Entre o olhar e outro, existe muito mais do que técnica. Existe decisão, experiência, evidência e opinião. Esse é o Entre Olhares, um podcast de oftalmo, pediatria e estrabismo.
Consciência, visão crítica, causos de consultório, cultura e curiosidades. Eu sou a doutora Luisa Hopker e eu sou a doutora Júlia Rossetto. Seja bem-vindo ao Entre Olhares.
Ai, que bom, ver você aqui de novo, Jú. Tava com saudades já da gente gravar esse podcast. Eu também, sempre um prazer.
Então hoje a gente vai falar sobre um tema que está no consultório de todos os oftalmologistas, não apenas dos oftalmo pediatras ou aqueles que atendem criança. Porque é um tema que está invadindo todos os consultórios e todo mundo precisa saber, que é a MIOPI. Que é o controle da progressão da MIOPI nas crianças e jovens.
Porque a gente precisa saber como controlar, como fazer a avaliação seriada, quando entrar com tratamento. Então tem muitos detalhes importantíssimos e é sobre isso que a gente vai falar que dá uma destrinchada nesse episódio. E acho importante, Lu, justamente por isso.
Eu recebo esses contatos de oftalmologistas, de colegas, de outras especialidades, perguntando, olha, eu estou com um caso de criança que tem essa refração, o que eu faço? Porque antes a MIOPI era só passar óculos, hoje em dia não. Então acho que é muito importante esse episódio porque a gente não pode deixar de avaliar a MIOPI de uma outra forma hoje e de falar para as famílias que têm como controlar e tem esses tratamentos, que podem não ser um milagre. Você sabe que eu não sou a grande defensora dos tratamentos da MIOPI como um milagre, porque eu acho que dependendo de como você ouve, parece nossa.
Isso aqui vai revolucionar a MIOPI. Não é bem assim, a gente já sabe disso, que não é que a criança vai deixar de ser MIOPI, não vai regredir o grau, mas eu acho que por outro lado, se você tem uma família que chega até seu constório, que sabe do tratamento, que te pergunta algumas coisas, e você não sabe, aí você está numa enrascada e se você não propôs o tratamento também. Então acho que ela faz parte hoje em dia da nossa propedeutica básica, saber o que tem que fazer quando você vê uma criança com MIOPI e ir para falar para a família se aquela MIOPI está progredindo ou não.
Então o que a gente vai falar hoje é que é como a gente faz no dia a dia do constório com as crianças e os jovens MIOPIs. Então começando do começo, então quando chega o paciente no nosso constório, tem alguns detalhes da Naminese mesmo, que hoje a gente precisa não só ouvir, mas perguntar ativamente. E é muito importante se terem isso na cabeça, já de forma bem sistematizada, para vocês poderem sempre ver o MIOPI já perguntar aquilo.
Então quais são essas perguntas importantes? A gente perguntar sobre quanto tempo de tela a criança usa e qual tipo de tela. Então ela assiste duas horas por dia de TV ou é duas horas por dia de tablet ou celular. Então isso precisa ser perguntado.
Quanto tempo por dia de atividade ao alivre? Então ela fica mais do que uma hora por dia ao alivre? Não, ela chega da escola e ainda quer ficar trancada em casa e quase não sai no quintal, no jardim, passear, jogar bola. E outra coisa muito importante é perguntar para os pais qual é a refração dos pais. Então mesmo de forma grosseira, lógico, a maioria dos pais não lembra, não sabe, às vezes que é na dúvida.
Às vezes o pai fala, eu tenho quatro graus, mas quando tira o óculos não enxerga para perto ou para longe. Então às vezes eu pergunto que as vezes eles não sabem. E às vezes fala, o grau é alto, nossa, altíssimo, 1,75.
Já é uma perla, mas tudo bem. Mas acho que um pouquinho destrinchado da tela é importante não só aqui que eles usam, mas como no sentido de distância e se é intermitente ou não. Quando a gente for fazer as recomendações lá no final, faz diferença à distância que a tela está da criança e se fica por duas horas no celular.
Então é importante entender qual a característica desse uso de tela. E muitas vezes nas crianças, principalmente maiores, vê se tem algum controle parental, porque isso faz muita diferença. Às vezes os pais não têm noção do quanto de tela os filhos usam e quando eles olham nesses controles aí sim você tem uma dimensão e você consegue mensurar mesmo.
Então eu acho que é interessante isso, até porque o controle parental já entra numa outra seara de riscos de mídias que eu acho que a gente, enquanto oftomologistas, a gente tem o dever de perguntar sobre tela e de fazer essa orientação. Porque muitas famílias estão um pouco ainda sem saber qual é o tamanho desse risco, né? Então eu gosto bastante de abordar isso quando eu falo de também falar desses outros riscos porque eu acho que a miopia é uma porta de entrada para a gente falar de coisas às vezes até muito mais sérias. Com certeza.
Isso é mais uma coisa, Lou, que a gente não pergunta, mas a gente olha, a etnia, né? Os asiáticos têm a tendência a ter mais miopia, uma miopia que progrede mais. E aí, então, feito isso, e aí, lógico, você vai perguntar outras coisas, ah, foi prematuro, não foi? Se tem alguma comorbidade, e aí você vai seguir para começar a examinar essa criança. E aí, no exame, tem algumas questões também que a gente precisa estar atento.
Então, além de fazer o normal que você vai fazer, a cuidar de visual, porque você já é apropriada para a idade, você vai midi-pils se for possível, biomicroscopia, vai fazer motilidade, tem duas coisas que eu acho que são dois pontos importantes. Um, é você avaliar se essa criança tem estrabismo ou não. Por quê? Porque a gente sabe que alterações da visão binocular elas predispõem a uma progressão mais rápida.
Tem muitos artigos mostrando a associação entre a exotropia intermitente e pacientes que progredem rapidamente com a miopia. Então, esse é um ponto importante. Uma outra questão também que é interessante você avaliar se essa criança ela é hipocomodativa ou não.
Então, você pode fazer de uma maneira bem simples no constório, eu gosto de fazer assim. Pega a criança, pega uma lente de mais um e meio e peço para a criança olhar para longe e peço para olhar para mim. E aí você pode pegar uma lente de mais três e fazer a mesma coisa.
E aí você consegue ter uma estimativa bem grosserona de quanto que essa criança acomoda. Porque tem algumas crianças que são bem hipocomodativas e tem crianças que acomodam o normal. E isso também pode ser um fator de risco para maior progressão.
Eu gosto de avaliar também a acomodação de uma forma dinâmica assim que nem você está falando sem ficar refratando mesmo de fazer a retinoscopia. E como que eu gosto de fazer? Eu gosto de fazer com o retinoscópio a criança olhando longe. E daí você vai ver, geralmente, eles são hipermétropes baixos.
Você vai ver a faixa a favor. E daí você mostra um objeto bem perto da criança e passa a faixa de novo. E aí ela vai ficar grosseramente invertida porque ele está acomodando.
E daí você vai ver que essa diferença da faixa como a acomodação está boa. E isso também é importante que eu acho que falando de miopia é importante você se perceber em si. A cuidar de visual para longe for muito ruim.
Principalmente em queixas assim, que não cabem muito. Para o nosso, a criança está com uma dificuldade que não tinha agora para ver distância. E você mede uma visão muito ruim, 2200, a criança não casa muito com uma criança miope.
E a visão boa de perto a gente pensar em espasmo de acomodação. Porque é uma coisa que se você não faz minimamente, se você suspeita, até pode fazer um alto refrator ou passar uma faixa suspeitando de espasmo de acomodação. Porque senão você não diagnostica.
Porque é uma miopia que só vai aparecer antes de você se cloplejar. E depois você vai passar. Você vai ver a criança, ela é 20, 20 sem nada.
Depois você fala, ué, que estranho, estava vendo no 20 e 200, agora não vê nada. Então acho que espasmo de acomodação a gente pode fazer um outro episódio só disso. Mas eu acho que quando você pensa em miopia você tem que também estar com isso na cabeça porque você não se perde o diagnóstico.
E aí, enfim, né, vai fazer títmos, vai fazer, né, toda essa parte pré dilatação. E não sei se você quer acrescentar mais alguma coisa do que eu tinha falado já, Jo? Não, acho que aí é examinador. Não é nada que você falou mais importante, mas o resto é só o exame normal, que tem que sempre seguir a rotina, que a gente sempre fala para não esquecer nada.
Não é assim, a gente tem que colocar na caixinha porque eu acho que a miopia é diferente. E a gente tem que tratar diferente para a gente protocolar se não a gente esquece de fazer. Mas a consulta continua sendo a consulta completa como para todo mundo.
E aí vai fazer dilatação, cicloplegia, a gente já falou como faz em episódios anteriores. E aí vai voltar para poder fazer refração sobre cicloplegia. Especialmente em milpes, assim, eu nem sei, né, eu acho isso até complicado de falar, mas assim, quando eu pego o paciente, que passou por colegas e não dilataram, assim, e é milpe, por exemplo, eu falo, oh gente, pelo amor de Deus, mas daí eu penso, o hipermétrico também não pode não dilatar, ninguém pode não dilatar.
Mas assim, eu não sei nem por onde começar quando eu vejo esse tipo de situação, mas enfim, é só para relembrar que precisa dilatar. E se vocês serem que não dilatam, eu vou sim ser preconceituosa com você que não dilata. Preconceituosa não, pós-conceituosa, porque você está me falando que não dilata.
Tente dilatar, não tente que são. Então, se você acha que é certo, repense, você tem bastante argumento. Então, enfim, daí dilatou, e aí volta para fazer a avaliação, refração sobre cicloplegia com retinoscopia.
Se você optar a um geral e tem dificuldade com retinoscopia, tá, a gente dá uma canja, você pode passar no autorrefrator depois da cicloplegia, mas lembrando que, assim, o padrão ou retinoscopia. Lembrando que essas são crianças mais velhas, então, geralmente até você consegue passar no autor. Mas eu acho que antes disso, a gente tem, eu e você, que somos exemplos diferentes de como a gente conduz, porque a nossa realidade é um pouco diferente.
Eu acho legal falar disso, porque eu acho que na miopia, assim como em tudo o resto, mas a gente está falando de miopia hoje. Se você sistematiza, você não come bola e você não deixa de fazer as coisas e fica mais fácil do paciente, porque hoje em dia a gente toma decisão baseada na biometria, né, que você vai falar daqui a pouquinho. Mas, assim, no meu constório eu tenho biômetro e a gente é uma clínica pequena.
Então, o que que eu gosto de fazer? Eu dilato e aí eu faço a biometria pessoalmente. E aí, quando eu estou no final da consulta, que eu fiz a retinoscopia, eu tenho essas duas informações para eu pensar como é que eu vou seguir a partir daí. E aí eu acho que tem essa logística, que você vai falar um pouco da sua e tem uma outra que não é nem a minha nem a sua, que é quem não tem acesso à biometria.
E assim, numa primeira consulta não, mas numa segunda consulta você pede para voltar com a biometria, porque daí você vai ter a sua refração, uma biometria já de seis meses distantes, uma da outra para você tomar decisão. Então, acho que isso precisa estar na cabeça na hora que você começa a consulta para você conseguir tomar essa decisão e organizar seu pensamento. Sim.
Então, vou comentar como é que eu faço enquanto está dilatando, né, como a Ju falou. Eu já mando fazer biometria porque tem biômetro, mas não é no andar que eu atenda, não é no andar, mas é no mesmo prédio. É, eu estou numa clínica oftalmológica, né? Porque eu estou numa clínica grande oftalmológica.
Então, assim, como no meu caso eu não faz tanta diferença, né, o comprimento, a profundidade da câmera anterior, alguns outros parâmetros que talvez se eu fosse fazer uma surgery de catarata fosse importante e não tem problema de fazer essa biometria ou dilatando, ou dilatado. Então, dá para simplesmente eu mando enquanto é dilatando porque poupa tempo, as famílias são super felizes porque eu falo que eu preciso fazer um exame, que é bem importante para a gente fazer todo o raciocínio em cima da miopia e esse exame é aqui no prédio, mas não é aqui no meu andar e então vocês vão fazendo enquanto está dilatando porque assim vocês ganham tempo porque vocês iam ter que ficar sentados aqui na frente e meia hora esperando qualquer jeito. Então, não vira nem reclamação que tem que fazer o exame e nem reclamação que tem que esperar a dilatação.
E às vezes é um jeito que você agira a sua sala de espera, o paciente não fica ali esperando, você já dá um tempinho a mais e às vezes para quem tem um consultório você pode até pensar em fazer disso um produto. Então, olha, o seu tratamento de miopia vão ter tantas consultas no ano, tantos exames e daí precisa ficar de uma forma diferente. Então, tem várias formas que eu acho que a gente aqui não fala só da parte clínica, a gente fala a parte de gestão.
De gosto assim, não dá para você pensar só numa coisa e ir e voltar sem biometria. Não, a gente tem que amarrar, a gente tem que conduzir. Se você conduz seu paciente é muito mais chance de você fidelizar e daquilo ser uma forma mais rentável para você.
Às vezes é o seu diferencial, é acompanhar a miopia. Então, sim, acho que dá para pensar da miopia também de várias outras formas, não só da parte clínica. Sim, porque já pensou se você não pensa nessa questão da biometria, tudo bem que para um paciente que veio a primeira consulta, se você não tem biômetro você não pensou porque você não sabia que a graça era miopia, mas tirando nisso, quando a criança volta nas avaliações sequenciais já pensou se você examina a criança não tem biômetro, aí ela vai fazer biometria e vai último andar por watts e você vai discutir conduta com ela por watts, não dá, ou por ser videochamada, sei lá, acho que fica ruim apesar de eu fazer bastante teleconsulta não gosto muito nesses casos, ou outra opção, você vai ter que marcar um retorno para ver a biometria, quer dizer, você está gastando o seu tempo, o tempo do paciente não remunerado, porque você vai ou fazer retorno antes do período que o convênio te paga outra consulta ou se é particular, você não vai cobrar outra consulta para dar resposta que você tinha que ter dado na mesma consulta.
Então, acho que é muito importante essa questão da gestão do tempo mesmo, então como a Ju falou, se você não tem biômetro na primeira consulta como que eu faço, assim, para pacientes, por exemplo que às vezes fala lá, doutora não posso esperar, não posso fazer agora o convênio não liberou fazer biometria aqui, eu quero fazer na minha cidade eu falo, tá bom, então primeira consulta, seu filho tem miopia você vai fazer biometria semana que vem para ser o mais próximo possível dessa consulta, porque eu vou ter parâmetro, refração cicloplejada e parâmetro biometria em tempo semelhantes e daí, quando você voltar daqui seis meses, você vai me trazer a biometria feita na mesma semana da consulta e aí funciona super bem desse jeito até porque você só vai raciocinar com essa diferença de seis meses, então você não precisa estar uma conduta ali, você já explica que nem você falou ela não fica com a sensação de que ela precisa te mostrar o exame, então olha, você precisa dizer que porque eu precisava ter essa medida aqui, mas ele não vai mudar o que eu vou fazer, então dali a seis meses você faz, daí você volta com as duas, porque daí aquilo amarrou, você vai, a próxima vez que você tiver de frente a frente com ela, você vai olhar os dois e a partir dali, você vai dar conduta então acho que isso é intencional, senão a gente acaba desperdiçando tempo e enfim, então acho que isso a gente pode coordenar sempre da melhor forma possível e eu acho que todas as formas funcionam, então que nem a Ju falou, ela mesma vai lá na clínica linda, cheirosa maravilhosa, quem não teve a oportunidade de conhecer ser, gente a clínica da Ju, deus então ela vai lá conversa com o café, faz biometria mas assim, para nós mortais que tendemos em clínicas que não são tão maravilhosas de ficar passeando igual da Julia eu mando lá para o trondar, faz mas enfim, daí você pode escolher, você está em um ambiente particular que você quer aproveitar e dar uma valoridade, um up na sua consulta você faz esquema da Julia, se você quer se livrar de paciente e desovar a sua sala de espera, a semana dele fazer biometria enquanto de lado mas na verdade tudo é uma estratégia e funciona, às vezes, dependente tem um dia que sua consulta está, assim, lotada tem um dia que tem a do outro, então acho que assim é só a gente entender que tem várias formas de você fazer e aí só mais uma coisa que a gente não falou é a topografia, sempre é recomendado fazer topografia ao diagnóstico e aí para você diferenciar de uma miopia axial ou refrativa ou pela curvatura corneana e eu gosto de fazer, tenho o pentacão no consultório então já faço os dois nessa primeira consulta e depois, se estiver sem astigmatismo, sem mudança da astigmatismo, é um padrão corneano, tranquilo eu não repito, a menos que alguma coisa mude ali mas é interessante ter essa topografia ou o pentacão que você tiver no consultório e de início para a gente ter certeza do que a gente está tratando eu estou falando que ela é chique, gente ela tem pentacã para a primeira consulta mas enfim, e tem biômetros a gente não vai falar que a gente não quer ficar falando de marcas e nada mas que aqui não é o combinado ou o lugar mas existem alguns biômetros especificamente voltados para realmente acompanhamento da miopia que já tem topógrafo junto então no mesmo exame já vem a topografia e já vem a biometria e mais interessante são as curvas Ah, eles dão gráficos maravilhosos porque é parecido com o gráfico de crescimento de criança os pais conseguem visualizar eu acho maravilhoso, eu amo os softwares e fica lindo de você mostrar para os pais acompanhar a idiota, tá vendo aqui quando vocês pararam aqui, uma curva subiu olha aqui como a curva horizontalizou e controlou então eu acho super legal É, a gente vai falar isso mais para frente mas o que eu acho interessante também é isso quando você fala e a gente já falou isso várias vezes de alinhar a expectativa dos pais e dos pacientes, né, então assim a curva serve muito bem para isso também eu não vou parar, ele não vai voltar para trás é que nem uma curva de crescimento se ele está fora da linha do que ele deveria crescer a gente quer que ele volte para ali ele vai continuar crescendo porque o normal é crescer mas uma taxa menor, porque senão às vezes uma frustração é, ah, aumentou a miopia como assim aumentou? A gente está tratando, a gente está usando o lente a gente está fazendo tudo e como assim então acho que isso também é importante a curva já te dar essa noção é como ele está crescendo fora da curva a nossa intenção é que ele volte para a curva e daí já tira essa cresção de ah, nossa, mais aumentou, acho que não fosse mais aumentar isso aí aí então tá, vamos só, então voltar lá você já tem a biometria, ele voltou da dilatação, você fez o exame sobre cicloplegia a ritmoscopia e tem lá aí vamos fazer aquela definição do que é progressão então aí a gente está falando de dois exames você não vai conseguir falar isso aqui nem que eu não te falo no glaucoma eu não consigo diagnosticar aqui a um vídeo vamos ver daqui a seis meses a gente vai ver como é que ele progrediu, se progrediu então primeiro a gente pensar isso em crianças miúpis e premiúpis que aí a premiúpia vai depender da idade que seria, ou as crianças que tem uma hipermetropia muito baixa, novinhas ou que já são miúpis e aí a gente vai ver essa taxa de progressão então qual é a definição? progressão é quando o grau aumenta mais do que meia de obtria esférica então menos meio a mais em um ano, ou quando o crescimento axial é maior do que 0,3 em um ano, nas crianças abaixo de 11 anos ou maior do que 0,2 nas crianças acima de 11 anos então são essas critérios biométricos e o critério refracional e aí só entra aquela ressalva dos rápidos progressores, que são crianças mais jovens ali entre 5 e 8 anos com graus ali em torno de 4 de obtrias ou com comprimento axial de 24 e meio né, aquelas crianças que você já fala já estava mais alto do que eu gostaria aí a gente usa maior ou igual a meio, então aí o igual funciona também como progressão e aí a gente, tendo visto então que teve progressão, a gente vai começar a tratar, tem uma discussão que tem a, e você trataria se não tiver progressão, se for na sua primeira consulta se for na primeira consulta, com muitos fatores de risco, você pode sim discutir com os pais e já começar a tratar então vou dar um exemplo né, apesar de que os casos clínicos não são no próximo episódio mas só pra ilustrar então uma criança por exemplo de 6 anos, menos meio pai, mãe, altos milpis e muito tempo de tela essa é uma criança que, meu Deus vai progredir já com certeza né, e é uma criança muito nova então essa é uma criança que tem que ser agressiva no tratamento essa é uma criança que eu já começaria mesmo sem ter ainda o histórico dela de progressão, eu vou só fazer um contraponto aqui que eu acho importante né, assim eu acho que aqui na miopia a gente fala o guideline, que nem a gente fala em todos os guidelines é uma linha, e aí cada um vai escolher quando vai sair dessa linha ou não, e por que e aí você discute com os pais, então é claro que tem margem pra discussão e tudo o que eu acho interessante, que é o contraponto de você não tratar na primeira, é você ver a taxa de progressão, porque as vezes por exemplo você vai ver, essa criança vai progredir x, e daí você baixou o tratamento ela vai progredir x sobre 2 e daí você pede um pouco isso de quanto aquele tratamento foi efetivo e se fez alguma diferença, então quando eu posso, eu gosto de ser isso mas porque me ajuda a raciocinar, se eu daí eu fui, se não adiantou de nada vou trocar, vou colocar outro tipo de tratamento ou adiantou, olha só, a gente tá progredindo mas olha como estaria progredindo antes, então eu acho, eu gosto disso, porque as vezes quando eu passo disso, a gente perde algumas formas de entender como o impacto daquele tratamento né, mas eu acho que... É, eu acho que tem que valer a casa o caso, né nessa situação assim como você falou, mas eu via de regra tendo também a esperar tá, e ver seis meses de progressão e falo pros pais, pelo amor de Deus, volta daqui seis meses mas... E mais uma coisa, uma oportunidade de tratamento ou não de hábitos, né eu acho que isso é uma outra discussão que eu gosto muito que é o quantos hábitos podem impactar e às vezes é difícil de medir então às vezes você dá aquela chamada explica como é que tem que ser, que a gente pode falar né, quando a gente for falar, enfim, dos casos e daí às vezes você dá aquela chance daqueles seis meses de ter mudança de comportamento também Sim, mas eu digo, Ju, porque assim eu tendo muitos casos que assim, por exemplo não sei, eu tenho percebido assim, em pais muito já legais, com a parte de controle de telas e tal, entende? E aí assim que não vai fazer muita diferença a criança já tá super bem da parte de eletrônicos entende? É pequenininha é menos meio, pais são mil, precisa às vezes oriental assim, sabe? eu acho que você tem que pesar os fatores de risco e pesar cada família, sabe? daí eu geralmente começo, mas é a minoria a minoria, né, mas eu acho que existe espaço para as duas coisas igual, Ju, falando e aí a gente vai para a parte de primeiro começando, né, de uma coisa bem básica, tratamento, tratamento da miopia é fazer prescrição da refração encontrada na cicloplegia completa, não pode nem hipocorrigir, nem hipercorrigir então isso significa passar toda a miopia que você encontrou, sob ciclo e todo o astigmatismo, então posto isso o controle da progressão, ele pode ser feito atualmente com, inicialmente três opções, uma a tropina, em uma das três concentrações da baixa dose, que é 001% ou 0025% ou lentes com defocos que tem inúmeras marcas já no mercado, ou hortoceratologia, né, então esse é o lente de contato com defocos ou lente de contato com defocos, então esse é o ponto número um para o começo do tratamento só antes disso, a recomendação de tela que a gente não falou formalmente, então é até 1 hora por dia, quanto menos melhor sempre que for usar, usar a maior tela na maior distância possível e aí na relação que eu falei lá no início do tempo de tela, se você for fazer atividade perto, é bom que seja mais de 30 cm de distância, então sempre falo para com braço adulto, né se tiver suporte, hi-pad deixa longe e máximo 30 minutos, e daí para e faz outra coisa, porque isso faz diferença de ser prolongado e muito perto, e de atividade e hora livre, pelo menos 2 horas por dia é a recomendação também, perfeito e aí você começa, então com uma dessas opções eu acho que a gente pode falar sobre quais são as nossas opções preferidas no próximo episódio, porque aí a gente vai falar de um caso mesmo, tá, e aí depois você vai continuar avaliando essa criança cada 6 meses, se ela estiver progredindo com aqueles critérios que a Ju já comentou antes né, mais do que meio grau em 1 ano de refração de equivalente esférico, ou mais do que 0,3 na biometria se for criança abaixo de 11 anos, ou 0,2 na biometria em crianças acima de 11 anos aí você vai adicionar ou eventualmente trocar de tratamento combinar tratamentos, mas em geral a gente tende a combinar tratamentos ou se tiver com a tropina por exemplo 0,01 você migra pra 0,025 então essas são as opções e vai seguir essa criança de 6 em 6 meses e aí sobre quando parar, assim, em geral se diz depois de pelo menos alguns anos de tratamento 3 ou 4 anos de tratamento que tiver com o grau estável e aí pra você poder descontinuar o tratamento, em teoria lente com defóx, você pode descontinuar e a princípio os trabalhos mostram que não teve rebote a tropina, o ideal da parada é o desmame, ou seja reduzir doses, se tiver 0,025 passe pra 0,01, fica lá de 6 meses um ano com 0,01 e daí para e então essa seria a forma de parar e aí eu acho que a gente podia seguir pra nossa parte divertida do episódio porque a gente vai falar sobre casos no próximo e aí eu queria saber se você tem alguma pérola aí que você já ouviu dos pacientes com miopia eu acho que talvez eu do tempo de tela seja maior, eu já falei daquela questão do controle parental e eu estava uma vez um pai, ele estava com as duas filhas ali já adolescentes e depois não tem quanto tempo de tela ele falou alguma coisa, uma, duas horas e aí ele, pera aí, deixa eu olhar seu tablet aí um dia ou na semana anterior ele falou assim 6 horas por dia, como é que você tá conseguindo ver 6 horas por dia e a menina tava maratonando sério, naquela hora do quarto que você perde o pô control e então assim não deixem seus filhos dormir com um eletrônico no quarto nossa menina, vale por várias razões mas eu tenho a mesma situação que ajua assim né e às vezes eu pergunto, aí como que tá o tempo de eletrônico? Ah não, durante a semana a doutora tá super controlado uma hora por dia, às vezes até menos e aí no final de semana, ah no final de semana a gente dá uma relaxada assim, umas 5 horas assim, às vezes mais o nosso achando natural né, mas é bom que você vai vendo o nível de consciência dos pais sobre as coisas, porque às vezes é isso, às vezes que nem eu falei da Lidia do Miopeia né, um altíssimo em 75, às vezes é isso, não tá super tranquilo, 5 horas por dia já peguei crianças que assistem o dia inteiro você fala assim, é 6, 8 horas por dia enfim, às vezes é só um contraponto que eu tendo no SUS também na FRJ, às vezes lá eu tenho mais cuidado, porque às vezes é isso eu falo, mas tem alguém pra ficar com ele, porque às vezes a criança não tem supervisão, então assim ou fica ali pra mãe conseguir trabalhar pros pais conseguiram trabalhar, então assim, tem um pouco de cuidado, porque eu acho que o mais triste disso, outro dia eu vi um vídeo até sobre isso, que hoje em dia, as crianças que têm mais acesso a recurso, vêm menos telas, e as que tem menos acesso, vêm mais justamente por isso então, eu acho que também não perder a oportunidade pra quem atende em público de falar sobre isso com respeito, e pensar que você tá falando uma outra lógica de um outro contexto, e que também assim, você consentizar pode fazer uma diferença grande, às vezes as crianças têm atrás de linguagem, enfim literalmente, eles só ficam na tela, então eu acho que, às vezes, também tem um pouco de cuidado, dependendo de qual o universo você tá falando. Não, com certeza e assim, às vezes, Ju, pra exemplo, essa população, às vezes só de você explicar que é melhor a mãe deixar na televisão do que no celular, entendeu? Só isso, já às vezes é uma intervenção enorme, e super favorável pra aquela criança, porque ela vai ver uma tela grande de longe do que ficar olhando o celular. Sim, falar de conteúdo, falar de várias coisas que eu acho que é qualquer contexto, essa namidez é importante.
Em artigo, Ju, tem um maravilhoso que a gente adora, que é novo, relativamente novo. É, eu vou te falar que assim, os artigos de lentes e de atropina, aí eu fico, a sua aula é maravilhosa, então quem puder nunca perca a aula da Luísa de sobre atropina, porque sempre assim, faz um resumo ótimo, porque são muitos estudos, né, louco, muita assim, daí varia isso, varia aquilo, e assim, eu até acho legal comentar de dois estudos, eu vou falar do segundo depois. Mas esse é o que eu vou falar agora, ele foi lançado na JAMA no ano passado, que chama Digital Screen Time in Myopia, a Systematic Review and Those Response Metanalysis.
Por que a gente falava antes desse estudo, a gente falava, olha, a gente falava aquela recomendação da Organização Mundial de Saúde, da SBP, que é até uma hora por dia de 2 a 5, até duas horas por dia de 6 a 10, depois até 3 quando eu for adolescente. E aí, pra miopia é diferente, porque aqui, esse estudo que ele fez, ele fez uma meta-análise muito diferente, você olhando, é diferente porque você tá falando tempo de tela, né, mas é uma forma de você analisar o quanto tempo de tela influencia na progressão da miopia e ele tem um gráfico muito bonito, a gente pode até colocar, depois quando a gente for colocar nas redes ou em anexo, colocar esse artigo, porque ele mostra uma curva. E essa curva de aumento da miopia, ela aumenta muito, ela é um mosquimóide, assim, o tempo de tela até uma hora muda muito a incidência do aumento da miopia e depois ela abre, ela sobe exponencialmente.
Então, o que que essa meta-análise consegue falar pra gente? Que até uma hora por dia, ok, especialmente se for feito daquele jeito que a gente falou, mas que acima disso, qualquer valor a mais vai aumentar progressivamente a chance da criança ser miopia. Então, depois disso, eu mudei muito porque a gente fala, ah, não tem evidência sobre isso, né, então agora a gente fala. Então, tem um tempo, atividade perto, até uma hora por dia, independente da idade.
Esse estudo é muito legal e outro que ia comentar um editorial do Ken Nishaw, que ele fala assim, porque tem essa questão, né, o 001 saiu de voga ou a gente usa ainda a tropina, a tropina 001 ou não. E que que ele pontua nesse editorial? A gente pode colocar também nas referências. Que alguns estudos, principalmente acho que no Taiwan, talvez eu não sei exatamente qual a idade foi, mas que junto com essa campanha do estudo da tropina, eles fizeram mudanças ambientais.
Então, aumentava atividade ao livro, aumentava fazer todo uma outra abordagem do comportamento das crianças e que nesse contexto a tropina 001 foi eficaz. Então, o questionamento é ela é eficaz nessa população ou ela foi eficaz porque tomou essas medidas outras ambientais que qualquer sociedade pode tomar. Então, assim, que às vezes é difícil de você analisar as concentrações em diferentes populações porque muitas vezes essas intervenções ambientais não são mensuradas nesses estudos.
Muito raro você vê algum estudo que tem. E existem monitores que você coloca no óculos, assim, de você ver o tempo de luminosidade, atividade ao livro e o tempo de leitura de perto, de atividade de perto. Então, raramente você tem esse controle pra você falar que quem respondeu ou não, se fez ou mais ou não esses tratamentos ambientais estão esse editorial do Kynish, eu acho muito interessante isso.
Porque às vezes é isso. Tem diferentes respostas das populações, a medicação, mas também tem essas outras variáveis que dificil de controlar, né? Então, acho que são dois artigos que valem a pena ler até pra a gente refletir. Bem, eu teria aí números de artigos de a tropina, né, por exemplo, né, que o Nigel falou que eu doaulo com frequência, alguns também de lente com defocus, mas acho que a gente poderia depois discutir só isso, assim, especificamente porque, assim, é um assunto extenso e que pra poder entender toda essa parte da ciência que tem por trás precisa de realmente um tempo, um pouquinho mais amplo, digamos assim.
Mas tem um estudo novo, então, já que, né, a Ju comentou, eu vou comentar um estudo, um artigo só, bem interessante, assim, que eu até li esse artigo pra poder fazer a aula que eu dei lá no SBOP, que é um artigo de 2026, que eles avaliaram qual éfeito da etnia na resposta a tropina de Baixa-Dose. E é um estudo em que eles observaram, assim, basicamente, o desfecho do trabalho, né, é um trabalho bem feito, super bem feito, eles observaram que faz muita diferença, assim, é uma coisa que a gente já sabia, né, que o europeu, o asiático do sul e o leste asiático eles respondem diferente em relação à tropina de Baixa-Dose.