Estrelas de São Custódio - Entreouvido na Frasqueta #001 - podcast episode cover

Estrelas de São Custódio - Entreouvido na Frasqueta #001

Dec 24, 202432 min
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Este foi o Entreouvido na Frasqueta, um papo sem pretensões, bem slice of life, interpretado livremente pelos jogadores de Biergotten, entre um gole de cerveja e um tiragosto, colocando em perspectiva seus feitos e desfeitos em nossa campanha.

Hoje tivemos Brisa - sacerdotisa de Maria Joana (Janaína Scaramel), Lirinha - mago dramaturgo (Daniel da Rosa) e Fausto - Anão (Marcos Gonçalves) jogando conversa fora com a taverneira, a Dora da Sorte Grande.



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  • Gui Providello

Imenso agradecimento aos membros do Cafe com Balbi

  • Thiago augusto


Editor: de Tito Lima

Puxador: Rafael Balbi

Transcript

Entre o vidro e uma frasqueta A Frasqueta não é mais aquela vila pacata de outros tempos. Os aventureiros mudaram para sempre o cenário, com os frutos de seus sucessos e com os problemas de seus fracassos. A noite tranquila e estrelada de hoje é uma ocorrência cada vez mais rara. A Traverna da Frasqueta vibra com quem tem dinheiro para pagar pelo delicioso pão com tomate e iscas de peixe que adora serve.

e seus frequentadores lidam com os pedintes que se espalham pelo lado de fora das janelas e na varanda, à espera de caridade ou de restos. Ali, na taverna, se reúnem três figuras de maior ou menor renome junto ao mundo dos aventureiros, dessa vez sem a pressão de tomar a cerveja ritualística que os conecta aos titãs, obrigatória antes de incursionar nos ermos. Hoje não. Nessa agradável noite de outono, eles jogam conversa fora, desfrutando o que trouxeram de

seu arriscado negócio. A Dora, dona da taverna, se seca no avental e pousa a mão no ombro de Brisa. Olha na cara de cada um dos aventureiros e fala baixinho. Vocês já pararam pra ver o céu de outono na frasqueta? Nessa época do ano, o tempo ainda não castiga e algumas noites são tão bonitas. Repararam nas estrelas? Eu tava olhando aqui mais cedo, no início da noite, e vi que tem duas juntinhas que parecem pertinho da gente agora. Vocês repararam? Elas estão mais próximas do que

as outras, não estão? Elas são para lembrar do fim que os larápios biltres têm aqui na frasqueta. Eu batizei de olhar de São Custódio essas duas estrelas. Adora sorrir. Em algum lugar, um impulso reacionário... foi contemplado quando ela pagou umas boas moedas de ouro pros aventureiros que estavam partindo pro Pico da Luneta levassem a cabeça de um ladrão que roubou o cofre de São Custódio, do qual o seu filho, coach de fortuna, trouxe de Porto Príncipe. A Dora se levanta, olha pra

comida à mesa e pergunta. Pra vocês parece mais simples... Assaltar a Igreja de Fortuna do que achar um jazigo de titã, não é isso? É assim que parece pros aventureiros? Pois se isso parecer verdade, pode espalhar a notícia. Lembrem do céu de outono da Fresqueta. Mas enfim, conta pra mim, Lirinha. Você tem a ver com os barulhos que a gente ouviu daqui da Fresqueta, vindos lá da Serra da Luneta? Parecia que as rochas estavam se

partindo, que tudo ia desabar. Mas depois tudo ficou quieto e voltou à normalidade. Por algum momento eu pensei que eu tinha perdido mais clientes. O que aconteceu? Ih, chefe. Essa é uma longa história. E ainda bem que temos uma cerveja aqui pra adocicar as gargantas. Mas sabe como é? A minha paga aqui não tá tão generosa assim.

Você não poderia, pelo menos hoje, já que estamos aqui entre uma companhia tão agradável, a Brisa, tem o Fausto, trazer um pouco, só um tequinho daquela cerveja especial? Você tá falando da bergotem, Leirinha? Não, não. Bom, isso é uma cerveja sagrada, mas aquela safra mais encorpada. Eu vou fazer o seguinte, eu vou trazer a cerveja que eu uso pra fazer a bergotem, mas sem o preparo da bergotem, serve? Opa! Tá servido. Ah, bom. Eu tava achando que vocês estavam ficando viciadinhos aí

na cerveja, né? Não, não. Os meus vícios são só meus. Não coloquem no input eles aos outros. Ela levanta o dedo assim. Brisa, uma também? Quero. Sem o preparo da bergota, hein? Porque apesar de viciante sim, a gente sabe que ela é perigosa, né? e você Fausto, vai uma também? com certeza pode contar comigo nessa Jamanta traz três e ela faz assim com o dedo e chama os três as três cervejas pra vocês e aí ela olha e fala assim mas

aí, o que aconteceu afinal? você não quer falar sobre isso, Lirinha? Brisa, me acorde aqui, Brisa é que tudo pareceu um sonho, sabe? a gente tinha bebido da bergotem e por um momento a gente não estava mais aqui. Você sabe como a Bear Gotham é, né? Ela tem suas sutilezas. E aí, de repente, de forma nada sutil, a gente se viu imaginando e sonhando um sonho do outro. E aí, bom, um sonhou numa tempestade... Eu sonhei que a gente se elevava aos céus...

E os sonhos foram se seguindo... E felicidades foram acontecendo... E... Bem... Quando a gente... De fato estava nos ermos... A gente de fato estava diante de uma situação desesperadora... Que é... A gente estava... Andando pelas montanhas... E subindo... E procurando ganhar terreno... Naquele momento... Só me veio à mente o sonho... E aí eu... Falei com o pessoal... Falei... Olha... Acho que é a hora, hein, da gente sonhar junto.

Pra falar a verdade, quem falou isso foi a Brisa, mas eu que tô contando a história, a história é minha. Ela que se contente com a glória de cerveja. A Eulirinha tem essa síndrome do protagonista, né, Brisa? É tudo bem. É bom que ele paga pelos nossos erros também, né? E teve algum erro ali? Como é que foi isso? Ali não, mas teve outro que eu vou puxar aí pra falar. Ah, é? Termina de contar a história da estrela. Eu tô mais com medo da próxima história, então eu vou que

desce. Mas sabe que naquele momento que sonhamos junto, graças a uma brilhante ideia que surgiu ali, nós demos as mãos, fechamos os olhos, e de repente nós sentimos o chão se elevando. E uma escadaria foi nos carregando magicamente pelas montanhas ela subiu ela desceu, ela deu voltas e o chão foi sendo arrasado por essa escadaria que surgiu magicamente de um sonho peraí, peraí, então quer dizer que tem ou não tem uma escada lá agora?

tem até onde a gente viu a gente foi e voltou dela a gente ouviu daqui alguma coisa é, só que isso veio de um sonho Ela olha, ela pega a moedinha dela que tem no pescoço, beija com uma oferenda de carinho, fortuna. É, vai bem que os deuses nos protegem dos titãs, não é? Protegem? Gente, vocês estão muito preocupados com os deuses, com os titãs. A gente vai vivendo porque somos pequenininhos aqui e a gente vai vendo o que dá. Pensem na vida como um palco, só que sem diretor.

Sem ninguém pra falar o que é certo e errado. E a gente vai usufruindo assim. Um dia, uma bebida com certos elementos mágicos, obviamente, nos deixa sonhar. E no outro, a gente tá, bem, numa caverna com uma aranha gigante. Acho que disso a Brisa pode falar. Matando o que nos protege do Titão do Vazio. Né, Lirin? Lendas, lendas. O que tinha lá era uma aranha. Era uma viúva negra gigante. E vou dizer a verdade antes dela do que eu. Mais ela que nós, né, Brisa?

Do que nós. Explica direito isso, Brisa, porque eu não fiquei sabendo disso. Tem algum risco acontecendo aqui? Estava tudo escuro. Eu e Lirinha estávamos dentro do Monte do Ocarina e a gente tinha ido lá pra matar a Viúva Negra. A Viúva Negra das histórias todas. Por um momento eu achei que nós queríamos no lugar dela. Porque quando a gente... Quando você olha pro vazio, o vazio olha de volta pra você. E aí, quando a gente encarou a aranha, ela deixou tudo ao nosso redor escuro e...

Eu achei que a gente não fosse conseguir vencer. Mas eu consegui lançar a luz no meu escudo, o Lirinha conseguiu enxergar onde a aranha estava e ele estava com uma varinha de raio e ele matou a aranha. Matar é uma palavra muito forte. Eu queria apenas atordoá-la com... Sabe quando você às vezes toma um choque? Acontece. Até onde eu vi, ela ainda tinha uma patinha assim, fazendo leves movimentos quando eu a deixei. Isso é uma interpretação da realidade, né?

Pra não dizer que é uma mentira. Mas peraí, vocês foram lá, descarregaram um raio na viúva negra e vocês libertaram um titã? Consequências não previstas. Depois disso, o que se sabe é que a floresta do Cazulo tá sendo tragada pra dentro da montanha da Alcarina. Se é o Titão ou não, não temos certeza. Ninguém viu. As pessoas supõem. Como dramaturgo, eu diria que isso é inverossímil. O que uma aranha vai ter a ver com uma montanha sendo engolida de dentro pra fora, sabe? Não faz sentido.

Eu acho que as pessoas estão fazendo interpretações aí que isso deve ser um desastre natural. Normal, acontece. Eu vim de um lugar que, vez ou outra, tinha terremoto. Isso aí é só uma forma nova de terremoto. Eu não ficaria tão preocupado assim. É, tem gente que encara o mundo assim, né? De que tudo é um fenômeno natural, inclusive os fenômenos que são causados por nós. Pode ser que isso seja nosso calvário, quem sabe, mas espero

que não, né? Ela olha em volta, assim, e quando ela olha em volta, vê uma série de pessoas que estavam bebendo tranquilos em volta, começam a pegar uma nesga do papo e ficarem preocupadas também. Mas aí ela olha e fala, então vocês eletrocutaram uma aranha. Ela olha e fala assim, sabe quem faz uma coisa dessa e eu já vi

fazer uma vez? Aquele velho passa às vezes em volta da frasqueta carregando um monte de coisa, umas tralhas, e ele não para nunca, ele já me passou uma cantada, e nesse dia, sabe o que ele estava fazendo? Ele estava com uma coisa na mão que parecia uma, não sei, uma raquete, alguma coisa assim, que ele passava por cima dos mosquitos e fazia... E os mosquitos caíam fulminados no chão. O velho latoeiro. É, sabe quem conheceu ele? Esse rapaz aqui. Eu ouvi dizer, Fausto, que você

conhece ele. Estive com ele, sim. Saímos aqui da taberna depois de tomar a nossa Biergotten. Demos uma voltinha por aí e lá estava ele. Estávamos de barco e ele passava do nosso lado. Demos tchauzinho. Ficamos muito felizes ao vê-lo. Nossos amigos já o conheciam. Eu fui a primeira vez. Mas me pareceu muito gente fina. Tão gente fina que não posso dizer, mas ele salvou minha vida.

Quando tentamos adentrar lá no Monte Kibbe, teve um momento que uma criatura que parecia uma barata gigante veio para cima de nós, mordendo nossas armas e a transformando em ferrugem. Fugimos e num surto de medo gritamos em nome dele. Ele apareceu e o tempo parou. Conseguimos sair de dentro do Kibbe, voltamos para casa e tudo normalizou. Ele, com certeza, salvou as nossas vidas.

Olha, e eu fico aqui preocupado olhando isso, porque vocês estão falando de um titã resgatado dos mortos, não sei, que pode ser uma ameaça. Por outro lado, tem um latueiro que para o tempo. Vocês trazem umas histórias que são até difíceis de acreditar. Mas é uma coisa tão consistente ao longo do tempo, é tanto aventureiro contando histórias que de uma forma ou de outra se casam entre si, que talvez eu

devesse me preocupar até mais. Vocês parecem viver uma realidade paralela, mas que a algum ponto ela toca a fresqueta. Nesse momento a Dora olha em volta e vê como o cenário mudou. A taverna dela agora tem dois, quase três andares, cheio de puxadinho para o aventureiro dormir. Ela volta pra vocês e fala... O dinheiro... Tá dando? Tá pagando? Vale a pena correr esse risco, gente? Abre o coração aqui, porque eu admiro muito e não posso reclamar.

Mas vale a pena mesmo? Ah, a gente não faz pelo dinheiro. A gente faz pelos amigos que fazemos no caminho. Bom, isso é com ele. Eu tô aqui pela graninha que me sobra pra pagar ali... Uma peça de teatro, uma bebida diferenciada e, vez ou outra, uma rifa de moleques que dão golpes por aí. Eles pegaram mais um. Mais dois. Alguém grita lá do fundo, mais três. Ela fala, olha, se eles não morrerem... Eu acredito em tudo, porque eles passam a perna em todo mundo.

E eu já tô cansada de vagabundo aqui na frasqueta. Não, Dora, não fala assim. Pensa que eles são, digamos, quase um ponto turístico. Se você encara dessa forma, algo pitoresco, é isso abrando o coração. Eu caí no golpe e eles depois me encontraram... Enfim. deram o burrinho de volta tá tudo certo, pra mim tá ótimo o burrinho Stanislavski ele segue aí interpretando a si mesmo como um grande burro vivendo altas aventuras com a gente quando pedras caem na nossa cabeça aconteceu isso?

é o Gil quase faleceu nesse dia e eu e a Brisa também é onde isso? No caminho pro Forte da Serp. Ah, e o Forte da Serp... Teve um pessoal... Você foi, inclusive, né, Brisa? Levou um pessoal daqui, o pessoal do sapateiro pra lá. Tá todo mundo bem, Brisa? A gente não teve mais notícia? A Brisa vai ficar num silêncio dolorido. E vai olhar pra baixo. O Lirinha olha pra ela e fala... É... Às vezes tem memórias muito duras quando a gente menciona alguns fatos. Mas eu mesmo, pra mim, tá ótimo.

A gente foi pro Forte da Serp aí, levou um pessoal pra lá. Agora o Forte da Serp pertence a uma família de ricaço aí, de gente de sangue nobre. Sei lá, esses caras, você sabe como é. Mas que, enfim, quem tá tocando o projeto mesmo somos nós, aventureiros. A gente tá lá protegendo, a gente até comida faz. Quer dizer... Algumas pessoas que vão com a gente faz, né? Porque, em geral, eu tô muito ocupado lendo e recitando os meus feitiços, a Brisa rezando e o Fausto talvez... Eu cozinho.

Eu faço pão. Eu sei cozinhar. É. Ela sabe mesmo. Eu vi ela lá direto ali, andando ali no forno com o sapateiro, né? Parece estranho, né? Mas, enfim, o sapateiro, o forno... Mas o sapateiro tem sido uma grande figura, né? Mas voltando à luneta, tem uma curiosidade aqui no forte da luneta que vocês falaram aí. Bom, a gente, os primeiros rumores que tiveram aqui, que os aventureiros foram investigar, eu lembro bem. Inclusive, aquele pessoal sumiu.

Não tem aparecido muito pessoal do pó de mariposa. Mas eles foram até, eles foram caçar um passaralho na serra. Era um ser, uma mistura de urso com coruja, não sei, alguma coisa assim. Mas o fato é que eles voltaram e eu sei que atiçaram o ninho dos passaralhos, então até o pobre do tio Lopes foi morto por um passaralho aqui nas cercanias. E mais do que isso, mesmo capturado... Eu sei que teve um problema com um passaralho recentemente. O Doce Mariposa, um aventureiro, morreu.

Ele era muito próximo seu, não era, Lirinha? Agora é o Lirinha quem abaixa os olhos doloridamente e só resmunga. É, era assim. Ele foi uma inspiração pra gente. E o que você faz se você encontra um passaralho na serra? O Lirinha olha pra brisa... Corre. Olha pro Fausto, olha pra Dora, aí a Brisa fala corre, a menina dá de ombro e fala, a gente faz o que pode. Fausto, você falou que tá aqui pelos amigos que você vai fazer no caminho e tal, e onde você tá pensando em fazer amigos da

próxima vez? Em todos esses lugares inspiradores. Eu fico aqui a maior parte do tempo sentado na taverna, escrevendo minhas cartas para minha família e imaginando qual será meu próximo destino. São tantas histórias, tantas pessoas contando e passando por aqui que eu me sinto cada vez mais inspirado. Eu não sei nem por onde começar. Ainda estou conhecendo, estou conhecendo esse belo lugar. Fui ali algumas vezes ao Monte Kibbe, mas quero conhecer outros cantos.

E escutar deles me inspira cada vez mais. Mas eu vou para onde me levar. Os amigos que faço são os que me levam. Parece um bom negócio, né? Vocês que estão atrás de dinheiro, ele está atrás de amigos. Não precisa dividir por três, divide por dois. Vocês não têm um convite para fazer a ele? Mas aí, um dinheirinho a mais, um dinheirinho a menos. A gente não recusa. É, Brisa, para onde você vai levar ele?

Conta aí. Mas acho que as próximas vezes que a gente sair não vai trazer dinheiro, não. Mas eu acho que se a gente não for resolver esse problema lá na Montanha da Ocarina com o Titã, não vai ter nem dinheiro, nem vida, nem história pra contar daqui pra frente. Tá sim, é? Então vamos por aventuras heróicas. Eu tô preocupada, eu tô ficando cada vez mais preocupada, Brisa. Por favor. Dê um jeito nisso. Eu quero uma boa notícia da próxima vez. Bom, alguns vão pelo heroísmo.

Eu tenho uma peça a escrever e as ideias... Sabe como é, né? Eu preciso de um gran finale. Quem sabe lá eu encontre. Histórias fecham bem com heróis. Desde que não seja um martírio, né? Tem que lembrar. É um herói, mas não é um santo. Eu já estou cansado de elegias. A última foi uma elegia. Eu quero algo... Um final um pouco diferente, né? E pra sua companhia, Lirinha? Eu sei que... Sua última apresentação mais... Enfim, a grandiosa, né? Foi lá no Burgo. Justamente depois da arena

dolorosa. Que perdemos o Mariposa. Como é que você está pensando em tocar a companhia? Tem alguma coisa em vista? Tenho, tenho. Eu, como... A despeito do que dizem certas pessoas... Eu não tenho muita pretensão de ser protagonista. Eu gosto de estar mais por perto. E observando, sabe? Deixando pra alguém os holofotes... Pra que eu possa só contribuir com a minha escrita. Mas... Olha, vou dizer que essa última história com a Viúva Negra... Daria uma ótima...

Uma ótima peça. E aí eu pensei assim... Brisa... dos ventos. Algo não tão grandioso, talvez, quanto a história do Mariposa, mas que conte um pouco desta outra personagem que temos aqui à mesa. Eu só espero que dessa vez o meu protagonista tenha um bom final. É, tô preocupada. Não quero fazer parte dessa peça. Se for pra ter o mesmo final do Mariposa, eu prefiro não ser protagonista da sua peça. A gente vê no que dá. Vai que... As coisas se transpiram de forma diferente.

Agora, vocês falando aqui, me despertou uma memória. Tinha um rapaz, elfo, que trabalhava aqui na frasqueta. Ele também estava nesse negócio de show. Mas depois que você foi aparecendo, ele foi sumindo também. E foi ficando um caso mais estranho, na verdade. Sabe qual era o tipo de show que ele fazia, Lirinha? Era sobre aranhas. Ele tacava teias pela taverna inteira... Ele... Tinha uma aranha de estimação, inclusive... Do tamanho de um cachorro...

Já pensou nisso? Olha... É um ótimo personagem pra essa peça... Talvez... Ao invés de eu me usar... Pra eu poder ficar um pouco mais longe dos holofotes... Eu possa trazer ele... Ótima ideia, Dora... É... Eu não sei pra onde ele anda atualmente... Ele tinha se informado numa

casa... Eu ouvi falar que ele comprou uma casa lá pros lados... do templo de visagem enfim não sei, não tenho conectado o que que vem acontecendo de lá pra cá com ele mas pode ser uma boa é agora uma coisa interessante que eu queria perguntar pra vocês é o seguinte assumindo que dê certo essa coisa aí de vocês resolverem o problema da viúva negra e do vazio e da caverna e tudo mais vocês vão se aposentar? vocês tem planos pra isso? ou vocês vão ficar pra sempre nessa vida aí?

eu já me aposentei três ou quatro vezes essa expressão antiga que vocês veem aqui eu um dia já fui jovem também E, no fim das contas, a minha impressão é que, pra aventureiro, a aposentadoria nunca pega. Sempre tem uma nova viagem por fazer. A Brisa se considera muito pacata, mas agora que a Dora falou em aposentadoria, a ideia destruiu ela, assim.

E aí, na hora que a Dora falou em aposentadoria, ela ponderou sobre ficar com as pessoas das quais ela cuida, curtindo as bençãos de Maria Joana, que é a padroeira dela, e uma boa festinha, que é o que ela gosta, e ela odiou a ideia. Então, ela ficou quietinha, mas ela só balançou a cabeça, assim, porque não vai ter aposentadoria para ela. Curioso, né? Porque...

Assim, olhando Fortuna, olha o tempo de Fortuna, a filial de Fortuna. A filial anda muito bem, a filial anda crescendo cada vez mais, com mais riqueza. Ela sobreviveu a um assalto ao cofre, veja só. Então os negócios andam muito bem. Fortuna anda aqui na frasqueta sendo uma grande referência cada vez mais. a fé mais presente, que ajuda mais as pessoas. Como anda a Maria Joana? Como anda a fé de Maria Joana? Você não tem planos para isso? Para crescer essa fé?

Para construir um templo, de repente? Para fazer com que isso atraia mais fiéis e vocês possam erguer um grande negócio? Não. a ideia de não querer um negócio pode parecer esquisita pra alguém que segue fortuna. Mas esse não é o objetivo de Maria Joana. Talvez espalhar a mensagem de paz e de união me interesse, mas eu não quero forçar ninguém a nada, não. Esse expansionismo não faz parte do que a gente acredita.

Olha, é, vivendo e aprendendo de onde eu vim e onde eu estou isso parece um pouco estranho mas vamos ver no que vai dar provavelmente vai ter gente legal como você então pode ser interessante olha Dora eu posso afirmar com certeza que são as melhores festas que eu já vi a gente tá precisando abrir um pouco mais a mente sabe Lá na filial, por exemplo, o pessoal festeja sem bebida, né? Então, suco. Aí você vê, você vê, Dora? Olha a gente aqui quando a gente

festeja com a cerveja dos titãs. Vê o tipo de coisa que a gente consegue. Ou as festas que a própria Brisa deu no Forte, quando a gente estivemos lá, a gente passou uns dias por lá. Eu cheguei a dar festa na frasqueta também, distribuir erva pra todo mundo, quando a gente entrou no jazigo que a gente saqueou a viúva negra. A primeira vez que saqueamos ela, ela tava viva ainda e eu quase morri pra tirar aquele dinheiro de lá.

E aí eu dei uma festa que distribuiu erva para a festa inteira e transformei isso aqui numa sala. É, não deixa de ser uma liturgia, né? E por mais que os pais não encontrassem os machados dos filhos que deixaram na estante de casa na noite anterior, de certa forma, é, foi curioso. E isso é o ofício, caro Fausto? Você falou que quer fazer amigos. No futuro você se imagina num grande acampamento cheio de amigos. Onde é que você quer chegar, exatamente? De onde eu vim, nós tínhamos um

clã. Eu vim do clã Valdir, de uma ilha distante. E eu me imagino conseguindo trazer toda minha família para cá. Todo meu clã. Reestabelecer meu clã por aqui. Encontrar um lugar pacífico. Conquistar um terreno seguro para aventureiros pararem e descansarem também. Sem o medo dos ermos. Terras para poder unir todo meu clã novamente. E termos festas, as nossas famosas festas dos anões. Esse é o meu sonho e a minha esperança, quando vim para este reino.

Conhecer mais, de ter um lugar para realmente poder descansar após todas as aventuras. Algum bebum ergue o caneco e grita, Ah não, é igual assim! Salve! E brada o negócio. E bom, vocês nesse momento percebem que alguém levanta e pede para a Dora uma coisa que é bem familiar para vocês. Dora, vamos incursionar. Tire cinco desse caldeirão. Manda a Biergotten para cá. A Dora bate no ombro de vocês e fala, é, hoje tem.

E vai lá preparar a Biergotten para aventureiros que vão tentar a sorte no dia de hoje, nessa bela noite de outono na frasqueta. Esse foi um episódio de Natal do Café com Dungeon, trazendo um pouquinho de Birra Gothen.

Entre Ouvido na Frasqueta é um diálogo espontâneo entre personagens de jogadores e NPCs conversando na taverna durante os dias entre aventuras, quando eles têm tempo de dividirem uma cerveja e um tiragosto para colocar em perspectiva as narrativas que viveram e que foram jogadas em nossa campanha

aberta. Esse é o primeiro episódio, haverá outros Entre Ouvido na Frasqueta, ainda vamos decidir, porém, se eles virão aqui no Café com Dungeon ou se eles merecem um podcast próprio, um feed próprio. Mas desde já, desafio todos vocês a jogarem com a gente essa campanha aberta e gratuita, na qual valentes aventureiros desbravam os ermos, onde foram os mortos, ou aprisionados os titãs na aurora dos deuses, em busca de tesouros, segredos

arcanos e conexões divinas. Venha viver histórias como essas, que podemos ouvir entre ouvido na fasqueta. Quanto ao Café com Dungeon, entramos em recesso e voltamos dia sete de janeiro, terça-feira, na sua manhã com muito RPG. Um abraço e até a próxima.

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