Olá, meu amigo! Olá, meu amigo! Como é que vocês estão? Bem-vindos a mais um episódio de Mais Kardec. Estamos estudando Viagem Espírita em mil oitocentos e sessenta e dois. E hoje, sim, no terceiro programa, nós vamos começar a estudar o que o Kardec escreveu. Lembra que ele não quis publicar isso na Revista Espírita porque ia ser muito grande. Então, comecemos hoje com o texto Impressões Gerais. Dá uma olhadinha. Vamos que vamos!
Nossa primeira viagem a serviço do Espiritismo, realizada em mil oitocentos e sessenta, limitou-se apenas a Lyon e algumas outras cidades que se encontravam em nosso trajeto. No ano seguinte acrescentamos Bordeaux ao itinerário, e finalmente agora, além dessas cidades principais, no decorrer de uma excursão que durou sete semanas num percurso de cento e noventa e três léguas, Visitamos uma vintena de localidades e assistimos a mais de cinquenta reuniões.
Nosso propósito não é fazer uma documentação histórica dessa viagem. No decorrer dela recolhemos, é verdade, toda uma série de episódios que, um dia, talvez, terão o seu interesse, uma vez que pertencerão à história. Hoje, entretanto, limitamo-nos a resumir as observações que fizemos sobre a situação em que se encontra a doutrina espírita, e levar ao conhecimento geral as orientações que nos foi possível oferecer aos organizadores dos diferentes centros.
Sabemos que os verdadeiros espíritas apreciarão tal iniciativa e nossa intenção é, sobretudo, atender a estes e não aos que andam à cata de motivos para diversão. Além disso, nesta narrativa, o nosso amor próprio estará, muitas vezes, posto em jogo e este é um motivo preponderante para um retraimento de nossa parte. É esta ainda a razão que nos impede de publicar os numerosos discursos que nos foram dedicados e que guardamos como
preciosas recordações. O que não poderíamos deixar de consignar, sem correr o risco de passar por ingrato, é o acolhimento tão benevolente e tão simpático que recebemos e que só ele bastaria para nos recompensar por todas as
fadigas. Devemos particular reconhecimento aos espíritas de Provins, Trois, Sens, Lyon, Avignon, Montpellier, Sète, Toulouse-Marmand, Albi, Saint-Géme, Bordeaux, Royan, Marcher-sur-Garonne, Marennes ST. Pierre d'Oléron Rochefort, St. Jean d'Angeli, Angoulême, Tousiourlen, bem como a todos, quantos não recuaram ante a perspectiva de uma viagem de dez e até vinte léguas para irem se reunir a nós nas cidades onde
nos havíamos detido. Essa acolhida poderia, realmente, ser de molde a nos encher de orgulho, Não considerássemos que tais demonstrações se endereçaram bem menos a nós como pessoa, do que a doutrina espírita, como constatação do crédito em que atida, pois que, não fosse por ela, nada seríamos e tão pouco alguém se preocuparia conosco. O primeiro resultado, que pudemos constatar foi o imenso progresso realizado pela crença espírita.
Um único fato pode disso dar uma ideia quando de nossa primeira viagem a Lyon, em mil oitocentos e sessenta, existiam ali por alto algumas centenas de adeptos. No ano seguinte alcançavam a casa de cinco ou seis mil. Este ano o cálculo tornou-se impossível. Pode-se, entretanto, avaliá-los entre vinte e cinco e trinta mil. Em Bordeaux, no ano passado, não chegavam a um mil. No espaço de um ano esse número foi decuplicado. Esse é um fato constante, que
ninguém pode contestar. Olha que interessante, aí a gente começa a entender como foi o crescimento da doutrina espírita no começo, no movimento espírita. Primeiro, a leitora não sabe falar e eu também não, mas vamos tentar. Marène, Saint-Pierre de Leronde, Roquefort, Saint-Jean d'Angéli, Angoulême, Thu e Orléans. É francês, é cultura pura este rapaz. Deve ter falado metade das coisas erradas, mas eu falei um pouquinho melhor do que esta Dona Siri, né?
Mas enfim, a Dona Zezinha, que eu tinha o Zezinho, agora nós temos a Dona Zezinha. Mas vamos continuar. Perceba que Kardec está exaltando aí como que em mil oitocentos e sessenta, que foi a primeira viagem numa cidade só, tinha alguns adeptos, um ano depois, de novo numa cidade só, A coisa tinha aumentado pra caramba. E neste terceiro ano de viagem, em mil oitocentos e sessenta e dois, a coisa tinha fugido totalmente do controle.
Eu já estava lá pra trinta e cinco, quarenta mil e quem diria mais do que isso. Porque gente destas cidades vinham também. Não é que Kardec passou nessas cidades, mas as pessoas vinham até ele pra saber o que está acontecendo e ver o próprio criador da doutrina espírita. Isso é fantástico. Mas vamos continuar o estudo.
Um outro fato que nos foi dado verificar e que nos parece notável é que, em uma inumerável quantidade de localidades, onde era desconhecido, o Espiritismo penetrou graças às pregações que lhe são contrárias e que, fazendo o notado, inspiraram nas pessoas o desejo de investigar em que consiste ele. Em seguida, ao se provar o seu caráter racional, necessariamente adquiriu partidários.
Poderíamos citar, entre outras, uma pequenina cidade no departamento do Indriete Loire onde, há mais ou menos seis meses, nunca se ouvira falar de espiritismo. Foi quando ocorreu a um pregador a ideia de fulminar, através do púlpito, o que ele denominava, do modo falso e impróprio, a religião do século XIX e o culto a Satã. A população, surpreendida, se interessou por saber do que se tratava. Encomendaram-se livros e hoje, ali, um grupo de adeptos já organizou um centro.
Esse fato é tanto mais significativo porque prova quanta razão tinham os espíritos quando nos diziam. Há alguns anos, que nossos próprios adversários, sem o quererem, serviriam à nossa causa. É uma constante o fato de que, por toda parte, a propagação das ideias espíritas se desenvolveu em razão dos ataques. Ora, para que uma ideia se difunda por tal processo, é preciso que ela satisfaça e que as pessoas a julguem mais racional do que aquela que se lhe opõe.
Um dos resultados de nossa viagem, foi pois, constatar, com nossos próprios olhos, o que já sabíamos por nossa correspondência. É preciso confessar, não obstante, que essa progressão ascendente está longe de ser uniforme. Se há localidades onde a ideia espírita parece germinar à medida que a semeamos, outras há, em contraposição, onde penetra mais dificilmente, por motivo de causas locais devidas ao caráter de seus habitantes e, sobretudo, à natureza de suas ocupações.
Em tais lugares os espíritas realizam seus estudos individualmente. Mas aí, como em outras partes, as raízes já se firmaram, e cedo ou tarde, apresentarão seus rebentos, tal como se tem visto ocorrer, hoje em dia, nas cidades onde os espíritas já são mais numerosos. Por toda parte a ideia espírita começa a ser difundida partindo das classes mais esclarecidas ou de mediana cultura. Em nenhum lugar ascende das classes mais incultas.
Da classe média ela se estende às mais altas e mais baixas da escala social. Em muitas cidades os grupos de estudos são constituídos quase que exclusivamente por membros dos tribunais, pela magistratura e o funcionalismo. A aristocracia fornece também seu contingente de adeptos, mas, até o presente, ele se tem contentado em ser simpatizantes. E na França, pelo menos, poucos se reúnem.
Grupos desse tipo são mais comuns na Espanha, Rússia, Áustria e Polônia, onde o espiritismo tem lúcidos representantes mesmo nas camadas sociais mais elevadas. Um fato, talvez, mais importante... Um fato talvez mais importante do que a constatação em termos de quantidade, resultante também de nossas observações, é a seriedade com que se encara o Espiritismo. Onde quer que se pesquise, podemos dizer com avidez, busca-se o lado filosófico, moral e instrutivo.
Em nenhum lugar vimos a prática espírita reduzida a motivo para distrações nem as experiências serem conduzidas como diversão. Invariavelmente, as perguntas fúteis e as simples curiosidades são postas de lado. Em sua maioria, os grupos são muito bem dirigidos, alguns mesmo de forma notável, com emprego pleno dos verdadeiros princípios da ciência espírita.
Os propósitos são idênticos aos que norteiam a Sociedade Paris e não se tem outra bandeira senão os princípios ensinados em O Livro dos Espíritos. Nesses grupos reina, de modo geral, uma ordem e um recolhimento perfeitos. Vimos alguns em Lyon e Bordeaux que se reúnem habitualmente cem a duzentas pessoas e onde a atitude geral é tão edificante... quanto seria dentro de uma igreja. Foi em Lyon que tivemos a reunião geral mais importante.
Compunha-se de mais de seiscentos delegados de diferentes grupos e tudo transcorrer de forma admirável. Alguns pontos que eu acho interessante falar. A divulgação do Espiritismo foi feita mais pelos inimigos do Espiritismo do que pelos amigos. Então, pastor, padre que estava falando que a religião do capeta despertou curiosidade e pessoas foram comprar o livro dos espíritos e acabaram fundando centros espíritas sem que nenhum espírita tivesse que fazer
absolutamente nada. Então, é bem interessante que essa propaganda, que os próprios espíritos alertaram essa propaganda negativa, traria novos adeptos. Isso é muito legal, muito divertido. E aí percebe-se que a maior parte dos adeptos não eram da aristocracia, ou seja, os muito ricos. E sim, tinham pessoas mais de importância elevada na sociedade, como juízes, enfim, este pessoal mais... Só que na Espanha, Rússia, Áustria e Polônia, e não na França. poucos se reuniam e a maioria estudava
individualmente. Então, esta viagem serviu para que Kardec entendesse quem era o público do Espiritismo, o que estava acontecendo. Mas vamos continuar, que tem muita coisa ainda hoje. Devemos acrescentar que em nenhuma das localidades visitadas as reuniões espíritas sofreram a mais leve restrição e devemos agradecimentos às autoridades civis pela cortesia de que fomos objeto em mais de
uma circunstância. Os médiums igualmente se multiplicam e há poucos centros que não dispõem do concurso de vários deles. sem falar da quantidade bem mais considerável daqueles que não pertencem a nenhum núcleo e que apenas empregam suas faculdades isoladamente ou junto a pequenos grupos de amigos. Nesse número predominam os
psicógrafos de diferentes gêneros. em grande maioria, entretanto, fazem-se sentir os médiuns moralistas, pouco divertidos para os curiosos, que melhor farão indo procurar distrações alhures do que nas reuniões espíritas verdadeiramente sérias. Lyon possui vários médiuns desenhistas notáveis. um dos quais emprega o óleo sem que jamais tenha tido qualquer lição de desenho ou de pintura, e vários médiuns videntes, cujas faculdades podemos constatar.
Em Mahénes há também uma senhora, médium desenhista, e, igualmente, um ótimo médium psicógrafo, tanto para dissertações espontâneas quanto para evocação. Em Saint-Jean d'Angèle vimos um médium mecânico que podemos considerar excepcional. Trata-se de uma senhora que redige longas e formosas comunicações enquanto lê o jornal, ou conversa com os presentes, e isto sem nunca olhar para sua própria mão. Sucede muitas vezes que, distraída, não se apercebe de que a comunicação chegou ao fim.
Os médiuns e letrados são numerosos e muitos há que psicografam sem jamais terem aprendido a escrever. Isso não é mais surpreendente do que ver um médium desenhar sem ter sido iniciado nessa arte. Mas o que é característico, é a evidente diminuição dos médiums de efeitos físicos, seis à medida que se multiplicam os médiums de efeitos intelectuais. É que, como os espíritos o afirmam, a fase da curiosidade passou e já vivemos um segundo período, o da filosofia.
O terceiro, que começará em pouco, será o de sua aplicação à reforma da humanidade. Perceba que é interessante que simplesmente o Espiritismo trouxe algo que já acontecia e que deu ordem na sociedade em como proceder. Então, assim, os médiuns eram muito impressionantes, como o caso desta senhora aqui, Enquanto psicografava com uma mão, ia lendo jornal com outra e conversando com as pessoas, ela nem sabia quando terminava a psicografia que ela mesma estava
escrevendo. Na verdade, o espírito estava escrevendo uma psicografia inconsciente, né? Que a gente sabe que tem e mede um mecânico, assim, muito interessante e que isso... aparecia em tudo quanto é lado, então não era só num canto alguém formado por Kardec ou pelo seu, simplesmente as pessoas estudavam o livro dos espíritos, estudavam o livro dos médiuns e a coisa fluía, dessa maneira, e Kardec nesta viagem tinha o intuito de saber o que
estava acontecendo com toda a obra que foi colocada. e que os médiuns de efeito físico tinham diminuído. O que causou a fundação do Espiritismo, que eram os efeitos físicos, as batidas de mesa, as pancadas, etc., já não tinham muita utilidade. O que tinha mais efeito eram os médiuns de efeitos intelectuais. Eu gostei dessa palavra. que eram aqueles que realmente levavam muito a sério e que traziam mensagens e coisas interessantes para as pessoas.
O terceiro passo seria a aplicação da reforma da humanidade, que o Espiritismo só tem o objetivo de nos tornar pessoas melhores. Não é autoajuda, mas é uma filosofia e uma conexão com o divino para nos tornar pessoas melhores. Se não... Se o Espiritismo não fizer isso com a gente, não serviu de nada. Não adianta ser dirigente, médium, ser orador, ter um canal espírita, se a gente não se melhora. O Espiritismo só tem esta utilidade.
Continuando. Os espíritos, que tudo conduzem com grande sabedoria, tiveram a intenção de preliminarmente despertar as atenções para a nova ordem de fenômenos e provar a possibilidade da comunicação com seres do mundo invisível. Explicando a curiosidade, alcançaram desentorpecer toda a gente, ao passo que se tivessem apresentado de início uma filosofia abstrata, não alcançariam ser compreendidos
totalmente. se não por um pequeno número, com o agravante de que a origem dessa filosofia teria sido dificilmente admitida. Optando por um processo gradativo, mostraram o que podiam realizar. Todavia, como em definitivo, as consequências morais constituíam sua finalidade essencial. Deram às manifestações seu aspecto normal de seriedade quando julgaram suficiente o número de pessoas dispostas a ouvi-los, pouco se inquietando
com os recalcitrantes. Quando a ciência espírita estiver solidamente constituída e escoimada de todas as interpretações sistemáticas e errôneas que caem a cada dia ante o exame sério, eles se ocuparão de estabelecê-la em âmbito universal, para isso empregando poderosos meios. Enquanto esperam, semeiam a ideia por todo o mundo, a fim de que, quando o momento estiver chegado, ela encontre por toda
parte o terreno preparado. E saberão bem como superar todos os entraves, pois que podem contra eles e contra a vontade de Deus os obstáculos humanos." Esse otimismo de Kardec, a gente vai ver que é constante. A vida inteira dele, ele achava que o Espiritismo ia chegar a todas as pessoas do mundo e a gente viu que, infelizmente, isso não aconteceu. Claro que a gente deu umas andadas para trás com força.
Por quê? Kardec vivia num tempo muito precioso, de muito otimismo, de grandes conquistas da ciência, ele como homem da ciência. Muitas vezes a ciência indo por caminhos errados, mas era a ciência. A ciência acerta, a ciência erra, mas evoluímos. E ele era muito otimista quanto a isso. E traz esse otimismo para a doutrina espírita, a gente está vendo aqui, com a esperança de que tudo seria melhor.
Mas vamos continuar o estudo. Essa caminhada racional e prudente se revela em tudo, mesmo nos mais sutis ensinamentos, que gradualmente proporcionam de acordo com o tempo, os lugares e os hábitos dos homens. Uma luz intensamente brilhante e súbita não ilumina, mas ofusca. Assim sendo, os espíritos oferecem-na de pouco em pouco. Quem quer que acompanhe o progresso da ciência espírita reconhecerá que ela cresce em importância, à medida que penetra os mais profundos mistérios.
O Espiritismo discute, hoje em dia, ideias das quais não se duvidava, há alguns anos, e ele não disse ainda a última
palavra, pois que reserva. muitas outras revelações podemos constatar essa marcha progressiva de ensino pela natureza das comunicações obtidas nos diferentes grupos que visitamos e que comparamos com outras anteriormente recebidas elas não se distinguem apenas por sua extensão sua amplitude de vistas, facilidade de obtenção e a alta moralidade, mas, acima de tudo, pela natureza das ideias discutidas e, frequentemente, de forma magistral.
Isso, sem dúvida, depende muito do médium, porém não exclusivamente. Não basta ter um bom instrumento, é necessário dispor de um bom músico para dele tirar bons sons e, ainda mais, é preciso que o executante disponha de uma audiência capaz de compreendê-lo e de apreciá-lo. Quem se daria ao trabalho de executar diante de surdos? Esse progresso, convenhamos, não é geral. Abstração, feita dos médiuns,
nós o constatamos em relação ao caráter dos grupos. atinge seu mais amplo desenvolvimento naqueles onde reina, juntamente com a fé mais ativa, os sentimentos puros, o desinteresse moral mais intenso. Os espíritos sabem muito bem em quem depositar sua confiança, relativamente a problemas que não podem ser compreendidos por toda a gente. Naqueles em que esbarram com condições menos elevadas, o ensino é bom, sempre moral, porém se restringe, mas
geralmente, a banalidades. Olha que interessante, aqui ele vem dizer da importância de todo mundo, os médiuns e audiência, ou seja, quem está aprendendo com as comunicações mediúnicas, terem um cabedal de informações. Ele dá o exemplo de não basta o instrumento ser bom, tem que ter um bom músico, então não adianta o médium ser bom, tem que ter um bom comunicante, um bom espírito que vai comunicar coisas boas. e precisa de uma plateia que
consiga entender essas coisas. Aí ele dá o exemplo de que adiantaria um bom instrumento, um bom musicista tocando para uma plateia de surdos. Então, é de uma maneira quase capacitista, mas para exemplificar que se não tiver também uma turma que queira estudar, o espiritismo não vai servir para muita coisa. No caso aqui, eu e você estamos estudando, então estamos interessados e isso frutifica.
Era isso que Kardec queria. Por desinteresse moral entendemos a abnegação, a humildade, a ausência de toda pretensão orgulhosa e de todo pensamento personalista postos a serviço do espiritismo. Ou seja, se tiver algum item de vaidade em qualquer... Seja em quem frequenta, seja no médium, seja no dirigente da casa espírita, vai dar ruim. Vai dar muito ruim. E eu já vi muita casa espírita se explodir por causa disso. Kardec não estava brincando.
Seria supérfluo falar do desinteresse material, pois que esta é uma questão de princípio e, por outro lado... porque vimos, por onde quer que andamos, uma repulsa instintiva contra toda ideia de especulação vista quase como um sacrilégio. Os médiuns interesseiros e profissionais são desconhecidos nas localidades onde estivemos, com exceção de uma onde se
encontra alguns. Entretanto, quem, por exemplo, em Bordeaux ou em seus arredores, fizesse profissões de suas faculdades, não inspiraria nenhuma confiança, pelo contrário, seria repelido por todos os grupos. Essa atitude foi por nós constatada e registrada pessoalmente. Então Kardec via que com o desenvolvimento do estudo do Espiritismo, aqueles médiuns que trabalhavam por dinheiro já eram naturalmente desvalorizados e ele não encontrou ninguém na doutrina espírita que fizesse
isso. Pelo contrário, as pessoas tinham repulsa por esse tipo de gente que queria ganhar em cima de comunicação com os vivos de outro plano. Isso é bem interessante entender que Kardec estava numa época em que existiam muitos médiuns profissionais e existia muita enganação, tanto que ele foi muito... coerente, muito seguro na sua metodologia de evitar fraude. e que a doutrina espírita trouxe uma nova forma de trabalhar esse intercâmbio entre os vivos e os vivos do outro lado.
E que a partir daí os médiuns profissionais ou os charlatães eram vistos de uma maneira muito negativa. Isso a doutrina trouxe. Mas vamos continuar o estudo aqui. Um outro traço característico à época é o número incalculável e inconstante crescimento de adeptos, que nada viram e que, nem por isso, são menos entusiastas, pois que leram e compreenderam. Em Sete, por exemplo, não se conhecem médiums, senão por se ouvir falar e pelas descrições dos livros.
Não obstante é difícil encontrar-se mais fervor e dedicação à causa espírita do que ali. Um dos habitantes da cidade perguntou-me se essa facilidade em aceitar a doutrina pela simples teoria, era um bem ou um mal, se era atitude condizente com um espírito reflexivo ou superficial. Respondemos-lhe que a facilidade em aceitar a ideia espírita indica a facilidade de compreender que esta, como outra qualquer ideia, pode se inata e que basta uma simples fagulha para fazê-la saltar de seu
estado latente. Essa facilidade em compreender denota uma evolução anterior nesse sentido. Seria leviandade aceitá-la sob palavra e cegamente. Este, entretanto, não é o caso daqueles que só adotam após haver estudado e compreendido. Eles veem através dos olhos da inteligência o que os outros veem simplesmente pelos olhos do corpo. Isso prova que emprestam maior atenção ao fundo do que à forma. Para eles a filosofia é o principal, as manifestações constituem um mero acessório.
A filosofia espírita explica-lhes o que nenhuma outra lhes pode explicar. Ela satisfaz-lhes a razão por sua lógica, preenche neles o vazio da dúvida e isto lhes basta. Eis porque preferem-na a qualquer outra. É raro que tais pessoas, compreendidas nesta categoria, não sejam bons e verdadeiros espíritas, pois que nelas existe o germe da fé, abafado momentaneamente pelos prejuízos terrestres. De resto, os motivos de convicção variam conforme os
indivíduos. Para alguns são necessárias provas materiais, para outros as provas morais são suficientes. Ora, indivíduos a que não são convencidos nem por umas nem por outras. Esses matizes possibilitam um
diagnóstico de seu espírito. Em todo caso pouco se pode esperar daqueles, que dizem, só acreditarei se me fizerem assistir a tal, ou tal coisa, e nada, dos que julgam indigno de si mesmos estudar e observar, quanto aos que afirmam, Ainda que eu veja não acreditarei, pois sei que é impossível, é de todo inútil mencioná-los e mais inútil ainda perder com eles o
nosso tempo. Já é muito, sem dúvida, crer, mas a crença apenas não é suficiente, se ela não oferece resultados e isso, infelizmente, tem ocorrido em muitos casos.
Faço referência àqueles para os quais o Espiritismo não passa de um fato, de uma bela teoria, uma letra morta que não produz na estrutura íntima dessas pessoas nenhuma transformação, nem em seu caráter, nem em seus hábitos, mas ao lado dos espíritas simplesmente crentes ou simpáticos à ideia, aos espíritas de coração, e nos confessamos felizes por havermos deparado com eles em grande número.
Vimos transformações que poderiam ser retuladas de miraculosas, recolhemos admiráveis exemplos de zelo, de abnegação e de devotamento, numerosos casos de caridade verdadeiramente evangélica que poderíamos com justiça denominar
os belos traços do espiritismo. Olha que interessante, Kardec vem falar sobre a questão que até pessoas foram perguntar para ele nessas viagens que ele fez, que não fazem questão de ver os fenômenos, que tinha lugar que nem tinha médium, e que nem por isso as pessoas deixavam de acreditar nos estudos que foram feitos por Kardec e tudo aquilo que os espíritos trouxeram.
E Kardec ficou muito feliz até chamar os belos traços do Espiritismo, porque essas pessoas que acreditam sem ver, e eu me incluo no meio disso, porque eu já vi, claro, manifestações espíritas, mas eu acreditei pela lógica, por tudo que Kardec nos traz, pela... a coerência da doutrina espírita, isso me fez o bastante pra acreditar. E olha que eu era ateu. Eu era católico, deixei de ser católico, deixei de acreditar em tudo, não acreditava nem em Deus. E quem me trouxe a fé novamente
foi o espiritismo. É... de uma crença lógica, pela lógica e não por outro fenômeno qualquer. Então, a maioria dos espíritas hoje que estudam e levam a sério realmente é por essa lógica que o Espiritismo traz. E ele fala, tem gente que diz assim, mesmo se eu ver, eu não vou acreditar. Ou, para eu acreditar, tem que acontecer isso. Esses não estão interessados muito na filosofia do espiritismo, estão interessados
na alegoria, no fenômeno. E que a gente vê que tem centros espíritas que tem muito movimento porque acontece processo de cura, alguma coisa assim. E outros centros que são só de estudos não têm quase movimento. Então as pessoas ainda estão atrás dos fenômenos. Mas que isso não é o mais importante no Espiritismo. O mais importante é o tanto que ele vai nos transformar. O conhecimento... que a gente adquire, especialmente filosoficamente, e o tanto que isso vai nos tornar pessoas
melhores. Aí, quando nos torna pessoas melhores, o próprio Kardec diz aí os belos traços do Espiritismo. Numerosos casos de caridade verdadeiramente evangélica que poderíamos com justiça denominar os belos traços do Espiritismo. aí sim o Espiritismo teve o seu porquê, teve a sua razão de existir atendida. Não é pelos fenômenos de jeito nenhum. Mas vamos continuar que tem muita coisa ainda hoje.
Vale aqui lembrar que as reuniões exclusivamente compostas de verdadeiros e sinceros espíritas, daqueles nos quais fala o coração, apresentam um aspecto muito especial. Todas as fisionomias refletem a franqueza e a cordialidade. Nós nos encontramos à vontade nesses ambientes simpáticos, verdadeiros templos onde reina a fraternidade. tanto quanto os homens, os espíritos aí se comprasem, e é então que se revelam mais expansivos, que oferecem as orientações de
caráter mais íntimo. Pelo contrário, nos ambientes onde se registram divergências de sentimentos, onde as intenções não são puras ou onde se observa o sorriso sardônico e desdenhoso em certos lábios, onde se sente o sopro da malquerença e do orgulho, onde se teme a cada instante pisar o pé da vaidade ferida, há sempre constrangimento, embaraço e
desconfiança. Em tais locais os próprios espíritos são mais reservados e os médiuns muitas vezes veem-se paralisados pela influência dos maus fluidos que sobre eles pesam como um manto de gelo. tivemos a aventura de assistir a numerosas reuniões que se enquadram na primeira categoria, e registrámo-las com grande alegria em nossos apontamentos, como as mais agradáveis lembranças que guardamos de
nossa viagem. Reuniões dessa natureza se multiplicarão, sem dúvida, à medida que a verdadeira finalidade do Espiritismo for mais bem compreendida. Essas são, Igualmente, as que fazem a mais frutuosa e mais sólida propaganda, pois que reúnem pessoas bem intencionadas e preparam a reforma moral da humanidade pregando pelo exemplo. É notável verificar que as crianças educadas nos princípios espíritas adquirem uma capacidade precoce de raciocínio que as torna infinitamente mais
fáceis de serem conduzidas. Nós as vimos em grande número, de todas as idades e dos dois sexos, nas diversas famílias onde fomos recebidos e podemos fazer essa observação pessoalmente. Isso não as priva da natural alegria, nem da jovialidade. Todavia não existe nelas essa turbulência, essa teimosia, esses caprichos que tornam
tantas outras insuportáveis. Pelo contrário, revelam um fundo de docilidade, de ternura e respeito filiais que as leva a obedecer sem esforço e as torna responsáveis nos estudos. Foi o que podemos notar e essa observação é geralmente confirmada. Se podemos analisar aqui os sentimentos que a crença espírita tende a desenvolver nas crianças, facilmente conceber, se os resultados, que pode
produzir. Diremos apenas que a convicção que tem da presença de seus avós, que estão ali, ao seu lado e podem incessantemente vê-las impressionas bem mais vivamente do que o temor do diabo, do qual terminam logo por descrer, enquanto não podem duvidar do que testemunham todos. Os dias no seio da família. Há, pois, uma geração espírita que cresce e que vai incessantemente aumentando.
Essas crianças, por sua vez, educarão seus filhos nos mesmos princípios e, enquanto isso, os velhos preconceitos irão, de pouco em pouco, desaparecendo com as velhas gerações. Torna-se evidente que a ideia espírita será, um dia, a crença universal. Olha que interessante, a gente nunca ouviu Kardec falar sobre a questão das crianças, né? Nas obras de como que é a educação espírita de crianças e tudo mais. E olha só, ele está trazendo
aqui para a gente. Não estou falando, evidentemente, da revista Espírita, que eu ainda não fiz um estudo completo. Vamos fazer aqui no canal. Mas ele vem falar sobre essa questão como que as crianças são
facilmente... Elas incorporam o espiritismo, elas absorvem o espiritismo com uma facilidade de crenças, que elas conseguem facilmente acreditar, por exemplo, seus avós já desencarnados que comunicam com elas, do que acreditar que existe um inferno ou uma coisa fantasiosa desse tamanho que só serve para botar medo nas pessoas. Bem interessante. Continuemos. Um fato não menos característico do estado atual, do espiritismo, é o desenvolvimento de uma corajosa opinião.
Se há ainda adeptos reprimidos pelo medo, o número destes é bem pouco considerável hoje e em dia, ao lado daqueles que confessam em alto e bom som suas convicções e não se constrangem de se confessarem espíritas, como não se constrangeriam de se confessarem católicos, judeus ou protestantes. A arma do ridículo, a força de ser arremetida sem abrir brechas e em face de tantas personalidades notáveis que proclamam abertamente a nova filosofia, acabou por se tornar
inútil e foi posta de lado. Uma única arma permanece ainda em riste, a ideia do diabo. Mas neste caso, é o próprio ridículo que se faz justiça. Todavia não foi apenas esse gênero de coragem que verificamos, mas também aquela da ação, do devotamento, do sacrifício, isto é, a coragem daqueles que resolutamente se põem à frente na promoção das ideias novas em certas localidades, pondo em risco suas pessoas e enfrentando ameaças e perseguições.
Eles sabem que, se os homens lhe fizerem mal, nesta curta vida, Deus não os deixará esquecidos. A obsessão é, como se sabe, um dos grandes escolhos do Espiritismo. Não poderíamos, pois, deixar de lado uma questão de importância tão capital. Recolhemos a esse respeito importantes observações, que constituirão o assunto de um artigo especial na revista. Nele trataremos dos possuídos de Morzine, que visitamos na Alta Sabóia.
Oito Aqui diremos apenas que os casos de obsessão são muito raros entre aqueles que fizeram um estudo prévio e atento de O Livro dos Médiuns e se identificaram com os princípios nele contidos, pois que se mantêm vigilantes, atentos aos menores sinais que podem trair a presença de um espírito suspeito. Vimos alguns grupos que, sem dúvida, encontram-se sob uma influência abusiva.
Mas é evidente que se comprasem com ela e dela se tornam presa por uma confiança demasiado cega, além disso, por certas predisposições morais. Outros, pelo contrário, alimentam um tal temor de ser enganados, que levam à desconfiança, por assim dizer, ao excesso, analisando com um cuidado meticuloso todas. as palavras e todos os pensamentos, preferindo rejeitar o duvidoso, a correr o risco de admitir o
que seria mal. Assim, os espíritos mentirosos, sentindo-se inúteis, terminam por se retirar, indo-se desforrar junto daqueles que percebem menos vigilantes e nos quais encontram fraquezas e exuberâncias de espírito a explorar. O excesso em tudo é prejudicial, mas em semelhante caso vale mais pecar por excesso de prudência
do que por excesso de confiança. Um outro resultado de nossa viagem foi nos permitir sopesar a opinião que se faz, de certas publicações que se distanciam, mais ou menos, de nossos princípios e entre as quais algumas chegam mesmo a ser-lhes francamente hostis. Diremos, de início, que encontramos uma unânime aprovação relativamente ao nosso silêncio em face dos ataques que, pessoalmente, temos sofrido. É relevante que todos os dias recebamos cartas de felicitações a esse respeito.
Nos muitos discursos pronunciados, de modo geral aplaudiu-se, significativamente, nossa moderação. Um deles, entre outros, contém a passagem seguinte.
Olha que interessante, antes de começar a leitura dessa passagem de uma das defesas de Kardec, porque ele era extremamente atacado, aliás, todos os espíritas, ele vem falar aqui de como as pessoas eram corajosas de, nesta época, se dizerem espíritas, então não tinham medo disso, e antes disso ele faz uma pequena reflexão sobre como em certas casas espíritas era natural que houvessem espíritos mistificadores, porque de acordo com a energia de quem estava na direção da casa e dos médiuns
lá, que comungavam de certos princípios morais que atraíam esses espíritos e que isso, enfim, foi estudado no livro dos médiuns, Cai quem quer, né? A verdade tá aí. Mas vamos ver o que ele fala sobre essa questão de que ele foi muito atacado e muitas vezes ficava em silêncio. Vamos ler. A maledicência de vossos inimigos produz um resultado inteiramente contrário àquele que esperam, e é o de engrandecer-vos aos olhos dos vossos numerosos discípulos e de apertar os laços que os unem a
vós. Por vossa indiferença mostrais que tendes consciência de vossa força. Opondo a mansidão às injúrias, ofereceis um exemplo que saberemos aproveitar. A história, prezado mestre, da mesma forma que vossos contemporâneos, E melhor ainda do que estes, levará a vosso crédito essa moderação, quando constatar por vossas obras, que as provocações da inveja e do ciúme, opus estes, apenas a dignidade do silêncio. Entre eles e vós, a posteridade será o juiz.
Os ataques pessoais nunca nos abalaram. Coisa diversa, entretanto, ocorreu relativamente àqueles que são dirigidos contra a doutrina. Algumas vezes respondemos diretamente a certas críticas, quando isso nos pareceu necessário, e a fim de provar que, se preciso, sabemos também lutar. E isso teríamos feito, sem dúvida.
Muitas vezes, se constatássemos que esses ataques traziam um prejuízo real ao Espiritismo, Mas quando ficou provado pelos fatos que, longe de anodoá-lo, prestavam-se à causa que defendia, louvamos a sabedoria dos espíritos, que empregavam seus próprios inimigos para propagar o espiritismo e tornar a infame em benefício, fazendo a ideia combatida penetrar em círculos onde jamais teria penetrado pelo elogio.
Este é um fato que nossa viagem nos demonstrou de maneira perentória, uma vez que nesses mesmos círculos o Espiritismo veio a recrutar vários partidários. Quando as coisas caminham por si sós, por que, então, disputar e combater em lutas infrutíferas? Quando um exército verifica que as balas do inimigo não o atingem, ele o deixa atirar ao seu bel prazer e desperdiçar suas munições, certo de obter
uma vantagem depois. Em semelhantes circunstâncias, o silêncio é, muitas vezes, um recurso astucioso. O adversário, ao qual, não se responde, acredita não haver ferido bastante profundamente ou não ter encontrado o ponto vulnerável. Então, confiando no êxito que supõe fácil, ele se descobre e cai por si mesmo. Uma resposta imediata o teria posto em guarda. O melhor general não é aquele que se atira, de peito aberto, na confusão da batalha, mas o que sabe esperar e estudar as
aproximações. Foi o que sucedeu a alguns dos nossos antagonistas. Observando o caminho pelo qual se enveredavam era fácil ver que se comprometiam cada vez mais. Apenas os deixamos à vontade. E eles, mais cedo do que se esperava, desacreditaram o que defendiam à força de seus próprios exageros. Resultado esse que não teríamos alcançado através de nossa argumentação entretanto.
Dizem, os que se pretendem críticos de boa, fé nossa única preocupação, é de esclarecer, e, se atacamos, não é absolutamente por hostilidade, partidarismo ou malquerença, mas para que, da discussão, possa nascer a luz. Entre esses críticos há certamente os que são sinceros, mas é preciso notar que os que têm em vista apenas questões de princípios discutem com calma e mantêm sempre o decoro. Ora, quantos desse tipo pudemos
encontrar? O que contém a maior parte dos artigos que a grande ou pequena imprensa tem dirigido contra o Espiritismo? Diatribes, facécias, geralmente pouco espirituosas, tolices, ironias, chans, muitas vezes injúrias que se caracterizam pela grosseria e banalidade. Serão estes críticos sérios? Dignos de uma resposta? aos que se põe a descoberto com tanta inabilidade que se torna inútil desmascará-los, pois que toda a gente percebe-lhes as
intenções. Seria, em realidade, dar-lhes demasiada importância e vale mais, pois, deixar que se dêem as mãos. em seu pequeno círculo, do que pô-los em evidência através de polêmicas sem objetivo, já que não os
convenceriam. Se a melduração não estivesse em nossos princípios, pois que constitui uma consequência mesma da doutrina espírita, que prescreve o esquecimento e perdão às ofensas, seríamos encorajados a empregá-la pela simples verificação do efeito produzido por esses ataques, constatando que a opinião pública melhor nos vinga do que jamais nossas palavras tê-la iam podido fazer.
Aqui Kardec está apresentando, até porque ele sempre se defendeu de uma maneira tranquila e muitas vezes nem se defendeu porque os próprios atacantes, digamos assim, os próprios que atacavam, meio que se perdiam. Então, para que fazer alguma coisa? E a gente viu, muitas vezes, essas pessoas é que estimulavam os outros a conhecerem o Espiritismo.
Então, Kardec recebeu estes relatos, essas cartas, das pessoas que ele encontrava por essa viagem, dizendo que estavam procedendo igualmente com o que ele procedia e que isso dava resultados muito frutíferos. E ele está... constatando aqui que a melhor resposta é essa serenidade, muitas vezes nem é resposta, que faz com que as pessoas caiam no verdadeiro ridículo, já que as críticas também eram absurdamente ridículas e as pessoas compreenderiam isso.
Mas, continuando. Quanto aos críticos honestos, de boa fé, que comprovam sua arte de viver pela urbanidade das expressões, estes colocam a ciência acima de questões pessoais. A eles muitas vezes respondemos, quando não diretamente, pelo menos no ensejo de nossos artigos, em que são abordadas questões postas em controvérsia. E isso de tal forma que julgamos, para quem quer que se dê ao trabalho de ler esses artigos, não há uma única objeção que não esteja sem refutação.
Para responder a cada um, individualmente e fora, preciso repetir, incessantemente, a mesma coisa, e de cada vez, com serventia para uma única pessoa. O tempo, ademais, não nos permitiria essa façanha, enquanto que, aproveitando um assunto que se nos apresenta para refutá-lo, ou dar a seu respeito uma explicação, conseguimos as mais das vezes colocar o exemplo ao lado da teoria, e isso é de proveito geral. Anunciamos a edição de um pequeno volume intitulado Refutações.
Não o publicamos até hoje porque nos pareceu que ninguém se revelava especialmente interessado nele, e essa impressão se justificou. Antes de responder a certas bruxuras que deveriam Conforme as afirmativas de seus autores, fazer ruir os fundamentos do Espiritismo, preferimos esperar e verificar o efeito que teriam. Pois muito bem. Nossa viagem nos convenceu de uma coisa. Elas nada fizeram ruir. O Espiritismo está mais vivo do
que nunca. Em contrapartida, na atualidade, apenas de modo vago mencionam-se essas publicações. É fácil supor que, nos círculos aos quais eram endereçadas e em cujas portas não batemos, são tidas como irrefutáveis. E com certeza, disse que nosso silêncio é a prova de nossa impossibilidade de respondê-las. Daí concluem que fomos duramente batidos, fulminados e arrasados. Que nos importa isso desde que não fomos atingidos? Esses escritos fizeram diminuir o número dos espíritas? Não.
Nossa resposta teria convertido essas pessoas? Não. Onde, pois, a utilidade de refutá-las? Havia, pelo contrário, vantagem em deixar que os nossos adversários disparassem o primeiro tiro. Ele vem falar sobre as refutações que a gente encontra muito em algumas obras fundamentais, também na Revista Espírita, refutações que valiam a pena ser feitas, porque provinham de críticas feitas com
respeito e com interesse. Então, aí Kardec dedicava um tempo, mas ele mesmo fala assim, não teria tempo para ficar o tempo todo... escrevendo textos e mais textos só para refutar o que as pessoas achavam ou deixavam de achar do espiritismo. E aí eu achei interessante até a Siri lendo, né? Esses escritos fizeram diminuir o número de espíritas? Ou seja, esses escritos falando mal do espiritismo? Não! E a resposta que Kardec teria convertido essas pessoas que
fizeram esses riscos? Não, também não. Então, pra que fazer? Pra que perder tempo? É isso que a gente tem que aplicar pra nossa vida, né? Vale a pena a gente se explicar pra alguma pessoa, de alguma atitude? Vale porque eu considero essa pessoa, eu acho importante. Se não... Deixa passar, não tem nada que correr atrás e Kardec foi genial
a esse respeito. Quando Sófocles foi acusado por seus filhos que exigiam sua prisão por causa de uma clemência, ele escreveu o Édipo e teve ganho de causa. Não somos capazes de escrever um édipo, mas outros se encarregarão de responder por nós, nosso editor em primeiro lugar, lançando no mercado livreiro a nona edição de O Livro dos Espíritos, a primeira de mil oitocentos e cinquenta e sete, e a quarta de O Livro dos Médiuns em menos de dois anos.
os assinantes da revista espírita duplicados em números, nos obrigando à necessidade de fazer uma nova impressão dos anos anteriores, duas vezes esgotados. A Sociedade Espírita de Paris, que vê crescer sua reputação. Os espíritas que se multiplicam a cada ano, fundando por toda parte, na França e no estrangeiro, grupos adesos e sob orientação da Sociedade de Paris. O Espiritismo, finalmente, que avança pelo mundo afora,
consolando os aflitos. sustentando a coragem dos abatidos, semeando a esperança onde havia desespero, a confiança no futuro em lugar de medo. Essas respostas bem mais valem do que as outras, pois que são os fatos que falam. Como um rápido corcel, o espiritismo levanta de seu rastro a poeira do orgulho, do egoísmo, da inveja, do ciúme, derrogando à sua passagem a incredulidade, o fanatismo, os preconceitos e conclamando os homens todos a leis do Cristo, isto é, a caridade, a
fraternidade. Vós que julgais que ele avança com excessiva rapidez, que não podeis contê-lo, por que não ides mais célebre, mais rápido do que ele? O meio de barrar-lhe a passagem é tão simples, consiste apenas em fazer melhor do que ele faz." Dai mais do que ele dá, tornai os homens melhores, mais felizes, mais cheios de crença do que ele pode fazer, e o mundo o abandonará, o espiritismo,
para vos seguir. Mas enquanto atacardes apenas por palavras e não por melhores resultados morais, enquanto não substituís a caridade que ele ensina por uma caridade maior, tereis de vos resignardes a deixá-lo passar. É que o espiritismo não é apenas uma questão de fatos mais ou menos interessantes ou autênticos. destinados à diversão dos curiosos. É, sobretudo, todo ele uma questão de princípios. Ele é forte principalmente por
suas consequências morais. Ele se faz aceito porque não fecha os olhos, mas porque toca os corações. Tocar os corações mais do que ele o faz e sereis aceitos. Ora, nada sensibiliza menos o coração do que a acrimônia e as injúrias. Kardec, como centro, sempre sendo magistral... E dando, distribuindo pancadaria em luva de pilica. Ele responde numa elegância, gente. Um dia eu quero ser que nem Kardec. Responder às críticas, às coisas, na elegância que ele responde.
Nossa senhora, é a coisa mais linda do mundo. Mas continuando. Se todos os nossos partidários se agrupassem em torno de nós, teríamos sob os olhos uma multidão, e nela não seria possível contar as milhares de adesões que nos chegam de todos os pontos do globo, vindas de pessoas que nunca vimos e que apenas nos conhecem por nossos
escritos. Estes são fatos positivos expressos pela brutalidade das cifras e que não podem ser atribuídos nem aos efeitos da propaganda nem ao compadril do jornalismo, pois, se as déias que professamos e das quais não somos senão humilíssimo editor responsável encontram tão grandes simpatias é que examinadas não se revelam desprovidas de senso comum se bem que a utilidade da refutação a que mencionamos linhas acima não nos tenha sido até hoje
claramente demonstrada já que os ataques se refutam por si mesmos pela insignificância de seus resultados. Enquanto os adeptos do Espiritismo crescem em número, ainda assim, estaríamos dispostos a levá-la a efeito. Todavia as observações que fizemos em viagem modificaram o nosso plano, pois que muitas coisas se nos revelam inúteis, ao mesmo tempo em que novas ideias nos são sugeridas.
Disporemos para que essa tarefa retarde o menos possível os trabalhos bem mais importantes que nos restam a fazer para completar a obra pela qual nos responsabilizamos. Fala a verdade, né? Kardec é genial. Genial e um senso de responsabilidade, de seriedade, de certeza do que está fazendo que permite ele dar essas respostas espetaculares, elegantérrimas e avassaladoras, assim, que deixa a pessoa falando sozinha e sem ter o que
falar. Mas vamos terminar o nosso estudo de hoje, vamos lá. Em resumo, nossa viagem tinha uma dupla finalidade, oferecer orientações onde destas houvesse necessidade e, ao mesmo tempo, nos instruirmos a nós mesmos.
desejávamos ver as coisas com nossos próprios olhos, para julgar do estado real da doutrina, e da maneira pela qual ela é compreendida, estudar as causas locais favoráveis ou desfavoráveis ao seu progresso, sondar as opiniões, apreciar os efeitos da oposição, e da crítica e conhecer o julgamento,
que se faz de certas obras. Estávamos desejosos, sobretudo, de apertar a mão de nossos irmãos espíritas e de lhes exprimir pessoalmente nossa sincera e viva simpatia, retribuindo tocantes, provas de idênticos sentimentos que nos chegam por suas cartas, dar, em nome da Sociedade de Paris e em nosso próprio nome, em particular, um testemunho especial de gratidão e de admiração a esses pioneiros da obra espírita que, por sua iniciativa, seu zelo
desinteressado e seu devotamento, constituem dela os primeiros e mais firmes sustentáculos, a esses que caminham sempre em frente, sem se inquietarem com as pedras que se lhes atiram, colocando o interesse da causa espírita à frente de seus interesses pessoais. Seu mérito é tanto maior porque trabalham em solo ingrato, vivem em um meio refratário, e não esperam deste mundo nem fortuna,
nem glória, nem honrarias. Seu júbilo, porém, é grande quando, entre os abrólhos, vêm desabrochar algumas flores. Dia virá em que teremos a felicidade de erguer um panteão ao devotamento dos espíritas. Esperando que esta circunstância se apresente, queremos deixar-lhes o mérito da modéstia. Eles se fazem conhecer e apreciar por suas próprias obras. Sob esses diversos ângulos nossa viagem foi muito satisfatória. sobretudo, muito instrutiva, pelas observações que nos foi
possível recolher. Se restasse qualquer dúvida, quanto ao caráter irresistível do progresso da doutrina espírita, quanto à impotência dos ataques, quanto à sua influência moralizadora e o seu futuro, o que vimos bastaria para dissipá-la. Há, certamente, ainda muito por fazer e, em inúmeras localidades, ela apenas lança as primeiras vergúntias esparsas, mas essas vergúntias são vigorosas e já prenunciam frutos.
Sem dúvida, a rapidez com a qual se propagam as ideias espíritas é prodigiosa e sem exemplo nos anais das filosofias, porém nós nos encontramos apenas no início da caminhada e resta ainda a fazer a maior parte do percurso. Que a certeza de atingir o objetivo seja, pois, para todos os espíritas um encorajamento em perseverar no rumo que lhes foi traçado. Publicamos, em seguida, o discurso principal que pronunciamos nas grandes reuniões de Lyon, Bordeaux e
algumas outras cidades. Vem seguido das instruções especialmente oferecidas, conforme as circunstâncias, a grupos particulares, respondendo a algumas das perguntas que nos foram endereçadas. Isso aí. E no próximo episódio nós vamos começar os discursos. São três discursos, depois são onze instruções particulares e termina com o projeto de regulamento de sociedades espíritas. Você percebe que Kardec era um
verdadeiro líder, né? Ele podia fazer o trabalho dele, não querendo nem saber o que estava acontecendo, porque ele tinha contato com a Sociedade Espírita de Paris e isso bastaria. Não! Ele viajou, ele andou, ele apertou a mão, ele cumprimentou, ele agradeceu... Ele ouviu o que os espíritas, todos os adeptos estavam fazendo, as dificuldades, o que era, o que não era, ou seja, um verdadeiro líder que merece toda
a honra e que a gente devota a ele e humilde. mais do que tudo, ele não precisava de nada disso, ele fazia isso por amor à doutrina espírita, não porque ganhava alguma coisa com isso, pelo contrário, ele ganhava de outra maneira, ele dava aula, ele fazia trabalho de contabilidade, ele fazia um
monte de outras coisas. A doutrina era simplesmente a sua missão de vida e por quem ele é conhecido até hoje, o nosso querido professor Rivail. É isso, obrigado pela sua presença, quase uma hora de estudo. Nós teremos, a partir do próximo episódio, os discursos, no caso, o primeiro discurso, que foram pronunciados nas reuniões gerais dos espíritas de Lyon e Bordeaux. Então, obrigado. Se não é inscrito ainda no canal, se inscreva. E se puder, torne-se membro para
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