar pela raiz um
mal que o teria atrasado por mais de um século. foi o que me esforcei por fazer, demonstrando desde o princípio, a face grave e sublime dessa nova ciência, fazendo-a sair do caminho puramente experimental para fazê-la penetrar no da filosofia e da moral, revelando, finalmente, a profanação que seria explorar a alma dos mortos ao mesmo tempo em que cercamos
seus despojos de respeito. Desse modo, assinalando os inevitáveis abusos que resultariam de semelhante estado de coisas, contribui, e disso me vanglorio para que se levasse ao descrédito a exploração do Espiritismo, conduzindo o público, por isso mesmo, a considerá-lo como algo de
venerável e digno de respeito. Creio ter, assim, prestado algum serviço à causa, e se não tivesse agido dessa forma, de que me poderia alegrar, Graças a Deus, meus esforços foram coroados de êxito, não apenas na França, mas também no estrangeiro. E posso dizer que os médiuns profissionais são hoje raras exceções na Europa. Onde quer que minhas obras penetraram e servem de guia, o Espiritismo é visto sob o seu verdadeiro aspecto, isto é, sob
um caráter exclusivamente moral. Por toda parte, os médiuns, devotados e desinteressados, compreendendo a responsabilidade de sua missão, vêm-se cercados da consideração que lhes é devida, qualquer que seja sua posição social. E essa consideração cresce na razão mesma de um contraste realçado pelo desinteresse. Então Kardec está, sim, feliz pelos rumos que o Espiritismo tomou, porque ele não deixou que esse Espiritismo fosse apenas uma brincadeira de adivinhação
paga, né? então ele vem expressar a felicidade de que na Europa quase não existiam mais os médiuns profissionais, coisa que nos Estados Unidos existe até hoje, mas graças às suas obras de Kardec, ele fala isso, Kardec sim, é o autor do Espiritismo, não só aquele que recebeu uma missão divina de codificar e tal, é o autor, Então ele diz que se vê realizado por encontrarem que a maioria dos médios entenderam a proposta e o respeito que se deve tratar, do
mesmo jeito quando a gente tem respeito ao fazer um velório com a pessoa que acabou de morrer, o mesmo respeito de se tratar os que estão do outro lado da vida. Mas vamos continuar.
Não pretendo absolutamente dizer que entre os médiums profissionais não existem muitos que sejam honestos e dignos de consideração, mas a experiência provou, a mim e a muitos outros, que o interesse é um poderoso estimulante à fraude, pois que tem em miro lucro, e se os espíritos não colaboram o que frequentemente ocorre, pois que não estão por conta de nossos caprichos, a astúcia, fecunda em expedientes, encontra facilmente
meios de supri-los. para um que agir lealmente, haverá sem dispostos ao abuso, e que conspurcarão a reputação do espiritismo, por outro lado os nossos adversários não descuidaram de explorar, em proveito de suas críticas, as fraudes, que puderam testemunhar disso concluindo que tudo no espiritismo é falsidade, e que urge, portanto, o porém, se é esse charlatanismo de um novo gênero, Em vão objeta-se que a doutrina não é responsável por tais abusos.
Conheceis o provérbio, quando se deseja matar o cão, disse que está raivoso. Que resposta mais perimptória poder-se a dar à acusação de charlatanismo do que dizer-se, quem vos convidou a vir? Quanto pagastes para entrar? Aquele que paga quer ser servido, exige uma retribuição ao seu dinheiro, se não lhe é dado o que espera, tem o direito de reclamar. Ora, para evitar essa reclamação, cuida-se de servi-lo por qualquer expediente. Eis o abuso, mas o abuso que ameaça se tornar uma regra, ao
invés de uma exceção. E é preciso obstá-lo. Agora que uma opinião se formou a esse respeito, o perigo não é de se temer senão relativamente aos inexperientes. Aqueles, pois, que se queixarem de ter sido enganados, ou de não haver obtido as respostas que desejariam, podemos dizer, se tivésseis estudado o Espiritismo saberíeis em que condições ele pode ser experimentado com frutos, saberíeis quais são os legítimos motivos de confiança e de desconfiança.
O que, em suma, se pode dele esperar, e não teríeis pedido o que ele não pode dar, não teríeis ido consultar um médium como a um cartomante, para solicitar aos espíritos revelações, conselhos sobre heranças, descobertas de tesouros e cem outras coisas semelhantes, que não são de alçada do espiritismo. Se fostes induzido em erro, deveis apenas culpar-vos a vós mesmos. É evidente que não se pode considerar uma exploração a mensalidade que se paga a uma sociedade para que enfrente as
despesas de sua manutenção. Outro assim, a mais vulgar equidade diz que não se pode impor esse gasto a pessoas que não dispõem de possibilidades financeiras ou de tempo para frequência contínua como associados. A especulação consiste em se fazer uma indústria de situação em convocar o primeiro, que surge, curioso ou indiferente, para exigir seu dinheiro. Uma sociedade que assim agisse seria tão repreensível ou mais repreensível ainda do que o indivíduo e não mereceria nenhuma confiança.
Uma entidade espírita deve prover as suas necessidades. Ela deve dividir entre todos suas despesas e nunca lançá-las aos ombros de um só. Isso é justo e não existe nesse critério nem exploração nem especulação.
Todavia, o caso não seria idêntico se o primeiro que se apresentasse pudesse adquirir através do pagamento o direito de entrada, pois isso seria desnaturar a finalidade essencialmente moral e instrutiva das reuniões desse gênero, pra delas fazer um espetáculo de curiosidade então Kardec aí vai lançando uma explicação muito clara sobre as sociedades então de uma maneira muito elegante ele está falando pra todo mundo que estava lá olha As sociedades espíritas,
como casas espíritas, que arrecadam algum dinheiro é para sua manutenção, porque você tem que pagar o aluguel do lugar, o lugar, os impostos, as taxas, água, luz, telefone, essas coisas todas, né? e que as pessoas que frequentam se cotizam para pagar. Mas isso não é um ingresso. Você não está cobrando um ingresso para a pessoa vir aqui e achar que vai exigir do médium o que quer que seja, uma predição do futuro, uma comunicação com fulano, ciclano.
Então ele está deixando bem claro nesse discurso do que se trata uma coisa e do que se trata as sociedades, do que se tratam as sociedades espíritas, especialmente as da época.
Então, assim como um pai faz... com seus filhos, educando-os, para dizer assim, olha, não vão por esse caminho não, vão por este daqui, e inclusive quem não pode pagar também pode ser sócio, porque antigamente eram associados, então os associados pagavam uma mensalidade para manter os custos da casa, mas ele está dizendo, se a pessoa não tem dinheiro, não é para cobrar, deixa entrar e continuar os trabalhos, então isso é bem
interessante, mas continuemos. Quanto aos médiums, eles se multiplicam de tal forma que os profissionais seriam, hoje, completamente supérfluos. Tais são, senhores, as ideias que me esforcei por fazer prevalecer, e confesso-me feliz por ter obtido êxito muito mais facilmente do que teria esperado. Mas compreendei, aqueles que frustrei em suas esperanças não são meus amigos. Eis-nos, pois, em presença de um grupo que não me pode ver com bons olhos, o que, convenhamos, pouco me inquieta.
Se nunca a exploração do Espiritismo tentou se introduzir em vossa cidade, eu vos convido a renegar essa nova indústria. a fim de não comprometer-des a vós mesmos com essa solidariedade e para que as censuras que se levantarem não venham a cair sobre a doutrina pura, ao lado da especulação material, àquela a qual poderíamos chamar especulação moral, isto é, a satisfação do orgulho, do amor próprio.
É o caso dos que acreditam, sem interesse pecuniário, ser possível fazer do Espiritismo um pedestal honorífico, para se colocarem, em evidência. Tão pouco os favoreci em meus escritos e, por outro lado, meus conselhos contrapuseram-se a mais de uma premeditação, provando que as qualidades do verdadeiro Espírita são a abnegação e a humildade, conforme a máxima do Cristo. Quem exalta será humilhado. Este é o segundo grupo que, igualmente, não me pode
apreciar. Nele se encontram os portadores das ambições frustradas e dos amores próprios melendrados. Em seguida, é a vez das pessoas que não me perdoam o fato de ter sido bem sucedido, para as quais o sucesso de minhas obras é uma causa de desgosto, que... Perdem o sono quando assistem aos testemunhos de simpatia, que, espontaneamente, me são
dispensados. É a faixa do ciúme, reforçada por todos aqueles que, por temperamento, não toleram ver um homem erguer um pouco a cabeça sem tentar um movimento de fazê-lo submergir. Um grupo não menos irascível, acreditai, é constituído por médiums, não por médiuns interesseiros, mas, pelo contrário, desinteressados materialmente falando-se. Refiro-me aos médiuns obsediados, ou melhor, fascinados. Algumas observações a esse respeito não deixam de ter sua
utilidade. Por orgulho estão de tal forma persuadidos de que tudo o quanto recebem é sublime, e só pode vir dos espíritos superiores, que se irritam com a menor observação crítica, a ponto de se mal que estarem com seus amigos quando estes têm a inabilidade de não admirar o que lhes parece
absurdo. Nisto reside a prova da má influência que os domina, pois supondo-se que, por falta de capacidade de julgamento ou de conhecimento, não fossem capazes de enxergar claro Este não constituiria um motivo para se porem de prevenção contra os que não se acham em idêntica posição. Todavia, essa é a tarefa dos espíritos obsessores que, para melhor manter o médium sob sua dependência, induzem-no ao afastamento, mesmo aversão por quem quer que possa lhes abrir os olhos.
E aí Kardec está falando sobre a questão de não ter nenhum interesse financeiro ou moral ao exercer a mediunidade ou sendo espírita. E aí ele começa a falar dos médiuns que são obsidiados. E a gente tem aí no meio espírita médiuns famosos que estão mostrando que estão completamente obsidiados. e é daqueles que só gostam de gente que batem palma para tudo que façam, não importa que seja execrável, que seja horroroso, que seja contra o senso comum,
que seja odioso. Não, mas este médium, aquele médium, aquela médium, nossa, o que eles falarem é sagrado, só pode vir de espíritos superiores. Então, é aí que tem a pegadinha, porque a humildade, ele cita Jesus, os... os metidos serão rebaixados e os humildes serão exaltados. Exatamente, a humildade é uma das condições para se ser um bom médium, né? E ele entra neste assunto, perceba que ele vai pegando assim onde mais dá problema e ele sabendo que isso dá
problema. Gente, nós estamos falando assim cinco anos de Espiritismo, no comecinho, e ele já sabia de tudo isso que acontece até hoje, né? E que, inclusive, a gente estuda no livro dos médiuns. Basta estudar para saber o que é. Só é médium obsidiado e deslumbrado consigo mesmo aqueles que não estudam Kardec. Porque se estudar Kardec, espírito besta não vai ter vez com ele. Mas vamos continuar a leitura. Há ainda os que são dotados de uma susceptibilidade levada ao excesso.
Agastam-se com as mínimas coisas, mesmo com o lugar que lhes é destinado em uma reunião, se este não é de bastante evidência, com a ordem estabelecida para a leitura das comunicações, ou com o fato de se recusar à leitura daquelas cujo tema não parece oportuno ao momento. Alguns aborrecem-se quando não são convidados, com bastante insistência, a dar o seu concurso, outros se agastam porque a ordem dos trabalhos não é invertida, de modo a favorecer
suas conveniências. Há os que gostariam de se considerar médiums titulares de um grupo ou de uma sociedade, ser as senhores de baraço e cutelo, pretendendo que seus espíritos guias sejam tomados por árbitros infalíveis de todas as questões, etc. Esses motivos são tão poeris e tão mesquinhos, que nenhum deles ousa confessá-los. Mas nem por isso deixam de constituir uma fonte de surda animosidade que, cedo ou tarde, se trai, ou pelas malquerenças
ou pelo afastamento. sem ter razões ponderáveis a oferecer, muitos põem de lado os escrúpulos e apresentam pretextos ou alegações imaginárias. O fato de, absolutamente, não me conformar a essas pretensões surge como um erro, ou melhor ainda, um crime aos olhos de algumas pessoas que, naturalmente, me deram às costas, gesto esse ao qual, mais uma vez, reagi a seu ver, erroneamente, não lhes dando maior importância.
Tudo isso é imperdoável. Concebei esta palavra nos lábios de pessoas que se dizem espíritas. Eis aqui uma palavra que deveria ser riscada do vocabulário espírita. A maior parte dos diretores dos grupos ou das sociedades, como eu, tem. experimentado esse desagrado, e eu os convido a tomar minha atitude, isto é, não dar importância a médiums que constituem antes um entrave que um recurso. Em sua presença está-se sempre pouco à vontade, no temor de os ferir com ações por vezes as
mais insignificantes. Esse inconveniente foi, dantes, mais relevante do que agora. Quando os médiums eram mais raros do que hoje, tinha-se de se contentar com aqueles de que se dispunha. Hoje, entretanto, que eles se multiplicam diante de nossos olhos, o inconveniente diminui. Em razão mesmo da escolha, e à medida que se compenetra melhor dos verdadeiros princípios da doutrina, pondo-se de lado o grau da faculdade, as qualidades de um bom médium são a modéstia,
a simplicidade e o devotamento. Um médium deve oferecer seu concurso tendo em vista ser útil, e não para satisfazer a sua vaidade. Não deve nunca ater-se às comunicações que recebe, pois de outra forma poderia fazer crer que nelas põe algo de seu, algo que tem interesse em defender. Deve aceitar a crítica, mesmo solicitá-la, e se submeter às advertências da maioria sem intenções calculadas.
Se o que recebe é falso, mal, detestável, tudo isso é preciso que se lhe diga sem receio de feri-lo e mesmo na certeza de que tal não ocorrerá. Eis os médiums verdadeiramente úteis a um grupo e com os quais nunca teremos motivo de descontentamentos, pois que bem compreendem a doutrina. São igualmente esses que recebem as melhores comunicações, uma vez que não se deixam dominar pelos espíritos orgulhosos. Os espíritos mentirosos os receiam, pois que se reconhecem
impotentes para deles abusar. Quanto aos outros, ou não compreendem a doutrina ou não a querem compreender. Então, vem aí uma instrução poderosa, e lembrando que isso também está no livro dos médiuns, para quem quiser estudar, mas vem falando como existia esse problema de médiuns estrelinhas. que não admitiam críticas, que defendiam as suas comunicações. Ora, não são suas comunicações. Você está defendendo por quê? Então tem coisa sua aí, né?
São suas ideias. Porque muito médium hoje em dia escreve livro colocando as suas ideias em nome de um outro espírito. Qual a diferença de um padre, de um pastor, de alguém que fala em nome de Deus mate gays? Entende que não tem diferença nenhuma? Só estão trocando, em vez de falar em nome de Deus, estão falando em nome deste espírito venerável, daquele espírito venerável, e quando, na verdade, está sendo apenas um médium, nada humilde, colocando as suas próprias ideias, porque...
Desse tipo de médium, os bons espíritos se afastam, sabia? Só fica as curvas de rio, só fica os enroscos, as coisas ruins que vêm e geralmente ficam elogiando este médium e o colocando como um semideus, né? E aí as pessoas que não podem fazer uma crítica ou que criticam são enxotadas, são excomungadas na doutrina espírita, do movimento espírita, não na doutrina. E olha aqui Kardec falando, já no comecinho do Espiritismo, preste atenção. Se Kardec estivesse aqui hoje, ele seria xingado.
Mas que absurdo como você ousa contestar médium fulano, médium sicano. Quem é você para contestar? Não é assim que a gente escuta? Então, isso é religiosismo, isso é vaidade, isso é adorar o homem e não a mensagem. Vamos continuar a leitura aqui. Em seguida vem a categoria das pessoas que jamais estão contentes. Algumas acham que procedo com certa lentidão, outros com abusiva celeridade. É como na fábula do moleiro, seu
filho e o asno. Os primeiros reprovam-me por haver formulado princípios prematuros, de me colocar como chefe de uma escola filosófica. Mas acontece que, pondo-se a ideia espírita à parte, não poderia eu acaso arrogar-me, como tantos outros, à autoria de um sistema filosófico? Fosse ele o mais absurdo? Se os meus princípios são falsos, por que não apresentam outros que os substituam,
fazendo-os prevalecer? Ao que parece, entretanto, de modo geral eles não são julgados irracionais, já que encontram aderentes em tão grande número. Mas não será exatamente isso que excita o mau humor de certas pessoas? Se esses princípios não encontrassem partidários, se fossem ridículos a partir do primeiro enunciado, seguramente,
deles não se falaria. E quanto aos outros, os que pretendem que não avanço bastante rapidamente, esses desejariam me empurrar, com boa intenção, quero crer, pois é
sempre melhor. pressupor o melhor que o pior, em um caminho onde não quero me arriscar, sem, pois, me deixar influenciar, seja pelas ideias de uns, seja pelas de outros, sigo a rota que eu mesmo tracei, tenho um objetivo, vejo-o, sei como e quando o atingirei, e não me inquietam os clamores dos que passam por mim, crede, senhores, as pedras não faltam em meu caminho. passo por cima delas, mesmo das mais altas e pesadas.
Se se conhecesse a verdadeira causa de certas antipatias e de certos afastamentos, muitas surpresas nos aguardariam.
É ainda preciso, entretanto, mencionar as pessoas que são postas, relativamente a mim, em posições falsas, ridículas e comprometedoras e que procuram se justificar, em última instância, recorrendo a pequenas calúnias, os que esperavam seduzir-me pelos elogios, crendo poder levar-me a servir aos seus desígnios e que reconheceram a inutilidade de suas manobras para atrair minha atenção, aqueles que não elogiei nem incensei, e que isso esperavam de mim, aqueles, enfim, que não
me perdoam por ter adivinhado suas intenções e que são como a serpente sobre a qual se pisa. Se todas essas pessoas decidissem se colocar, por um instante sequer, em uma posição extraterrena e ver as coisas um pouco mais do alto, compreenderiam bem a puerilidade daquilo que as preocupa, e não se espantariam com a pouca importância que a tudo isso dão
os verdadeiros espíritas. É que o Espiritismo abre horizontes tão vastos, que a vida corporal, curta e efêmera, se apaga com todas as suas vaidades e suas pequenas intrigas, ante o infinito da vida espiritual. Perceba o tamanho da compreensão de Kardec e da missão que ele tinha. Imagine o que ele passou, primeiro com a sociedade em geral, segundo com os próprios espíritas, ditos espíritas, a ciumeira, a confusão, as
intrigas. Para ele estar falando isso num discurso é porque a coisa não foi bolinho não. Vamos continuar. Não devo, entretanto, omitir uma censura que me foi endereçada, a de nada fazer para trazer de novo, a minhas pessoas que se afastam. Isso é verdadeiro e a reprovação fundamentada. Eu a mereço, pois jamais dei um único passo nesse sentido, e aqui estão os motivos de minha indiferença.
Aqueles que de mim se aproximam, fazem-no porque isto lhes convém, é menos por minha pessoa do que pela simpatia que lhes desperta os princípios que professo. Os que se afastam fazem-no porque não lhes convenho, ou porque nossa maneira de ver as coisas reciprocamente não concorda. Por que, então, iria eu contrariá-los impondo-me a eles? Parece-me mais conveniente deixá-los em paz. Ademais, honestamente, carece-me
tempo para isso. Sabe-se que minhas ocupações não me deixam um instante para o repouso. Além disso, para um que parte, a mil que chegam. Julgo um dever dedicar-me, acima de tudo, a estes e é isso que faço. Orgulho? Desprezo por outrem? Oh! Não. Honestamente, não. Eu não desprezo ninguém. Lamento os que agem mal. Rogo a Deus e aos bons espíritos que façam nascer neles melhores sentimentos. E isso é tudo. Se retornam, são sempre recebidos com júbilo.
Mas correr ao seu encalço, isso não me é possível fazer, mesmo em razão do tempo que de mim reclamam as pessoas de boa vontade, e depois porque não empresto a certos indivíduos a importância que eles a si próprios atribuem. Para mim, um homem é um homem, isto apenas. Mesmo o seu valor por seus atos, por seus sentimentos, nunca por sua posição social. Pertence a ele as mais altas.
camadas da sociedade, se age mal, se é egoísta, e negligente de sua dignidade, é, a meus olhos, inferior ao trabalhador que procede corretamente, e eu aperto mais cordialmente a mão de um homem humilde, cujo coração, estou a ouvir, do que a de um potentado cujo peito emudeceu, a primeira me aquece, a segunda me enregela, homens da mais alta posição, Honram-me com sua visita, porém nunca, por causa deles, um proletário ficou
na antecâmara. Muitas vezes, em meu salão, o príncipe se assenta ao lado do operário. Se se sentir humilhado, dir-lhe-ei simplesmente que não é digno de ser espírita. Mas sinto-me feliz em dizer, eu os vi, muitas vezes. Apertarem-se as mãos, fraternalmente, e então um pensamento me ocorria. Espiritismo, eis um dos teus milagres. Este é o prenúncio de muitos outros prodígios. Dependeria de mim abrir as portas da alta sociedade, porém nunca fui nelas bater. Isso exigiria um tempo que
prefiro empregar mais utilmente. Coloco em primeira instância o consolo que é preciso oferecer aos que sofrem, erguer a coragem dos caídos, arrancar um homem de suas paixões, do desespero, do suicídio, detê-lo talvez no limiar do crime. Não vale mais isto do que os lambris doirados. Guardo milhares de cartas que para mim mais valem do que todas as honrarias da Terra, e que olho como verdadeiros títulos de nobreza. Assim, pois, não vos espantei se deixo partir aqueles que me dão as costas.
Tenho adversários, eu sei. Mas o número deles não é tão grande quanto poderia fazer supor a enumeração mencionada. Eles se encontram nos grupos que citei, mas são... Apenas indivíduos isolados e seu número pouca coisa em comparação com os que desejam testemunhar-me sua simpatia.
Além disso, nunca conseguiram perturbar-me o repouso, nem uma vez sequer suas maquinações, suas diatribes me emocionaram e devo acrescentar que essa profunda indiferença de minha parte, o silêncio que oponho aos seus ataques, não é o que os exaspera menos. Por mais que façam, jamais conseguirão fazer-me sair da moderação e da regra que tenho por conduta. Nunca se poderá dizer que
respondi a injúria com injúria. As pessoas que me conhecem na intimidade podem dizer se jamais os mencionei, se alguma vez na sociedade foi dita uma única palavra. foi feita uma única alusão relativamente a qualquer um deles. Mesmo pela revista, jamais respondi às suas agressões se dirigidas à minha pessoa, e Deus sabe que elas não têm faltado. Então Kardec vem exemplificando aí como é que deve fazer. Em vez de ficar atacando as pessoas, simplesmente
ignorá-las. E, como ele disse, o silêncio, a indiferença, é mais forte para essas pessoas, mais agressivo para essas pessoas do que se ele falasse alguma coisa. Mas vamos terminar o discurso de hoje. Vamos lá. De que adianta, ademais, seu mal querer? De nada. Nem contra a doutrina nem contra mim. A doutrina espírita aprova, por sua marcha progressiva, que nada tenha temer. Quanto a mim, não ocupo nenhuma posição, por isso nada existe que me pode ser tirado.
Não peço nada, nada solicito, e assim, nada me pode ser recusado. Não devo nada a ninguém, desse modo nada é que me possa ser cobrado. Não falo mal de ninguém, nem mesmo daqueles que o dizem de mim. Em que poderiam então prejudicar-me? É certo que se pode atribuir a mim o que eu não disse e isso já se fez. Mais de uma vez, mas aqueles que me conhecem são capazes de distinguir o que digo daquilo que não sou capaz de dizer, e eu agradeço a quantos em semelhantes circunstâncias
souberam responder por mim. O que afirmo estou sempre pronto a repetir, na presença de quem quer que seja, e quando afirmo não ter dito ou feito uma coisa, julgo-me no direito de ser acreditado. Ademais, o que representa tudo isso em face do objetivo que nós, os espíritas sinceros e devotados, perseguimos conjuntamente, desse futuro imenso que se desenrola diante dos nossos olhos?
Acreditai-me, senhores, fora, preciso ver como um roubo perpetrado contra a grande obra, os instantes, que perdêssemos preocupados com essas mesquinharias. De minha parte agradeço a Deus por me haver, já que na terra, concedido tantas compensações morais ao preço de tribulações tão passageiras, bem como pela alegria de assistir ao triunfo da doutrina espírita. Peço-vos perdão, senhores, por vos haver, por tão longo tempo, entretido com assuntos relativos
a mim. Mas acredito útil estabelecer nitidamente essa posição, a fim de que vos seja possível saber em quem acreditar, de conformidade com as circunstâncias, e para que possais estar convencidos de que minha linha de conduta está traçada e que dela nada me fará desviar. De resto, creio que dessas observações, abstração feita de minha pessoa, poderão resultar alguns ensinamentos úteis. Passemos agora a um outro ponto e vejamos a posição em que se encontra o Espiritismo.
Legal, né? E aí começa o discurso dois, que a gente vai ver no próximo episódio. Mas é bem interessante a gente saber a posição de Kardec, como é que ele pensava nessa época, todas as dificuldades que ele teve, todos os problemas que ele enfrentou, e que desde essa
época ele vem nos advertindo de como proceder. mais do que qualquer outra coisa, quem era o professor Rivail, antes até de ser conhecido como Kardec, quem era este homem, como é que ele se comportava ante aos problemas, que você perceba, se você trabalha em centro espírita, você está vendo que ele está falando da sua realidade. da nossa realidade tão difícil porque é uma realidade humana e ele, sendo Kardec, enfrentou isso. E cá pra nós, parece que não
mudou absolutamente nada, né? Infelizmente, devia ter mudado, as pessoas deviam ter entendido o que é o Espiritismo, mas infelizmente ainda não se entendeu. Eu te espero no próximo episódio pra gente estudar o segundo discurso. Obrigado pela sua presença e até lá. Tchau!
