Alô você, tudo bem? Estamos aí cheios de novidades para mais um embalos de sábado à noite aqui no Espiritismo com Kardec, o SK. Então, boa noite, boa tarde, bom dia, porque esta live é assistida ao vivo por quem já está com a gente. e por todos aqueles que depois vão acessar as nossas plataformas de vídeo e de áudio e acompanhar, dando um pouquinho mais da sua audiência, as nossas plataformas do Espiritismo com Kardec. Felizes com a sua presença, com o seu carinho, com a sua audiência.
Esperamos que você possa participar ativamente. Aí está o nosso identificador na tela para que os seus comentários possam aparecer com o seu nome. com o seu avatar, com a sua imagem, propiciando ainda um clima de congraçamento, de entendimento, de interreconhecimento nessa nossa plataforma de estudo da filosofia espírita.
Estamos ao vivo em vários canais de vídeo e também estaremos disponíveis depois nesses mesmos canais e nos canais de áudio para que você possa ouvir ou assistir em qualquer lugar, em
qualquer momento. indo para o trabalho, voltando do trabalho, estando em casa, relaxando, com a família, com os amigos, levando o nosso material para o grupo de estudos espíritas que você participa, enfim, fazendo com que nós possamos nessa retroalimentação, nesse brainstorming, mantermos a doutrina dos Espíritos sempre em evidência, sempre em alta, propiciando não só o reconhecimento, o alcance, a revisão dos textos kardecianos, mas a nossa participação efetiva
na construção do conhecimento espírita. Você já sabe que hoje, dia dezesseis de novembro de dois mil e vinte e quatro, estaremos trabalhando com o tema Kardec e o progresso da ciência. Você que ainda não conhece as nossas plataformas, acesse, está passando aí embaixo na sua tela, o portal www.espiritismoconkardec.org, que leva você a todos os outros meios, todas as outras redes, todas as outras plataformas, de interação, porque nós não fazemos divulgação do Espiritismo, nós fazemos
comunicação social e espírita. E a comunicação social e espírita pressupõe essa ida e volta, esse retorno, essa troca salutar de informações, essa participação direta e efetiva de você que está conosco, nas nossas publicações, nos nossos artigos, nos nossos documentos, nas nossas lives, enfim, em tudo que o ECK tem feito já há quase oito anos. É, ano que vem vamos completar o nosso oitavo aniversário.
Muito bem, vamos iniciar a nossa conversa, como sempre fazemos, com um pequeno trecho de Allan Kardec, antes de chamarmos o nosso convidado e o nosso debatedor da tarde e noite de hoje. Kardec, em O Livro dos Espíritos, sobretudo na parte introdutória do livro, na introdução ao estudo da doutrina espírita, no item sete, que é dedicado justamente ao subtítulo A Ciência e o Espiritismo.
No último parágrafo, assim expressa, o homem que se julga infalível e que julga infalível a sua razão está bem perto do erro. mesmo aqueles cujas ideias são as mais falsas e se apoiam na sua própria razão, e é por isso que rejeitam tudo o que lhes parece impossível. Os que outrora repeliram as admiráveis descobertas de que a humanidade se honra, endereçavam seus apelos a esse juiz para repelí-las. O que se chama razão não é muitas vezes, senão o orgulho
disfarçado. E quem quer que se considere infalível, apresenta-se como igual a Deus. Então vamos em frente, vamos chamar que toquem os clarins para recebermos o nosso convidado de hoje, Ricardo Terini. Vem pra cá, amigo. Olá, Marcelo. Olá a todos do ECK, os amigos que estão assistindo ou vão assistir. Muito prazer estar aqui com vocês hoje. É uma honra. A honra é toda nossa, Ricardo.
Sobretudo para podermos ter, pela vez primeira, a sua participação, com a sua alegria, o seu dinamismo, o seu... Temos certeza que hoje todos os nomes que me dão... Aqui nós não consideramos o nosso trabalho como uma aula, mas como essa troca salutar de ideias que pode permitir estartes, despertares, e que cada um possa se valer dessa informação e fazer dela o melhor para si e para os seus alunos. Marcelo, o seu som ficou um pouco baixo, viu?
Ele caiu um pouco. Vamos ver como é que vai ficar na... Vamos receber o nosso Nelson Santos. Diga, Nelson. Está mutado. Perdoe-me. Boa noite, Ricardo. Boa noite, Marcelo. Vamos agora para mais uma live com assunto interessantíssimo, pouco abordado no meio espírita. É uma parte importante do espiritismo que o meio espírita não dá a importante evidência a esse aspecto da doutrina. que os debates sejam profundos.
Muito bem, é isso mesmo. Eu costumo dizer aqui no ECK que nós nos acostumamos, Ricardo, com o lado de espiritualização ou de religião, como muitos gostam de dizer, da doutrina dos espíritos trabalhando a ideia do consolo, trabalhando a ideia das virtudes, dos sentimentos, do amor ao próximo, amor fraterno.
do desabrochar dos talentos, como dizia o nosso magrão, que é como a gente chama o Jesus de Nazaré, o nosso irmão querido, e acabamos esquecendo um pouco das duas outras vertentes tão importantes quanto é a questão ético-moral, que está representada na chamada religião ou espiritualização do ser, que
são a ciência e a filosofia. Hoje nós vamos perceber... que grande é a inter-relação entre ciência e filosofia dentro da doutrina dos Espíritos, não nos esquecendo do resultado, da consequência, que é a melhoria individual e coletiva
naturalmente. Vamos abrir os debates, então, dando a oportunidade para que o nosso convidado, eu tenho feito isso nessas últimas lives, ao invés de eu fazer aqui a leitura do currículo, tornar a coisa um pouco mais dinâmica e agradável, permitir ao cidadão Ricardo Terini que se apresente qual a sua formação, qual a sua atuação profissional, qual a sua experiência espírita, quando se tornou espírita e que atividades tem desenvolvido, seja na área acadêmica, na área científica,
na área filosófica, profissional ou mesmo no espiritismo. Então, quando a gente está assistindo, já assisti várias lives aqui do ECK, a gente não tem esse compromisso com as perguntas que se façam para a gente. A gente acaba aproveitando e fazendo as perguntas e colocando os outros na fogueira. Agora somos nós. E com o limite do tempo. Bom, eu, desde jovem, eu gostava muito da... das ciências da natureza, chamadas ciências da natureza, em particular a física, né?
Comecei o curso de física, fiz o curso de física na PUC de São Paulo, depois fiz mestrado e doutorado lá também, na área de física experimental, física ligada a, ele chamava de física nuclear experimental, mas era física lidando com radiações, né? mas na parte prática, que é uma parte que eu gosto bastante até hoje, né?
E depois, logo depois de assumir também aulas na própria PUC de São Paulo, trabalhei só trinta e tantos anos, me aposentei lá como professor dos cursos da área de exatas, principalmente da área de física, E depois, em paralelo, eu fui fazendo pesquisas, pesquisas nessa área de física, com detetores de radiação. Então, assim, eu, no meu trabalho de pesquisa, sempre lidei com o invisível, porque sempre eu trabalhei com detetores daquilo que não é visível, raio-x, raios-gama, partículas...
Enfim, que não são visíveis. Então, para mim, trabalhar com o invisível não é nenhum mistério, né? Ou poderia ser para outros casos. Acho que talvez isso me ajudou, né? Nesse sentido, na relação espiritista. E depois me aposentei e continuei dando aula. Fui dar aula na UFABC e agora estou como temporário no Instituto de Física aqui da USP de São Paulo, né? Isso do ponto de vista acadêmico e do ponto de vista de trabalho,
né? Sempre, enfim, na área acadêmica, orientando alunos, orientando iniciação científica, TCC, etc. Agora, em paralelo com isso, desde os meus quinze anos, eu comecei a frequentar uma casa espírita aqui em São Paulo, aqui na Zona Oeste de São Paulo, aquilo me entusiasmou muito, eu tinha muitas dúvidas religiosas, minha família tinha formação católica, e eu tinha muitas dúvidas religiosas, fiz primeira comunhão, aquelas coisas.
E aí, com o espiritismo, aquilo me abriu de uma maneira muito clara, porque eu comecei a enxergar a lógica dos princípios da doutrina, vi muito mais ligação com a realidade do que outras doutrinas, e na verdade eu comecei o curso de física, e eu tinha um amigo meu que era físico também, e frequentava o centro, ele falava assim, você vai fazer física, mas você sabe se é isso que os espíritos querem que você faça? Eu falei para ele, mas espera, mas como assim?
Não sou eu que tenho que escolher isso? Os espíritos que têm que escolher a minha carreira, né? Ele falou, não, eu vou, depois se eu me arrepender, me arrependi, eu vou lá, né? E vou procurar. E eu estava até conversando, comentando isso com o Nelson, né? Todo esse meu percurso dentro da física, em nenhum momento eu achei algum ponto do estudo da ciência que conflitasse com pontos fundamentais do espiritismo, da ciência espírita. Com dogmas, com visões místicas, sim.
Mas com os princípios fundamentais, com a visão... do trabalho de Kardec, não. E olha que eu fiquei muito tempo nessa área para dizer isso, né? Então, e aí na área do Espiritismo eu trabalhei bastante na área de educação, desde o começo eu trabalhava com educação de crianças, né?
A gente chamava de evangelização infantil, trabalhei quarenta anos com isso, evangelização evangelização de crianças, de jovens, depois num certo momento fui trabalhar em cursos de adultos também, enfim, palestras, mas tudo muito voltado à mesma casa, trabalhei muito tempo na mesma casa
espírita. Só com a pandemia é que eu acabei abrindo um pouco mais, e aí hoje, inclusive, temos um outro grupo, um grupo virtual de estudos, não estou mais naquela casa original, mas com isso me abriu um pouco a cabeça, porque com a pandemia as pessoas se colocaram na rede, nas mídias, e a gente pôde tomar contato com outras visões, outras pesquisas, e foi isso que me estimulou a escrever também um pouco mais, pesquisar e redigir artigos do espiritismo de modo mais aberto,
né? Não sei se deixei passar algum detalhe disso aqui, né? Não, não, eu até anotei duas questões aqui que eu vou em seguida fazer um aporte, mas antes a gente vai ouvir o Nelson. O Nelson já é uma figurinha carimbada, conhecida, é o nosso decano do SK, como a gente chama carinhosamente, né?
Uma pessoa com vasta experiência dentro e fora do movimento espírita, que tem sido muito útil para os nossos projetos, para as nossas atividades, é o subcoordenador geral, o coordenador adjunto do ICK, junto com o Manuel Fernandes Neto, que está nos bastidores, o NECO. Mas a gente sempre deixa um espaço. Nelson, você teve alguma ligação com a ciência espírita até hoje? Em que segmento, em que setor, em que área? Dá uns exemplos aí para a gente. A ciência espírita é de uma
atração incrível. Eu, particularmente, embora goste do tema, estude o tema, não tenho grandes experiências com a parte das ciências naturais e as ciências espíritas. O meu contato é mais teórico do que prático. Na parte prática, eu poderia elencar a mediunidade, o contato no estudo mediúnico. dos fenômenos, da fenomenologia. Então, o meu conhecimento mais abrangente, ele se resume mais à parte de mediunidade. Espero ampliar meus olhos antes. Bacana, inclusive...
Inclusive, daqui a pouco a gente vai fazer uma pergunta pontual sobre isso, sobre a questão da fenomenologia, a questão da mediunidade, como ela se encaixa dentro desse contexto espírita, espiritual-espírita, e como que ele tem relação, ou não, com a
chamada ciência espírita. Mas eu peguei, então, dois aportes seus, Terine e Ricardo, para a gente poder dissertar um pouquinho a respeito e esclarecer ao nosso público, já que nem todos os espíritas do Brasil e do mundo fazem as mesmas atividades, nem todos entendem o espiritismo de um
mesmo jeito, e Kardec jamais prelecionou isso. uma unicidade de pensamento, uma ortodoxia, uma condição dogmática de verdade inafastável, que todos deveriam se comportar da mesma maneira, todos deveriam entender o Espiritismo de um único jeito, o crescimento ou o progresso dentro do conhecimento espírita se fosse realizado de uma mesma maneira, nada disso.
Isso não é Kardec. Isso é o homem espírita brasileiro entendendo, tentando entender, interpretando a sua maneira o conhecimento contido nas obras de Allan Kardec e dos outros luminários do seu tempo que... são considerados aqueles clássicos do Espiritismo que têm contribuições importantes, como Gabriel Delan, como Léon Denis, como Alexander Aksakov, pessoas da Europa que passaram a estudar a fenomenologia mediúnica ou o aspecto científico da doutrina com o aporte filosófico, sem
esquecer, é claro, do ponto final, que é a melhoria da humanidade, a melhoria do indivíduo e do coletivo.
Curioso, Ricardo, é que eu não passei pela evangelização, eu tenho um caminho diferente, eu comecei em grupo de estudo de adultos, eu com doze para treze anos, mais ou menos, acabei entrando num grupo de estudos de adultos, daí a minha mediunidade floresceu, eu fui parar aos catorze anos de idade em mesa mediúnica, o que seria um escândalo, foi um escândalo para a época, Porque se dizia, se tinha uma visão totalmente equivocada da mediunidade, que sempre trabalhou com jovens, com
adolescentes, desde a época de Kardec. Não vamos aqui cair na esparrela de dizer que todas as médiuns que trabalharam com o Allan Kardec eram adolescentes. Não, mas algumas eram, de dezesseis, dezessete, dezoito anos, porque isso era comum. A eclodência da fenomenologia mediúnica era comum. Como é comum hoje, nós vemos as nossas crianças sentadas na sala conversando com amiguinhos imaginários. Isso é mediunidade, aflorando já na primeira infância. Não há o que temer disso, o
Espiritismo explica isso. Então eu não passei pela evangelização, mas quando aos dezessete anos eu comecei a frequentar grupos de jovens e depois aos dezoito, quando a gente fundou a primeira juventude espírita na região onde a gente atuava, Essa pecha de evangelização era muito
forte. Isso começa em mil novecentos e quarenta, com a doutrina de Emmanuel, através dos livros de Chico Xavier, com a herança católica, porque os católicos, os padres, os bispos, os frades falavam em evangelização, vamos levar a evangelização aos povos que são inferiores, diziam eles. E o espiritismo parece que incorporou isso como se fosse
natural, e não é natural. Isso tem um dogmatismo muito forte, seria quase como nós interpretarmos como uma lavagem cerebral, isso não tem a ver com filosofia nem com ciência, isso é religião pura, e a religião pura ela castra, ela dificulta, religiosidade não, ela amplia. Então, isso precisa de uma
recontextualização. Herculano Pires, por exemplo, não fala em evangelização, fala em educação espírita, e isso é ciência, educação é pedagogia, pedagogia é um ramo científico que estuda a formação, a formação educacional, o processo de educação. Então, isso tudo precisa ser reescrito por nós, espíritas do século XXI.
Mas respeitando aqueles que entendem que a evangelização é necessária, que o caráter principal do espiritismo é o religioso, nós não estamos aqui para nos tornar opositores, inimigos, criarmos um embate desnecessário, criarmos, para usar uma expressão de Kardec, cismas. Não é esse o processo. Mas é interessante dizer que
você, como eu, também trabalhei na evangelização. até o ano de noventa e nove eu ainda estava envolvido com evangelização espírita infanto-juvenil e isso se tornou muito natural muito gostoso, muito peculiar mas hoje a nossa visão não é uma visão velha pelo contrário, é uma visão nova nos mostra que há todo um outro contexto que precisa ser recontextualizado
você não acha isso? então, exatamente nós Começamos, mesmo com a terminologia da evangelização, mas a gente já não se satisfazia com a ideia de que você, para trabalhar com as crianças, só precisa falar sobre Jesus daquela forma mais religiosa, etc. Que a gente podia ampliar um pouco, muito mais, aquilo. E logo nós mudamos a terminologia para educação espírita, justamente por isso, para ficarmos um pouco desvinculados dessa
obrigatoriedade. Claro que continuamos, se você continua a estudar em profundidade a mensagem que Jesus trouxe. Mas é um pouco... Eu participei agora do ENLIP, né? passado, e o tema era sobre o Evangelho segundo o Espiritismo,
né? E no meu, quando eu estava pesquisando, justamente você vê na introdução lá, Kardec falando, que a moral, Kardec privilegiou a moral para o livro Evangelho segundo o Espiritismo, de todas as outras questões históricas, dogmáticas, milagres, etc., que poderia se falar sobre Jesus, ele privilegiou a moral. Mas a moral que ele diz que ele privilegia é uma moral que serviria para qualquer pessoa na humanidade. Ele não estava falando da moral cristã.
Ele dizia que aquela era uma moral universal. Ele pretendia, ao analisar o ensino de Jesus, trazer a essência daquele ensino moral para que servisse para a humanidade. E às vezes a gente faz o contrário, a gente fala não. Quase que a gente fala assim, não, a pessoa para estudar o espiritismo tem que primeiro se converter em cristão para depois ir a espírita. e isso é
completamente absurdo. Quer dizer, eu vou trabalhar com criança, com jovem, com adulto, na China, na Índia, e vou ter que obrigar todo mundo a se tornar cristão para poder estudar o espiritismo? Então, o espiritismo realmente fica, nessa visão, acaba ficando mesmo numa caixinha muito pequena, e não foi essa proposta de Kardec, realmente não foi
essa proposta. Eu tive, por exemplo, Terine, na minha carreira acadêmica de professor de direito e depois de professor de administração, alguns alunos de origem árabe, com familiares que tinham vindo e migrado para o Brasil. Eles nasceram no Brasil, naturalmente, mas tinham toda a herança, toda a carga genética, a carga cultural, a carga
religiosa do islamismo. E quando eles descobriam que eu era espírita, porque eu fazia palestras nas casas espíritas próximas da universidade, ou porque a gente discutia, ou porque uma vez nós fizemos na própria universidade um fórum sobre ciência e transcendência, para não falar nem doutrinar ninguém sobre o espiritismo, mas falar das conexões que você falou bem há pouco, que não encontrou na física nenhuma negação das leis ou das informações trazidas pelo
espiritismo, Muito pelo contrário, elas são o quê? Complementares, elas se somam, elas se encontram em pontos da nossa trajetória. Então eles vinham conversar, professor, estou interessado pelo Espírito, mas meu Deus, tu é judaico, tu é do judaísmo, tu é islamia, tu segue o Corão.
Não, não, não. mas nós não temos assim pelo menos aqui no Brasil a nossa família, nós não temos uma regra absoluta de que não podemos ver as outras coisas, não podemos conversar não podemos comparecer, pelo contrário então isso me surpreendeu positivamente e às vezes eu vejo no espiritismo o contrário disso então as pessoas dizem assim somos cristãos e não nos interessa nenhuma outra moral como se não fosse possível que isso conversasse umas e outras coisas Ô Nelson, eu quero
te botar na conversa também, para não ficar aqui só uma partida de pingue-pongue entre eu e o Terini. Essa ideia que o Terini muito bem explanou agora, isso é ciência, isso é metodologia da ciência espírita, quando Kardec privilegia dentro do evangelho a ideia da moral, como o Terini chamou atenção, ele nos dá uma ideia universal de Jesus e não uma ideia cristã, muito embora...
Tem um trecho, por exemplo, nas obras de Kardec em que ele diz assim, a bandeira que queremos desfraudar é a de um espiritismo cristão e humanitário, porque ele achou que o adjetivo cristão fosse a melhor, fosse o suprassumo, a essência da tradução do pensamento universalista.
Logo, para nós que seguimos Jesus ou aceitamos Jesus, dois terços da humanidade, nós sabemos, não aceitam, não conhecem, nem sabem quem é Jesus, o que ele fez, etc. Mesmo no mundo globalizado onde nós estamos hoje. Mas aí imaginar que essa ideia seja... não sei se o Nelson concorda, fragmentada... Ah, não, Kardec é cristão, porque diz assim, o nosso espiritismo é cristão porque Kardec usou a palavra cristão ou Cristo dezenas, centenas, milhares de vezes. Não é isso que nos causa, às
vezes, espécie, Nelson? Geralmente, quando o espírita, adotando... o sofixo cristão pensa que os ensinamentos dos espíritos e de Kardec se detêm na prática religiosa do cristianismo Kardec deixou bem claro o que é o espiritismo filosoficamente ele é uma religião ou não Ele se comunica. Nós não estudamos a fenomenologia e as inter-relações, as inter-existências, como o coronel fala, entre o homem e o espírito, e de todos os fatos
que demandam disso. Então, para você estudar a metodologia, você tem que ter uma análise racional. Você tem que ser racional. E Kardec era extremamente racional e criterioso. Quando ele usa o espiritismo cristão, ele está estritamente colocando a parte moral do cristianismo. Embora muitas pessoas que leem o Evangelho segundo o Espiritismo, até mesmo a Gênesis e o Céu e o Inferno, não entendem dessa maneira.
Entendem que ele queria, ele pretendia, ele pensava em transformar o Espiritismo em mais uma religião. Mas Kardec nunca quis isso. Por quê? A religião não se estuda. A religião é objeto de fé, fé cega. É dogmática. E o que é dogmatica? Não pode ser contestado. E não pode ser estudado e muito menos testado. Certo? Muito bem. Então, aproveitando esse recorte, essa contextualização que o Nelson fez, vamos jogar aquela pergunta que está ali na lista. A pergunta número três, sabe,
pessoal da produção? Toda ciência possui um objeto. Qual seria, Terine, o objeto da ciência espírita? Então, o objeto da ciência espírita é claro, Kardec deixou claro, na própria definição do que é o espiritismo, que é uma ciência de observação. Observação do quê? Observação dos fenômenos mediúnicos, dos fenômenos chamados espíritas de comunicação entre espíritos desencarnados e espíritos encarnados, segundo uma metodologia que tem aí as suas nuances.
Kardec adotou uma metodologia que foi muito inspirada na metodologia usada na época nas ciências naturais, que era uma metodologia inspirada na própria ideia galileana.
Galileu trouxe do que é uma ciência, em que você observa um fenômeno, constata a existência dele, verifica se ele se repete, observa as características do fenômeno, tenta levantar alguma hipótese sobre o que aquele fenômeno funciona daquela maneira, verifica se essa hipótese, que consequências essa hipótese traz, vai na prática verificar se a consequência acontece na prática mesmo, senão reformula a hipótese e vai construindo uma teoria, vamos chamar assim, ou uma, até chegar
numa lei, né, a lei seria já algo mais consolidado depois de vários experimentos. Então, Kardec usou isso, adaptado, claro, ao tipo de objeto, né, que que envolvia não a queda de um corpo solto na atmosfera, mas comunicações através de médiums, que são pessoas que têm limites, emoções, contextos e uma série de coisas que interferem, ele levou em conta isso para chegar nas conclusões que ele pôde chegar no tempo que ele fez a sua pesquisa.
É só retomando um pouquinho aquilo que o Nelson falou, que eu acho que tem relação com isso que a gente está falando. A pesquisa científica, mesmo até alguns séculos antes de Kardec, século XIV, XV, uma boa parte da pesquisa científica era atributo da igreja. Por exemplo, quem pesquisava o céu O céu era algo sagrado, porque era no céu que estava Deus, que estavam os anjos, que estava, enfim, tudo aquilo que era previsto na doutrina cristã católica, no caso,
principalmente. Então, quem é que teria competência para estudar o céu? Eram astrônomos, mas astrônomos da igreja. Eu lembro uma vez que eu assisti uma peça de teatro sobre o Galileu, uma peça, acho que do Goethe, se não me engano, inspirada no trabalho do Goethe. E numa cena, o Galileu, que era uma artista muito importante, ele chamava os astrônomos da igreja porque ele tinha aperfeiçoado uma luneta e ele queria que os astrônomos
observassem na luneta as luas de Júpiter. e ele chamou os astrônomos, então tinha cena, vinham os astrônomos, no caso dois, e ele falava assim, olha, então, por favor, olhem aqui, e os astrônomos chegavam para ele e falavam assim, mas espera um pouquinho, isso que nós vamos observar contradiz alguma coisa
dos livros de Aristóteles? porque eles se baseavam no Aristóteles. E aí o Galileu diz assim, o Galileu fica surpreso e fala assim, eu não sei se contradiz, eu só gostaria que vocês observassem o que eu já vi. Aí eles falam, não, mas... Aí eles diziam, mas espera um pouquinho, se não se contradisse, se contradisser alguma coisa que está no livro de Aristóteles, então é algo que nós não devemos mexer. E se não contradisse, então é inútil porque já está escrito no livro do Aristóteles.
Então, para que nós vamos olhar? E deram meia volta e foram embora. Não conseguiu nem que eles olhassem na luneta que mostrava as luzes de Júpiter, porque ele queria mostrar que não era só a Terra que girava, etc. Então, veja que a ciência tinha um caráter muito... sacro,
limitado. Os geólogos da época de Kardec, ou de um pouquinho antes da época de Kardec, aqueles que tinham já descobertos as camadas geológicas, os extratos nos terrenos, e depois que descobriram os fósseis, etc., existiam geólogos que tentavam alinhar aquelas descobertas aos sete dias, seis dias da criação. E existia uma briga entre geólogos que eram mais do pensamento livre e outros que eram de pensamento mais voltado para o dogmatismo. E eu estou colocando isso por quê?
Porque Kardec fez questão de colocar nas suas obras, na sua pesquisa, toda a sua pesquisa, para e passo com as conclusões mais novas da ciência da época dele. Então ele usava um método que era um método que se usava nas ciências naturais, claramente adaptado, mas ao mesmo tempo ele fazia questão de mostrar que essas coisas conversavam,
dialogavam. Incrível que no Evangelho segundo o Espiritismo, no primeiro capítulo, tem uma mensagem de Kardec que ele diz que a ciência e a religião até então se conflitavam, mas que isso era por um problema de erro de observação, porque tanto assim os fenômenos científicos quanto os fenômenos espíritas derivariam do mesmo Deus, então eles não poderiam se contradizer. Então, se havia uma contradição, é porque existia um erro de observação, ou um exclusivismo de um lado ou de outro.
Então, veja que a visão dele era unificadora, não era uma visão de conflito. Acho que ficou bem clara a resposta, né, Nelson? Então vou aproveitar e jogar uma outra pergunta em cima. A produção é a pergunta número dois, que fala também do objeto da ciência a partir de uma definição de Allan Kardec, quando ele diz que o Espiritismo seria uma filosofia espiritualista de bases científicas e consequências morais.
Então, essa ideia aí mostra a correlação entre os três pontos fundamentais do Espiritismo. O ponto filosófico, que é a teoria, o ponto científico, que é a prática, e o ponto moral, ou se a gente pode chamar até de ético, que é a consequência desse conjunto todo. Então, Nelson, partindo desse pressuposto, quais seriam as bases científicas? Ou seja, se o Espiritismo é uma ciência, se o Espiritismo tem um objeto... Obrigado, produção, por colocar a pergunta agora na tela. Valeu.
Então, qual seria essa definição, essa contextualização, essa relação das chamadas bases científicas do Espiritismo? Veja que uma questão está amarrada na outra, né? Bem, eu entendo que Kardec é muito claro na sua colocação sobre a ciência. Como Terini disse, a base da ciência espírita é toda calcada
sobre a ciência natural. E Kardec, como ele desenvolveu todo o esquema, toda a teoria sobre o livro dos espíritos, ele simplesmente... catalogou, equiparou, analisou várias e várias mensagens para chegar a um denominador. Isso é uma ciência, isso é ciência. E após isso, ele começou a fazer o quê? A base da testagem. Ele começou a testar as mensagens, testar os espíritos que transmitiam. tem todo um aspecto científico no trabalho de Kardec.
E o aspecto moral, lógico que tem o filosófico também, mas o aspecto moral é justamente o que eu tinha citado anteriormente, é a inter-relação, a inter-existência, a troca de expressões entre o homem, material, e o espírito. E os conhecimentos que podem ser ou não adquiridos, porque eles podem, dependendo do conhecimento do espírito, ele
pode ser positivo ou não. Isso cai também dentro do trabalho de testagem de Kardec. E tem que haver, como Kardec dizia, tem que haver o bom senso e a análise crítica. Tudo isso é uma metodologia. Muito bem. Olha só. Os posicionamentos de vocês estão muito ricos hoje. Penso que está havendo uma
convergência de ideias. Ricardo, quando você falou há pouco da luneta de Galileu... E a ideia de chamar, ó, vem cá, os padres, os frades, os bispos, aquele pessoal todo de batina, de honras e glórias e tal, vem cá, vem aqui, eu tenho uma lunetinha aqui para mostrar uns planetas, uns sóis, uns... com satélites, vem cá, vem. Não, a gente já conhece isso. Isso aí Aristóteles já falou, não tem nada de novo.
Isso repercute hoje em dia, Ricardo, quando a gente conversa com as pessoas sobre as obras espíritas, que a gente chama de obras fundamentais, porque não existe nada básico, se a outra invenção do movimento espírita brasileiro... para confundir, colocando algumas obras em proeminência em relação às outras. Aqui no SK, a gente diz que Kardec escreveu trinta e duas obras. Lá no nosso site está listado, por ordem cronológica, as trinta
e duas obras que ele escreveu. Então não é cinco, não é três, não é dez, não é doze, como se vê por aí. São trinta e duas e ponto. E não tem uma melhor do que a outra, não tem uma superior à outra. Tudo é espiritismo e tudo precisa ser lido, estudado e entendido. Porque senão Kardec não teria feito isso. essa metodologia da ciência e essa construção
filosófica. Mas aí a gente conversa com muitos Espíritos e eles dizem assim, não, porque as obras de Chico, e nós respeitamos muito Chico pela envergadura espiritual dele, pelo trabalho de popularizar. Quando Kardec, lá na Revista Espírita, fala que os Espíritos deveriam se preocupar com os meios de popularizar o
Espiritismo, lembra disso? Chico Xavier encarna isso, assume isso e difunde o Espiritismo através das cartas consoladoras, através do atendimento das pessoas carentes, através dessa sociabilidade da mensagem espírita, como ninguém fez, nem igual, nem melhor, nesse mundo. Então aqui o nosso tributo ao querido médium Chico Xavier. Mas as pessoas não sabem separar as coisas. O critério de aferição das mensagens de Kardec não é o mesmo critério que foi feito com as obras de Chico.
Então as pessoas vêm dizer para nós o seguinte, não, porque existem colônias, existem vales, existem umbrais, E não vão com a luneta. Não, não quero ver a luneta. A luneta vai levar ao que Kardec falou a respeito, ao que está no céu e inferno, por exemplo, sobre os mundos invisíveis, os mundos imateriais, mas eles não querem ver, eles não querem ir
na luneta. porque eles acham, eles estão sentados no seu conforto, na sua zona de conforto das ideias, e não querem descobrir o que já foi dito, mas que precisa ser também redito e ampliado. Não é qualquer informação vinda dos Espíritos, disse Kardec, ouvindo Erasto, que nós vamos considerar como verossímil. Isso é essencial. Então esse ponto, associado ao comentário que o Nelson fez aqui, é exatamente o que a gente propõe para o Espiritismo.
Eu não estou dizendo que o viés de leitura, de entendimento de João, de Pedro, de Maria, de Josefa, é ruim. Eu não estou querendo contrapor o nosso com o dele. São visões, mas eu não posso chegar e dizer assim, não, não, isso que Kardec falou está ultrapassado porque depois veio a obra de Chico e disse que existem coisas que não estão lá na obra de Kardec e, portanto, nós vamos ficar com Chico. E é isso que o movimento espírita faz.
E o Herculano tinha uma expressão muito interessante, sabe, Terine, você deve conhecer, para esse tipo de pessoal que está ávido pelas coisas novas, que quer coisas que falam de espiritualidade, de espiritismo, diferentes, porque Kardec é rococó, Kardec ficou parado lá no século XIX, dizem eles. Então, Herculano se referia a esse povo, a essa gente, nossos amigos, claro, a gente esbarra com eles nas casas espíritas, nos grupos espíritas, a gente
quer bem todos eles. mas Herculano dizia que esses aí são os espíritas novidadeiros, que querem trazer coisas novas, mas que não passam pelo crivo da lógica, do raciocínio, da principiologia espírita. Você também pensa assim? Pois é, é complicado, é bem complicado, porque na época de Kardec já existiam livros psicografados.
Kardec tem alguns, inclusive, que ele fez propaganda, médiuns do grupo dele tinham já recebido livros, coisas volumosas, informações volumosas, e ele até dizia, olha, está vendo que interessante, fulano falando sobre o rei, sobre o Carlos IX, sobre a vida da Joana d'Arc, mas não tomava aquilo como a expressão da verdade, mas ele tomava aquilo como mais uma manifestação de um espírito, ou mais um espírito, através de um determinado médium, que vinha se somar.
Claro, na hora que você faz análise de vários espíritos por vários médiums, aquele é um deles, ou dois, ou três, enfim. Entra naquilo que vai ser analisado, mas não é o portador da verdade única. Isso não tem sentido. Uma metodologia científica, de fato, em nenhuma ciência, vai colocar no colo de um experimentador, de um cientista, o privilégio de trazer toda a verdade. em nenhuma ciência isso existe, nas ciências atuais e mesmo na época de Kardec.
Então, toda análise científica implica em uma análise em que se olha várias evidências, para se chegar a uma formulação, um entendimento. Veja que o próprio Kardec, se a gente for analisar o processo dele, ele também não se arvorava o omniconhecimento, quer dizer, ele não dava a palavra final de tudo. Nós vemos vários exemplos na Revista Espírita, por exemplo, em que ele reformulou a própria
explicação que ele tinha tomado. Quando ele vai ver a teoria das manifestações físicas, ele dá uma explicação para as manifestações mediúnicas físicas, ele dá uma explicação, aparece lá na Revista Espírita, isso logo, acho que na primeira versão do livro dos médios, ou quase um pouco antes.
Mas logo depois, passando mais alguns meses, ele vem com uma outra... ideia da teoria das manifestações físicas, em que ele fala, olha, no número tal da Revista Espírita nós dissemos isso assim, assim, mas outras observações mostraram que aquilo que nós concluímos lá não era suficiente, não explicava todos os fatos, esse é o ponto, uma teoria para ser adotada, precisa explicar, se não todos, pelo menos todos os fatos conhecidos,
a maioria dos fatos, Então ele, tendo consultado mais espíritos, tendo outras fontes, ele viu que tinha explicação um pouco melhor. Ele reformulou. colocou no livro dos médiuns, numa outra edição, uma explicação mais plausível. Isso aconteceu também com a questão da possessão, nós já sabemos disso também, como ele mudou de ponto de vista. Então, a atitude de Kardec, ao longo do pouco tempo que ele desenvolveu o trabalho dele com as pesquisas espíritas, foi
muito científica. Ele conta aquele caso também, de que ele não acreditava que um espírito desencarnado pudesse
ignorar que estava desencarnado. Ele conta isso na Gênesis. ele não acreditava que isso era possível, e os espíritos fizeram, provocaram manifestações de espíritos, de vários espíritos, que ignoravam que estavam desencarnados, e aí ele diz assim, pela repetição desses fatos, foi possível constatar que era uma possibilidade, que haviam espíritos que ignoravam que estavam desencarnados. Então nós mudamos a nossa opinião em função dos fatos que
nos apresentavam. e ele sempre colocava essa questão, o fato é o ponto que confirma cada explicação. E interessante que, só para concluir, porque eu tomei meu aluno, desculpe, mas no Evangelho segundo o Espiritismo, que é um livro em tese só de moral, Kardec, nós tivemos aí no Inlipi, o companheiro Alexandre Fonseca, ele identificou em quase todos os capítulos do Evangelho segundo o Espiritismo,
um fundamento científico. O artigo dele era a ciência do Evangelho segundo o Espiritismo. Quando que alguém, né? No movimento espírita mais religioso, vai dizer que no Evangelho segundo o Espiritismo tem ciência? Fala, não, isso é absurdo. Evangelho segundo o Espiritismo é um livro religioso. Mas você vai, tem ciência. Por exemplo, ele fala sobre... No capítulo três, ele vai falar dos mundos, né? E ele usa noções de astronomia
quando ele fala dos mundos. Quando ele vai falar de mediunidade, mais para frente, ele usa coisas que ele desenvolveu no livro dos médiuns. Então, quer dizer, essas coisas estão interligadas, elas não devem ser estantes, e ninguém tem o condão de ser o dono da verdade, o único canal da verdade. Não deveria, né? Nós já já vamos falar de astronomia, que é a pergunta nove da nossa relação.
Mas antes eu quero trazer o Nelson para essa conversa, para essa ideia de que não é por estarmos desencarnados que nós temos ciência de todas as coisas, que isso é uma outra ilusão que se plantou no mundo... chamado do meio espírita, acreditando, ah, não, quando a gente desencarna, a gente tem consciência de toda a realidade espiritual. E tudo que a gente esquecia do passado pela limitação dos sentidos físicos, todo mundo vai saber.
Então, até jocosamente, as pessoas na casa espírita dizem assim, Terini, Ah, esse é evangélico, esse é protestante, esse é católico e não acredita em reencarnação? Quando eles desencarnavam, chegavam a bater no ombro deles e diziam assim, menino, menina, espera um pouquinho aqui, um bocadinho, como a gente diz aqui no sul, espera um bocadinho aí, que já já tu vai reencarnar, como se isso fosse assim, né? um átimo de despertar espiritual de todos pela condição da morte.
Kardec diz o contrário nas suas obras. Diz cabalmente que nós continuamos a ser do outro lado
da vida exatamente o que fomos aqui. com as nossas preferências, gostos, pendências, idiosincrasias, limitações, com as nossas crenças limitantes, que é uma palavra que está em voga agora, todo mundo fala em crença limitante, pois o espírito encarnado, a alma propriamente dita, o ser humano, está cheio de idiosincrasias, está cheio de limitações no seu pensar, E a condição de desencarnado não eleva ninguém na escala espírita, não torna ninguém
melhor do que é, nem com melhor compreensão. Daí, é a gente gostar muito aqui no ECK, Ricardo, de recomendar o filme Os Outros. que é uma película americana que fala sobre as inter-relações entre os dois mundos, ou seja, entre os vivos e os mortos. E sem dar spoiler, porque deve ter gente que ainda não assistiu o filme, mas a dimensão no final do filme mostra que essas duas humanidades, a encarnada e a desencarnada, não moram no nosso lar. Não moram no umbral. Moram todos aqui.
Ou seja, estão esbarrando aqui dentro de casa com espíritos. Eu vou para a escola, eu vou para a faculdade, eu vou para o trabalho, eu vou no supermercado. Está ali todas as humanidades, a encarnada e a desencarnada, se esbarrando o tempo todo. E é por isso... que nós temos exatamente a ideia, que Herculano, mais uma vez, chama de mundividência, ao se referir primeiro a Chico e depois a todos nós. Nós somos mundividentes, por
quê? Porque nós estamos ao mesmo tempo nas duas realidades sensoriais, na realidade física e na realidade espiritual. Vamos chamar o Nelson para essa prosa, para perguntar para ele o seguinte, que é a pergunta que eu prometi lá no início, quando a gente falou de ciência espírita, e na primeira intervenção do Terini, ele falou sobre essa ideia da ciência espírita estar associada a um determinado ponto, um conceito, a uma área do espiritismo, se
assim podemos dizer. Então, Nelson, produção é a pergunta número dez. Só existe ciência espírita, ou só se pode falar de ciência espírita na mediunidade? Ou existem outros elementos, outras questões que podem ser tratadas como se fosse ciência espírita no espiritismo? Justifique aí a sua resposta, meu querido decano. Bem, como eu disse, eu tenho um maior conhecimento a respeito do segmento mediúnico, né? Mas a ciência espírita abrange tudo. Ela é abrangente.
Ela vai desde a criação, como está na Gênesis, até a vivência, que está no Evangelho, e terminando no seu inferno, o resultado das existências materiais para as espirituais. Tudo isso foi testado, tudo isso foi analisado, tudo isso criteriosamente colocado. E toda a obra kardesiana, está bem claro lá, a ligação entre a ciência espírita, ela é fortemente embasada, como Terini disse, na ciência natural. E ele enche de ser ciência por isso. Não, né? Não deixa de ser ciência.
Existe um pressuposto no meio espírita que entende, compreende errado esses três livros que nós dissemos. Porque é assim, nós temos o livro dos espíritos, que é a parte filosófica. Nós temos os livros dos médiuns, que é a parte a parte técnica, a parte estudiosa dos fenômenos. Então, por aí, você já tem todo um esquema, toda uma linha de pensamento probatório das teorias. Então, para que nós compreendamos a ciência existente no Espiritismo, nós temos que ler as obras.
E não sortear trechos para estudá-los aleatoriamente. Porque são uma sequência. Existe uma sequência. Complementada pela Revista Espírita também é a parte experimental. E todos nós sabemos que nem tudo Kardec colocou nas obras fundamentais. Por quê? por causa justamente da testagem das teses e das teorias. Como ele não conseguiu testar as teses nem as teorias, ele não colocou. Então Kardec aplica a ciência desde o princípio, até mesmo na parte filosófica. Beleza.
Olha só. Vou chamar o Terine para essa... para essa conversa de botiquim também, Terine, para... A partir das colocações do Nelson, lembrar que Kardec estava preparando um novo livro que ia aproximar a ciência espírita da ciência material, mas presentemente na ideia do magnetismo, magnetismo animal, que ele estudou até mesmo antes de se, entre aspas, converter ou convencer da realidade espiritual. O livro estava sendo já
publicado. Já tinha alguns materiais, alguns textos produzidos, algumas comunicações mediúnicas que depois acabaram sendo incorporadas às outras obras, nas edições futuras, ou viraram páginas da obra exposta, ou até figuraram na revista Espírita mesmo depois do seu desencarne.
Então, a pergunta que eu fiz para o Nelson vale para ti também, Ricardo. Nós só podemos falar em ciência espírita a partir da experimentação mediúnica ou haveria outros quadrantes, outras áreas onde a ciência espírita estaria também evidenciada? Então, eu penso da seguinte forma, vamos aqui resolver a situação, vamos colocar mais alguma lenha na fogueira. A ciência dita espírita, denominada espírita, nasceu com
Kardec, com essa denominação. Agora, o escopo da ciência espírita, o objeto da ciência espírita, já foi objeto de análise de outras pessoas também, tanto antes de Kardec quanto principalmente depois de Kardec.
O que Kardec inovou foi assumir para a ciência os fenômenos chamados espíritas mediúnicos ou, enfim, mais tarde anímicos também, depois a gente vai colocar isso, assumiu uma metodologia que as ciências naturais, as ciências da natureza, adotavam para os fenômenos da natureza, tanto químicos, físicos, ou botânicos, enfim, biológicos, e nem por isso, aí tem um detalhe, nem por isso, veja, porque a gente diz assim, a ciência materialista, Mas a ciência é materialista?
Ou os cientistas é que são às vezes materialistas ou não? A ciência em si é o resultado das pesquisas. Eu vejo um fenômeno, eu vejo alguém se manifestar através de um médium, eu vejo o médium mudar de voz, por exemplo, ou trazer uma informação que ele não conhece, eu posso
interpretar aquilo de diversas maneiras. eu posso interpretar aquilo como sendo a mensagem de uma outra inteligência, eu posso interpretar como um médium estando captando informação, ele mesmo, das pessoas presentes na sala ou de outros lugares, eu posso interpretar como um fenômeno de múltipla personalidade do médium, tem uma série de interpretações
possíveis. A gente pega lá um dos primeiros capítulos do livro dos médiuns, Kardec analisa o que ele chamou de sistemas, que eram os sistemas de interpretação dos fenômenos ditos mediúnicos, e ele vai refutando aquilo. Muitos desses sistemas ainda tem pessoas que hoje levantam os mesmos sistemas, quer dizer, não leram isso.
Então, na verdade é isso, quer dizer, o fenômeno implica em várias possibilidades de interpretação, A interpretação que depois ficou incorporada à doutrina, ao escopo do espiritismo, é o que a gente costuma chamar de ciência espírita. A ciência é a análise de fatos. O fato espírita é tão fato quanto a queda de uma pedra, quanto a luz, quanto a radiação. É um fato da natureza. A interpretação é que cai numa escola.
Então... Eu, pessoalmente, discordo da ideia de dizer a ciência é materialista. Não, a ciência, existe uma grande quantidade de cientistas, na atualidade, que se renderam à explicação materialista, que é uma crença. Hoje existe uma escola muito interessante de pesquisa que coloca que o materialismo é uma crença, porque você não consegue... O que diz o materialismo? Que todos os fenômenos que acontecem poderiam ser explicados pelas leis da
matéria, do campo material. Todos, inclusive os mentais, ditos espirituais, etc., Mas quando você diz que todos os fenômenos podem ser explicados por isso, do ponto de vista científico, essa afirmação não tem sentido, porque experimentalmente ninguém consegue fazer experimentos com todos. os fenômenos, porque todos é uma infinidade de fenômenos que acontecem na natureza. Então, dizer que todos os fenômenos são explicados pela matéria é uma inferência filosófica, não uma prova
científica. Então, o materialismo é uma filosofia, cai no campo da crença. Eu acredito, eu posso ter essa crença, eu acredito que todos os fenômenos são explicados só pelas leis da matéria, das ciências materiais. E só, né?
Agora, veja que Kardec tinha uma formação, que agora vai ficando mais clara aí com as pesquisas mais recentes aí dos documentos que acharam e de pesquisas historiográficas, né, que têm sido feitas, ele tinha uma formação muito, exatamente, polimática, né, ele tinha o liceu, que ele fundou lá, o liceu polimático, e ele tinha uma formação polimática, ele era membro de várias sociedades científicas, desde sociedade de gramática até sociedade de história, de ciência natural,
ele tinha uma visão muito grande e ele dava aulas no liceu polimático desde astronomia até gramática francesa. Hoje em dia é algo inimaginável, alguém que vai dar aula de astronomia e de geografia. A formação hoje não é assim. Ele tinha essa possibilidade. Então, por conta disso, ele foi um pouco além nas suas pesquisas. Quer dizer, quando ele foi pesquisar os fenômenos das mesas girantes, oco-médios, etc., ele percebeu respostas que ele diz lá na... Está no Obras Póstumas, na
segunda parte, né? Ele diz que eram respostas inteligentes. Ora, quando eu vou pesquisar a queda de um corpo, quando eu vou pesquisar o raio-x, a luz, o magnetismo, mineral, eletricidade, os fenômenos não são inteligentes, eles são mecânicos. eles são fenômenos muito admiráveis, de leis admiráveis, mas eles não variam, eles não têm criatividade, eles são mecânicos respondendo aquelas leis que são as leis pesquisadas.
Na hora que ele teve contato com as inteligências que se manifestaram, ele percebeu que ali tinha que ir além. E quando ele ia lidar com as inteligências, ele teve que adotar uma outra metodologia, não só a observação. Aí é que nasceu a ideia da comparação, das opiniões, etc., para verificar quais seriam as tendências, as coisas mais racionais. Então ele já estava no campo da filosofia, do que a gente chama de filosofia.
Então ele foi um cientista que começou analisando um fenômeno material e migrou... com bastante racionalidade, com bastante senso científico, para uma análise filosófica. Depois de Kardec, muitos pesquisaram os fenômenos mediúnicos ou anímicos, muitos, na Inglaterra, na Alemanha, mesmo na França, mas cada um, a maioria, cada um deles se ateve à sua especialidade. não invadiram muito as questões
filosóficas. Então, era o Richer na parte fisiológica, era o Lodge na parte física, era o outro... Então, as coisas ficaram um pouco mais restritas nessa parte filosófica em que Kardec avançou. Mas não quer dizer que as pesquisas que vieram depois não poderiam se enquadrar também na dentro do contexto das ciências
espíritas, né? Elas adquiriram outros nomes, ciências psíquicas, mita psíquica, ciências parapsicológicas, mas eram fenômenos que tinham a ver com a alma do encarnado ou do desencarnado e a interação entre elas, né? Quero fazer dois aportes nessa tua panorâmica geral, que foi feita, muito bem feita, sobre a ideia da possibilidade de... do conhecimento como é um qualificante do espírito. O conhecimento não está em um determinado lugar e você vai lá como se fosse uma prateleira de
supermercado e adquire. O conhecimento não está situado em uma igreja, em uma academia, em uma universidade, em um livro, em uma enciclopédia. Hoje, na IA, Na inteligência artificial, não. O conhecimento é o que você faz com a informação, para ver se ela produz resultado em si mesmo e produz resultado nos outros. Isso é pontual hoje na discussão científica da modernidade, que você está na área da física, eu estou na área da administração, e a gente discute todos os dias.
Então, a partir disso, Terine... A ideia de pesquisa historiográfica precisa ter também uma cautela metodológica científica. Não é porque o indivíduo acessa algo manuscrito que tem a prova de ser da caligrafia de Kardec, que aquilo passa a ser colocado como ao lado do edifício principiológico e fundamentológico do Espiritismo, devagar com a dor que o santo é de barro. Segundo, uma coisa é você acessar o documento, preservar o documento, traduzir o documento e publicizar o documento.
A outra, muito diferente e cautelosa da nossa parte, é pegar a informação e interpretar. Por quê? Porque a interpretação está sujeita ao personalismo. A interpretação está sujeita ao juízo individual. Juízo esse de valor. Então, qualquer estudioso, qualquer pesquisador não pode desobedecer, não pode deixar de lado as premissas científicas. Que premissas são elas? Cada ciência estabelece as suas. Um exemplo bem clássico que é o que o SK tem se batido nisso.
Pode ser reconhecida uma obra alterada diante da original após a morte de Allan Kardec? Não. Não. Peremptoriamente, não. exceto se houver uma prova cabal de que aquele conteúdo foi escrito, terminado e enviado para uma fonte produtora para que o livro se tornasse o novo compêndio, a nova edição autorizada e oficial de Allan Kardec. Então, a questão não é historiográfica. A questão é jurídico legal e jurídico documental. Então, esse é um ponto.
Agora, outra questão que você levantou, de que Kardec era membro de vários liceus acadêmicos, de várias academias de ciência, isso é uma realidade incontestável, porque os documentos atestam que ele assinou atas, que ele está listado entre os membros fundadores ou partícipes das entidades, etc., etc., Veja que alguns biógrafos de Kardec, não é Nelson, Nelson é o nosso especialista para estudar as comunicações e as biografias de Kardec.
Alguns biógrafos chegaram a afirmar de uma forma não definitiva, mas uma suspeição, que Kardec era médico. Kardec teria sido formado em medicina e muitos companheiros até hoje repetem isso, inclusive no âmbito da Academia Médico Espírita ou da Associação Médico Espírita do Brasil, eu escutei várias pessoas dizendo, não, Kardec era médico, não.
Kardec estudou anatomia, Kardec estudou magnetismo e, portanto, no curso de medicina ele estava habilitado a dar aulas de anatomia e de magnetismo para médicos. Mas ele não era formado em médico, ele não tem diploma de médico. E naquele tempo, século XIX, metade do século XIX, um pouquinho antes de quando ele estudou, quando ele se formou, na universidade, nas academias da época, o ensino não era tão departamentalizado como temos
hoje. Hoje nós temos, dentro de uma ciência, a sua física, a minha, direito ou administração, a do Nelson, economia, uma departamentalização sem fim. O indivíduo é especialista do especialista do especialista. Ele vai lá no âmago de uma determinada área e se torna especialista naquilo. E aí ele entende muito daquilo e não entende quase nada de todo o outro contexto que está dentro do ramo científico. Isso é limitação humana. Então hoje, no século XXI, onde a ciência fez isso, o
espiritismo não pode fazer isso. Entrar para dentro de si mesmo, se retrair e achar que é o suprassumo da verdade, como muitos companheiros espíritas acham. Ah não, os espíritos têm um conhecimento superior, logo a ciência jamais vai igualar, quer dizer, superar o espiritismo. Vai, e vai bastante. Porque o Espiritismo, se nós quisermos contextualizar mesmo, ele praticamente termina em mil oitocentos e sessenta e nove, enquanto uma doutrina, uma
filosofia organizada. Aí nós temos trabalhos, você citou vários há pouco, de pesquisadores contemporâneos de Kardec que se enfronharam, se mergulharam em determinadas áreas e desenvolveram além do que Kardec pensou. Por isso, e aí fechando o comentário que eu queria fazer, sem me alongar muito, o Espiritismo precisa estar em movimento, assim como a ciência está em movimento. Como é que a ciência está em movimento?
Todos os dias são debatidas, aprovadas ou rejeitadas teses nas áreas científicas da atualidade. Uma tese que é reconhecida até hoje, dia dezesseis de novembro de dois mil e vinte e quatro, no dia dezoito, que é segunda-feira, pode ser apresentada numa academia, numa universidade qualquer do planeta, uma tese que vai refutar completamente isso que nós acreditamos até agora.
Por isso Kardec elencou como necessidade real, como necessidade inafastável do Espiritismo, progredir em si mesmo, progredir a partir do diálogo com os Espíritos, de novas evocações, de novas teorias, de novas produções, de novas mensagens mediúnicas não aceitas a rodo, mas comparadas com o edifício fundamental dos princípios espíritas.
Por que então, Terine, o movimento espírita se torna cada vez mais dogmático, se fecha ao novo, de dentro e de fora, e passa a adotar uma postura eminentemente religiosa, quando não sacerdotal, para dizer, ah, o espírito X é luminar. Vou dar um exemplo. André Luiz é um espírito luminar. Emmanuel é um espírito luminar. Bezerra de Menezes é um espírito luminar. Logo, tudo que vier deles é verdadeiro.
E tudo que vier de cada médium que psicografar ou psicofonizar uma mensagem dessas criaturas, espíritos amigos nossos, espíritos que passaram pela Terra como nós estamos passando, vai ser posto numa condição de tábua final de lugar de destaque e não poderá ser contestado por ninguém.
Antes só de responder isso, eu queria um minutinho só dizer que também não é uma questão que daria para a gente discutir hoje, acho que para isso, mas eu tenho acompanhado algumas pesquisas historiográficas que têm sido feitas nos últimos anos, e assim, não vou entrar no mérito da questão, mas Agora, para os meus critérios, elas têm sido satisfatórias, né? E elas têm demonstrado algumas coisas interessantes aí, que
estão... Claro que sempre é aquilo que você falou, qualquer documento, qualquer evidência é sempre sujeito a análise e interpretação, de qualquer lado, de qualquer pessoa, né? então sempre tem alguma narrativa, mas tem sido muito interessante essas pesquisas.
Como tem sido interessante também, muitas pesquisas que ficaram conhecidas agora nesses últimos anos, por conta da internet, né, que têm sido feitas na academia, em áreas como ciências da religião, não é, aquele artigo nosso que foi publicado na revista Horizonte, né, do Espiritismo e o Progresso da Ciência, veio junto com outros tantos, e aquela revista é uma revista de ciências da religião.
Eu, pessoalmente, nunca tinha escrito uma revista de ciências da religião, mas foi interessante, porque é um assunto que estava se debatendo em vários pontos de vista ali.
A sociologia tem teses a respeito do Espiritismo, Na psiquiatria tem várias, você citou o caso do doutor Alexander Moreira, lá no NUPES, da Universidade Federal, tem um grupo muito grande ali de orientandos dele que faz pesquisa sobre memória extracerebral, sobre memória de reencarnação, sobre mediunidade, uma série de coisas.
Então, hoje tem um volume de pesquisa que a gente não via, inclusive na área de história também, que a gente não via antes, e O viés é aí de cada ciência, claro, mas existe pesquisa nisso. Claro que o espiritismo, na sua pergunta, claro que o espiritismo, nós não podemos assumir a posição ingênua de que o espiritismo explica tudo. Não tem sentido imaginar isso. Qualquer fenômeno da natureza, o
Espiritismo explica tudo. Se fosse assim, o próprio Kardec não tinha se valido das outras ciências que existiam na época dele para ajudar a explicação. Ajudar na própria explicação das questões que têm a ver com o Espiritismo.
Então, quando Kardec vai analisar, por exemplo, a criação, lá na Gênesis, ele vai buscar... ele vai buscar os conceitos da astronomia, para poder analisar, porque a criação tem a ver, criou primeiro a Terra, depois o céu, depois é o céu, a Lua, envolve conceitos que são estudados na astronomia. Depois ele foi buscar geologia... porque falava das camadas, etc., da Terra. Depois ele foi buscar biologia, porque falava da escala dos seres vivos.
Ele foi buscar conhecimento da química, porque falava de reações químicas, da física, da astronomia. Ele foi buscar os conhecimentos que eram disponíveis na época. E, a meu ver, essa é uma das maiores sacadas de Kardec. é ele não ter tido bloqueios em buscar a ciência como parceira. Nenhuma religião até então, nenhuma seita religiosa até então, se colocava ao lado da ciência, se colocava contra as ciências, ou ignorando as ciências.
Kardec foi o primeiro que buscou a ciência como parceiro. E é isso que falta hoje. As pessoas abandonaram essa parceria. e trabalham com o espiritismo nas obras de Kardec. Vamos pegar o que há de melhor nas obras de Kardec, como se aquilo fosse a expressão da verdade total e imutável. E quando vão buscar alguma coisa a mais, vão buscar por novidade, como o pessoal estava falando, as novidadeiras. Então, é novidade André Luiz em relação a Kardec, porque veio
depois. Mas caramba, André Luiz não era nem espírita quando encarnado. Depois ele veio trazer a visão dele do mundo espiritual, e aquilo, já por causa dessa visão dele, que ele se maravilhou com aquilo, passa a fazer parte do corpo de doutrina, quer dizer... é algo que não tem cabimento, né? O problema não é o André Luiz trazer as informações. O André Luiz até é um bom narrador, né? A gente lê livros dele e fica até comovido muitas vezes com certas narrativas.
Ele é um bom narrador. Ele tem até um certo rigor em alguns aspectos que ele coloca. E isso é perfeito, é uma boa contribuição. O problema é todo mundo achar que aquilo é expressão da verdade única. Uma atualização de Kardec. O problema está nos outros que leem, né? E também está, desculpe, está também nas instituições que colocam essas obras como expressão de obras de continuação de Kardec.
Então, a isso, claro, se vem uma federação brasileira ou de qualquer lugar dizer para mim, eu que estou iniciando no Espiritismo, olha, esse livro é a continuação de Kardec, é a Eu não tenho conhecimento nenhum, eu vou dizer que não? Então, isso acaba formando uma série de pessoas que têm uma informação distorcida, né? Nós vivemos um tempo bem complicado no sentido não da produção. Vamos imaginar que as premissas do Espiritismo, né, Nelson? Sejam, primeiro, liberdade de pensamento.
Segunda, liberdade de convicção. Isso é, entender que o pensamento dito por você ou por outro é genuíno, é verdadeiro, me satisfaz. E, portanto, eu estou convicto, estou convencido disso. E o terceiro é o de liberdade de expressão. Essas três premissas são inafastáveis, porque elas fazem parte da natureza humana e espiritual. Então, não estou dizendo aqui que o indivíduo não pode pensar, não pode ter convicção e não pode expressar essa convicção. O SK jamais diria isso.
O SK valoriza esses três pontos quando sendo kardesianos e mais que kardesianos, humanos. da nossa característica de humanidade e, claro, do exercício da ciência. Houve um tempo em que a ciência, você disse isso bem, era controlada pela religião. Houve tempos, e ainda há, em que as ciências em determinados estados ou países são aquelas que os seus governantes permitem e outras são rechaçadas. Mas nós vivemos generalizadamente no mundo num plano, num cenário de liberdade científica.
Então eu queria colocar o Nelson nessa questão justamente para a gente avaliar até que ponto... há realmente uma experimentação científica, porque a reunião mediúnica é uma experimentação científica, uma psicografia é uma experimentação científica, uma discussão fundamentada em qualquer ambiente, seja ele acadêmico ou não acadêmico, pode ser ciência, pode ter os atributos, as características de ciência.
Mas onde é que fica, Nelson, o limite entre a produção da ciência, a construção da ciência e a imposição de saberes, ou a imposição de convicções? E, além disso, a ideia de que nós temos que formar, vamos usar também um termo da moda, um rebanho espírita, em que todo mundo pense do mesmo jeito, todo mundo bata palma porque o outro disse, porque o outro tem um argumento, tem um argumento de fala, tem um argumento de
autoridade. Bem, uma das premissas, como você bem disse, Marcelinho, e que Kardec deixa claro, o espírita não deve ser uma máquina de crer. É um artigo interessantíssimo sobre isso, de Kardec. O espírita tem que ter bom senso, racionalidade e critério na análise. Tudo isso embasa-se no que nós chamamos de ciência. que faça a coletagem das amostras, a testagem das mesmas e os resultados possíveis ou não
delas. Na parte mediúnica, ela é amplamente utilizada nas mensagens espirituais, nas psicografias, até mesmo numa coisa pouco utilizada em termos ela é questionável da psicometria. A psicometria é um instrumento de estudo interessantíssimo, tanto quanto a mediunidade. Então, veja só, Kardec e todos nós praticamos a cada dia, a cada instante, numa reunião mediúnica, nós praticamos ciência. Por quê? Porque Nós tentamos analisar a mensagem que vem, bom senso e critério.
Ela é boa? Ela é má? Ela tem lógica? Ela pressupõe? Ela segue os pressupostos filosóficos do espiritismo? Ela segue os pressupostos da ciência? Isso não é praticado no meio espírita. Raras são as exceções, raríssimas. Então, dizer que o meio espírita hoje pratica a ciência espírita, noventa e cinco por cento não. Cinco por cento, sim. Ou talvez. Há uma ausência total de racionalidade. Kardec diz, é claro, que o livre pensar é o motor de todo estudo, de toda transformação, de toda
evolução. Você não tem amarras que te limitam. Muito bem, olha só, há uma ansiedade, Terine e Nelson, no próprio movimento espírita, de a gente dar por encerrada determinada conversação ou
determinado debate. As pessoas se acostumaram a não debater, até porque durante muito tempo, e eu sou do movimento espírita dessa época, o Terine e o Nelson também, foi dito ou foi recomendado que não houvessem discussões, porque as discussões levariam a dissensões, levariam a cismas e, portanto, a embates, ao invés de debates. E os embates poderiam provocar rupturas.
Eu sou de um tempo, Terine, em que duas pessoas, na reunião mediúnica, começaram a discutir tão acirradamente um tema interpretativamente, ou seja, a minha visão, a visão do outro, digamos, não era eu, mas dois personagens ali, dois médiuns, que em determinado momento da discussão, um se levantou, o outro se levantou, e se não fosse a turma do deixa disso, os dois médiuns teriam ido a vias de fato na reunião mediúnica. Não estávamos nós, felizmente, com a luz apagada.
Estávamos com a hora da luz acesa porque estávamos discutindo uma passagem de O Livro dos Médiuns. Mas veja a que ponto nós chegamos. Então, isso criou... uma ideia generalizada no movimento espírita de que debates, discussões são instrumentos da treva ou das trevas. São instrumentos dos espíritos inferiores. Quando Kardec fez exatamente o contrário. Discutiu, debateu, dissecou, voltou a discutir, voltou... O livro O QUE É O ESPIRITISMO?
é uma prova em contexto da qualidade de sparring, de debatedor de Kardec ao discutir com pessoas importantes. o sacerdote, o clérigo, etc., o cético, para tentar trabalhar
ideias e não impor convicções. Então, com isso eu quero dizer em relação, seja a historiografia, sejam as pesquisas acadêmicas, sejam os eventos como o próprio Enlip, esse ano eu participei à distância do Enlip avaliando um trabalho, a convite da coordenação, e foi muito rico para mim, eu já estive em três Enlips presencialmente acompanhando as discussões, não apresentei trabalhos.
E dessa vez eu não pude ir presencialmente, mas me passaram um dos trabalhos que eu aproveito e que ele foi apresentado efetivamente em plenário, foi um excelente trabalho. Justamente essa possibilidade de discussão é que tem que ser levada a ênfase, tem que ser valorizada. Mas não esquecendo que há duas premissas que caracterizam tanto a ciência material, física, instrumental, humana, quanto a ciência espírita. A primeira premissa é... Não existe ciência sem ética.
Se nós estivermos em alguma pesquisa, algum experimento, alguma situação, como tivemos no passado, vamos remontar à Segunda Guerra Mundial, experimentos científicos foram feitos no sentido de higienização do planeta, no sentido de formação de uma raça superior, que eram eticamente completamente desqualificados, eram aéticos. Então não existe ciência sem ética. Se eu estiver trabalhando em alguma área e pensar sem ética, já desqualifica, já descaracteriza completamente a
ciência. Eu penso que vocês vão concordar com isso. E o segundo é que nenhum estudo científico é desprovido de motivação. Então eu posso pegar o livro dos Espíritos e dizer... Aqui está toda a filosofia espírita e nenhuma vírgula do que Kardec colocou aqui pode ser posto em dúvida ou em
contrafação. Eu posso defender isso, eu vou ter uma motivação dogmática, sacramental, religiosa, de perenidade, de permanência e de não rechaço do que Kardec, como espírito dito superior, escreveu, fez ou compôs. E eu posso ter do lado dela uma outra motivação, dizendo... Kardec pensou, conforme o cenário, o contexto do século XIX, muito do que ele escreveu, apesar de conter informações espirituais, é o retrato da sociedade da época. Por exemplo, ele pergunta sobre o duelo.
O duelo que era uma prática permitida naquela sociedade. Você discorda do outro... você é afrontado pelo outro e o convida a duelar, e quem tiver maior capacidade sobrevive, e o que sobreviveu não vai ser condenado criminalmente, porque era uma prática validada pela sociedade daquela época. Então Kardec pergunta sobre isso e os Espíritos dizem que é uma prática que tem que desaparecer, como desapareceu das legislações, como desapareceu das conformações sociais, pelo
próprio progresso. Então alguém que tenha a motivação de contestar ou de contextualizar ou de entender que aqui não é tábua fundamental, que aqui não é regra fundante, que aqui não é definitude, vai produzir também um trabalho motivado. Isso é essencial, né, Terine?
Porque se nós não trabalharmos com essa ideia de motivação, nós vamos entender que estamos num mundo de fantasia, em que todos os espíritos são felizes, em que todos nós vamos concordar com tudo, e aí vamos atravancar o progresso das ciências.
Gosto muito de dizer, como exemplificação, já passando a palavra para vocês, nesse momento de praticamente encerramento da nossa live, mas vai ter revival, vai ter a segunda edição, porque ficaram um monte de perguntas aqui na algebeira e porque a presença do nosso Ricardo como o convidado e do nosso Nelson como debatedor ainda encampa uma série de questões que precisam ser esclarecidas do ponto de vista da relação entre ciência e espiritismo, ou espiritismo em
ciência. Então, privilegiar essa ideia de que há motivação e que essa motivação tem que ser ética é essencial para que nós continuemos a fazer o que Kardec disse em relação à ciência espírita. Onde a ciência material acadêmica progredir e o espiritismo ficar para trás, Estejamos com a ciência.
E onde tenhamos dúvidas sobre as questões que foram colocadas nas obras de Kardec, nas trinta e duas obras, que nós evoquemos como ele evocou as... as entidades espirituais, nominadas ou inominadamente, para que elas venham esclarecer pontos que eventualmente ficaram obscuros, atualizar pontos que se tornaram obsoletos pelo progresso da história e da civilização, e continuarmos esse processo em duas vias, a via material e a via espiritual, para termos, de fato, uma ciência espírita
espiritual. e não uma religião dogmática que reproduz ideias do século XIX como se fossem consentâneas todas e particularmente aceitas no século XXI. É isso, Nelson? Está mudo. Perdão, novamente. É bem isso mesmo, Marcelo Henrique. Mas temos muito o que discutir sobre a ciência espírita. Infelizmente, o nosso tempo aqui está sendo escasso. Não chegamos nem na famosa uranografia. Esse é um ponto de debate muito bom da ciência espírita. Esse é um ponto de debate muito
bom. E aí, isso ainda falta alguns outros critérios e alguns outros pontos da obra kardeciana que rendem várias lives. Não é uma só, não. Essa daqui é insuficiente por tanto de material científico que está nas trinta e duas obras de Kardec. Esperamos que tenhamos bastante lives como essa. É isso aí. O que você diria a esse respeito, Ricardo, sobre a questão da ética na ciência e a questão da motivação da pesquisa científica? Sem dúvida. Isso já é consenso que na
maioria das ciências. Não tem ciência neutra, né? As conclusões científicas são muito do reflexo do pesquisador. do viés do próprio cientista, né? Por isso que é importante ter várias pessoas pesquisando as mesmas coisas ou coisas relacionadas para você ter um leque de visões que te dê uma visão mais clara e mais fundamental, né? Que foi o que Kardec tentou fazer consultando vários espíritos. Então, a ética é algo fundamental.
Kardec... foi um exemplo nisso. Ele não nominava nas suas obras mais volumosas os médiuns. Veja que coisa. Ele não só protegia os médiuns de assédios de outras pessoas que pudessem fanaticamente, de alguma maneira, está assediando, né? Mas também ele evitava que os médiuns pudessem ou reclamar a propriedade, embora parece que teve lá alguns casos, né? Ou se endeusarem, se acharem como autores ou qualquer coisa assim. Quer dizer, Kardec concluiu rapidamente, né?
que era importante privilegiar quem estava comunicando. Por outro lado, privilegiar quem estava comunicando sem atribuir para o nome de quem estava comunicando uma importância que tivesse a ver com o cargo... ou com qualquer tipo de privilégio, né? Que tivesse a ver com a pessoa em si, ou o personagem que a pessoa dizia ser em vida passada, né? Então, Kardec aconselhou que se
isolasse em relação a isso, né? Também aconselhou que certas perguntas fossem evitadas para os espíritos, para que não invadisse a intimidade deles, né? e outras perguntas fossem colocadas, porque eram perguntas que os espíritos podiam trazer informações a respeito, ele também trouxe conselhos a respeito disso lá no seu manual da mediunidade dos evocadores, o livro dos médios, que alguns traduziram como manual dos doutrinadores, que não é bem isso, é dos evocadores. Então, tem tudo isso.
E o próprio Kardec, ele dizia, pelo menos está escrito lá na Obras Póstumas, que muito daquilo que deu fruto da pesquisa dele foi por iniciativa dos interesses que ele tinha.
Ele diz lá na segunda parte do Opros Postumas, que quando ele começou a frequentar as reuniões de mesa girantes, as reuniões de mesa girantes, as pessoas faziam perguntas para a mesa, mas faziam perguntas sem importância, perguntas pessoais, de interesses pessoais, etc. E que ele mudou aquela dinâmica, trazendo perguntas com outro nível de interesse, interesses mais elevados, e que a partir daí, a partir daí, as reuniões, as pessoas, quando Kardec faltava, diziam que as reuniões
não tinham graça, porque aí as pessoas começaram a enxergar que podia ir além, né? Então, eu acho que há uma questão ética também, de nós, espíritas, no modo como nós vemos Kardec como cientista e como fundador do espiritismo. Quando nós colocamos Kardec no papel de codificador, ou no papel de secretário, ou no papel, enfim, no papel desse secundário, nós estamos sendo injustos e antiéticos pelo
trabalho que Kardec teve. Se não houvesse as perguntas que Kardec fez, nós não teríamos espiritismo. Nós não teríamos Espiritismo, porque os Espíritos não iam vir de boa vontade e fazer dissertações sobre exatamente todos aqueles assuntos que ele perguntou. Então, essa é uma outra questão ética também, a nossa ética em relação ao trabalho que ele fez. Acho que para a questão mais ética, eu ficaria por aqui. Muito bem.
É só lembrar que essa questão que você falou aí da discussão de autoria é bem retratada no filme Kardec e a História por Trás do Nome do nosso querido amigo Wagner de Assis, quando Hermann Sidifo discute com Kardec, dizendo assim, você está me desprestigiando, eu fui a médium que mais colaborou com esse livro, não vejo meu nome aqui, não vejo destaque, importância, mostra exatamente a ideia de que o aspecto ético é que preside as relações humanas, e não era uma obra da médium,
ela era apenas um instrumento. levando em consideração que, claro, existe o elemento anímico em muitas manifestações mediúnicas, mas há médiuns como Chico Xavier, médiuns mecânicos, que não interferiram na produção das mensagens, então tudo isso tem que ser colocado no... no cadinho, na balança e aferir sempre que a posição do médium é sempre secundária.
É importante para o processo mediúnico, é importante para a ciência espírita, mas é secundária, porque é por ele que vêm informações e essas informações vão ser comparadas, vão ser checadas, vão ser listadas, vão ser aferidas, vão ser codificadas no sentido de elaboração de um código e não simplesmente naquela ideia menosprezante de ele ser apenas um homem que compilou, que organizou, que secretariou, como
você lembrou há pouco. Vamos colocar aí na tela o artigo do nosso Ricardo Terini, publicado no portal do SK, da Uranografia da época de Kardec e a Astronomia Moderna.
Recomendamos a leitura. O trabalho está publicado em duas partes, tal o seu volume e tal a sua... complexidade, ao mesmo tempo também simplicidade, com uma forma como o Ricardo aborda pontualmente as questões, está disponível no nosso portal para download e que você poderá acessar então um pouco do pensamento do Ricardo que nós, o Nelson, já já sentenciou isso e nós vamos apenas concordar com ele.
Além da segunda parte do estudo sobre ciência e espiritismo, como fizemos hoje essa primeira parte, Ricardo Terini já se sinta convidado a abordarmos aqui em uma outra live a questão da uranografia e a sua correlação com a astronomia moderna, que é um tema que muitos espíritas se afastam, fogem, não querem abordar, por justamente não ter o interesse em se aprofundar em determinadas tábuas, em determinados conteúdos, mas que são muito ricos para nós e para o
progresso do conhecimento humano e espiritual. Vamos abrir para as considerações finais, começando pelo Nelson e depois pelo Ricardo, para a gente encerrar mais essa brilhante live aqui nos embargos de sábado à noite do ECK. Eu agradeço a todos os essequianos e todas as essequianas pela audiência dessa nossa live de hoje. Ela foi interessantíssima. Como eu disse anteriormente, acho que isso vai render algumas
lives, não é uma só, não. Algumas lives, o assunto é vastíssimo e importante para quem é efetivamente espírita. Não há necessidade de sermos, obviamente, acadêmicos, mas que para nós conhecermos o Espiritismo em a fundo, nós temos que entender a parte da ciência espírita também. Não adianta apenas compreender a filosofia, E nem a moral de Jesus. É tudo sucedâneo. É uma sequência. É um todo. Se você compreende uma parte, você não compreende a essência.
E o que falta a nós, espíritas, é compreender a extensão, a essência do espiritismo. Espero que um dia consigamos isso. Boa noite a todos. Muito bem, muito bem. Muito obrigado, Nelson, pela sua simpatia, pelo seu conhecimento, pela forma como contribuiu muito no nosso debate hoje. Pedi para você aguardar lá na salinha do chá, que a gente daqui a pouco faz o encerramento do nosso trabalho. Muito obrigado. Ricardo, a palavra é sua para as considerações finais.
Eu queria agradecer tanto o convite como a possibilidade de a gente estar aqui discutindo sobre essas questões. Eu acho que, de fato, em termos de ciência e pesquisa, tanto do ponto de vista da ciência espírita quanto da ciência de modo geral e a interação com o espiritismo, a gente está na ponta do iceberg. Eu considero que estou só na
ponta do iceberg também. e acho que muito mais gente precisaria estar se debruçando sobre isso, porque há uma, não vou entrar em detalhes, mas há uma certa confusão entre outras coisas, além da gente, em geral, não praticar a ciência espírita como Kardec recomendou, como disse bem o Nelson, praticar muito pouco, porque fazer reunião mediúnica é uma coisa, Na reunião mediúnica, investigar é algo um pouco diferente, né? Uma reunião mediúnica pode ser por investigação, mas não
necessariamente. Então, a maioria não faz isso. Mas há também, na obra de Kardec, que nós lemos, que muito pouca gente aí leu, Bom, as trinta e duas com certeza não, mas mesmo as cinco principais, muita gente não leu ainda, não teve essa oportunidade ou esse trabalho. Há coisas que você tem que analisar para que também não fique desiludido. Por exemplo, você pega o Livro dos Espíritos e vê no Livro dos Espíritos Kardec falando dos
três reinos. Os três reinos, nem meus netos, nem meus filhos, nem eu aprendi na escola que os reinos da natureza são três. São cinco, seis reinos e tem outra visão completamente diferente. Mas na época de Kardec eram três reinos, porque era assim que se ensinava, na universidade, na escola, etc. Então a gente tem que analisar Isso não como um ponto do Espiritismo. O Espiritismo prega que existem três reinos na natureza. Se nós formos falar isso, a
gente vai ser ridicularizado. Os jovens vão fugir da gente, já fogem, mas vão fugir mais ainda com base em coisas como essa. E levar em conta que há essa evolução, e houve evolução dos conhecimentos dentro da obra de Kardec. O livro dos espíritos pergunta o que são os cometas. E os espíritos dizem que são futuros planetas.
Quando você vai na Gênesis, o Galileu lá da Gênesis, da Uranografia Geral, vai dizer que eles não são futuros planetas, que eles são aglomerados de gelo, etc. Então, no livro dos espíritos diz uma coisa, na Gênesis diz outra coisa. O que aconteceu ali? Aí você vai falar, ué, mas não era verdade? O espírito não estava falando a verdade? Tem que analisar que há uma progressão ali, tanto no trabalho de Kardec, como na própria ciência em paralelo, que
também foi progredindo. E que Kardec era sintonizado com isso. Esse é o ponto. Kardec era sintonizado com o progresso da ciência. Claro que cada um de nós... tem uma formação diferente, nem todo mundo teve acesso ou tem acesso a uma cultura universitária, alguma coisa. Isso é perfeitamente compreensível e não dá para acusar ninguém a respeito disso. Isso não tem como acusar. Mas é importante que a gente tenha, mesmo não tendo acesso a tais ou tais conhecimentos, a
disposição de ir em busca dele. Eu lembro que quando eu comecei no trabalho de educação espírita, eu vi que eu precisava conhecer um pouco de pedagogia. E eu estava fazendo curso de física, não tem nada a ver com pedagogia. Eu fui ler um pouco, não fui ler nenhum tratado, mas eu fui ver os rudimentos da pedagogia, pedagogia do desenvolvimento, etc., porque aquilo me fazia falta naquele trabalho. Então, acho que isso pode ser feito.
Nós temos essa disposição, porque aí sim a gente vai cuidar da progressividade da doutrina e da maior coerência, como Kardec queria. Citando Herculano, você citou Herculano, O Herculano diz que o espiritismo só não atingiu a expectativa de Kardec de progresso, ele usa uma terminologia, né? Pela preguiça mental dos espíritas, né? O Herculano não tinha muita
papas das línguas, né? Eu acho que em alguns casos até é mesmo, mas não vamos generalizar, acho que muita gente não teve acesso, não tem acesso, ou não tem possibilidade, mas fica aqui um convite. Tem muita coisa para fazer nessa análise de contextualização, de entrar nas minúcias do que Kardec trouxe e de comparar com a ciência. Nós vamos ver que muita coisa sobreviveu sobreviveu e apontou caminhos que a ciência fez depois. Isso é interessante também.
Então, eu agradeço a atenção, peço desculpa por algum arrobo de fala e fico à disposição se tiver perguntas ou para uma outra oportunidade, claro, com prazer. Nada a desculpar, muito pelo contrário, Ricardo. Ficamos muito felizes com a quiescência sua, o nosso
convite. Já era um namoro antigo, a gente vem conversando já há algum tempo, vem nutrindo aí uma afeição recíproca, porque todos estamos trabalhando, cada um do seu jeito, para aquilo que Kardec disse, a popularização das ideias espíritas, e também emprestando ao nosso labor diário, à nossa área científica, acadêmica e profissional onde estamos inseridos, um pouco dessa visão da espiritualidade.
Na quinta-feira, eu apresentei um trabalho no doutorado, Ricardo, e depois, para minha grata surpresa, no final da aula, o professor se autodeclarou espírita. É espírita, é médium, é palestrante, e eu não sabia disso, e ele também não sabia que eu era espírita.
E ele disse que ficou muito contente de nós estarmos trabalhando sobre questões da ciência, da administração, logicamente, mas com essa inspiração de espiritualidade, com essa vertente que possa fazer o indivíduo transcender a mera materialidade, que também é necessária, porque nós estamos no mundo da matéria, procurando aproximar esses vieses espiritual, científico, acadêmico, material, por essa é
a nossa natureza. Quando Kardec fala da legítima natureza dos espíritos, ele fala que é uma dupla natureza, ao mesmo tempo somos seres existenciais, físicos, materiais e espirituais. Então isso nos enriquece, nos alegra e foi muito bom estar com você nessa nossa programação de lives e Fica atento, porque logo a gente vai fazer um outro convite para você simpaticamente estar conosco em mais um Embalos
de Sábado à Noite do SCK. Às vezes não é sábado, às vezes faz o Embalos da sexta, da quarta, da terça, mas em geral a gente chama, lembrando aí o filme Grease, com o nosso João Travolta e Olivia Newton-John, essa já se foi, mas fica no nosso coração, os Embalos de Sábado à Noite aqui na filosofia espírita, na ciência espírita, do ECK. Muito obrigado, aguardo um pouquinho lá, que nós já vamos
encerrar, por favor. É isso, minha gente, eu queria apenas fazer uma correção, nós temos uma equipe muito boa, equipe de retaguarda, os bastidores trabalham sempre atentos, eu cometi um lapso, eu me equivoquei na citação da médium, que requereu uma maior proeminência, um lugar de destaque, não foi a irmã Sidifo, foi a senhorita Jafé, que discute, inclusive, com Kardec sobre essa questão do lugar de destaque que ela gostaria de ter.
Obrigado, Maria Cristina Rivera, pela observação e seguimos assim, todos convergindo, todos aprendendo, se é um espaço democrático e de livre pensamento espírita e todos nós, juntos, vamos construindo esse processo. A você que esteve conosco ao vivo, quase duas horas de live, estamos chegando a uma hora e cinquenta e cinco. O nosso agradecimento pela presença, por ter aí num
feriadão no Brasil. destinado a algum do seu tempo particular, do seu tempo de lazer, do seu tempo de família, para estar na família do SK. E o convite para estarmos juntos na nossa programação, que vai até dezembro. Nós só fazemos férias em janeiro para recarregar as nossas baterias. Logo, logo, pelos nossos canais, você vai conhecer a próxima live, que já está sendo gestada e preparada com carinho para atender as nossas expectativas. Obrigado, um abraço, um beijo carinhoso.
Até a próxima. Tchau!
