Olá, meu amigo! Olá, meu amigo! Como é que vocês estão? Bem-vindos a mais um episódio de Mais Kardec, onde estudamos as obras menos conhecidas do mestre Allan Kardec. Estamos estudando essa aqui, o Espiritismo na sua expressão mais simples. E agora sim, a gente estudou a introdução, que foi apresentada pelo tradutor da obra. E agora sim, vamos entrar no estudo da própria obra, Histórico do Espiritismo.
Até mil oitocentos e quarenta e oito, a atenção, estava voltada aos Estados Unidos da América, sobre diversos fenômenos estranhos, consistindo em barulhos, pancadas e movimentos de objetos, sem causa conhecida. Esses fenômenos tinham lugar frequentemente, e de forma espontânea, com intensidade e persistências singulares, mas se observava também que se produziam mais particularmente, sob, a influência de certas
pessoas. que eram designadas sob o nome de médiuns, e que podiam de alguma maneira os provocar à vontade, o que permitia que as experiências fossem repetidas. Serviam-se sobretudo daquela das mesas, não que esse objeto fosse mais favorável que qualquer outro, mas unicamente porque era móvel, mais cômodo, e porque sentava-se mais facilmente e mais naturalmente em volta de uma mesa do que em torno de outro móvel.
Obtinha-se desta maneira a rotação da mesa, movimentos em todos os sentidos, sobressaltos, reviravoltas, levantamentos, pancadas com violência, etc. Este é o fenômeno que foi designado, desde o princípio, sob o nome de mesas. Girantes ou danças das mesas. Até então o fenômeno poderia perfeitamente ser explicado por uma corrente elétrica, ou magnética, ou pela ação de um fluido desconhecido, e esta foi mesmo a primeira opinião que se formou.
Mas não se tardou a reconhecer, nesses fenômenos, efeitos inteligentes assim o movimento obedecia à vontade, a mesa dirigia-se à direita, ou à esquerda para uma pessoa designada, endireitava-se ao comando, sobre um ou dois pés, batia o número de golpes pedidos, batia uma medida, etc. Fica então definitivamente evidente, que a causa não era puramente física, e conforme este axioma de que, se todo efeito tem uma causa, todo efeito inteligente deve ter uma
causa inteligente, se conclui que a causa desse fenômeno devia ser uma inteligência. Qual era a natureza dessa inteligência? Lá estava a questão. O primeiro pensamento foi que podia ser um reflexo da inteligência do médium ou dos assistentes, mas a experiência demonstrou logo a impossibilidade, porque
obtinha-se coisas completamente. Fora do pensamento e dos conhecimentos das pessoas presentes, e mesmo em contradição com suas ideias, sua vontade e seu desejo, ela poderia então pertencer apenas a um ser invisível. O meio de assim se certificar era muito simples. Tratava-se de entrar em conversação com esse ser, o que se fez por meio do número de batidas convencionadas significando sim ou não, ou designando as letras do alfabeto, e se teve, desta maneira, respostas às diversas
questões que se lhe dirigia. Este é o fenômeno que foi designado sob o nome de mesas falantes. Todos os seres que se comunicaram deste modo, interrogados sobre sua natureza, declararam ser espíritos e pertencer a um mundo invisível. Os mesmos efeitos foram produzidos em um grande número de localidades, por meio de pessoas diferentes, e sendo aliás observados por homens muito sérios e muito esclarecidos, afastando a possibilidade de que pudessem ser joguete de uma ilusão.
Olha que interessante, numa página só, nós temos a explicação toda de como nasceu o Espiritismo. Então, se você não sabia ainda de como o Espiritismo tinha nascido, o que era esse negócio de mesas girantes que saltavam, etc. Pronto, está aí a explicação que a gente só vai ver depois na obra O QUE É O ESPIRITISMO. de uma maneira bem simples e bem direta, que dispensa maiores explicações. Nós vamos continuar aí o estudo.
Da América esse fenômeno passou para a França e ao resto da Europa, onde, durante alguns anos, as mesas girantes e falantes fizeram a moda e se tornaram a diversão dos salões. Depois, quando disso se cansaram, foram deixadas de lado para passarem a outra distração. O fenômeno não tardou a se apresentar sob um novo aspecto, que o fez sair do domínio da
simples curiosidade. Os entraves deste resumo não nos permitiria segui-lo em todas as suas fases e então passaremos, sem outra transição, àquilo que oferece de mais característico e que, sobretudo, fixa a atenção das pessoas sérias. Digamos primeiramente, de passagem, que a realidade do fenômeno encontra numerosos contraditores uns, sem ter em conta o desinteresse e a honorabilidade dos experimentadores, viram nisso apenas uma charlatanice, um
hábil passe de mágica. Aqueles que não admitem nada fora da matéria, que creem apenas num mundo visível, que pensam que tudo morre com o corpo, os materialistas em uma palavra, aqueles que se qualificam de espíritos fortes, rejeitam a existência dos espíritos invisíveis descartando-os para a faixa das fábulas absurdas, tacham de loucos aqueles que levam esse estudo a sério, e o sobrecarregam de sarcasmos e de trouças.
Outros não podendo negar os fatos, e sob o império de uma certa ordem de ideias, atribuem esses fenômenos à influência exclusiva do diabo, e procuram por esse meio, amedrontar, os
tímidos. Mas hoje, o medo do diabo singularmente, perdeu o seu prestígio, tanto se tem falado disso, se o tem pintado de tantas formas, que se está familiarizado com essa ideia, E muitos são os que dizem que lucrariam com a ocasião de ver o que ele realmente é. Disso resultou, com exceção de algumas mulheres medrosas, que o anúncio da chegada do diabo verdadeiro tinha qualquer coisa de picante para aqueles que apenas o haviam visto em
pinturas e no teatro. Ele tem sido para muita gente um estimulante possante. de modo que aqueles que querem, por esse meio, opor uma barreira às ideias novas, vêem contrariado o seu propósito, e se tornam, sem o querer, agentes propagadores que de outra forma seriam ainda mais eficazes do que os que nós
teríamos criado. Os outros críticos não têm tido mais sucesso, porque, no que têm publicado, por toda parte encontram-se as provas da ignorância e da inobservância séria dos fatos, e em nenhuma parte se encontra uma demonstração peremptória de sua impossibilidade.
Toda sua argumentação se resume assim, não cremos, então, assim não deve ser, todos os que creem são tolos, somente nós temos o privilégio da razão e do bom senso, o número dos adeptos feitos pela crítica séria, ou, cômica e incalculável, porque por toda parte se encontra apenas opiniões pessoais, vazias de provas contrárias. Prossigamos, pois, em nossa exposição. Olha que interessante.
Então, as mesas girantes não eram o espiritismo, eram a manifestação mediúnica, que era a diversão na Europa e na América também. Então, Kardec foi convidado para ver este fenômeno. e concluiu que as respostas eram lógicas.
Então as mesas, sim, saíam, flutuavam, iam até o teto, batiam, davam respostas lógicas a perguntas, e foi aí que Kardec começou a investigação, cientista como era, para saber do que se tratava, e que se descobriu que eram vozes dos espíritos, que o começo da comunicação foi na base da pancada, da batida, ou um para sim, dois para não, e depois se convencionou letras do alfabeto e aí foi caminhando. A gente estuda isso muito no livro dos médiuns.
Acontece que os efeitos, as pessoas conseguiam ver isso E não tinha jeito de falar que não. E aí atribuíram a quem? Obviamente ao diabo, que era muito em voga na época pela igreja católica e também pelas protestantes. Então é o diabo, é o diabo. Isso aí não existe porque a gente quer que não exista.
Simples, acabou. Então, encontrou barreiras no povo religioso, que não aceitava isso, encontrou barreiras no povo ateu e materialista, mais materialista do que ateu, que também não admitia esse tipo de coisa. As comunicações por pancadas eram lentas e incompletas. Reconheceu-se que, adicionando um lápis a um objeto móvel, tal como uma corbelha, prancheta ou outra coisa sobre a qual se pousa os dedos, esse objeto se colocava em movimento e traçava caracteres. Letras, né?
Mais tarde se reconheceu que seus objetos eram apenas acessórios dos quais podia se desfazer. A experiência mostrou que se o espírito agindo sobre um corpo inerte o dirigia à vontade, poderia do mesmo modo atuar sobre o braço ou a mão para conduzir o lápis. Tinha-se então os médios escreventes, isto é, pessoas escrevendo letras. de uma maneira involuntária, sob o impulso dos espíritos das quais se achavam ser, assim os
instrumentos e os intérpretes. Desde esse momento, as comunicações não tiveram mais limites e a troca de pensamentos pode se fazer com tanta rapidez e desenvolvimento como entre os vivos. Era um vasto campo aberto à exploração, à descoberta de um novo mundo, o mundo dos invisíveis, como o microscópio tinha feito descobrir o mundo
dos infinitamente pequenos. Então, passou que a questão das batidas era bem precária, bem difícil, imagina, você formar uma frase meia hora, tentando adivinhar as batidas que os espíritos respondiam. Aí passou de uma cestinha com uma ponta com um lápis na ponta, e o médium botava a mão e o
espírito ia escrevendo. Inclusive, tinha até o fenômeno de escrita direta, que eles botavam um papel entre duas pedras, se ouvia até um barulhinho de escrita, quando tirava, abria essas duas pedras, tinha coisa escrita lá dentro. De novo, isso daí em detalhes a gente estuda no livro dos médiuns, tá? Coisa que, se eu não me engano, não existia quando foi feita essa brochura. Então, o livro dos médiuns é posterior. Mas vamos continuar aqui o estudo.
O que são os espíritos? Que função têm eles no universo? Qual o propósito de se comunicar com os mortos? Tais são as primeiras questões que se tratou de resolver. Sabe-se, antes de tudo por eles mesmos, que não são seres à parte da criação. mas as próprias almas dos que viveram sobre a Terra ou em outros mundos, que essas almas, após haver se despojado de seu envelope corporal, povoam e
percorrem o espaço. Não é mais permitido duvidar quando se reconhece neles nossos parentes e nossos amigos, com os quais podemos conversar, quando eles vêm dar a prova de sua existência. demonstrando que não há morte senão dos corpos, que sua alma ou espírito vive sempre, que estão aqui, próximo a nós, vendo e observando, cercando com sua solicitude aqueles que amou, e dos quais a lembrança é para eles uma doce
satisfação. Faz-se dos espíritos geralmente uma ideia completamente falsa, eles não são, como muitos os figuram, seres abstratos, vagos e indefinidos nem qualquer coisa como um clarão ou uma centélia, eles são, ao contrário, seres muito reais, tendo sua individualidade e uma forma determinada. Pode-se deles fazer uma ideia aproximada pela explicação seguinte, há no homem três coisas essenciais. Então vamos lá. Falando sobre os espíritos, que são simplesmente almas de
pessoas já falecidas. Então, três coisas essenciais existem no homem. A alma ou o espírito, princípio inteligente no qual reside o pensamento, a vontade e o senso moral. Isso é... incorpóreo, digamos assim, o corpo, envelope material, pesado e grosseiro, que põe o espírito em relação com o mundo exterior, então nós estamos falando do corpo físico, e por fim, o perispírito, envelope fluídico, leve, servindo de laço e de intermediário entre o espírito e o corpo.
Desde que o envelope exterior esteja a gasto e não possa mais funcionar, ele cai e o espírito dele se despoja como fruto de sua casca, a árvore de sua cortiça. Em uma palavra, como nos desfazemos de uma roupa velha que sai de uso, é o que se chama morte. Então, de uma maneira bem simples, Kardec aqui nos explica o conceito de espírito, alma, perispírito e corpo físico, que tem já no livro dos espíritos. Então, ele só está fazendo uma
síntese a respeito. A morte não é outra coisa senão a destruição do envelope grosseiro do espírito. Somente o corpo morre. O espírito não morre. Durante a vida o espírito está de alguma forma comprimido pelos laços da matéria a qual está unido e que frequentemente
paralisa suas faculdades. A morte do corpo o livra de seus laços, ele se desembaraça e recupera sua liberdade, como a borboleta saindo de sua crisálida, mas ele se desfaz apenas do corpo material, conserva o perispírito, que constitui para ele uma espécie de corpo etéreo, vaporoso, imponderável para nós, e de forma humana, que parece ser a
forma típica. Em seu estado normal, o perispírito é invisível, mas o espírito pode fazê-lo sofrer certas modificações que o tornam momentaneamente acessível à vista e mesmo ao toque, como tem lugar com o vapor condensado. É assim que eles podem algumas vezes mostrar-se a nós durante
as aparições. É com a ajuda do perispírito que o espírito atua sobre a matéria inerte, e produz os diversos fenômenos de barulho, de movimento, de escrita, etc. Então, de uma maneira muito clara, ele está dizendo até como é o funcionamento das psicografias ou até das ações físicas que acontecem, que os espíritos conseguem interferir no nosso meio físico e até mesmo as aparições é uma condensação, digamos assim, se a gente pode usar alguma palavra que a gente
conheça, uma condensação do perispírito que o torna opaco e as pessoas podem enxergar. Nós vamos continuar. Os golpes e movimentos são, para os espíritos, meios de atestar sua presença e chamar a atenção, absolutamente como quando uma pessoa bate para advertir que há alguém. Eles nisso não se limitam a barulhos moderados, mas chegam até a fazer uma algazarra, igual a de uma louça que se quebra, portas que se abrem e fecham, ou de móveis que são arrastados.
Com ajuda de golpes e movimentos convencionados, eles têm podido exprimir seus pensamentos, mas a escrita lhes oferece um meio completo, mais rápido e mais cômodo. Assim, é a este que preferem, o mesmo ocorrendo com a palavra.
Pela mesma razão que fazem os caracteres, podem guiar a mão para fazer traçar desenhos, escrever música, executar um trecho sobre um instrumento, em uma palavra, sem ter seu próprio corpo, pois não o têm mais, se servem daquele do médium para se manifestar aos homens de uma maneira sensível. Os espíritos podem se manifestar ainda de várias maneiras, entre outras pela visão e pela audição.
Certas pessoas, ditas médiuns auditivos, têm a faculdade de os ouvir e podem assim conversar com eles, outros os veem. São os médiuns videntes. Os espíritos que se manifestam à visão geralmente se apresentam sob uma forma análoga que tinham quando vivos, todavia vaporosos. De outras vezes essa forma tem
todas as aparências de um ser vivo. ao ponto de criar uma ilusão completa, que se toma algumas vezes por uma pessoa em carne e osso, com a qual se pode falar, e cumprimentar com as mãos, sem duvidar de que não está lidando com o espírito, a não ser por seu desaparecimento súbito.
A visão permanente e geral dos espíritos é muito rara, mas as aparições individuais são bastante frequentes, sobretudo no momento da morte, o espírito desligado parece se apressar, em rever seus parentes, como para os advertir que está deixando a terra, e lhes dizer que vive sempre.
Que cada um busque em suas lembranças e verá quantos fatos autênticos desse gênero, dos quais não nos dávamos conta, tiveram lugar não somente à noite, durante o sono, mas em pleno dia, e no estado de mais completa vigília. Outrora se consideravam esses fatos como sobrenaturais e maravilhosos e se os atribuía a magia e a feitiçaria.
Hoje os incrédulos os colocam na conta da imaginação, mas depois que a ciência espírita deu a chave, sabe-se como eles se produzem e que não saem da ordem dos fenômenos naturais. Acredita-se ainda que os espíritos, só pelo fato de serem espíritos, devem ter ciência, sabedoria e as soberanas. É um erro que a experiência não tardou a demonstrar.
Entre as comunicações dadas pelos espíritos, há as que são sublimes em profundidade, eloquência, sabedoria, moral e que apenas respiram a bondade e a benevolência, mas... a seu lado há as muito vulgares, leves, triviais, grosseiras, mesmo e pelas quais o espírito revela os instintos mais perversos. É então evidente que elas não podem emanar da mesma fonte e que, se há bons espíritos, há
também os maus. Os espíritos, não sendo outra coisa senão as almas dos homens, naturalmente não poderiam se tornar perfeitos ao deixar seus corpos, até que tenham progredido conservam as imperfeições da vida corporal. É por isso que se os vê de todos os graus de bondade e de malignidade, de saber e de ignorância. Então é um resumão sobre a questão das comunicações e quem
são os espíritos, quem está do outro lado. são essas pessoas de todos os graus possíveis, desde o mais ignorante ao mais sábio.
E aí, especialmente no livro dos médiums, Kardec nos ensina como é que se lida com isso, como é que se pesquisa, não se aceita, Qualquer coisa, ah, foi o Espírito que falou, então, olha, é verdade, oh. O que a gente vê que acontece hoje em dia, muitas pessoas que ficam estudando romance espírita, em vez de estudar a obra da doutrina espírita, acreditam em qualquer barbaridade que um médium fala.
ou um espírito fala para o médium, o médium tem certeza que aquilo é verdade, ou seja, vamos estudar Kardec, né povo? Mas vamos continuar aqui no estudo de hoje.
Os espíritos geralmente se comunicam com prazer, e é para eles uma satisfação ver que não foram esquecidos, descrevem voluntariamente suas impressões ao deixar a Terra, sua nova situação, A natureza de suas alegrias e de seus sofrimentos no mundo onde se encontram uns são muito felizes, outros infelizes, alguns suportam mesmo tormentos horríveis, segundo a maneira em que viveram, e o emprego, bom ou mau, útil ou inútil, que fizeram da vida, observando-os em todas as fases
de sua nova existência, segundo a posição que ocuparam sobre a Terra, seu gênero de morte, seu caráter e seus hábitos como homens, se chega a um conhecimento senão completo, ao menos bastante preciso do mundo invisível para nos darmos conta de nosso estado futuro, e pressentir a sorte feliz ou
infeliz que nos espera. As instruções dadas pelos espíritos de ordem elevada sobre todos os assuntos que interessam à humanidade, as respostas que eles deram às questões que lhe foram propostas, tendo sido recolhidas e coordenadas entre si, constituem toda uma ciência, toda uma doutrina moral e filosófica, sobre o nome de Espiritismo. O Espiritismo é então, a doutrina fundada sobre a existência, as manifestações e os ensinamentos dos espíritos.
Esta doutrina se encontra exposta de uma maneira completa em o livro dos Espíritos para a parte filosófica, em o livro dos Médiuns para a parte prática e experimental, e em o Evangelho segundo o Espiritismo para a parte moral. Pode-se julgar, pela análise que damos a seguir dessas obras, da variedade, da extensão, e da importância das matérias que
elas abrangem. Assim, como vimos, o Espiritismo teve seu ponto de partida no fenômeno vulgar das mesas girantes mas como esses fatos falam mais aos olhos que a inteligência e despertam mais curiosidade que sentimento, a curiosidade satisfeita, ficaríamos então menos interessados por não os compreender.
Não foi mais assim depois que a teoria veio explicar a causa, quando sobretudo vimos que dessas mesas girantes, com as quais se teve um instante de diversão, saiu toda uma doutrina moral falando à alma, dissipando-as, angústias da dúvida, satisfazendo-a todas as aspirações deixadas no vazio por
um ensinamento incompleto sobre o porvir da humanidade. as pessoas sérias acolheram a nova doutrina como um benefício e desde então longe de declinar ela cresceu com uma incrível rapidez no espaço de alguns anos ela reuniu em todos os países do mundo e sobretudo entre as pessoas esclarecidas inumeráveis participantes que aumentam todos os dias em uma proporção extraordinária, de tal forma que se pode dizer hoje que o Espiritismo conquistou o direito de cidadania, está sentado sobre
bases que desafiam os esforços de seus adversários, mais ou menos interessados em o combater, e a prova está em que os ataques e críticas não diminuíram sua marcha um só instante. Isso é um fato adquirido pela experiência e do qual os oponentes jamais puderam rebater. Os espíritas dizem simplesmente que se ele se propaga malgrado a crítica, é porque o consideram bom e preferem o seu raciocínio àqueles de seus contraditores.
Fazer uma correção aqui, sim, já estava publicado, então, tanto o Evangelho segundo o Espiritismo quanto o Livro dos Médiuns. Então, digamos que esse é um resumão até destes três livros que Kardec nos traz aqui em... rápidas e enfáticas palavras, de uma maneira muito clara, muito direta, sobre como nasceu, o que é, o que faz, e ele continua nos ensinando. Então, vamos continuar também. O Espiritismo, porém, não é uma
descoberta moderna. os fatos e os princípios sobre os quais repousa se perdem na noite, dos tempos porque deles se encontram traços nas crenças de todos os povos, em todas as religiões, na maior parte dos textos de escribas sagrados e profanos, ocorria apenas que os fatos, incompletamente observados, eram, com frequência, interpretados segundo as ideias supersticiosas da ignorância, e deles não se havia deduzido
todas as consequências. Com efeito, o Espiritismo está fundado sobre a existência dos Espíritos mas os Espíritos não são outros senão as almas dos homens e desde que há homens, há Espíritos, o Espiritismo nem os descobriu, nem os inventou. se os desencarnados podem se manifestar aos vivos é porque isso está na natureza, e daí segue que eles o fizeram em todos os tempos assim, em todos os tempos e por toda parte encontramos a prova dessas manifestações, que abundam
sobretudo nos versos bíblicos. O que é moderno é a explicação lógica dos fatos, o conhecimento mais completo da natureza dos espíritos, de sua função e de seu modo de ação, a revelação de nosso estado futuro, enfim sua constituição em termos de ciência e de doutrina, e suas diversas aplicações. Os antigos conheciam o princípio, os modernos conhecem
os detalhes. Na antiguidade, o estudo desses fenômenos era privilégio de certas castas que os revelavam apenas aos iniciados em seus mistérios. Na Idade Média, os que se ocupavam ostensivamente eram tidos como feiticeiros e queimados. Mas hoje não há mistérios para ninguém, não se queima mais as pessoas, tudo se passa à luz do dia, e todo mundo tem o mesmo direito de se esclarecer e praticar, porque os médiuns se
encontram por toda parte. A própria doutrina que os espíritos ensinam hoje não tem nada de novo, pois é encontrada por fragmentos na maior parte dos filósofos da Índia, do Egito e da Grécia, e toda inteira nos ensinamentos do Cristo, que veio fazer então o Espiritismo. veio confirmar por novos testemunhos e demonstrar, pelos fatos, verdades mal conhecidas ou mal compreendidas, restabelecendo em seu verdadeiro sentido aquelas que tinham sido mal interpretadas.
O Espiritismo nada ensina de novo, é verdade, mas seria nada provar de uma maneira patente e recusável. a existência da alma, sua sobrevivência ao corpo, sua individualidade após a morte, sua imortalidade, as penas e recompensas futuras? Quantas pessoas creem nestas coisas, mas que no fundo têm uma vaga sensação de incerteza e dizem em seu fórum interior, E
se contudo não for assim? Quantos têm sido conduzidos à incredulidade porque se lhes apresentou por vir sobre um aspecto que sua razão não podia aceitar? Seria então nada para o crente cambaleante, se pode dizer? Agora tenho certeza, para o cego rever a luz, pelos fatos e por sua lógica o Espiritismo vem dissipar a ansiedade da dúvida e reconduzir a fé àqueles que a tinham descartado, revelando a existência do mundo invisível que nos envolve e no meio da
qual vivemos. Ele nos faz conhecer, por exemplo, por meio daqueles que viveram, as condições de nossa felicidade ou infelicidade no porvir, Ele nos explica a causa de nossos sofrimentos aqui embaixo e o meio de os suavizar. Sua propagação terá por efeito inevitável a destruição das doutrinas materialistas que não podem resistir à evidência.
O homem, convencido da grandeza e da importância de sua existência futura, que é eterna, a compara à incerteza da vida terrestre, que é tão curta e se eleva pelo pensamento acima das mesquinhas considerações humanas. Conhecendo a causa e o propósito de suas misérias, ele as suporta com paciência e resignação, porque sabe que são um meio de
chegar a um estado melhor. O exemplo daqueles que, vendo além túmulo, descrever suas alegrias e suas dores, provando a realidade da vida futura, prova, ao mesmo tempo, que a justiça de Deus não deixa nenhum defeito sem punição e nenhuma
virtude sem recompensa. Acrescentamos, enfim, que as comunicações com os seres queridos que perdemos nos trazem uma doce consolação, provando não somente que eles ainda existem, mas também que estão menos separados de nós do que se estivessem vivos em um país estrangeiro.
Antes da gente caminhar para o resumo, o que a gente viu agora é justamente Kardec enfatizando que, ao contrário da palavra espiritismo, mas os espíritos e as comunicações dos espíritos não são novidade e não foram inventadas por Kardec. A palavra sim, mas não as comunicações, enfim.
Kardec se debruçou para estudar como é que isso funcionava e resolveu perguntar para os próprios espíritos, muitas dúvidas que vinham aí, onde as religiões sempre param no, ah, isto é mistério de Deus, não o questione porque isso é mistério de Deus. Kardec foi além, perguntou para os espíritos o que acontecia e teve uma enxurrada de respostas
de todos os tipos. É como se alguém, algum pesquisador fosse entrevistar pessoas nas ruas e aí iam encontrar pessoas desde as mais ignorantes ou sem caráter ou das mais humildes e com caráter belíssimo até os mais eruditos, com ou sem caráter, enfim, numa variedade que a gente sabe que é da raça humana. E que realmente vem nos mostrar algo muito mais consolador. do que as religiões apresentavam e
cá pra nós apresentam até hoje. Se um seu familiar querido que você ama tanto vem depois, né, que passa pela experiência da morte, vem falar assim, olha, eu continuo vivo, fique tranquila, fique tranquilo, tá tudo certo, né? A esperança e o consolo que nos dá, mais do que essas religiões que prometem um céu chato e enfadonho ou um inferno todo
esquisito, né? E nem pensam que, por exemplo, uma mãe boa que vai para o céu, que céu é esse se o seu filho, que, por exemplo, foi um assassino, alguma coisa, vai para o inferno eternamente? Que paz de espírito! que felicidade, essa mãe vai estar no céu pensando que seu filho está eternamente sofrendo. Desculpe, essas penas criadas pelas religiões são extremamente cruéis e só servem para botar medo, porque não resistem assim a dois minutos de pergunta.
Então é isso que ele vem falar. E aí eu abro um parênteses para que a gente também abra o nosso olho, assim como Kardec foi extremamente prudente quando ele fazia as entrevistas e recebia comunicações, que o mais importante da doutrina espírita não foram as comunicações recebidas, e sim a astúcia de Kardec, a inteligência, porque Kardec é o autor da doutrina espírita, não é alguém que recebeu de graça no seu colo e poderia ser qualquer outro, não, foi o autor.
Então ele recebia as respostas e passava pelo crivo da razão. Depois de passar pelo crivo da razão, ele compartilhava na sociedade parisiense de estudos espíritas do que se tratava. Isso era discutido antes de entrar nos livros que a gente conhece até hoje. Então não foi assim um negócio de vamos fazer, vamos botar qualquer coisa que o Espírito
falar. O que a gente precisa prestar atenção é que Estamos vendo a rodo esses romances espíritas, que devem ser tratados como romances e não como estudos espíritas, que trazem verdadeiros absurdos, como a casaram no plano espiritual, ficou grávido no plano espiritual, teve filho no plano espiritual, para, isso não faz sentido nenhum, isso não vem de Kardec. Isso é uma grande besteirada aí, que as pessoas estão ganhando
muito dinheiro em cima disso. E pior, cuidado também com essas tais cartas consoladoras, que muitos médios estão por aí e que estamos vendo inúmeras fraudes. que se informam por meio de redes sociais e vem falar o óbvio para a família que está abalada, chocada, e aquilo acaba sendo encantador porque elas não perceberam que estava tudo na internet. A nossa vida hoje está na internet. Todas as coisas estão na internet.
Então que a gente fique muito, muito atento como Kardec foi atento a esse tipo de comunicação. Significa que elas não existam? Claro que não, mas precisam. É como se, um exemplo que eu cito muito tranquilo, é como se alguém de outro país, imagine que não tem internet, que não tem televisão, não tem nada. Alguém de outro país escreve uma carta que eu vou receber. E nessa carta ele coloca...
O que ele quer? Olha, no meu país tem rios coloridos de cores de arco-íris, onde unicórnios saltam, não sei o que. O que eu vou fazer? Acreditar? Ou eu vou pensar? Espera lá, o que está falando? O que é isso? Vamos submeter à razão. É exatamente isso o mais importante da doutrina espírita, de não ser ludibriada pelos
espíritos. Pelo contrário, no livro dos médiuns tem muitos exemplos de comunicações anônimas, falsas, falsas no sentido de que o médium foi falso, não, o médium recebeu, só que o espírito está falando de uma coisa que ele não era, estava mentindo, estava mistificando, é o que a gente vê com a grande maioria dos nossos médiums escritores que estão hoje no meio espírita, Essa mistificação, falam barbaridades, bobagens, previsões, etc. Falta do próprio médium estudar a doutrina espírita,
infelizmente. Ah, mas isso existe? Óbvio. Mediunidade existe muito antes de existir a doutrina espírita, desde sempre existiu. Então, o que a doutrina fez, o que Kardec fez, foi fazer a gente ficar mais atento, estudar, perguntar, questionar, essa é a maior virtude da doutrina espírita. Mas vamos continuar aqui o estudo.
Em resumo, o Espiritismo adoça a amargura das aflições da vida, ele acalma os desesperos e as agitações da alma, dissipa as incertezas ou os temores do porvir, impede de abrigar o pensamento de abreviar a vida pelo suicídio, por isso mesmo, torna felizes aqueles que nele penetram, e aí está o grande segredo de sua rápida propagação.
Do ponto de vista religioso, o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões, Deus, a alma, a imortalidade, as penas e as recompensas futuras mas, ele é independente de todo culto particular. Seu propósito é de provar aos que negam ou duvidam que a alma existe, que ela sobrevive ao corpo, que sofre após a morte as consequências do bem e do mal que fez durante sua vida corporal, ora, isto pertence a todas as religiões.
Como a crença nos espíritos, é igualmente de todas as religiões, da mesma forma, é de todas as pessoas uma vez que por toda parte onde há homens, a almas ou espíritos, as manifestações são de todos os tempos, e sua narração se encontra em todas as religiões, sem exceção.
Pode-se então ser católico, grego, ou romano, protestante, ou muçulmano, e crer na manifestação dos Espíritos, e por consequência ser espírita, a prova, é que o Espiritismo tem seus adeptos em todos os grupos de estudos espirituais. Como moral, ele é essencialmente cristão, porque o que ensina é o desenvolvimento, e a aplicação daquela do Cristo, a mais pura de todas, e cuja superioridade não é contestada por nenhuma pessoa, prova evidente de que ela é a lei de Deus.
Ora, A moral é de uso de todo mundo. O espiritismo, sendo independente de toda forma de culto, não prescreve nenhum e não se ocupa de dogmas particulares. Não é uma religião especial porque não tem nem seus padres, nem seus templos. Preste atenção, não é uma religião, tá? Aqueles que perguntam se fazem bem em seguir tal ou qual prática respondem, se crês que a vossa consciência está empenhada em fazê-lo, falo. Deus sempre leva em conta a
intenção. Em uma palavra não se impõe a ninguém, não se dirige àqueles que já têm uma fé e àqueles que para quem esta fé basta, mas à numerosa categoria dos incertos e dos incrédulos. Ele não os leva à igreja, já que disso, então, totalmente ou em parte, estão, totalmente em parte, moralmente separados. os conduz por três quartos do caminho para entrar. Cabe a eles fazer o resto. Então ele está dizendo que realmente o Espiritismo não vem se impor para absolutamente ninguém.
Ele não vem dizer o que é certo ou o que é errado. Olha, você tem que seguir essa religião, este caminho, e nem vai ficar debatendo com as outras religiões, simplesmente ele vai trazer para quem não está pleno, quem está em busca.
Eu sou exemplo vivo disso, porque fui católico praticante, muito praticante, até um certo momento que eu achei que não tinha mais respostas, já estudei tudo, sabia um monte de coisas sobre a igreja, já pratiquei todos os cargos possíveis que tinha dentro da religião, e ainda assim ficava com mais dúvidas do que respostas, até um dia que eu fiquei ateu durante mais de um ano e o Espiritismo me trouxe... de volta para acreditar que existia um Deus. Não aquele Deus bíblico que a
gente conhecia, mas sim um Deus inteligência suprema, energia organizadora do universo, potência criadora do universo. Não aquele Deus bipolar da Bíblia que ora, mata um monte, depois se arrepende. Oi, Deus com emoções humanas. Bom, eu já estou falando do estudo do livro dos Espíritos,
mas para a gente terminar... O espiritismo combate, é verdade, certas crenças, tais como a eternidade das penas, céu e inferno, o fogo material do inferno, a personalidade do diabo, etc. Mas não é certo que essas crenças, impostas como absolutas, têm feito incrédulos em todos os tempos e os continua fazendo todos os dias? Ou seja, essas próprias crenças é que espantam as pessoas das igrejas e com razão, né? Se pensar um pouquinho...
Se o Espiritismo, dando uma interpretação racional desses e de alguns outros dogmas, chama de volta a fé aqueles que dela desertaram, não está prestando um serviço às religiões? Um venerável eclesiástico também disse a respeito. O Espiritismo faz crer em alguma coisa. Ora, é melhor crer em alguma coisa do que crer. de todo não acreditar em nada. Os espíritos não sendo outra coisa senão as almas, não se pode negar os espíritos sem
negar a alma. Ou, sendo admitidos os espíritos, a questão se reduz à sua expressão mais simples, que é esta. As almas daqueles que estão mortos podem se comunicar com os vivos. O Espiritismo prova a afirmativa pelos fatos materiais, que prova se pode dar de que ela não seja possível. Se assim é, todas as negações do mundo não impedirão que assim seja. porque isso não é nem um sistema, nem uma teoria, mas uma lei da natureza. Ora, contra as leis da natureza,
a vontade do homem é impotente. É preciso aceitar as consequências e, nisso, conformar suas crenças e seus hábitos. Nossa, bonito isso, né? Até de arrepiar. Muito bonito. A Kardec, seu danado, sempre teve o poder das palavras aí e do convencimento de uma maneira tão tranquila, tão adequada, tão carinhosa e ao mesmo tempo tão firme. Por isso que a gente é muito fã deste rapazinho, nosso querido professor Rivail. Bom, hoje foi grandão, né?
No próximo episódio, nós vamos estudar, começar a estudar um resumo dos ensinamentos dos Espíritos.
Aí é pra gabaritar mesmo, sabe? É daqueles assim, que você pega, estuda todas as obras fundamentais da doutrina espírita, ou as trinta e duas obras fundamentais de autoria de Kardec, sim, o Espiritismo tem trinta e duas, para com esse negócio de Pentateuco, eu já falei isso, tem um vídeo aqui no canal falando sobre as trinta e duas obras de Kardec, e nos próximos dois episódios que a gente finaliza este estudo, nós temos um resumão, olha só, se você estiver com preguiça de
estudar, este resumão vai fazer sua vida ficar descomplicada, mas eu tenho certeza que depois desse resumão você vai querer estudar mesmo, E já te comunico que aqui no canal tem estudos completos de todas as obras fundamentais e a gente está dando um passo a mais estudando as obras até menos conhecidas de Kardec. Combinado, eu te espero no próximo episódio para a gente começar a ver o resumo dos ensinamentos dos Espíritos. Obrigado pela sua companhia,
pela sua paciência e te encontro no próximo. Até mais. Tchau.
