I.A., Irã e a Ascensão da Inconsciência - podcast episode cover

I.A., Irã e a Ascensão da Inconsciência

Mar 03, 20261 hr 41 min
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Do Irã às colunas de beleza, o império da I.A. e a automação da consciência humana.


O Clube de Cultura do Calma Urgente de 2026 começa na primeira semana de março. Para participar dos encontros, entrar na comunidade exclusiva e ganhar descontos incríveis, inscreva-se em calmaurgente.com


O Calma Urgente é uma produção da Peri Produções @peri.prod e Estúdio Fluxo

Na apresentação, temos Alessandra Orofino, Gregório Duvivier, Bruno Torturra

Na Produção, Carolina Forattini Igreja e Sabrina Macedo

Na Pesquisa e Roteiro, Luiza Miguez

Na Captação, Edição e Mixagem, Vitor Bernardes @vitor_bernardes_

Ilustração, Anna Brandão @annabrandinha

Na sonoplastia, Felipe CroccoNa Edição de Cortes, Julia Leite

Nas Redes Sociais Bruna Messina

Na gestão de comunidade, Marcela Brandes

Identidade visual, Pedro Inoue

Consultoria de Comunicação, Luna Costa

Diretor de Fotografia, Marcos Mathias Wendhausen

Assistente de Câmera, Rodrigo Favorito

Técnico de Som, Matheus

Técnico de Luz, Pablo Miranda

Agradecimentos especiais ao Teatro Carlos Gomes e sua equipe.

Transcript

Olá, boa noite! Tá começando mais um Calmo Urte. A gente tá aqui no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, um teatro vazio por enquanto, mas é um teste pra gente receber vocês futuramente em sessões ao vivo do Calgente. A todos aqui do Teatro Carlos Gomes, que nos receberam, esse teatro no centro do Rio, Teatro Municipal, ou seja, um teatro público que está nos recebendo aqui na segunda-feira. E eu espero que nos receba muito ainda, porque eu amo esse teatro aqui.

Uma vez por mês a gente vai fazer isso. Uma vez por mês, vamos fazer aqui, né? É a nossa desculpa se ver pessoalmente. Na verdade, é a nossa desculpa obrigar o Bruno a sair do mato e vir visitar a gente. O Bruno é isso. Nos deixou, foi ele. Venham, e é vocês que não estavam. É aqui e tal. É verdade. Alessandra voltou de uma tournée de divulgação, uma tournée internacional para julgar seu filme maravilhoso Apocalipse nos Trópicos.

Está aqui de volta. E Bruno Torturra veio do mato das profundezas da Serra da Mantiqueira aqui nos visitar. É prazer estar falando com vocês ao vivo. Adoro encontrá-vos ao vivo. E a gente ia falar. De inteligência artificial até até gaguejei. A gente ia falar de inteligência artificial de IA ou de AI, dependendo da língua que você. Dos novos dobramentos da IA, que não para de ter novas notícias, entrevistas e coisas meio apavorantes, e de como a IA penetrou na nossa vida, mais que na nossa vida.

No universo, nas estruturas, nos sistemas, nos jornalis. Na linguagem, um dos pontos de partida seria aquela coluna da Natália Bilt na Folha. Não sei se souberam desse caso. Em que a jornalidade não, nada disso, a colunista da Folha.

Natalia Bealt, que é uma designer de sobrancelha, se eu não me engano, que ganhou uma coluna da folha, inclusive, com o nome da marca dela, chama Natalia Bealty, que ela assina a coluna. E ela, nessa coluna, Ela estava usando muita AI, aparentemente, os leitores estavam denunciando o uso de AI. Olha, está obviamente escrita pelo Chat GPT, essa coluna dela, com todos os clichês possíveis do ChatGPT. Não é sobre isso, é sobre aquilo, não é sobre sobrancelhas.

É sobre mudar almas. As colunas dela eram assim na Folha, tá? Na Folha de São Paulo. E ela então respondeu às críticas. I entered the Ombudsman, if I can find the columns and PT, I think for the leitor. Esteja escrevendo com o IA, é chato, né? Porque ela não pagou para ler um chat de GPT. E a Natália Bilton, então. Respondeu às críticas dizendo

É IA, sim, eu uso o Sim de Chat APT por um motivo. O meu tempo é muito precioso. E o nosso aparentemente não. O meu tempo é muito precioso para tempo rolando na folha. Exatamente. É o que eu pensei também. O do leitor, foda-se o tempo do leitor, foda-se o tempo da folha, enfim. E sabe a parte mais louca? Ela continua na folha. Ela está lá. O Jânio de Freitas não está, tá? Só queria lembrar disso. O Jânio Freitas não está. E tantos outros jornalistas brilhantes que foram demitidos.

Mas a Natália Built e o chá de APT está. E bem lembrado: a Folha defendeu o uso com uma formulação muito canalha. Que foi a Folha nunca teve medo de inovações tecnológicas. Ou seja, ainda botou na gaveta da coragem. Olha que coragem. Que nós temos de usar inteligência artificial. Nós temos coragem de usar chat GPT. Parabéns pra caralho mesmo. Pela coragem da Folha e da Natália Bildo. Mas o mundo se impôs. e nos obrigou a falar de outras coisas também.

Não poder falar sobre a Natália Beauty. É, tem a Natália Beauty e tem Uma Guerra do Oriente. Uma guerra do Oriente Médio. Tem o assassinato de um outro chefe de Estado. A IA foi cúmplice de. De coisas ainda mais graves do que uma coluna da Natália Bealty. Pois é, parecia impossível. Mas aconteceu. Mas aconteceu. Ela está trabalhando não somente com a folha, mas também com o pentágono. Que também nunca teve.

Medo de inovações tecnológicas. Está aí. Aliás, até alguém que nunca teve medo de inovações tecnológicas. O Pentágono. Acho que é menos que a Folha ainda, o Pentágono. E o Pentágono atacou o Irã, E assassinou o Ayatollah. Não só o Pentágono, né? Não só o Pentágono, Israel. Na verdade, hoje já sabe que foi Israel, né? Israel, quem disparou a bomba que matou o Aetela Colenei. E matou também, assassinou mesmo centenas de pessoas, entre elas pelo menos 50 crianças, não é?

De uma que estava numa escola provando que a inteligência artificial ela se é que foi ela que escolheu, né? Comete erros também em grande escala. Não só não é sobre isso, é sobre aquilo, mas também atira escolas, porque aparentemente esse não devia ser o plano, ou era, ninguém sabe, porque é que. Mataram tantas crianças numa escola, do nada é algo que ainda está sem resposta, assim como tantas coisas. Qual é o plano dos Estados Unidos para o Irã?

Qual é o plano de Israel? Existe um plano? O que se espera, além de matar e de retirar as lideranças? O que se faria daqui para frente? Ninguém sabe direito, but one of the things that we said was that the Estados Unidos used Anthropic, which is a corporation of intelligence artificial. É uma das grandes empresas de grandes usuarios para fazer. Inclusive a revelia da própria Anthropic. Não é só o Congresso americano que o Trump atropelou, porque foi um ataque sem a aprovação.

Do Congresso americano, assim como foi também o sequestro do Maduro, também não teve aprovação do Congresso, que teria que ter, mas não é só o Congresso que o Trump atropela, é sim a própria Anthropic, porque o contrato já tinha sido encerrado com os Estados Unidos.

Com o governo americano. E ainda assim ele continuou usando. Então, é uma violação de todos os tipos, da lei internacional, mas da lei americana, porque viola o Congresso, mas também do contrato dele com a Antropic, todos os tipos de violações. ПОДПИШИСЬ! E eu queria ouvir vocês, assim: o que vocês acham que representou esse ataque ao Irã? Começa pelo Irã ou começa pela Natália Bilt? Desculpa, precisamos de prioridades. Eu queria que vocês juntassem as duas coisas. Pede isso pro chat GPT.

Não é só sobre Natália Bilt, é também sobre o Irã. Quando aconteceu o ataque ao Irã, a gente pensou assim: não dá mais para falar de Natália Bealt, de inteligência. Vamos usar também, mas não tem nada a ver. A gente foi vendo que, na verdade, tem tudo a ver. Tem tudo a ver. Realmente é a prova de que a inteligência artificial já adentrou todos os meandros da nossa vida. Do macro ao micro, das colunas, dos e-mails aos ataques, às bombas.

Isso está mais claro do que nunca, não é? Eu acho que tem uma relação bem direta entre a Natália Beauty e o uso e o Irã, na verdade, e esse uso de inteligência artificial indiscriminado. Que é você, que é a gente tá entrando em um processo muito acelerado. The retirement of the papel human in decisions immoral, éticas, and of altar consequence.

De um jeito muito inofensivo, quase, as pessoas deixam de escrever os próprios textos e começam a achar que tem algum poder nele pelo simples fato de que elas leem antes de publicar. And also semelhante is come to acontecer na geopolitical, in decisions finance, decisions of grand empresas. Que é você passar para um software muito poderoso de automação de decisões humanas, ou de análises humanas, ou de processos que simulam o que o ser humano tem de mais.

humano a fazer, que é o processo de análise, o processo criativo e o processo de análise é moral desse tipo de coisa, e você terceiriza isso para uma máquina, para qualquer tipo de outro processo, e no limite Guerra e decisões de alvos, de padrões de movimento. De análise de risco de estratégia, que antes era um papel de generais, analistas, presidentes, imprensa.

Opinião pública, e agora você confia nesse processo meio que é transcendente, meio difícil de penetrar, para tomar essa. para fazer esse mapa de decisões. E aí, você toma só a decisão final de começar ou não a guerra, de apertar ou não o botão. De publicar ou não uma cultura. Por enquanto você ainda toma essa decisão. Por enquanto você não tomar essa decisão. E isso está no cerne da questão dessa briga do Pentágono com a Anthropic, que é uma.

Acho que é um bom ponto da gente explicar, né? Que a Antropic é uma das grandes empresas de acha que as maiores que tem hoje é o Google. Antropik, ChatGPT, OpenAI, och Grock, AIX, Elon Musk. Que está correndo um pouco atrás, mas são os quatro grandes grupos do Ocidente. Tem a China, que corre por fora com outras questões, IPSIC e outras empresas.

Que estão indo muito bem. A China vendeu humanos e ai para a meta, né? Então agora a meta tem uma. Tem uma das chinesas, é. Mas a Anthropic tem se destacado. Acho que nos últimos meses, como a empresa que tem alguma preocupação com uma barra muito baixa, mas alguma barra sobre umas questões éticas e de segurança em relação a isso. Foi essa empresa que foi usada para.

Entrar numa escola de cara. Ele já a gente não sabe, porque essas decisões específicas a gente não tem acesso porque elas são muito secretas e não seria. De interesse de ninguém que isso viesse IA público, são os militares de Israel, diga-se de passagem, que têm as suas próprias empresas de inteligência artificial militar. Que são empresas só de uso militar, que a gente nem tem acesso ainda como cidadão.

Mas o fato é que o E-Cloud, que é esse aplicativo dessa empresa, eles tinham uma regra que é: eles já tinham esse contrato militar, já estavam no Pentágono, não tinha nenhum problema, estava assinado. Só que tem uma cláusula lá que eles falam: a gente não autoriza que nosso software seja utilizado para armas, que é totalmente autônomo. Ou seja, tudo bem usar ela numa guerra, mas precisa ter alguma escala humana na decisão.

O nosso software não vai tomar a decisão de jogar a bomba, de dar o alvo e fazer a ação- uma barra bem mínima e muito razoável. E a outra é: nosso software não deve ser utilizado para hipervigilância de cidadãos dos Estados Unidos. Só. Do mundo, não. Americanos. E o Pentágono, recentemente, falou: não, a gente não quer nenhum limite. A gente quer usar o seu software para o que a gente quiser fazer como pentágono.

Quase cedeu, houve uma consideração, porque, se ela não topar, outra empresa topa. No final das contas, eles não cederam, eles se recusaram a tirar essas duas cláusulas. E dois dias antes do ataque, ou três dias antes, Donald Trump disse que não vamos usar mais Anthropic, então é declarando ele uma empresa que é risco de linha de produção, não sei o que.

E anunciou que não vai mais usar o chat GGGPT, vai virar o software, acho que é prioritário para o uso do Appentágono, mas nesse meio tempo que eles ainda não fizeram a transição de um para o outro, eles usaram o Cloud. Hãy subscribe cho kênh La La School Để không bỏ lỡ những video hấp dẫn Muito provavelmente sem autonomia. Do software e sem a coisa de hipervigilância interna ainda. Então, possivelmente, eles ainda usaram o Clone dentro da linha que o Clone havia concordado de utilizar.

Como usaram na Venezuela também. Nossa, muita coisa. Tem tantos pedaços dessa história, né? Uma é que eu acho, para complementar um pouco o que o Bruno falou, tem uma distinção que eu acho que é importante e legal da gente fazer, que é Que houve uma evolução muito rápida. Para quem não está acompanhando muito de perto, houve uma evolução realmente muito rápida e muito surpreendente para alguns. Das capabilidades da inteligência artificial. Então, o modelo que foi, os modelos que foram.

Disponibilizados para o público há alguns anos já, eram modelos, basicamente modelos de linguagem. Que é o modelo que a Nathalia built Está usando para escrever suas colunas. Esses modelos de linguagem têm várias limitações, e algumas dessas limitações ficam evidentes nas colunas da Natália Beauty. E eu quero falar sobre isso, porque apesar de ser trivial, por um lado, não é. É super importante. Então, vou voltar para a Natália Beauty já já.

Mas esses modelos evoluíram, and a nova geração de modelos de inteligência artificial são os modelos que os criadores dessas máquinas chamam de agentes. I think dúvidas se é um termo adequado, and a gente pode debater isso, né? Porque a gente implica um nível de autonomia. Que também não é exatamente o que está acontecendo, mas a grande diferença entre os modelos de linguagem e os agentes de inteligência artificial é que os agentes

Conseguem executar tarefas durante, às vezes, períodos longos de tempo. Então, você pode dar instruções para um agente, o agente vai executar essa tarefa ao longo de algumas horas, alguns dias, algumas semanas. E ele consegue fazer isso de maneira relativamente autônoma a partir das indicações que ele recebeu, essencialmente substituindo. Uma pessoa na medida em que a pessoa trabalha digitalmente. Então, esses agentes não têm presença física, eles não são

Robôs físicos, né? Eles não estão no mundo real, físico. But to a pessoa poderia fazer atrás de uma tela de um computador em pede esses agentes também. Eles podem entrar na internet, eles podem desenhar coisas, eles podem codar, então criar software, eles podem. Implementar esse software, colocar num servidor, eles podem até também em tese.

Começar a controlar, aí sim, máquinas físicas no mundo físico através do digital, que é o perigo justamente das armas autônomas. Então, uma das coisas que esses agentes podem fazer. É decidir atacar um alvo e controlar um drone, por exemplo, para que esse drone ataque esse alvo sem que nenhum ser humano intervenha nessa decisão. Isso já é uma capabilidade existente, colocada e instalada desses sistemas.

Mas os próprios criadores desses sistemas, e a Antropic é uma dessas empresas, Dizem que eles não têm uma sofisticação adequada para de fato. Fazer isso. Então, a Anthropic levanta dois problemas. Ela levanta o CEO da Anthropic, que é o Dario Amodei. Ele levanta um primeiro problema que é eticamente a máquina não deveria fazer isso. Mas ele levanta um segundo problema: que é, mesmo que a gente decida que eticamente tudo bem, ela não tem ainda um nível de precisão adequado para isso.

E é claro que o problema ético vai se tornar muito mais difícil de. Tratar quando esses criadores entenderem que a máquina já tem essa sofisticação, o que provavelmente vai acontecer em breve. Mas, no momento, tem um problema que é um problema de qualidade mesmo da máquina e tem um outro problema que é um problema hético.

Eu estou trazendo isso porque acho que é importante entender que quando a gente diz que o Pentágono está usando o Clode, né? Que é o AI downtropia, que vai usar agora o ChatGPT, não é um uso simplesmente do modelo de linguagem. Sim. É um uso desses agentes que podem executar tarefas ao longo de períodos muito longos de tempo. Então, você pode pedir para um agente fazer uma coisa que ele vai ficar um mês trabalhando. Você pode ter vários agentes, você pode ter um time de agentes.

Agentes de pessoas diferentes podem conversar e trabalhar em projetos juntos. Então, uma das coisas que a Anthropic diz que ela faz internamente. É que hoje cerca de 90% do código do CLODE, ou seja, do código da inteligência artificial e do agente de inteligência artificial, da Anthropic, esse código já é construído. 90% das linhas de código são escritas.

Pela inteligência artificial. É por ele mesmo. Então, é ele mesmo se construindo. E a maneira como a empresa trabalha, assim, em termos leigos, pelo que eu consigo entender, é que eles têm times. Que vão orientar diferentes agentes construídos com base no código do Clode, no sistema do Clode, e esses agentes interagem. Então, eu, Alessandra, posso dar.

Um direcionamento para o meu agente, você, Gregório, pode dar um direcionamento para o seu, e os nossos robôs podem interagir, chegar numa conclusão e implementar essa conclusão juntos. Mas é claro que isso é muito limitado ao universo virtual. And quando isso extrapola o universo virtual, você passa a ter um controle de máquinas, sobretudo máquinas mortíferas no mundo real, isso traz uma série de outras questões éticas e práticas para a mesa. But isso é parte do debate hoje.

E eu queria voltar para a Natália Bilt, mas queria só deixar esses quatro. Eu acho especialmente trágico que a gente está tendo essa discussão hoje em dia- de deixar ou não a autonomia militar. na mão de máquinas porque quem está no comando humano das grandes armas hoje são os seres humanos mais psicóticos em décadas. Então, assim, fica mais sedutor um pouco você automatizar se a opção é pôr o Donald Trump, o Edanyaho e o Pete Haget na mão.

De uma invasão e de uma guerra aberta em um país gigante. 40 milhões de habitantes e o centro do Oriente Médio. E a gente assistiu isso. Isso é uma outra questão que eu acho que tem um pouco a ver com essa algoritmização generalizada: não sei vocês, mas eu fiquei muito impressionado. E eu faço parte disso, tá? Então não é um choque assistindo só, é um choque de me sentir assim. O quão séria essa invasão foi, está sendo, e o quão pouca resposta pública teve.

A invasão do Iraque, que foi anunciada muito mais justificativa. Passou pelo Congresso, pelo Conselho de Segurança, meses de mentira, mas fizeram o ritual ridículo, mas fizeram o. Eu lembro que tinha algo muito totalizante no noticiário daquela época, e só em São Paulo, para vocês terem uma ideia, só em São Paulo foram 150 mil pessoas na rua protestar. É contra a invasão do Iraque em 2003, em São Paulo. Eu estava lá. Teve Nova York, Londres, Berlim, eu acho que hoje há também uma certa.

Até da reação pública. Tem uma saturação, tem uma certa exaustão que a gente assiste a isso meio como se a história também fosse um algoritmo, como se a gente estivesse no encadeamento de certos processos que a gente Não faz parte. Então, essa criação de um agente digital de muitas formas, eu realmente acho que é para tirar a nossa agência. Sim. Não tem três agências aqui, duas. Tem uma energia só. É um jogo de soma zero, no fim das contas.

Retirando o ser humano da participação histórica. É, isso explica até um pouco algo que eu fico me perguntando quando vejo essas notícias: por que é que. ¡Ay, ya! Não quer o Claude Antropic, não quer dar agência à IA dela, e o Trump, enfim, o Pentágono quer. Que eles não decidam que era para ser a luta contrária, né? O lógico seria o Pentágono falando assim: não, eu que tenho que ter a palavra final, só compro o Anthropic se eu puder mandar nela. Mas é o contrário, eles querem.

Dá mais autonomia para a gente? Mas é que é um risco. O Darama Day, o CEO da Anthropic, tem um texto que ele publicou recentemente que eu recomendo. Está em inglês, mas Qualquer chat GPT te ajuda a traduzir. Ele se chama A Adolescência da Tecnologia. E ele tinha publicado um texto anterior.

Que era um texto bem tecnotimista, assim, era ele falando de tudo que poderia ser tudo que poderia ser conquistado com a inteligência artificial. Era ele falando bem da inteligência artificial, que era um outro texto chamado Machines of Love and Grace. Pad pro chat GPT. And in this adolescence of technology, ele fala dos riscos. E ele fala de adolescência porque, no fundo, ele posiciona esses riscos, ele chama de riscos de transição.

Então, ele não está dizendo que esses são os riscos no longo prazo. Ele acha que esses são os riscos exatamente nesse momento que a gente está vivendo, que ele entende como uma adolescência da tecnologia, onde a gente ainda não entendeu o que fazer com ela. E ela também não entendeu o que fazer consigo mesma. Ela é adolescente. Os hormônios estão em ebulição. Yeah.

E aí, ele fala de dois, são cinco riscos que ele ilumina, mas os dois primeiros têm a ver com a sua pergunta, Greg. Porque ele fala de dois riscos que são quase opostos. E que eu acho que a tensão entre o pentágono e a antrópica tem a ver com esses dois. Ele diz que tem um risco. Inicial, que é o mais óbvio, que é o risco de autonomia demais. Então, é se esses agentes de inteligência artificial começam a tomar decisões à revelia dos seres humanos.

And they come to our preferences, to exhibit the cooperation. So the images is if they tell created a pain de gênios. E em poucos anos, segundo ele, em dois anos. Esses gênios já vão ser mais capazes do que qualquer prêmio Nobel em qualquer domínio, então eles vão poder fazer coisas muito mais incríveis.

E aí, se esses gênios começam a perseguir seus próprios objetivos, você obviamente pode acabar com problemas sérios para a humanidade. Isso é um risco. Aí o segundo risco é o risco oposto, que é Eles também têm o risco de serem obedientes demais. Então, não terem justamente autonomia, não terem critério próprio. E se eles forem simplesmente

Ferramentas a serviço de quem está mandando neles, eles também podem ser, no fundo, operacionalizados, instrumentalizados por quem quer que seja. Então, ele fala muito do risco de desenvolvimento de armas biológicas, é uma coisa que ele está especialmente preocupado. Porque ele acha que isso vai ser muito possível, a inteligência artificial vai ser muito útil para desenvolver armas biológicas.

Aí ele obviamente não vai falar do governo americano. Ele fala que qualquer terrorista, qualquer rogue state, qualquer Estado autoritário, poderia, em tese, desenvolver essa capacidade de armas biológicas.

Simplesmente porque a inteligência artificial cumpre aquilo que foi dado a ela como objetivo. Então, o dilema dessas empresas hoje é. Como eu crio um sistema que tenha um critério próprio, robusto o suficiente para ele resistir eventualmente à tentativa de instrumentalização por parte de um psicopata? Mas não um critério próprio demais, em demasia, a ponto dele começar a ter vontade própria e não obedecer mais aos seres humanos.

E quando, no fundo, o Trump está querendo controle, eu não acho que ele está querendo dar autonomia para a inteligência artificial. Ele está querendo dar autonomia na medida em que Aquela inteligência artificial cumpre os parâmetros do Pentágono. Então, se o Pentágono diz que queremos atacar o Irã,

Queremos matar as cabeças do Estado iraniano. Essas são as pessoas que a gente quer matar. A gente não está muito preocupado com matar crianças, então esse é um dano colateral que a gente está disposto a. Até, porque no fundo é isso, né? É criança árabe, né? E aí a inteligência artificial. Cumpre com autonomamente dentro desses critérios.

E no fundo, eu acho que parte do que a Antropic está querendo fazer, para além das questões éticas, eu acho que tem uma questão de liability, de responsabilidade jurídica também. Que é: eu não quero ser responsável. Se dentro desses parâmetros uma decisão é tomada e acontece alguma coisa, a responsabilidade é do Pentágono ou da Antrófica? Sim. E eu acho que os Estados Unidos talvez não queiram eles queiram a autonomia também por uma questão de Liabilish, no sentido de

Poder dizer que não foi um cambiar. Não fui eu, foi o meu eu lírico. Eu sinto que eu discordo um pouco, porque acho que nós ficamos mais preocupados com a questão de. Autonomia, porque é o mais distópico, é a Skynet, é o que pode dar mais errado. Mas eu acho que o centro da divergência deles são outros dois centros, na verdade. Um, eles não querem limite.

A gente é o Pentágono, a gente é autoritário, a gente quer fazer o que a gente quiser e não é um CEO de uma empresa que vai me falar o que eu posso não fazer. Então, acho que tem uma questão de arriscar uma linha e falar, eu que mando. Mas o mais importante na minha cabeça, que é onde eles estão indo com mais força, na verdade, não é na autonomia, é na hipervigilância.

Que é a segunda coisa que o Dário falou que não pode utilizar, e que é a violação da Constituição dos Estados Unidos, que ele também cita nessas entrevistas, especialmente da quarta emenda, que é você precisa de um mandado para. Ir atrás investigar, espionar, fazer que um juízo humano assine uma ordem. E o que ele fala também em alguns documentos, mas ele fala em algumas entrevistas, o Dário, recentemente, vale a pena ver.

É que tem esse risco de que o mundo já está inteiro filmado. Câmeras de segurança hoje estão é a coisa mais. Onipresente que tem há 20 anos isso não era uma realidade. As câmeras estão com a definição cada vez mais alta, já tem microfone em todo lugar. Os telefones, as pessoas são microfones, que dá para hackear.

E o que ele fala é que é muito simples hoje, com o Cloud, com a tecnologia que ele oferece, de você ter acesso à informação total. Quer dizer, você consegue ler lábio, você consegue escutar essa pessoa e você consegue ter um tipo de Hipervigilância que nem o Orwell imaginava no 1984, entendeu? É o Panóptico. E ele é pior do que o panótico, porque o panótico, essa câmera que filma tudo.

Mas ainda supõe-se que tenha um ser humano tentando ver. Então você tem medo que naquela hora ele esteja olhando ou é você. Mas o Panotti não necessariamente tem um vigia lá. Tem só a possibilidade de ter vigia. Mas agora. O vigia pode ser onipresente, não só a tecnologia. Mas o observador é digital, pode oferecer o contexto para qualquer pessoa retroativamente.

Então você acessa arquivos de dois, três meses atrás, cinco anos atrás, e você consegue dar o contexto e oferecer como análise de dados, aí sim, para a oposição interna. Que na minha cabeça é o que o Pentágono está se transformando na mão do Trump e do Pete Heg Sett, junto com Ice e de tudo mais, que é promessa de campanha dele. Temos que ir atrás do inimigo interno, que é o clássico fascista.

Ele não é pra fora, ele é pra dentro também. Aliás, o Sapatley acabou de publicar um livro pela Ubu. Não sei se já recebeu. Eu vi que publicou, mas não li ainda. Chama exatamente isso. É, o fascismo é isso, né? O fascismo é a paranoia do inimigo interno. Que ela é criada de muitas e muitas formas, e o estado de hipervigilância internalizado, ou com violência física mesmo, mas com esse sonho.

De um medo generalizado, desse medo que as pessoas sentem de serem adicidentes porque estão sendo observadas e isso vai ter um preço alto. Que é o que a lei sempre fala: você sabe se um país é autoritário pelo custo de ser oposição, pelo custo de ser dissidente. E esse custo não é só um custo hoje político, repressivo e imediato. Mas é uma paranoia interna. O custo ele é corporativo, é de acesso a

Serviços e produtos digitais, você está ou não de acordo com os termos de consentimento das plataformas que você usa? Então é uma situação muito séria mesmo que a gente está passando e o Irã. E eu acho mesmo que essas duas pontas estão muito mais ligadas do que aparece: é a nossa adesão à crítica, a essa tecnologia, a nossa produção de texto, de coluna de jornal, entendeu? Até. A decisão de alvos.

No Iran, and you have reason when you think that's something that really commotion in part of this attack on Iran, as long as I was for Venezuela. E muita gente, enfim, denunciando o absurdo. Mas nada perto da comoção que se fazia antigamente. E eu acho que um dos motivos para isso é que a gente não tem ferramentas direito nem para entender ou para narrar o que está acontecendo. As pessoas inclusive ficam tentando comparar com coisas do passado, do tipo

Ah, esse daí é o imperialismo do século XIX que está de volta. Não tem nada a ver. Sabe, porra. Eu falo isso um pouco, né? Você falou isso. Eu falo isso um pouco. Não, eu acho que um pouco tem, mas não concordo com você. Ele tem características completamente hipermodernas, né? Exatamente.

Naquela época, e eu não digo que era melhor ou pior, não, mas chegava lá na Inglaterra, o que ela fez na Índia foi bárbaro, matou milhões de pessoas em algo que hoje em dia se chama de holocausto colonial, né? Talvez 6 milhões, sete milhões de indianos morreram, inclusive, de fome. Durante a colonização inglesa. Mas eles estavam lá, era o famoso boots underground, eles botavam lá o coturno no chão.

Para operar o genocídio deles. Junto com isso, tinha uma colonização cultural, obrigated to the money to follow English, obligavam to the frequent escola britânica. Reprimiam a cultura local, tinha um projeto genocida, com certeza, mas colonialista de instauração. De uma colônia. Não é o caso. Os Estados Unidos não têm menor interesse in descer no Irã e fazer o famoso nation building, que eles têm esse termo que a gente já criticou, que é uma loucura, né?

Forjar uma nação não está nos projetos de Trump ou de ninguém nos Estados Unidos, dessa outright, não está no Project 2025, que é um dos projetos nos quais o Trump se baseou para esse segundo mandato. Não está no projeto deles construir uma nação parceira, aliada, ou nem fomentar aliados. No Irã ou na Venezuela, não tem mais aquela questão ideológica ou cultural de colonização de soft power.

A gente não tem ferramentas para entender esse colonialismo, porque ele é radicalmente diferente de tudo que a gente já. Já viu. Então a gente está sempre buscando no passado alguma coisa para comparar, que é o imperialismo do século XIX, mas alguns vão falar em feudalismo, outros vão falar da volta da doutrina Mondra, outros vão falar. Me parece muito inédito. Onde eu vejo mais semelhança mesmo. É no Rio de Janeiro, é no Rio das Pedras, precisamente. Com uma milícia, com uma lógica de arrego.

Uma lógica que não é. Se você paga o arrego, tá tudo bem. Tudo bem. Mais ou menos o que a Delcy Rodrigues fez na Venezuela. Ela paga o arrego, fica aí, não tem problema nenhum. A Delcy prova muito bem que não é uma questão ideológica, é uma questão de arrego. É uma questão que parece muito com o que um miliciano faz na Zona Oeste.

Ele não quer saber se o dono da padaria vota no Lula ou no Bolsonaro, se ele é cristão, ou se ele é Dumbanda, ou se ele é evangelista. Não faz diferença para o miliciano. Faz diferença o arrego. Tanto é que o miliciano faz acordo com. O terceiro comando, faz acordo com o traficante, faz acordo com a polícia, faz com todo mundo. Porque o interesse dele é puramente o arrego, sabe? Mas eu discordo nesse caso específico do. É Irã, porque tem um outro grande elefante na sala que é Israel. É verdade.

O Edon Trump, eu acho que a gente pode fazer essa analogia mais fácil: de que ele é um miliciano, que ele quer o arrego dele, ele quer o presente dele, que é a barra de ouro dele, aí ele puxa, ele fica amigo de quem for: do Lula, do Pedro, da Delcio, Rodrigues, não tem ideologia. Mas vamos lembrar aqui que quem está capitaneando esse negócio todo é Israel. O interesse, aí sim, ideológico, religioso, político e territorial é israelense.

E a situação mais esquisita aí, que está contradizendo que, aliás, é um preço que nem pouca gente imaginava que o Trump estivesse disposto a pagar fazendo essa invasão- é que ele ia entrar de corpo e alma nesse negócio, como ele entrou. Achavam que ia ser uma coisa mais parecida com o que ele fez. Ele ataca aqui e se retira. Ele explode uma base, mas assim.

E com tudo, porta-avião, já morreram três americanos hoje, mas assim, ele está indo com tudo: gasto, gasto. Ele se queima com a base política dele de maneira muito decisiva com os eleitores, uma boa parte, não digo todo mundo, mas uma boa parte sim. A maioria do eleitorado é muito contra isso, mas promessa de campanha dele mesmo que ele não iria fazer a guerra que a Kamala Harris ia fazer no Irã.

E eu acho que tem a ver com Israel decididamente. Eu acho que Israel forçou a barra e o Trump ia cumprir. E eu acho que não é uma coisa que a gente tem prova, prova acabar, porque nunca vai ter, mas eu acho que os indícios são tão grandes e está tão escancarado que vale a pena a gente fazer uma especulação muito bem informada disso- que a relação disso com os arquivos Epstein. Que é... O Trump está fazendo de tudo para esconder.

What are you, what they're in these archives. He sold a part, he excluded to this. And one of the people meant Israel has these archives, O próprio Epstein estava trabalhando. Junto com Israel. Dá pra dizer isso já? Dá pra dizer isso. Com a Mossad, né? Não dá pra dizer que ele era espião da Mossad, mas dá pra dizer que tinha uma relação. Pelo menos uma pessoa. Espião é um cargo baixo para o que ele era. Eu tô falando muito sério isso. Espão é um cargo baixo pro querer. Ele era um agente.

Solto, com alguma independência, que ele fazia muito serviço de lavagem e grana para agências de inteligência, tráfego de arma, relações, mas o back channel que ele fazia por fora de relações diplomáticas. Tanto com dinheiro sujo, mas com relações é política. E com chantagem, com tudo que ele produziu de registro, câmeras nos quartos da ilha, da casa dele.

E tudo mais, ele fazia isso claramente a serviço de Israel, pelas relações que ele tinha, pelo histórico que esse cara tinha, e por uma coisa que a gente já sabe nas últimas semanas que ficaram ainda mais claro. Que é Israel, a Mossad tinha um departamento específico, pessoas encarregadas de administrar a investigação de quem tinha acesso aos apartamentos dele em Nova York.

che lo sperdava Entrevistavam, faziam uma checagem, tudo vigiado com a câmera por dentro anda da casa, de quem entrava, de que conversas aconteciam lá. And ele fazendo isso, era Mossad fazendo isso com ele. Ele hospedava o primeiro ministro de Israel na casa dele, que não era só o primeiro-ministro, era o ex-diretor da Mossad.

Da inteligência. Então, assim, não dá pra afirmar isso, mas o que dá pra afirmar mesmo é que assim é O protagonista político dessa história, quem está ganhando essa história, o trabalho sujo que o Donald Trump está fazendo, não é pelo interesse americano disso, é pelo interesse israelense.

E é tanto é que o único vídeo que ele publicou, ele não fez um pronunciamento na Casa Branca. Olha que loucura. Ele fez um vídeo na rede social dele. No Truth Social. Foi isso que ele fez. E o que ele fala como justificativo? Ele fala que o Irã, tipo, sequestrou a embaixada na Revolução Islâmica de 79. Ele fala que o Irã apoiou o ataque do USS E. Cole? Que houve em dois mil, se eu não me engano. Que é mentira, porque quem fez o ataque foi a Al-Qaeda, que é inimiga declarada do Irã.

Então, sem falar que há um ano atrás ele estava bombardeando o Irã e falou para todo mundo que a capacidade nuclear do Irã tinha sido obliterada, que não tinha mais nenhuma possibilidade do Irã desenvolver uma arma nuclear. E agora eles estavam tão perto, mas tão perto, que precisavam ser atacados novamente. Mentira. É uma coisa que as duas afirmações não podem ser verdades. É, mentira. Então, assim, tem essa questão que eu acho muito importante da gente dizer aqui, porque novamente.

O Donald Trump is a figure magnética midiática. O exército dos Estados Unidos é o maior exército do mundo, é o que protagoniza. A crise virou Estados Unidos. But this precio que o Trump está pagando. Me parece muito alto pro tipo de político que ele é. Então, assim, Israel é o. é o. O vencedor disso é o interessado disso. E aí não é milícia. Aí, a conquista de um projeto amplamente.

Que é territorialmente imperialista. Ah não, aí sim parece mesmo aos imperialismos. E só encerrar uma coisa que você falou que eu não queria deixar passar, que você falou que a gente está desensibilizado. Eu acho que parte a gente não sabe o que fazer, parte tem a ver com algoritmo e com saturação informativa.

Mas eu estava falando isso com a minha mulher, a Laila, e ela falou uma coisa que eu falei, nossa, tem toda razão. Ela falou assim, cara, eu acho que isso tem a ver também com antes e depois de Gaza. A gente was massacrado moralmente with Gaza. I think that because the austerity, the force that was interromped, and the cessar fog of men, and the massacre that the money.

It's the same, there's something that gives a normalization, not that we don't have indignant, but we made the parameter of what these exercise are and Gaza. Acho que não tem muita dúvida. Tipo, esgotou a indignação que ele tem. É que esgotou, mudou o nosso parâmetro. Porque vamos ler. Uma outra coisa que eu acho importante falar- que é muito doida, e eu acompanhei isso hoje. Eu vi em um post de Instagram e comecei a checar em outros posts.

Caíram três aviões americanos hoje, três caças, e foi fogo amigo no Kuwait. Pra você ter ideia. A saber se foi. Decidiu defender o espaço aéreo do Kuwait, achando que pudessem ser caças ou armas iranianas, e derrubaram três caças americanas. Não morreu o. Whoa. Os soldados se ejetaram, mas o avião caiu. E aí tem esse vídeo de Écaída. E aí olha que coisa louca: os comentários americanos são bem feitos, uhul, que cena linda.

Um monte de americano em inglês falando assim, que ótimo que esses aviões estão caindo, tipo, ufa. E ouvi comentários de gente progressista de esquerda independente. É meio não digo, não digo é torcendo, mas apresentando os argumentos iranianos para a auto-fesa. Meio que torcendo, meio que fazendo o argumento, esperando que Israel seja bombardeado.

But qual é a sua conclusão disso? A minha conclusão disso é que a nossa indignação já não está mais no nível do protesto, mas é um deslocamento no meio das alianças internas que até os americanos estão fazendo diante disso. Então ninguém está apostando, indignado, chamando é manifestação, mas a opinião pública do seu próprio país não está defendendo as suas próprias tropas.

A galera está assim: isso aqui não é o meu exército. Entendeu? Eles são os terroristas. Quando cai esse avião que eu paguei. Eu quero ver isso. Mas você acha que não é aquele militar isso, não? Porque eu tenho a impressão de que se tem uma coisa que o americano médio gosta: é de ver demonstrações de poderio militar. Possivelmente, a maior parte ainda sim. Mas essa.

Centenas de comentários que eu vi, não só na queda do próprio avião, mas nas bombas que bateram em Israel, nos israelenses que já morreram, mas no comentário é generalizado. ίσο είναι ίΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙΙ Este tipo de dissidência pública interna contra a empreita militar americana. 80% of democratic totalmente contra isso.

Não surpreendentemente, está sendo bastante generoso com a administração do Trump nesse caso. Totalmente conivente. A coluna do Thomas Friedman no New York Times é espero que o regime caia, é um regime muito terrível. É uma conivência isso. Não, mas aí que está. Eu estou falando de contas de rede social. Está falando de perfil. Eu estou falando de perfil. Eu estou falando de perfil, mas não só perfil, de comentaristas.

Independente. Mas é isso que é diferente. Quando você fala que isso seria impossível durante a guerra no Iraque, Bruno, não havia essa praça pública, a gente não sabe como essas pessoas estavam se comportando. Porque a opinião pública expressa era mediada por algum tipo de editor, de mediador. Você não tinha esse espaço para saber, não sei como. Por outro lado, isso tem a ver com- O nosso assunto anterior, né? A partir do momento em que você tem um presidente.

Que claramente fala que existe um inimigo interno, não é tão surpreendente que uma parte da população. Então, diga: Bom, então, já que eu sou inimigo interno, Quando o exército americano perde, eu ganho. Então, isso vai realmente criando um outro tipo de aliança interna, né? No geral, no entanto, eu acho que vai ser muito bom para o Trump isso, tá? Assim como acho que foi bom para ele também a intervenção na Venezuela.

O do Maduro foi. Ele vai ganhar. Ele vai ganhar com os dois casos, Bruno. Eu não sei. Porque o Irã não é certo que vai dar certo. Cuba é. Não, não é certo. Se virar um desastre completo, talvez ele perca, talvez. Ele tenha os midterms em novembro. I concordo que claramente tem muita pressão de Israel. Eu não duvido que Israel tenha algum tipo de material de chantage and consiga extrair esse type of lealdade do Trump com base em outras coisas.

But I tendo a acreditar que tem um cálculo político também in relation to midterms, in the proper position dele como um homem forte, que está. Ele é um pouco o mafioso deles. A sensação que eu tenho é que. o Trump m ele migrou realmente para uma para uma persona pública Que é totalmente ancorada nessa figura de o meu malvado. As pessoas já dizem. É tão pornográfico que acho que nem quem gosta do Trump em lê ele como uma pessoa ética, correta, boa, generosa.

A leitura é: ele é o nosso filho da puta. Ele é o nosso que defende nossos interesses e ele é um bullying como os outros são também. Então, num mundo de malvados, eu quero ter o meu. Mas nesse sentido, isso também explica um pouco isso que eu tô colocando. Porque se você entende o Trump como esse fascista interno. Não é que as pessoas estão a favor do Irã. Elas não querem o sucesso militar do fascismo. Então, quando cai o caça, eles falam assim: ufa.

A campanha do Trump tá indo mal. Entendeu? Tipo, ele não vai conseguir o que ele quer. Isso vai virar um buraco pra ele. Entendeu? Ele vai ter que pagar um preço político muito mais alto do que ele pagou na Venezuela, por exemplo. Que eu vou concordar. Não pagou. Não pagou, entendeu? Ele saiu de gênio imperialista. Podemos voltar para a EAG NERATIA, para texto e linguagem? A gente fica longe with Iran, and that's continuing, there's much. I come on the food of text.

E eu queria voltar nisso porque eu sinto que quando a gente começa a discutir as reações da opinião pública a uma ação como a do Trump, a gente entra justamente nessa expressão. Nesse papo quase sobre cognição, and how a cognizant se comporta in massa durante of an acontecimento totalmente inesperado andrescência. A Natália, vamos começar pelo fato de que ela não se chama Natália Beauty, né? Eu já acho que o fim da picada foi dar uma coluna pra alguém que se representa como uma marca.

E a gente está aqui falando da marca da empresa. É muito estranho. Muito estranho. Mas enfim, a Natália, quando ela vai defender o uso da IA, Um, ela vai botar os seus críticos como luditas e ela faz uma comparação com as canetas emagrecedores. Ela diz: Ah, todo mundo usa careta emagrecedor e não admite. E ela fala, bom, a Yá escreveu o texto, mas o pensamento é meu. E ela faz muito essa distinção entre o texto e o pensamento.

E tem uma intuição aí que não é totalmente errada. Eu não sou ludito e eu acho que é absolutamente natural que, uma vez que a ferramenta está disponível, muita gente que trabalha com o texto use para alguma etapa do seu processo de trabalho. But the question fundamental do texture da Natália is that the text is the pensamento is more ruined.

Ela não faz nem edição, né? Tem um deslocamento. Se você vai usar IA para escrever, então você deixa de ser escritor e você passa a ser um editor de você mesmo, né? Ou da IA, em alguma medida. Então você recebe um texto meio pronto que você, no mínimo, precisa editar.

Ela é uma má editora. Ela não está fazendo nem isso bem. O texto é muito ruim. E não só porque ele tem todos os vícios de linguagem da IA, mas porque ele tem os vícios cognitivos da IA. And aí entra uma discussão sobre se é possível, no fundo, separar. A linguagem do pensamento.

E eu não sei se é. Essa é uma boa pergunta pra você, Greg. Mas acho que se a gente não resolver isso, a gente não resolve a questão da inteligência artificial. Dá pra separar a linguagem do pensamento? Não, essa é a pergunta central da linguística, e que, enfim, cada um vai responder de um jeito, né? O Wittgenstein é o grande arquida, o grande fim. Defensor da ideia de que os limites da linguagem são os limites do seu mundo, não há pensar fora da língua. Só pensa com a língua e depois

Lacan também vai dizer que o inconsciente se estrutura como linguagem e que não há diferença entre enfim. A linguagem é o inconsciente, não existe uma diferença. E eu acho que tem algo realmente no fato de que é muito difícil você separar as duas coisas. Agora, no caso da Natália Bilt, e comparando ele, tem uma coisa que é muito gritante: você está narrando, o fato de que. E que é o que depois encontra o Zaya. Ela é a melhor advogada contra o Zaya.

É insuportável ler um texto ou um pensamento da Iá. É insuportável, porque é estúpido, é básico, ele está querendo agradar. É tudo que um texto não deve ter. Então, e o que um texto não deve ter? Impessoalidade, pasteurização. É tudo que define aquele texto do Natália e o texto de A de modo geral. É formulaico, que é o pensamento, perfeito. Pasteurizado, é o pensamento ultraprocessado. É isso que o Yat dá.

Ultraprocessado. As palavras é artificial. Artificial. Esse é o nome da coisa. Mas, e voltando para. Para a linguagem, tem uma coisa que é muito cara de pau dela. Quer dizer que ela é a coisa do tempo, que foi o que mais me pegou. Porque Iá realmente faz com que a gente tenha outra relação com o tempo, não é? Porque ela trabalha no tempo, que é o tempo dos. É um dos nanosegundos, que é um tempo extra-humano.

E tem isso que é interessante, aquele livro Maneira de Ser, que a gente falou inclusive no calma do ano passado, no clube do livro do ano passado. O Maneira de Ser é um livro muito bonito sobre um artista, James Riddle, um inglês que trabalha com inteligência artificial perdão trabalha contra a inteligência artificial nas artes mas também com ela de um outro jeito de um outro jeito exatamente ele advoga para um uso possível é mesmo uma das coisas que ele fala é

O tempo dos nanosegundos é enloucedor para o ser humano. E ele cita vários exemplos de pessoas que trabalhavam com computação e que pediram demissão porque estavam enlouquecidas. Pelo nanosegundo. E falaram assim: quando você está trabalhando para reduzir nanossegundos ou para aumentar o nanossegundo, você passa a pensar num tempo que é alienígena. O tempo da vida, no mais rápido possível, é dos segundos. Tudo que a gente faz na vida demora alguns segundos.

E a Yah trabalha com o nano, isso é extra-humano, isso é alienígena, isso enlouquece o ser humano. Because a gente só existe dentro de um tempo. O pessoal que está em outro tempo está em outra realidade, está em outro plano. And esse contato parece muito com um contato alienígena. E ele cita. Uma coisa que eu acho muito interessante. Ele cita, bom, primeiro, a cobra, que eu acho uma coisa muito interessante. Sabia que a cobra não pode nunca atacar um gato?

Sim, porque o tempo de resposta do gato é. O tempo de resposta do gato é maior que o da cobra. Então, o gato não é atacado por cobra porque ele vê o bot vindo em câmera lenta e dá um tapa na cara da cobra. E ele dá esse exemplo para dizer que o. A cobra e o gato estão em realidade, estão em planos diferentes de realidade. E a Iá está num plano de realidade diferente da gente por causa do tempo. Nós somos

Isso que as torna invencíveis, não é? A gente é bicho e preguiça e eles são gatos. Essa diferença de tempo não é da Copa do Gato que admile esse segundo. A gente está falando de um tempo absolutamente diferente. E por isso que eu achei muito louco ela falar de tempo.

Porque realmente a Yá trabalha fora do tempo. Só que é muito louco ela não ter o tempo de escrever uma coluna e aceitar escrevê-la ainda assim. Isso é ridículo. E eu acho muito louco ela usar algo que é fora do tempo para escrever algo que dura alguns segundos. Mas a parte louca é que a gente.

Quando vai consumir a coluna dela, não sei se já tentou ler, você vai forçosamente ler na diagonal. Porque algo que é escrito na diagonal, você lê na diagonal. É, você não está de entrar em conta. Ainda bem, né? Ainda bem, claro. Mas uma coisa que quer falar disso. Mas especialmente perda de tempo não só por ser mal escrito, ser mal feito, e ser mal editado, e ser burro, mas é perda de tempo porque tem muita.

Uma coisa que a IA faz muito é repetição, é redundância. Então, é muito doido que uma ferramenta que Que vomita algo tão rápido não seja capaz de poupar o tempo de quem ler. Exatamente. Porque é profundamente redundante. Mas você lê usar o que. Só pra fazer um parênteses, uma.

Pra referência futura. Essa é a Luísa, nossa checadora, nos mantendo na linha. Vai, Lu. Só pra referência futura, a Natália nasceu Martins e adotou o Beauty como propósito de vida. Tá assim no site do Fábio? Como proposta de vida? Propósito. Propósito, mas é o nome da empresa dela também. É, mas ela assina a Beauty, enfim, mas ela é. Ela assina a beauty. É um nome artificio. Ela transicionou de pessoa física pra jurídica. Entendi. Então, Natália Martins. É, ela agora. Martins é o dead name dela.

Mas tem algo só interessante. Ela tradicionou de pessoa física para jurídica é uma ótima, ótima definição do texto de inteligência artificial. Mas eu acho que tem uma reverando pessoal jurídico. Tem uma coisa muito importante aí, que é óbvio, é ridículo falar que ela não tem tempo para fazer o trabalho que ela foi chamada para fazer, então tem um jeito simples, não faça o trabalho, óbvio. Mas tem uma coisa muito interessante, que é o espaço onde isso foi feito, que é numa coluna. Não é no...

Na apuração fria. Não é no caderno de cidade, na previsão do tempo, que já seria um pouco suicídio editorial, você automatizar a parte da coisa que você tem para vender. Mas isso é um outro papo, mas a coluna é o espaço rigorosamente subjetivo do jornal. É rigorosamente, a gente quer saber o que você acha. And it's very interesting that she does this about it and that it has a pension and I had the sort of questionable to work in redaation during a long time.

E, cara, a gente era repórter. E eu tinha não um, três editores. Tem o subeditor, o redator-chefe e o diretor de redação. Os três leem o meu texto, os três canetam o meu texto, os três devolvem o texto e às vezes fazem alterações no texto que eu não gosto, mas que vai ser publicado. Nenhum deles assinou o meu texto. No jornalismo, a gente tem muito... A clareza que, mesmo editado, quem escreveu foi o repórter, não foi o editor. O editor pode ter me pautado.

A pauta pode ser de outra pessoa, mas eu escrevi. Eu apurei, eu pesquisei que é o que o chat GPT faz, eu chequei as informações, o editor lê, me caneta e me orienta nesse processo. Mas ninguém nunca questionou quem é o autor desse texto. E só depois de você ser editado por muitas pessoas durante muitos anos, depois de ter escrito muito texto, você vira editor. E depois de muito tempo de edição, você vira um colunista.

Naquela época, depois de você ter sido repórter apurador, depois de você ser editado, você vai pegar o texto de outras pessoas. Aí, depois de anos disso, você fala assim: agora pensa. Agora pensa e escreve a sua coluna. Então tem uma traição muito forte que eu não esperava nada muito diferente da Natália Built. Ela será quem ela é, não estou interessado. Mas a folha não mandou ela embora. A Folha não pediu desculpas, ela falou: mas realmente, tipo,

Então, é por isso que eu usei o exemplo do Jânio de Freitas. O Jânio fez precisamente essa trajetória que você narrou: de grande repórter a um grande editor, a um grande columnista. E não vou nem comparar a Natália com o Jânio, porque eu até entendo do ponto de vista editorial da Folha. Tem cliques e cliques e cliques a serem conseguidos com o mercado de beleza e com design de sobrancelha. Não tenho a menor dúvida disso. Eu não sei, não, Bruno.

A parte mais louca é essa, tá? Se a coluna dela estivesse sendo lida pra caralho, Mas não é o caso. Você pode ir lá checar. Os comentários estão todos falando o que está acontecendo aqui. Meu Deus do céu. Não é para isso que eu assino meu jornal. Claro. Entendeu? Mas, independente disso, seja qual for a motivação da folha? Se ela é comercial, se tem parceria pública, se é anunciante, não vem ao caso. O para mim, o mais grave é a defesa da folha.

Que não percebe, ou não assume, ou não se dá conta da inversão do sentido editorial de ser um jornal mesmo. De você automatizar. A coisa principal que você tem a fazer, e a sociedade, aí não é só a Natália Bilt, mas acho que muita gente que está usando o chat GPT hoje, e vejo amigos meus de redação. Que estão se auto-enganando que essa edição que você faz no final desse processo faz com que você seja o autor desse texto de alguma maneira, cara. E assim, e desculpa, escrever.

Ou falar para todos os efeitos. Você produzir um discurso encadeado fora da sua cabeça é pensar. A gente sabe disso na E-Tapia. Qual o sentido da E-Terapia? Porque quando você precisa falar, Você pensa de um jeito, você organiza o seu pensamento, você se dá conta de coisas que você não se dava conta. Qualquer pessoa que escreve na vida sabe disso. A sua ideia. O seu pensamento é muito diferente.

De quando você pensa e de quando você termina o que você escreveu, você vai descobrindo coisas, você descobre que o que você pensava não era bem isso, estava errado, era feio, estava cafona. Óbvio. E aí você termina com uma outra questão, com outro texto na sua mão. Então, a folha defender isso. Por isso que você colocou no e-commerce, que me deixou especialmente puto, que a folha não tem medo de adotar novas tecnologias.

Quem está cético em relação a isso, é o que? A covardia? Ou, pior do que isso, bota Até o produto de uma coluna, que em tese é opinião e é pensamento, como um commodity que pode ser automatizado, que pode ser feito por uma máquina, literalmente. E deve estar sendo feito. Não espantaria que os editoriais da Folha.

Estamos sendo os clientes quando tem um pouquinho de cara. Luísa, vê se você consegue para a gente a última coluna da Natália na Folha, por favor. E para terminar, eu queria lembrar de uma outra coisa que foi uma semana mais tarde, mas que. Muito mais grave do que a folha. Que foi a elaboração da sentença que é inocentou.

Aquele caso de estupro de uma menina de 12 anos que deixou o Brasil justificadamente indignado. Um monte de homem inocentou esse cara que estuprou uma menina para todos os efeitos. y a sentencia Ela foi redigida pelo relatório. Nossa intenção, mas o relatório, o relator, ele deixou ele deixar o prompt de uma parte. E a parte que ele botou o prompt era exatamente a função dele. Que é assim, dê argumentos que embasem melhor essa justificativa.

Não é nem assim, enxugue o texto, ache erros de ortografia. Eu não faço o embasamento que eu sou pago para fazer para inocentar um estuprador. Eu acho muito louco esse cara continuar sendo juiz do Brasil. A sentença valer exonerada. Só para fim de jurídico deixar claro que, se ele foi absolvido, a gente não pode dizer que ele é um estuprador, porque ele não foi absolvido.

But a gente said that there were many indices and that was featured this manner cria indignace in relation to a sentence of this woman accusado de estupa. Só, enfim. Não, fazendo aqui o papel de porque agora que a gente está precarizado, não tem mais um jurídico de plantão, que nem a gente chama gregito. Eu preciso fazer essa função. Obrigado, Alessandra. Você pode ter poupado alguns milhões de processos aqui para o campo. Não, mas não é muito louco um juiz.

Usar chat de APT na sentença e ainda nem reler, porque. Não é a primeira vez, né? Já teve alguns casos nos últimos dois anos de sentença de corpo. E é isso, nem se deu o trabalho de reler, porque ainda pode falar. Não, já rolou no UOL, já rolou no Globo, um monte de coisa que você vê o prompt no meio do negócio. Eu acho que esse caminho- o uso dessas ferramentas de geração de texto.

Por quem trabalha contexto, eu realmente acho que é um caminho sem volta, o uso em alguma medida tem uma coisa que é Que é muito burra na maneira como as ferramentas estão sendo usadas também, porque é realmente uma substituição da cognição. Por isso, eu acho que o comentário mais interessante feito pela nossa amiga Natália. É essa separação entre pensamento e linguagem, porque não conseguir entender que.

A linguagem é o limite do pensamento, and ao mesmo tempo é também admitir que o pensamento dela é básico naquele nível, porque o que ela está publicando é tão ruim. É tão ruim que, se o pensamento dela é esse, Então, isso é uma denúncia dos limites da sua própria capacidade cognitiva mesmo. E aí ela tem que ser demitida não por o Sachat GPT, ela tem que ser demitida porque ela é burra demais para escrever na Folha. Não dá, entendeu? Para escrever num jornal publicado.

Você tem que ter um pouco de capacidade de elaboração de alguma coisa. Alessandra, mas eu sou mais radical quanto a isso. Mais radical? Eu acho que se tem evidência, eu acho que tem que aprender. Não, se tem evidências de uso de IA. Para fazer um trabalho que você deveria estar fazendo, para o qual eu imagino ter sido paga para isso. Não sei se a folha ainda. Pago os colunistas. Mas eu acho que, enfim, que as pessoas pagaram para consumir. Isso é verdade.

Eu acho que deveria ser ilegal mesmo você usar, na minha opinião. Assim como se você vende um hambúrguer de carne bovina, você usar soja. Não é crime usar soja, mas vender como carne bovina, sim. Você está vendendo uma coluna de opinião. O público está pagando para ler uma coluna de opinião, não está lendo para ler a opinião de uma IA. Ah, não, não é a opinião da IA, ela que chegueu junto comigo. Sim, uma opinião construída em parceria, com a que seja.

Entendeu? É algo que eu acho que deveria estar na ordem do ilegal, na minha opinião. Mas para mim, isso. Eu só quero só deixar que a Luísa puxasse a última coluna da Natália, porque eu queria ter certeza que eu não tinha lido errado, que eu li meio na diagonal. Vindo para cá, li na diagonal, porque tem que ler na diagonal o que ela escreve. Mas eu quero só deixar esse detalhe, essa informação, de que a última coluna dela na folha é contra o fim das calas seis por um.

Porque o trabalhador brasileiro não é produtivo simplesmente. Não quer trabalhar, não gosta de trabalhar. Olha que curioso. É realmente isso. É realmente isso. Então, mas o trabalhador é brasileiro. Trabalhar menos vai te salvar ou te afundar, diz a coluna. Quer dizer, a colunista que não trabalhou para chegar a uma coluna. Essa coluna. Então, assim, é uma camada de. Ironia é inconsciente da própria ironia, que é exatamente a definição da burrice, né?

Escreve. Que cara de pau. É muita cara de pau. A pessoa, depois desse debate, falar, eu vou escrever sobre isso. Posso ler um pouco do que o Chat GPT escreveu para ela? Yeah. Mas é o que ela pensa, né? E agora tô com uma esperança, Alessandra, de que o Rafael Cariello tenha usado o chat de GPT para escrever a coluna dele e não tenha sido ele que escreveu. Grande jornalista tá com o meu abraço, um grande, não é meu amigo, um abraço, sim, de fã, porque.

Sempre adorei ele na Piauí, um grande repórter. Mas entrou para a Folha e escreveu a columna que a Brazilian trabalha pouco, sem checar as fontes, sem ouvir o outro lado. Sem ouvir outra pesquisadora, ele é do Calielo. E ele termina o texto com um apelo mesmo- quase um call to action- contra o fim da escala 6x1, dizendo que é. A gente não trabalha tanto assim. E detalhe: tudo ali é uma loucura. Essa coluna, meu Deus, essa coluna não, essa matéria.

E diz muito, enfim, a folha está encampando essa batalha. Contra o fim das calças por um. Então, e aí é contra o fim das calças, a favor das calças por um, a favor que as pessoas trabalhem. De segunda a sábado. É contra o fim de semana. A gente pode fazer. Eles são contra o final de semana. Mas eu quero eu quero só ler um parágrafo do chat GPT aqui para a gente, do chat GPT que está trabalhando a serviço de Natália.

Abre aspas. Nós ocupamos uma das posições mais baixas entre as grandes economias do planeta. Segundo o ranking de produtividade da OET, a Organização Internacional do Trabalho. Você vai ler tudo? Não faz isso com o que eu fiz. Não, é só isso parágrafo. A pesquisa do Daniel Duque mostrou, e essa pontuação é a que eu queria trazer para vocês. Mostrou que o brasileiro trabalha menos que a média mundial e queremos trabalhar menos ainda.

E aí, ela fala assim: por isso é necessário sim desenvolver estudos e campanhas. É necessário desenvolver estudos e campanhas para mostrar aos trabalhadores Que não enxergam ou não querem enxergar, pois já estão planejando o que vão fazer nessas horas de lazer e descanso que terão a mais os pontos negativos dessa nova jornada. Sim, eles existem.

É isso. Os trabalhadores já estão planejando suas horas de lazer, por isso eles não querem enxergar os pontos negativos. Eu não sei o que fazer com isso, entende? Porque é isso. Quando eu falo de burrice, a falta de autocrítica é um elemento muito

Muito básico da burrice, né? O burro não sabe o que é burro. A pessoa que é capaz de admitir ignorância sobre um domínio, em geral, é menos ignorante do que a pessoa que sabe tudo sobre aquilo, né? Se para você saber tudo sobre, sei lá, astrofísica, ou você é um Nobel, Ou você é um completo Lego?

A pessoa que sabe um pouquinho, ela sabe o suficiente para ela saber que ela não sabe tudo. É o Dunning Krug. A curva de Dunning Krug, que é essa curva da sabedoria. E aí a pessoa está no centro de um debate interessante, filosoficamente interessante.

Não os argumentos dela, mas sobre texto e pensamento e produção- e quem trabalha com texto, e se é legítimo ou não tentar ganhar tempo e, portanto, abrir tempo na sua própria jornada de trabalho para outras coisas quando você é. É isso, você é pago para escrever uma coluna.

Tudo bem, você usar uma ferramenta que, no fundo, escreve para você, e isso libera seu tempo para outra coisa, e assim por diante. E no meio dessa confusão, quando ela já está na mira, ela resolve que ela vai publicar uma coluna para dar uma lição de moral nos trabalhadores brasileiros que. Veja bem, tem a audácia de planejar o que eles vão fazer no final de semana.

Não, e ela falando que o tempo dela é muito valioso para trabalhar para escrever coluna. É, não, é muito inaceitável. E tem essa questão que é muito importante, que eu acho que vai afetar a sociedade para além disso. Que é a parte mais sutil, que eu não tenho muito repertório para definir o que eu quero, mas que é. As pessoas não estão se importando muito com isso, e a gente vai lendo os textos, e tem pessoas que vão utilizar o chat GPT com mais destreza do que ela, possivelmente.

O chat GPT vai trabalhar melhor daqui a pouco, vai começar a ter mais estilo, vai começar a ser mais não identificável de maneira óbvia, como ele tem sido hoje em dia. E o ponto é exatamente esse: se a linguagem é o limite do pensamento, mas também a base dele, né? Ele está nas duas pontas, né? A gente sem perceber vai se automatizando. Porque se nosso vocabulário, mas mais do que isso, a própria sintaxe, a forma de pensar.

Dos textos que estão nos cercando de muitas e muitas formas, está sendo elaborado por modelos de linguagem privados de uma certa empresa? O nosso pensamento que vai mandar o próximo é prompt já está colonizado pelo algoritmo e a gente não percebe isso. O que a Natália Beauty acha. Isso que mais me ofende, a maior arrogância dela na minha cabeça, nem a do tempo dela. Ela fala: não, o pensamento é meu.

Supondo uma originalidade do que ela pensa. Supondo que ela não é vítima do lugar é que do lugar é mais comum possível do pensamento da obviedade medíocre. Que o chat de IPT objetivamente é. A busca da média, não das pontas extremas, de má qualidade ou de boa qualidade, de uma emulação de algo que não foi criado, mas simplesmente que é. Meio para escrever em. A cópia é probabilística. É muito útil para escrever um e-mail burocrático. Se ela estivesse usando o ChatGPT, como certamente está.

Na vida dela, como executiva, é uma coisa. É para escrever uma coluna de jornal. Mas até isso, mas eu quero pegar o da coluna para jogar no do e-mail também. Porque é o seguinte, mesmo esse uso mais Defensável. Mais prático, que poupa o precioso tempo que teríamos para ser mais produtivos ou descansar mais. Para fazer esse e-mail, até isso, muito cuidado e muita cautela.

Porque é nisso que você cria rotinas, hábitos, novas maneiras de estruturar a própria sintaxe. É um detinário cognitivo. E é escrevendo e-mail chato que você pega cancha para escrever uma coluna depois. Pra você expressar, escrever um bilhete. Porque se você não faz nem o básico, vai ser muito difícil você escrever uma carta pra alguém. Para mim, tem uma lógica parecida com a lógica do áudio, que as pessoas falam assim: vou mandar áudio porque é mais fácil.

É mais difícil de ouvir. É mais fácil para quem? E um e-mail com Já de APT, ele é mais fácil de mandar, ele é mais chato de ler. Aliás, uma tirinha ótima que eu vi outro dia, assim, um cara falando: Porra, foi ótimo, eu tinha que chegar um e-mail pro meu chefe. Escrevi três palavrinhas, ele transformou em três páginas. Aí corta pro chefe falando: Pô, recebi aqui um e-mail de três páginas, joguei no chat de APT, ele transformou em três palavrinhas. É foda. Então assim o

Você está escrevendo com o chat de APT para pessoas que vão ler com o chat de APT. Por que não escrever apenas você tem que dizer com três palavras? Então, eu acho um desrespeito gigantesco. A pessoa ocupar o seu tempo precioso com algo que ela não se deu o trabalho de escrever, porque ela acha que ela não se deu o trabalho de escrever, mas você vai se dar o trabalho de ler. E está invertendo a lógica, porque necessariamente escrever uma coisa.

Que tem que demorar mais tempo do que ler. É a única regra que você tem que. É o mínimo que se espera. A escrita, que é realmente lapidar, é assim: você tem que passar mais tempo escrevendo do que a pessoa vai passar lendo. É o mínimo, cara.

Então, se você está escrevendo um e-mail que vai demorar menos tempo do que você acha que a pessoa vai demorar lendo, você está desrespeitando o tempo dela. Você está dizendo assim: o meu tempo vale mais que o seu. Então você é uma mesa. Mas aí acho que tem uma outra dimensão disso, que é. For algumas pessoas, em algumas dimensões da minha vida, eu até me incluo nessas pessoas. Você já tem acesso à equipe.

Acho que onde as pessoas estão sentindo um alívio da inteligência artificial é que ela é um bom emulador, não de você mesma, mas de uma equipe. A coisa mais comum do mundo é um executivo ou uma executiva que tem um assistente que lê e-mail e que responde e-mail por essa pessoa. Que tá ali abrindo a caixa de e-mail, e quando o e-mail quer uma coisa, ai, a reunião de quarta-feira precisa ser remarcada pra sábado, não sei o que, biriri, o avião que atrasou.

And o relatório que tinha que ter saído onda, tem que sair amanhã. Essas coisas andam executivo, infelizmente, é 99% desse tipo de chatice. Essas pessoas já delegam. Elas não passam seu tempo respondendo sobre a remarcação da reunião de quinta para sábado.

Mas elas delegam porque elas têm uma ou duas ou três, se for nas calças por um, uma basta. Assistentes trabalhando para elas, certo? Então, o que acho que não é à toa é que a primeira nomenclatura que foi dada à inteligência artificial foi de assistente. Porque eram. A ideia é dar a todo mundo essa.

Praticidade de ter um assistente. E eu não acho que isso seja necessariamente o fim do mundo. Até porque tem algo que é equalizador aí- que é todo mundo poder acessar alguma coisa. Agora, Isso é fundamentalmente diferente. Delegar o próprio pensamento, a própria. E eu discordo, Bruno, de que escrever e-mail é o que te permite escrever uma coluna. Não, não. Porque muitas vezes é o que também não te permite. Porque se você tem, sei lá, filho pequeno, coisa pra fazer.

Efetivamente consome o seu tempo e tira o seu tempo da tarefa criativa. O que é ofensivo da coluna, da Natália, é que ela está tratando a coluna como um e-mail sobre a reunião de quarta-feira. Ela está tratando como uma coisa desimportante da vida dela. E se é desimportante, por que você tem uma coluna? Entende? Ela, por definição, eu acho que existe um pacto, gente, que é um pacto de sinceridade.

Sabe, entre o leitor e escritor, que é um parto de sinceridade entre um amigo e outro, e que você rompe esse papo quando você bota no meio uma máquina. Tem algo que é engraçado com o que você. Mas às vezes o e-mail é meio maquinal, ele é sobre a reunião. Mas esse tipo de e-mail que você escreve, então, três palavras. Isso. Pronto. Você não precisa escrever. Porque o que acontece? Esses e-mails maquinais querem precisar três palavras.

Cancelado a reunião amanhã, por que não escrever isso? Agora virou assim: Ó meu querido, com todo o respeito, parabéns pelo seu trabalho, estou acompanhando seu feedback, qualquer coisa, estamos aí sempre juntos numa equipe. Aí uma citação de coisas assim. Você que a reunião está cancelada amanhã. Então precisa fazer um pouco de novo. Não é apenas um e-mail. Exatamente. Esse não é apenas um e-mail. É uma congratulação pelo seu lindo trabalho frente à equipe.

Você sabe que no surgimento da escrita ela veio com muita polêmica, né? A escrita. Pessoal era contra. A pessoa era contra. Platão era contra. Sócrates, Platão não. Platão traiu o Sócrates, inclusive, publicando Sócrates. Publicou o Sócrates. Sócrates era contra, porque Sócrates tinha um argumento muito bom contra a escrita, contra o livro, que ele falava assim.

Cara, se tem alguém que me diz algo e eu discordo, a pessoa está na minha frente. Eu sei que foi ela que disse. Eu vou discordar dela, ela vai poder melhorar o argumento dela. E é o método dele, inclusive. Já os livros, ele dizia, não melhoram. Você discorda do livro e ele continua achando a mesma coisa. E mais a pessoa publica uma coisa e depois você não sabe quem escreveu aquilo. Você não consegue ir atrás da pessoa que escreveu. Ele ficava revoltado já.

Com a falta de ética, com os dilemas éticos da escrita no livro. E ele tinha um ponto, ele tem um ponto realmente. São problemas que a gente se acostumou. Mas a escrita é mesmo problemática, porque ela faz com que o emissor não esteja presente.

E até o advento da escrita, se alguém estava dizendo alguma coisa, a pessoa estava necessariamente na sua frente dizendo aquilo. E isso tinha implicações. Você podia respondê-la, você podia bater nela, você podia argumentar ela. Mas tem outros indícios de que ele está mentindo também. Não confio muito. Só olha a cara dele. Botei a mão na orelha, passa mais. Esclarece alguma dúvida no caminho. Mas perto dos dilemas da IA, Some win, man.

Mas o que tem de bonito é que a gente tem subterfúgios para que a escrita seja confiável. Um texto é assinado, um texto passa por um editor com a sempre, uma editora, que às vezes é outra coisa. Eu imagino, os editores da Natália Beauty nunca acharam aquilo meio ia. Claro, ela não deve mais ter editora. Acho que a Folha demitiu os editores. Não é possível, porque.

Aí entra a gente em todos os sinais muito evidentes de IA. Aí A ela escreve mal por enquanto. Eu acho que isso vai mudar. E aí vai ficar. essa conversa vai ficar eticamente e praticamente mais complexa também. Mas no momento ela escreve de forma muito básica e muito pouco interessante. E ela tem vários vícios de linguagem. Existe um estilo da IA- sobretudo do chat GPT.

Que tem já um estilo de linguagem próprio, que é, na verdade, como o Bruno falou, uma mediocridade instalada como estilo. Então, uma coisa que ele faz muito, por exemplo, paralelismo. Não é isso, é aquilo. É o uso excessivo do travessão, que muita gente já anotou. Tem um monte de outros vícios. E ela comete todos. E, de novo, o paralelismo existe na escrita de fato, não é uma invenção da inteligência artificial.

Mas o excesso de paralelismo é o paralelismo como muleta, assim como travessão existe. Ou, por exemplo, a YA tenta emular a complexidade, porque ela sabe que a boa escrita. Ela tem sutileza, ela tem complexidade, ela tem camadas. Ela entende que isso é bom na escrita. Então ela tenta emular a sutileza. Como que ela faz isso? Da forma menos sutil possível, que é falando de sutileza. Então, ela fala dos sussurros. Do que foi entre ouvido, do que foi revelado. Ela gosta dessa desse campo semântico.

Que ela associa a sutileza e à complexidade. Então ela enfia sussurro onde não tem sussurro. A gente pegou, e isso na política está sendo muito engraçado de ver, né? Que é um território. É um território específico. É muito específico, porque se a gente falou que o pensamento, o limite do pensamento e a linguagem, O limite da organização política, de fato, na sua, é o pensamento. Você não consegue organizar

Ninguém em torno de um ideal que você não consegue conceber, pensar e imaginar. E é política, é discurso. É discurso. A produção de discurso é profundamente política. Então, quando a política começa também a absorver O discurso da inteligência artificial, o que isso faz com a política? E aí, a gente pegou aqui alguns exemplos de políticos usando Iá, claramente usando Iá, só para a gente lembrar a cara que tem.

Então, Flávio Bolsonaro falando. Muito provavelmente, porque eu estou falando. 2026 não é só uma eleição, é uma escolha entre o que constrói e o que destrói. 2026 vai além da política. É sobre valores, futuro e direction. Esse não é isso, é aquilo, é típico do Chat GPT. Aí depois um outro dele também. Não é sobre números, é sobre escolhas.

Temos a Ronaldo Caiado também. Autoridade moral não é discurso, é prática. Esse tipo de construção é muito comum. E a Damares fez um maravilhoso com a coisa da sutileza, dos sussurros. Falamos sobre o carnaval. Muitos olham para esse período apenas como um feriado, mas para nós, o povo de Deus, esse é um tempo precioso de retiro e renovo. Em meio ao barulho do mundo, escolher o silêncio para ouvir a voz do pai não é fuga, é estratégia. Tem sempre não é, é no secreto.

No secreto, de joelhos que ganhamos as forças necessárias para lutar as batalhas públicas pela vida, pela família e pelas nossas crianças. Enfim, essas. E aí, a produção do discurso político sintético, o que ele faz com a política? A gente não sabe ainda, mas é muito preocupante. E a questão que mais me preocupa, e é isso que eu falo- que daqui a pouco vai automatizar o nosso discurso.

Discurso, e isso vai fazer com que as pessoas escrevam assim, e daqui a pouco não vai ser mais comprovável, porque isso muito provavelmente é. A gente não sabe, mas tem todos os indícios de cachete GPT. Mas na medida que as pessoas que vão lendo isso. E aí eu vou dar um exemplo de uma deputada de esquerda, que eu não vou citar o nome, porque eu não quero polemica aqui, também não lembro direitinho do texto, mas foi o seguinte: ela fez um post, um é carrossel.

No Instagram, sobre o Bad Bunny. O show do Bad não é cultura, é política. Sei lá, tinham 6,7 ECADs. De 6, 7 e 4 tinham. Não é sobre. Não é sobre, é isso. É aquilo, não é aquilo. E a coisa mais é GTT, que ele botava esse negócio e aí é. E aí tinha itens, bullet points. Tá, tá, tá, tá, tá. Então era assim, era um recibo completo de chat GT. Que para a gente não só a gente vê como chat LGBT, mas a gente é mais de letra, a gente deve ser muito a sério, a gente gosta desse assunto.

Ruim, acha feio o texto. Só que os comentários eram o que mais me preocupou. Porque as pessoas assim, nossa, meu olho encheu de lágrima, eu mostrei pra minha família, a gente tá batendo palma de pé, porque ele fez de um. Jeito para um mundo que não é o mundo das letras, um mundo que consome texto de maneira muito Fugás mesmo, ele apresenta uma estrutura que, mesmo que seja na média, Ele provoca esse efeito emotivo muito barato que ele está atrás de provocar essas sensações literárias baixas.

E aí, o que eu acho é que as pessoas não só vão se emocionar e serem influenciadas por esse discurso, mas elas tentem emular isso no texto delas. Porque ela viu que essa formulação, não só recorrente, toca ela. Então, muito provavelmente já estamos escrevendo os mais com não é sobre, é sobre. E aí vira uma coisa que morde o próprio rabo- que é essa profunda influência mesmo de máquinas no nosso poder. Pensamento, o nosso prompt vai estar condicionado ao que a máquina deu para a gente.

Já está, já está. E eu sinto que as pessoas já estão chatizadas sem necessariamente usá-lo. Isso acontece também. A politimização do PS. É verdade. Eu já sinto pessoas que usam um modelo mental desse tipo, né? Que não necessariamente recorreram a ele, porque às vezes é uma pessoa falando numa opinião normal, mas ela está num esquema mental de não é sobre. Termos que o CETAPT voltou, tem palavras que bombaram por causa deles, falou de sussurros.

Mas em inglês tem várias, que agora não é. É crucial. Ele começou a usar muito no. Unveiling, unveiling em inglês está sendo muito usado. Isso é medido, né? Você consegue medir a prevalência, por exemplo, de certos termos em tese de doutorado, em tese de mestrado. E aí tem um aumento vertiginoso do uso de alguns termos. Aliás, acho que vertiginoso é um deles.

Enfim, em todo caso. E dá uma raiva porque às vezes são palavras que você gosta. Eu adoro vertiginoso. Eu adorava, eu adorava travessão também. Travessão é uma maravilha. Eu adoro travessão no mercado. Ele é esperto, ele é esperto. E ele funciona com textos bons. Então ele lê os textos bons e transforma numa pastorização. Uma coisa que eu acho que talvez role, sendo otimista,

It's a fucking algorithmic. It's always coming to text to be more algorithmic. In fact, photography created abstrata, the text of I. Ele crie a necessidade do escritor ou do jornalista, de quem for. Ser menos formulário, ser mais pessoal, ser aquilo que o computador não sabe ser. Essa é a minha única esperança. Talvez tenha uma volta para o oral, que talvez inclusive esse boom de áudio de podcast tenha a ver com isso. É a concretização do.

Do medo de Sócrates, Greg. A partir do momento que a escrita ela puder ser produzida de maneira cada vez mais convincente por máquinas. Pra que ler, né? Isso então eu só vou confiar naquilo que eu ouvi da boca de alguém. E olha, e aí pessoalmente, porque se for em vídeo, pode ser também de.

De fake de entrevista de visitas. Nós estamos em um teatro vazio, mas. E cá estamos em um teatro vazio, mas no próximo vai estar cheio muito. Pra gente ter testemunha de que foi a gente mesmo. E a literatura, Alessandra, o boom. Do teatro. Não, não, não. Da auto. Alguns chamam de autoficção. O Eduardo Louis prefere autobiografia. Esse boom, né, da autoescritação, tem a ver também.

Que é algo que o computador ainda não sabe emular por não ter experiência de vida mesmo. Porque ele não viveu, ele não está vendo. Mas eu acho que a verdade própria. Se a inteligência artificial escrevesse uma autobiografia, eu estaria interessada em ler. Não, tem uma autobiografia. O que nós temos? Já saiu odre. Não, dele mesmo. Tem um livro.

Um livro chama Iá uma autobiografia, que é um cara que editou um livro que o IA escreveu. É feito em parceria, está publicado em português. E qual o seu interesse nisso? Eu não zero. Eu não comprei. Eu acho que de modo geral é zero, porque as pessoas elas ainda querem, quando elas buscam um livro, pode ser, cara. Estou falando de livro de aeroporto, até, mas elas vão buscar lá a história do cara, do dono da empresa tal.

Pode estar se escrito por IA, mas ele vai ter que disfarçar legal. Porque as pessoas querem ter pelo menos a impressão de que elas estão chegando algo por humano, entendeu? Isso concentra. E o bom do teatro é isso: o teatro vive uma explosão no lugar- é um lugar que você. Sabe que vai ser um território livre de algoritmos. Tem uma coisa acontecendo ali que está acontecendo na sua frente.

É um corpo. Sobre essa descorporização, e acho que já já a gente vai ter que começar a encerrar também, então não quero me alongar, mas quando o Bruno falou da deputada que escreveu com o IA, Eu fiquei pensando que é uma etapa dois de uma coisa que já aconteceu na política, que é, sobretudo, para pessoas públicas, e os políticos quase todos, por definição, são pessoas públicas.

A gente já aceita que o perfil delas diz algo que não são elas que disseram. Então, ninguém imagina, ou acho que poucas pessoas imaginam, é que. A deputada é quem está postando no perfil da deputada. É uma equipe, é uma assessoria, é alguém. A gente já normalizou uma coisa na política que eu acho muito profundamente desconcertante. Que é a ideia de que os produtores de discurso político, aqueles em que a gente vai votar, que podem governar nossas vidas, que podem ajudar a criar o coletivo.

Que essas pessoas têm que emitir opinião sobre tudo o tempo todo, e que essa opinião não é exatamente delas, é de alguém. Tanto que quando elas falam merda, a desculpa mais comum é culpar a assessoria. E isso é um pouco normalizado. As pessoas me perguntam muito porque eu não tenho rede social. E tem toda a parte. Mas parte da minha razão é que eu realmente, assim como Natália Bilt, não tenho muito tempo.

Não para escrever um tweet, mas para pensar sobre o que eu acho de tudo isso. E essa ideia de que você fica escravizado, enfim, você precisa emitir. Opinião, sobre tudo, ela é muito enlouquecedora, eu acho que, para o cidadão comum, mas é especialmente enlouquecedora para o representante eleito. Porque eu não espero que o meu deputado ou deputada.

Tenha uma opinião sobre tudo. Se ele ou ela tiver, eu desconfio. Porque o que eu espero sim de um representante meu é que ele tenha uma reflexão madura sobre as coisas- que ele tome o tempo de se informar. Que ele ou ela leiam sobre o assunto, conversem com pessoas, procurem os afetados por uma política pública. E ninguém faz isso nesse a toque de caixa, sobretudo. O que acontece aqui, o que acontece na China, o gato, o cachorro.

É uma loucura. E aí, se você já aceita que aquele texto é de um assessor, aceitar que é do chat GPT não é tão mais difícil, né? Você já dissociou. Da subjetividade, de fato, daqueles objetivos. A parte mais louca de todas, né? Que é o fato de que a gente está cada vez mais perfilado, assim, e cada vez mais avatarizado. Então tem uma hipertrofia do eu, do eu, eu, eu, eu, o que eu vivi, eu, a self, o centro of self, aquela coisa, e ao mesmo tempo.

Um esvaziamento da subjetividade real. Então são performances e subjetividades esvaziadas na subjetividade de fato. Mas eu e menos selfie, né? Exatamente. Tem menos subjetividade. E isso eu acho que é muito central, que é uma conversa que, estranhamente, a gente não consegue penetrar nela e que ela é a mais afliva, na minha cabeça: a gente está arrancando a consciência. Dos processos cognitivos de maneira massiva, a consciência, que é um mistério.

A gente estava numa década passada, a gente estava começando uma ciência da econsciência, entender que cacete é isso- o processamento de dados vira. Vira uma experiência real ali é colapsa em um sujeito que sente, vê e pensa coisas. Para a emulação disso que está tomando o lugar das coisas que a gente fazia com muita consciência. Então, é o fim da subjetividade em nome de uma. Do que exatamente? Do nosso tempo.

Que é mais valioso pra quê? E a gente tá fazendo tudo isso em nome do nosso tempo e não consegue nem acabar com as calas 6x1. Que tempo todo é esse que a gente tá liberando dos grandes. É incompreensível. É incompreensível. Então, assim, se fosse pra isso, se ela. Então, a Natália Beauty pra ter um mínimo de coerência. Você falou do fim das casas, gente.

Eu estou usando isso daqui porque eu quero ter fim de semana de três dias. Eu tenho uma filha, não quero ficar escrevendo o colônio da Folha. Eu quero brincar com a minha filha ali no pátio. E todo mundo deveria usar para ter a escala 3x4. É uma possibilidade aumentar. É, pra gente fazer alguma coisa da vida. Não. É pra ter tempo de trabalhar mais em alguma outra coisa, que é o quê? E vamos ser sinceros: no caso do Natália Vilde, de muita gente, no nosso meio, é pra ter tempo. Scrollar.

Porque o tempo que as pessoas não estão escrevendo elas estão usando um assistente para escrever um texto, elas não estão lendo Guerra e Paz. Não é isso que elas estão fazendo. Ou Xadio APT, chave essa coluna aqui que eu vou terminar o meu tolstói. Não é isso. Ela está lá escrolando. Então ela está passando mais tempo com o algoritmo. Ela está usando o algoritmo para passar mais tempo com o algoritmo. Essa é verdade. Então o algoritmo fazendo com que você passe mais tempo com ele.

E que no final das contas pode ser resumido em termos econômicos, em você deixar de ser produtor. Então, a produção você delega para o robô.

No caso, produção de informação no mercado da informação no mercado da atenção. Você para de produzir aquilo que captura atenção, mas você não deixa de ser consumidor. Você segue consumindo. E daí, aí a pergunta para quem olha para o mercado de trabalho, É, bom, se todo mundo deixa de ser produtor, mas não deixa de ser consumidor, como é que o consumidor consegue consumir?

Que aí tem a ver com essa captura absoluta do valor, né? Por essas empresas, as anthropics da vida, que capturam o valor de uma maneira Absurda sem precedentes na história da humanidade mesmo, e que pode acabar gerando uma Obso ciência do trabalho. Numa sociedade que não consegue nem discutir lazer.

E tempo livre, e capacidade de viver com a sua família, com seus amigos, e distribuição de renda- que são as únicas coisas que podem nos salvar dessa distopia. O fim das calças por um é o início de uma conversa sobre como que a gente. Desloca aquilo que sustenta a sociedade de trabalho para o capital, na verdade, porque é no capital que está acontecendo a produção, né?

É um monte de máquinas, são empresas produzindo, não mais as pessoas produzindo. Não, é, e o fim da consciência nesse processo, que eu acho que isso botou bem, né? Quando a gente vira consumidor, talvez seja o nosso único papel público daqui a muito pouco tempo, ou o principal deles, né? Mas cada vez mais, acho que tem algo diretamente relacionado com o fim da consciência. Que é você sobra com o que então?

Com o seu inconsciente livre. Porque se você não tem a consciência, o seu ego muito bem estruturado, e o seu pensamento que seja capaz de se elaborar sem uma máquina. Mas um pensamento que é capaz de escrever a coluna de si mesmo, assim, de você conseguir se entender como um é sujeito, o seu inconsciente.

Priorizado, o seu inconsciente, como a única coisa que sobra na sociedade, é o consumidor mais perigoso e mais inconsequente que possa ter. É o ser humano que perde a agência histórica, que é o que a gente está vendo nessas guerras todas, e é o O é político que para de tomar. É decisão que para de tomar decisão e para de produzir discurso. O que ele faz? É, o que é que ele faz? E é algoritmização da própria história, né? É muito louco isso.

Eles pulando a parte chata deles. Eles pularam a política. Eles pularam o trabalho deles. No fim das contas, ninguém quer trabalhar. Então vamos assumir isso, vamos assumir isso. Vamos embora, né, gente? Cara, mas concluindo aqui, eu acho que realmente tem algo que o Bruno falou e voltando ao grama.

Com a nossa, não é inércia a palavra, nem apatia, mas nossa falta de ferramentas de indignação. Aliás, um termo bom que o Fernando Barros cunhou é pós-putos, né? Ele falou que estamos meio putos. Nós estamos meio pós-putos. E eu acho que isso aí tem a ver sim com automatização. Você vai protestar contra uma IA? Ela está cagando. Se tem alguém que está cagando, os governantes sempre cagaram para os protestos, de modo geral, se forem massivos. Mas se tem alguém que caga de verdade, é IA.

E eu acho que você está lidando com um inimigo novo que realmente. Não é que não se importa com você, é que não sabe o que é você, é o que não sabe o que é se importar. Não sabe nada, não sabe. É uma era nova mesmo que a gente vai precisar. Que bucho, hein, Greg? Eu vou fazer um último jabá antes da gente fechar, que eu sei que o Greg já está aqui fechando.

Que é essa semana, quarta-feira, a gente vai ter o primeiro encontro do nosso clube de cultura para debater um livro que a gente ama, que é o Vivo Povo Brasileiro, um filme, um disco. E a gente vai continuar tendo esses encontros semanalmente ao longo do ano. Então, se você ainda não se inscreveu. Ainda dá tempo de se inscrever e pegar o Clube de Cultura no iniciozinho.

And I follow this muito sinceramente. It me preocupa muito sedentarismo cognitivo. The automation of coisas físicas gerou uma geração, algumas gerações of sedentários físicos na humanidade. E aí, as pessoas passaram a fazer, sei lá, exercício de forma.

Academia, ou sair para correr, um exercício que era uma coisa integrada à vida. O Bruno fala muito sobre esse assunto, né? Passou a ser uma coisa que você precisa fazer de maneira intencional. E acho que a gente está vivendo um processo parecido com a cognição.

If a gente não for intencional sobre as nossas leituras, os nossos debates, aquilo que a gente conversa, a gente vai ficar preguiçoso e sedentário cognitivamente. So, the resposta mínima que a gente está tentando dar é se juntar para ler uns livros. Longos, não todos, não serão todos longos. O do próximo mês é bem curtinho. A gente acabou de ler um de 600 e poucas páginas, mas a gente vai depois ler um de 100.

Mas vou te falar, são as 60 páginas mais prazerosas que eu já lembro há muito tempo. Essa aqui é a delícia. Aliás, a gente falou por alto de sedentarismo, que eu acho uma ótima imagem de sedentarismo cognitivo, mas tem outra que eu acho que as pessoas usam um pouco, que é Gastronômica, que é a ideia de que Você tem ultraprocessados cognitivos, né?

Que é o texto de A. Ele é uma farinata do Dória. É, farinata. Tipo, se você comer, você não vai morrer, não é isso? É óreo. Mas a sua dieta não pode ser só óleo. Não pode ser só. Então vem comer um brócolis com a gente, entendeu? Não, no caso do vivo povo brasileiro, é uma feijoada, uma muqueca. É uma muqueca de camarão, né? Não, é uma mente, é uma explosão de sabores, não só com sabores, mas também.

Porque comida não é só sabor, é também contra isso. É algo que faz você que organiza a vida. Isso que eu quero. A literatura pode ser esse lugar também, não, né? Tem uma coisa de. Então, só para terminar o jabá direito, Bruno, eu passo pra você calmurgente.com.br. Pra quem quiser se inscrever no Clube de Cultura, é só ponto. Ai, meu Deus, eu sempre erro isso.com. A gente teve ter o BRC. Quem quiser se inscrever no Clube de Cultura pra vir comer feijoada e muqueca com a gente.

Não literalmente. É só entrar em calmurgente.com e se inscrever. Você vai ler, ver filme, vai ter o acesso a essas conversas que são só para os assinantes. Vai ter acesso, é prioritário para esse teatro e para ver como a gente. Ao vivo? É ao vivo, a gente vai fazer mais eventos desse. E uma comunidade exclusiva para quem é membro e é membro para a gente se conhecer, para se organizarem, verem, assistirem e lerem coisas juntos, irem em festas. E um clube de muitos descontos em

Em Sinema, em editoras, livrarias e coisas que acontecem fora da tela. As coisas acontecem fora da tela para a gente se ver. Mas isso que você colocou, só para encerrar que eu vou fazer uma defesa do Viva O Povo Brasileiro, que é um livro que a gente está lendo, mas uma coisa que me espanta muito, que é

O livro é muito saboroso de ler. É um texto, para mim, assim, uma obra-prima, uma exuberância. Mas mesmo que você me convença, e talvez vá ver que é possível- daqui a 3, 4 anos, que a Antrópica seja capaz de produzir o mesmo texto. Ter essa capacidade cognitiva eletrical de fazer isso, me enganar. De produzir o mesmo texto equivalente a um texto que o senhor leste de uma pessoa ia ficar muito admirado.

Eu posso te garantir que eu ia ficar triste lendo esse livro e não feliz. Porque a questão da obra de arte que eu acho ela não é um produto. Ela se apresenta materialmente como um quadro, como um poema, como um livro, como uma música que ainda assim é som e é material também. Mas o mais bonito disso é que ela te conecta com uma outra consciência humana.

Eu penso no que está passando na cabeça do João Baldo. Você entra na cabeça da vida dele, em ser um baiano, em comer aquela comida. Tipo, qual foi o dicionário que ele achou essa palavra maluca? De onde ele recuperou a história que ele achou aqui? E me dá uma empatia por essa pessoa. Ver um quadro é.

Ou abstrato, eu falo assim: qual é a angústia que esse cara tem? Você se conecta em um lugar intransponível da obra de arte, que é pra isso que ela serve. Ela não é um produto. Não é. E tem algo que eu acho que existe uma utopia da nossa geração. Muito forte para mim, pelo menos, não sei se para vocês também. Que é o Matrix, uma parte específica do Matrix, que é o aprendizado no Matrix. Não sei se vocês lembram como é que é. É um download.

Aquilo ali mexeu com a nossa imaginação. Eu pensei, cara, já pensou que máximo você botar aqui e baixar aqui. Você luta jiu-jitsu, você toca piano, você fala russo. Porque é um chip, é um. Baixou, está na nuvem, pronto, virei um karateca, pronto, virei. E essa utopia, esse sonho, esse input, chame como quiser.

É algo que nos contaminou muito e que é meio possível, teoricamente, pela IA, no sentido de que você consegue fazer, é meio sobrenatural. Baixei e fiz. Não é que eu fale russo, mas ele traduziu, é como se eu falasse, escreveu um e-mail e russo. Mas ao mesmo tempo tem algo ali que é utópico e é inatingível por um motivo.

Está fora do tempo. E qualquer professor sabe disso que é impossível você ensinar alguém fora do tempo. Entendeu? Você não tem como baixar, porque o aprendizado não é um download. É um processo. É um processo. Você não consegue aprender russo tem tempo sem 10 mil horas de voo. É curioso esse conceito de horas de voo? É um conceito curioso, porque você pode ser o melhor.

Piloto do mundo, cara. Você pode aterrissar um bongue na sua primeira aula, você faz o milagre. Não importa, você não vai ter o brevet, porque tem uma coisa que se chama horas de voo. Você só consegue, com horas físicas, experiência de verdade. É uma aposta de que é o tempo que ensina. Não é o quanto você leu, nem é o que você fez, é o tempo.

E tem isso para piloto, mas eu acho que tem isso de modo geral. Tem coisas que você só aprende com horas de voo. Por isso, essa coisa do Matrix é algo que eu acho que a gente nunca vai chegar lá. Que é o fato de que você só aprende dentro do tempo. O tempo é o ingrediente mais fundamental para a vida. Você não consegue condensar. E por isso que eu acho linda a experiência de ler um livro. Por que é diferente?

Ler um livro, o que. seria radicalmente diferente você baixar o vídeo do povo brasileiro. Você não passa tempo com aquele livro. Você não passa tempo com ele. Ele não entra na sua vida. E a mágica da literatura é que ela vai permear a sua vida, e o tempo que você leu vai ser um tempo. Que vai fazer parte da fruição da obra. Ela não existe fora daquele tempo que você lê. E eu acho que isso aí é legal de ler junto também, né? E é um diálogo real, com uma pessoa que.

Está morta, mas estou conversando com o João Ubaldo. Estou absolutamente vivo naquele momento. Que é outra coisa que eles tiram da gente também, que é a ideia de que esse tempo que a gente lê ou escreve. Ou aprende piano, ou se esforça para fazer alguma coisa, é um tempo que se perde, é um mero esforço, and você deveria fazer menos esforço. E a ideia de que ler é difícil e chato e não extremamente.

Saboroso junto com isso, que o esforço que você traz é altamente recompensador em dimensões imateriais, intangíveis. E é isso que eu falo: se aquele livro fosse escrito por uma máquina e eu lesse o livro e falasse: fala que fez, eu ia ficar triste, porque eu falo assim, Não tem... Um ser humano não tem outro aqui. Não tem uma angústia aqui. Isso não tem desejo. Isso não tem uma vontade. Isso não tem vontade de falar comigo, de me tocar, de me emocionar. Então, esse é o conflito.

Esse foi o Calgente. Obrigada, gente. Venha nos encontrar no Clube do Calma. Se quiser continuar essa conversa, e aqui, ó. Clube do Calma Urgente. Calma Urgente.com Entra no nosso clube de cultura. Até breve, até semana que vem. Um beijo, querido. O Calmo Urgente é uma produção da Peri Produções e do Fluxo. Na apresentação, Alessandra Orufino, Gregório Divivier e Bruno Tortura. Na produção, Carolina Foratini Igreja e Sabrina Macedo. Na pesquisa e roteiro, Luísa Miguel.

Na captação de som, edição e mixagem, Vitor Bernardes. Ilustrações: Ana Brandão, na sonoplastia Felipe Croco, na edição de cortes Júlia Leite, nas redes sociais. Gestão de Comunidade Marcela Brandes, na Identidade Visual, Pedro Inoi e Consultoria de Comunicação Luna Costa.

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